Ricardo Nicotra/2002 Índice Introdução 5 Capítulo I o dízimo na Bíblia 6



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O Dízimo no Novo Testamento


O Novo Testamento não fala muito sobre o dízimo, mas menciona o suficiente para compreendermos o propósito de Deus para com os cristãos. Veremos que, apesar de estar incluída na lei de Moisés, os princípios da lei do dízimo vigoram até hoje.

Jesus e o Dízimo


Jesus mencionou o dízimo e aprovou a sua devolução em S. Mateus 23:23. Embora acreditamos que o sistema de dízimo aplica-se perfeitamente hoje, não lançamos mão deste trecho para defender a tese. Já foi dito que Cristo viveu sob a lei cerimonial, foi circuncidado, curou leprosos e pediu que se apresentassem ao sacerdote como requeria a lei mosaica. Portanto não podemos argumentar que, se Jesus apoiou uma lei cerimonial antes de sua morte, então ela vale para nossos dias. Na época de Cristo estava em vigor a ordem sacerdotal levítica ou araônica.

O Novo Sacerdócio (Hebreus 7)


O texto mais completo do Novo Testamento sobre a lei do dízimo está em Hebreus, capítulo 7. Paulo compara as duas ordens sacerdotais: A ordem Araônica e a ordem de Melquisedeque - esta última representada agora por Cristo, nosso sumo sacerdote. Paulo exalta a ordem de Melquisedeque em detrimento da ordem Araônica.

“E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar os dízimos do povo, isto é, de seus irmãos” Hebreus 7:5.

Neste versículo, Paulo cita a lei do dízimo aplicada ao sacerdócio levítico, mas o apóstolo diz que algo mudou com relação a esta lei:

“Pois, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei”. - Hebreus 7:12.

Que lei está sendo mudada? Seria, porventura, a lei moral, ou seja, os dez mandamentos? Seria a lei de saúde e higiene? A lei em questão é a lei do dízimo. É importante repetir que o dízimo sempre esteve relacionado ao sacerdócio (tanto na ordem de Melquisedeque quanto na ordem Araônica). Portanto, com a mudança de ordem sacerdotal, houve também mudança na lei do dízimo. Não mais vivemos sob a ordem Araônica. O modelo Levítico caducou. Agora vivemos sob a ordem de Melquisedeque. Será que Paulo está dizendo que, com a mudança da ordem sacerdotal, não é mais necessário dizimar? Logicamente não! Perceba que a Bíblia não está afirmando que a lei do dízimo foi abolida; afirma-se que a lei está sendo apenas mudada. O dízimo é um elemento vinculado ao sacerdócio e, em particular, à ordem sacerdotal de Melquisedeque. Lembre-se que Abrão deu o dízimo para Melquisedeque. Isto significa que o dízimo é um componente do sacerdócio de Melquisedeque.

Portanto o sistema de dízimos deve ser mantido hoje, mas para sustentar um outro tipo de sacerdócio, bem diferente do sacerdócio levítico onde apenas um pequeno grupo era beneficiado. Qualquer comparação do sistema de dízimo atual com o sistema Araônico é inconcebível e gerará uma distorção no modelo.

O que muda neste novo sacerdócio mencionado por Paulo? No regime araônico o dízimo era utilizado para a manutenção de pessoas que se dedicavam exclusivamente para o serviço especificado por Deus. Apenas uma dentre as doze tribos recebeu a incumbência deste sacerdócio e, junto com as responsabilidades exclusivas de manutenção do templo, esta tribo recebeu também o direito exclusivo de propriedade sobre os dízimos.

Jesus especificou um novo modelo de sacerdócio, um novo ministério para os seus discípulos: A pregação do Evangelho do Reino. O modelo sacerdotal mudou, da mesma forma a lei do dízimo mudou em sua aplicação. Hoje o dízimo deve ser usado para sustentar o sacerdócio de Melquisedeque, ou seja, o ministério iniciado por Cristo, Sumo-Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. Este ministério iniciado por Cristo é o ministério da pregação do evangelho eterno.

Mas quem são os sacerdotes desta nova ordem sacerdotal? Quem é que participa deste ministério evangelístico? Quem faz a pregação do evangelho hoje? São apenas os pastores? Apenas os anciãos? A Associação? A Corporação? Hoje quem prega o evangelho é a Igreja - e a igreja são os membros. Jesus não escolheu apenas um discípulo dentre os doze para pregar o evangelho e receber o dízimo. O sacerdócio, na ordem de Melquisedeque, não é uma responsabilidade só do pastor ou só do ancião, é uma responsabilidade de todos os crentes, de toda Igreja.

Isto significa que a Igreja deveria receber os dízimos? Sim. A Igreja deve receber os dízimos para financiar suas atividades sacerdotais ou missionárias. "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa". A casa do tesouro é a Igreja. Ela é a legítima proprietária dos dízimos. Deus lhe deu este direito. Mas sempre devemos lembrar que os direitos estão intimamente relacionados com os deveres. Há uma responsabilidade por trás do direito da Igreja sobre o dízimo. Este direito e este dever estão sobre os membros e não sobre a Corporação.

“A mensagem tem que ser apresentada pelos que amam e temem a Deus. Não transfirais vossa responsabilidade para nenhuma Associação. Ide e, como evangelistas, com humildade apresentai um 'assim dizem as Escrituras' ” - Ellen G. White - Carta 43 - 1905

Cultiva-se a idéia equivocada de que o direito sobre os dízimos é da Associação / Missão, mas o dever da pregação recai sobre a Igreja. Direitos e deveres sempre andam juntos. Os direitos sobre os dízimos e o dever da pregação do evangelho estão sobre os sacerdotes representantes de Cristo. Quem são os sacerdotes hoje?

“Vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo… Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” I Pedro 2:5 e 9.

Observe a comprovação de que todos nós somos sacerdotes segundo a ordem de Melquisedeque: "Sacerdócio real", diz Pedro. Isto significa que nós cristãos também exercemos funções reais e sacerdotais, característica típica de Melquisedeque, rei e sacerdote ao mesmo tempo.

A Bíblia não diz que para ser um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque é necessário ter um curso de teologia, um mestrado ou um PhD. A Bíblia não diz que para ser um verdadeiro sacerdote de Cristo você precisa ser remunerado ou ter vínculo empregatício com uma Corporação. Todos os crentes são chamados para compor o sacerdócio de Melquisedeque.

A Bíblia promete que aqueles que participarem da primeira ressurreição poderão cooperar com Cristo em seu ministério sacerdotal segundo a ordem de Melquisedeque, acumulando as duas funções típicas de Melquisedeque - sacerdotes e reis: "Serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele os mil anos". Apocalipse 20:6.

O livro de Apocalipse afirma que Cristo é “aquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai” - Apoc. 1:5. Note as palavras “reino” e “sacerdotes” - são típicas do ministério sacerdotal de Melquisedeque. E quem está incluído neste texto? Todos os crentes.

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