Robbin era um homem fascinante. Mas em sua vida não havia lugar para o amor



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CAPÍTULO XIII

Na manhã seguinte, Anna não se surpreendeu ao encontrar Usa Barnard na recepção da Barnard Associates. A garota con­versava de maneira animada com Charles e cumprimentou-a com um largo sorriso.

— Ontem, o sr. North sugeriu que eu também comparecesse à reunião, Anna Kay. Ele e papai acham que posso ser, eficiente na campanha, servindo de intermediária com os estudantes.

— Também acredito que você será uma ótima ajuda, Usa. Obrigada pela presença — retrucou Anna, pouco entusiasmada.

De fato, seria bastante útil se, após cada palestra de Robbin nas universidades, Usa canalizasse o entusiasmo da juventu­de, organizando pequenos comitês eleitorais entre os estudantes.

Nesse instante, a porta do elevador se abriu, fazendo surgir Robbin num elegante terno grafite. Observando-lhe a aparência descansada e bem-humorada, Anna deduziu que ele não passara a noite em claro como ela, rememorando as sensações provoca­das por cada toque dele em seu corpo.

Num súbito acesso de raiva, lançou um olhar enciumado para Usa, que o fitava com evidente admiração.

Dando um passo à frente, Phil Barnard apresentou-o ao res­tante da equipe e conduziu-os para a sala de reuniões.

No caminho, Charles aproximou-se de Anna e, apontando para Usa, cochichou-lhe ao ouvido:

— Por que não quer que ela trabalhe conosco? Cuidado para não se envolver com esse sujeito, querida... Ele é perigoso...

— Não seja bobo, Charles! De onde tirou essa idéia?

— Vamos jantar hoje à noite? — convidou ele, dando de ombros.

— Ótimo! Talvez seja a última noite que eu tenha livre até as eleições.

— Bem, realmente espero que não... Dito isso, ele sorriu e foi para sua sala.

Quando todos se instalaram ao redor da mesa, Anna fez a Kenneth um sinal. Pouco depois, a televisão foi ligada, come­çando a exibir aquele que seria o primeiro filme a ser mostrado na tevê.

No rosto daquele garoto que corria empolgado na partida de futebol americano, Anna vislumbrava os traços do Robbin que se sentava do outro lado da mesa. Estremecendo, lembrou-se de que, à tarde, deveria mostrar-lhe o apartamento que esco­lhera para ele alugar, num belo condomínio situado nas encostas da baía.

Sem dúvida, antes de irem ele a convidaria para almoçar, beberiam vinho e... Então ambos estariam a sós, num ambien­te aconchegante.

Sentindo as faces afogueadas, ela balançou a cabeça e esforçou-se para se concentrar no que Larry dizia.

— Nosso plano é cobrir o Estado com este filme de propa­ganda. Isso vai fazer com que Robbin se torne de imediato uma figura familiar, como um garotinho que as pessoas costu­mavam ver brincando na vizinhança.

Havia muitos detalhes a ajustar agora que Robbin encontrava-se em San Francisco, e a reunião estendeu-se por quase toda a manhã. Ao seu término, Usa aproximou-se de Anna e de Robbin, com os olhos brilhando de entusiasmo.

— Estou tão empolgada com a campanha! Se eu puder aju­dar de alguma forma...

— Na verdade, você pode ajudar, Usa. Por acaso tem a tarde livre? — interrompeu-a Anna, num impulso.

— Tenho, por quê?

— Eu planejava levar o sr. North para inspecionar um apar­tamento, mas tenho uma porção de outras coisas para fazer. Fica num condomínio afastado e pertence ao sr. Ramsdorff.

— Vai ser um prazer, Robbin! — exclamou Usa, empol­gada, — Vim no carro do papai, mas tenho certeza de que ele me deixará usá-lo.

— Então está tudo combinado — concluiu Anna, apressada. Divertido, Robbin a fitou de modo insinuante, fazendo-a enrubescer. Era óbvio que percebera a razão daquela manobra. Pouco mais tarde, porém, ao surpreendê-la conversando com Charles na recepção, a expressão dele mudou, sendo substituída por um misto de mágoa e desprezo.

