Rias de um suicida yvonne do amaral pereira



Baixar 1.59 Mb.
Página7/26
Encontro29.07.2016
Tamanho1.59 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   ...   26

6

A comunhão com o Alto
Disse então Jesus estas palavras: — Graças te rendo, meu Pai, Senhor do Céu e da Terra, por haveres ocultado estas coisas aos doutos e aos prudentes e por as teres revelado aos simples e aos pe­queninos.”

SÃO MATEUS, capítulo 11, versículo 25.
Em qualquer lugar onde se acharem duas ou mais pessoas reunidas em meu nome, eu estarei entre elas.”

SÃO MATEUS, capítulo 18, versículo 20.
Não obstante a eficiência de métodos tão apreciá­veis, mesmo no recinto do Hospital e, mais ainda, entre os asilados do Isolamento e do Manicômio, existiam aqueles que não haviam conseguido reconhecer ainda a própria situação com a confiança que era de esperar. Permaneciam atordoados, semi-inconscientes, imersos em lamentável estado de inércia mental, incapacitados para quaisquer aquisições facultativas de progresso. Urgia des­pertá-los. Urgia chocá-los com a revivescência de vibra­ções animalizadas a que estavam habituados, tornando-os capazes de algo entenderem através da ação e da pala­vra humanas! Que fazer, se não chegavam a compreender a palavra harmoniosa dos mentores espirituais, tampouco vê-los com o desembaraço preciso, aceitando-lhes as su­gestões caridosas, muito embora se materializassem eles quanto possível, a fim de mais eficientes se tornarem as operações?

A augusta Protetora do Instituto tinha pressa de vê-los também aliviados, pois assim o desejava seu ex­celso coração de Mãe!

Não vacilaram, pois, em lançar mão de recursos su­premos, a fim de conseguirem o piedoso desiderato, — os abnegados servidores da formosa Legião governada por Maria.

Nossos instrutores — Romeu e Alceste — participa­ram ao eminente diretor do Departamento Hospitalar existir necessidade premente de demandarem a Terra em busca de aprendizes de ciências psíquicas a fim de resol­verem complexo, mentais de alguns internos, insolúveis na Espiritualidade. Inteirado das particularidades, em conferências a que também assistiram os devotados opera-dores dos gabinetes, Irmão Teócrito nomeou a comissão que deveria sem demora partir para a Terra a fim de investigar as possibilidades de uma eficiente colaboração terrena. Expediu ao mesmo tempo petição de assistên­cia ao Departamento dé Vigilância, pois a este gabinete, como sabemos, achava-se afeto o movimento de inter­câmbio entre nossa Colônia e os proscênios terrestres.

Olivier de Guzman, com a presteza que caracteri­zava as resoluções e ordens em todos aqueles núcleos de serviço, pôs à disposição de seu antigo colega de pré­lios beneficente, o pessoal necessário, competente para a magna tentativa, ao mesmo tempo que solicitava da Seção de Relações Externas indicações seguras quanto à existência de agremiações de estudo e experiências psiquicas reconhecidamente séria,, assinaladas pelo em­blema cristão da vera fraternidade de princípios, no pe­rímetro astral enfaixado por Portugal, Espanha, Brasil, países latino-americanos e colônias portuguesas, assim como as fichas espirituais dos médiuns às mesmas con­gregados.

Coube ao Brasil a preferência, dada a variedade de organizações científicas onde o senso religioso e a fúl­gida moral cristã consolidavam o ideal de Amor e Fra­ternidade, tão admirado pelos da Legião em apreço, a par da magnífica falange de médiuns bem dotados para o espinhoso mandato, e que o fichário da Vigilância re­gistrava na terra de Santa Cruz.

Nessa mesma noite, do burgo da Vigilância partiu pequena caravana com destino ao Brasil, chefiada pelo nosso já muito estimado amigo Ramiro de Guzman. Por­que se tratasse de Espíritos lúcidos, completamente des­materializados, dispensada foi a necessidade de veículos de transporte, pois empregariam a volitação para o tra­jeto, por mais rápido e concorde com suas experiências espirituais. Integravam essa caravana, além dos dedi­cados instrutores Alceste e Romeu, dois cirurgiões res­ponsáveis pelos pacientes em questão, especializados na ciência da organização físico-astral, como os dois Cana­lejaa o eram das nossas enfermarias. Iam, com poderes conferidos pelo diretor, examinar as possibilidades dos médiuns cujos nomes e referências recomendáveis ha­viam obtido da Seção de Relações Externas. Desse exame dependeria a escolha definitiva das agremiações a serem visitadas.

Antes, porém, da partida dessa comissão, fora ex­pedida mensagem telepática da direção-geral do Insti­tuto, localizada na mansão do Templo, aos diretores e guias instrutores espirituais das agremiações a que per­tenciam os referidos médiuns, assim como a seus próprios guias e mentores particulares, solicitando-lhes a indispensável permissão e preciosa colaboração para os entendimentos a serem firmados com aqueles.

