RevoluçÃo industrial



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CONDIÇÕES DE VIDA DA CLASSE TRABALHADORA DURANTE A

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL”.

Por: Fabio Luiz Dummel
INTRODUÇÃO
Condições de sobrevida é o nome apropriado para começarmos a falar da industrialização capitalista, que em troca do lucro, combustível da insanidade despótica não se importará em jogar a humanidade na barbárie. Mas a pergunta que devemos fazer é o que resultou deste embrutecimento da sociedade, o que justifica esta desumanização das relações sociais? As mazelas sociais de toda espécie e a propagação deste sistema econômico baseado na instabilidade e no individualismo. Como cita F. Engels fazendo referência a Max Stirner1 diz, que agora só nos consideramos como "sujeitos utilizáveis; cada um explora o próximo, e o resultado é que o forte pisa no fraco e que o pequeno número de fortes, quer dizer os capitalistas, se apropriam de tudo, enquanto o grande número de fracos, [...] não lhes resta senão a própria vida, e nada mais".2

É claro, todo esse enrijecimento das relações sociais e principalmente das condições de vida desencadearam as mais antagônicas relações de trabalho da história da humanidade, a partir deste antagonismo teoricamente caminharíamos para um processo revolucionário, que se provou questionável por enquanto. O objetivo deste trabalho é analisar em primeiro lugar as condições de vida do operariado, sem a qual é impossível compreender o desencadeamento da resistência contra o modo de produção capitalista.




  1. A coerção do trabalho.

Desde o principio do sistema fabril, segundo alguns autores, as pessoas eram acostumadas a trabalhar nas industrias caseiras onde o ritmo e tempo de trabalho era parecido aos da industria moderna. O que mudou então? Segundo o consenso, mudou apenas o sistema de trabalho, as fábricas exigiam uma disciplina a ser cumprida que impunha a produtividade, multa e punições eram aplicadas por faltas cometer que pudessem atrapalhar a produção", o que mesmo se analisarmos separadamente é uma mentira, pois a exploração nesta época era mais intensa do que nunca. Voltando a coerção, está podia ser feita de muitas formas, no caso das crianças era praticada através de agressões física. As mulheres tinham seus corpos suados pela concupiscência de seus patrões, os homens estes se viam ameaçados de serem substituídos pelas crianças e mulheres, para todos existia uma forma particular de terror.

Podemos começar a falar sobre as mulheres nas fábricas. Seu trabalho passou a ser preferido ao dos homens que não se deixava coagir tão facilmente, seu pequeno porte físico e habilidade manual, eram junto com as crianças ideais para o trabalho nas tecelagens, além de custarem menos ao bolso, os moralistas e filantropos industriais não esqueciam das compensações sexuais que podem arrancar das mulheres quer seja por índole distorcida ou geralmente a "ameaça de demissão é uma razão suficiente para [...] noventa e nove por cento dos casos, anular a resistência das jovens que não tem disposições particulares para a castidade”. 3 No começo da industrialização a mulher tomara o lugar dos homens nas fábricas, enfrenta uma situação nunca vista, é ela que passa a sustentar a casa e o companheiro. Este começa, mesmo porque está desempregado, a fazer os serviços da casa "Pode-se imaginar facilmente a legítima indignação entre os operários devido a estas alterações de toda vida familiar, pois as outras condições sociais se mantêm inalteradas”. 4 Desta forma a entrado da mulher na fábrica não era um elemento libertador da condição feminina, mas um instrumento da luta de classe da burguesia contra o proletário.

A crianças foram introduzidas aos poucos no sistema fabril, como todos elas também trabalhavam na industria caseiras, "o trabalho das crianças era complemento do trabalho dos pais; agora, passara a ser base do novo sistema".5 Mas, no começo os pais se recusavam a mandar seus filhos paras as fábricas, o pai que o fizesse era visto como fraco, mas a necessidade os obrigou6. Longe da supervisão dos pais, as que os tinham, pois havia um grande número de órfãos cedidos pelas paróquias que eram literalmente escravizados, e como todos submetidos a torturas físicas e coerção moral. Ainda havia quem ao ver uma criança de quatro anos trabalhando ficasse maravilhado, penso que isto não tem muito a ver com mentalidade e sim com caráter, mas veja o que escreveu Daniel De Föe: "Não há, por assim dizer, ninguém acima da idade de quatro anos que não esteja em condições de ganhar sua vida com trabalho". 7 Completa absorção da ideologia burguesa, além do mais não penetrou no problema realmente, pois se podiam se sustentar como adultos seria justo que recebessem salário com tal, o que definitivamente não acontecia, mas De Föe, não queria saber disso, muito menos os ideólogos burgueses, a eles bastava à aparência.

