Ricardo Nicotra/2002 Índice Introdução 5 Capítulo I o dízimo na Bíblia 6



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Ignorar o Problema


Ignorar o problema é a alternativa adotada por boa parte dos adventistas. Aqueles que tem dependência emocional da denominação e não tem comprometimento com a obra de salvação em geral tendem a ignorar o problema da má administração dos recursos sagrados. Esta atitude de omissão é tão ou mais nociva que a primeira (não dizimar). Os administradores da organização se esforçam para que o povo adote este comportamento, pois enquanto os membros não tomarem consciência da gravidade dos problemas que afetam a igreja ou simplesmente ignorá-los, os pastores administradores poderão continuar recebendo grandes quantidades de dízimo e administrando o sistema da forma como ele julgam mais conveniente. Podem continuar usando o dízimo para sustentar a máquina administrativa em detrimento da pregação direta do evangelho através da igreja local. São muitos os argumentos utilizados pela administração para manter o povo nesta letargia. Alguns deles passaram a fazer parte de nossa cultura:

  • "Não se preocupe se o dízimo é bem ou mal utilizado. O seu dever é devolver sem questionar. Deus pede que você devolva, não pede que questione ou fiscalize se é bem ou mal utilizado. Se for mal utilizado, as pessoas responsáveis prestarão contas com Deus. Faça a sua parte."

  • "A igreja não é perfeita, é liderada por homens falhos. A igreja aqui é militante, cheia de falhas, mas em breve será a igreja triunfante e perfeita. Vamos orar para que tudo corra bem e as coisas melhorem. Não vamos julgar nossos líderes, vamos orar por eles e fazer a nossa parte devolvendo o dízimo para a Associação como Deus pede. Se Ele achar que algo deva mudar, Ele vai fazer. Deus está no comando da Igreja, vamos deixar que Ele, não os homens, faça a reforma."

    Mas não é esse o procedimento recomendado pela serva do Senhor. Ao contrário do que muitos tentam sugerir, o membro comprometido com a obra de Deus vai questionar e investigar como o dízimo está sendo aplicado:



“As igrejas precisam despertar. Os membros devem despertar do sono e começar a perguntar: Como o dinheiro que nós colocamos no tesouro está sendo usado? O Senhor deseja que uma cuidadosa investigação seja feita. Todos estão satisfeitos com a história da obra nestes últimos quinze anos? Onde está a evidência da cooperação com Deus? Nossas igrejas e instituições devem retornar para onde elas estavam antes de iniciar o retrocesso, quando elas começaram a confiar no homem e fazer da carne o seu braço. Os filhos de Israel contemplaram a terrível manifestação da presença de Deus no monte, mas antes que Moisés estivesse quarenta dias longe deles, eles substituíram a Jeová por um bezerro de ouro. Coisas semelhantes a esta têm sido feitas entre nós como um povo. Retornemos agora a Deus em penitência e contrição. Confiemos nEle, não no homem.” - Ellen G. White - Coleção Cress, pág. 120 - Grifo acrescido.

Ignorar o problema não é a alternativa correta. Temos um problema e ele precisa ser resolvido, não ignorado. Enquanto este problema não for resolvido a igreja estará sofrendo as conseqüências.


Falar Com Os Líderes Competentes


O capítulo 18 do evangelho de S. Mateus indica como tratar com o erro na igreja:

“Ora, se teu irmão pecar, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho teu irmão” vs. 15.

Quão diferente seria a Igreja de Deus se os cristãos sempre colocassem em prática esta ordem de Cristo! Quantas inimizades, mágoas e conflitos deixariam de existir? Ir tratar diretamente com a pessoa envolvida é o caminho especificado por Cristo para a solução dos problemas entre irmãos. Será que podemos aplicar este conselho na tentativa de resolver o problema da má aplicação dos dízimos? Não apenas podemos, como devemos!

Uma reforma por parte dos administradores seria a melhor solução no que diz respeito à abrangência dos resultados. Imagine a administração da corporação adventista a partir de agora decidisse utilizar os dízimos para a pregação do evangelho e salvação de almas. Imagine se todas as igrejas recebessem, em média, um benefício espiritual e material proporcional ao dízimo remetido mensalmente à Associação/Missão. Em breve o evangelho seria pregado em todo o mundo e veríamos Jesus voltando muito em breve. Este seria, sem dúvida, o caminho mais eficiente, pois beneficiaria um grande número de pessoas em um curto espaço de tempo.

Embora você tenha o direito e o dever de reclamar com os líderes da corporação, não imagine que tais reclamos resultarão em mudanças significativas. Infelizmente tais reformas administrativas são praticamente impossíveis. As pessoas que são ou já foram obreiras remuneradas pela corporação adventista e os que tiveram ou têm relacionamento com esta corporação sabem perfeitamente que ninguém mexe nesta estrutura. Muita gente poderosa está sendo beneficiada com o atual esquema e os membros dizimistas são obrigados os que pagam a conta.

Muitas pessoas já tentaram contato com os líderes da corporação a fim de sugerir as mesmas mudanças, mas tais pessoas também não foram ouvidas. Elas são aconselhadas pela administração a orar e entregar a situação na mão de Deus. As que conseguiram contato com os líderes apenas ouviram justificativas e desculpas do tipo "somos todos imperfeitos" ou "as coisas aqui na Associação/Missão estão mudando; estamos melhorando a cada dia". Mas nenhuma atitude prática foi tomada. Os membros que insistem em solicitar reformas são ameaçados, perseguidos e rotulados de “críticos”.

Isto não significa que você não deva tentar conversar com eles sobre este assunto. Converse com os líderes, exija soluções e não se contente com justificativas. Suas possibilidades são praticamente nulas, mas não desista. Tente contactá-los e você comprovará através de experiência própria que temos razão.

Observação Importante: Não adianta apresentar estas reclamações para o pastor distrital. Ele não é a pessoa competente que Ellen White se refere no texto citado anteriormente (Obreiros Evangélicos, 227). Ele pode fazer menos do que você para mudar algo. A maioria dos pastores distritais não concorda com a estrutura administrativa e financeira da obra, mas não podem declarar isto publicamente. Se um pastor se posicionar contra o sistema administrativo, certamente sofrerá retaliações vindo dos escalões superiores. Se você tiver muita intimidade com algum pastor ou tiver algum pastor em sua família pergunte a ele e você poderá concluir que tudo o que dissemos até aqui é a realidade. Boa parte dos pastores distritais gostaria de mudar o estado de coisas, mas não têm competência ou autoridade para tanto. As pessoas competentes que teriam alguma influência e poder para tentar mudar algo estão na Divisão e na Associação Geral. Mas estas pessoas não têm o mínimo interesse em realizar estas mudanças. Os pastores distritais tentam, na medida do possível, desviar os olhos dos membros destes fatos para não experimentar queda na arrecadação de dízimos. Eles costumam dizer: “Irmão, há tanta coisa errada neste mundo, mas se formos olhar para isto vamos acabar perdendo a fé. Vamos fazer o nosso melhor, vamos orar e esquecer os problemas.” Você, como membro leigo (sem dependência financeira da corporação), pode fazer muito mais do que o seu pastor para mudar esta situação. A maioria das pessoas desconhece o poder que tem nas mãos e a influência positiva que pode exercer para o avanço da causa de Deus.

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