Os serviços a serem prestados pelos veículos huma­nos — ou médiuns — deveriam ser voluntários. Abso­lutamente nada lhes seria imposto ou exigido. Ao con­trário, iriam os emissários do Instituto solicitar, em nome da Legião dos Servos de Maria, o favor da sua colabo­ração, pois era norma das escolas de iniciação a que pertenciam os responsáveis pelo Instituto Correcional Maria de Nazaré, pertencente àquela Legião, nada impor a quem quer que fosse, senão convencer à prática do cumprimento do dever.

Concertado o entendimento pela correspondência te­lepática, ficara estabelecido que os mentores espirituais dos médiuns visados lhes sugerissem o recolhimento ao leito mais cedo que o usual; que os mergulhassem em suave sono magnético, permitindo amplitude de ação e lucidez aos seus Espíritos para o bom entendimento das negociações a se realizarem pela noite a dentro. Uma vez desprendidos dos corpos físicos pelo sono, deveriam os referidos concorrentes ser encaminhados para a sede da agremiação a que pertenciam, local escolhido para as confabulações.

Tudo programado, partiu do Instituto a caravana missionária, composta de oito personagens, isto é, quatro servidores especializados, do Hospital, e quatro assis­tentes da Vigilância, que os guiariam com segurança às localidades indicadas.

Soavam precisamente as vinte e três horas nos cam­panários singelos das primeiras localidades a serem vi­sitadas, quando os dedicados servos de Maria começaram a planar nas latitudes pitorescas da terra de Santa Cruz, dirigindo-se sem vacilações para o centro do país.

Suaves claridades emitidas pelas últimas fases do plenilúnio derramavam docemente, sobre o dorso do pla­neta de provações, tons melancólicos e sugestivos, en­quanto os odores vivos da flora brasileira, rica de es­sências virtuosas, embalsamavam a atmosfera, como a acenderem piras de perfumes raros em honra aos no­bres visitantes, sabendo de suas predileções de iniciados orientais...

Consultaram então o mapa que traziam com as ne­cessárias indicações; escolheram algumas das cidades do centro da grande nação planetária, nele indicadas pela Seção de Relações Externas como mantenedoras de agrupamentos de estudos e aprendizagem psíquicos sé­rios; e, separando-se em quatro grupos de apenas duas individualidades, atingiram céleres os pontos determina­dos. Haviam estabelecido, assim, que visitariam quatro cidades de cada vez, à procura dos médiuns; e que, uma vez firmados os entendimentos, reunir-se-iam em deter­minado local da Espiritualidade, com os guias e mento­res deles, para indispensáveis entendimentos relativos ao importante certame.

Em vários núcleos de experiências, portanto, nessa noite bonançosa, no interior do Brasil onde a quietude e simplicidade de costumes não contaminam de muito graves impurezas o meio ambiente social, caridosa ati­vidade do mundo astral efetivava-Se em locais humíli­mos, desataviados de opulências e vaidades, mas onde a sacrossanta lâmpada da Fraternidade se mantinha acesa para o culto imorredouro do amor a Deus e ao próximo.

Os emissários expuseram ao que vinham, solicitando aos médiuns, cujos Espíritos para ali haviam sido con­duzidos enquanto os corpos continuavam profundamente adormecidos, seu concurso piedoso para o esclarecimentO de míseros suicidas incapacitados de se convencerem dos imperativos da vida espiritual apenas com o concurso astral. O estado lamentável a que se reduziram aqueles infelizes não foi omitido na longa exposição feita pelos solicitantes. Os médiuns deveriam contribuir com grandes parcelas de suas próprias energias para alívio dos desgraçados que lhes bateriam à porta. Esgotar-Se-iam, provavelmente, no caridoso afã de lhes estancar as lá­grimas. Seria até mesmo possível que, durante o tem­po que estivessem em contacto com eles, impressões de indefiníveis amarguras, mal-estar inquietante, perda de apetite, insônia, diminuição até mesmo do peso natural do corpo físico viessem surpreendê-los e afligi-los. To­davia, a direção do Instituto Maria de Nazaré oferecia garantia: — suprimento das forças consumidas, quer orgânicas, mentais ou magnéticas, imediatamente após a cessação do compromisso, ao passo que a Legião dos Servos de Maria, a partir daquela data, jamais os dei­xaria sem a sua fraterna e agradecida observação. Se se arriscavam à solicitação de tão vultoso concurso era porque entendiam que os médiuns educados a luz da áurea moral cristã são iniciados modernos, e, por isso, devem saber que os postos que ocupam, no seio da Es­cola a que pertencem, fatalmente terão de obedecer a dois princípios essenciais e sagrados da iniciação Cristã heroicamente exemplificados pelo Mestre Insigne que a legou: — Amor e Abnegação!

Não obstante, seriam livres de anuir ou não ao con­vite, O encargo deveria distinguir-se por voluntário, realizado sem constrangimentos de nenhuma espécie, es­tribando-se na confiança e no sincero desejo do Bem.

