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Análise Custo/Volume/Lucro aplicada em empresa de pequeno porte: estudo de caso em indústria de sorvetes


Rodney Wernke

Marcelo Meurer

Reginaldo M. Bitencourt

Brasil


Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL

rodneyw@unisul.br



Palavras-chave: Análise Custo/Volume/Lucro, Pequena Empresa, Aplicação.

Tema do trabalho: Modelos de Gestão Contábil para Pequenas e Médias Empresas.


Recursos Audiovisuais: Retroprojetor ou projetor multimídia.

Análise Custo/Volume/Lucro aplicada em empresa de pequeno porte: estudo de caso em indústria de sorvetes

Palavras-chave: Análise Custo/Volume/Lucro, Pequena Empresa, Aplicação.

Tema do trabalho: Modelos de Gestão Contábil para Pequenas e Médias Empresas.


Resumo: O artigo relata estudo de caso em que foi efetuada uma Análise de Custos/Volume/Lucro numa empresa de pequeno porte que produz e comercializa alimentos congelados (picolés e sorvetes). Evidencia os procedimentos necessários para realizar tal análise e as informações de cunho gerencial provenientes da pesquisa.




  1. - INTRODUÇÃO

As pequenas empresas têm grande importância social no Brasil, principalmente pelo aspecto de geração de empregos, como atestam diversas estatísticas. Contudo, díspares estudos revelam também que as empresas desde porte costumam encontrar dificuldades para superar um ano de existência e muitas deixam de existir com poucos meses de funcionamento.

Vários fatores podem ser apontados como causadores desta realidade e dentre estes pode ser mencionada a pequena utilização de técnicas de gerenciamento consistentes. Quer por desconhecimento, quer por preconceitos quanto ao grau de dificuldade para implementá-las, poucos são os empresários que empregam nas suas micro e pequenas empresas ferramentas como a Análise Custo/Volume/Lucro (CVL).

Porém, ao contrário do que possam pensar tais empreendedores, os conceitos necessários ao adequado entendimento da Análise de Custo/Volume/Lucro são relativamente fáceis de serem compreendidos, bastando apenas um conhecimento contábil mínimo. Suas vantagens em termos da oferta de informações gerenciais são inegáveis e todo gestor deveria conhecer em profundidade os conceitos que a mesma abrange. Se adequadamente utilizadas, a Análise CVL pode constituir-se de importante subsídio aos administradores, fundamentando decisões corretas e em bases técnicas confiáveis, reduzindo ou minimizando os riscos inerentes ao processo decisório cotidiano.

Em função de tal importância, este artigo objetiva demonstrar a aplicabilidade desta técnica numa empresa de pequeno porte que fabrica e comercializa alimentos congelados (picolés e sorvetes). Para tanto, inicialmente são apresentados brevemente os conceitos da Análise Custo/Volume/Lucro que foram empregados no estudo de caso ora relatado. Posteriormente, descrevem-se os procedimentos realizados e os resultados obtidos, bem como as informações de cunho decisorial que puderam ser alcançadas por intermédio da metodologia empregada.

2 - CONCEITOS UTILIZADOS (REVISÃO DA LITERATURA)


No estudo de caso realizado foram empregados os conceitos relacionados com a Análise de Custos/Volume/Lucro, que são enfatizados neste tópico.

Kaplan e Atkinson (1989) mencionam que diversas decisões gerenciais requerem a análise atenta do comportamento de custos e lucros em função das expectativas do volume de vendas. No curto prazo (menos que um ano), a maioria dos custos e preços dos produtos da empresa, podem, em geral, serem determinados. A principal incerteza não está relacionada com custos e preços dos produtos, mas com a quantidade que irá ser vendida. A Análise de Custo/Volume/Lucro aponta os efeitos das mudanças nos volumes de vendas na lucratividade da organização.

Horngren et al (1999) citam que a Análise de Custo/Volume/Lucro é uma das mais básicas ferramentas de avaliação utilizadas pelos gerentes. Esta análise examina o comportamento das receitas e custos totais, dos resultados das operações decorrentes de mudanças ocorridas nos níveis de saídas (vendas), de preços de venda, custos variáveis por unidade ou custos fixos. Em geral, os administradores usam esta análise como uma ferramenta para ajudá-los a responder questões que envolvam expectativas quanto ao que acontecerá com o lucro se houverem modificações nos preços de venda, nos custos e no volume vendido.

