Resumos enviados aos coordnadores do simposio



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Encontro02.08.2016
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RESUMOS ENVIADOS AOS COORDNADORES DO SIMPOSIO

Diálogos en la Panamazonía: Literatura, Cultura y Sociedad

Coord. Profa. Dra. Ligia Chiappini

Freie Universität Berlin

(lchiappi@zedat.fu-berlin.de)
Co-coord.Profa. Dra. Iraildes Caldas Torres

Universidade do Amazonas



(iraildes.caldas@gmail.com)
Co-coord. Prof. Tulio Medeiros –

Universidade de São Paulo / IFSul

(tulio@dialogosenemercosur.org)

RESUMOS

1. Andares e olhares de dentro e de fora: a poesia da Amazônia Brasileira em Raul Bopp e Vicente Franz Cecim

Ligia Chiappini

Univ.-Prof. a.D. Dr. Brasilianistik- Freie Universität-Berlin

lchiappini@gmail.com

Resumo:
A crítica costuma apresentar a poesia de Vicente Franz Cecim como mais autêntica que a de Raul Bopp, pelo fato de ser uma poesia produzida internamente à região amazônica, enquanto a poesia de Raul Bopp seria expressiva de um olhar externo, próprio à região sul do Brasil. O presente trabalho se propõe a analisar essa poesia comparativamente para discutir essa afirmação a partir da leitura imanente das obras desses dois poetas.

2. O CONTO, A ÉTICA E O CABOCLO AMAZÔNICO.

IFSUL/USP

Carlos Túlio da Silva Medeiros

tulio@dialogosenmercosur.org
Resumo:
A literatura amazônica não existe ou está, ainda, em fase embrionária, como alegam alguns autores regionais. Outros corroboram com a idéia de que “não há uma literatura amazônica, mas uma literatura que se escreve na Amazônia”, a exemplo do manauara Márcio Souza. Para o contemporâneo do autor de Galvez, o Imperado do Acre, o ensaísta acreano Jorge Tufic, a literatura produzida na região não só existe como é e está presente, embora, defende a idéia de que não podemos analisá-la fora do contexto da própria literatura amazônica, que é única e ao mesmo tempo universal. Com o advento do movimento modernista brasileiro em 1922, que trazia em seu âmago o espírito da renovação do que até então era produzido nos vários campos da literatura e estética, a produção literária nortista, em especial a literatura amazonense, não ficou imune a essas influências, mas ultrapassou aqueles primeiros muros temáticos, que a caracterizavam quais sejam: a selva misteriosa, o período de exploração da borracha, do seringueiro, os indígenas, os caboclos, e voltou seu olhar, motivada por esse rompimento de paradigmas e busca de novos tempos, para a paisagem contida, agora, no homem citadino, denunciando as suas mazelas sociais, sem esquecer, entretanto, a essência e raiz interiorana formadora desse próprio homem.

Palavras-chave: Literatura, Amazônia, Caboclos, Identidade, Ética.



3. O Ethos das Mulheres da Floresta

Iraildes Caldas Torres

Universidade Federal do Amazonas

iraildes.caldas@gmail.com
Resumo:

A perspectiva de gênero, como heurística elucidativa das relações sociais que engendram a condição humana, pode transformar-se num recurso candente que aponta possíveis saídas no âmbito da preservação da Amazônia. Se as ciências derem a devida visibilidade às maneiras pelas quais as mulheres cuidam da terra, como algo que lhes é próprio, forjando condições necessárias para que os sistemas vivos se perpetuem na natureza, será possível encontrar uma base significativa para que seja adotada a sustentabilidade nas relações com o meio ambiente. Esta pesquisa realizada na Comunidade Divino Espírito Santo do Izidoro/Coari, Amazonas, revela que as mulheres agricultoras estabelecem uma relação de sociabilidade com a natureza. Ou seja, elas tecem com o meio ambiente relações cotidianas de trabalho, crenças, lazer e paz. Elas exteriorizam uma situação de afetividade e ludicidade não só com o belo estético da constelação amazônica, como também com as suas representações do imaginário com base nas construções mitológicas, envolvendo os seres sobrenaturais que habitam a mata e as águas. Ouvimos, sob as técnicas de formulário e entrevista semi-estruturada 26 mulheres e 02 homens moradores da comunidade Divino Espírito Santo Izidoro. Dentre os múltiplos aspectos constatados ficou claro que as mulheres tem uma relação menos destrutiva com o meio ambiente do que os homens. Elas possuem uma racionalização intuitiva que tem como horizonte a continuidade da vida, a reprodução das espécies e a perenidade do planeta. É no conjunto destas relações que se constrói o tecido sociopolítico, econômico e cultural. Neste caso específico da Amazônia, a natureza fala com os humanos. O mito tem funções normativas e consultivas, fazendo rodar o triângulo homem/mulher, natureza e sociedade, numa relação de interdependência. Conclui-se que, as práticas sociais das mulheres da floresta, seu ethos e zelo ambiental tem estreita conexão com o conceito de equilíbrio que envolve a relação mulher-terra, terra-vida, homem-mulher e homem-natureza.

4. Crítica y resistencia frente a la colonialidad de poder en Las tres mitades de Ino Moxo y otros brujos de la Amazonía

Christian Alexander Elguera Olórtegui

Universidad Nacional Mayor de San Marcos
Resumo:
El presente trabajo busca precisar la manera en que este texto, escrito por César Calvo en 1981, establece una crítica y resistencia frente a la violencia física e ideológica de lo que Aníbal Quijano llamó la “colonialidad de poder”. Consideramos que esto se logra a través de la visión del ayawuaska, que además de implicar una relación animista y sagrada del hombre con la naturaleza, capta y destaca los conocimientos míticos y tradicionales de grupos locales (afro, andinos y amazónicos) que han sido excluidos y oprimidos a lo largo de la historia peruana. Otro medio es la oralidad, que mediante el testimonio del brujo amawaka Ino Moxo, denuncia a los caucheros con el fin de mantener vigente en la memoria —y en especial evitar la reiteración— de la masacre que se cometió en nombre del progreso.
5. HEROÍSMO E VINGANÇA: a Amazônia revolucionária de Inglês de Souza

Profª. Drª. Denise Simões Rodrigues

Universidade do Estado do Pará
RESUMO
Faço uso da obra do romancista paraense Herculano Marcos Inglês de Sousa (1853-1918) para compreender como no decorrer do século XIX o impacto de uma revolução de cunho marcadamente popular – a Cabanagem – ocorrida na província do Pará, no Norte do Brasil, foi capaz de influenciar não só o espaço político das classes na cidadania brasileira nascente, como marcar indelevelmente o imaginário construído sobre as classes subalternas da população e que ao longo das décadas posteriores contribuiria para consolidar formas variadas de exclusão, realçando aspectos negativos desse tipo identitário que denomino de caboco, e que ainda se pode constatar na atualidade. A Cabanagem devastou a Amazônia brasileira por longos anos, entre 1835 - 1840. Nenhum movimento revolucionário no século XIX apresentou, como a Cabanagem, uma vinculação tão nítida quanto intensa e abrangente com as classes subalternas e duramente oprimidas da sociedade e, ao mesmo tempo, conseguiu em alguns momentos seduzir e arrastar pequenos proprietários, artesãos livres, assalariados ligados às diversas atividades mercantis e sacerdotes católicos. A escolha dos contos O Rebelde e A Quadrilha de Jacó Patacho, está relacionada com a minha intenção de delimitar na obra do autor apenas as narrativas que contemplem especificamente o movimento revolucionário cabano. Minha interpretação da obra de Inglês de Sousa estabelece seu ponto de partida nas idéias propostas por Antonio Candido (1976) como parâmetro das relações entre a Sociologia e a Literatura, e em especial, destaco como fundamentais para os objetivos deste trabalho, aquelas em que o próprio autor salienta a importância da sociedade, a proposta política da obra e o relacionamento entre a condição social do autor e a sociedade a qual pertence. Também se apóia nas contribuições teóricas de Cornelius Castoriadis (1982; 1992; 2002) com o propósito de elucidar a gênese da produção da imaginação social e suas representações no âmbito da história e da cultura.
Palavras-chave: Cabanagem, imaginação social, narrativas.

