Resumos das comunicaçÕes e conferências do colóquio internacional em homenagem a judith teixeira. As mulheres e o modernismo flul, 28 e 29 de outubro de 2015



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RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES E CONFERÊNCIAS DO COLÓQUIO INTERNACIONAL EM HOMENAGEM A JUDITH TEIXEIRA. AS MULHERES E O MODERNISMO

FLUL, 28 E 29 DE OUTUBRO DE 2015


  1. Temáticas sobre Judith Teixeira



Ana Maria Binet (Univ. Bordeaux Montaigne, Cátedra de Estudos Portugueses)

Judith Teixeira (1880-1950) ou o Primeiro Modernismo Português no feminino
Judith Teixeira, um dos únicos elementos femininos do período chamado “Primeiro Modernismo “ (1910-1925), ficou durante muito tempo envolta numa forma de penumbra, a mesma que cobriu, até à recente edição da sua poesia e prosa1, a maior parte da sua obra. Uma tonalidade sombria carateriza, aliás, os seus poemas, que foram ocultados pela censura, que os acusou de participarem de uma “literatura de Sodoma”. Com efeito, a poesia de Judith Teixeira é fruto de uma visão duplamente original para a época, a de uma mulher que tentava impor a sua voz num contexto literário fortemente masculino, mas que era também homossexual, escândalo absoluto num pais onde reinava um catolicismo particularmente conservador. Talvez por essa dupla razão, a sua poesia testemunha de um desespero profundo, que se acompanha, de maneira bastante interessante, de um forte impulso místico. Os títulos dos três principais livros de poemas são bastante explícitos no que diz respeito a essa tonalidade sombria: Decadência, Castelo de sombras, Nua… Revelam eles, com efeito, uma sensualidade partilhada entre o corpo feminino e aquela que J. Teixeira chamava a “sua amante”, a morfina. Essa luxúria, que se desenvolve através de uma forma de ritual sagrado, como em Valentine de Saint-Point, mundana e futurista, chama a nossa atenção sobre o facto de que os movimentos timidamente vanguardistas que surgem então em Portugal são ainda fortemente marcados pelo Decadentismo. A obra de Judith Teixeira, fruto de uma voz feminina de grande originalidade e força criativa num contexto amplamente dominado pela expressão masculina, foi até agora pouco estudada. No entanto, testemunhando embora dos laços existentes ainda, na segunda década do século XX, entre Decadentismo e Modernismo, essa voz diz a vontade das mulheres de impor uma forma de expressão própria e inovadora. Essa poetisa, que ousou viver e escrever livremente, condenando-se assim à exclusão e ao esquecimento, merece, pois, a nossa atenção, no âmbito deste colóquio que lhe é oportunamente consagrado. Propomo-nos assim trabalhar sobre a pertinência da inclusão da sua obra no âmbito do Primeiro Modernismo, um dos períodos literários mais fecundos na Historia da Literatura Portuguesa, e a definição do lugar à parte que a sua obra ai deve ocupar.
Palavras-chave: Modernismo, homossexualidade, Decadentismo
Ana Raquel Fernandes ( Universidade Europeia – Laureate International Universities)

Judith Teixeira, as Teorias Queers e Feministas em Portugal e na Europa no começo do século XX
Na presente intervenção, à luz da leitura da obra poética e das conferências da autoria de Judith Teixeira (1880-1959), proponho realizar um mapeamento das principais teorias queer e feministas em Portugal e na Europa, no começo do século XX, estabelecendo uma comparação com os contextos anglo-americano e francês. De modo a concretizar este objetivo, procuro de início refletir sobre as ideias principais da autora apresentadas nas conferências Da Saudade (não datado) e, em particular, De Mim. Conferência em que se explicam as minhas razões sobre a Vida, sobre a Estética sobre a Moral (1926). Para a discussão da temática em questão, selecionei alguns poemas que considero representativos dos ideais libertários de Teixeira. Deste modo, os poemas em discussão são também um percurso pela obra literária da autora, tendo-se presente as coletâneas de poesia: Decadência (1923), Castelo de Sombras (1923) e Nua. Poemas de Bizâncio (1926). Pretende-se assim explorar conceitos-chave da poesia judithiana, situando a obra da autora num contexto espácio-temporal português e, simultaneamente, europeu, questionando postulados teóricos, refletindo sobre convenções políticas, sociais, literárias e culturais da época.
Palavras-chave: poesia judithiana, teorias feministas, teorias queer.

