Robbin era um homem fascinante. Mas em sua vida não havia lugar para o amor



Baixar 0.86 Mb.
Página6/12
Encontro21.07.2016
Tamanho0.86 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   12

CAPÍTULO XI

De pé junto à janela do saguão do aeroporto, Anna observou o grande avião manobrar vagarosamente rumo à plataforma.

Durante os últimos dias, convivera durante vinte e quatro horas com o nome de Robbin North, e agora acreditava ter se tornado menos vulnerável a ele. Conseguia pensar nele sem se abater, e até mesmo pronunciar seu nome sem nenhum tremor na voz.

No entanto, quando o viu subir a rampa acarpetada do setor de desembarque, sentiu um arrepio na espinha. Enganara-se mais uma vez ao pensar que permaneceria imune ao magnetis­mo de Robbin. Ela nunca conseguiria encará-lo como um pro­duto, cuja imagem precisava: ser vendida.

Na véspera, convocara toda a imprensa falada e escrita para uma entrevista coletiva, avisando que o assessor presidencial para assuntos do Congresso chegaria naquele vôo.

— Sr. North, há boatos de que pretende concorrer à cadeira que o senador Thorpe está deixando vaga — disse um repórter, reproduzindo informações que Anna espalhara cuidadosamente. — Esses rumores procedem?

— De onde surgiram esses boatos? — esquivou-se Robbin, sorridente.

— Então o senhor nega?

— Não posso confirmar nem desmentir algo que não passa de um boato.

Dito isso, ele caminhou em direção a Anna, que o observava. Vestia uma jaqueta esporte de tweed e calça de flanela, e car­regava nas mãos um impermeável estilo londrino e uma fina pasta de couro.

— Dê-me seus tickets de bagagem que pedirei a Larry para tomar conta das malas. Agora chame um táxi e me espere um minuto — disse Anna, começando a caminhar ao lado dele.

Robbin concordou com um gesto de cabeça.

— Sr. North, reside na Califórnia? — indagou outro repórter.

— Moro e nasci aqui.

— O senhor pensa em se candidatar ao Senado?

— Já tenho um bom emprego. Mais alguma pergunta?

— O que o trouxe à Califórnia, sr. North?

— Minhas férias.

Feliz, Anna o observava rir e brincar com os repórteres, res­pondendo às perguntas sobre o Congresso e sobre a posição do presidente em relação a certos assuntos, esquivando-se com facilidade das questões indiscretas.

Enfim alcançaram um táxi, e um fotógrafo bateu uma foto de Robbin virando-se, com um sorriso no rosto para acenar aos que ficavam, enquanto entrava no carro junto com Anna. Logo o táxi afastou-se da pequena multidão.

— Você se saiu muito bem — comentou ela, à medida que o táxi corria rumo ao centro de San Francisco.

— Qual será nossa programação? — perguntou ele, subi­tamente.

— Larry vai levar sua bagagem ao hotel, onde faremos uma rápida reunião. Há algumas decisões que precisam ser tomadas de imediato. Você vai se encontrar com o restante da equipe de publicidade amanhã cedo, em meu escritório. Marquei uma entrevista coletiva para anunciar a sua candidatura quando você for registrá-la na Justiça Eleitoral, na cidade de Sacramento. Nessa mesma noite fará uma palestra no Clube dos Jovens Eleitores.

— Em Sacramento?

— Não, aqui em San Francisco. Usa Barnard irá apresentá-lo aos membros do clube, num pequeno discurso.

— Usa? Quem é?

— A filha de Phil Barnard. Ela é membro do Clube dos Jovens Eleitores.

— Ah, sim... Não sabia que ela se interessava por política. Dando de ombros, Anna ficou em silêncio, admirando-lhe o perfil marcante. Um leve aroma de cigarro e menta mesclava-se ao perfume da loção pós-barba que ele usava, perturbando-a.

— Você tinha razão sobre a primavera de San Francisco — disse ele, de repente, apontando para um magnífico pomar.

— Mas ainda vamos ter mais inverno — murmurou ela num tom enigmático.

Pouco depois chegaram ao hotel, e Robbin começou a tomar algumas providências.

— Vou me registrar. Depois podemos esperar Larry no meu quarto.

— Mas Larry está com sua bagagem — argumentou ela, apreensiva com a perspectiva de ficar a sós com Robbin.