Assim se realizaram as primeiras confabulações em doze povoações visitadas, sendo os convites apresentados a vinte médiuns de ambos os sexos. Dentre estes, porem, apenas quatro senhoras, humildes, bondosas, deixando desprender do envoltório astral estrigas luminosas à al­tura do coração, ofereceram incondicional e abnegada­mente seus préstimos aos emissários da Luz, prontas ao generoso desempenho. Dos representantes masculinos apenas dois aquiesceram, sem rasgos de legítima abne­gação, é certo, mas fiéis aos compromissos de que se investiram, assemelhando-se ao funcionário assíduo à repartição por ser esse o dever do subordinado. Os res­tantes, conquanto honestos, sinceros no ideal esposado por amor de Jesus, desencorajaram-se de um compro­misso formal. Os quadros expostos, mostrando-lhes o precário estado dos pacientes que deveriam socorrer, eu martirológio de além-túmulo, infundiram-lhe tais pavo­res e impressões que acharam por bem retrair impulsos assistenciais, prontificando-se, porém, a permanente au­xílio através das irradiações benévolas de preces since­ras. Foram, por conseguinte, desobrigados de quaisquer compromissos diretos, dando-se os visitantes por ampla­mente satisfeitos. Era de notar, porém, que o Brasil fora assinalado como ambiente preferível, onde se loca­lizavam médiuns ricamente dotados, honestos, sinceros, absolutamente desinteressados!

Seguiram-se os indispensáveis exames da organiza­ção astral e envoltório material dos que se comprome­teram ao alto mandato.

A beira de seus leitos inspeção minuciosa foi’ efe­tivada em seus fardos carnais. O vigor cerebral, as atividades cardíacas, a harmonia da circulação, o estado geral das vísceras e do sistema nervoso, e até as funções gástricas, renais e intestinais foram cuidadosamente in­vestigadas. As deficiências porventura observadas se­riam a tempo reparadas por ação fluídica e magnética, pois tinham à frente ainda vinte e quatro horas para os preparativos.

Passaram em seguida à vistoria do envoltório físi­co-astral, ou seja, o perispírito. Conduzidos a um dos postos de emergência e socorro, mantido. pela Colônia a que deveriam emprestar caridoso concurso, nas pro­ximidades desta como da própria Terra, espécie de Departamento Auxiliar onde freqüentemente se realizavam importantes trabalhos de investigações e labores outros, afetos aos serviços da mesma Colônia, foram os Espíri­tos dos seis médiuns contratados minuciosamente instruídos quanto aos serviços que deveriam prestar, exa­minados os seus perispíritos, revivificados com aplicações fluídicas de excelência soberana para o desempenho, ana­lisados o volume e grau das vibrações emitidas e cor­rigidos os excessos ou deficiências apresentadas, a fim de que resistissem sem sofrer quaisquer distúrbios e do­minassem, tanto quanto possíveis, beneficiando-as com o vigor sadio que desprendessem — as emanações mentais nocivas, doentias, desesperadoras, dos desgraçados sui­cidas absorvidos pela loucura da dor superlativa! Pode­-se mesmo asseverar que o contacto mediúnico com os futuros comunicantes estabeleceu-se nessa ocasião, quan­do correntes magnéticas harmoniosas foram dispostas de uns para outros, assim determinando a atração simpá­tica, a combinação dos, fluidos, fator indispensável na operação dos fenômenos de tão melindroso quão sublime gênero.

Uma vez ultimados tais preparativos, reconduziram os colaboradores terrenos aos seus lares, libertando-os do sono em que os haviam mergulhado, a fim de que retomassem os fardos materiais quando bem lhes aprou­vesse, e, incansáveis heróis do amor fraterno, tornaram aos seus postos do Invisível, prosseguindo em nova sé­rie de atividades preparatórias para a jornada da noite seguinte, quando se iniciaria a sucessão de reuniões em quatro cidades do interior do Brasil. E não é de admirar que assim o fizessem, sabido como é que todos os inicia­dos graduados são doutores em Medicina, com amplos conhecimentos também das organizações físico-astrais.

Desde o regresso da comissão de entendimentos, movimentação incomum apresentavam as repartições do burgo da Vigilância e do Hospital. Na manhã seguinte fomos cientificados de que, ao cair do crepúsculo, par­tiríamos em visita de instrução aos planos terrenos, o que muito veio alvoroçar nossos corações, por imaginar­mos possibilidades de rever nossas familias e amigos. Da Vigilância, turmas de operários e técnicos partiram ao alvorecer, conduzindo aparelhamentos necessários ao importante trabalho a realizar-se às primeiras horas da noite. Quer os diretores de nossa Colônia, quer os ins­trutores e educadores, seus auxiliares, eram severos na observação dos métodos empregados, meticulosos nas dis­ciplinas exigidas para o intercâmbio entre o Mundo Astral e a Terra, fiéis aos programas estatuídos pelos santuários orientais, onde, havia muito, quando homens, aprenderam as magnas ciências do Psiquismo. Por isso mesmo, um esquadrão de lanceiros desceu e, depois de inspeção rigorosa pelo interior do edifício onde se reali­zaria a reunião de psiquismo, ou, como usualmente se denomina — a Sessão Espírita —, postou-se de guarda fazendo segura ronda desde as primeiras horas da ma­drugada. Ficou, assim, circulada por milicianos hindus, que se diriam invencível barreira, a casa humilde, sede do Centro Espírita escolhido para a primeira etapa, en­quanto o emblema respeitável da Legião foi arvorado no alto da fachada principal, invisível a olhos humanos comuns, mas nem por isso menos real e verdadeiro, uma vez que a nobre agremiação fora temporariamente ce­dida àquela insigne e benemérita corporação espiritual. Obreiros devotados, sob a direção de técnicos e diretores da Seção de Relações Externas, preparavam o recinto reservado à prática dos fenômenos, tornando-o, tanto quanto possível, idêntico aos ambientes que no Instituto lhes eram favoráveis à instrução dos pacientes. Enquan­to isso, foi solicitada ao diretor espiritual do Centro em questão a fineza de recomendar ao diretor terreno, por via mediúnica, absolutamente não permitir assistência leiga ou desatenciosa aos trabalhos daquela noite, os quais seriam importantes e delicados, pois, nada menos do que uma falange de Espíritos suicidas para ali seria encaminhada a fim de a eles assistir, e operosidades dessa natureza há mister que sejam ocultas, admitindo-se apenas os aprendizes probos, aplicados e sinceros da iniciação cristã, já moralizados pelas alvoradas das vir­tudes evangélicas.

