Rio Grande/RS, Brasil, 23 a 25 de outubro de 2013



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Rio Grande/RS, Brasil, 23 a 25 de outubro de 2013.


A EDUCAÇÃO PATRIMONIAL COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO DA HISTÓRIA LOCAL

PAIVA, Kênya Jessyca Martins

RIBEIRO, Ângela Mara Bento

Kenya.paiva@hotmail.com

Evento: Seminário de Ensino

Área do conhecimento: Ciências Humanas/ História

Palavras- chave: Memória; Casa de Cultura; Educação.
1. INTRODUÇÃO
O estudo dos bens patrimoniais da cidade de Jaguarão é o foco das ações do PIBID História que atua no Instituto Estadual de Educação Espírito Santo com o subprojeto Educação Patrimonial. O trabalho é realizado desde 2011, com diversas turmas de Ensino Fundamental, Médio e Educação de Jovens e Adultos. Sob a perspectiva de que o ensino da história local é essencial para a compreensão histórica do meio em que se vive, este texto decorre de um questionário realizado em 2012 com os alunos da escola supracitada, na qual, foram escolhidos por eles dez principais patrimônios da cidade. Cada bolsista ficou incumbido da tarefa de pesquisar um patrimônio, o meu foi à Casa de Cultura Pompílio Neves de Freitas e através da investigação dessa fonte pude ter subsídios para as intervenções com os alunos da 7ª série A.
2. MATERIAIS E MÉTODOS (ou PROCEDIMENTO METODOLÓGICO)
Para que possamos dialogar acerca dos patrimônios foi preciso antes de tudo, pesquisar os aspectos da história de Jaguarão para com isso situar os prédios considerados pelos órgãos IPHAE e IPHAN como patrimônio. Para tal, utilizamos a tese de Roberto Duarte Martins (2001) “A ocupação do espaço na fronteira Brasil-Uruguai: a construção da cidade de Jaguarão”, bem como os livros dos historiadores e memorialistas jaguarenses: Noeli Cechin (1999) “Jaguarão: ontem e hoje” e Eduardo Soares (2010) “Olhares sobre Jaguarão”. Após compreender as narrativas da história local, passamos a realizar o estudo do bem específico, através de jornais, encontrados no Instituto Histórico e Geográfico, fotografias, encontradas na própria Casa de Cultura, e principalmente através do uso da história oral. Devo ressaltar que o estudo da trajetória histórica do prédio que desde 1994 cedia a Casa de Cultura e agora também, a Secretaria de Cultura e Turismo- SECULT, não possui trabalhos históricos, tornando a pesquisa ainda mais desafiadora. Logo após a investigação, foi possível estabelecer as intervenções na escola, utilizando aulas expositivo-dialogadas com vídeos e dinâmicas interativas, provocando assim a reflexão dos alunos sobre as variadas percepções e sentidos que o ensino de História através da educação patrimonial nos proporciona.

3. RESULTADOS e DISCUSSÃO

Esta prática da pesquisa e do lúdico foi importante, pois assim auxiliamos os alunos a buscar conhecer a história local e dessa forma conhecer a sua própria história, compreendendo a formação e movimentação de memórias e identidades permeadas em diversos espaços. Nesse sentido, o uso de dinâmicas para fortalecer o contato entre as múltiplas narrativas históricas tornou a percepção de patrimônio distante da visão limitada de que patrimônios são os prédios antigos, como a maioria da turma escreveu em uma das atividades. Aos poucos, podemos observar o protagonismo dos alunos em se enxergarem agentes da história individual e coletiva, visto que, através de uma das dinâmicas realizadas, destacamos o uso das diversas fontes para escrever a história e eles próprios a relacionaram com o cotidiano, percebendo a pluralidade de produção cultural e histórica que realizam dia após dia sem se dar conta.


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
As atividades proporcionaram maior aproximação minha e dos alunos com as fontes históricas e suas diversas narrativas. Ainda há um desafio que é fazê-los entender as diversas faces que envolvem o patrimônio, fugindo desta que o apresenta muitas vezes sob um romantismo entediante sobre sua função histórica ou social. Para os próximos trabalhos com a turma, pretendo fomentar ainda mais a compreensão do uso e dos interesses políticos- unidos a explosão nessas últimas décadas do debate das questões patrimoniais por todo o Brasil.
REFERÊNCIAS:
CECHIN, Noeli Shiller. Jaguarão: ontem e hoje. Companhia Rio-grandense de artes gráficas- CORAG, 1999.
COSTA, Luciana de Castro Neves. Turismo e paisagem cultural: para pensar o transfronteiriço. Dissertação de Mestrado- UCS, 2011.
FURET, François. “Da história narrativa à história-problema” In: A Oficina da História. Lisboa: Ed. Gradiva, s/d 1975, p. 81-98.
INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN). Dossiê de tombamento do conjunto arquitetônico e paisagístico de Jaguarão. Ministério da Cultura: IPHAN, Porto Alegre, 2010.
MARTINS, Roberto Duarte. A ocupação do espaço na fronteira Brasil-Uruguai: a construção da cidade de Jaguarão. Tese. (Escola Técnica d’ arquitetura). Universidat politécnica deCataluña-Espanha, 2001.
POLLAK, Michael. Memória e Identidade Social. Estudos Históricos, vol. 5, n. 10. Rio de Janeiro: p. 200-212, 1992.
SOARES, Eduardo Álvares de Souza; FRANCO, Sérgio da Costa (org). Olhares sobre Jaguarão. – Porto Alegre: Evangraf, 2010.


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