Ricardo Nicotra/2002 Índice Introdução 5 Capítulo I o dízimo na Bíblia 6



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Como Ellen G. White dizimava?


As distorções que temos observado na administração e emprego do dízimo hoje já eram comuns na época de Ellen White. Estes desvios geravam injustiças e descontentamento de muitos membros e por esta razão algumas pessoas deixaram de remeter os dízimos através das vias regulares (Associações) e passaram a entregá-los à irmã White para que ela empregasse o dinheiro da melhor forma.

Ellen White não apenas administrava o seu próprio dízimo como também aceitava administrar o dízimo de terceiros; pessoas que, já naquela época, não estavam satisfeitas com o destino que a administração da IASD dava para os dízimos. No entanto estas pessoas confiavam na mensageira do Senhor. Ellen White usava os seus dízimos para auxiliar “ministros brancos e de cor que eram negligenciados e não recebiam suficiente e corretamente para manter suas famílias”. (Carta Watson, 22/01/1905).

Ellen White preferia não dar publicidade a este fato, mas foi obrigada a se manifestar através de uma carta de admoestação ao pastor George F. Watson, presidente da Associação do Colorado, que era contra a atitude dela (Veja a íntegra da carta no Apêndice A). Abaixo estão transcritos alguns trechos desta carta que foi redigida por Ellen White em 1905:

Durante anos tem sido mostrado a mim que meu dízimo deveria ser remetido para ajudar os ministros brancos e negros que eram negligenciados e não recebiam o suficiente, necessário para sustentar a família...”.

Alguns alegam que Ellen White adotou este procedimento numa situação excepcional, durante um curto período e que esta não era sua prática rotineira. No entanto, sua carta deixa claro que “durante anos” ela deixou de remeter o dízimo para a Associação e decidiu envia-lo para os campos mais carentes. Na mesma carta, Ellen White repete três vezes a expressão “durante anos”, uma prova clara de que tal atitude era bem fundamentada e não uma atitude tomada sem reflexão.

Alguns ousam dizer que esta atitude da irmã White foi equivocada; dizem que ela errou e depois pediu perdão para a Associação. Dizem que ela era humana, sujeita a falhas e portanto errou ao não mais enviar o dízimo para a Associação. De fato, Ellen White era humana e, portanto, sujeita a erros, mas isto não significa que sua atitude foi errada. Como ela, sendo a profetiza de Deus, poderia errar por vários anos sem receber do Senhor uma repreensão direta? Ao contrário, ela mesma diz que lhe foi mostrado o que fazer com o seu dízimo. Sempre que Ellen White diz "Foi-me mostrado", quem mostrava a ela? Tudo que lhe era mostrado vinha do Senhor. Ela sabia que era mais importante evangelizar um campo carente do que cumprir um protocolo religioso entregando o dinheiro na mão dos administradores da corporação.

“Com respeito à obra com os negros no Sul, aquele Campo foi e ainda está sendo roubado dos meios que deveriam chegar até seus obreiros. Se têm existido casos nos quais nossas irmãs têm destinado seus dízimos para o sustento de ministros que trabalham por pessoas negras no Sul, conserve-se cada homem, se for sábio, calado.”.

Note aqui a utilização de uma palavra forte. Ellen White diz que os campos carentes estavam sendo roubados. Recursos financeiros que deveriam atingir locais mais necessitados por algum motivo não estavam bem administrados pela Associação. A Palavra do Senhor deixa claro que ao desviarmos o dízimo de seu objetivo original estamos roubando a Deus. E era exatamente isso que a irmã White quis dizer.

“Alguns casos têm sido mantidos diante de mim durante anos, e tenho suprido suas necessidades do dízimo, conforme Deus me instruiu a fazer. E se qualquer pessoa me disser: Irmã White, você poderá destinar o meu dízimo para onde você sabe que ele será mais necessário, eu direi: Sim, farei; e tenho agido assim...”.

“Envio-lhe essa explicação para que você não cometa um erro. As circunstâncias alteram os casos. Não aconselharia ninguém a realizar uma prática de arrecadação do dinheiro do dízimo. Mas durante anos e ainda hoje, há pessoas que perderam a confiança no método da aplicação do dízimo e têm colocado seu dízimo em minhas mãos, e dito que se não o pegasse, eles mesmos o encaminhariam para as famílias de ministros mais carentes que encontrassem. Tenho recebido o dinheiro, dado um recibo por ele, e dito a eles como foi aplicado”.

Duas coisas interessantes neste último parágrafo:

(1) Ela não aconselha que a administração do dízimo se torne um costume, mas isto acaba se tornando inevitável em alguns casos: No caso dela, por exemplo, quando percebeu que alguns campos “foram e ainda são roubados dos meios” e no caso das irmãs que “perderam a confiança no método da aplicação do dízimo”. Nestes casos não há outra alternativa, os dízimos acabaram sendo aplicados no ministério evangélico independentemente do "auxílio" dos intermediários da Associação. Mas aqueles que confiavam na administração da Associação e estavam satisfeitos com o serviço prestado por ela continuavam remetendo seus dízimos para aquele local.

(2) Outro detalhe interessante neste episódio é que Ellen White dizia às irmãs como havia utilizado o dízimo que lhe havia sido confiado, ou seja, a irmã White prestava contas, administrava o dízimo alheio com transparência. Infelizmente a transparência financeira não é o ponto forte da administração do dízimo. Você pode enviar seus dízimos mensalmente para a Associação, mas você não tem liberdade para saber onde ou como foi aplicado, de forma detalhada, o dinheiro. O máximo de informação é uma tabela de distribuição percentual (10% para a União, 9% para o IAJA, 1% para a Voz da Profecia, etc...), mas um relatório detalhado de entradas e saídas é algo realmente difícil de se conseguir.

Deus fala através das decisões das Associações/Missões e da Associação Geral? Em 1901 Ellen White declarou:

"Isso desses homens se encontrarem num lugar sagrado, para serem como a voz de Deus para o povo, conforme antes acreditávamos ser a Associação Geral - é algo que já passou" - General Conference Bulletin, 3 de abril de 1901, pág. 25.14

No século XIX, Ellen White acreditava que a voz de Deus se manifestava através das decisões da Conferência Geral. Ao longo de sua experiência na Austrália e após o retorno para os EUA, já no século XX (1901), ela foi obrigada a mudar de idéia. Em 1905, ela já não enviava mais o dízimo para a Associação. Mas vale ressaltar que esta foi uma decisão particular dela, pois ela respeitava as irmãs que compartilhavam de sua posição e respeitava também a opção daqueles que enviavam os dízimos para a Associação. Ela não desejava que isto se tornasse um ponto de conflito entre os irmãos, por isso exercia o livre arbítrio e defendia o direito dos outros agirem de acordo com a consciência deles. Em nenhum momento ela disse que não deveríamos devolver o dízimo para a Associação. Também nunca disse que os dízimos deveriam ser devolvidos obrigatoriamente através da Associação.


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