Angela Laguardia (Grupo de Pesquisa Letras de Minas, da Univ. Federal de Minas Gerais/ CLEPUL/ Grupo de pesquisa “Escritoras Brasileiras e Portuguesas: Escrita, Ideologia e Gênero”, da Univ. Nova de Lisboa e Univ. Federal do Ceará) Judith Teixeira e Tarsila do Amaral: mulheres modernistas na revista Contemporânea
Expressões diferentes e significativas da pena e do pincel da arte modernista, Judith Teixeira e Tarsila do Amaral desempenharam papéis revolucionários em suas áreas. Estas mulheres “modernas”, a primeira na Europa e a segunda no Brasil, compartilharam do mesmo momento histórico em que as correntes modernistas delineavam seus contornos. Símbolos de ruptura com os paradigmas vigentes, suas atuações ultrapassaram o campo estético e concorreram para as mudanças do papel da mulher na sociedade, em um dos momentos críticos da evolução das conquistas e direitos femininos. A presença de Judith Teixeira e de Tarsila do Amaral no mesmo espaço literário, a revista Contemporânea, torna-se, pois, um mote instigante para o trabalho que pretendemos analisar, ao considerarmos a existência deste ponto de interseção entre as artes modernistas da escritora e da artista plástica e de seus respectivos países. Ainda nos possibilita indagar sobre os possíveis desdobramentos destes trânsitos atlânticos entre os modernistas.
Palavras-chave: Modernismo, arte, transgressão, modernistas.

Andreia Oliveira (Univ. de Coimbra)

Judith Teixeira feminista?
Apesar de terem sido deslocadas para as margens durante séculos, as mulheres foram conseguindo escapar a esse caminho que não escolheram, tendo-se afirmado de diversas formas no meio cultural e social. No século XX, o feminismo e as lutas das mulheres por diferentes causas e espaços dos quais estavam afastadas tomam um novo fôlego, bem como a sua tomada de posição e de palavra. Neste seguimento, interessa explorar as posturas das mulheres, nomeadamente as das feministas portuguesas das primeiras décadas do século passado, analisando as suas principais demandas e reivindicações. Assim, coloca-se a questão Judith Teixeira feminista?, discutindo-se se efetivamente a poetisa e ficcionista pode ser considerada uma feminista portuguesa, mesmo que não se afirme explicitamente como tal, e quais as razões que o explicam.
Palavras-chave: margem, feminismo, palavra poética.

Aldinida Medeiros (Univ. Estadual da Paraíba)

O espaço e o eu em Satânia, de Judith Teixeira
É de conhecimento dos estudiosos da literatura portuguesa que Judith Teixeira não figura nas antologias e coletâneas de textos literários canônicos, como os seus contemporâneos de estética: Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro e outros nomes do Modernismo. Todavia, tanto a sua poesia quanto a prosa merecem o destaque dado aos nomes inseridos no cânone, não apenas pela qualidade estética, mas também pela ousadia de romper com o falso moralismo e a estética comportada para a escrita feminina que predominava em sua época. A presente comunicação objetiva uma análise da novela Satânia, presente no livro homônimo, para observarmos nesta escrita transgressora de Teixeira as relações entre o espaço e o eu da protagonista, tomando como principal aporte ensaios dos Estudos de Gênero (Duarte, 2009; Dias, 2010; Gomes, 2011; dentre outros), a Poética do espaço (1993), de Gaston Bachelard, bem como estudos que abordam elementos axiológicos na elaboração da personagem de ficção (Hamon, 1976; Vieira, 2009).
Palavras-chave: Autoria feminina, cânone, Satânia, espaço, protagonista.

