Ricardo Nicotra/2002 Índice Introdução 5 Capítulo I o dízimo na Bíblia 6



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Auxílios Anuais e Esporádicos


Além dos auxílios mensais, existe uma série de auxílios anuais e esporádicos. Vamos mencionar apenas alguns:

Seguro de Vida e contra Acidentes


O item Y 25 05 do livro de praxes obriga as instituições denominacionais a fazerem o seguro de vida dos seus pastores, esposas e filhos dependentes contra acidentes de viagem e morte acidental. Em 1998, época em que o livro de praxes foi revisado, os valores deste seguro eram os seguintes: Para obreiros e pastores da Divisão (valor mínimo: US$ 75.000,00 e valor máximo: US$ 150.000,00). Para os demais obreiros que não são da Divisão (valor mínimo: US$ 50.000,00 e valor máximo: US$ 75.000,00). Cônjuge do obreiro (valor mínimo: US$ 15.000,00 e valor máximo: US$ 20.000,00). Filhos dependentes do obreiro (valor mínimo: US$ 5.000,00 e valor máximo: US$ 10.000,00)

Despesas Odontológicas


De acordo com o item Y 20 17 S as despesas odontológicas dele e da família estão cobertas, obedecendo aos seguintes critérios:

  • Aparelhos Ortodônticos - 75% de auxílio.

  • Tratamentos Dentários - 50% de auxílio.

  • Auxílios concedidos para, no máximo, sobre R$ 2025,00 de despesas por ano.

Outros benefícios


  • Tratamentos em Centros de Vida Saudável e Clínicas - 75% de auxílio (Y 20 17 S).

  • Despesas Oftalmológicas (incluindo Óculos e Lentes de Contato) - 75% de auxílio. (Y 20 16 S)

  • Próteses e Aparelhos Ortopédicos - 75% de auxílio. (Y 20 16 S)

  • Despesas com Livros, Revistas e Equipamentos: 50% de auxílio (Y 20 55 S).

  • Direitos Autorais - Dependendo do tipo de livro pode chegar a 10% do preço (FP 45 10)

Mudança de Residência


A Corporação Adventista paga todos os custos de mudança quando um pastor é transferido de uma localidade para outra. Veja como funciona:

Os obreiros têm direito de transportar 2.725 quilos + 335 quilos por filho. Se sua mudança não alcançar este peso estipulado pela Praxe, o pastor receberá em dinheiro um prêmio de US$ 0,75 por quilo não transportado (item Y 20 29 S 3).

Na época da mudança, o pastor tem direito a três diárias completas em um bom hotel no local de origem com toda a família e mais dez diárias em um bom hotel com sua família no local de destino.

Se houver um acidente a mobília estará totalmente segurada sem nenhum custo para o pastor.

Para despesas incidentais como a quebra ou extravio de qualquer objeto, o pastor recebe 40% do teto mais 4% por filho. Uma família de cinco pessoas receberá exatamente R$ 702,00, mesmo que não quebre ou avarie qualquer peça em sua mudança.

Se um pastor mudar-se para o exterior, poderá deixar sua mudança no Brasil e receber US$ 2.00 por quilo que teria direito de levar. (2.725 quilos + 335 quilos por filho).


Despesas Fúnebres


Se, infelizmente, falecer um parente direto (filho, filha, esposa), o pastor terá um auxílio de 75% sobre as despesas fúnebres até um máximo de R$ 3.375,00 (2,5 FPE) (item Y 20 40). Com certeza, este é o único auxílio que ninguém deseja receber! Se falecer um dos pais do pastor ou um dos pais de sua esposa ou ainda um de seus filhos, ele terá direito a um auxílio de 50% das passagens da viagem (ida e volta) para duas pessoas. Este é um auxílio pouco desejável, mas que nenhum de nós teríamos ao trabalhar para uma empresa comum.

Concílios


Os concílios geralmente são realizados em locais turísticos. Um exemplo foi um recente Concílio da Conferência Geral, realizado em um luxuoso hotel na cidade de Foz do Iguaçu. Muito dinheiro é gasto nestas ocasiões, neste caso específico para uma delegação de 400 pessoas. A Revista Adventista de Maio/1999 publicou uma notícia relacionada com o concílio de pastores da Associação Paulista Central. Este concílio foi realizado num hotel fazenda de luxo, na cidade de Atibaia. O mesmo hotel em que estavam hospedados os jogadores do Corinthians. Na referida revista, pastores adventistas posam para uma foto ao lado do jogador Marcelinho Carioca que foi presenteado com um livro do Pr. Bullón.

Considerações Finais


Os pastores administradores são os que mais consomem verbas. Viajam muito, geralmente de avião. Hospedam-se sempre nos melhores hotéis. Os tesoureiros são os homens fortes da Organização. Eles têm o poder de decisão, quase que absoluto, no destino das verbas.

Alguns auxílios podem ser “negados” ou “vetados” pelo Tesoureiro. Por exemplo: Dificilmente o pastor distrital, na cidade nordestina de “Mata Cachorro”, conseguirá receber aqueles R$ 700,00 para manter um filho numa Universidade Federal em outra cidade. Já um Departamental de União, nunca terá um pedido destes negado. Alguns pastores têm filhos estudando no exterior graças a este auxílio.

Pontos fracos deste sistema:

1) Um sistema de remuneração deste tipo abre um enorme espaço para a corrupção. Já que 60% a 75% do salário vem em forma de “auxílios”, a tentação para falsificar relatórios é grande. Basta uma nota de despesa falsa para garantir um aumento extra no salário. Esta situação é agravada pela falta de transparência nas contas das Associações, Uniões e Divisões. Os membros da igreja não têm condições de saber quanto e como o dízimo arrecadado nas igrejas foi gasto pela Organização. As auditorias acontecem de cima para baixo (Veja o próximo subtítulo sobre Auditorias).

2) O desperdício é grande. “Já que grande parte de meu salário vem em forma de aluguel residencial, assistência médica sem limites, vou morar no melhor apartamento que puder, vou muitas vezes ao médico e ao dentista e sempre escolho os melhores. Sempre me hospedarei no melhor hotel que puder”, e assim por diante.

"O Senhor pede abnegação em Seu serviço, e essa obrigação cabe aos médicos, assim como aos ministros. Temos perante nós uma obra intensiva, que requer meios, e devemos convocar ao serviço jovens que trabalhem como ministros e médicos, não por amor dos salários mais elevados, mas por causa das grandes necessidades da causa de Deus." Ellen G. White - Carta 330, 1906 - Citada em Mensagens Escolhidas. Vol. II, pág. 199.

3) O ingresso dos novatos - teologandos recém formados - não se baseia numa avaliação íntegra, imparcial e justa. O tráfico de influência é enorme. Os filhos dos pastores com altos cargos na Organização têm seu futuro garantido. Os que não têm “Q.I.” (Quem Indique), sofrerão muito para vencer o nepotismo.

4) Política. O jogo do poder é grande. Um aluno de teologia que se indispuser contra um professor ou diretor do Seminário ficará “queimado”. Na época do "chamado" as suas audácias serão lembradas. O outro lado da moeda: Que professor ou diretor tratará mal um teologando filho, sobrinho ou neto de um grande poderoso da Divisão Sul Americana? Seria um suicídio denominacional.

5) Mais política: O jogo do poder rateará cargos e comissões entre correligionários amigos, e massacrará os inimigos partidários. Um candidato a presidente de Campo, dará um tapinha nas costas de um distrital que almeja “subir”, prometendo-lhe ascensão, caso tenha sua militância para ajudá-lo a se eleger. (Isto é uma realidade. As Trienais, Quadrienais, Qüinqüenais, são verdadeiros palcos de fantoches. As decisões são combinadas atrás dos bastidores e homologadas pelos delegados-fantoches).

6) Aumentando os benefícios fica muito mais fácil convencer os membros da igreja de que o pastor ganha pouco, apenas R$ 700,00. Claro! Este é o valor líquido que lhe chega às mãos. Mas, a relação de benefícios e auxílios é desconhecida da maioria dos membros contribuintes.

7) Com muitos auxílios e benefícios, mas com pouco dinheiro o pastor fica “amarrado” à corporação. Mesmo se discordar do sistema e fizer planos para sair, ele não consegue fazer o “pé de meia” e acaba comprometido com este sistema que lhe dá uma gama enorme de auxílios. Como a concessão de auxílios vem da administração da Corporação (Associação/Missão), numa questão que envolva interesses dos membros da igreja e dos líderes da Corporação, o pastor sempre apoiará a liderança da Corporação.

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