Quando voltou para casa, perto das seis da tarde, Anna encontrou uma carta proveniente do México em sua caixa de correio. Depois de servir-se de uma taça de vinho, voltou para a sala, tirou os sapatos e acomodou-se no sofá, curiosa para saber as novidades que Rhonda lhe contava!
"Filhinha,

Arrependi-me de algumas das coisas que lhe disse quando estive em San Francisco. Você estava tão triste que senti vontade de protegê-la. Só agora percebi que quis lhe impor meus próprios valores. Apesar de ser minha filha, você não é igual a mim e pode perfeitamente adaptar-se à vida de esposa de um político. Se sua felicidade depender de Robbin, não hesite em aceitá-lo junto de si. Beijos."
Irritada, Anna amassou a carta e resolveu ir se preparar para jantar com Charles. Enquanto vestia um elegante blazer preto, saia de lã acinzentada e camisa de flanela, analisou que, embora amasse Robbin com todas as forças, jamais seria feliz ao lado dele, pois sempre estaria exigindo coisas que ele nunca poderia lhe dar... Por muito que tentasse, não conseguiria tornar-se mais importante do que a carreira política para aquele homem.

Uma hora mais tarde, pegando-a totalmente de surpresa, Charles lhe passou uma pequena caixinha aveludada. Intrigada, ela abriu o pequeno embrulho e quase caiu de costas ao deparar com um lindo anel de brilhante.

A última coisa que desejava era machucar Charles, mas sabia que não podia aceitar o presente como se ignorasse o verda­deiro significado daquela jóia.

— Charles, é maravilhoso, mas você ainda não me pro­pôs...

Nem estou propondo agora, querida. Apenas quis lhe provar que minhas intenções são sérias.

— Charles, você é muito especial para mim, no entanto...

— Calma! Você não pode responder não se eu ainda nem fiz um pedido, pode?

— Não, claro que não! Quando terminar a campanha... — Sei que apressei demais as coisas, Anna. Acho que quis forçá-la a tomar uma decisão antes do início das suas viagens com North. Ele é atraente demais e... Bem, quero que você me prometa que, quando tiver mandado North para Washing­ton, nós dois vamos tomar um avião até o México para visitar sua mãe e Steve.

— Combinado, Charles... Obrigada por sua compreensão.

Mas, mesmo que desejasse desesperadamente reavivar aquela ligeira chama que Charles lhe acendera dias antes de Phil encar­regá-la da campanha do antigo namorado, Anna não conseguiu sentir mais do que gratidão... Gratidão pelas atenções que Charles lhe dispensava, gratidão por ele não haver criado uma situação constrangedora com o pedido de casamento, gratidão por sua sensibilidade em não beijá-la... Um casamento, porém, não podia sustentar-se apenas sobre uma base de pura gratidão.

No dia marcado para Robbin registrar sua candidatura, Anna passou pelo escritório antes de partir para a cidade de Sacra­mento, localizada a duas horas depois de San Francisco.

— Pode datilografar estes comunicados à imprensa ainda hoje, Sybil? — indagou, entregando algumas folhas para a se­cretária.

— Claro! Puxa, hoje você caprichou, hein! Este conjunto ficou lindo.

— Obrigada. Bem, vou ver se consigo voltar antes das quatro da tarde.

— Larry irá com você?

— Não. Ele deve acompanhar Robbin na limusine. Irei na frente para checar os detalhes da entrevista coletiva que nosso candidato vai dar em frente ao prédio da Justiça Eleitoral.

— Ah, sim... — concordou Sybil, desanimada.

— Alguma coisa errada, Sybil?

— Não, nada. É que Larry esteve lá em casa ontem à noite...

— Eu não sabia que você estava saindo com ele.

— Pois é. Na verdade, acho que posso acabar gostando muito dele, mas desconfio que ele nunca mais vai me procurar.

— Por quê?

— Pattie estava em casa ontem à noite e também gostou bastante dele. Depois de um tempinho, sugeri a ela que descesse para ver o pai, enquanto eu e Larry nos conheceríamos me­lhor.

— E daí?


— Daí, Larry não ficou nada à vontade ao saber que o Carl morava lá embaixo, no porão.

— Oh, que lástima!

Sybil e o ex-marido haviam se casado muito jovens e, após doze anos, o casamento deles chegara a um fim amigável. Carl começara a sentir falta da liberdade de solteiro e não acompanhara o amadurecimento da esposa, que não se opusera à separação, desde que tudo se passasse sem efeitos traumáticos para a filha. Após algumas discussões, ambos chegaram a um acordo pouco usual, um acordo que poucas mulheres conseguiriam levar adiante.

