Ricardo Nicotra/2002 Índice Introdução 5 Capítulo I o dízimo na Bíblia 6



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Quantos Funcionários Tem a Organização?


A estrutura administrativa da Igreja Adventista no mundo tem hoje seis níveis hierárquicos: As igrejas são lideradas pelos anciãos, os distritos são administrados pelos pastores, os pastores são comandados pelas Associações, as Associações são lideradas pelas Uniões, as Uniões são lideradas pelas Divisões e, finalmente, as Divisões são lideradas pela Associação Geral. Apenas o primeiro nível hierárquico (a Igreja Local) não é beneficiado diretamente com o dízimo. Os demais níveis empregam várias pessoas pagas com o dízimo - que não estão necessariamente pregando o evangelho no campo. Isto significa que nossos dízimos, ou melhor, os dízimos do Senhor são gastos com pessoas que não estão prestando serviço diretamente à Igreja. Para saber quem realmente prega de forma eficiente, considere a seguinte questão: Os membros recém batizados de sua igreja conheceram a verdade através de voluntários ou de obreiros remunerados com o dízimo que estão pregando no campo? Quantas pessoas foram batizadas ultimamente como fruto direto do trabalho do pastor distrital?

A seguinte estatística diz respeito à relação "Funcionários da Corporação por Igreja". Estes números são dados oficiais divulgados pela própria Corporação e podem ser conferidos no site oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Internet:15 (Dados de 1999)



Igrejas no Mundo:

46.740

Pastores Ordenados Ativos:

13.815

Total de Obreiros Ativos:

165.882

Dividindo o número de obreiros ativos no mundo (165.882) pelo número de igrejas (46.740) chegaremos no seguinte resultado: 3,55. Isto significa que para cada igreja a Corporação emprega 3,55 funcionários. Para um distrito com seis igrejas, por exemplo, a Corporação tem mais de 21 funcionários! O pastor trabalha para distrito, mas e os outros 20 funcionários, onde estão? Como estes outros 20 funcionários têm ajudado o distrito a cumprir sua missão evangelística? Eles têm pregado o evangelho? Para quem? Têm feito discípulos? Das pessoas batizadas em sua igreja, quantas foram ganhas através do trabalho destes obreiros?

Eles são funcionários de várias empresas da Corporação: hospitais, clínicas, escolas, casas publicadoras, fábrica de alimentos, companhias de seguros, Associações, Missões, Uniões, Divisões e Associação Geral. É verdade que nem todos estes funcionários são pagos com o dízimo. Alguns são pagos com o lucro das empresas da Corporação. E por falar em lucro, a Corporação tem lucro? As clínicas, por exemplo, têm lucro? Quanto é o lucro? Os membros da igreja têm o direito de saber? Para onde vai este lucro? Não temos a pretensão de responder todas estas perguntas, mas a própria alocação de funcionários dentro da Corporação adventista demonstra claramente que a prioridade da Corporação não é a pregação do evangelho. Esta nobre tarefa foi delegada aos obreiros voluntários de cada igreja local.

Vamos fazer uma outra análise, agora relacionada com a proporção de pastores dentro do universo de funcionários da Corporação. De acordo com os números apresentados pela estatística acima, para cada 12 funcionários pagos pela Corporação, apenas um é pastor, os outros 11 não estão relacionados diretamente com as atividades missionárias da igreja local. Para chegar a esta conclusão basta dividir o número de obreiros ativos da Corporação pelo número de pastores ativos.

Estamos desconsiderando um fato bastante significativo que agravaria a situação: Boa parte desses 13 mil pastores ativos não está nas igrejas, envolvido diretamente com o trabalho missionário. Uma parcela significativa dos pastores ativos trabalha nas associações, missões, uniões, divisões, escolas, colégios, hospitais, clínicas, casas publicadoras. Vamos supor que 70% dos pastores são distritais e estão envolvidos com os projetos evangelísticos das igrejas, então chegaremos a um número de aproximadamente 9,6 mil pastores distritais no mundo e aproximadamente 156,2 mil funcionários corporativos e pastores não distritais. Isto nos leva à seguinte proporção: De cada 16 funcionários da organização, apenas um é pastor distrital. Considerando estes dados infelizmente concluímos que a Corporação Adventista perdeu o foco de missão estabelecido por Cristo, qual seja, a pregação do evangelho. Para chegar a esta conclusão, basta verificar onde os funcionários da Corporação estão atuando e de que forma eles têm beneficiado a igreja local.

Por que os administradores da Corporação se preocupam em colocar funcionários nos hospitais, nas escolas, nas casas publicadoras, nas Associações, nas Uniões, nas Divisões, mas não se importam em colocar pastores nas igrejas? O hospital fecha se tirarmos o médico de lá. Sem professor a escola não funciona. E se tirarmos o pastor da igreja, o que acontece? Absolutamente nada! O ancião continua pregando, o diretor do trabalho missionário continua visitando os membros afastados e o instrutor bíblico continua ministrando seus estudos para os interessados.

Hoje a igreja sobrevive graças ao esforço dos obreiros voluntários: anciãos, diáconos, líderes de departamento, irmãos missionários e irmãs dedicadas. Seria ótimo se cada igreja tivesse um pastor que dedicasse tempo integral para apoiar a missão evangelística da igreja, desenvolver e liderar projetos missionários, visitar e treinar membros, mas mesmo sem pastor as igrejas estão conseguindo sobreviver e de certa forma algumas conseguem até crescer em número.

Como uma organização consegue sobreviver mantendo uma estrutura pesada com seis níveis hierárquicos sendo que só o primeiro nível (igreja local) produz resultados (almas e dinheiro)? Qualquer empresa que insistisse em manter esta estrutura pesada já teria falido. Qual será o segredo da sobrevivência desta estrutura administrativa gigante?

Imagine uma empresa que não paga os funcionários mais produtivos, eles trabalham voluntariamente e vão além: fazem questão de pagar e sustentar os administradores da empresa. E mais, se algum funcionário desta empresa precisar de ferramentas para trabalhar, terá de adquiri-las por conta própria, pois seus superiores não as fornecem de graça. Esta empresa investe pouco em treinamento, ou seja, os funcionários devem aprender sozinhos ou com outros funcionários mais experientes. Na abertura de novas filiais, são os funcionários que compram o terreno e pagam as despesas com a construção da filial. Neste caso não é permitido usar o dinheiro “sagrado” que será usado para pagar os superiores; uma doação extra deve ser arrecadada. Quando os funcionários precisam do auxílio financeiro destes superiores, em geral não são atendidos ou, na melhor das hipóteses, recebem um auxílio pequeno e insuficiente. Você já viu este modelo administrativo em algum lugar?

Infelizmente dentro da Corporação os membros estão submetidos a este sistema onde as pessoas que mais produzem (obreiros voluntários) trabalham de graça. E vão além, pagam o dízimo aos seus superiores (Associação) e não recebem nada em troca16. Se estes obreiros voluntários precisarem de ferramentas de trabalho (projetores, folhetos, livros, Bíblias, material de evangelismo) os superiores não fornecem de graça, mas vendem a preço de mercado ou até mais caro (Compare o preço da literatura adventista com a literatura de outras denominações). Estes trabalhadores não são treinados e quando precisam de recursos para construir ou reformar igrejas têm, na maioria das vezes, sua solicitação negada pelos administradores da Associação/Missão. Para conseguir algum auxílio é necessária muita insistência. Mesmo assim as coisas parecem ir bem, pois estes voluntários trabalham por amor, e Deus tem misericórdia deles. Esta é a tradição dos homens, mas a liderança insiste que este absurdo é orientação de Deus. Abusar da ingenuidade e desconhecimento dos irmãos é um pecado grave, mas mais grave ainda é a blasfêmia ao atribuir este método injusto à orientação divina. O maior absurdo é que boa parte dos irmãos ainda acredita que realmente este é um sistema inspirado. Deus inspirou um modelo administrativo voltado para o evangelismo, mas o que vemos hoje é uma deturpação do modelo original.

Na igreja há dois tipos de ministros. O ministro de tempo integral e o ministro de tempo parcial. O ministro de tempo integral é aquele que está presente em todos os cultos, conhece as ovelhas pelo nome, dá estudos bíblicos e faz visitas missionárias. O ministro de tempo integral é mais conhecido como obreiro voluntário (anciãos, líderes de departamento, irmãos e irmãs missionárias). Os ministros de tempo parcial também dão sua parcela de contribuição para as igrejas. Eles são responsáveis pela realização das atividades esporádicas da igreja como batismos, cerimônias de comunhão, apresentação de crianças, casamentos e funerais. Os ministros de tempo parcial também colaboram periodicamente na escala de pregação. Este ministro de tempo parcial é mais conhecido como pastor. (Logicamente esta é a visão da igreja, porque do ponto de vista do pastor, ele está sempre em alguma igreja do distrito; ele trabalha tempo integral, mas não para a sua igreja exclusivamente).

Outra diferença entre o ministro de tempo integral (líderes locais) e o ministro de tempo parcial (pastor) é que este último é assalariado.

"Portanto eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos. E quem cair sobre esta pedra será despedaçado; mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó. Os principais sacerdotes e os fariseus, ouvindo essas parábolas, entenderam que era deles que Jesus falava." S. Mateus 21:43-45.


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