A Análise Custo/Volume/Lucro abrange os conceitos de Margem de Contribuição, Ponto de Equilíbrio e Margem de Segurança. O conceito de Margem de Contribuição que consta da obra do CRC-SP (2000) menciona que esta representa o valor com que cada unidade de um produto fabricado e comercializado contribui para cobrir os custos de operação (fixos) da empresa. Obtém-se, portanto, a Margem de Contribuição pela dedução dos custos diretos (ou variáveis) do valor de venda.

Quanto ao Ponto de Equilíbrio, De Rocchi (1997) argumenta que este é definido como o nível de atividade no qual o valor das vendas totais iguala os custos totais, e a entidade não forma lucros nem sofre prejuízos. O Ponto de Equilíbrio é, portanto, o volume de operações que gera rédito nulo.

Em relação à Margem de Segurança, Bornia (2002) aduz que consiste no excedente das vendas da empresa sobre as vendas no ponto de equilíbrio. Conseqüentemente, representa o quanto as vendas podem cair sem que haja prejuízo para a empresa.

A seguir comentam-se os principais aspectos do estudo de caso em lume.


  1. - ESTUDO DE CASO

As próximas seções evidenciam o estudo de caso realizado numa empresa que comercializa alimentos congelados, onde efetuou-se a aplicação dos conceitos pertinentes à Análise Custos/Volume/Lucro com o intuito de obter informações gerenciais. Neste sentido, são apresentados os procedimentos executados para obter os dados necessários, os cálculos pertinentes à análise efetuada e as informações oriundas da pesquisa.




    1. - Descrição da empresa estudada

O estudo ora relatado ocorreu numa empresa que tem como atividade principal a produção e comercialização de alimentos congelados. Adotando o nome de fantasia Reran Sorvetes, tal entidade está situada na cidade de Armazém (sul de Santa Catarina), distante aproximadamente 200 km de Florianópolis.

Pelas suas características pode ser considerada uma micro-empresa, contando com o trabalho dos dois sócios e de apenas um funcionário, ocupando área física de apenas 81(oitenta e um) metros quadrados. A produção abrange um rol de cerca de quarenta produtos distintos, dispersos nas linhas “Picolés”, “Sorvetes”, “Potes 2 litros”, “Potes 750ml” e “Potes 10 litros”.

A seguir são apresentados os procedimentos executados para efetuar a análise de custos visada.




3.2 - Procedimentos realizados
Para executar a Análise de Custos/Volume/Lucro desejada foram empregados procedimentos visando o levantamento dos dados necessários. Nesta direção, após exame dos controles internos e de entrevistas com os responsáveis pelos setores da empresa, foram coligidas as seguintes informações:

  1. custo de compra das matérias-primas;

  2. consumo de cada matéria-prima por unidade de cada tipo de produto fabricado;

  3. custo total com matérias-primas por unidade de cada produto;

  4. determinação dos percentuais incidentes sobre o preço de venda, como tributos, comissões etc;

  5. obtenção dos preços de vendas praticados por produto comercializado.

Em seguida, passou-se ao cálculo dos fatores envolvidos na Análise CVL, ou seja, calculou-se a margem de contribuição unitária dos produtos, a margem de contribuição total em função do volume mensal comercializado, o ponto de equilíbrio (em unidades e em valor) e a margem de segurança.

As seções seguintes abordam os detalhes das etapas seguidas para a conclusão do estudo.




3.2.1 - Cálculo do custo de compra das matérias-primas

O cálculo do custo da matéria-prima fundamentou-se nos valores consignados nas notas fiscais de compra das mesmas. Para obter o valor de custo de cada matéria-prima foi considerada a equação constante da figura 1.