O que a classe dominante não queria ver era as condições desumanas de trabalho nas fábricas. A massacrantes jornadas de trabalho era nociva, principalmente para o organismo em formação das crianças. Encontram-se vários relatos médicos sobre as recorrentes deformidades físicas e epidemias nas regiões industriais. Sem esquecer que o trabalho nas fabricas geralmente levava a depressão e conseqüentemente ao alcoolismo e a depravação sexual, umas das poucas saídas da realidade que os cercavam.8

Da mesma forma eram comuns máquinas sem os menores dispositivos de seguranças, como tampas para os proteger das correias que podiam puxar suas roupas e mutilá-los, ou freqüentemente arrancar-lhes a vida em um piscar de olhos9. Mantoux registra em seu livro que o descuidado não era só com a segurança dos empregados, as fábricas em geral não eram muito melhor que as habitações dos proletários, locais lúgubres e insalubres e várias vezes espalharam epidemias que abreviaram a vida de muitas pessoas..10


2. Engrenagens Semoventes
É notório e senso comum, que a "revolução Industrial11" foi sem dúvida um avanço técnico, onde "foram retirados os grilhões do poder produtivo das sociedades humanas"12 mas, inserida dentro do contexto de formação do modo de produção capitalista, significou para quase, a pior e mais cruel exploração de sua força de trabalho, vinculadas a dignidade e virtudes, tanto morais quanto intelectuais.

Dentro deste "espírito capitalista" - utilizando uma expressão de Max Weber – que neste sentido se aplica muito mais uma lógica, o único objetivo da nova classe proprietária dos meios de produção era a de extrair o maior lucro o mais rápido possível, com o menor custo. Para o burguês a fonte de sua riqueza - a exploração do trabalho humano - é ao mesmo tempo o elemento mais supérfluo de suas fábricas, e por este motivo, pensavam os espertos membros das elites burguesas que poderiam animalizar o homem em seu discurso ideológico, fazendo uma inversão de papéis, colocando estes como possuidores de uma constituição quase que natural para a degenerescência, como se fosse intrínseca a sua posição social a decrepitude em que viviam. Esquecendo de bom grado, por que isso lhes aprazia, as relações de classes que foram impostas ao proletário assim como seus baixíssimos salários, fixados na linha de subsistência somados a pouca instrução, os levaram a situação que se encontravam, ainda mais, dentro de uma nova ordem social onde vigorava a competitividade, tanto entre os burgueses, mais acirrada ainda na classe proletária, muitos esperando através da sorte ou serviços prestados13 a classe dominante tentar escapar de seu triste "destino". É bem verdade que a grande maioria, a parcela mais explorada e empobrecida vivia sem a menor perspectiva de uma vida estável e segura, muito menos, de um amanhã melhor do que fora o dia anterior, visto as condições em que, habitavam e se alimentavam, devido a isso se entende o grande número de casos de alcoolismo e "promiscuidade" entre os operários.

No começo da revolução industrial, uma parcela dos pobres ainda era possuidora de alguns meios de produção, o que lhes garantia pelo menos certa segurança. Podiam trabalhar na fiação e tecelagem para a emergente classe burguesa, mas em contra partida boa parte trabalhava na agricultura e produzia em casa, o que mesmo com as técnicas rudimentares de produção sempre possuíam algum alimento. Os avanços técnicos das maquinas agrícolas e industriais, a utilização da ideologia burguesa, agregando valor a terra, juntamente com novos métodos na produção agrícola oriundos dos avanços técnicos, forçou os pequenos produtores rumo às cidades, com o objetivo de mais ganho e uma vida mais tranqüila:
“a revolução industrial levou simplesmente esta situação até o seu fim lógico, reduzindo inteiramente os trabalhadores ao papel de simples máquinas, arrebatando-lhes os últimos vestígios de atividade independente, mas incitando-os, precisamente por essa razão, a pensar em exigir uma posição digna de seres humanos.”14
Em princípio o primeiro impulso para o trabalho na industria é sem dúvida a necessidade humana de se auto-reproduzir, de existir, mas a sedução da ideologia individualista burguesa do "homem que se faz a si" fascina e desperta na alma humana sensações que não podem ser correspondidas e muito menos saciadas com a realidade do meio material em que estão inseridos, na absorção das contradições entre ideologia dominante e mundo real, neste processo dialético é que se faz a o antagonismo da luta de classe, desencadeada pela arrogância e ganância burguesas.15

