Resumos Analíticos da Revista Em Aberto



Baixar 378.68 Kb.
Página1/9
Encontro25.07.2016
Tamanho378.68 Kb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9
Resumos Analíticos da Revista Em Aberto
CASTRO, Cláudio de Moura. Secundário Profissionalizante: prêmio de consolação? Em Aberto,Brasília,v.1,n.1,11-25.Novembro,1981.

O artigo procura demonstrar que as estratégias adotadas para a transformação e expansão do ensino universitário, principalmente no setor privado, são incompatíveis com os objetivos de profissionalização do ensino de segundo grau. Através de análises qualitativas de custo-benefício, o autor aponta para as razões que têm tornado o curso superior tão atrativo para a grande maioria dos estudantes secundaristas: o vestibular classificatório; custos pequenos em relação aos benefícios adquiridos durante o curso universitário; acesso à alimentação, saúde, cultura e lazer a preços baixíssimos; status; cursos fáceis, horários noturnos e de fins de semana. Outras razões referem-se ao mercado de trabalho: a forte tendência de ocupação de postos de trabalho por universitários, que anteriormente eram ocupados por pessoal de nível secundário; legislação trabalhista caracteristicamente corporativista e favorável aos profissionais de nível superior. São observadas as várias dificuldades na organização e operação dos programas profissionalizantes a nível secundário que têm evidenciado uma rejeição ao caráter terminal do sistema secundário. O autor conclui que enquanto não se agir diretamente sobre os mecanismos que possibilitam o acúmulo de vantagens e benefícios para aqueles que cursam a universidade, não será possível ou viável fazer com que os cursos profissionalizantes sejam mais do que apenas um prêmio de consolação.


GARDENAL, Lilia e PAIXÃO, Antônio Luiz.. Ciclo Básico na Universidade Brasileira: tema e problemas principais. Em Aberto,Brasília,v.1,n.2,1-4.Janeiro,1982.

O artigo explicita algumas questões críticas sobre a temática do ciclo básico implantado pela Reforma Universitária de 1968. Os autores discorrem sobre a concepção e os objetivos deste ciclo, relacionando-os ao pressuposto de integração orgânica que preside a organização da Universidade. Mostram que, na prática, estes objetivos eram ambíguos, apresentando distorções na transição do projeto para a realidade organizacional. A variedade de formas de estruturação dos estudos básicos evidenciou a capacidade das instituições acadêmicas de absorver, em seus próprios termos, as decisões centrais, afastando-se do conceito uniformizador previsto na legislação. Para os autores, a análise das reformas de organização acadêmica nas IES mostra que estas seriam mais competentemente descritas como "anarquias organizadas" devido ao caráter complexo, ambíguo e conflitivo de seus objetivos. Revelam uma realidade na qual ocorre uma clara disjunção entre estrutura formal e as atividades práticas ou técnicas, acompanhadas por uma "lógica de confiança", que perpassa todo o sistema organizacional da educação, o que lhe dá uma aparência de coerência e integração. O reconhecimento da organização universitária nesses moldes permite abarcar a dimensão política pouco explorada pelos analistas e que, ao lado das dimensões estruturais, ajudariam a explicar a diversidade dos modos de organização do ciclo básico.

SOUSA, Marcondes Rosa de. 1o. Ciclo - signo do conflito entre a concepção liberal e a funcional de currículo na UFC. Em Aberto,Brasília,v.1,n.2,5-10.Janeiro,1982.

O artigo traz algumas reflexões sobre a história do 1o. Ciclo na UFCE, cuja trajetória foi marcada por conflitos e transformações bruscas, na maior parte delas, mais formais do que qualitativas. Tais conflitos acabaram por plasmar no ciclo básico daquela universidade uma identidade contraditória que guarda feições diversas, que às vezes apresentam dissonância entre os aspectos teóricos e práticos. Para o autor, a maioria dos estudos realizados sobre o ciclo básico na UFCE, durante sua primeira década de funcionamento, tinham como alvo a própria Reforma Universitária, que impôs à universidade brasileira as concepções liberal e funcionalista, e que atingiram frontalmente as estruturas de poder destas instituições. Apresenta um breve relato histórico, no qual o autor demonstra a existência de uma oscilação entre as tendências generalizante e especializante no 1o. Ciclo daquela instituição, revelando uma concepção linear do currículo de graduação e uma falta de integração entre o ciclo básico e o profissional. Aponta algumas perspectivas para este ciclo na UFCE e conclui que, para esta instituição, o 1o. Ciclo foi entendido como um signo da Reforma, que acabou por desencadear discussões sobre a formação dos profissionais em nível superior, a Universidade e o próprio sistema educacional.
BACK, Eurico. O Ciclo Básico na Universidade Federal do Paraná. Em Aberto,Brasília,v.1,n.2,11-16.Janei