(+) Custo na NF (valor da mercadoria)

(-) Impostos recuperáveis fiscalmente

(+)Impostos não recuperáveis fiscalmente

(-) Descontos obtidos (incondicionais)

(+) Fretes, seguros e outros

(=) Custo de compra

(/) Quantidade comprada

(=) Custo unitário de compra


Figura 1 – Custo unitário de compra


Em função das características jurídicas da empresa pesquisada nem todos os fatores da equação acima foram empregados. Por exemplo: uma caixa com 25 kg do insumo denominado “Liga Neutra” é comprada por R$ 109,00. Contudo, sobre tal produto não incidem impostos recuperáveis ou não recuperáveis, bem como não há o gasto relativo ao transporte do material (frete). Logo, o custo unitário é R$ 4,36 (R$ 109,00 / 25 unidades).

Após determinar o custo de compra do rol de matérias-primas envolvidas na fabricação, passou-se à coleta de dados relativos ao consumo destes materiais pelos diversos produtos fabricados. Tal procedimento é enfocado na próxima seção.



3.2.2 - Consumo de matérias-primas por unidade fabricada
A quantidade consumida de insumos por unidade produzida foi obtida pela ficha de formulação do produto (também conhecida na empresa como “receita”). Tal informação já constava dos controles internos da empresa, o que facilitou o trabalho de coleta para os responsáveis pela pesquisa.

Para facilitar o entendimento, reproduz-se na figura 2 as quantidades de matérias-primas utilizadas na produção de um picolé de fruta.




Insumo Unidade Quantidade por produto

Açúcar ................................ kg .................. 0,011607

Liga Neutra ........................ kg ................... 0,000357

Cristalizado ........................ kg .................. 0,000535

Água.................................... lit. ................. 0,053571

Palito .................................. pç .................. 1,0

Caixa de Papel Pic ............. pç .................. 0,03400

Saquinho Bopp .................. pç .................. 1,0





Figura 2 – Consumo de materiais por unidade


Obtido o custo das matérias-primas envolvidas e o consumo exigido pela produção de uma unidade, calcula-se o custo total de matérias-primas. Tal procedimento é descrito no tópico seguinte.


3.2.3 - Determinação do valor do custo total com matérias-primas
Na seqüência do estudo realizado foi calculado o valor total que cada unidade de produto consome de matérias-primas. Para determinar o custo unitário de matéria-prima de cada produto fabricado, multiplicou-se a quantidade de matéria-prima (item “a” da tabela 1) pelo seu custo unitário de compra (item “b” da tabela 1), conforme exemplificado na tabela 1.

Matéria-prima

Quantidade (a)

Custo Unitário (b)

Custo total (a x b)

Açúcar

0,011607

1,190000

0,013812

Liga neutra

0,000357

4,360000

0,001557

Cristalizado

0,000535

10,80000

0,005778

Água

0,053571

0,002440

0,000131

Palito

1,000000

0,004300

0,004300

Caixa de Papel

0,432000

0,034000

0,014688

Saquinho Bopp

1,000000

0,030000

0,027500

Custo total







0,067766

Tabela 1 - Custo unitário de fabricação - Picolé de fruta
Conforme verifica-se pelo exemplo acima, um picolé de fruta custa R$ 0,067766 em termos de matérias-primas envolvidas no processo de fabricação.

Posteriormente, passou-se a coligir informações sobre os preços e quantidades vendidas do mix ofertado pela empresa estudada, conforme enfocado nas próximas seções.




3.2.4 - Preços de venda praticados e percentuais incidentes
Os preços de venda praticados são influenciados pelo custo de matéria-prima, complexidade de produção e mercado consumidor. Picolés de produção simplificada, como os picolés de frutas, são vendidos por R$ 0,27. Por outro lado, picolés cremosos, que necessitam de matérias-primas mais caras têm preços de venda maiores (em torno de R$ 0,35). Além disso, para produtos mais elaborados o preço pode atingir até R$ 1,00 (como é o caso do picolé “Rerano”), enquanto que na linha de sorvetes, um pote de 10 litros é vendido por R$ 22,00. Tais dados foram obtidos na lista de preços praticados pela empresa pesquisada.

Para obtenção da Margem de Contribuição é necessário considerar no cálculo os percentuais incidentes sobre o preço de venda. Pela configuração jurídica atual a empresa é tributada pelo regime “Simples” (legislação tributária específica para micro e pequenas empresas), enquadrando-se na faixa mínima de contribuição 3% (três por cento).