A ganância disfarçada de lógica do capitalista faz surgir a incessante procura dos burgueses em diminuir ao máximo a parte mais indesejável de sua produção, o operário, incorporam a suas fábricas as mais avançadas maquinarias que a tecnologia moderna poderia produzir. A partir de novas formas de produção16 aonde apenas poucos operários poderiam operar uma fábrica inteira produzindo com a mais qualidade, quantidade e conseqüentemente com baixo custo, muitas outras máquinas foram inventadas cada qual com sua função especifica, e uma a uma cada vez mais e mais oprimindo e acirrando a competitividade entre aos burgueses, entre os proletários, entre proletários e burgueses, desempregados e assalariados, servindo cada vez mais para aumentar o antagonismo de classe e condição de completa indigência que se encontrava o operariado inglês e do mundo no princípio da industrialização capitalista.

A desumanidade burguesa havia chegado ao máximo, já no principio o proletário não possuía sua humanidade, era obrigado a trabalhar dezesseis, dezoito horas ao dia, enganando o cansaço, buscando trabalhar o mais rápido possível para poder produzir mais e quem sabe ganhar um pouco mais, mas quando adquiriam agilidade e começavam a produzir mais, seu salário era recalculado, como vimos no depoimento de Adelheid Popp,
“Eu tinha 12 anos quando minha mãe descobriu um aprendizado para mim. [...] eu não recebia um ordenado fixo; minha parente calculava em cada novo artigo a quantidade de serviço que seria possível fazer dentro de uma hora. Assim que a gente adquiria prática e, podia ganhar mais ela reduzia o ordenado. Nós precisávamos trabalhar incessantemente, sem que alguém pudesse se conceder um só minuto de descanso. Toda pessoa sabe o que significam 12 horas de trabalho, ou o trabalho corrido, entenderá que não se podia esperar tal atividade de uma criança com a minha idade, e nem de outra qualquer.” 17
Apesar de ser recente este relato, cerca de fins do século XIX, e em outro país a Alemanha, as condições de vida tanto para crianças trabalhadoras como para o resto do proletariado se parecem muito. Todos eram submetidos a massacrantes jornadas e condições de trabalho, salários baixíssimos que os impediam de ter uma vida realmente digna, somada as insalubres condições de moradia e alimentação acabaram por cada vez mais "animalizar" o sujeito. Expostos ainda as variações do mercado, sua "sorte" depende do desempenho deste; sua necessidade, tudo agora é mercadoria. O trabalho longe se ser uma atividade criadora, o escraviza estando juridicamente "livre". A burguesia que abusa de seu poder econômico, coagindo a classe trabalhadora, aumentando a competição entre esses, aumentando a tecnologia na produção, e com ela o exercito de desempregados que força o salário para baixo, junto com as freqüentes crises de super produção, 18 intrínsecas ao sistema capitalista acabaram por massacrar o operário.

A coisificação, exclui toda a humanidade do individuo, idealiza as relações de trabalho, esquecendo das necessidades básicas. Transforma o ser, em peças, em engrenagens descartáveis, relações, regidas e legitimadas por leis, que transformaram o proletário em escravo, indo ao encontro da ideologia burguesa, garantindo sempre o lucro despreocupado.


3. Aonde deixar o corpo?
Após uma exaustiva jornada de trabalho que poderia durar até dezoito horas, poucos operários conseguiam ir a um lugar no qual podia-se chamar de casa para repousar sua carcaça dolorida. Raras exceções não encontravam um ambiente degradado, sujo e mal arejado e não incomum ainda teriam que dividi-la com outras famílias alguns poucos cômodos sem mobília para as despesas ficarem acessíveis, esses é claro são os de mais sorte, ainda havia os que as baixas condições obrigavam a alugar porões unidos e frios, e compartilhá-lo com animais, sujeitos ao risco de epidemias, que se propagavam nestas condições como fogo em capim seco devido às condições insalubres. Havia ainda os que procuravam os albergues que eram tanto quanto envoltos na decrepitude imposta pelo sistema capitalista fabril, ao operário.19

Os bairros operários, foram por excelência um lugar de "desova", utilizado pela sordidez capitalista, aonde pudessem descarregar a massa explorada exposta praticamente à indigência e esconde-la dos frágeis narizes da sociedade burguesa, pois assim, é mais fácil manter a consciência impenetrável a realidade.

