Ricardo Nicotra/2002 Índice Introdução 5 Capítulo I o dízimo na Bíblia 6



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O Que Ellen White Escreveu Sobre o Emprego do Dízimo?


1) De acordo com o Espírito de Profecia, como deve ser empregado o dízimo?

"O dízimo é sagrado, reservado por Deus para Si mesmo. Tem de ser trazido ao Seu tesouro, para ser empregado em manter os obreiros evangélicos em seu labor..." - Ellen G. White - Eventos Finais, 69 - Compilado de Obreiros Evangélicos, 226 e 227.

As instituições que são os instrumentos de Deus para levar avante Sua obra devem ser sustentadas. Igrejas devem ser construídas, escolas estabelecidas e casas publicadoras equipadas com equipamentos para fazer um grande trabalho na publicação da verdade a ser enviada a todas as partes do mundo. Estas instituições são ordenadas por Deus e deveriam ser mantidas pelos dízimos e ofertas voluntárias. (Testemonies, vol 4, pág. 464)

2) O dízimo deveria ser utilizado apenas para sustentar pastores?

"O dízimo deveria ir para aqueles que labutam na palavra e doutrina, sejam eles homens ou mulheres”.- Ellen White - Manuscript Releases. Vol. 18, pág. 67

3) Até mesmo as mulheres podem ser pagas com o dízimo?

"Há esposas de ministros, as irmãs Starr, Haskell, Wilson e Robinson, que têm sido obreiras consagradas, diligentes e sinceras, dando estudos bíblicos e orando com as famílias, ajudando com seus esforços pessoais tão bem sucedidos como os de seus esposos. Essas mulheres dedicam todo o seu tempo, e lhes é dito que não recebem nada por seus labores porque seus esposos recebem salário. Digo-lhes que continuem e que todas essas decisões serão revistas. Diz a Palavra: 'Digno é o trabalhador do seu salário' (Luc. 10:7). Quando for tomada qualquer decisão como esta, protestarei em nome do Senhor. Sentirei ser meu dever criar um fundo do dinheiro do meu dízimo para amparar a essas mulheres que estão realizando uma obra tão essencial como a dos ministros, e reservarei esse dízimo para a obra do mesmo ramo que a dos ministros, que são caçadores e pescadores de almas." - Ellen G. White, Manuscripts Releases, Silver Spring, MD; E. G. White Estate, 1990, vol. 12, págs. 160-161.

4) Posso usar o dízimo para fins escolares ou para a colportagem?

"Um raciocina que o dízimo pode ser aplicado para fins escolares. Outros argumentam ainda que os colportores devem ser sustentados com o dízimo. Comete-se grande erro quando se retira o dízimo do fim em que deve ser empregado - o sustento dos ministros. Deveria haver hoje no campo uma centena de obreiros bem habilitados, onde existe unicamente um". - Ellen G. White - Obreiros Evangélicos, pág. 226.

5) Posso usar o dízimo para algum outro propósito além de sustentar os obreiros que trabalham no campo?

"A luz que o Senhor me tem dado sobre este assunto é os meios da tesouraria para o sustento dos ministros nos diferentes campos não devem ser usados para nenhum outro propósito”.- Ellen G. White, Special Testimonies for Ministers and Workers, Battle Creek MI; 197, vol. 10, págs. 16-18.

6) Posso usar o dízimo para ajudar os pobres?

"As viúvas e órfãos deviam ser sustentados pelas contribuições da igreja. Suas necessidades não deviam ser providas pela igreja, mas por donativos especiais. O dízimo devia ser consagrado ao Senhor, sendo usado sempre para o sustento do ministério”.- Carta 9 de 1899 - Citado em Beneficência Social, 275.

7) Posso devolver o dízimo para o caixa da igreja local a fim de financiar a reforma da igreja?

"Seu povo de hoje precisa lembrar que a casa de culto é propriedade do Senhor, e que deve ser escrupulosamente cuidada. Mas o fundo para essa obra não deve provir do dízimo". - Obreiros Evangélicos, 226.

8) Freqüento um grupinho bem pobre. Estamos tendo dificuldades de manter nossas atividades e as despesas do nosso salão. Estamos pensando em fechar as portas. Posso devolver o dízimo para o caixa da igreja local a fim de financiar a manutenção do grupo?