Annabela Rita(FLUL/CLEPUL)

Judith Teixeira: refracções
Esta comunicação pretende observar o modo como Judith Teixeira se autorretrata, se coloca em perspectiva, os lugares e motivos com que se envolve, enquadra e confunde.
Palavras-chave: reflexão, autoretrato, figuração, Judith Teixeira, poesia.

António Fernando Cascais (Univ. Nova de Lisboa)

Uma leitura queer da Conferência “De mim” de Judite Teixeira

 

  



Na Conferência “De mim”, Judite Teixeira não se limita a replicar aos ataques difamatórios e destrutivos de que foi vítima. O presente texto sustenta que, longe de se retrair numa postura defensiva, a Conferência se alça a um plano programático e doutrinário que reflete quanto já era afirmado poeticamente na obra anterior da autora, funcionando como uma teorização retrospetiva do conjunto dela e assim conferindo à sua obra um caráter bem mais auto-reflexivo e fundamentado do que a crítica duradouramente foi capaz de reconhecer. Provar-se-á que a Conferência não só se articula, no plano ético e político, com tomadas de posição pública e manifestos congéneres, nomeadamente de Raul Leal e de Fernando Pessoa, como os ultrapassa, pois ela é partícipe, de uma forma que antecipa a performatividade queer descrita por Eve Kosofsky Sedgwick e Judith Butler, de debates e discussões internacionais seus contemporâneos que atravessaram o Modernismo. A presente análise propõe-se demonstrar que a performatividade queer da Conferência é particularmente notória quando convoca autores como Francisco Lagreca, Pierre Louys, Oscar Wilde, Henry-Marx, Renée Vivien ou Valentine de Saint Point para abordar a sua própria poesia dos pontos de vista da autonomia da arte e da autenticidade estético-expressiva (afirmação da Sinceridade e da consciência de Mulher e de Artista), da força erótica na emancipação feminista (invocação da luxúria da Chama, da Força, da Violência, da Luta), do desafio da técnica moderna à criação estética e às injunções morais (tema da Grande Máquina), ou da estilização autobiográfica da conduta (denúncia daMaioria).  

 

Palavras-chave: Judite Teixeira, conferência, performatividade, queer.




Catherine Dumas (Univ. de Paris III-Sorbonne Nouvelle)

De si mesma em Artista, ou o Futurismo segundo Judith Teixeira em ‘De Mim’ 
Resumo: A minha análise do texto da conferência « De Mim » de Judith Teixeira será levada consoante vários eixos, a par duma aproximação com diversos poemas de Mário de Sá-Carneiro. Para desvendar os significados do termo « Mim », abordarei as poéticas do si desde um ponto de vista narratológico e genérico (identidades sexuais, feminino, etc.). Mais amplamente, tratarei do excesso deste « Mim », excesso de « Verdade », emoção, presença e sentido.
Palavras-chave: poéticas do si, feminino, identidades, excesso, verdade.
Cátia Miriam Costa (Centro de Estudos Internacionais – ISCTE_IUL), Lurdes Escaleira (Instituto Politécnico de Macau)

Escritas transgressoras: da poesia de Judith Teixeira aos contos e crónicas de Deolinda da Conceição
Nesta comunicação propomos uma viagem entre as escritas transgressoras de Judith Teixeira e Deolinda da Conceição, entre uma metrópole asfixiante e uma colónia silenciadora. Apesar de representarem gerações diferentes (uma nasce em 1880, em Viseu, e outra em 1913, em Macau), ambas apresentam percursos biográficos e de escrita que resultam no seu apagamento das antologias literárias e dos estudos literários. Embora ambas tenham sido reabilitadas recentemente, através de estudos literários e reedição textual, levanta-se uma questão relativamente à sua produção literária. Foi a sua condição de mulheres transgressoras de uma moral conservadora que ditou o seu silenciamento ou a falta de qualidade literária? Até que ponto o género e a rebeldia face à sociedade de então provocaram o silenciar das suas escritas? Com percursos de escrita diferentes, Judith, ligada à alta cultura e às publicações literárias, e Deolinda, iniciando o seu percurso literário pelos jornais e só quando sai de Macau no final de vida conseguindo a edição literária, são alvo de um movimento persecutório que as leva a enfrentar a exclusão do meio intelectual, pois o escritor só vive enquanto o seu texto pode ser lido e circulado. Contextualizando as suas vivências, em Portugal e em Macau, o ambiente intelectual na metrópole e na colónia e o valor literário dos seus textos, o presente trabalho pretende problematizar, a partir destes dois exemplos, como a questão de género afetou o reconhecimento literário da escrita das autoras.
Palavras-chave:escritas transgressoras, reconhecimento literário, meio intelectual, género.

Chris Gerry (Univ. de Trás-os-montes e Alto Douro)

Insaciada de Judith Teixeira em inglês: uma primeira versão e comentário

A presente comunicação baseia-se num trabalho ainda em andamento - uma tradução para a língua inglesa do conto intitulado Insaciada escrito em 1927 por Judith Teixeira. O meu objetivo principal é de ler alguns breves extratos da tradução, colocando certas questões e tirando algumas conclusões iniciais relativamente às seguintes temáticas: (a) aspectos técnicos do ato de tradução levantados por este exercício; (b) o lugar da prosa de Judith Teixeira na sua obra literária; e (c) os contornos da relação entre a poesia e a prosa produzidas por escritoras portuguesas na década de 1920. O meu desejo é que, nas melhores tradições de colóquios académicos, o feedback crítico de participantes interessados contribua tanto para um produto final de maior qualidade como para reforçar a minha motivação de verter para o inglês a obra Satânia - um conto de Judith Teixeira mais extenso e mais desafiador.

Palavras-chave: Judith Teixeira, modernismo português, tradução literária, estratégias de tradução, contos.


Cláudia Pazos Alonso (Univ. de Oxford)

(Re)pensar as escritoras e a Modernidade
Esta palestra visa analisar a conturbada relação entre mulheres de letras e modernidade no intuito de (re)pensar o seu lugar, quase sempre marginal no cânone oficial, entre o silêncio e o escândalo – não apenas ao longo do lento dealbar da modernidade a partir de meados do século XIX, mas ainda muito posteriormente. A ausência de edições atualizadas de várias obras pioneiras – com introduções apoiadas em novas pesquisas científicas que ajudassem a lançar nova luz sobre alguns percursos literários notáveis – tem seguramente prejudicado uma melhor compreensão de um leque bem mais amplo de escritoras do que aquele que a história literária tradicional nos tem vindo a legar e, deste modo, continua a perpetuar o esquecimento de textos que poderiam (e deveriam) constituir pontos de referências. Valendo-nos de um enquadramento crítico feminista, iremos recorrer aqui a dois momentos de viragem, separados por mais de meio século (as décadas de 1860 e de 1920). Num primeiro momento discutir-se-á o teor das intervenções públicas de escritoras do século XIX, nomeadamente Ana Plácido e Francisca Wood, que ainda hoje permanecem completamente à margem do cânone oitocentista, com especial destaque para esta última. Num segundo momento, centrar-nos-emos sobre as tentativas de silenciamento que acompanharam as trajetórias de Florbela Espanca e sobretudo Judith Teixeira, utilizando os seus manuscritos como ponto de partida para aferir a força irreprimível que se desprende das suas (r)escritas no tocante a questões ligadas a identidade, modernidade e género.
Palavras-chave: século XIX, modernidade, silenciamento, escândalo, reedições.
Deolinda M. Adão (Univ. Berkeley)

Portuguese Women Writers Controlled, Silenced, or Otherwise Ignored Voices

  

The main aim of this paper is to establish a possible link between artistic production and socially accepted aesthetics, and particularly the gendering of both. To this end, one must start by questioning the parameters that guide both the construction of socially and culturally accepted aesthetics and the artistic production that either adopts or rejects those aesthetics. Without entering into the discussion of aesthetics which has kept philosophers fully engaged since Socrates, there are a few notions that I intend to address in this paper. One, is the notion introduced by Plato that the production of art is threatening to society. So much so, that he would have preferred not to allow poets and playwrights in his Republic.  Since banning them would be impossible, he advocated heavy censoring of the artistic production not only of poets and playwrights but also of musicians and painters. In sum, according to Plato the arts have the power to influence humans and mold character; as such, art producers must be strictly controlled. This concept, which seems to provide justification for censorship as a whole and in any form, can also be viewed as a considerable driving force in canon construction. The intrinsic connection developed by the founders of Western thought linking beauty and goodness and in opposition ugliness and evil has been fundamental to the construction of Western aesthetics and hence art production. Since, as Socrates defended,2 beauty is relative, we must logically infer that as such, each society is able to construct its own notion of goodness through the construction of a socially endorsed notion of beauty.  This process is amply found throughout the history of the Western world and goes well beyond the realm of art production. In any event, for my purposes I will only concern myself with literary production and more specifically on how these arbitrarily constructed aesthetic parameters impact feminine literary production, particularly that of Portuguese women writers in the last one hundred years. Of the hundreds of women who wrote and published in Portugal over the last century, many of whom remain unknown to this day, I will focus only on Ana de Castro Osório, Florbela Espanca, Maria Lamas, Judith Teixeira, and Natália Correia. The work of these five women, published during their respective lives and posthumously, is known to a varying degree in Portuguese academic and literary circles. However, several questions remain: Are any of these women considered canonic Portuguese writers? Does their writing correspond to the accepted aesthetic parameters of their time?  How are they represented, or are they even included, in histories of Portuguese literature?  How is present day academia reading these authors and their texts?  This paper aims to address some of these questions and attempt to include the writing of Portuguese female authors in the wider discussion of aesthetic values and canon construction in all areas of art. To some extent, I will also address that which is perhaps the most significant question when discussing the artistic production of women: Were these simply writers who happened to be women, or is there something that sets these writers apart in such a way that they should be grouped in a sub-division of literary producers identifies as “women writers”?

Palavras-chave: Aesthetic norms, gendering, cannon constrution, censorship, female authorship.



Eliana Elisa dos Santos Barros (CNPq- Grupo Figurações no Feminino e Analista membro do Corpo Freudiano Escola de Psicanalise - Seção Rio de Janeiro)

Entre dores: Judith e Florbela
Em Portugal, século XX, Judith Teixeira e Florbela Espanca foram contemporâneas e ambas tentaram romper com as amarras impostas pela sociedade daquela época, ressignificando o lugar da mulher e apresentando um saber sobre a dor. Ao debruçar sobre a escrita das poetisas percebe-se que o sofrimento atravessa suas produções poéticas, guardando as devidas diferenças. Neste trabalho pretende-se tecer algumas considerações em torno da dor, buscando uma articulação da psicanálise com a literatura a partir de fragmentos da vida e obra das escritoras.
Palavras-chave: Judith Teixeira, Florbela Espanca, dor, Psicanálise, Literatura.
Elisa Moraes Garcia (Univ. Federal do Rio Grande)

Joice Fagundes Martins (Univ. Federal do Rio Grande)

A rosa e representação do corpo erótico na poesia de Judith Teixeira
Judith Teixeira (1880 – 1959), poetisa portuguesa, teve seu período de produção na década de vinte em Portugal, cujos campos literário e artístico eram dominados pelo código patriarcal. Sua obra se destaca, além da influência de estéticas como decadentismo e simbolismo, pela ruptura com as convenções estéticas e sociais, tendo o erotismo como uma de suas temáticas mais preponderantes. Segundo Giavara (2015, 158) “(...) enquanto as representações femininas geralmente buscavam eclipsar o aspecto erótico ou associá-lo ao pecado, a escrita judithiana aposta em um feminino altamente sexuado que não retrocede diante do desejo e, por isso, entrou em desacordo com a turba ainda apegada aos velhos padrões morais (....)”. O corpo feminino, erótico, é objeto de muitas de suas poesias, seja pela descrição dos corpos sexuados, de atos sexuais, ou mesmo pela utilização de símbolos que tentam forjar o sexo feminino, promovendo múltiplas leituras. O uso da imagem da rosa, que aparece em poemas como “Rosas Pálidas”, “Rosas vermelhas”, “Flores do Cactus” e “Venere Coricata”, é um exemplo de como Judith simboliza a carne feminina, o seu sexo: “Se há interdito, é, a meu ver, de alguma violência elementar. Essa violência é dada na carne: na carne que expõe o jogo dos órgãos reprodutores.” (BATAILLE, 1987,86). A partir da utilização da simbologia da rosa/flor pela poetisa enquanto sexualidade feminina/carne, o presente trabalho se propõe a analisar os elementos eróticos na poesia de Judith Teixeira, e como o corpo feminino é construído por esse viés, rompendo os padrões de sua época.
Palavras-chave: Judith Teixeira, erotismo, corpo feminino, rosa/flor.
Elisangela da Rocha Steinmetz (Univ. Federal do Rio Grande)

Um espaço reservado - o quarto. De portas abertas... em versos de Judith Teixeira
Permeado por uma aura de encantamento, o espaço do quarto, nos poemas de Judith Teixeira, convoca o amor. E mais que simples cenário o quarto é aliado no jogo de sedução, que submerge os seres em voluptuosas águas de êxtase. Olhar para dentro desse espaço tão íntimo e reservado - o quarto - é penetrar num espaço de aconchego, de refúgio, de segredos, um espaço mágico e o único do qual as mulheres puderam dispor com um pouco mais de liberdade; numa época em que a elas o espaço público, como bibliotecas, por exemplo, tinha as suas portas fechadas, como nos revela Virginia Woolf, em seu conhecido ensaio Um teto todo seu (1929). "O quarto seria por excelência o lugar das mulheres, seu tabernáculo. Tudo concorre para encerrá-las aí (...). Mas elas viveram nesses quartos, trabalharam, leram suas cartas de amor, devoraram livros, sonharam. Fechar sua porta foi a marca de sua liberdade" (PERROT, 2011). Assim, a proposta deste trabalho é observar como, ao abrir a porta do quarto diante do leitor, a autora torna o quarto um espaço de transgressão, cúmplice de ardentes enlaces amorosos, onde o movimento erótico transposto em versos faz desse não apenas um espaço físico, mas um espaço ideal, onde inexiste a barreira de suas quatro paredes.
Palavras-chave: Judith Teixeira, Erotismo, Quarto, Mulheres.

Fabio Mario da Silva (Univ. de São Paulo/FAPESP/CLEPUL)

A Saudade em Judith Teixeira
Podemos observar que o lexema “saudade” comparece sob dois viés na obra de Judith Teixeira. Apenas com a publicação dos inéditos da autora, na obra Prosa e Poesia (Org. Cláudia Pazos Alonso e Fabio Mario da Silva), ficamos a saber da viragem na perspectiva de como Judith se relaciona com este tema tão presente na cultura portuguesa, mudança essa mais explicitamente contida no manifesto inédito intitulado Da Saudade. Nossa proposta de comunicação é identificar qual o sentido que a saudade tem e com que frequência é referenciada em sua poesia, confrontando com o manifesto inédito, que claramente revê o entendimento deste vocábulo, visto que Judith nega à saudade a beleza intrínseca cantada em sua poesia porque ela só exprimiria o «gosto amargo dos infelizes».
Palavras: saudade, Judith Teixeira, modernismo.
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