— E daí? Garanto que você estará segura no meu quarto...

— Tenho certeza disso, mas gostaria de tomar uma xícara de café.

Enrubescida; ela jogou os cabelos para trás e ajeitou a cor­reia da bolsa sobre o ombro, caminhando com determinação através do lobby. Robbin a seguiu rumo ao café. Depois de fazerem os pedidos, Anna retomou a conversa.

— No encontro de amanhã com a equipe, Larry vai querer discutir a imagem que nós projetaremos do nosso candidato. Mas antes de conversarmos a respeito quero dar algumas sugestões sobre a maneira como você deveria se vestir.

— É mesmo? Que há de errado comigo?

— Não fique chateado, Robbin. Nós somos muito informais aqui na Califórnia. Eu não usaria este paletó de colarinho fino, nem esta gravata estreita e escura.

— Sem dúvida, seria estranho se você os usasse.

— Estou falando sério, Robbin.

— Certo, certo... E por que não?

— Você pareceria aqui alguém da costa leste, alguém estra­nho, e isso daria aos seus inimigos um motivo para chamá-lo de oportunista.

— Não sou nenhum estranho aqui e nunca achei que minhas roupas fossem inadequadas.

— Em San Francisco ou em Los Angeles? Califórnia não é só o litoral, Robbin. As pessoas do vale e as das montanhas não são como as do litoral. Desconfiam dos que vêm da costa leste, e sua intenção é justamente ser o representante deles.

— Ah, imagine! Você deve estar inventando esta história!

— Os californianos são muito sensíveis às críticas do establishment do leste. Uma vez, eles mandaram um ator muito popular para o Senado, como provocação. Outra, foi um go­vernador ator que foi eleito. Um senador que eles elegeram era diretor de uma escola, de origem japonesa, muito brincalhão, que dormia todas as vezes que a sessão do Senado estava monótona.

— Está bem, está bem. Você está sugerindo que eu vista uma roupa de cowboy e saia por aí tocando violão?

— Muito engraçadinho. Você está pagando pelos meus conselhos, certo?

— Que tipo de roupa o senador Thorpe veste quando vai visitar o eleitorado?

— Nós vamos lhe mostrar alguns filmes da campanha elei­toral dele. É um elemento do subconsciente. Sabe como é, o eleitor vê o candidato vestido de modo impecável, à moda do leste, e vai decidir contra você sem nem saber por quê.

— Isso significa que agora você quer escolher minhas rou­pas, Katie — ele provocou-a, malicioso.

— Se for necessário...

Nesse instante Larry entrou no café e caminhou rapidamente na direção de ambos.

— Estou contente em vê-lo, Robbin — disse estendendo a mão num cumprimento. — Fiz o registro no hotel para você. Vamos subir para seu quarto. Aqui não dá para conversar.

Larry trouxera um aparelho de videocassete, e, quando os três chegaram ao quarto, um empregado do hotel já o havia acoplado à televisão, no hall do quarto. Assim que o funcionário se retirou, Larry colocou uma fita no aparelho.

Robbin tirou o casaco, afrouxou o nó da gravata, desabotoou os punhos da camisa e dobrou as mangas, antes de dirigir-se ao telefone. Adivinhando a intenção dele, Larry interveio.

— Já pedi uns drinques e canapés.

— Ótimo — concordou Robbin, abrindo a pasta e passando alguns papéis a Anna. — São anotações para meu primeiro dis­curso. Talvez amanhã possamos discutir a importância que eles têm para o modo de vida californiano...

Percebendo-lhe o tom sarcástico, Larry passou um olhar pers­picaz pela fisionomia de ambos, tentando adivinhar o que ia acon­tecer. Em seguida, pegou o controle remoto e juntou-se aos dois no sofá.

— Eu devia deixar o diretor de arte final da Barnard Associa­tes mostrar este vídeo a você, Robbin. Foi ele quem fez a mon­tagem a partir de uma idéia de Anna... Pronto? Reservamos espaço nos canais de tevê para mostrar isso em todo o Estado, logo após o anúncio de sua candidatura.

Em segundos, uma foto em preto e branco surgiu na tela da televisão. Nela, aparecia um garoto de uns dez anos de idade, um sorriso cativante nos lábios, agachado ao lado de um cão pastor alemão e com o braço ao redor do pescoço peludo do cachorro.

— Onde vocês conseguiram isso? — surpreendeu-se Robbin, endireitando-se no sofá.

Em resposta, Larry rodou o filme, dando lugar ao retrato do mesmo garoto com o uniforme de um time de futebol ameri­cano, o boné pendendo para trás, correndo pelo campo, suas feições demonstrando esforço.

— É o uniforme do meu primo — disse Robbin, de maneira abrupta. — Eu o substituí no time nesse dia aí porque ele estava gripado.

— E fez bonito? — brincou Larry.

As fotos se sucederam, todas sem movimento, embora uma série tirada no litoral desse a impressão de ação. Estava claro que se tratava de uma praia do sul da Califórnia, com um horizonte onde à esquerda aparecia uma cadeia de montanhas e à direita chegavam as ondas do Pacífico. A última foto mos­trava um pequeno Robbin num uniforme de escoteiro.

Por fim, tendo na tela uma foto atual de Robbin deixando a ala oeste da Casa Branca, um narrador dizia:

— "Um filho da Califórnia que venceu na vida. Vote em North: nele você pode confiar".

— Onde vocês conseguiram essas fotos? — insistiu Robbin.

— Liguei para sua mãe — confessou Anna.

— Vocês darão aos eleitores a impressão de que fui criado no sul da Califórnia...

— É essa a idéia — concordou ela, prevendo a irritação dele.

— Foi sua a idéia?

— Sim.

— Vocês estão insinuando algo que não é verdade. Só passei um verão aqui, com meus tios.



— Uma campanha é feita de ilusões, meu velho. Este filme aborda a questão que pode derrotá-lo, se não a combatermos de modo adequado. Talvez não faça diferença nas eleições prima­das, porque afinal de contas você é o herdeiro político do senador Thorpe, mas certamente irá influenciar em novembro. Devemos inundar o Estado com este comercial, assim que você registrar a candidatura. Daqui a alguns meses ninguém mais vai se perguntar se você é ou não um californiano de verdade.

— Não gosto disso, Larry.

— Mas eu gosto muito, Robbin! Anna resolveu nosso problema mais grave. Vamos eliminar esse aspecto negativo que certa­mente seria trazido à tona mais tarde.

— Não quero que ela use essa idéia.

— Creio que é tarde demais para deter os comerciais, Rob­bin. Manny já assinou os contratos com as tevês de todo o Estado. O filme ficou tão bom que dei ordens para que as cópias fossem distribuídas logo que estivessem prontas — disse Anna, escolhendo bem as palavras.

— Rescindam os contratos.

Por sorte alguém bateu à porta e Larry levantou-se para abri-la. Um garçom entrou, empurrando um carrinho com uísque, soda e gelo, além de várias travessas cobertas, retirando-se a seguir.

— Robbin, se você quiser me despedir... — começou Anna, quebrando o silêncio.

— E a mim também — disse Larry, de maneira inesperada.

— Diabos! Vocês vão me boicotar ameaçando pedir demissão toda vez que eu disser um não? Os dois vão continuar e escutem bem: não farei uma campanha cheia de truques sujos!

— Nós também não, Robbin. Reconheço que este filme é um recurso extremo, mas foi a única maneira que encontramos, para convencer os eleitores de que você não é um oportunista que veio de Washington só para se aproveitar da aposentadoria do senador Thorpe e da coincidência de ter nascido aqui.

— Muito bem. Talvez você tenha alguma razão ao me acusar de oportunista, Katie.

Sensibilizada com a nota de humildade que surgira na voz dele, Anna engoliu em seco, dominada por uma estranha onda de ternura.

— Nenhum político honesto pode realizar nada antes de ser eleito — argumentou Larry, aproveitando-se da hesitação do outro.

É tão importante assim?

— É vital, Robbin!

— Larry tem razão. Ademais, você veio muitas vezes aqui a fim de visitar seus primos, Robbin. Essas fotos não são falsas.

— Está bem. Mas não quero uma campanha cheia de truques, entendido?

Aliviados, Anna e Larry concordaram com um gesto de cabeça. No instante seguinte, o assessor político levantou-se, fazendo menção de se retirar.

— Vou deixar um filme com os comerciais mais bem-sucedidos de Thorpe. Talvez você queira dar uma olhada neles hoje à noite para discutirmos a respeito amanhã na Barnard — voltando-se para Anna, concluiu: — Kenheth me entregou o exem­plar da propaganda hoje. Dê uma olhada com Robbin. Preciso ir agora.

Assim que a porta se fechou, Anna viu-se sozinha com Robbin no quarto. Acontecera exatamente aquilo que ela tentara evitar!


CAPÍTULO XII

Sentindo-se mais vulnerável do que nunca ao forte magnetismo de Robbin, Anna tentou em vão desviar a atenção daquele físico atlético que se movia pelo quarto do hotel com a graça de um felino.

Quase em pânico, ela jogou para Robbin o envelope que Larry lhe entregara e voltou-se à procura da bolsa.

— Droga! Agora você foi longe demais, Katie — gritou Robbin, de repente, detendo-a.

Devagar, tentando ignorar as batidas aceleradas de seu cora­ção, ela se voltou para encará-lo.

— O que foi agora?

Com as feições transtornadas pela raiva, ele levantou o olhar do panfleto que tinha nas mãos.

— Você precisa ser muito petulante para me chamar de oportunista.

— Robbin, eu só estava me colocando no lugar do eleitor... Sei que você tem excelentes motivos para agarrar esta chance.

— Você me trouxe aqui para referendar decisões já tomadas por você, não foi? Fica me dizendo como devo me vestir, como se eu fosse uma marionete! Chegou ao ponto de ir procurar minha mãe e convencê-la a deixar você se apoderar dos meus álbuns de fotografia, para produzir um filme bastante discutí­vel. Suponho que conheça seu trabalho, Katie, mas não fui bem claro quando disse que não ia mudar o meu nome?

Sem ação, Anna examinou o exemplar de propaganda. No papel brilhante, impresso em letras garrafais, abaixo da atraen­te foto de Robbin, lia-se:

"ROB NORTH para senador da República: nele você pode confiar."

— Robbin, eu não...

Que adiantaria dizer que não fora a responsável por aquela mudança de nome? Era óbvio que Robbin nunca acreditaria nela.

— O slogan sim, mas...

Olhando fixamente para ela, Robbin rasgou a folha de papel ao meio.

— Robbin, por favor! Não tenho nenhuma cópia desse exemplar, e nem vi este ainda.

— Não precisa ver, porque ele não será usado — afirmou, picando o folheto.

Na certa, Larry autorizara o uso do apelido para agradar os homens que iam financiar a campanha. Ou então fora Phil que mudara o projeto antes de enviá-lo à gráfica. Provavelmente eles acreditavam que o nome de Robbin o derrotaria e que, uma vez impressa e distribuída a propaganda, ele teria que aceitar o nome Rob.

— Esta é a última palavra, Katie. Meu nome é Robbin, e nenhum diminutivo ou pronúncia diferente vai ser usado. Você irá escrever outro texto, e eu vou ditá-lo agora.

— Não se esqueça de que qualquer texto que você ditar, seja um discurso ou um mero comunicado à imprensa, terá de ser examinado por seu comitê eleitoral antes da impressão.

— Você quer dizer que eu não tenho controle sobre minha própria campanha?

— Você contratou Larry para administrá-la, e ele passou parte da responsabilidade para a Barnard Associates... Você se recusou a pedir meu afastamento, agora...

— Não torça minhas palavras, Katie!

— Você colocou sua imagem publicitária e a si mesmo em minhas mãos. Isso significa que minha equipe vai supervisionar não só o que for dito no material distribuído, como também suas palavras em público.

— Vão para o inferno! Estou pagando para ter o assessoramento de especialistas, mas não sou nenhum boneco para vocês ficarem manejando.

— Nosso trabalho é evitar que você cometa erros.

— Você e Larry me convenceram de que essa montagem ilusória das fotos é necessária, mas não vou aceitar nenhuma outra pressão do tipo! Você vai fazer em pedaços cada uma dessas propagandas e, de agora em diante, qualquer besteirinha que vocês produzirem sobre mim terá que contar com minha aprovação final!

De modo ameaçador, ele pousou as mãos sobre os ombros de Anna. Logo, porém, sua expressão transformou-se, assumindo um quê de infinita ternura e desejo.

— Robbin... — murmurou ela, com a voz trêmula de emoção.

O desejo que dominava o corpo de Robbin era tão evidente que se transmitia para Anna, fazendo-a arrepiar-se da cabeça aos pés. Sem se conter, ela ergueu um dos braços e pôs-se a acariciá-lo cegamente.

Num espasmo de desejo, ele a enlaçou pela cintura e pu­xou-a para si, ao mesmo tempo em que seus lábios deixavam escapar um gemido rouco.

Incapaz de sustentar as barreiras que construíra com tanto cuidado para que aquele momento não acontecesse, Anna cor­respondeu com ardor ao contato apaixonado daqueles lábios sensuais.

— Você jurou que nunca mais ia se envolver comigo — sussurrou ela, quando seus lábios se separaram.

— Mas nunca passou... Oh, Katie, quanto tempo nós perdemos...

Sem forças para resistir, ela deixou que as lágrimas escor­ressem por seu rosto e aconchegou-se no peito másculo. Tomando-a nos braços, ele a carregou da ante-sala para o quarto anexo.

Em seguida, colocou-a na cama e recomeçou a beijá-la, as mãos experientes explorando cada parte daquele corpo delicado, sem encontrarem nenhuma resistência.

Com a ajuda dele, Anna livrou-se da blusa e do blazer que vestia, deixando à mostra os seios arredondados que ele mordiscou e beijou até deixá-los intumescidos de desejo.

Incentivando-o a prosseguir naquela doce tortura, ela passou as mãos por sob o pulôver de lã e acariciou-lhe as costas musculosas.

— Você me deseja, Katie?

— Não tenho mais forças para resistir, Robbin.

— Mas por que resistir aquilo que nós dois queremos?

Apesar da consciência de que nada mudara, Anna já não podia voltar atrás. Seu corpo inteiro ardia, exigindo-lhe a con­sumação daquele amor incontrolável.

— Agi como um idiota em Washington. Ainda estava com raiva pelo que aconteceu quatro anos atrás e quis me vingar.

— E hoje?

— Hoje? Hoje quero fazê-la feliz de qualquer maneira, meu amor. Vou mostrar-lhe todas as maneiras de fazê-la feliz.

Dando pequenos beijos ao longo de seu pescoço, rosto e lábios, ele continuou, carinhoso:

— Quero te agradar e te amar durante a noite inteira. De­pois, vou fazê-la dormir nos meus braços...

Rindo baixinho, Anna respirou fundo. — E tomar café aqui? E levá-lo em meu carro até o escri­tório pela manhã? Acha que, como sua agente publicitária, eu faria isso? Teríamos sorte se já não houvesse um repórter lá embaixo, esperando para me ver atravessar a recepção do hotel.

— Aí você só precisaria se casar comigo, não?

— Isso não, querido!

Mal controlando as lágrimas, ela recomeçou a beijá-lo, abraçando-o de modo quase desesperado.

— Esperei tanto por isso, Katie, meu amor.

Nesse instante, a campainha do telefone ao lado da cama deixou os imóveis. Ao notar que Robbin não se movia, Anna fez menção de atender; no entanto, ele a deteve, baixando o fecho de sua saia.

— Seria Larry? — indagou ela.

— Que ele vá para o inferno.

— Não pode deixar de atendê-lo, Robbin. O telefone tocou mais de uma vez.

— Num momento desses posso deixar de atendê-lo tran­qüilamente.

— Se for ele no telefone, logo vai imaginar o que está o que quase aconteceu.

— E daí? Ele gostará de saber que vamos nos casar.

— Mas não vamos nos casar, Robbin... por favor...

— Como consegue negar essa mágica linda que existe entre nós, Katie? Você é feita de quê?

Deslizando as mãos pelas costas nuas de Anna, ele a apertou contra si, provocando-lhe um gemido rouco.

— Sou feita de amor, mas também de um pouco de bom senso e muita preocupação com sua carreira, além de um forte sentimento de autopreservacão — ela murmurou, com um sorriso hesitante.

O telefone tocou mais uma vez, e Robbin praguejou antes de atendê-lo.

— Sim? Como vai, Phil?

Empalidecendo, Anna engoliu em seco e agarrou rapidamente suas roupas.

— Você está aí embaixo? Larry acabou de sair, mas a srta. Elliott ainda se encontra aqui. Suba, o apartamento é o 1.215,

Segurando as roupas de encontro aos seios nus, ela correu para a toalete, pegando a bolsa no caminho. Com as mãos trê­mulas, vestiu-se às pressas e apagou do rosto os sinais das lá­grimas, penteando rapidamente os cabelos.

Um turbilhão de emoções conflitantes a paralisava. Nunca sentira um desejo tão grande por Robbin como a pouco, mas estava espantada diante da rapidez com que ele dominara a própria excitação, colocando em primeiro plano sua carreira política.

Precisava encarar a realidade e reconhecer que o casamento não servia para eles, e que um caso amoroso com Robbin no decorrer da campanha seria simplesmente impossível. A partir dali, a vida dele se transformaria num livro aberto, com deze­nas de repórteres seguindo-lhe cada um dos passos. Um caso amoroso provocaria fofocas em torno do nome dele e daria motivo a mentiras de baixo nível. Além disso, quanto mais se prolongasse aquele romance, mais dolorosa seria a despedida. A vida de Robbin era a política, e nela não havia lugar para mais nada.

Ensaiando uma expressão confiante diante do espelho. Anna dirigiu-se calmamente à ante-sala e acomodou-se no sofá, en­quanto Robbin abria a porta para Usa Barnard e o pai.

Muito elegante num conjunto de veludo preto, a jovem jogou os cabelos para trás, num gesto provocante.

— Bem-vindo de volta à Califórnia, senador — disse, sorrindo.

— Hum, com esses agrados você é capaz de conseguir qualquer coisa que deseja, Usa. Boa tarde, Phil.

Voltando-se para Anna, a jovem franziu a testa ao notar-lhe a palidez.

— Alguma coisa errada, srta. Elliott?

— Que tal você me chamar de Anna Kay? Senão eu me sentirei como se fosse sua tia, Usa.

Servindo-se de um drinque, Phil desviou o olhar para os pedaços de papel que se espalhavam pelo chão e, sem ignorar a tensão que pairava pela sala, indagou:

— O que aconteceu?

— Tivemos um pequeno desentendimento por causa da propaganda que Larry deixou. Contra minha vontade expressa, os cartazes foram impressos com o nome Rob North.

— Ah, foi isso? Larry e eu estávamos sendo bastante pres­sionados por um dos nossos financiadores...

— E você imaginou imprimir assim sem me consultar? — indignou-se Anna.

— Acho que foi Larry... Mas você estava em Washington, querida.

— Mas, Phil, você não... — começou ela, sendo interrom­pida por Robbin que percebera á manobra do publicitário.

— Eu tinha acabado de dizer a ela que quero que essa pro­paganda vá toda para o lixo, Phil. Desculpe-me por tê-la cul­pado, Katie.

— Katie? — repetiu Usa, surpresa.

— É Beckett quem quer que eu use Rob, não é? — conti­nuou Robbin, ignorando a interrupção. — Pois que ele vá para o inferno! Se não quiser continuar nos financiando, acharemos outro que o faça.

— Esse tipo de dinheiro não se encontra tão facilmente. E duvido que possamos ter outra propaganda pronta antes do registro da sua candidatura, North. A impressão geralmente de­mora mais tempo do que dispomos.

— Então contrate outra impressora.

— Providenciarei isso — disse Anna, encerrando a discussão.

— Nós viemos convidá-los para jantar conosco, sr. North — intrometeu-se Usa, insinuante. — Quero conhecê-lo melhor, antes de apresentá-lo ao Clube dos Jovens Eleitores na semana que vem. Papai disse que as coisas vão começar a acontecer tão rapidamente agora que você está aqui, que talvez não apa­reça outra oportunidade. Ficaríamos muito contentes se você viesse também, senhorita... ou melhor, Katie.

— Meu nome é Anna Kay, Usa. Obrigada pelo convite, mas tenho umas coisas para resolver antes da reunião de amanhã entre o sr. North e a nossa equipe.

Dito isso, ela levantou-se e pegou a bolsa, esforçando-se para ignorar o olhar de raiva que Robbin lhe lançava. Será que esperava que ela ficasse até depois de Phil e Usa partirem?

Reunindo todas as forças para resistir ao mudo convite de Robbin, ela correu até a porta, decidida a escapar dali antes que fosse tarde demais.

— Boa noite a todos — murmurou, saindo e fechando a porta a tempo de ocultar as lágrimas que lhe inundaram os olhos.






Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   12


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal