Ricardo Nicotra/2002 Índice Introdução 5 Capítulo I o dízimo na Bíblia 6



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Apêndice C - Os Mordomos e a Prestação de Contas com Deus


“Se uma ou outra pessoa que dirige a igreja e que mexe com as finanças, usar mal ou indevidamente o dinheiro, não é meu problema. É um problema dela com Deus. Um dia, quando Jesus voltar, ela vai ter que prestar contas a Deus do que fez. Eu cumpri a minha parte ao devolver a Deus, através da Sua igreja, aquilo que é dEle, porque o dízimo não é meu...” - Pr. Alejandro Bullon - Extraído da Palestra “DÍZIMOS E OFERTAS, POR QUÊ?” do Está Escrito.

http://www.sisac.org.br/ee/palestra/textos/dizimoseofertasporque.htm

O conceito expresso pelo Pr. Bullon no parágrafo acima está fortemente arraigado à cultura e à tradição adventista. Diante de inúmeras evidências da má utilização dos dízimos pela Corporação, a insatisfação e os questionamentos por parte dos leigos crescem a cada dia. Foi necessário elaborar argumentos fortes para manter o povo dizimando fielmente para a Associação/Missão. Dizem aos membros: “Sua parte é devolver a Deus, se o dízimo é mal empregado o problema não é seu, é de quem o empregou de forma incorreta.”

Mas será que esta argumentação tem base bíblica? Vamos fazer uma análise da declaração do pastor Bullon tentando responder a três perguntas:

1) Se os administradores usam o dinheiro de forma incorreta isto é um problema só deles ou é um problema para a Igreja também?

2) Os administradores deverão prestar contas com Deus, segundo o pastor Bullon, só “quando Jesus voltar” ou devem prestar contas para os membros da igreja ainda aqui na terra?

3) Quem é o legítimo representante para receber e decidir o destino do dízimo? Quem tem o direito sobre o dízimo?

“Não é meu problema”


“Se uma ou outra pessoa que dirige a igreja e que mexe com as finanças, usar mal ou indevidamente o dinheiro, não é meu problema. É um problema dela com Deus.” - Pr. Bullon

Sem dúvida nenhuma um administrador que desvia recursos sagrados para outros fins estará criando um problema para si perante Deus. Administradores que, reunidos em assembléias, votam regulamentos (praxes) que permitem o desvio para fins diferentes dos especificados pelo Espírito de Profecia também estão criando um problema para si perante Deus. Neste ponto somos obrigados a concordar com o Pr. Bullon. De fato, estas pessoas estão criando um grande problema para elas diante de Deus.

Mas a questão agora é outra: Será que o único problema que estes líderes criam são problemas para si mesmos ao empregar de forma incorreta o dízimo? Responder sim a esta pergunta é admitir que um motorista embriagado, ao dirigir seu automóvel de forma imprudente, pode causar problemas apenas para si mesmo. Não! Isto não é verdade!

Hoje a Igreja sofre quando o dinheiro é retirado das igrejas e consumido em despesas administrativas de Associações, Uniões e Divisões. A Igreja sofre quando tem que dividir um pastor com outras igrejas enquanto novas associações e missões estão sendo criadas e mais cargos administrativos sendo ocupados por parentes e amigos de pastores influentes. Conseqüências: Falta de assistência pastoral, evangelismo deficiente, alto índice de apostasias, anciãos e líderes leigos sobrecarregados, pregação do evangelho retardada e atraso na volta de Cristo.

Como você pôde perceber, quando a administração utiliza os dízimos de forma diferente da especificada pela Bíblia e pelo Espírito de Profecia acabam gerando um grande problema para a igreja. Ao contrário do que tentou sugerir o Pr. Bullon, a má utilização dos dízimos por parte dos administradores não é um problema apenas da administração da corporação, mas é também um problema da Igreja, pois a má administração gera um problema para a Igreja.

Prestação de contas. Para quem e quando?


O Pr. Bullon continua argumentando:

“Um dia, quando Jesus voltar, ela [a pessoa usou mal ou indevidamente o dinheiro] vai ter que prestar contas a Deus do que fez.” - Pr. Bullon

Um membro da igreja que não envia o dízimo para a Associação/Missão tem sua elegibilidade para cargos impugnada pela comissão de nomeações. Os não dizimistas mais cedo ou mais tarde são abordados e questionados pelo tesoureiro ou pelo pastor. Por que o manual da igreja não permite que o não dizimista assuma cargos e preste contas do dízimo apenas com Deus?

Embora os membros leigos que não dizimam para a Associação/Missão acabam prestando contas aqui na terra, o Pr. Bullon sugere que os administradores prestarão contas apenas com Deus e isto só quando Jesus voltar. Certamente irão prestar contas com Deus. Mas fica subentendido que a administração não tem a obrigação de prestar contas com os membros, mas apenas com Deus. Ai está o perigo!

Em agosto de 1999, encaminhei uma solicitação de prestação de contas detalhadas à Associação Paulistana. Esta solicitação foi assinada por todos os anciãos do distrito do Ipiranga (SP) e por outros líderes de departamentos do distrito. Foi entregue nas mãos do presidente da Associação. Infelizmente nossa solicitação foi negada. Até hoje, nenhum dos líderes que assinou a solicitação de transparência teve acesso a qualquer relatório detalhado. O motivo alegado para negar a transparência foi “confidencialidade das informações”.

Sempre há argumentos para fazer o povo pensar que não tem direito de receber uma prestação de contas detalhada. Em geral, os argumentos que usam o nome de Deus são os mais convincentes. Neste caso, um dos argumentos é o seguinte: “Devemos prestar contas apenas ao dono. Deus é o dono do dízimo, portanto a administração da IASD deverá prestar contas apenas com Deus, não com os membros, pois os membros não são os donos do dízimo. Ou você se julga dono do dízimo? O seu dever como membro é devolver e não fiscalizar. Deus pede que você devolva, não que fiscalize.” Eu já ouvi esta frase várias vezes. Mas será que este argumento pode ser sustentado biblicamente?


Quem é o legítimo proprietário do dízimo?


O Pr. Bullon conclui o parágrafo da seguinte forma:

“Eu cumpri a minha parte ao devolver a Deus, através da Sua igreja, aquilo que é dEle, porque o dízimo não é meu...” - Pr. Bullon.

De quem é o dízimo?

“Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores, pertencem ao Senhor; santos são ao Senhor.” - Levítico 27:30

Não há dúvidas de que o legítimo proprietário do dízimo é o Senhor. Mas como Deus não recebe diretamente os dízimos, Ele nomeou sacerdotes para que fossem os legítimos receptores do dinheiro sagrado.

O dízimo está vinculado ao sacerdócio e não ao templo como alguns imaginam. Antes mesmo de existir um templo, Abraão pagou o dízimo ao sacerdote Melquisedeque, que era também rei de Salém.

Após a libertação do povo de Israel do domínio egípcio Deus instituiu a ordem sacerdotal “araônica”. Os descendentes de Arão pertencentes à tribo de Levi passaram a receber os dízimos do povo de Israel.

Cristo, através de sua morte, pôs fim ao sistema sacerdotal levítico ou araônico. Uma nova ordem foi estabelecida: O sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque. Cristo é o sumo sacerdote desta ordem, mas quem são os sacerdotes? Seriam os pastores-administradores? Seriam os pastores distritais os verdadeiros sacerdotes? Seriam os pastores administradores mais os distritais mais os anciãos? O apóstolo Pedro responde:

“Vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo… Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” - I Pedro 2:5 e 9.

Hoje todos nós somos sacerdotes, somos representantes de Cristo num mundo escuro. A lei do dízimo mudou, pois o sacerdócio mudou, mas o princípio continua o mesmo daquele da época de Abraão e Melquisedeque. Hoje o dízimo não pertence mais a um grupo restrito de pastores administradores. Hoje o dízimo pertence ao corpo de Cristo, pertence à sua Igreja.

Hoje todos nós somos MORDOMOS, ou seja, ADMINISTRADORES dos talentos que o Senhor nos confiou. Em breve o Senhor chamará a cada mordomo. Chamará a você e a mim para que prestemos contas de tudo que ele nos emprestou: o corpo, o tempo, os talentos e os bens materiais.

Quando algum pastor disser que você deve entregar o dízimo para a Associação/Missão mesmo sabendo que o destino não é o especificado pela Bíblia e Espírito de Profecia, na realidade este pastor está tentando descaracterizar sua função de mordomo e de sacerdote real. O mordomo (administrador) é você, não a Associação/Missão. O sacerdote é você e todos os crentes. Como sacerdote e mordomo, você tem o livre arbítrio para transferir o dinheiro para a Associação/Missão, mas não pode transferir para eles a responsabilidade de mordomo. A responsabilidade de mordomo é intransferível. A responsabilidade continua sendo sua. Se você sabe que eles usam mal e mesmo assim confia o sagrado depósito do Senhor para eles, quem prestará contas com Deus é o mordomo, ou seja, é você.

Deus não leva em conta os tempos de ignorância. Durante muito tempo, enquanto estava na ignorância, devolvi fielmente os dízimos para a Associação e sempre fui agraciado com as bênçãos de Deus. Após chegar ao conhecimento de tudo que foi relatado neste material não pude continuar enviando o dinheiro para lá e ao mesmo tempo manter minha consciência em paz. Hoje gozo as bênçãos dos céus de forma mais abundante e plena do que antes, mas creio que isto não é devido ao dízimo, mas sim à grande misericórdia que Deus tem para comigo.

Faça como Ellen White. Como bom mordomo empregue o sagrado tesouro que o Senhor lhe confiou para a salvação de almas.

“O tempo presente é um período de solene privilégio e sagrada confiança. Se os servos de Deus guardarem fielmente o depósito que lhes é confiado, grande será sua recompensa, quando o Mestre disser: ”Presta contas da tua mordomia." Luc. 16:2.” - Obreiros Evangélicos, 267

"Havia um certo homem rico", disse, "o qual tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de dissipar os seus bens." Luc. 16:1. O rico depositara todas as suas posses nas mãos deste servo, porém o servo era infiel, e o patrão foi convencido de que era defraudado sistematicamente. Determinou não mais tê-lo a seu serviço, e procedeu a uma análise de suas contas. "Que é isso que ouço de ti?" disse, "presta contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo." Luc. 16:2. - Parábolas de Jesus, 366.



Quem não presta contas, não pode ser mordomo... Que isto não ocorra conosco. Que o nosso lugar não seja retirado. Amém!

1 S. Mateus 23:23

2 S. Lucas 2:21 e 22

3 S. Mateus 8:4

4 Salém significa paz. Provavelmente uma referência poética a Jerusalém. Veja Salmo 76:2

5 Salmo 110:4

6 Enciclopédia Adventista em Inglês, comentando sobre o dízimo ("Tithe"), segundo parágrafo.

7 Neemias 13:10

8 Citado por Arthur L. White em "Ellen G. White - Mensageira da Igreja Remanescente", pág. 115

9 Citado por Arthur L. White em "Ellen G. White - Mensageira da Igreja Remanescente", pág. 114

10 Testemunho para Ministros, pág.522 - Apêndice da pág. 27

11 Testimonies, Vol. 1, pág. 190 e 191.

12 Testimonies, Vol. 1, pág. 545. - Citado no artigo “Ponderações sobre a Questão do Dízimo” de Azenilto G. Brito.

13 História da Nossa Igreja, pág. 228.

14 Citado em Eventos Finais, pág. 45.

15 http://www.adventist.org/worldchurch/factsandfigures.html

16 Sobre "receber algo em troca do dízimo" leia o subtítulo "Dízimo pelo Serviço" no capítulo 1.

17 www.adventist.org/ast/GenStats.htm

18 Membros Entrando = Batismo + Profissão de Fé

19 Membros Saindo = Apostasias + Desaparecidos (Não estão incluídas as mortes)

20 "Membros no Início" + "Membros Entrando" - "Membros Saindo" é diferente dos "Membros no Final" pois não consideramos as transferências e os ajustes.

21 Dados de 1999

22 Site desta edição do Jornal Adventus da UCB - http://www.ucb.org.br/Jornaladventus/edicao_3/asvesperas.htm

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