O autor inicia o artigo afirmando que o ciclo básico na UFPr, conforme reza em seu estatuto, jamais foi implantado, devido às contradições entre as leis 5540/68 e a 5692/71. A UFPr entendeu que, com a promulgação da lei 5692/71, o conteúdo do 1o. Ciclo ficou esvaziado, e que desde então a instituição tem buscado solucionar os problemas surgidos no ciclo básico. O artigo apresenta as saídas encontradas pela instituição a fim de que se cumpram as três funções do ciclo básico. Traz as razões que levaram a UFPr a mudar a orientação do ciclo básico, as dificuldades e os resultados atingidos com tais modificações. Conclui afirmando que a UFPr conservou os pontos positivos da Reforma e mudou o que considerava aspectos que não contribuíram para a melhoria da qualidade de ensino. Tece críticas em relação à formação do docente de ensino superior, ao sistema de departamentos e à composição dos currículos, que deve estar ajustado aos objetivos do curso e não aos objetivos dos professores.


LODI, Lúcia Helena.. O Conservadorismo Pedagógico na Formação do Professor. Em Aberto,Brasília,v.1,n.8,31-34.Agosto,1982.

O texto resenha tese de mestrado defendida na PUC/SP, em 1981. O estudo investigou a formação do professor do antigo ensino médio, hoje ensino de 1o. Grau ( 5a. a 8a. Série) e 2o. Grau. O estudo é abordado nas perspectivas sócio-histórica e analítico-funcional dos cursos, considerando-os a partir do exame da legislação que lhe é pertinente e a partir de sua inserção no contexto social do qual recebe significação. O trabalho foi motivado pelo constante questionamento sobre a eficiência dos cursos de licenciatura, cujos currículos, desvinculados da realidade cotidiana, têm enfatizado a formação do especialista em detrimento da formação do educador. A autora conclui que apesar das transformações ocorridas na sociedade brasileira, os cursos sofreram pequenas alterações, e sugere uma construção coletiva dos cursos de licenciatura.


SOARES, Magda Becker. A Utilização de testes de aptidão Acadêmica no Vestibular na UFMG. Em Aberto,Brasília,v.1,n.3,34-35.Fevereiro,1982.

O texto divulga uma pesquisa do tipo descritiva-relacional realizada na UFMG, com recursos do INEP, em 1980, e que buscou testar alternativas para o concurso do vestibular. A pesquisa analisou a aplicação de um teste de aptidão acadêmica no vestibular da UFMG, em 1979, que pressupõe ser possível medir a capacidade de raciocínio, de pensamento crítico, de análise, enfim, a aptidão para os estudos superiores. Os resultados do teste foram comparados com a origem sócio-econômica, o sexo dos candidatos e o seu desempenho nas diferentes provas do vestibular. A análise dos dados obtidos confirma que, qualquer que seja o instrumento de medida, a seleção beneficia sempre os mais favorecidos do ponto de vista sócio-econômico, e conclui que aquilo que se convencionou chamar de aptidão acadêmica nada mais é que um conjunto de habilidades consideradas importantes pelas e para as classes dominantes.


CUNHA, Luiz Antônio. O Vestibular: a volta do pêndulo. Em Aberto,Brasília,v.1,n.3,7-16.Fevereiro,1982.

