Ricardo Nicotra/2002 Índice Introdução 5 Capítulo I o dízimo na Bíblia 6



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Capítulo II - O Dízimo e os Pioneiros da IASD

Este capítulo mostra como o ministério evangélico foi financiado nos primórdios da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Infelizmente são poucos os adventistas do sétimo dia que conhecem a história de sua igreja. A história da manutenção do ministério evangélico no movimento adventista passou por três fases distintas e vamos analisar cada uma delas:



  1. Manutenção Própria (1844 - 1859)

  2. Beneficência Sistemática (1859 - 1878)

  3. Sistema do Dízimo (1878 - hoje)

Fase 1 - Manutenção Própria


Na primeira fase, os pioneiros, a exemplo de Paulo, trabalhavam para se sustentar e financiar a obra evangelística que era realizada por eles mesmos. Assim como Paulo construiu tendas, Tiago White cortou lenha, trabalhou na estrada de ferro e ceifou feno para financiar o trabalho missionário. Outros pioneiros exerciam suas atividades seculares para sustentar a pregação do evangelho. O sistema de dízimo ainda não havia sido adotado. Apesar de estarem divididos entre o trabalho secular e o ministério evangélico, foi nesta fase que a Verdade Presente foi compreendida e os pontos fundamentais de doutrina ficaram bem estabelecidos.

"Mediante cuidado e labor incessantes e esmagadora ansiedade, tem a obra ido avante, até que agora a verdade presente está clara, sua evidência não é posta em dúvida pelos sinceros... A verdade agora é tornada tão clara que todas a podem ver, e abraçar, se quiserem; mas foi necessário muito trabalho para trazê-la à luz como está, e tão árduo labor jamais terá de ser realizado outra vez para tornar a verdade clara" - E. G. White MS 2, 1855 (26 de agosto de 1855)8

"Nossa posição parece muito clara; sabemos que possuímos a verdade" Ellen G. White, Carta de março de 1849. Record Book I, pág. 72.9

Embora as verdades fundamentais estivessem bem estabelecidas já em 1849, o plano do dízimo ainda não tinha sido adotado pelos adventistas. Este plano seria adotado aproximadamente trinta anos depois.


Fase 2 - Beneficência Sistemática


Em 1859 foi adotado o plano de "Beneficência Sistemática". Através deste plano cada membro que recebesse ordenado daria uma soma determinada semanalmente. Os irmãos de dezoito a sessenta anos de idade deveriam doar semanalmente de 5 a 25 centavos de dólar. As irmãs de dezoito a sessenta anos de idade deveriam doar semanalmente de 2 a 10 centavos de dólar. Cada irmão ou irmã deveria doar 5 centavos para cada 100 dólares de propriedade que possuíssem.10 Este sistema foi sancionado pela irmã White como sendo "agradável a Deus", o Qual, declarava ela, "estabelecera o plano pela descida de Seu Santo Espírito". E acrescentou: "Este é um dos pontos mesmos pelos quais Deus pede contas a Seu povo"11. Oito anos mais tarde, ela assegurava que este plano tinha-se "originado com Deus, cuja sabedoria é infalível"12

Fase 3 - Sistema do Dízimo


Na assembléia geral de 1878 uma comissão foi nomeada para estudar o plano da "Beneficência Sistemática". Este plano foi abandonado e a comissão adotou o plano do dízimo que permanece até hoje.13 Mas o sistema de Beneficência Sistemática não havia sido estabelecido por Deus? Não havia sido este sistema sancionado por Ellen White como sendo "agradável a Deus"? Deus não havia estabelecido o plano da Beneficência Sistemática "pela descida de Seu Santo Espírito"? Este plano não tinha se "originado com Deus, cuja sabedoria é infalível"? A resposta para todas estas perguntas é sim. Mas, então, por que mudar o plano? Deus decidiu mais uma vez mudar o plano para poder atender às necessidades da Igreja que não mais estavam sendo atendidas com o sistema anterior. As necessidades mudam, a sociedade muda, a estrutura da igreja muda, os sistemas mudam, mas os princípios permanecem os mesmos.

Embora o plano do dízimo, estabelecido na IASD em 1878, seja de origem divina, a primeira fase da história de nossa igreja deve nos inspirar a trabalhar com o mesmo fervor dos pioneiros. A economia e abnegação dos pioneiros durante a primeira fase ("Manutenção Própria") servem de exemplo para os obreiros modernos. Que grande diferença podemos observar entre os pioneiros e vários líderes religiosos hoje! Que abnegação! Que sacrifício! Que humildade! Estas características deverão ser recuperadas pelos verdadeiros obreiros se desejarem contemplar a volta de Cristo em nossos dias. Eles não davam 10%, mas sim 100%! Entregavam-se totalmente à obra.

"Requer-se agora tanta abnegação como quando iniciamos a obra, quando éramos apenas um punhadinho de gente, quando sabíamos o que significava abnegação, o que queria dizer sacrifício... Alegrávamo-nos de usar roupas em segunda mão, e por vezes quase não tínhamos comida suficiente para nos sustentar as forças. Tudo o mais era posto na obra... Deus intenta que as instituições aqui sejam levadas avante por meio de sacrifício, da mesma maneira por que foram postos os fundamentos" - Ellen G. White - General Conference Bulletin, 20 de março de 1891, pág. 184 - Citado em Mensagens Escolhidas. Vol. II, pág. 189.

O Espírito de Profecia e a Aplicação dos Dízimos


Ellen G. White escreveu muitas páginas a respeito do dízimo e de sua correta aplicação. O livro “Chuva de Bênçãos”, publicado pela Divisão Sul Americana, é uma compilação dos escritos da irmã White sobre este assunto.

Infelizmente parece que o objetivo desta compilação foi apenas convencer a igreja do seu dever em devolver o dízimo. Ele não teve a intenção de apresentar um estudo completo como fizemos aqui ou apresentar o dever da Corporação em aplicar corretamente os dízimos. Isto é facilmente percebido através de sua leitura e comprovado através de uma omissão no seguinte trecho de Ellen White, transcrito de forma incompleta em "Chuva de Bênçãos":

"Um raciocina que o dízimo pode ser aplicado para fins escolares. Outros argumentam ainda que os colportores devem ser sustentados com o dízimo. Comete-se grande erro quando se retira o dízimo do fim em que deve ser empregado - o sustento dos ministros..." Chuva de Bênçãos, pág. 44.

Foi omitida a última parte que evidenciaria de forma clara o não cumprimento desta recomendação pela liderança da IASD na aplicação dos dízimos. O trecho na íntegra pode ser encontrado na página 226 do livro “Obreiros Evangélicos”. Transcrevo a seguir, o trecho completo com a parte omitida em "Chuva de Bênçãos":

"Um raciocina que o dízimo pode ser aplicado para fins escolares. Outros argumentam ainda que os colportores devem ser sustentados com o dízimo. Comete-se grande erro quando se retira o dízimo do fim em que deve ser empregado - o sustento dos ministros. Deveria haver hoje no campo uma centena de obreiros bem habilitados, onde existe unicamente um". - Ellen G. White - Obreiros Evangélicos, pág. 226.

A última frase desta citação foi omitida do livro Chuva de Bênçãos por uma razão muito simples: A Corporação da Igreja Adventista do Sétimo Dia infelizmente não está cumprindo esta recomendação do Espírito de Profecia: Utilizar os dízimos para colocar mais obreiros no campo.

Como você poderá perceber através das estatísticas que serão apresentadas no capítulo 4, a obra tem muitos obreiros, mas bem poucos estão no campo e os que trabalham no campo não conseguem dar a assistência devida às igrejas.

Note que o trecho se refere a "obreiros bem habilitados". Isto significa que o dízimo deve ser usado não apenas para o sustento dos obreiros, mas também em seu preparo e habilitação, ou seja, treinamento. Algumas igrejas têm contratado obreiros independentemente do auxílio da Associação pagam o salário destes homens e mulheres com doações e ofertas voluntárias. Mas isto não deveria ser assim. Colocar obreiros no campo é uma obrigação daqueles que recebem o dízimo.

“Deus não pode olhar para a presente condição com aprovação, mas com condenação. Seu tesouro está privado dos meios que deveriam ser usados para o apoio dos ministros do evangelho nos campos próximos e distantes”. - Ellen G. White - Manuscript Releases, Vol. 7, pág. 136, parágrafo 2.

“O dízimo deveria ir para aqueles que trabalham na palavra e na doutrina, sejam eles homens ou mulheres” Manuscrito 149 - 1899.

Ellen G. White é bem clara com relação à aplicação dos dízimos. O dízimo deve ser usado para os que trabalham na palavra e na doutrina. Ela não diz que o dízimo deve ser usado para pagar administradores de Associações, administradores de Casas Publicadoras, construção de prédios de Associação. Ela diz:

"Que a obra não continue mais a ser impedida porque o dízimo foi desviado para vários fins diversos daquele para que o Senhor disse que ele devia ir. Devem-se estabelecer provisões para esses outros ramos da obra. Eles devem ser mantidos, mas não do dízimo. Deus não mudou; o dízimo tem de ser ainda empregado para a manutenção do ministério. A abertura de novos campos requer mais eficiência ministerial do que possuímos agora, e é preciso haver meios no tesouro". - Ellen G. White - Obreiros Evangélicos, pág. 227.

Este trecho não deixa dúvida: O dízimo ainda hoje deve ser usado para a pregação do evangelho. Novos campos devem ser trabalhados e obreiros pagos com o dízimo devem ser comissionados para esta obra. Esta obra, na prática, é realizada hoje por voluntários não remunerados. Estes exercem suas atividades seculares, devolvem fielmente o dízimo para a Associação, trabalham voluntariamente na obra de Deus, são obrigados a comprar material evangelístico e ainda conseguem resultados positivos. Louvado seja Deus por este sucesso, mas há algo errado e evidente aos olhos da maioria dos adventistas que precisa ser corrigido.

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