Fluidos magnéticos foram prodigamente espargidos no recinto da sala de operações, por obedecerem a duas finalidades: — servirem como material necessário à cria­ção de quadros visuais demonstrativos, durante as ins­truções aos pacientes, e refrigerantes tônicos para combate às vibrações nocivas, inquietantes e desarmoniosas, dos Espíritos sofredores presentes e mesmo de algum colaborador terreno que deixasse de orar e vigiar na­quele dia, arrastando para a mesa sacrossanta da comu­nhão com o Invisível as emanações da mente conturbado..

Tudo preparado, ao entardecer iniciou-se o transpor­te das entidades chamadas ao vultoso empenho. Pela manhã do mesmo dia, porém, após a preleção que se seguia às aplicações balsamizantes para nosso tratamen­to, nos gabinetes já descritos, fomos esclarecidos quanto à importância da reunião a que deveríamos assistir.

— Durante a viagem seria preferível abstermo-nos de quaisquer palestras. Deveríamos equilibrar nossas forças mentais, impelindo-as em sentido generoso. Que procurássemos recordar, durante o trajeto, as instruções que vínhamos recebendo havia dois meses, recapitulan­do-as como se devêramos prestar exame. Isso nos con­servaria concentrados, auxiliando, portanto, nossos con­dutores na defesa que nos deviam, pois atravessaríamoS perigosas zonas inferiores do Invisível, onde pululavam hordas de desordeiros do Astral inferior, o que indicava ser grande a responsabilidade daqueles que receberam a incumbência de nos guardar durante a excursão. O silêncio e a concentração que pudéssemos observar imprimiriam maior velocidade aos veículos que nos trans­portassem, afastando possibilidade de tentativas de as­salto por parte daqueles malfeitores, conquanto tivessem os legionários a certeza de facilmente poderem dominar suas possíveis investidas.

— Não nos poderíamos destacar da falange em hi­pótese alguma, nem mesmo com o louvável intuito de uma visita à Pátria ou à família. Semelhante indisci­plina poderia custar-nos muitos dissabores e lágrimas, pois éramos fracos, inexperientes, pouco conhecedores do mundo invisível, onde proliferam as seduções, as tenta­ções, a hipocrisia, a mistificação, a maldade, mais ainda do que na Terra! Em ocasião oportuna visitaríamos nos­sos entes caros sem que nenhum contratempo adviesse, desgostando-nos.

— No recinto das operações deveríamos portar-nos como se defrontando o próprio Tabernáculo Supremo, pois que a reunião era acima de tudo respeitável, por­que realizada sob as invocações do sacrossanto nome do Altíssimo, enquanto que Seu Unigênito estaria presente através de irradiações misericordiosas do Seu grande amor fraterno, porqüanto isso mesmo prometera aos dis­cípulos sinceros da Sua Excelsa Doutrina, que em Seu nome se reunissem para a comunhão com o Céu.

- Se era dever do cristão honesto e sério calar paixões e desejos impuros, procurando escudar-se na boa-vontade para dominá-los, reeducando-Se diariamente, nos momentos em que estivéssemos presentes ao venerável Templo onde se consagraria o sublime mistério da con­fraternização entre mortos e vivos para trocarem impres­sões, assim mutuamente se esclarecendo, se instruindo e iluminando, melhor cumpriria a todos, homens e Es­píritos, precatarem-se com as mais dignas atitudes, cha­mando os pensamentos mais sadios para aureolarem as mentes de nobreza condizente com o almo acontecimento; esquecerem mágoas, preocupações subalternas, levando bem alto o padrão dos sentimentos caridosos no intento de beneficiação ao próximo, pois que seria bom nos lem­brássemos de que, integrando a nossa falange mesma, iam entidades ainda mais desafortunadas do que nós, aquelas que nenhum alívio ainda tinham conseguido, tais a desorganização nervosa, a dispersão mental em que se mantinham, e às quais ordenava o dever de frater­nidade que auxiliássemos apesar da nossa fraqueza, con­tribuindo com nossos pensamentos benevolentes, firmes, vibrando em sentido favorável a elas. Tal proceder de nossa parte rodeá-las-ia de vigores novos, os quais abran­dariam a ardência das angústias que as oprimiam, con­cedendo ao mesmo tempo, a nós outros, o mérito da verdadeira cooperação.