6. Entre Mariazinha e a Gata Borralheira: um entrelaçado narrativo que problematiza o que é ser indígena na contemporaneidade

Prof. Dr. Devair Antônio Fiorotti

Universidade Estadual Roraima


Consequência de um projeto de pesquisa de três anos, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), realizado na Terra Indígena São Marcos, Roraima, Brasil, envolvendo dezessete comunidades indígenas das etnias Macuxi, Taurepang e Wapixana, este trabalho analisa a seguinte questão: o que é ser indígena, identificar-se como índio na contemporaneidade, depois de mais de duzentos anos de contato com não índios em Roraima? Ele constroi-se principalmente a partir de um susto enquanto coletava uma narrativa nessa Terra Indígena: a entrevistada Arlene Silva, índia Macuxi da comunidade Santa Rosa, narrou a história de Mariazinha. No decorrer da narrativa, há um entrelaçamento da realidade local com narrativas de contos de fadas, com ênfase à Gata Borralheira. A partir desse imbricamento do mythos, este trabalho analisa essa narrativa, discutindo o processo de contato cultural, as semelhanças e diferenças entre a narrativa da Gata Borralheira e a recriação adaptativa feita pela entrevistada e/ou comunidade a que ela pertence. Conjuntamente, analisa narrativas de outros indígenas que problematizam o ser indígena hoje, depois do contato com o não índio. A perspectiva teórica sustenta-se principalmente na Literatura Comparada e nos Estudos Culturais, já o processo de coleta de dados ancora-se na metodologia da História Oral.


7. “Y se lo[s] tragó la tierra”: Imágenes de la violencia política en la Amazonía peruana

Rocío Ferreira

Department of Modern Languages

DePaul University


Resumen:
Mi trabajo propone examinar un corpus de cultura visual y literaria contemporánea peruana que tiene como espacio la Amazonía y aborda el tema de la violencia política como un hecho disruptivo en el reciente acontecer histórico del Perú. Me interesa explorar los vínculos entre dicho corpus visual y literario y su contexto de emergencia indagando en las condiciones discursivas de posibilidad de tales objetos. Es decir, qué es lo que en determinada época es posible expresar, cuáles son los límites y, a la vez, las posibilidades de traspasar esas fronteras.


8. “La imagen de la selva en la narrativa de Julio Ramón Ribeyro”

Giancarla Di Laura

Prairie View A & M University
Resumen:
Si bien Julio Ramón Ribeyro (1929-1994) se caracteriza por su narrativa urbana y desarrollar la mayoría de sus relatos en la ciudad y sus alrededores, también en algunos textos hay referencias hacia la selva amazónica peruana. El trabajo en curso propone estudiar la imagen de la selva en la obra ribeyreana y el tratamiento que este autor hace de la selva en una selección de su obra narrativa. De esta manera, podremos llegar a interesantes hallazgos los cuales nos harán pensar de alguna manera en imágenes exóticas y cuadros laberínticos de la selva en sí.

9. Nos labirintos e rebojos da globalização: regionalismos e identidades?

Mário Cezar Silva Leite

Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

Resumo:


Nos labirintos e rebojos da globalização: regionalismos e identidades?

Numa espécie de contra-mão interna da uniformização global (homogeneização-integração), reacendem-se as manifestações, nem sempre pacíficas, dos nacionalismos, regionalismos, identidades, xenofobias e fundamentalismos (diversificação-fragmentação). Além das esferas econômica, social e política, estas perspectivas de posição no mundo, inserem-se forte e decisivamente no plano da cultura e das artes. Nas literaturas brasileiras produzidas, e consideradas, regionalmente – quer por Estados quer por regiões – este debate, propositalmente ou não, é, de certo modo, interiorizado. Tendo como objeto de reflexão a literatura brasileira contemporânea produzida em Mato Grosso-Brasil e a crítica literária que começa a se formar enquanto um sistema (CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira (Momentos Decisivos), 1º. Vol, 1997, pp. 23-25) regional, este trabalho propõe-se a refletir como esta produção, artística e crítica, dialoga com os fluxos nacionalizadores, globalizadores. Se os processos de globalização impetrados nas últimas décadas envolvem "tanto a homogeneização como a diversificação, da mesma maneira que a integração e a fragmentação" (IANNI, Octavio. Capitalismo, Violência e Terrorismo. 2004, p. 62), como as literaturas, e crítica literária, que se expressam regionalmente posicionam-se? Relativizam-se na posição, concepção, de “fronteira”? Fecham-se na defesa da "identidade local"? Problematizam a avalanche global à luz de novas perspectivas de diálogo e conexões? Abrem-se aos acessos globais? Refletem globalmente com "olhares locais"? Decidem o que, do local, se pode globalizar? Tratam o regionalismo- nacionalismo como um passo para a globalidade?