Graças a isso, ela e o ex-marido dividiam a casa. Sybil e Pattie ocupavam a parte principal, e Carl morava num apartamento que ele próprio construíra para si, no porão. Desse modo, Pattie não perdera o contato com nenhum dos dois, e ambos tinham liberdade para levar suas vidas adiante.

"Todos os meus casos desaparecem quando descobrem que Carl mora bem ali embaixo", confidenciara Sybil a Anna, certo dia. "Mas tudo bem! Não ando preocupada em arranjar outro homem."

Lembrando-se desse comentário, Anna ponderou que Larry devia ser bastante importante na vida da amiga. De repente, porém, uma cena lhe passou pela cabeça, fazendo-a sorrir.

— No mínimo, Larry deve ter imaginado que Carl fosse aparecer com uma espingarda na mão a qualquer momento — brincou, e ambas riram.

— Sabe, acho que eu e Larry ficaríamos tão bem juntos, mas... Bem, é o fim de mais uma bela amizade.

— Duvido, Sybil — com uma piscadela maliciosa, Anna acrescentou: — Ele vai se lembrar das suas tortas de morango e, numa manhã de domingo qualquer, vai bater à sua porta.

— Oxalá!


Naquela noite, ainda vestindo o conjunto com que saíra pela manhã, Anna viu-se de pé na lateral do palco da Casa Maçônica, onde Usa Barnard apresentava Robbin à Associação dos Jovens Eleitores.

Alta e esbelta, com seios fartos, cintura estreita, cabelos e olhos negros, Usa não só era muito bonita, como se expressava com segurança e possuía uma presença marcante, o que des­pertou a atenção das equipes de tevê que filmavam o evento.

— Se continuar a nos ajudar, Usa vai ser um grande trunfo em nossa campanha — comentou Larry, observando o entu­siasmo com que a jovem falava.

— Sem dúvida — concordou Anna, com o olhar fixo na figura máscula de Robbin, que subia ao palco, acompanhado pelos entusiasmados aplausos da platéia.

Na manhã seguinte, o comitê iria reunir-se no escritório para assistir à gravação daquele primeiro debate e discutir a postura de Robbin, suas expressões faciais, o conteúdo do discurso e a entonação das falas. Assim, Anna procurou afastar a perturbação que ele lhe causava, concentrando-se em criticar a cena que se desenrolava à sua frente.

Dali para a frente, o ritmo da campanha seria frenético, com comícios gigantescos, apertos de mãos, palestras para diferentes tipos de platéias e mil outras atividades típicas de uma campa­nha eleitoral.

No dia seguinte, na hora do almoço, eles voariam para Los Angeles a fim de participar do jantar organizado pelos finan­cistas que apoiavam Robbin, em que cada convidado deveria contribuir com uma bela soma de dólares para auxiliar na campanha.

Depois, na outra manhã, Usa o apresentaria aos estudantes da maior Universidade da Califórnia, a UCLA. O restante do dia seria tomado por visitas relâmpago a diversas fábricas e sindicatos. Um cinegrafista iria acompanhá-los para filmar tudo, preparando o material que seria utilizado para avaliar a perfor­mance do candidato. Haveria ainda, em todos os locais, asses­sores e repórteres, além de um eficiente sistema de segurança coordenado por Larry, para proteger Robbin de qualquer inci­dente.




CAPÍTULO XIV

A palestra de Robbin para os estudantes da UCLA, em Los Angeles, rendeu-lhe quase tanto noticiário gratuito na televisão como sua fala para atores e atrizes de Hollywood, no fabuloso banquete que marcou o lançamento oficial da campanha.

Apesar disso, Robbin estava quieto quando todos se encon­traram em sua suíte no hotel, a fim de repassarem juntos os eventos do primeiro dia de campanha. Em compensação, Larry e Usa estavam eufóricos e mal se continham em si.

— As equipes de tevê adoram a Usa! — exclamou Larry. De fato, os noticiários haviam dedicado quase tanto espaço à apresentação que Usa fizera aos estudantes quanto à palestra de Robbin na noite anterior. Para completar, a garota parecia estar adorando o brilho das celebridades na noite anterior, o apoio entusiástico dos estudantes naquela manhã e até os asso­bios de admiração que os trabalhadores lhe dirigiam nas fábri­cas que haviam visitado.