— Disseram-nos mais que, na Terra, nem todos os homens admitidos ao cenáculo sagrado das evocações guardavam essa higiene moral e mental, necessária àboa marcha do intercâmbio com o Invisível. Que, nos dias decorrentes, entre os encarnados existia até mesmo leviandade e abuso na prática das relações com os mor­tos, o que é lamentável, porqüanto, todo aquele que age leviana ou descriteriosamente, em torno de tão respeitá­vel quão melindroso assunto, acumula responsabilidades gravíssimas para si mesmo, as quais pesarão amarga­mente na sua consciência, em dias futuros. Por isso mesmo, as reuniões luminosas, onde o descortino de mui­tas grandezas espirituais seria possível, tornam-se raras, pois nem sempre os componentes de um quadro de ope­radores são realmente dignos do alto mandato que pre­sumem poder desempenhar. Esquecem-se de que, para as verdades dos mistérios celestes refulgirem ao seu en­tendimento, submetendo-se à sua penetração por lhes desvendarem as sublimidades que lhes são próprias, é e sempre foi indispensável aos investigadores a autodis­ciplina moral e mental, preparo individual prévio, que obriga modificações sensíveis no interior de cada um, ou, pelo menos, o desejo veemente de reformar-se, von­tade convincente de atingir o verdadeiro alvo do bem!... Mas que, ainda assim e apesar de tudo, ordena o dever de Fraternidade que Espíritos angelicais voltem vistas frequentemente para núcleos onde tais infrações se ve­rificam, observando caridosamente a melhor oportunidade para a elas comparecerem procurando aconselhar aque­les mesmos inconseqüentes, instruí-los quanto possível, despertando em suas consciencias o senso real da res­ponsabilidade terrível de que se sobrecarregam, deixando de envergar a túnica das virtudes, apontada na velha parábola do Celeste Conselheiro como traje obrigatório para a mesa do divino banquete com as sociedades as trais e siderais!... (5) E que, assim agindo, os ditos Espíritos nada mais faziam do que observar princípios da fraternidade estabelecida pelo próprio Mestre Naza­reno, o qual não desprezou descer de esferas deíficas até o pélago tormentoso das maldades humanas, a fim de apontar aos pecadores o caminho do Dever e a prá­tica das virtudes regeneradoras!

Ao entardecer, pois, partimos, demandando planos terrenos. Custodiavam-nos pesada escolta de lanceiros, turmas de assistentes, psiquistas e técnicos da Vigilân­cia, pois de nenhuma dependência da Colônia, mesmo do Templo, ninguém visitaria a Terra ou outras localidades vizinhas sem o concurso valioso dos abnegados e intré­pidos obreiros daquele Departamento, os quais em ver­dade eram os responsáveis pelas mais árduas tarefas que ali se verificavam. Já bastante instruídos, portamo-nos à altura das recomendações recebidas. Nossos compar­sas em piores condições, justamente aqueles por quem tantas operosidades se realizavam, foram transportados em carros apropriados, rigorosamente fechados e guar­dados pela fiel milícia hindu, quais prisões volantes para pestosos, o que nos impossibilitou vê-los. Seus gritos lancinantes, porém, seus gemidos e choro convulsivo que tão bem conhecíamos, chegavam até nós distintamente, o que nos comovia, despertando-nos funda compaixão. Ansiosos, procuramos socorro ao mal-estar daí decorren­te nas prudentes recomendações de Romeu e Alceste, nossos caros instrutores, firmando nossas forças mentais em vibrações caridosas a eles favoráveis, o que até mes­mo a nós próprios veio beneficiar.

Chegados ao termo da viagem, um deslumbramento surpreendeu nossos olhos habituados às brumas nostál­gicas do Hospital. Era de fazer notar como podíamos ver melhor tudo em derredor, uma vez na Terra, pois, em tempo algum, jamais víramos edifício tão magnifica­mente engalanado de luzes como aquela humilde habi­tação o era pelos esplendores que do Alto se projetavam,


(5) Mateus, capítulo 22, versículos 1 a 14.
envolvendo-a num como abraço de vibrações hialinas! Encimando-a, lá estava a Cruz radiosa — emblema dos servos de Maria aquartelados no Instituto — com as iniciais nossas conhecidas, e cujas cintilações azuladas con­fundiam e arrebatavam. Lanceiros montavam sentinela à pequenina mansão transformada em solar de estrelas, havendo mesmo um cordão luminoso, qual bastião de fiavas neblinas, cfrculando-a cuidadosamente, limitando-a da via pública em cerca de dois metros. A um entendido não seria difícil perceber a finalidade de tais precauções exigidas pelos ilustres trabalhadores do Instituto Ma­ria de Nazaré. Não desejavam a intromissão no recinto das operações nem mesmo de emanações mentais heterogêneas, precatando-se quanto possível das investidas nocivas exteriores de qualquer natureza!

Entramos. Nossa admiração aumentava...

A azáfama do plano espiritual era intensa. Quanto à parte que tocava ao homem executar parecia diminuta, conforme foi fácil observar.

