Rio Grande/RS, Brasil, 14 a 17 de outubro de 2014



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13ª Mostra da Produção Universitária

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Rio Grande/RS, Brasil, 14 a 17 de outubro de 2014.


A ESCOLARIDADE DOS TRABALHADORES NEGROS DE PELOTAS ATRAVÉS DA DRT-RS (1933-1943)
OLIVEIRA, Ângela Pereira.

LOPES, Aristeu Elisandro Machado (orientador).

angelapoliveira2@gmail.com
Evento: Congresso de Iniciação Científica

Área do conhecimento: História Regional do Brasil
Palavras-chave: pós-abolição; escolaridade; negros.
1 INTRODUÇÃO
A presente pesquisa visa apresentar a escolaridade dos trabalhadores negros da cidade de Pelotas que atuavam no mercado profissional local nos anos de 1933 a 1943, utilizando como principal fonte as fichas de qualificação profissional destes trabalhadores. A ficha de qualificação profissional era preenchida no momento da solicitação da Carteira Profissional, posteriormente denominada de Carteira de Trabalho. Esta documentação compõe o acervo da Delegacia Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul (DRT-RS) que se encontra salvaguardado pelo Núcleo de Documentação Histórica (NDH) da Universidade Federal de Pelotas.

Domingues (2008, p.518) aponta que uma das bandeiras prioritárias de lutas dos movimentos negros era a defesa da educação. O objetivo principal buscado neste trabalho é entender como se encontrava a instrução educacional entre essa parcela do grupo de trabalhadores negros de Pelotas. Analisando a produção historiográfica sobre a Frente Negra Pelotense observamos, a posteriori, como destaca Loner (2009, p.255) que seus representantes lutavam contra a discriminação racial e buscavam, através da educação, capacitar os afrodescendentes a buscar uma melhor posição na sociedade.

Havia também uma demanda por incentivo a escolaridade deste grupo, nas notas do Jornal A Alvorada. Segundo Cardoso, em uma análise do negro no mercado de trabalho em âmbito nacional, “a maioria da sociedade negra era desqualificada e semi-analfabeta (2009, p.37)”. Através da pesquisa buscamos observar se tal situação é observada entre os negros da cidade de Pelotas.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
A concentração de negros em Pelotas, explica Loner (2005, p.02), foi devido à atividade charqueadora, que fez com que o contingente de trabalhadores negros fosse o maior grupo em disponibilidade para trabalhos braçais na cidade. Essa colocação dos trabalhadores negros no mercado profissional se estenderá por um longo período. E a falta de condições para a educação é um dos mecanismos que dão continuidade a essa posição de subalterno do negro no mundo do trabalho, por isso a necessidade de entender como o processo educacional entre os negros ocorreu. Como podemos observar através da autora referida acima, a concentração da população negra foi bastante significativa durante o Império e continuará a ser na República sendo de grande relevância para a composição da história da cidade, buscar reconstituir elementos desses grupos que deixaram poucos registros, como podemos notar na citação a seguir:

Os afro-brasileiros praticamente desapareceram campo construtores de sua própria memória, na medida em que deixaram pouco registro de sua passagem em instâncias de poder e locais de construção do conhecimento, embora fossem atores políticos. (SANTOS, 2009, p.86)


3 MATERIAIS E MÉTODOS (ou PROCEDIMENTO METODOLÓGICO)
Inicialmente foi realizada uma coleta de dados no Banco Digital da DRT-RS, utilizando o recorte da cor dos trabalhadores e da cidade no universo da pesquisa. Com os dados coletados se fez uma revisão bibliográfica da historiografia sobre trabalhadores negros no mercado capitalista pós-abolição e sobre as demandas dos movimentos negros da década de 1930, a fim de questionar a relevância da abordagem do presente trabalho.
4 RESULTADOS e DISCUSSÃO
Os resultados ainda são bastante iniciais, uma vez que a pesquisa encontra-se em estágio inicial. Entretanto, podemos destacar que o maior grau de instrução que encontramos nesse grupo é de grau primário sendo este predominante em relação ao número de analfabetos.


5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A dura realidade que os negros se confrontaram logo após a Abolição, marcada pela exclusão, discriminação e falta de oportunidade, conforme ressalta Loner (2005, p.17) também tem reflexos no ensino e consequentemente no entendimento sobre a história do trabalho e a colocação do negro enquanto mão de obra não qualificada.
REFERÊNCIAS
CARDOSO, Raul Róis Schefer. A inserção do negro na sociedade branca. In: SILVA, Gilberto Ferreira da; SANTOS, José Antônio dos. RS negro: cartografias sobre a produção do conhecimento. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2009, pp. 32-45.

DOMINGUES, Petrônio. Um “templo de luz”: Frente Negra Brasileira (1931-1937) e a questão da educação. Revista Brasileira de Educação [online], v.13, n.39, 2008, pp.517-534.

LONER, Beatriz Ana. A rede associativa negra em Pelotas e Rio Grande. In: Silva, Gilberto Ferreira da; SANTOS, José Antônio dos. RS Negro: cartografias sobre a produção do conhecimento. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2009. p.246-261.

LONER, Beatriz Ana. Antônio: de Oliveira a Baobad. II Encontro de Escravidão e Liberdade no Brasil Meridional. São Leopoldo: Oikos, 2005.



SANTOS, José Antônio dos. Intelectuais negros e imprensa no Rio Grande do Sul: uma contribuição ao pensamento social brasileiro. In: SILVA, Gilberto Ferreira da; SANTOS, José Antônio dos. RS negro: cartografias sobre a produção do conhecimento. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2009, pp. 83-99.


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