— Qualquer dia desses ela ainda vai competir com aquelas estrelas de Hollywood — dizia Larry, incentivando a partici­pação de Usa.

— Sem dúvida, você é uma grande contribuição para nossa campanha — concordou Robbin, sorrindo à garota, antes de voltar-se para Anna, com uma expressão carinhosa no olhar. — E a Katie também.

Ele próprio estava parecendo um galã de cinema na noite. Vestido numa bonita camisa esporte que lhe realçava o peito atlético, Robbin estava mais atraente do que nunca.

— Formamos uma, bela equipe, North, e conseguiremos man­dá-lo para o Senado — afirmou Larry, otimista.

Mais ponderado, Robbin limitou-se a concordar com um gesto de cabeça, com o olhar fixo no rosto de Anna, que lutava contra o desejo de entregar-se à alegria geral, como se tivesse uma inexplicável obrigação de manter-se solidária ao sofrimento que sua mãe experimentara durante as inúmeras campanhas do falecido marido.

Num ritmo frenético, viajou com eles por alguns dias, diri­gindo e observando o desempenho de Robbin, antes de voltar ao seu quartel-general em San Francisco, de onde orientaria todas as operações da campanha. Um dos seus assessores encarregava-se de seguir na frente da comitiva, a fim de assegurar transporte e acomodação para o candidato e seus acompanhantes, enquanto outros cuidavam das bagagens, horários e outros detalhes. Não lhes sobrava tempo para pensar em nada, e só à noite podiam discutir sobre os eventuais sucessos ou fracassos do dia.

Assim que Larry voltou a San Francisco, Robbin e sua comi­tiva passaram a visitar os subúrbios e bairros afastados de Los Angeles, de onde prosseguiram em direção ao leste, estabele­cendo contato nas cidades localizadas no deserto da Califórnia.

Envolvida de corpo e alma na campanha, Anna incumbia-se de manter a imprensa informada sobre o itinerário de Robbin, ficando sempre alerta para protegê-lo de repórteres e cinegrafistas inconvenientes. No entanto, lidar com as mulheres que o apoiavam era um pouco mais difícil. Elas costumavam abordá-lo ao final de uma palestra, querendo tocá-lo e serem foto­grafadas a seu lado, ou, então, iniciavam longas conversas que comprometiam o restante da programação. Algumas mais jovens tentavam, inclusive, se insinuar para Robbin, obrigando Usa a intervir, pousando uma das mãos no braço dele de modo possessivo.

Temerosa de deixar transparecer seus verdadeiros sentimen­tos, Anna nunca se aproximava nessas ocasiões, reservando para si apenas o papel de lidar com a imprensa, tarefa na qual se saía bastante bem, angariando as simpatias dos repórteres, com seu jeito calmo e sempre bem-humorado.

Depois de algumas semanas, eles tomaram um avião para San Diego, onde Larry tornou a se juntar à equipe. Uma dele­gação local os esperava no aeroporto e levou-os a um hotel localizado no ponto mais alto da cidade, de onde se podiam avistar o porto naval e as inúmeras casas brancas que se espa­lhavam ao redor da baía. A beleza da paisagem, aliada ao cansaço acumulado, fazia com que todos se sentissem agradavelmente relaxados e descontraídos.

— Robbin, vamos até o zoológico do parque Balboa — suge­riu Usa, de repente.

— Mas o que faremos no zoológico? — indagou Robbin, divertido.

— Oh, por favor... É um dos meus lugares preferidos. Não há mal nenhum em darmos uma fugidinha de vez em quando.

— Hum, por que não? Afinal, lá é um lugar tão bom quanto qualquer outro para encontrarmos as pessoas e estabe­lecer um contato informal.

— De fato, não é má idéia — concordou Larry, depois de trocar com Anna um olhar significativo.

Pegando o telefone, Anna discou o número de uma rede de televisão local, requisitando cobertura para a visita do candi­dato ao zoológico.

— Queremos uma matéria sobre a candidatura do sr. North, mas nesse momento não dispomos de uma equipe para mandar até lá — retrucou o homem, do outro lado da linha. — Além disso, o zoológico já não é novidade. Fizemos dezenas de maté­rias lá, e todo visitante importante que vem a San Diego pede para ser entrevistado ali.

— Se eu conseguisse um cinegrafista free-lancer, você daria uma olhadinha no filme depois?

— Claro, claro! Se quiser, posso indicar um rapaz a quem sempre encomendamos matérias.

— Ah, seria ótimo.

Antes de desligar, Anna anotou o telefone que o outro lhe ditou e marcou para o dia seguinte uma entrevista do editor de política da tevê com Robbin.

Pouco depois, o pequeno grupo encontrou o cinegrafista em frente ao zoológico. Juntos, iniciaram a visita, parando aqui e ali para observar melhor um animal, brincar com alguma criança ou conversar com os pais. Mais uma vez o rosto atraente de Usa despertou a atenção, sendo constantemente focalizado pela câmera.

No pequeno ônibus que circulava ao longo do parque, a jovem fez questão de dividir seu banco com Robbin, deixando a Larry e a Anna a opção de se acomodarem lado a lado num banco traseiro.

Divertida com as manobras infantis que a garota fazia para monopolizar a atenção de Robbin, Anna resolveu não permitir que o incidente lhe estragasse o bom humor. E, percebendo o ar distante de Larry, perguntou:

— Como estava Sybil quando você deixou San Francisco?

— Quem? Ah, aquela... Não percebi que você falava da­quela cujo marido mora no porão da casa.

— Não sou muito a favor desses casamentos modernos, Anna.

— Eles são divorciados, Larry! E com o preço dos aluguéis em San Francisco, foi muito sensato não vender a casa.

— Sei...

— Carl construiu um apartamento bastante confortável no porão e totalmente separado da casa. Ele até leva os casos que arranja para lá.

— Que ótimo, não?

— Larry, não seja injusto!

Para ser franco, acho que ele fica disponível demais ali.

— Eles fizeram esse trato porque ambos amam muito a filha. Você mesmo disse que Sybil é uma mulher muito especial, lembra-se?

— Não tenha dúvida disso — afirmou, dando o assunto por encerrado.

A visita ao zoológico valeu a pena, porque o noticiário no­turno mostrou fragmentos do filme rodado, e Jim e Kenneth ficaram tão entusiasmados com a fita que acabaram fazendo uma das melhores propagandas da campanha.

Depois que Larry partiu, a pequena comitiva começou a per­correr a parte central da Califórnia em carros alugados. En­quanto viajavam, Robbin costumava ensaiar seus discursos e Anna redigia notas para a imprensa, informando sobre a pro­gramação do candidato e sobre o conteúdo dos discursos, além de elaborar relatórios que enviava a Larry e a Sybil.

Envolvidos nessas tarefas, os dois sentiam-se curiosamente próximos, compartilhando algo que apenas eles sabiam existir.

Phil e Eloise Barnard haviam pedido que Anna dividisse seu quarto com Usa, o que a colocava numa posição quase que de dama de companhia da garota.

Filha única, Anna acostumara-se à privacidade e desde os tempos de universidade não dividia seu quarto com ninguém. Por isso, começava a se aborrecer com a presença constante de Usa. Para piorar, além de tratá-la com uma deferência aborre­cida, a jovem ficava o tempo inteiro conversando sobre Robbin e suas chances de vitória.

Apesar disso, Anna estava determinada a manter o relaciona­mento num nível amigável. Entretanto, sua intenção foi por água abaixo quando Larry lhe mandou um bilhete, pedindo que ela se encarregasse de manter Usa fora do alcance das câmeras, pois a jovem estava roubando o espaço de North.

Intrigada, Anna telefonou para o assessor político.

— Qual é o problema, Larry? No início da campanha você a chamava de heroína. Agora quer que eu diga a ela para sumir de cena?

— A garota está formando um público próprio. Queremos as atenções voltadas para o candidato, não é? Fale com ela.

— Por-que eu?

— Porque é seu trabalho, querida.

Diante desse argumento, Anna não teve como retrucar e, na habitual reunião do fim do dia na suíte de Robbin, mostrou o bilhete a Usa.

— Não é culpa minha se eles me focalizam! O que Larry quer que eu faça? Que me esconda atrás de Robbin quando eles ligarem os flashes?

— Acho que é mais ou menos essa a idéia, querida.

— Isso seria injusto — disse Robbin, deslizando uma das mãos pelos cabelos. — Foi idéia de Usa visitarmos o zoológico de San Diego, e veja o aproveitamento que aquele filme teve.

— Não discuto isso —comentou Anna, magoada por vê-lo partir em defesa da outra.

— Bem, e então?

— Então aconselho Usa a deixá-lo ao alcance das câmeras. Queremos que os espectadores saibam quem está concorrendo ao Senado, não queremos?

— Claro — concordou a jovem, enrubescendo. — Não quero fazer nada que atrapalhe suas chances, Robbin.

— Você nunca faria isso, Usa. Continue mostrando seu char­me, que só pode ajudar.

Irritada com a maneira como Robbin defendia a jovem, Anna retirou-se para seu quarto e se sentiu na situação de uma mu­lher enciumada e rejeitada. Era uma injustiça!

A primeira semana de junho encontrou-os de volta a San Francisco, trabalhando duro nos diversos bairros da cidade durante os últimos dias antes das eleições primárias, que decidiriam quais candidatos representariam os maiores partidos na corrida final para o Senado.

Entre os cinco candidatos que concorriam dentro de seu par­tido, Robbin liderava. No partido adversário havia oito concorrentes, e os três favoritos estavam tão próximos um do outro que ninguém se arriscava a prever qual deles sairia vencedor.

— Espero que Robbin não precise concorrer contra MacGregor. Ele tem fama de fazer campanhas de baixo nível — dizia Larry a Anna.

Para os últimos dias, Anna planejou uma ofensiva de pro­paganda na televisão e enviou uma montanha de comunicados à imprensa, além de cartas para todos os filiados. Enquanto isso Usa retirou-se para a casa de campo dos pais, a fim de descansar.

O dia das primárias amanheceu belo, e Anna admirava o intenso azul do céu e da baía, ao mesmo tempo em que seu pequeno carro vermelho rumava para o centro da cidade, onde ela depositaria seu voto para Robbin.

Combinara de encontrar-se com um repórter nas proximida­des da secção onde o candidato votaria pela primeira vez como eleitor da Califórnia.

Ainda era cedo, mas várias pessoas viraram-se para observar o homem alto, vestido num elegante terno acinzentado, que descia diante de um dos prédios públicos requisitados para as eleições.

Se perdesse as eleições primárias, Robbin estaria fora do páreo, o que seria um verdadeiro desastre para sua carreira política. Como era proibido fazer campanha nas imediações da secção eleitoral, ele, Anna e o repórter não se demoraram de­pois das fotos em que Robbin aparecia com uma cédula de voto na mão.

— Quero passar o resto do dia livre. Onde podemos ir? — indagou ele, assim que se viu a sós com Anna. — Meu aparta­mento é muito visado... Você me levaria até o seu, Katie?

Consciente de que já não fazia sentido resistir à atração que sentia por ele, Ana hesitou um pouco. Então, decidindo que podia controlar-se, não permitindo que nenhum envolvimento entre eles acontecesse, respondeu:

— Siga meu carro até ter certeza de que nenhum repórter está atrás de nós. Vou parar na entrada do parque. Lá, você pode dispensar a limusine. Depois, eu o trarei de volta para a cidade.

Momentos depois, quando ele se acomodou a seu lado no pequeno carro, Anna partiu rapidamente em direção a seu apar­tamento.

Procurava concentrar-se na estrada, afastando os temores e as ansiedades que a assaltavam. Entretanto, não protestou no momento em que Robbin pousou uma das mãos em suas coxas, provocando-lhe um arrepio de excitação.


CAPÍTULO XV

Robbin entrou no apartamento atrás de Anna, e seu olhar percorreu todo o aposento, detendo-se no pôster de uma bela catarata.

— Muito agradável a sala, Katie. Sóbria o suficiente para o gosto de um homem, mas também com um toque de bom gosto feminino... É como você, original e agradável! — apontando para o pôster, indagou: — São as cataratas de Yosemite?

— Exato! É meu lugar predileto, exceto no verão.

— E que tal no outono? Podemos ir lá quando terminarem as eleições.

Empenhando-se por não esquecer que o término das eleições significava também a separação, ela retrucou:

— As cataratas são boas agora que a neve está derretendo.

— Infelizmente, agora é impossível nós irmos.

Num esforço para se libertar do desejo que começava a espa­lhar uma agradável languidez por seus membros, ela entrou na cozinha, tirou o paletozinho que vestia e colocou-o sobre um banco junto ao balcão. Atento aos mínimos detalhes, Robbin seguiu-a.

— Quer beber alguma coisa?

— Tem vinho?

Assentindo com um gesto, ela abriu o armário onde guardava os cristais e pegou duas taças.

— Tenho uma garrafa de vinho branco já aberta na gela­deira. Se você não se importar ...

— Está ótimo.

Com as mãos trêmulas, ela pegou a bebida e começou a servi-la nas taças que Robbin segurava. No entanto, ao notar que ele também tremia e parecia inseguro, sentiu o coração acelerar-se.

Devagar, Robbin depositou os copos e a garrafa sobre o bal­cão e levantou-a nos braços, sussurrando:

— Não é vinho o que eu quero. E você?

Antes que ela pudesse responder, os lábios másculos pou­saram sobre os dela, num beijo sensual.

Quando tornou a abrir os olhos, Anna viu-se em seu quarto, com as mãos fortes de Robbin percorrendo-lhe o corpo com avidez.

De modo lento, ele a despiu, deliciando-se em tocar cada pedacinho de sua pele aveludada. Estremecendo da cabeça aos pés, Anna o envolveu pela nuca e recomeçou a beijá-lo, ao mesmo tempo em que arqueava os quadris contra as coxas musculosas, num convite insinuante.

Deixando escapar um gemido abafado, ele a levou até a cama e tirou a própria roupa, deitando-se a seu lado. Então inclinou-se e, com a ponta da língua, traçou um rastro de fogo por seu pescoço e seios, descendo até as coxas bem torneadas antes de deter-se no ventre macio, numa carícia alucinante que a fez perder o autocontrole.

Entregue à excitação que lhe dominava cada célula do corpo, Anna debatia-se sob ele, ansiosa por retribuir o prazer que Rob­bin lhe proporcionava. Quando a sentiu estremecer, ele voltou a se inclinar e pousou os lábios sobre seus seios, mordiscando-lhe de leve os mamilos intumescidos.

— Robbin, por favor... — gemeu ela, invertendo as posições. Na seqüência, começou a depositar pequenos beijos no corpo musculoso, recoberto de macios pelinhos negros, detendo-se aqui e ali para descrever pequenos círculos com a ponta da língua.

— Katie, você me enlouquece — sussurrou, puxando-a de volta para si e dominando-lhe os lábios com um beijo cheio de paixão.

Pouco depois, seus corpos se uniam, iniciando um harmônico bale que os levou ao êxtase.

Minutos mais tarde, aninhada no peito másculo de Robbin, ela soltou um suspiro profundo, e uma deliciosa languidez en­torpeceu-lhe os membros.

— Sempre imaginei vê-lo aqui — murmurou.

— Na sua cama?

— Sim, na minha cama. Você sabe disso, não?

— Agora não quero sair daqui nunca mais.

— É proibido pensar sobre o amanhã — ela retrucou, pou­sando um dedo sobre os lábios dele.

— E quem proíbe?

— O deus dos amantes.

— Mentira... Eros jamais fez uma proibição dessas. Após isso, beijou-a de maneira carinhosa, revivendo a chama de paixão que logo os faria atingir o clímax pela segunda vez.

Os braços de Robbin a envolviam de maneira protetora quan­do Anna foi acordada pelo toque insistente da campainha do telefone.

Certificando-se de que ele continuava adormecido, fez men­ção de levantar-se para verificar quem telefonava, mas foi im­pedida por um abraço apertado, seguido de um beijo suave.

— Falei que não haveria telefonema hoje... Portanto, você não escutou nada, certo?

— Certo... Ai, estou morrendo de fome.

— Calma... Primeiro vamos tomar uma ducha.

No boxe, com a água morna escorrendo por seus corpos, eles se ensaboavam mutuamente, transformando o banho num mo­mento sensual.

Acariciavam-se num misto de desejo e ternura, preocupados em descobrir e criar novas formas de se tocarem. Por fim, a excitacão chegou a um limite máximo, e os dois se amaram sob o chuveiro.

Mais tarde, vestidos em confortáveis robes atoalhados, diri­giram-se abraçados à cozinha.

— Sempre guardo ovos e bacon na geladeira... Que tal uma omelete?

— Por mim está ótimo. Não é incrível a sensação de poder se desligar de tudo? Foi exatamente isso que o médico me recomendou...

— O quê? Uma vida de casado?

— Katie, o que espera que eu diga? Que a peça em casa­mento? Eu me casaria com você amanhã mesmo.

— É proibido falar sobre o amanhã, lembra?

— Meu amor, sabe que precisamos um do outro.

— Está saindo uma omelete! Por favor, pegue duas bandejinhas daquelas para mim.

Meneando a cabeça, ele não insistiu no assunto e seguiu-a até a sala, onde se instalaram diante da televisão, a fim de assistir aos flashes jornalísticos sobre a eleição.

— Espero que MacGregor não ganhe a indicação do partido dele — disse Robbin, ao ver a imagem de um homem baixo e robusto, fazendo o V da vitória diante das câmeras, antes de entrar na cabine de votação.

— De acordo com Larry, ele seria um adversário duro de roer.

— Eu sou um adversário duro, só que jogo limpo. De MacGregor podemos esperar bastante trapaça, a nível pessoal.

— Em todo caso, ele é temperamental, e isso mais atrapalha do que ajuda.

Nesse instante, o telefone recomeçou a tocar, e Arma refle­tiu em voz alta:

— Alguém notou que desaparecemos e juntou as peças...

— E daí?

— Contanto que não seja alguém da equipe de MacGregor...

— Há uma maneira fácil de se livrar dos fuxicos. Não me incomodaria de secar louças a vida inteira.

— Um senador dos Estados Unidos enxugando pratos?

— Eu também cozinho.

— E foge do assunto! Quantas vezes um senador janta em casa?

— Ora, nada impede que façamos nossas próprias regras.

— Não quero discutir isso agora.

— Ouça, querida, já sei que você me ama e vou continuar a pedi-la em casamento.

— Por favor, vamos deixar esse assunto para depois das eleições.

— Que eleições? As primárias?

— Robbin, não estrague um dia tão maravilhoso. Quantas ocasiões iguais a esta teremos se você for para o Senado?

— Sei que não seria nenhum paraíso, Katie. Mas, caso eu não seja indicado nas eleições de hoje, você se casa comigo amanhã?

— E você me responda outra: se não for eleito hoje, vai desistir de vez da política?

— Ora, Katie!

— Tudo bem, já entendi.

Nesse instante, o telefone recomeçou a tocar e Anna atendeu-o.

— Oi, Anna — disse Usa do outro lado da linha. — Eu e Larry passamos o dia inteiro à procura de Robbin. Sabe onde ele está?

— Não faço a menor idéia, mas fiquei de me encontrar com ele mais tarde para levá-lo ao comitê. Vocês estarão lá?

— Sim, mas...

— Ótimo! Então nos veremos mais tarde.

Quatro horas depois vinha a público a notícia da vitória de Robbin nas eleições primárias que indicavam o candidato de seu partido.

Reunidos no comitê central, os colaboradores da campanha foram tomados pela euforia, todos ansiosos por se acercarem de Robbin e cumprimentá-lo.

Um pouco afastada daquela pequena multidão, Anna observava a cena, dividida entre diferentes emoções. Por um lado, tinha medo de entregar-se à alegria e comemorar. Em compensação, não podia negar que estava satisfeita com o resultado.

De repente, Larry e Sybil aproximaram-se, arrancando-a de suas divagações.

— O trabalho está apenas no começo, querida — disse ele, dando em Anna um abraço carinhoso. — Tenho quase certeza de que Ian MacGregor será o adversário de North.

— Ah, essa não!

Pouco depois o silêncio tomou conta do salão e, sobre um palco improvisado, Robbin levantou o braço começando a falar:

— Meus amigos e colaboradores, a vitória que me propor­cionaram hoje, com seu esforço e lealdade, significa a oportu­nidade de lutar no Senado americano pela construção de uma sociedade melhor e mais justa. Com a ajuda de vocês, vencerei em novembro também, e poderemos continuar a obra do sena­dor Thorpe. Só não devemos esquecer que o trabalho apenas iniciou...




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