"Há casos excepcionais, onde a pobreza é tão extrema que a fim de assegurar o mais humilde lugar de adoração, pode ser necessário utilizar o dízimo. Mas esse lugar não é Battle Creek ou Oakland." - Ellen G. White, Special Testimonies for Ministers and Workers, Battle Creek MI; 197, vol. 1, págs. 189.

9) Em algum momento Ellen White afirmou que a única forma correta de dizimar é enviando os recursos para a Associação/Missão?

“O Senhor tem abençoado o trabalho que J. E. White tem tentado fazer no Sul. Deus permite que vozes que tem se levantado tão rapidamente para dizer que todo o dinheiro investido na obra deve passar pelo canal designado em Battle Creek não sejam ouvidas. As pessoas para as quais Deus tem dado Seus recursos são receptivas a Ele somente. É privilégio delas dar assistência e auxílio direto às missões. É por causa do mau uso dos recursos que os campos do Sul não se demontram melhores do que estão hoje.” - Spaulding e Magan, pág. 176.

“Os métodos de Deus não podem ser impedidos pelos métodos dos homens. Há aqueles que têm recursos e aqueles que darão pouca ou grandes somas. Faça com que este dinheiro vá direto para a parte mais carente da vinha. O Senhor não especificou nenhum canal através do qual os recursos devam passar.” - Spaulding e Magan, pág. 498.


Capítulo III - Como a Corporação Usa os Dízimos?

Neste capítulo veremos como são utilizados os dízimos remetidos pelas igrejas às Associações. Será que são utilizados somente para o pagamento de pastores, obreiros e missionários? Por que a maioria das igrejas remete um valor de dízimos bem superior ao salário do pastor e, mesmo assim, é obrigada a "dividi-lo" com as outras igrejas do distrito? O objetivo deste capítulo é desvendar boa parte deste mistério.


Tradição de Homens


“Assim, pois, irmãos, estai firmes e conservai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.” II Tessalonicenses 2:15.

Concordamos que as boas tradições devem ser conservadas, mas não podemos concordar com as tradições que, parecendo boas, são contrárias à Palavra de Deus. As notas falsas mais perigosas são aquelas que mais se assemelham às verdadeiras. Da mesma forma, as piores tradições são aquelas que parecem ser boas, mas que ferem princípios elementares da Lei de Deus. Satanás é perito em desenvolver este tipo de contrafação. Ele é astuto e age na igreja de maneira sutil estabelecendo regras aparentemente boas, mas contrárias ao que Deus estabeleceu. Desta forma o inimigo consegue atrapalhar a principal missão da Igreja: A salvação de almas.

Cristo combateu fortemente as tradições aparentemente boas. Disse, certa ocasião, aos escribas e fariseus:

“Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Vós deixais o mandamento de Deus, e vos apegais à tradição dos homens”. - S. Marcos. 7:7 e 8.

Em seguida Cristo citou um exemplo, aplicável àquela época:

“Pois Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, certamente morrerá. Mas vós dizeis: Se um homem disser a seu pai ou a sua mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor, não mais lhe permitis fazer coisa alguma por seu pai ou por sua mãe, invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição que vós transmitistes; também muitas outras coisas semelhantes fazeis.” S. Marcos 7:9-12.

Aqui vai uma rápida explicação desta tradição desenvolvida pelos fariseus: Os pais são dignos de receber o carinho e a assistência financeira dos filhos sempre que necessário. O quinto mandamento da Lei de Deus lhes garante este direito à assistência por parte dos filhos. No entanto, os fariseus tinham a tradição de oferecer como oferta ao Senhor (Corbã) o que deveria ser usado para a assistência de seus pais. Através de tradições inventadas por homens, invalidavam a Lei de Deus retirando a assistência a que seus pais tinham direito.