Ao ingressarmos no salão indicado para o nobre acontecimento, apenas se nos deparou um varão idoso, absorvido na leitura de um manual de filosofia transceh­dental, o qual dir-se-ia empolgá-lo, pois, verdadeiramente concentrado nos pensamentos que ia captando das páginas sábias, deixava irradiar da fronte fagulhas lumino­sas que muito o recomendavam no conceito do Invisível. Tudo indicava compreender ele a responsabilidade dos trabalhos daquela noite, que sobre seus ombros também pesavam, e, por isso, preparava-se a tempo, estabelecen­do correntes harmoniosas entre si próprio e seus diletos amigos espirituais. Era o diretor terreno da casa.

O quadro a contemplar, aliás, era sugestivo e ma­jestoso.

Haviam desaparecido os limites da sala de trabalhos, como se as paredes fossem magicamente afastadas a fim de se dilatar o recinto. Em seu lugar víamos tribunas circulares, com feição de arquibancadas. Dir-se-ia anfi­teatro para acadêmicos. Nossos guias vigilantes indicaram as arquibancadas e os lugares a nós reservados. Obedecemos sem relutância, enquanto os infelizes companheiros, cujo estado grave dera razões ao trabalhoso recurso, eram pacientemente conduzidos por seus médi­cos assistentes e enfermeiros e colocados no primeiro plano das arquibancadas, em local apropriado às suas condições.

Na sala já se achavam reunidos os elementos terre­nos selecionados para aquela noite, isto é, os médiuns indicados, os colaboradores homogêneos, de boa-vontade, tomando cada um o lugar conveniente. Para estes nada mais havia no tosco aposento além das paredes brancas e desadornadas, a mesa que singela toalha guarnecia, livros, papéis em branco, esparsos, à altura das mãos dos médiuns, e alguns lápis. Os dotados de vidência, todavia, percebiam algo inusitado e fora de rotina, e comunicavam timidamente a seus pares, em discretas confidências, que visitas importantes do Além honravam a Casa aquela noite, seguindo-se a descrição de alguns pormenores, como a presença da milicia de lanceiros, dos médicos com seus aventais e emblemas e enfermeiros azafamados, no que, em verdade, não eram acreditados, pois, ainda no primeiro decênio deste século, mesmo mui­tos dos espíritas mais convictos sentiam dificuldade em aceitar a possibilidade de existir no Espaço necessidade de militares em ação, de enfermeiros e médicos desdo­brando os misteres de sua magna ciência em torno de enfermos desencarnados...

Nós outros, no entanto, não fora a degradante in­digência que nos grilhetava à inferioridade espiritual, impossibilitando a amplitude da visão que seria natural se outras fossem as nossas condições, teríamos abran­gido o cenário na sua augusta realidade, em vez de per­cebermos palidamente o que nossos guias e mentores contemplavam em todo o esplendor da sua gloriosa sig­nificação:

— Ao centro do salão destacava-se a mesa de tra­balho. dos colaboradores encarnados. Rodeavam-na o seu presidente com a comitiva de médiuns e afins para a corrente simpática de atração. De tosca que a notáramos ao entrar, agora se tornava alvinitente, pois dos confins do Invisível Superior despejava-se sobre ela cascata de luz resplandecente, elevando-a ao nível de altar venerável, onde a comunhão da Fraternidade entre homens e Espí­ritos se realizaria sob os divinos auspícios do Cordeiro de Deus, cujo nome respeitável era ali invocado.

— Abrangendo essa primeira corrente magnética produzida pelas vibrações harmoniosas dos encarnados, existia uma segunda, composta por entidades translúci­das e formosas, cujas feições mal podíamos fixar, tais os reflexos vivos que emitiam, parecendo antes silhue­tas encantadas, orladas de ralos cristalinos e puros:

— eram os Espíritos Guias do Centro visitado, os pro­tetores dos médiuns, assistentes e familiares das pessoas presentes, que, abnegadamente, talvez desde milênios se dedicavam ao objetivo da sua redenção!

— Além desta, ocupando maior espaço no recinto e, como as duas primeiras, dispostas em círculo, a super-corrente fornecida pelos visitantes e composta, na sua totalidade, pelo pessoal especializado comissionado pelo Departamento de Vigilância e subordinado à Seção de Relações Externas, pessoal esse chefiado pelo nosso ami­go Ramiro de Guzman.

— A cabeceira da mesa, lugar de honra ocupado pelo diretor da Casa, o qual requer do seu ocupante ele­vadas disposições para o Bem, e que, para os métodos hindus usados no Instituto, seria a chave do círculo pro­picio ao nobre desempenho, postavam-se, além deste, o seu diretor espiritual e mais o chefe de nossa expedição, isto é, Ramiro de Guzman, ao passo que mais acima Ro­meu e Alceste, os instrutores diretos da atormentada falange, cujo delicado desempenho vai verificar-se atra­vés da palavra do instrutor terreno — o presidente da mesa.

A um e outro cumpre recolher as vibrações dos pensamentos e das palavras do presidente, desenvolvi­dos durante o magno certame; associá-los aos elementos quintessenciados de que dispõem, de envolta com as on­das magnéticas dos circunstantes encarnados; elaborá-los e transfundi-los em cenas, dando-lhes vida e ação, concretizando-os, materializando-os até que os infelizes assistentes desencarnados sejam capazes de tudo com preender com facilidade. Para isso contam com o apoio do pessoal especializado fornecido pela Vigilância, isto é, pela Seção de Relações Externas, e o concurso amoroSo e indispensável dos gabinetes científicos localizados no Hospital, chefiados por Teócrito.

Quanto aos nossos médicos e enfermeiros já se acha­vam a postos, quer junto dos médiuns quer ao lado dos enfermos, indo e vindo, fiéis ao formoso quanto subli­me sacerdócio que no Astral a Medicina lhes confe­re — ainda mais nobre que na Terra, porque, além, é unicamente sob a augusta inspiração do Amor e da Fra­ternidade que se dedicam a tão nobres labores.

E, serenos nos postos que lhes competiam, os lanceiros — esses colaboradores arrojados e silencio­sos — dir-se-ia trazerem as forças de que dispunham, em verdade não nas lanças, que em suas mãos não exprimiam violência, mas nas mentes rigorosamente moldadas nas forjas de trabalhos austeros, de iniludíveis disciplinas, de renúncias e aprendizados abrilhantados na dor dos sacrifícios!

Cada colaborador no posto que lhe era devido, cum­pria iniciar a chamada, como rezavam os métodos da iniciação. Tocou ao irmão Conde de Guzman levá-la a efeito, como responsável que era pela numerosa comi­tiva, Os comissionados pelos chefes do Instituto Maria de Nazaré, para a tarefa daquela noite, achavam-se pre­sentes. A seu pedido imitou-o o diretor espiritual do Centro, notificando que também os seus subordinados correspondiam ao santificante compromisso. Quanto aos cômpares terrestres, os auxiliares humanos — nem todos se encontravam fielmente reunidos à hora aprazada! A chamada que, do plano espiritual, lhes era feita, acusava nada menos de três ausentes do cumprimento do Dever...

Iniciaram-se, finalmente, os trabalhos sob o nome sacrossanto do Altíssimo e a proteção solicitada do Ex­celso Mestre de Nazaré. Visívelmente inspirado pelos pensamentos vigorosos das entidades iluminadas presen­tes, o presidente da Casa desenvolveu ardente prece, to­cante e substanciosa, a qual predispôs nossos corações ao enternecimento e a fervoroso recolhimento. A pro­porção que orava, porém, com maior vigor incidiam so­bre a mesa os arrebóis níveo-azulados emanados do Alto, quais bênçãos dadivosas que nos levaram a imaginar lampejos do olhar caridoso de Maria norteando seus obreiros na piedosa missão de socorro a pobres decaídos.

Supliquemos, porém, aos mentores e tutelares pre­sentes a graça de nos conferirem por instantes o poder da visão a distância, que neles é um dos formosos atri­butos do progresso adquirido, e o qual não possuimos ainda, e respeitosamente acompanhemos esse cascatear azulíneo que engalanou a sede humilde da agremiação dos discípulos do grande iniciado Allan Kardec, a ver se conseguiremos descobrir a sua origem...

Eis que fomos satisfeitos em nossas pretensões, sob a condição de conduzirmos o leitor no giro que em­preendermos através das desejadas investigações... Uma vez assestado, o binóculo mágico revelou-nos que, sob as fulgurações puríssimas que visitavam o tosco albergue, desapareceram os limites que o encerravam no er­gástulo de simples habitação terrena para transfigurá-lo em alvo de irradiações generosas por parte dos diretores do nosso Instituto. Víamos, refletida nas ondas pulcras daquelas dulçorosas cintilações, a reprodução do que, no mesmo momento, se desenrolava no gabinete secreto do Templo-santuário, onde se reuniam os responsáveis por quantos viviam na Colônia, perante a Excelsa Diretoria da Legião. Também esses austeros mestres, portanto, estão presentes à reunião onde nos achamos, pois que os vemos: estão, como nós, reunidos em torno a uma mesa augusta e alvinitente — a mesa da comunhão com o Mais Alto —, altar venerável que testemunha todos os dias suas elevadas manifestações de idealistas, suas investigações profundas de cientistas cristianizados, em torno da Criação Divina e dos graves problemas refe­rentes ao gênero humano; suas fervorosas vibrações de amor e respeito ao Onipotente Pai e ao próximo! São doze varões, belos, nobres, cuja idade, à primeira vista, se não poderia calcular, mas que exame mais circuns­tanciado revelaria que bem poderia ser a que lhes fosse mais grata ao coração ou às recordações! Das mentes graves e pensadoras, assim como dos corações genero­sos, cintilas argênteas irradiam, testemunhando a gran­de firmeza dos princípios virtuosos que os inipulsionam!

Não vemos assistentes para a reunião que efetuam. Estão sós, isolados no cenáculo santificado pelas vibra­ções das preces que de suas almas extraem, arrebatados pela Fé! Nem mesmo os discípulos imediatos, os que diariamente cooperam para o progresso e bem-estar da Colônia, são admitidos naquele segredo. A reunião é íntima, só deles! Precisam da mais sólida homogeneida­de de que poderão dispor suas forças assestadas para o sentido do Bem! — pois urge manter a harmonia geral da assembléia que ousou reunir-se sob o nome do Cria­dor Supremo do Universo e as vistas do Seu Unigênito, cuja presença foi solicitada ardentemente ao se inicia­rem os trabalhos. Perante Maria são eles os responsá­veis pelo que se passar na tenda humilima dos discípulos de Allan Kardec, no cimo da qual se assentou o emblema da Sua Legião! E, o que é ainda mais grave, perante Seu Augusto Filho, o Mestre e Redentor, a quem todas as Legiões prestam obediência, porque é Ele o Diretor Maior a quem o Criador conferiu poderes para redimir o planeta Terra e suas humanidades, é Ela a respon­sável pelo que ali se passa, além das responsabilidades deles próprios, motivo pelo qual será absolutamente im­prescindível a conservação da harmonia para a obtenção dos bons êxitos!

Para que o Mestre Amado seja ainda uma vez glo­rificado; para que Seu Nome Excelso não sirva de pre­texto para levianas realizações; para que se não cometa o sacrilégio de fazer degenerar em simples fórmula banal a invocação feita ao Cordeiro Imaculado de Deus; para que esteja presente nos ditos trabalhos, e para que seja real Sua Presença, em espírito e verdade, no santuário dos seguidores de Kardec, visitado por seus pupilos, vi­bram eles ali, reunidos secretamente, elevando os pen­samentos em haustos sublimes, concentrados e firmes, alongando, com as melhores reservas mentais que pos­suem, as próprias almas na súplica, para que mereçam, com efeito, todos! todo. presentes à magna reunião, a presença do Grande Consolador, assim estabelecendo as correntes invencíveis, virtuosas e cândidas para aquela noite, correntes que são o traço de união entre a pre­sença do Mestre Divino e a reunião espírita terrena séria, bem dirigida!

Por isso mesmo é que os demais servidores, con­quanto probos, dedicados e sinceros, não podem presen­ciar essa magna assembléia no Além realizada. Não alcançaram ainda as vibrações, perfeitamente homogê­neas com as suas, tal como requer a santidade do man­dato. Na vasta colonização do Instituto Maria de Nazaré, apenas esses doze mestres de iniciação se apresentam perfeitamente idêntico. em qualidades morais, graus de virtude e de ciência e estado de espiritualização para a comunhão no sublime ágape que efetuam!

São, não obstante, simples e modestos. Sabem que de si mesmos pouco têm para distribuir com os mais necessitados e sofredores, porque consideram diminuto o cabedal de ciência adquirido, apesar do longo carreiro de experiência que palmilharam, a série de peregrina­ções pelas vias do sacrifício e das lágrimas! Conseqüen­temente, não desconhecem que se encontram ainda dis­tanciados da perfeição! Mas porfiam em caminhar com passo. sempre mais firmes ao encalço do grandioso ideal que acalentam — a união definitiva com Jesus, e reve­lam, com demonstrações insofismáveis, que nem paixões pessoais, nem desejos impuros abalançam mais suas von­tades rigidamente retemperadas no Amor, na Justiça e no Dever!

Por essa razão oram e suplicam em harmonioso conjunto, sem que nenhum se considere digno bastante de ser chamado mestre ou chefe dos demais! Só sabem é que devem servir, porque não passam de servos de uma grande corporação onde a lei é o amor ao próximo, o devotamento às causas generosas, a justiça, a abnega­ção, o trabalho, o progresso para a conquista do melhor! Para eles, o verdadeiro chefe, o Mestre — é Jesus de Nazaré — e como tal o honram e respeitosamente o invocam sempre que as circunstâncias o requeiram! E como servos, como discípulos e subordinados desejam praticar ações dignificantes, alcançar méritos a fim de se elevarem no conceito do Amado Senhor!

Acreditam fervorosamente que o Magno Instrutor, a quem imploram assistência e proteção, não desatendeu as invocações extraidas dos recônditos mais sensíveis dos seus Espíritos, antes desceu, misericordioso e terno como sempre, não apenas até o santuârio hialino onde só eles penetram, mas também à humilde choça em que se efetua o divino banquete da Fraternidade, ao qual também concorreram pobres homens e mulheres ainda encarnados, arrastando-se penosamente através dos car­dos das provações para aprendizados redentores. Ates­ta-o a torrente de luz sideral que a santificou! Ê que a certeza da presença de Jesus nas reuniões engrande­cidas pelas virtudes e dispositivos morais e intelectuais de seus orientadores, quer encarnados, quer desencarna­dos, proveio do fato de jamais se haverem extinguido da sua audição espiritual as miríficas expressões daquela voz amorosa, inesquecível e sublime, firmando a pro­messa imortal:

“Em qualquer lugar onde se acharem duas ou mais pessoas reunidas em meu nome, eu estarei entre elas.” (6)

Como sói acontecer nas reuniões legítimas da ini­ciação espírita-cristã, cujos princípios elevados impõem como base inalienável para o seu adepto a auto-reforma moral e mental, naquela noite memorável para todos de minha sinistra falange foi escolhido o tema evangélico a ser estudado e comentado. Como vemos, o ensino era fornecido por Jesus, ali considerado Lente Magnífico, Presidente de Honra, cujas lições levantavam o pedes­tal de tudo o que se desenrolaria.

Iniciada foi, pois, a leitura do Evangelho, seguin­do-se explanação formosa e fecunda, do presidente ter­reno. As parábolas elucidativas, as ações magnânimas



Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   ...   26


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal