Review of Culture, Macau, Instituto Cultural do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, Ed. Internacional, nº 40, Outubro de 2011



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(Coautoria Lúcio de Sousa) "Os portugueses e o comércio de escravos nas Filipinas (1580-1600)", Revista de Cultura/ Review of Culture, Macau, Instituto Cultural do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, Ed. Internacional, nº 40, Outubro de 2011.

OS PORTUGUESES

E O

COMÉRCIO DE ESCRAVOS NAS FILIPINAS (1580-1600)1
Maria de Deus Beites Manso: NICPRI.UÉ; Universidade de Évora

Lúcio de Sousa: NICPRI.UÉ


A chegada dos portugueses à Ásia e a queda do Sultanato de Malaca (1511), então o principal centro de comércio e distribuição de produtos do Sudeste-asiático, alterou a configuração mercantil de toda a região. Como resultado, os mercadores chineses, muçulmanos e de Ryukyu (琉球諸島), os quais habitualmente frequentavam Malaca, deslocaram-se para entrepostos comerciais alternativos, dispersando-se por toda a Península Malaia, Sumatra e Java. Paralelamente, emergem tensões entre os sultanatos islâmicos do Sudeste-asiático e os colonatos lusos2. É também nesta altura que os portugueses entabulam os primeiros contactos com mercadores de origem chinesa. Ambicionam, desta forma, aceder às feiras de Cantão, como seria explicitado pelo cronista João de Barros3 (1496-1570) nas suas descrições da embaixada de Tomé Pires (1516) ao Imperador Zhengde (正德) (1491-1521) ou da viagem de Simão de Andrade à China (1519). No pólo oposto dos intentos lusos, as autoridades Ming não estavam interessadas no comércio com os recém-chegados europeus, e as frotas envolvidas no contrabando seriam sistematicamente expulsas. Para as autoridades provinciais, os folanji (佛郎機), ou portugueses, representavam apenas uma nova extensão dos denominados wakō 倭寇 (a junção de dois caracteres 倭 significando japoneses, e 寇 significando, bandidos, ladrões, invasores). Em rigor os wakō (倭寇) não eram apenas piratas japoneses, mas também chineses, malaios, entre outros, tendo os portugueses - na primeira metade do século XVI – passado, igualmente, a fazer parte daquela designação. É esta influente associação de mercadores-contrabandistas-mercenários-piratas portugueses, à mistura com chineses, e japoneses, que daria origem, na segunda metade do século XVI, à intermediação lusa nos mares da China.

Segundo Yakazaki Takeshi4 a presença portuguesa em Macau, a partir de 1557, dever-se-ia a Lin Xiyuan, o qual viu na aliança com os portugueses uma forma de libertar, controlar e impedir os ataques de piratas na região de Cantão. A partir daqui, Malaca ficaria definitivamente ligada a Macau através de uma rota que aglutinaria interesses comerciais do Estado da Índia, e de inúmeros comerciantes privados que circulariam entre a plataforma comercial Malaca-Macau. Durante as décadas que se seguiram à fundação de Macau, o referido comércio desenvolver-se-ia extraordinariamente, sendo marcado por quatro acontecimentos, ocorridos entre 1571 e 1582: o estabelecimento oficial de Manila como capital espanhola nas Filipinas (1571); a consolidação da chegada de prata americana à Ásia, através do galeão de Manila; em 1571, entrou o primeiro navio de Macau, em Nagasáqui (長崎), cidade que viria a transformar-se no porto de entrada do comércio europeu no Japão; a fusão das coroas.





1 No decorrer do presente artigo, sempre que mencionarmos o monarca Filipe II de Espanha, corresponderá a Filipe I de Portugal.

Utilizaremos os vocábulos: contrabando, comércio privado, comércio informal, para caracterizar as movimentações comerciais, nos mares da China, que escapavam ao controlo régio. Quando utilizamos contrabando, significa comércio privado que era apenas organizado por comerciantes euro-asiáticos, sem a participação ou conivência das autoridades locais. Comércio privado e comércio informal, significam comércio fora da esfera de controlo régio, porém com a participação activa das élites administrativas e religiosas locais



2 Peter Borschberg, Iberians in the Singapore-Melaka area and adjacent regions (16th to 18th century), Wiesbade: Harrassowitz, 2004, p.33.

3 João de Barros, Ásia de João de Barros - Dos feitos que os portugueses fizeram no descobrimento e conquista dos mares e terras do Oriente – Terceira Década (Sexta edição, actualizada na ortografia e anotada por Hernâni Cidade, Notas históricas finais por Manuel Múrias), Lisboa, Agência Geral das Colónias, 1946, p.306.

4 Yamazaki Takeshi “The Maritime interactions between Lingnan, Hainan, Annan and Japan in the 16th century” in Maritime East Asia in the 16th and 17th Centuries: New Sources and Perspectives, Society for the Maritime Asian History, Osaka University, 29th January , 2010, p.24.

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