Também importa, neste contexto, interrogar como se criteriza uma arte "universal-global” que espraia para a criação de cânones? Como e porque se passa do entendimento e assunção do regional para o universal? O que isso significa exatamente na literatura e na cultura?

10. Producción del espacio estatal boliviano y música regional: el caso del taquirari
Roberto Pareja, Ph. D.

Middlebury Collage

Middlebury
EEUU

Mi presentación se enfoca en el análisis de las letras de canciones que usan el taquirari, ritmo indígena de origen amazónico, en el contexto de la construcción de una cultura regional de la parte oriental de Bolivia después de la Guerra del Chaco. La presentación hará una exégesis de los miedos raciales y sociales que estas canciones expresaban en relación a la masiva migración desde el altiplano andino hacia las llanuras amazónicas y que se intensificó a partir de 1952 con la construcción de la primera carretera moderna entre la parte andina y la región amazónica (subtropical) de Bolivia.


Voy a tomar como ejemplo central la figura de la cantante Gladys Moreno, quien grabó varios discos con música nacional (entre ellos muchos taquiraris). El sello discográfico de Moreno trabajó con productores y músicos brasileros en Rio de Janeiro en la finalización de varios de sus discos. Esto último añade una dimensión transnacional en mi estudio de la creación de la cultura regional amazónica en Bolivia.


Palabras claves: Espacio estatal, Amazonía, cultura regional, música folklórica, Gladys Moreno.


11. A AFIRMAÇÃO POLÍTICA DA ESCRITA LITERÁRIA INDÍGENA NO SÉCULO 21

Simone de Souza Lima

UFAC/CNPq


RESUMO:
O ponto de partida da presente comunicação traduz-se a partir da indagação: no início deste terceiro milênio, é possível afirmar a existência de uma literatura produzida por indígenas? Para buscar responder à questão, partimos da análise de dois poemas de autoria de professores indígenas. Dentre eles, destacamos para este resumo um pequeno trecho do poema do indígena Jaime Llulu Manchineri, O Acre no Universo, do qual reproduzimos um pequeno trecho: Todas as estrelas que existem/ no universo são fêmeas/e todas elas olham para o Acre. Em primeiro lugar, objetivamos fazer a discussão da multiplicidade de sua pertença étnica e lingüística dos poetas analisados. No caso de Jaime Llulu Manchineri, é significativa a informação de sua origem: ele nasceu no Peru, onde recebeu educação na comunidade lingüística Piro. Posteriormente, o professor indígena atravessou a fronteira brasileira, onde passou a mora junto aos Manchineri – povo com significativa afinidade com os Piros. Atualmente, o professor poeta já não se expressa apenas em sua língua Manchineri, pertencente à família lingüística Arawak, mas também na língua portuguesa, hegemônica. O professor, poeta e líder indígena é proficiente também na língua espanhola, língua oficial do lugar onde nasceu – o Peru. Assim, a trajetória do professor e poeta Jaime Llulu Manchineri é ilustrativa dos impasses e paradoxos das fronteiras pan-amazônicas, caracterizada pela flutuação e mobilidade étnica, lingüística e cultural. Nessa fronteira, os corpos estão dispostos a errâncias, entrâncias e reentrâncias, pois como sabemos a fronteira é, por excelência, lugar de permanente fluxo de gente, das perdas e acomodações das línguas em contato, obrigadas ao improviso, à precariedade de seus rearranjos lexicais, sintáticos, semânticos. O elemento de destaque aqui não é a questão da pertença do professor poeta a uma minoria étnica, mas sim, o desprestígio de sua língua materna – inserida numa fronteira babélica em que se releva o multilingüismo, o afastamento sócio histórico e político das comunidades que o identificam etnicamente. Assim, o caso do escritor indígena que se vê obrigado a escrever em língua diferente da sua, guardadas as devidas proporções histórico/sociais, é semelhante ao impasse explicitado por Gilles Deleuze e Felix Guattari em Kafka – para uma literatura menor. Nessa conjuntura, Jaime Llulu Manchineri manifesta-se poeticamente utilizando a língua da maioria da população brasileira – o português, com a clara intenção de reterritorializar-se politicamente, abrindo caminhos para negociações que permitam à sobrevivência de sua comunidade – aprovação de projetos na área da saúde, educação, desenvolvimento da agricultura, dentre outros interesses do grupo que pertence atualmente – os Manchineri. O que aconteceu no percurso histórico de sua comunidade que transformou sua língua em “signos marginais”? O corpo político de sua comunidade foi afetado por um forte coeficiente de desterritorialização – e o poeta já não pode escrever em sua língua materna, “desconhecida” e “desprestigiada” a ponto de não ser compreendida pela maioria da população da Amazônia Acreana (e Nacional).
Palavras-Chave: Literatura Indígena, Amazônia, Língua, Fronteira, Territorialidade.

12. A narrativa científica da “Viagem Filosófica”

Vera Maria Chalmers

DTL-IEL-UNICAMP
Minha comunicação estudará a relação entre os indígenas e os povos ribeirinhos e os membros da expedição científica, comandada pelo brasileiro Alexandre Rodrigues Ferreira (1756 –1815), relatados em seu livro “Viagem Filosófica ao Rio Negro”. O estudo focalizará as atividades econômicas empreendidas na colónia e as práticas locais, tais como a medicina, narradas em episódios do percurso da expedição.
13. A travessia amazônica de Euclides da Cunha

Walnice Nogueira Galvão

Universidade de São Paulo
Resumo:
Uma das primeiras pessoas a chamar a atenção sobre as péssimas condições de vida da população dessas paragens foi Euclides da Cunha. Já tendo ido à caatinga e dedicado Os sertões à Guerra de Canudos, missão que seu temperamento aventuresco cobiçara, alguns anos depois se candidataria ao posto de chefia da Expedição de Reconhecimento do Alto Purus, em 1906. Aprendera na Escola Militar, onde se formara em engenharia, que era dever patriótico conhecer as entranhas do país e se interessar pelo destino de seus mais abandonados habitantes. Por isso fora parar em Canudos. Movido por impulso similar, viajaria à Amazônia e disso resultariam páginas candentes: pretendia consagrar-lhe um livro inteiro, o que não chegaria a fazer, a que intitularia Um paraíso perdido. Seus escritos amazônicos até hoje são considerados modelares. Depois dele, um admirador e condiscípulo na Escola Militar, Alberto Rangel, que fora trabalhar como engenheiro na mesma região, produziria um livro também de denúncia, meio-ficção meio-depoimento, Inferno verde, que Euclides prefaciaria.


14. PENSAMENTO E LITERATURA NA AMAZÔNIA BRASILEIRA NO SÉCULO XIX: JOSÉ VERÍSSIMO E INGLÊS DE SOUSA

Autor: José Guilherme dos Santos Fernandes



Instituição: Universidade Federal do Pará
O pensamento sobre a constituição da sociedade na Amazônia brasileira pode ser dividido em dois momentos capitais: o período da colonização e o período da regionalização. Entenda-se que ao primeiro corresponde a fundação da região, notadamente pelo olhar exógeno dos cronistas viajantes e naturalistas. Ao segundo período, por haver a tênue existência de uma intelectualidade local, nos auspícios do século XX, podemos observar o olhar mais endógeno, tanto de literatos, como como de nascentes cientistas sociais. Entre esses dois momentos, há um período de transição, no decorrer do século XIX, marcado por influxos de visões incorporadas do positivismo europeu, mas também eivadas de uma visão localista das populações tradicionais, por isso período significativo para a compreensão da atual conformação do pensamento social na Amazônia. Pode-se observar as características deste período nas obras História de um pescador; cenas da vida do Amazonas(1876), de Inglês de Souza, ou nas obras As populações indígenas e mestiças da Amazônia(1884) e Educação nacional(1890), estas de José Veríssimo. Minha hipótese é que se processa a transculturação narrativa (RAMA, 1982) nas obras em exegese, pois pretendo caracterizar processos literários e culturais na América Latina em uma perspectiva de aproximá-los, mesmo a despeito de não haver contatos históricos mais imediatos, mas essa correspondência ocorre em função de existirem as mesmas condições históricas e sociais de produção desses discursos artísticos e científicos, na latinoamérica, o que intitulo de semovência literária e cultural (FERNANDES, 2011).


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