Em função da estruturação comercial vigente na entidade pesquisada não há o pagamento de comissões sobre vendas. Verificou-se também, que não existem outros fatores (percentuais) incidentes sobre o faturamento.

Com os dados já disponíveis, foi executado o cálculo da margem de contribuição, mencionado no próximo tópico.


3.3 - Cálculo da Margem de Contribuição (unitária, percentual e total)



Como mencionado anteriormente a Análise Custos/Volume/Lucro envolve principalmente os conceitos de margem de contribuição, ponto de equilíbrio e margem de segurança. O ponto de partida é a determinação do valor da margem de contribuição e a forma como realizou-se tal cálculo é exemplificada na tabela 2.




Preço de Venda por unidade R$ (a)

0,27000

Custo de Matéria-prima por unidade R$ (b)

0,10027

Percentuais incidentes s/ Preço de Venda R$ ( c = a x 3%)

0,00810

Margem de Contribuição em R$ por unidade (d = a - b- c)

0,16163

Margem de Contribuição Percentual por unid. (e=[d/a] x100)

59,86 %

Unidades vendidas por mês (f)

2 870

Margem de Contribuição Total R$ (g=d x f)

463,89


Tabela 2- Cálculo da margem de contribuição - Picolé de fruta

Ou seja, para obter o valor da margem de contribuição unitária de todos os produtos (item “d” da tabela acima), do preço de venda (item “a”) foi deduzido o custo de matérias-primas (item “b”) e o valor dos percentuais incidentes sobre o preço de venda unitária de cada mercadoria (item “c”).

Em seguida, dividiu-se a margem de contribuição unitária em reais (item “d”) pelo preço de venda do produto (item “a”) para estipular a margem de contribuição percentual (item “e”).

Ainda, foi calculada a margem de contribuição total em reais, que significa o quanto cada produto gerou de margem de contribuição no período em virtude do volume vendido. Tal informação é obtida pela multiplicação das unidades vendidas (item “f”) pela Margem de Contribuição unitária em reais (item “d”). Neste cálculo foi considerado o volume de vendas efetivo no período de pesquisa.


Por questão de espaço, apenas foi exemplificado cálculo da margem de contribuição de um produto. Entretanto, a margem de contribuição total, englobando todos os produtos comercializados pela empresa no período de estudo, foi de R$ 5.858,29 (cinco mil oitocentos e cinqüenta e oito reais e vinte e nove centavos). Para tanto, o volume total de vendas no período pesquisado foi de 11.445 (onze mil quatrocentos e quarenta e cinco) unidades). Com isso, o picolé de frutas exemplificado na tabela 2 representa 7,92% da margem de contribuição total e 25,08 % das vendas em unidades do período.

Após obter os valores relativos à margem de contribuição, passou-se ao cálculo do ponto de equilíbrio, conforme enfocado na próxima seção.

3.4 - Determinação do Ponto de Equilíbrio (unitário em R$ e unitário em unidades)
A determinação do ponto de equilíbrio em unidades, para um “mix” de produtos é dividida em duas etapas. Primeiro é necessário encontrar o ponto de equilíbrio total, obtido pela fórmula mencionada na figura 3.

Custos Fixos

PE Unid Mix = ------------------------------------------

( ∑ MCUi x Xi ) / (∑ Xi)

Figura 3 – Fórmula do Ponto de Equilíbrio Mix em unidades


As variáveis envolvidas na referida fórmula são:

  1. custos fixos: neste considera-se os custos fixos (gastos que não variam em função do volume produzido) da empresa no período abrangido. Saliente-se que neste estudo de caso, para efeito de simplificação, foram considerados como custos fixos fatores que, ao rigor da literatura, poderiam ser enquadrados como despesas. Entretanto, tal procedimento não prejudica a análise desenvolvida. O levantamento realizado evidenciou que empresa estudada gasta, em média, o montante de R$ 2.515,00 (dois mil quinhentos e quinze reais) neste quesito. Tais valores são oriundos de rubricas como “Salários”, “Pro labore”, “Energia Elétrica”, “Água”, “Assinatura de Periódicos”, “Telefone”, “Combustíveis”, “IPTU”, dentre outros fatores;

  2. MCUi x Xi : neste item insere-se o somatório (∑) valor da margem de contribuição total do período, onde “MCUi” significa “Margem de contribuição unitária de cada produto” e “Xi” representa a quantidade vendida de cada produto. Assim, multiplicando “MCUi” por “Xi”, encontra-se a Margem de Contribuição Total em reais;

  3. Xi: significa o somatório (∑) do volume vendido no período (Xi).

Considerando os dados coletados, para a empresa em estudo o PE Unid Mix foi calculado conforme a figura 4




Custos Fixos R$ 2.587,00

PE Unid Mix = --------------------------------- = ------------------------------------ = 5.054 unid.

( ∑ MCUi x Xi ) / (∑ Xi) R$ 5.858,29 / 11.445 unid.





Figura 4 – Cálculo do Ponto de Equilíbrio Mix em Unidades da Empresa Pesquisada

Obtido o número total de unidades, calcula-se quanto desse total refere-se a cada produto individualmente. Para isso basta aplicar o percentual das vendas de cada produto sobre o PE Unid Mix. Por exemplo, o picolé de frutas representa 25,08% do volume vendido, logo seu ponto de equilíbrio em unidades corresponde a 1.267,38 unidades.

Para obter o Ponto de Equilíbrio Mix em Reais basta multiplicar o Ponto de Equilíbrio Mix em Unidades de cada produto pelo respectivo Preço de Venda em Reais. No caso do picolé de frutas utilizado nos exemplos anteriores, o PE Mix em Reais é de R$ 342,19 (trezentos e quarenta e dois reais e dezenove centavos).

Convém ressaltar que a análise do ponto de equilíbrio pode ser moldada conforme o interesse informativo do administrador. Com isso, cabe que o modelo original seja adaptado para obtenção de outras informações gerenciais requisitadas, como o Ponto de Equilíbrio “Financeiro” e o Ponto de Equilíbrio “Econômico”.

No caso do Ponto de Equilíbrio Financeiro, calcula-se o nível de atividades suficiente para pagar os custos e despesas variáveis, os custos fixos (excetuada a depreciação) e outras dívidas vincendas no período (como empréstimos ou financiamentos bancários). Para calculá-lo, na fórmula apresentada na figura 3 basta acrescentar aos custos fixos o valor das dívidas que se almeja saldar no período e deduzir o valor relativo às depreciações (que não representam desembolso).

No que tange ao Ponto de Equilíbrio Econômico, determina-se a quantidade de vendas necessárias para alcançar o lucro desejado para certo período. Em termos de alterações na fórmula do ponto de equilíbrio, somente é necessário acrescentar ao valor dos custos fixos o montante desejado de lucro para o período em questão, ou outros itens que se deseje inserir (como o custo do capital próprio ou de terceiros, por exemplo).

3.5 - Cálculo da Margem de Segurança (em R$ e em unidades)
A Margem de Segurança em Unidades pode ser entendida como o volume das vendas que supera o Ponto de Equilíbrio em Unidades. Como demonstrado anteriormente, o volume total vendido pela empresa no período-base da pesquisa foi de 11.445 unidades e o ponto de equilíbrio calculado foi de 5.054 unidades. Logo, a empresa apresenta uma venda superior ao seu ponto de equilíbrio em 6.391 unidades, sendo esta a sua margem de segurança em unidades atualmente. Tal cálculo também pode ser realizado para cada produto, obtendo-se a Margem de Segurança em unidades individualizada dos itens comercializados.

Para calcular a Margem de Segurança em Reais de cada produto basta multiplicar a Margem de Segurança em Unidades pelo preço de venda respectivo. No caso, a margem de segurança total da empresa no período estudado foi de R$ 5.142,63 (cinco mil cento e quarenta e dois reais e sessenta e três centavos).

Além dos fatores mencionados, o estudo realizado possibilitou projetar o resultado mensal da empresa, conforme enfatizado no tópico seguinte.


3.6 - Projeção da Demonstração do Resultado
Os dados coletados para implementar a Análise Custos/Volume/Lucro possibilitaram que fosse projetada uma Demonstração do Resultado Mensal. Para tal projeção foram deduzidos do faturamento bruto da empresa (R$ 9.209,51) os custos e despesas variáveis (R$ 3.351,22) e os custos indiretos (R$ 2.587,00). O saldo desta equação (R$ 3.271,29) representa o resultado mensal obtido pela empresa. Tal cálculo pode ser efetuado com base nas vendas realizadas num determinado período ou com o volume projetado.

A tabela 3 apresenta, resumidamente, a projeção do resultado mensal da empresa no período de estudo.




DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO projetado

VALOR R$

% DO TOTAL

FATURAMENTO BRUTO (VENDAS)

9.209,51

100,00%

CUSTOS E DESPESAS VARIÁVEIS

3.351,22

-36,39%

MARGEM CONTRIBUIÇÃO

5.858,29

63,61%

CUSTOS INDIRETOS MENSAIS

2.587,00

-28,09%

RESULTADO MENSAL

3.271,29

35,52%

Tabela 3 - Demonstração do resultado projetado

Os valores mencionados na tabela 3 evidenciam a participação de cada componente do resultado mensal da empresa e indicam que o resultado do período foi de R$ 3.271,29 (três mil duzentos e setenta e um reais e vinte e nove centavos), implicando num percentual de 35,52% do faturamento. Constatou-se, ainda, que o percentual de margem de contribuição total foi de 63,61%, denotando uma alta rentabilidade se considerados apenas os fatores envolvidos diretamente com a fabricação e venda dos produtos.

A próxima seção traz um lista de informações que puderam ser obtidas com base na Análise Custos/Volume/Lucro ora comentada.
3.4 – Outras Informações oriundas da Análise Custos/Volume/Lucro efetuada
Em relação aos benefícios informativos oriundos dos relatórios elaborados e apresentados resumidamente nas seções anteriores, cabe que sejam salientadas também outras informações gerenciais importantes provenientes do estudo realizado.

Ao confrontar a margem de contribuição proporcionada por cada produto fabricado com o respectivo tempo de produção, foi possível aferir a “Rentabilidade do produto pelo fator de restrição (tempo gasto)”. Ou seja, considerando como fator de restrição da capacidade produtiva o tempo de fabricação de cada unidade determinou-se quais os produtos deveriam ser produzidos prioritariamente em cada linha comercializada.

A figura 5 mostra o relatório que evidencia a rentabilidade de cada produto em função do tempo gasto para fabricar os produtos da linha “Sorvetes”.

PRODUTOS MCunit.R$ Tempo Prod. MC/Fator Restritivo

Rerano 0,56193 30”/unid. 0,018731

Sundae (Morango) 0,48818 27,5”/unid. 0,017752

Sundae (Flocos) 0,49246 27,5”/unid. 0,017908

Sundae (Chocolate) 0,40399 27,5”/unid. 0,014690

Sorvetinho (Morango) 0,26830 18,33”/unid. 0,014637

Sorvetinho (Chocolate) 0,22980 18,33”/unid. 0,012537



Figura 5 – Margem de Contribuição por Fator Restritivo


Para facilitar o entendimento, considere-se que o produto Rerano tem Margem de Contribuição unitária de R$ 0,56193 e leva 30 segundos para fabricar uma unidade. Assim, sua rentabilidade por fator restritivo é de 0,018731 (R$ 0,56193 / 30 segundos). Tal cálculo pode ser utilizado para estabelecer a ordem de prioridade de produção, pois os produtos que rendem mais por unidade de tempo empregada na sua fabricação é que devem ser priorizados.

Outra informação importante obtida foi a participação de cada linha comercializada no montante da margem de contribuição do período pesquisado. Pelo somatório das margens de contribuição totais de cada produto, apurou-se a margem de contribuição total em reais de cada linha de comercialização. Com isso, estabeleceu-se o percentual que as linhas têm do valor vendido mensalmente. Essa participação pode ser melhor visualizada na tabela 4, a seguir.




RENTABILIDADE TOTAL DAS LINHAS

VALOR R$

% DO TOTAL

PICOLÉS

1.961,71

33,49%

SORVETES

840,90

14,35%

POTES 2 LITROS

615,49

10,51%

POTES 750 ml

347,77

5,94%

POTES 10 LITROS

2.092,42

35,72%

Tabela 4 – Participação das linhas na margem de contribuição total do período
Pelo exposto, verifica-se que da Margem de Contribuição Total em reais obtida pela empresa no período enfocado, a linha de “Potes 10 Litros” possui a maior participação (com 35,72% do total), seguida pela linha de “Picolés” (com 33,49%), “Sorvetes” (com 14,35%), “Potes 2 Litros” (10,51%) e “Potes 750 ml” (com 5,94%).

A próxima seção traz um resumo das informações proporcionadas pela análise de custos efetuada.



3.5 – Síntese das informações proporcionadas pelo trabalho realizado
Dentre os benefícios proporcionados à empresa pela Análise de Custos/Volume/Lucro, convém ressaltar as seguintes contribuições:

  1. Cálculo do custo de compra de todas as matérias-primas;

  2. Elaboração da ficha técnica dos produtos, ou seja, o consumo efetivo de cada matéria-prima por tipo de produto;

  3. Determinação do custo total de matéria-prima de cada produto comercializado;

  4. Análise de rentabilidade dos produtos vendidos através da margem de contribuição unitária em R$ ou %, bem como da margem de contribuição total de cada produto;

  5. Simulações quanto ao ponto de equilíbrio em unidades e em valor;

  6. Determinação do volume necessário de vendas para atingir determinado lucro (ponto de equilíbrio econômico);

  7. Cálculo do volume de vendas suficiente para pagar as contas mensais (ponto de equilíbrio financeiro);

  8. Determinação da margem de segurança em unidades e em reais (diferença entre vendas efetivas e o ponto de equilíbrio);

  9. Simulação de cenários quanto a aumentos ou diminuições de custos fixos e variáveis, preços de venda e volumes comercializados, bem como a respectiva influência no lucro do período;

  10. Projeção do resultado mensal, com base nas vendas previstas;

  11. Determinação do resultado mensal em função das vendas efetivas realizadas no período.

Na seqüência são mencionadas as considerações finais do estudo.


4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme atestam diversas estatísticas constantemente veiculadas na imprensa brasileira, há uma grande “mortalidade” de pequenas empresas poucos meses após o início das atividades. Talvez uma das causas para esta indesejada realidade nacional seja a baixa utilização de ferramentas gerenciais, em especial na área financeira.

Dentre as possibilidades disponíveis na seara da contabilidade gerencial encontra-se a Análise de Custos/Volume/Lucro enfocada neste artigo. Tal ferramenta gerencial há muito vem sendo considerada pela literatura técnica pertinente como pródiga em ofertar subsídios decisoriais consistentes aos gestores. Conforme evidenciado, sua aplicabilidade é perfeitamente possível também em organizações industriais de pequeno porte, como a empresa mencionada nesta pesquisa.


Assim, é pertinente que os administradores e contadores ligados às empresas de pequeno porte tentem entender e aplicar os conceitos abrangidos pela Análise Custos/Volume/Lucro em tais organizações, como forma de otimizar o desempenho das mesmas. Assim, terão melhores condições para evitar ou diminuir as dificuldades de gerenciamento das atividades financeiras que levam diversas empresas à falência pouco tempo depois de iniciadas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BORNIA, A. C. Análise gerencial de custos: aplicação em empresas modernas. São Paulo: Bookman, 2002.


CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO (CRC-SP). Custos: ferramentas de gestão. São Paulo: Atlas, 2000.

DE ROCCHI, C. A. Aspectos atuais dos enfoques lineares para a análise


custo-volume-rédito. Revista do CRCRS, Porto Alegre, v.26, n.89, abr./jun.1997, p.15-27.
HORNGREN, C. T.; et al. Cost accounting: a managerial emphasis. New Jersey: Prentice-Hall, 1999.
KAPLAN, R. S.; ATKINSON, A. A. Advanced management accounting. New Jersey: Prentice-Hall, 1989.


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