O artigo inicia a partir de um breve relato histórico, no qual o autor descreve os processos brasileiros de abertura e fechamento em relação ao ingresso no ensino superior. O artigo tem a intenção de avaliar o "'ultimo ciclo "do movimento de expansão de vagas iniciado com a redemocratização em 1946, e o movimento de contenção que se iniciava à época da produção do texto. São feitas análises político-econômicas deste período, dividindo-o m três partes: a primeira, no período 1946/64, regido sob o signo do populismo; a segunda, no período de 1964/72 sob os ditames do autoritarismo, em que relata a expansão sofrida pelo ensino superior; e a terceira parte diz respeito ao movimento de contenção que se iniciara na década de 70. O artigo busca articular o contexto histórico, a expansão das escolas privadas, as leis que reformaram o ensino de 2o. Grau, e os diversos modelos de exames vestibulares adotados. O autor finaliza afirmando que o movimento pendular de expansão/contenção tem seu motor nas contradições existentes entre a função do sistema de ensino superior, a discriminação social, a sua imagem (ideológica) de mecanismo de ascensão social, e a redistribuição de renda.


CASTRO, Cláudio de Moura. Sua excelência, o Vestibular. Em Aberto,Brasília,v.1,n.3,17-30.Fevereiro,1982.

O artigo discute as possíveis influências do vestibular sobre os níveis anteriores, suas conseqüências sobre o ensino superior, as opções e as falsas opções existentes. Propõe discutir as funções do 2o. Grau: adestramento ou formação; o fracasso da profissionalização; currículo e o vestibular; métodos de avaliação. Discute também o ingresso na universidade, analisando o vestibular como instrumento de seleção dos melhores, origem dos selecionados; outras opções ao vestibular; aborda também as funções do ciclo básico, e o tratamento dado aos cursos de artes e música. Autor conclui que, através de tais questionamentos, pode-se chegar a avaliações que, efetivamente, conduzirão ao equilíbrio entre a validade técnica dos instrumentos e o papel mais amplo do vestibular.


FIORI, Neide Almeida, coord.. Acesso ao Ensino Superior: articulação entre ensino superior e ensino de 2o. Grau. Em Aberto,Brasília,v.1,n.3,31-33.Fevereiro,1982.

O texto resenha livro publicado pela UFSC/INEP, Florianópolis, 1980, organizado em dois volumes. O trabalho foi desenvolvido tendo como objeto de estudo o aspecto da integração entre vários níveis de ensino, privilegiando a análise da articulação entre o ensino de 2o. Grau e o superior, onde é focalizado o concurso vestibular. O 1o. Volume traz uma revisão bibliográfica cuja finalidade foi a de fazer uma análise do problema numa perspectiva histórica. Em seguida, é enfocado o fenômeno da seletividade do sistema educacional no ensino de 1o. e 2o. Graus. O segundo volume cuida mais especificamente da análise da integração do ensino de 2o. e 3o. Graus e propõe alguns pressupostos para a observação e o estudo sobre o exame vestibular: distinção entre avaliação segundo "critérios" ou segundo "norma"; críticas da validação das questões dos exames; afastamento do ensino de 2o. Grau de suas finalidades próprias. Colocadas essas observações de caráter geral, a autora passa à análise específica do exame vestibular em Santa Catarina. Ao final, são apresentadas as oito hipóteses que nortearam a pesquisa e os resultados alcançados, confirmando ou não as mesmas.


CANDAU, Vera Maria Ferrão. A Formação de Educadores: uma perspectiva multidimensional. Em Aberto,Brasília,v.1,n.8,19-21.Agosto,1982.

O artigo inicia apontando os vários fatores determinantes da crise pela qual passam os cursos de formação de educadores. A autora registra a necessidade urgente de uma redefinição destes cursos. Analisa alguns estudos feitos nos últimos anos, agrupados em quatro perspectivas: estudos centrados na norma, ou legislação e a adequação desta na realidade; centrados na dimensão técnica - organização e operacionalização do processo de ensino-aprendizagem; centrados na dimensão humana - estudos que enfatizam a relação interpessoal presente em todo o processo formativo; centrados no contexto, cujo foco principal refere-se à educação em conexão íntima com o sistema político-econômico vigente. O artigo finaliza reafirmando que todas estas dimensões estão presentes no fenômeno da educação e que traduzir a perspectiva multidimensional em currículos e dinâmica de formação constitui o grande desafio do momento.


REIS FILHO, Casemiro. Reforma Universitária e Ciclo Básico. Em Aberto,Brasília,v.1,n.2,17-18.Janeiro,1982.

O texto resenha artigo contido no livro Educação Brasileira Contemporânea: organização e funcionamento. São Paulo. McGraw-Hill do Brasil; Rio de Janeiro, Mec/Fename, 1978. P. 195-224. O autor analisa a instituição universitária no mundo e no Brasil numa perspectiva histórica, desde as suas origens até os dias atuais. Traz reflexões a respeito do modelo de ciclo básico adotado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Dentre as diversas conceituações de ciclo básico encontradas nos seminários promovidos pelo CFE e pelo CRUB, a PUC/SP optou pela alternativa que coloca o curso básico como estudos humanísticos de caráter educativo ou formativo, introdutórios do aluno à universidade. Esta alternativa parte do pressuposto da nova concepção de universidade, cujas diretrizes filosóficas fundamentam-se na ação educativa voltada para a promoção do homem comprometido com a transformação de sua realidade sociocultural.


RAMOS, Anita Guerra. O 1o. Ciclo na Universidade Brasileira: contribuição para o estudo de sua implantação e funcionamento. Em Aberto,Brasília,v.1,n.2,19-20.Janeiro,1982.

O texto resenha tese de mestrado defendida no IESAE/FGV, que estudou o processo de implantação e funcionamento do primeiro ciclo dos cursos da área de Ciências Humanas das universidades federais e católicas do Brasil. A partir de análises do sistema educacional e de sua adaptação às condições sócio-econômicas do pais, o estudo abrange duas partes: a primeira, bibliográfica, compreende a literatura referente à reforma universitária, dando destaque aos aspectos psicológicos implícitos e explícitos nos dispositivos legais que apresenta o ciclo básico; a segunda objetivou as análises das funções, das formas de implantação, do currículo, das modalidades de coordenação, da existência de serviços de orientação vocacional e aconselhamento pedagógico, etc, a partir de pesquisa realizada em dezessete universidades federais e nove católicas. O estudo conclui que em algumas instituições o ciclo básico é oferecido para cada um dos cursos isoladamente, destituído de todo caráter generalizante. Em outros, o 1o. Ciclo é mais dinâmico e eficiente, devido à presença prévia de uma organização acadêmica que conseguiu coordenar as atividades didáticas e administrativas, sobretudo naquelas instituições estruturadas em departamentos coordenados por um centro.

RIBEIRO, Sérgio Costa. O Vestibular.Em Aberto,Brasília,v.1,n.3,1-6.Fevereiro,1982.

O artigo apresenta sucintamente algumas conclusões tiradas do projeto de pesquisa "Vestibular: instrumento de diagnóstico do sistema escolar". Através de análises históricas e antropológicas, o estudo revela que o acesso ao ensino superior no Brasil está inserido num grande processo de seletividade social, que se inicia nas escolas de 1o. E 2o. Graus, e que se estende dentro do curso superior, através da evasão. Relata brevemente a história do exame vestibular desde sua introdução em 1911 até o modelo então vigente, articulado à demanda e à expansão de vagas no ensino superior. A seguir, demonstra que o vestibular mostra que os parâmetros sócio-econômicos e culturais determinam a escolha da carreira, e o fracasso ou o sucesso dos candidatos nos exames. Esta conclusão é feita a partir de análises da hierarquização das carreiras na estrutura político-social do país, da distribuição de candidatos por sexo, e da divisão dos classificados em dois grupos: aqueles que se destinam às escolas públicas e aqueles que se destinam às escolas particulares. Também são feitas considerações quanto ao aspecto técnico-pedagógico do vestibular e sua influência na prática pedagógica do segundo grau. Além de evidenciar a forte pré-seleção social na escolha de carreira, o projeto também apontou algumas tendências do vestibular: o modelo de vestibular único e classificatório começa a ser abandonado devido à expansão de vagas em escolas isoladas e da não implantação do primeiro ciclo geral nas universidades; volta ao caráter habilitatório; volta à especialização do vestibular por cursos, levando ao ressurgimento dos chamado "cursinhos", reforçando ainda mais, a perda de poder pela escola de 2o. Grau.

MELLO, Guiomar Namo de, et.al. As atuais Condições de Formação do Professor de 1o. Grau: algumas reflexões e hipóteses de investigação. Em Aberto,Brasília,v.1,n.8,1-11.Agosto,1982.

O artigo afirma que o crescimento quantitativo da escola básica transformou muito as condições e as relações sociais de trabalho do professor. A burocratização do sistema muda a natureza da prática pedagógica exigindo que esta se torne racionalizada, ordenada e crítica. No entanto, os cursos de formação do magistério em geral, e em particular os das séries iniciais do primeiro grau, não estão conseguindo preparar adequadamente o professor para atuar na nova realidade da escola. As autoras se propuseram a estudar estes cursos a fim de fazer um diagnóstico para fornecer subsídios para o delineamento de novas alternativas de preparação do profissional do magistério. Na primeira parte do artigo, são trazidas considerações teóricas a respeito do papel da educação escolar, do mecanismo de repetência e exclusão, dos fatores extra-escolares que influenciam o fracasso escolar e das expectativas dos professores em relação aos seus alunos. A seguir, são feitas considerações históricas que focalizam desde a criação do curso de pedagogia em 1939, como parte da reforma do ensino superior, bem como a regulamentação dos cursos normais, até a promulgação da lei 5540 e suas recorrências no curso de Pedagogia. Baseadas na permanência dos altos índices de repetência e evasão nas séries iniciais do primeiro grau, as autoras levantam algumas hipóteses que explicam as tendências dos cursos de formação de professores primários, enfatizando o curso de Pedagogia: predominância de matérias teóricas sobre às práticas no currículo, o bacharelado, a busca do curso como possibilidade de ascensão social e não para a profissionalização, estágios que cumprem apenas uma função burocrática. Concluem alertando para a necessidade de se fazer estudos mais profundos sobre a formação dos professores, na medida em que são os profissionais responsáveis pela realidade das escolas brasileiras.
SAVIANI, Dermeval. Uma estratégia para a reformulação dos cursos de pedagogia e licenciatura: formar o especialista e o professor no educador.Em Aberto,Brasília,v.1,n.8,13-17.Agosto,1982.

O artigo propõe algumas alternativas para a formação do educador nos cursos de pedagogia e de licenciatura. Primeiramente são expostas a situação em que se encontram os cursos e suas insuficiências, dando destaque ao status inferior que a área de Educação tem no âmbito da universidade. O autor defende a formação do educador generalista, argumentando que a educação é um objeto específico do saber universitário, e que o ideal é formar o educador tanto no especialista como no professor. Compara a situação de outros cursos e afirma que um grande contigente de estudantes procura a universidade com um interesse genuíno pelo magistério. A seguir, propõe um currículo que serviria tanto para os cursos de pedagogia como para os de licenciatura.

BRAGA, Ronald. Apontamentos em torno da polêmica ensino pago versus ensino gratuito. Em Aberto,Brasília,v.2,n.14,13-18.Abril,1983.

O artigo apresenta algumas reflexões a respeito do dilema ensino pago ou ensino gratuito, feitas a partir de leitura de matérias publicadas em jornais de circulação nacional, durante a administração do governo Figueiredo. A leitura desse acervo foi feita no sentido de anotar os principais pontos de consenso e divergência. Inicialmente, critica o modo truncado e superficial com que a polêmica é travada; isto se deve, segundo o autor, à falta de uma autêntica política educacional no Brasil, que há mais de cinqüenta anos vem construindo um sistema de ensino no qual as questões de financiamento se confundem com o problema da natureza da escola (pública ou particular). A adoção de dois pesos e duas medidas tem produzido um profundo desgaste ao sistema, especialmente para o nível superior. A seguir, descreve os pontos de consenso, sendo o principal a constatação de que a atual situação do sistema é incoerente e injusta. As divergências aparecem em relação às propostas de solução para esta situação. São apresentados argumentos favoráveis e contrários à gratuidade do ensino superior. As discussões se omitem em relação às questões de ordem pedagógica, e destaca o problema do curso noturno e a qualidade pretendida para o ensino superior, e as dificuldades que as famílias enfrentam para financiar os estudos de seus filhos adultos. Na conclusão, afirma que a polêmica do financiamento do ensino superior torna-se vazia porque questões mais profundas e anteriores a ela ainda não foram resolvidas, como as que dizem respeito às finalidades da educação e as funções da universidade na sociedade brasileira.


SCHMIDT, Isaura Belloni. Universidade: a busca de uma estratégia de transformação. Em Aberto,Brasília,v.1,n.10,1-9.Outubro,1982

O artigo tem por objetivo discutir algumas questões referentes à estrutura interna de poder e da autonomia vivenciadas pelas IES brasileiras, a fim de contribuir para o debate nacional em busca de estratégias para a sua transformação. Inicialmente, são enumerados os fatores exógenos e endógenos que antecederam a situação de crise vigente nas universidades: conjuntura econômica e políticas das últimas décadas; crise do ideal de democratização resultante da incompatibilização do princípio da igualdade de oportunidades de acesso à educação, e as características meritocráticas e seletivas do sistema educacional; a política de expansão; a organização interna do ensino superior e a relação das IES com o Ministério da Educação após a reforma de 1968. São feitos comentários sobre o projeto atual e o modo pelo qual os responsáveis pelo sistema universitário o vêm conduzindo, repetindo os tradicionais mecanismos de controle e de centralização. Finaliza propondo a realização de análises profundas e sistemáticas sobre as causas, e não apenas os sintomas, que perpassam a crise do sistema de ensino superior.

GARCIA, Walter Esteves. A questão da relação Universidade/sociedade brasileira. Em Aberto,Brasília,v.1,n.10,11-15.Outubro,1982.

O autor, a partir da análise das idéias de universidade e de sociedade brasileira, chama a atenção para a dinâmica existente no processo social e na universidade, que comprova a impossibilidade de encerrá-los em normas e regimentos rígidos. Tece comentários sobre as relações entre universidade e sociedade brasileira, vistas através de grandes linhas de análise e interpretação das concepções de educação nas décadas de 60 a 80. Identifica três grandes visões neste período: a concepção otimista, que entrega à educação, e por extensão à universidade, um importante papel para a transformação societária; a tecnicista, vigente a partir de 64 e na qual se forjou a Reforma com forte contribuição de especialistas em educação; e a concepção realista, emergente com o esgotamento da concepção tecnicista e que envolve questionamentos em relação à autonomia universitária, descentralização e a regionalização. Observa que existem riscos quanto às propostas radicais em relação à regionalização, que pode redundar em isolacionismo. Um novo ciclo histórico está se abrindo, o que torna mais rico e condizente o papel que a universidade deve desempenhar numa sociedade pluralista e democrática. Este novo papel será fruto de uma reelaboração coletiva do saber, de caráter mais político do que técnico.


MORAES, Lafayette de e CARVALHO, Maria Lúcia R. D.. A universidade empresa e as concepções de Mary Parker Follet. Em Aberto,Brasília,v.1,n.10,17-27.Outubro,1982.

As autoras argumentam que, com a crescente valorização da educação nas sociedades contemporâneas, a administração educacional passa a ser um campo de conhecimento bastante complexo e que exige aprimoramento. As autoras propõem elucidar a teoria de organização de M. P. Follet aplicada aos problemas da educação universitária, por considerarem a melhor alternativa para a sustentação do modelo integrado adotado em nossas universidades. Apresentam um breve relato da trajetória profissional de Follet e discutem problemas da universidade brasileira: o problema dos fins; a desintegração da comunidade de scholars; o crescimento e a burocratização, e demonstram que, paradoxalmente, a falta de integração em todos os níveis, discente, docente e deliberativo da universidade, constitui a verdadeira raiz da crise universitária. Apresentam propostas para solucionar a crise: desenvolver uma forma democrática de administração, flexibilização da burocracia e aperfeiçoamento dos recursos humanos.

  1   2   3   4   5   6   7   8   9


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal