Ricardo Nicotra/2002 Índice Introdução 5 Capítulo I o dízimo na Bíblia 6



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Onde Fica a Casa do Tesouro?


Os textos bíblicos que estudamos neste capítulo (O Dízimo no Velho e Novo Testamento) raramente são estudados em nossa Igreja. Você já deve imaginar o porquê. Nos sermões sobre dízimo, nas semanas de oração sobre mordomia, sem dúvida nenhuma o texto mais utilizado na Igreja Adventista do Sétimo Dia para estimular a devolução dos dízimos é Malaquias 3:10:

"Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa".

Há muita discussão sobre onde fica a "Casa do Tesouro". Muitos afirmam que a "Casa do Tesouro" é a Casa de Deus, o Templo onde Deus habita. A Divisão Sul Americana dos Adventistas do Sétimo Dia, através do seu livro de Regulamentos Eclesiástico-Administrativos (mais conhecido como livro de Praxes) afirma que a Casa do Tesouro é a tesouraria da Associação/Missão:

"A casa do tesouro. O dízimo é do Senhor, e deve ser devolvido à casa do tesouro, à tesouraria da associação/missão." - Regulamentos Eclesiástico-Administrativos da DSA 1998 - ítem V 12 05 4.

Cuidado! O texto que acabamos de citar não está na Bíblia, nem foi escrito por Ellen White. É um texto do livro de regulamentos administrativos da Divisão Sul Americana dos Adventistas do Sétimo Dia. No capítulo III discutiremos um pouco mais sobre estes regulamentos administrativos da IASD. Agora o nosso objetivo é descobrir onde fica a verdadeira Casa do Tesouro hoje. Para tanto, devemos compreender o que era a Casa do Tesouro nos tempos bíblicos.

Vamos voltar à época de Abraão. Onde ficava a "Casa do Tesouro" na ocasião em que Abraão deu o dízimo a Melquisedeque? Havia um templo naquela época? Um espaço físico para armazenar o dízimo e as ofertas?

A grande falha na compreensão do assunto do dízimo é imaginar que o dízimo sempre esteve relacionado a um espaço físico, à “Casa do Tesouro”. Esta falha de compreensão é decorrente do estudo sistemático e repetitivo do assunto "dízimo" baseado em apenas no texto bíblico de Malaquias. Após ouvirmos vários sermões sobre o dízimo e várias semanas de oração sobre mordomia onde apenas o texto de Malaquias é citado, acabamos sendo condicionados a associar a palavra "dízimo" sempre à Casa do Tesouro, mas nem sempre foi assim.

A Casa do Tesouro era um conjunto de câmaras ou depósito de mantimentos que foram construídas no templo de Zorobabel, após o exílio babilônico. Neemias também chamou a “Casa do Tesouro” de “Câmaras do Tesouro” (Nee 12:44) e a associou com a casa de Deus: "Os levitas devem trazer o dízimo dos dízimos à casa do nosso Deus, para as câmaras" (Neemias 10:38).

De acordo com o livro das Crônicas, tais câmaras ou depósitos do tesouro de Deus já haviam sido construídos por Salomão, de acordo com o modelo que ele recebeu de seu pai Davi: "Então Davi deu a Salomão, seu filho, o modelo do alpendre com as suas casas, as suas tesourarias, os seus cenáculos e as suas recâmaras interiores, como também da casa do propiciatório; e também o modelo de tudo o que tinha em mente para os átrios da casa do Senhor, para todas as câmaras em redor, para os tesouros da casa de Deus e para os tesouros das coisas sagradas". (I Crônicas 28:11 e 12).

No tabernáculo do deserto não havia tal depósito chamado “Casa do Tesouro”. Como vimos no capítulo anterior, antes do cativeiro babilônico não havia o conceito de armazenar dízimos em depósitos ou câmaras especiais. Muitas vezes os dízimos eram comidos pelos doadores no templo ou em sua cidade a cada três anos.

Malaquias viveu após o retorno do exílio babilônico e quando se referiu à “Casa do Tesouro” estava falando sobre estas “Câmaras do Tesouro” que não existiam na época de Abraão e Melquisedeque. O conceito físico de "Câmaras do Tesouro" está presente apenas em um período da história do povo de Israel quando as instalações físicas do Templo constituíam o centro da prática religiosa e cerimonial judaica.

Apesar de sabermos que a ordem sacerdotal em vigor é a de Melquisedeque, temos muita dificuldade para abandonar nossa "forma levítica" de pensar. Na prática, muitos adventista pensam e agem dentro de um modelo levítico. Comparam os pastores com os levitas e nossa igreja com o santuário. Pensar de forma "levítica" é muito perigoso e pode nos levar a problemas sérios. Não é difícil para uma pessoa que raciocina de forma "levítica" associar a figura do sumo-sacerdote ao presidente da Associação/Missão. Afinal de contas se o pastor distrital é o sacerdote ou levita, o sumo-sacerdote é o presidente da Associação/Missão ou o presidente da Associação Geral.

O sacerdócio levítico é inferior e ultrapassado. Temos que olhar para o povo de Deus através do modelo sacerdotal de Melquisedeque. Desta forma associaremos o templo ao nosso próprio corpo - um lugar santo, habitação do Espírito Santo. No modelo de Melquisedeque os sacerdotes são todos os crentes e não apenas os pastores e o sumo sacerdote é Jesus Cristo, não o presidente da Associação/Missão.

No modelo sacerdotal de Melquisedeque o espaço físico torna-se irrelevante quando comparado com a grandeza da obra confiada ao sacerdócio real: "anunciar as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” - I Pedro 2: 9. Lembre-se sempre de que no modelo sacerdotal de Melquisedeque a missão e obra confiada aos sacerdotes supera em importância qualquer instituição ou estabelecimento físico. Não podemos menosprezar as instalações físicas onde nos reunimos para cultuar a Deus, mas a importância da obra em favor das pessoas carentes do evangelho é maior do que a de um espaço físico ou instituição organizacional.

No modelo de Melquisedeque, com o que poderíamos associar a "Casa do Tesouro" da época de Neemias? De acordo com Ellen White, a Casa do Tesouro hoje não é um local físico, uma câmara, um depósito ou uma conta corrente de Associação/Missão. Segundo ela, a Casa do Tesouro de Deus é o “serviço de Cristo”, é a obra de pregação do evangelho:

“Há apenas dois lugares no mundo onde podemos depositar nossos tesouros: na Casa do Tesouro de Deus ou na de Satanás. E tudo que não é dedicado ao serviço de Cristo é contado do lado de Satanás e vai para fortalecer a causa dele.” - Ellen G. White - Testemunhos, vol. 6, pág. 174 - Grifo Acrescido.

Se o dízimo que você deposita na salva de sua igreja não for para o “serviço de Cristo”, ou seja, evangelização e salvação de almas, infelizmente você não o depositou na Casa do Tesouro de Deus, mas sim na Casa do Tesouro de Satanás. Mesmo depositando o dinheiro na igreja verdadeira, se este dinheiro não for destinado para a pregação do evangelho e salvação de almas, este dinheiro foi contado do lado de Satanás, foi para a Casa do Tesouro do Inimigo.

É lamentável que muitos dos nossos queridos irmãos imaginam que simplesmente depositando os dízimos na igreja já estão, através desta doação, trazendo os dízimos à Casa do Tesouro. Graças ao dom profético dado por Deus à Sua mensageira, nós podemos chegar à seguinte conclusão: Só depositamos o dízimo na Casa do Tesouro do Senhor quando este for bem empregado no serviço de Cristo. Quando o destino do dízimo não for o adequado, podemos considerar que ele foi “contado do lado de Satanás e foi para fortalecer a causa dele”.

Nos capítulos seguintes veremos como são empregados os dízimos que são remetidos às Associações e Missões.

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