Desde o principio o desenvolvimento industrial teve por conseqüência um rápido crescimento e concentração populacional, junto à massa excluída estava o descaso governamental, e como qualquer favela da atualidade, as pessoas acompanhavam as fábricas e com elas as casas que "brotavam" uma a uma, sem planejamento ou orientação, a maioria construída por especuladores imobiliários, logo um bairro inteiro se formava. Nestes bairros operários as condições eram péssimas, sempre "por todos à parte montes de escombros, detritos e de imundícies; em vez de valetas, poças estagnadas de um mau cheiro" 20 o que tornava as condições de habitação nestes locais quase impossível, ainda a falta de planejamento tornava os lugares impenetráveis para a luz do sol ou qualquer brisa de ar fresco quando este não era contaminado pela fumaça das fábricas, o que tornava a vida mais penosa.

Não somente os bairros eram esquecidos, mas também suas casas, todas deterioradas e sujas que acabaria virando sinônimo de bairro e casa operária. Expostos ainda a especulação imobiliária pagavam alto preço por casebres, construídos com materiais mais baratos, onde a privacidade se tornava impossível, quase sem mobília, úmidos, dividido com varias pessoas.

A pobreza extrema, a necessidade de ter de compartilhar a casa com amimais, favorecendo a criação de "exercito de vermes" dava as casa mau cheiro causado pela má ventilação, e a deterioração lhe impunha um aspecto repugnante. Era raro encontrar camas ou pelo menos as armações delas, e quando havia era utilizada pela família inteira. Mais comum era a utilização de palha e trapos para dormirem, não raro dormirem no chão nu aquecido pelas próprias roupas, facilitando o surgimento de mazelas decorrentes das más condições de trabalho e alimentação21. As condições eram tão duras que Adelheid Popp, escreveu em suas memórias,
“Três semanas eu passei no hospital, e por mais paradoxal que possa parecer, foi o melhor tempo que eu tive até agora. Todos me trataram bem: os médicos, as enfermeiras, os pacientes. Regularmente eu recebia boa comida, tinha uma cama só para mim e usava sempre roupas limpas [...] Nenhuma vez tive o desprazer de me ver molestada em qualquer coisa.”22
O relato continua quando ela fala da incerteza de ter que sair do hospital e procurar um novo emprego. Para mim é flagrante este depoimento, mostra o nível de dificuldade e privações que era exposto os pobre durante a revolução industrial e o tamanho da insegurança a que estavam submetidos, pois já não dependia diretamente de suas forças estar vivo, um deleite para os filantropos burgueses que tiveram uma oportunidade de apaziguar sua consciência.

Ainda havia os pobres com menos sorte por estarem desempregados ou seu salário não cobria suas despesas procuravam os albergues, muitos deles públicos. Em visitas constatou-se que "em cada cama empilham-se 4, 5, 6 pessoas, também tantas quantas caibam, doentes, sãs, velhos e jovens, homens e mulheres, bêbados e sóbrios [...] todos misturado." 23 Neste ambiente fazia-se de tudo relacionado à degradação humana, quando estimulada por um sistema social excludente. Engels escreve, que "entregam-se a práticas cuja bestialidade a nossa língua humanizada se recusa a descrever"24 demonstrando o espanto e surpresa com que encontrou nos albergues noturnos.

Em meio a tantas agressões físicas e morais não era incomum ou até mesmo preferível viver na rua e de pender da caridade. Mesmo em bairros de proletários perambulavam muitos mendigos que esmolavam para os que estavam em melhor situação. Estes mendigos, diz Engels, "preferiam os bairros pobres por serem mais aceitos e por a classe mais baixa sabia o que era estar desamparado" 25, bem, pode corresponder está a firmação e existir um certo sentimento de “simpatia” pelos menos favorecido, mas também é verdade que a política da classe burguesa é de isolamento sistemático, o que fortalece uma espécie de cegueira social que isolou e isola tanto o bairro quanto os pobres, fazendo saltar os olhos a dicotomia social, "duas nações diferentes entre os quais não há intercambio nem simpatia, que ignora os hábitos e idéias [...] têm maneiras diferentes, e não são governadas pelas mesmas leis" 26.
Considerações finais.
Todo operário sabe, desde que começaram a ser substituídos por máquinas que eles são a única "peça" do sistema fabril trocada com maior rapidez e facilidade. Como então sobreviver tendo que lutar contra uma máquina se não asujeitar-se? Obviamente com o acirramento da competição entre o operariado fica muito mais difícil conseguir uma organização consciente para resistir ao poder e opressão capitalistas. Em sua forma de resistência os operariados ainda incorporando o discurso mítico da revolução burguesa industrial, transferem para as máquinas, porque "ainda não tinham aprendido a conhecer a verdadeira causa de seu sofrimento. Só compreendia uma coisa: as máquinas ameaçavam privá-los de seus meio de existência".27 Logo, disso tiram uma conclusão, as máquinas precisavam ser "detidas", não os burgueses que dela se valiam para a exploração do trabalho, isso não era percebido ainda. Foram então formadas hordas com objetivo de destruir máquinas e propriedades.

Vendo a ineficácia de suas ações, começam a chover petições contra a utilização de máquinas, em conjunto um crescente ódio pelas fábricas. Mas logo os peticionários compreenderam o macabro funcionamento das leis burguesas, e quão desprotegidos estavam, como consta neste trecho, "Ficou, estabelecido, por depoimento autêntico e por admissão de alguns peticionários” 28 provavelmente ludibriados pela retórica de alguns cultos advogados burguês que “o uso das cardadoras mecânicas difundiu-se [...] hoje universalmente usadas e de reconhecida vantagem, em diversas operações." 29 é claro que as petições de pouca ou nada serviram, a custa de suas derrotas nos tribunais em busca de defender seu direito de existir com dignidade sobre a terra, desafiaram os senhores e os interesses dos “Grandes Homens” do mundo, mas foram introduzidos na lógica do direito burguês, a partir daí sua compreensão da lei é outra, e agora é possível desmascarar a igualdade e fraternidade do novo regime, que reza o seguinte “ no papel” a igualdade de ambas as partes, mas , “A força que a diferença de situação de classe dá a uma das partes, a pressão que esta força exerce sobre a outra, a situação econômica real de ambas, tudo isto não interessa a lei”30 Era preciso se organizar mais eficientemente através das ligas operárias.

Ficou claro que a resistência à exploração burguesa era uma batalha difícil de ser vencida, e propriamente ainda não o foi. A questão está que os proletários no princípio "ainda só tinham dois caminhos para escapar ao desespero: a revolta interior e exterior contra a burguesia, ou então a bebida, e o deboche as revolta ou motim era feito nestes moldes. As Ligas deram um salto importante na luta e na organização de classe, dando ao trabalhador maiores subsídios para a compreensão da realidade que os cercava. A organização desmascarou as relações existentes na sociedade, deu nomes aos inimigos, desvelou seus golpes e artimanha, a natureza do trabalho, a exploração como demonstra as memórias de Adelheidd Popp:
A opinião generalizada sobre o homem que me cedia o pão diário era a de que se tratava de um bom patrão. Mas nesta fábrica é possível divisar o quanto pode tornar-se lucrativa a exploração da força humana de trabalho. Ele era, sem dúvida mais generoso para os operários do que os outros empresários; quando o operário adoentava, ele continuava a pagar os seus salários, [...] jamais negou um pedido, quando pessoas se dirigiam a ele em necessidade; e, apesar de tudo isso, ele ainda havia conseguido enriquecer através do trabalho produtivo dos homens e mulheres que labutavam em sua fábrica ''31
Sem duvida, o real entendimento do que estava acontecendo, só foi conseguida com a união e a soma de esforços, com a organização. Mas a sua união estava ameaçada, a batalha contra os "Aparelhos de Estado” burgueses era incessante, muito antes da lei de 1799, os operários vinham tendo seus direitos podados. Só em 1804, sob a alegação de "sabedoria da humanidade" o parlamento se reacusou a sancionar esta lei injusta que privilegiava o rico em detrimento do pobre.32 .

A luta contra os proprietários já havia começado, através da compreensão da lei, os proletários começaram a buscar através de brechas ou fazendo a política de pressão conseguir que suas reivindicações fossem atendidas. Conseguiram enfrentar o "laissez- faire", e o pensamento econômico de Adam Smith e outros. Uma a um, suas conquistas trouxeram mais dignidade para a classe trabalhadora, como a fixação de jornada reduzida - cerca de dez horas o que era um alívio para quem trabalhava dezesseis - regulamentação do uso de aprendizes, e a "suspensão", por que punição não houve para os empresários, dos delitos mais cometidos como o pagamento em vales para serem trocados por produtos nas lojas das empresas e outro.33 Muito precisava ser feito ainda, e sem duvida grande parte o foi, estes deram sua parcela de contribuição desvendando as contradições do discurso e lei burguesa, e das condições impostas pela realidade material perceptível.




1 Pseudônimo de Johan Gaspar Schmidt, ideólogo do individualismo burguês e do anarquismo. Sua obra mais conhecida é Der einzige und sein eigenthum (O único e sua Propriedade). ENGELS, Friedrich. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. São Paulo: Global, 1988. p.36.

2 idem. p. 36.


3 ENGELS. Op. cit. p. 171

4 idem. p. 167.

5 HUBERMAN, Leo. op. cit. p. 180.

6 MANTOUX, Paul. op. cit p. 420

7 DE FÖE, Tour, III, 101. In: MANTOUX, Paul. op cit p. 421 (nota 53)

8 ENGELS. op. cit. p.175 -184.

9 Muitos operários tinham que trabalhar mais para competir com as máquinas modernas que produziam mais, outros até preferiam isso para que pudessem ganhar um pouco mais, e quase todos tinham dupla jornada, fábrica-casa, soma-se isso a uma máquina em velocidade máxima de produção, sem segurança temos a enorme probabilidade de um acidente de trabalho. ENGELS. op. cit.

10 MANTOUX, Paul. op. cit. p. 425

11 O termo Revolução Industrial é criado em 1820, por analogia a revolução política na França In: Hobsbawn. E. J. A era das revoluções. São Paulo: Cia das Letras. P.44

12 HOBSBAWN E. J. ibid. p. 44.

13 lumpen-proletário, êsse produto passivo da putrefação das camadas mais baixas da velha sociedade, pode às vezes, ser arrastado ao movimento por uma revolução proletária; todavia suas condições de vida o predispões mais a vender-se à reação. In: MARX, Karl. & ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. In: FERNANDES. Florestan. Obras escolhidas Vol. 1. São Paulo: ALFA OMEGA, 1986 p. 31-32

14 ENGELS, Friedrich. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. São Paulo: Global, 1988. P.14

15 MARX, Karl. & ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. In: FERNANDES. Florestan. Obras escolhidas Vol. 1. São Paulo: ALFA OMEGA, 1986 p. 21-46.

16 MANTOUX, Paul. A revolução industrial no século XVIII, São Paulo HUCITEC, 1998 p.177-210. Máquinas como a sprinning-jenny, inventada por James Hargreaves, representou uma evolução na fiação depois dela foram abandonadas às velhas rodas. As jennys possuíam vários fusos, que podiam chegar a oitenta e eram operadas por um único operário, o que obviamente representava uma vantagem para o empregador.

17 POPP, Adelheid. The Autobiography of a working woman In: PLUM, Werner. Relatos de operários sobre os primórdios do mundo moderno do trabalho. Republica Federativa da Alemanha: Friedrich-

Ebert. 1979, p. 159-160.



18 ENGELS, Friedrich. op. cit 94-107

19 ibidem. p. 35-88.

20 Ibidem p. 63

21 ibidem. p. 43-52.

22 POPP, Adelheid. In: PLUM, Werner op.cit p. 162-163.

23 ENGELS. op. cit. p. 43

24 idem p. 43

25 idem p. 64

26 HUBERMAN, Leo. História da riqueza do homem. 21ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986 p.176

27 idem, p. 408

28 Report on the state of woollen manufacture in England (1806), p. 58 in: MANTOUX. Op cit. p. 416.

29 idem.

30 ENGELS, F. A origem da família da propriedade privada e do estado. São Paulo: Global. 1986. p.112

31 POPP, Adelheid. In: PLUM, Werner op. cit p. 160.

32 Report on the petition presented by the jorneymen callico-printers(1804), p.7 In: MANTOUX, P.

Op. cit p. 464(nota)



33 ibidem, p. 454 - 465.

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