Os adventistas combatem fortemente as tradições contrárias à Lei de Deus, no entanto, muitos deles não apenas toleram como também cultivam este tipo de tradição quando o assunto é dízimo. De acordo com a Bíblia e Espírito de Profecia o dízimo deve ser destinado à manutenção da pregação do evangelho que hoje está sendo feita essencialmente através da igreja local. No entanto, a maior parte dos dízimos enviados para a Corporação não volta para a Igreja Local na forma de investimentos em evangelismo ou benefícios para os membros. Uma parcela significativa destes recursos é repassada para as instâncias superiores da corporação (Uniões, Divisões e Associação Geral), a outra parte é gasta na própria Associação/Missão com a manutenção do sistema administrativo de modo que nada ou quase nada retorna como benefício para a igreja local. Desta forma os homens estão invalidando a Palavra de Deus, substituindo-a por regras e tradições de homens. Infelizmente hoje o dízimo não mais beneficia o ministério evangelístico realizado pela igreja local. As ofertas voluntárias são a única fonte de mantimento para a Casa de Deus, pois os dízimos acabam tendo um destino diferente.

O dízimo deveria ser usado para o pagamento de obreiros com dedicação integral para a pregação do evangelho no campo. No entanto, os líderes da corporação adventista elaboraram algumas regras que impedem que isto aconteça. Uma análise dos regulamentos administrativos da IASD sobre a aplicação dos dízimos demonstrará que a Associação/Missão é beneficiada com os dízimos, mas a igreja local em geral fica desamparada.

Veja um exemplo de tradição moderna: Se a Associação precisar de um computador é permitido usar o dízimo para adquiri-lo; no entanto, se a Igreja precisar de um computador não se deve usar o dízimo para este fim, pois a compra de um computador para a igreja local não é considerada uma despesa com “Ministério Evangélico”. Isto é só um exemplo. Poderíamos fazer uma longa lista de tradições. As despesas com água, luz, telefone e zeladoria das Associações, Missões, Uniões, Divisões e Associação Geral são pagas com o dízimo proveniente das igrejas. A manutenção física dos prédios das Associações, Uniões, Divisões e Associação Geral é feita com o dízimo. Enquanto várias despesas administrativas das Associações são pagas com o dízimo, não é permitido usar o dízimo para pagar as contas de água, luz e zeladoria da igreja. Se alguém usar o dízimo para o benefício da igreja local e isto se tornar público, esta pessoa será acusada de estar "roubando a Deus" e indo contra a unidade administrativa da Igreja.

Imagine que o aparelho de ar condicionado da sala do presidente da União apresente um defeito. As despesas relacionadas ao conserto deste equipamento serão cobertas com fundos do dízimo, mas se você usar o dízimo para comprar Bíblias para os interessados de sua classe batismal vai estar indo contra estas regras estabelecidas pelos administradores da Corporação Adventista.

Absurdos desta natureza ocorrem porque estas regras relacionadas com a aplicação do dízimo foram inventadas por homens. Não foi Deus o autor destas regras. Neste momento você pode estar se perguntando: Mas esta não é a igreja de Deus? Deus não está no comando deste povo? Como Deus permite que tais coisas aconteçam em Sua amada igreja?

Neste ponto é importante lembrar que nem todas as pessoas vinculadas oficialmente com a Corporação Adventista fazem parte do verdadeiro povo de Deus. Há trigo misturado com o joio. Ademais, a existência de tais regras dentro da Corporação Adventista não deveria nos assustar, pois no passado tudo isso já aconteceu. Há importantes lições que apenas a história ensina. Paulo aconselha que estudemos o passado para compreendermos o presente:

“Ora, tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos”. - I Coríntios 10:11.

Note o que Ellen G. White disse a respeito de regras injustas inventadas pela Associação no passado:

“No centro da obra, estão as questões sendo amoldadas de tal maneira que todas as instituições estão seguindo o mesmo rumo. E a própria Associação Geral se está corrompendo com sentimentos e princípios errôneos. . . . Foi-me mostrado que a nação judaica não foi levada repentinamente à sua condição de pensamentos e práticas. De geração em geração forjavam falsas teorias, seguiam princípios opostos à verdade e combinavam com sua religião, pensamentos e planos que eram o produto de espíritos humanos. As invenções humanas tornaram-se supremas... Planos contrários à verdade e à justiça são introduzidos de maneira sutil, sob a alegação de que isto deve ser feito, ‘porque é para o avanço da causa de Deus’. Mas são as invenções dos homens que levam à opressão, injustiça e impiedade. A causa de Deus está livre de toda mancha de injustiça. Não pode ela obter vantagem roubando aos membros da família de Deus sua individualidade ou seus direitos.” - Ellen G. White - Testemunho para Ministros, pág. 359.

Embora o contexto original deste trecho esteja relacionado com a obra de publicações, percebemos que os mesmos “princípios errôneos” e as “invenções humanas” estão presentes hoje na administração dos dízimos. Note também que esta não é uma advertência restrita a um determinado setor da obra. É uma repreensão abrangente: “todas as instituições estão seguindo o mesmo rumo”, diz Ellen White.

A Mensageira do Senhor acusa os líderes da Associação de estar "roubando aos membros da família de Deus". Esta expressão é bastante forte, mas é verdadeira. Roubar significa tirar de alguém aquilo que é seu direito possuir. Neste sentido hoje a igreja está sendo roubada não apenas financeiramente, mas espiritualmente, quando é privada do seu direito de assistência pastoral. Os dízimos que deveriam beneficiar a comunidade através de projetos missionários e obreiros evangélicos acabam sendo utilizados para outros fins.

O ser humano tem uma tendência muito forte de aceitar e apoiar regras feitas pelos homens. Uns aprendem a fazer coisas erradas, outros aprendem a aceitar as coisas erradas e, como aprendemos as mesmas coisas desde que nascemos, acreditamos que isto é o correto, pois sempre foi assim e, desta forma, há pouca disposição para mudanças. Estamos tão habituados a colocar estas regras em prática que quando nossos olhos são abertos para a verdade temos dificuldades em abandoná-las. Esta dificuldade é intensificada quando estas regras humanas nos são apresentadas pelos seus autores como sendo a própria vontade de Deus.

"Ensinai o povo, disse [Jesus], a guardar todas as coisas que vos tenho mandado. Os discípulos deviam ensinar o que Cristo ensinara. O que Ele falara, não só em pessoa, mas através de todos os profetas e mestres do Antigo Testamento, aí se inclui. É excluído o ensino humano. Não há lugar para a tradição, para as teorias e conclusões dos homens, nem para a legislação da igreja. Nenhuma das leis ordenadas por autoridade eclesiástica se acha incluída nesta comissão" - Ellen G. White - Evangelismo, pág. 15.

Estas tradições devem ser imediatamente removidas do nosso meio. O dízimo deve voltar a ser utilizado para o evangelismo, para a salvação de almas, para a obra que Jesus nos confiou. No livro Obreiros Evangélicos, Ellen White faz uma grave admoestação aos que usam o dízimo para outros fins:

"É-me ordenado dizer-lhes que estão cometendo um erro em aplicar os dízimos a vários fins, os quais, embora bons em si mesmos, não são aquilo em que o Senhor disse que o dízimo deve ser aplicado. Os que assim o empregam, estão-se afastando do plano de Deus. Ele os julgará por estas coisas". - Ellen G. White - Obreiros Evangélicos, págs. 225 e 226.

Cada um de nós prestará contas de forma individual no juízo. Administradores que aplicam o dízimo onde não deve ser aplicado haverão de prestar contas com Deus por suas ações. Mas não prestarão contas sozinhos. Haverão de prestar contas juntamente com aqueles que, de forma omissa e conivente, permitiram que isto acontecesse, apoiando o erro e não admoestando. Almas estão deixando de conhecer a verdade por conta de desvios legalizados pelos administradores e tolerados pelos membros.

"Satanás se esforça constantemente por atrair a atenção para o homem, em lugar de Deus. Induz o povo a olhar para bispos, pastores, professores de teologia, como seus guias, em vez de examinarem as Escrituras a fim de, por si mesmos, aprenderem seu dever. Então, dominando o espírito destes dirigentes, pode influenciar as multidões a seu bel-prazer." - O Grande Conflito, pág. 601.

O volume de dízimo arrecadado na Igreja Adventista é muito grande. Imagine quantas almas seriam salvas se este dinheiro fosse investido na pregação direta do evangelho. Mas infelizmente o dízimo remetido às Associações acaba desaparecendo e nós veremos como isso acontece.

Como a organização consegue gastar tanto dinheiro? Todos concordamos que tendo muito dinheiro não é difícil encontrar formas rápidas de gastá-lo.


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