Ricardo Nicotra/2002 Índice Introdução 5 Capítulo I o dízimo na Bíblia 6



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O Livro de Praxes


O livro de Regulamentos Eclesiástico-Administrativos da Divisão Sul Americana, mais conhecido como Livro de Praxes, contém os regulamentos que devem ser obedecidos por todas as instituições da Corporação dentro do território da Divisão Sul Americana. Dentre muitos outros tópicos, o Livro de Praxes regulamenta a administração financeira das instituições e especifica regras relacionadas com o dízimo e o seu emprego. Logo na introdução há uma recomendação para os administradores das instituições adventistas:

“Este livro de Regulamentos é a voz autorizada da Igreja Adventista do Sétimo Dia em todo o território da Divisão Sul-Americana, no tocante à organização e administração da obra da Igreja, devendo, portanto ser estritamente observado e cumprido por todas as organizações denominacionais”.

Assim como os membros da Igreja devem seguir o Manual da Igreja, os administradores das instituições adventistas devem obedecer ao Livro de Regulamentos que se auto-denomina “a voz autorizada da Igreja Adventista do Sétimo Dia”.

Para muito o Livro de Praxes é um livro secreto. Muitas pessoas nunca ouviram falar sobre ele, muitos pastores distritais sequer o tocaram. Eventualmente uma cópia é levada aos concílios pastorais e fica à disposição somente para consulta - assim como a Bíblia na época de Lutero. Os pastores distritais não possuíam o referido livro, muito menos as igrejas. Era um livro apenas para os administradores das instituições da Corporação (Associações/Missões, Uniões e Divisão).

A providência divina permitiu que o conteúdo deste livro fosse digitalizado e disponibilizado na Internet na íntegra. É importante ressaltar que até o presente momento, a iniciativa de publicação deste livro não foi da Corporação. Provavelmente algum obreiro vinculado com a Corporação teve acesso a este material e o tornou público. Hoje, qualquer pessoa com um computador que acessa a internet pode consultar o livro de praxes.

Mas o que tornava o livro de praxes tão secreto e tão desejável? Dentre muitas informações, o livro de praxes contém as regras de utilização do dízimo adotadas pela Corporação. A maioria dos adventistas, em algum momento da vida, se perguntou a si mesmo: "Por que a igreja arrecada tanto dízimo e recebe tão poucos benefícios?". O livro de praxes responde, pois contém muitas tradições elaboradas pelos administradores da Corporação - tradições que retiram o dízimo da Igreja Local e o aplica em vários fins dentro da extensa estrutura administrativa da Corporação.


O DRF - Dízimo Retido na Fonte


O livro "Conselho Sobre Mordomia" tem uma seção especialmente dedicada ao assunto do dízimo. O primeiro capítulo desta seção chama-se "Uma Prova de Lealdade". Ellen G. White compara a infidelidade na devolução dos dízimos com a infidelidade de Adão e Eva ao comerem do fruto da Árvore da Ciência do Bem e do Mal. Referindo-se à ordem de Deus para que não comessem da referida árvore, a mensageira do Senhor encerra o terceiro parágrafo com a seguinte frase:

"Aí estava a prova de sua gratidão e lealdade a Deus." CM, pág. 65.

Assim como a obediência de Adão e Eva era uma prova de gratidão e lealdade, o dízimo também é uma prova de reconhecimento e fidelidade. Deve ser dedicado, com alegria, para a obra de salvação de almas.

Outra tradição desenvolvida pelos homens da administração é o DRF: Dízimo Retido na Fonte. Através desta tradição, que agora virou regulamento administrativo da Divisão Sul Americana, todos os obreiros pagos pela organização adventista são obrigados a ter o dízimo descontado na folha de pagamento. Há um tempo atrás este tipo de devolução era opcional. O obreiro simplesmente assinava uma autorização e a organização descontava o dízimo diretamente em sua folha de pagamento. Se não assinasse, o dízimo não era retido, o funcionário poderia devolvê-lo em sua igreja durante culto divino. Isto é coisa do passado. Agora todos os obreiros, por força da regulamentação da DSA, são obrigados a assinar um termo autorizando a retenção do dízimo na folha de pagamento.

“V 05 17 S - Dízimo devolvido através das Organizações e Instituições Denominacionais: O dízimo será devolvido pelos obreiros e empregados através das Organizações e Instituições Denominacionais, as quais remeterão às Associações e Missões em cujo território estão localizados, no mesmo dia em que preparam a folha de pagamento.”

É por essa razão que o pastor de sua igreja não devolve o dízimo na igreja local. O dízimo dos pastores é devolvido através das Organizações e Instituições Denominacionais, quais sejam, Associações/Missões, escolas, hospitais, casas publicadoras, etc...

Não é necessário ter uma percepção muito aguçada para perceber que há algo errado com as praxes (tradições) desenvolvidas pelas "Organizações Superiores". Como o dízimo pode ser uma prova de lealdade, fidelidade e gratidão se o mesmo está sendo obrigatoriamente retido na fonte? Como podem os pastores pregar que os dízimos devem ser entregues na Igreja se eles mesmos não procedem desta forma? Como poderão pregar a "devolução" dos dízimos se eles mesmos não devolvem? (Não se pode devolver algo que não se recebe - é o caso do dízimo retido na fonte).

O princípio de liberalidade da lei de Deus foi substituído pela lei dos homens para "facilitar e agilizar o processo de devolução". É esta a razão apresentada para justificar a retenção do dízimo na fonte. Reter o dízimo na fonte é colocar uma cerca de arame farpado em torno da Árvore da Ciência do Bem e do Mal. É forçar a obediência, é obrigar a fidelidade, é transformar o homem em um robô, é automatizar a obediência. Tudo o que Deus não desejou para o ser humano. Preferiu arriscar a vida de Seu Filho único a transformar o homem em uma máquina programada para obedecer e doar.


Alugando a Casa Própria Para Si Mesmo


O capítulo Y do livro de praxes apresenta uma relação de auxílios que os pastores e obreiros têm direito. De acordo com estes regulamentos da DSA o obreiro (pastores e administradores se incluem neste grupo) que tem casa própria pode alugar a sua casa para si mesmo e receber o aluguel da Associação/Missão. Este auxílio é detalhado sob o código Y 20 10 S - "Compensação ao obreiro que reside em uma residência de sua propriedade".

O livro de praxes diz o seguinte:

"Poderá ser concedida uma compensação ao obreiro que for autorizado a viver em uma residência de sua propriedade".

Na praxe anterior (1993) o texto era o seguinte:

"Pode-se conceder auxílio de aluguel ao obreiro que possui, compra ou constrói uma casa para sua própria moradia e cujo compromisso de compra e venda ou escritura esteja em seu nome ou no da esposa, na cidade onde exercer sua atividade."

De acordo com o parágrafo 3, o valor desta "compensação" deve estar "de acordo com o montante de aluguel autorizado pela Comissão Regional de Aluguéis para residências similares alugadas de terceiros", ou seja, o pastor que mora em sua casa própria recebe da Associação/Missão uma compensação financeira no valor equivalente ao que seria recebido se este imóvel estivesse alugado para terceiros.

Além deste benefício, o livro de praxes prevê a concessão de um extra anual equivalente a 50% do auxílio aluguel. Isto está estabelecido no parágrafo 6:

"Para ajudar a cobrir as despesas de manutenção e conservação da casa própria, que são de responsabilidade exclusiva do obreiro, ser-lhe-á concedido, a cada 12 meses, um adicional equivalente a 50% do valor da compensação mensal." - Y 20 10 S 6.

Além disso, o livro de praxes isenta o obreiro do pagamento das despesas condominiais, taxas de água, esgoto e impostos sobre a propriedade (IPTU), ou seja, pastores e obreiros da associação não pagam condomínio, taxa de água e IPTU, mas a associação reembolsa para eles todas estas despesas:

"As despesas normais de condomínio serão reembolsadas ao obreiro. As despesas resultantes de reformas, pinturas ou benfeitorias no imóvel, serão de responsabilidade do obreiro. As taxas de água, esgoto e impostos sobre a propriedade serão reembolsadas naquelas nas regiões, e na mesma proporção, onde a Obra, por exigências das leis do mercado, paga também tais impostos aos donos das outras casas alugadas."


Dízimo para a Colportagem e Acampamento de Jovens


De acordo com o item V 12 15, parágrafos 5 e 6, do livro de Praxes, é permitido que o dízimo seja aplicado para o fundo de promoção da colportagem e para acampamento de jovens:

V 12 15 Propósitos para os quais o dízimo pode ser usado - O dízimo pode ser usado, para:

5. Subsidiar o fundo promocional para os colportores. Considera-se o dízimo como uma fonte de subsídio adequada para cobrir a parte que corresponde às associações/missões no Fundo de Promoção da Colportagem.

6. Subvenções para atividades específicas. O dízimo também pode ser usado para subsidiar programas da associação/missão, tais como acampamentos de jovens e assembléias ou encontros que façam parte do movimento de expansão evangelística da Igreja.

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