Ricardo Nicotra/2002 Índice Introdução 5 Capítulo I o dízimo na Bíblia 6



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Por Que os Distritos São Tão Grandes?







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Grandes Distritos




Falta de Assistência Pastoral




Apostasias e Evangelismo Deficiente

Ao compararmos o tamanho gigantesco dos distritos com o dízimo arrecadado nas igrejas surge naturalmente a questão: Por que cada igreja adventista não tem o seu próprio pastor? Por que cada Igreja Batista tem o seu pastor, cada Igreja Católica tem o seu padre, cada Igreja Universal tem vários pastores e a igreja adventista tem somente um pastor para 4, 6, 10, 20 igrejas? Os dízimos arrecadados não são suficientes para promover uma melhor distribuição de pastores? Qual o destino dos dízimos arrecadados na IASD? Como o dízimo é aplicado na IASD?

Características do Problema


Os problemas relacionados com a falta de assistência pastoral são crônicos, globais e crescentes:

Crônico - Isto significa que o problema não tem solução dentro do modelo atual, ou seja, a estrutura administrativa mantida pela IASD não é flexível o suficiente para se adaptar às necessidades de uma sociedade exigente e em constante transformação. As crises financeiras e familiares geraram inúmeros problemas que têm atingido os membros de nossa igreja. Desemprego, divórcios e doenças são problemas comuns enfrentados por nossos irmãos e que exigem atenção e assistência espiritual de um obreiro com dedicação integral. É impossível um pastor dar assistência espiritual satisfatória a distritos com 4, 6, 10 e até 20 igrejas. Como no atual modelo administrativo é impossível conceder um pastor para cada igreja, consideramos crônico ou inveterado o problema da assistência pastoral e dos grandes distritos, ou seja, as necessidades da igreja continuarão não sendo atendidas.

Global - O problema da falta de assistência pastoral em função do tamanho dos distritos é global, pois afeta praticamente todas as igrejas. O problema é intensificado nos lugares mais pobres. Membros de distritos com quatro ou cinco igrejas podem se considerar bem-aventurados em termos de assistência pastoral em comparação com as regiões mais pobres. Se você ou alguém de sua igreja está acostumado a criticar o pastor distrital, saiba que este é um problema global e outros pastores estão sendo criticados pelo mesmo motivo. Portanto é hora de deixar as críticas de lado e pensarmos em soluções, de preferência soluções globais.

Crescente - A falta de assistência pastoral é crescente, ou seja, tende a piorar com o tempo. Esta característica pode ser facilmente comprovada pelos membros mais antigos. Há 20 anos atrás os pastores tinham o hábito de fazer visitas regulares aos membros. Todos os membros eram visitados pelo menos uma vez por ano. Há 10 anos as visitas deixaram de ser freqüentes e a maioria dos irmãos deixou de ser visitada. Somente os doentes, os ausentes, os apostatados, os envolvidos em pecados graves acabavam sendo visitados pelos pastores. Visitas sem causa deixaram de existir. Atualmente nem todos os doentes da igreja são visitados pelos pastores, nem todos os que se apostatam recebem visitas pastorais. Exceção feita às pessoas de influência na igreja ou na sociedade.

Capítulo V - Ação dos Leigos e Reação da Corporação

Ao analisarmos as informações divulgadas pela secretaria da Associação Geral no capítulo anterior percebemos que o objetivo de evangelismo e conservação não está sendo atingido. Descobrimos que a falta de assistência pastoral devido à existência de grandes distritos é uma das principais causas da grande quantidade de apostasias e evangelismo deficiente. Vimos também que as igrejas arrecadam dinheiro suficiente para que haja uma melhor distribuição de obreiros. Finalmente concluímos que a raiz destes problemas é uma aplicação dos dízimos para fins diferentes dos estabelecidos por Deus. Vimos que a administração absorve grande parte dos recursos e os gastos operacionais de Associações, Missões, Uniões e Divisões têm privado a igreja local dos recursos necessários para o evangelismo e salvação de almas.

Neste artigo vamos abordar algumas alternativas adotadas por aqueles que tomam consciência da má administração dos dízimos pela organização. O objetivo não é indicar uma ou outra alternativa, mas refletir a respeito dos princípios sobre os quais elaborar uma solução adequada. No final do capítulo apresentaremos um estudo de caso: Um ministério de apoio ao evangelismo.

Parar de Dizimar


Muitos irmãos, ao perceberem como as finanças são administradas pela organização decidem parar de dizimar. Isto não ocorre do dia para a noite. Primeiramente passam a dizimar sem prazer. O dízimo se torna um fardo pesado; sentem-se como se estivessem jogando dinheiro no lixo. Após algum tempo, finalmente, decidem parar de dizimar. Os não dizimistas não podem ser excluídos por este motivo (Manual da Igreja, pág. 173), mas não podem ser escolhidos para assumir qualquer cargo (Manual da Igreja, págs. 49 e 138). Portanto os que têm cargos na igreja acabam remetendo uma quantia simbólica para a Associação a fim de que seu nome não seja colocado no rol de não dizimistas e sua elegibilidade não seja impugnada pela comissão de nomeações.

Estes irmãos raciocinam da seguinte forma: “Já que a administração não emprega os dízimos conforme a recomendação do Espírito de Profecia não os utilizando para colocar obreiros no campo e para pregar o evangelho, então eu não devolvo mais.”

Esta não é uma boa alternativa. Veja o conselho inspirado:

"Alguns se têm sentido mal-satisfeitos, e dito: "Não devolverei mais o dízimo; pois não confio na maneira por que as coisas são dirigidas na sede da obra." Roubareis, porém, a Deus, por pensardes que a direção da obra não é correta? Apresentai vossa queixa franca e abertamente, no devido espírito, e às pessoas competentes. Solicitai em vossas petições que se ajustem as coisas e ponham em ordem; mas não vos retireis da obra de Deus, nem vos demonstreis infiéis porque outros não estejam fazendo o que é correto" - Ellen G. White - Obreiros Evangélicos, pág. 227

No trecho acima, Ellen White faz três importantes recomendações para aqueles que “não confiam na maneira como as coisas são dirigidas na sede da obra”. A primeira recomendação dela é “apresentai vossa queixa franca e abertamente”, ou seja, você deve reclamar, admoestar, e pedir reformas administrativas na obra. Vamos comentar mais para frente sobre este procedimento.

A segunda recomendação de Ellen White é a seguinte: “não vos retireis da obra de Deus”. Muitas pessoas, ao descobrirem como o dízimo é empregado pelas associações, chegam a perder o sono e sentem-se muito incomodadas ao encarar a realidade. É exatamente nesta hora que o inimigo as ataca com pensamentos malévolos. Em sua astúcia ele tenta desanimar estas pessoas sugerindo que não apenas a estrutura administrativa está desajustada, mas também parte das doutrinas da igreja adventista. Além de perder o sono, muitos irmãos acabam perdendo a fé. Infelizmente muitos dos nossos queridos irmãos, ao acompanhar procedimentos administrativos da corporação adventista, chegaram a perder a fé inclusive na volta de Jesus. Olharam para o homem e se esqueceram de olhar para o nosso verdadeiro Pastor, Jesus Cristo. É por esta razão que Ellen White recomenda àqueles que não confiam na administração a não se retirarem da obra de Deus. Que o desvio de dízimos e os inúmeros problemas administrativos da corporação não venham a servir de pedra de tropeço. As pessoas que mais se incomodam com estes problemas são, em geral, as mais comprometidas com o sucesso da obra de Deus. Adventistas nominais e formais, geralmente não se incomodam com os problemas apresentados até aqui.

A terceira recomendação de Ellen White é a seguinte: “nem vos demonstreis infiéis porque outros não estejam fazendo o que é correto”. Esta recomendação está relacionada com a anterior. Mas é importante ressaltar que a infidelidade citada por Ellen White não se refere à fidelidade aos homens, aos pastores, aos administradores ou à corporação, mas sim à fidelidade a Deus. Não devemos combater o erro com outro erro. Muitas pessoas param de dizimar quando são informadas a respeito da forma como as associações empregam o dízimo. Tais pessoas estão tentando combater o erro com outro erro. A recomendação inspirada é clara: A infidelidade de outros não pode me induzir a ser infiel também. Devo combater o erro mostrando o que é certo. Combato a mentira mostrando a verdade. Reprovo a má administração dando um exemplo de fidelidade através da boa administração, afinal de contas todos somos mordomos responsáveis pelos bens que o Senhor nos confiou.

Devo sempre ter em mente que o dízimo, além de ser uma prova de fidelidade, tem um objetivo nobre: A salvação de almas. Deus não precisaria dos homens e de seus parcos recursos para salvar a humanidade, mas Ele decidiu utilizá-los para que o homem se tornasse co-participante do plano da salvação. Poder participar da salvação de almas é maravilhoso! O dízimo é um dos recursos que Deus reserva para Si e deve ser usado para a salvação de almas. Reter o dízimo significa dizer: "Senhor, como não confio mais nos homens da administração, desisto de utilizar meus recursos para a salvação de almas". Reter o dízimo é uma atitude radical, não vai solucionar o problema do evangelismo deficiente e do alto índice de apostasias, não vai melhorar a assistência pastoral e não vai apressar a volta de Cristo.


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