Roma 2013 Em preparação ao Capítulo Geral XXIII instituto das Filhas de Maria Auxiliadora



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Roma 2013


Em preparação ao

Capítulo Geral XXIII

Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora

N. 934

Queridas Irmãs!


Reunidas para a sessão plenária do Conselho, sustentadas pela oração de todo o Instituto, chego até vocês para compartilhar o processo realizado em conjunto, em preparação ao Capítulo geral XXIII. O que mais desejo é que, desde agora, nos coloquemos todas a caminho rumo a este evento que interessa as comunidades e cada uma de nós, em particular.
O eco do Sínodo sobre A Nova evangelização para a transmissão da fé cristã chega até nós e nos compromete. A graça de poder participar dele foi para mim e para todo o Instituto um dom e uma responsabilidade.1 O Sínodo abriu diante de nós um novo horizonte de esperança, de beleza e de alegria. Sentimo-nos Igreja chamada a viver junto aos jovens e nas comunidades educativas um novo tempo de dinamismo e de coerência evangélica. São necessárias novas testemunhas, corajosas e audazes, que sintam arder no próprio coração o que escreve São Paulo: «Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!» (1Cor 9,16).

O Instituto foi fundado para viver esta missão e, em cada época histórica, se questiona sobre as condições que tornam possível e credível tal anúncio profético.


Nas páginas seguintes vocês encontrarão, junto com a convocação oficial do próximo Capítulo geral, as reflexões compartilhadas com as Irmãs do Conselho geral sobre este questionamento que hoje ressoa com nova urgência, como eco do Sínodo e das Avaliações trienais.
Convocação do Capítulo geral XXIII
Com esta carta circular convoco oficialmente o Capítulo geral XXIII, segundo o art. 138 das Constituições. Este terá início em Roma, no dia 22 de setembro de 2014, na Casa geral.

«A sua atuação é tempo forte de revisão, de reflexão e de orientação na busca comunitária da vontade de Deus» (C 135).


É tarefa do Capítulo «tratar dos assuntos mais importantes relativos à vida do Instituto, para uma presença cada vez mais eficaz na Igreja e no mundo» (C 136). Particular importância tem a eleição da Superiora geral e das Conselheiras gerais. Já escrevia Dom Bosco ao convocar o segundo Capítulo geral, em Nizza, que da eleição de um bom Conselho e de uma sábia Superiora «depende em grande parte o bem de todo o Instituto e a glória de Deus».2
Por isso, nos empenhamos desde agora na oração pessoal e comunitária, pedindo pelo bom êxito do próximo Capítulo geral, que será realizado quase no final do caminho de preparação ao bicentenário do nascimento de Dom Bosco, e que confiamos à proteção de Maria Auxiliadora e dos nossos Fundadores.
Como Reguladora do Capítulo designei Ir. Chiara Cazzuola, à qual deverão ser enviados os documentos elaborados nos Capítulos inspetoriais.
O Capítulo geral será precedido pelos Exercícios espirituais em Mornese. A experiência de uma intensa escuta da Palavra do Senhor, de oração e de confronto com as fontes do carisma, de encontro com Maria Domingas Mazzarello e as primeiras Irmãs, nos ajudará a respirar ar de casa, a “casa do amor de Deus”, paradigma vital para cada uma das nossas comunidades.
A escolha do tema capitular
Recordemos os passos feitos para identificar os desafios emergentes e chegar à formulação do tema do CG XXIII: atenção ao contexto sociocultural de hoje; confronto com a realidade das Inspetorias através das visitas; atenção ao resultado das Avaliações trienais e às propostas das Conferências interinspetoriais, da Inspetoria SPR e das comunidades diretamente dependentes da Madre; retomada do caminho do Instituto nos últimos Capítulos gerais (1984-2008); atenção à prospectiva eclesial da nova evangelização a partir da experiência do Sínodo e da Vida Religiosa hoje.

Foi assim que chegamos à formulação do tema do Capítulo geral XXIII que entrego com alegria a todo o Instituto:


Ser hoje com os jovens casa que evangeliza
O tema se situa no horizonte da nova evangelização e no contexto dos problemas ligados à falta de fé, de relações interpessoais, de referências significativas, de um ambiente onde sentir-se em casa. 3

Nas nossas comunidades existe o desejo, mas também a dificuldade de dar um rosto mais humano e evangélico às nossas relações.

A relação interpessoal dentro da temática capitular é considerada lugar privilegiado de evangelização. De fato, a comunhão é o primeiro e insubstituível testemunho que somos chamadas a dar ao mundo, em uma Igreja que deseja ter um rosto sempre mais acolhedor, humilde, próximo às pessoas.4
A casa na tradição salesiana é ambiente de família formado por FMA, jovens e leigos, é clima de corresponsabilidade que favorece o crescimento das pessoas, fortalece a alegria, é espaço de anúncio de Jesus e apelo vocacional. É experiência de comunhão no estilo do Sistema preventivo, que dilata os horizontes da missão aos apelos da Igreja e da realidade.

Nela, é importante que os jovens se sintam felizes e sejam conosco protagonistas ativos, envolvidos na missão evangelizadora, especialmente em meio a outros jovens.


Para aprofundar o tema
A chave de leitura do tema provém da nossa identidade de FMA mulheres consagradas, chamadas a testemunhar a vida nova das bem-aventuranças em uma comunidade animada pelo espírito apostólico de Dom Bosco e de Madre Mazzarello, anunciando Cristo aos jovens e com os jovens na comunidade educativa (cf C 8).

Condição indispensável para uma ação educativa evangelizadora é o testemunho de quem “vive em comunhão os ideais que anuncia” (C 68), segundo a palavra de Jesus “venham e vejam”: “Todos reconhecerão que vocês são meus discípulos, se vocês tiverem amor uns para com os outros” (Jo 13,35).


O tema nos mostra a urgência de deixar-nos evangelizar para que a nossa vida se torne evangelizadora a partir da própria coerência, do estilo de relacionamento na comunidade, da opção pelos pobres. Evangeliza a comunidade que testemunha, com alegria, a presença de Deus e busca aproximar aqueles que não fizeram tal experiência.

A proposta do tema está, portanto, em continuidade com os caminhos de conversão ao amor indicados pelo Capítulo geral XXII e privilegia a categoria do encontro, aspecto fundamental na identidade carismática da FMA e na missão hoje.


Para aprofundar o tema, oferecemos algumas reflexões focalizando alguns núcleos:

A realidade sociocultural e eclesial de hoje que nos provoca a reassumir a responsabilidade da nossa identidade carismática.

O apelo da nova evangelização nos interpela como discípulas missionárias que, como comunidade, anunciam e testemunham com os jovens a alegria e a beleza da fé e do encontro com Cristo, independente da idade e da missão que nos é confiada.
A palavra de Deus e as fontes carismáticas nos ajudam a captar a força profética do tema. Quanto mais a casa for ambiente saturado de Evangelho, tanto mais envolve e contagia, educa e transforma.
Do confronto com as fontes nascem orientações e provocações que tornam possível ser hoje, com os jovens, casa que evangeliza.
A finalidade do Capítulo Geral XXIII é, de fato, ajudar todo o Instituto e, nele, cada FMA e comunidade educativa a renovar o próprio ser e o ser em relação, como via de evangelização. Nas Constituições se constata que, nos artigos sobre a vida fraterna e a missão, estas duas dimensões são inseparáveis: a comunidade é espaço de evangelização e a evangelização é força de renovação para a comunidade.

A reflexão capitular nos ajudará a renovar a opção por um estilo de relação interpessoal cada vez mais evangélico e salesiano, vivido entre nós, com os leigos e os jovens, na Família salesiana e na Igreja local, abertas à realidade e a outras Congregações religiosas.


O tema abrange aspectos significativos do espírito de família, que se traduzem como confiança, benevolência, amorevolezza, otimismo, esperança e, também, como corresponsabilidade, estilo de animação no espírito da coordenação para a comunhão5 e empenho renovado em deixar-nos evangelizar o coração para anunciar Jesus de modo credível.
Os desafios que enfrentamos hoje em nível social e eclesial são para nós uma oportunidade de reflexão, de conversão e de evangelização.

A REALIDADE NOS INTERPELA
Deus nos deu o mundo como uma casa a ser preservada, na qual habitar e viver relações significativas. Em muitas partes da terra, entretanto, percebe-se a falta de casa e de família, a ausência de pais e mães que, com sabedoria, amor e equilíbrio saibam indicar aos jovens caminhos de autêntica liberdade e plenitude de vida, e sejam testemunhas de esperança. As dificuldades e os sofrimentos pelos quais passam as crianças, os jovens, por causa da dilaceração dos laços familiares com todas as suas consequências, o próprio fato de questionar a existência da família formada por um pai-homem e uma mãe-mulher, geram confusão e se constituem grandes desafios educativos, em um tempo no qual faltam referências seguras que ajudem a construir a própria identidade.
Uma casa a ser preservada e construída
Constatamos que nesta casa que é o mundo, rica de muitas conquistas científico-tecnológicas, a pessoa não ocupa o centro. Com frequência, no centro estão os rendimentos, o lucro, o enriquecimento individual que ditam as regras da convivência e provocam as injustiças que violam os direitos fundamentais da humanidade, não obstante o empenho de tantas instituições que hoje trabalham para que estes sejam reconhecidos. É enorme o abismo entre o discurso público dos governos e a falta de respeito à pessoa.
A doutrina social da Igreja oferece à humanidade a chave de leitura evangélica da situação atual. Orienta cada cristão, e nós educadoras, a dar uma contribuição efetiva na construção da realidade social, sobretudo a partir do serviço à dignidade da pessoa e da proteção dos seus direitos. 6
Enquanto acolhemos os desafios como um novo chamado, olhamos o mundo com esperança porque acreditamos que o Senhor venceu a morte e que o seu Espírito age com força na história. O mundo, de fato, é criatura de Deus, ferida pelo mal, mas sempre amada por Ele, no qual a semeadura da Palavra pode ser renovada para que novamente dê fruto.

A terra é dom de Deus que a criou por amor. Hoje é grande a exigência de passarmos de consumidores - exploradores a guardiães da criação. É de dentro da pessoa que deve começar a mudança com grande sentido de responsabilidade. Somente a ecologia humana é verdadeiramente capaz de resolver os problemas do ambiente, do qual depende o presente e o futuro da humanidade.


Na sociedade em contínua mudança
A mudança é um fato constante na cultura e na sociedade de hoje, e a velocidade das inovações, à qual assistimos continuamente, gera admiração diante dos grandes progressos científicos e tecnológicos, mas provoca também não pouca incerteza e desorientação.
A crise econômica - fenômeno generalizado que está se tornando permanente – abala de vários modos o equilíbrio da sociedade e dos Estados atingindo os mais frágeis, as mulheres, os jovens, as crianças, os idosos, criando bolsões de pobreza sempre maiores, tornando dramática a falta de casa e de trabalho.
O fenômeno migratório, causado especialmente pela busca de melhores condições de vida, por discriminações raciais, religiosas e pelas guerras, faz com que enormes populações de todos os continentes – em geral as mais marginalizadas - abandonem a própria terra.
A política, chamada a promover o bem comum dos povos, é afetada por problemas ligados à corrupção, aos interesses individuais e à busca de vantagem pessoal. Por isso, os jovens, muitas vezes desiludidos diante do modo como as autoridades administram o “bem público”, tendem a distanciar-se sempre mais do compromisso político.
Hoje, sentimos também como é grande o desafio da comunicação, que incide sobre a mudança antropológica com forte repercussão na esfera das relações interpessoais. A mudança, de fato, não é somente cultural, social, econômica. Ela atinge as dimensões fundamentais da pessoa, a sua identidade, o modo de se relacionar. As amizades on-line se multiplicam e criam, na Rede, novos ambientes onde é possível encontrar-se e estar juntos. Ao mesmo tempo, as relações interpessoais não mediadas tendem a enfraquecer-se, também em nível de família, a distanciar-se, a serem apressadas e superficiais.

Aos inquestionáveis resultados positivos da cultura da comunicação se acrescentam novas formas de pobreza: pobres hoje são aqueles que não possuem os meios e os instrumentos para conhecer e usar as novas tecnologias comunicativas. A falta de conhecimento e de formação, nesta cultura, se torna um fator discriminatório que se soma a tantos outros.

Como educar a geração do virtual, a geração “invisível” do celular, do computador, usuária das social network? Este é um extraordinário desafio para nós, educadoras de jovens.
As muitas faces da pobreza abrem espaços inéditos para o serviço da caridade: a proclamação do Evangelho nos compromete, como Igreja, a estarmos ao lado dos pobres e a assumir os seus sofrimentos, como Jesus. A sociedade profundamente transformada oferece à Igreja a oportunidade e o impulso para repensar a própria presença no mundo.
A Igreja, presença viva no meio do povo
Há 50 anos da celebração do Concílio Ecumênico Vaticano II, se percebe na Igreja a viva consciência de ser povo de Deus a caminho, que compartilha as alegrias e as esperanças da humanidade. A Igreja é “a casa de Deus na qual habita a sua família”7, “a casa e a escola da comunhão”.8
A nova lei do amor que esta anuncia, abraça o mundo inteiro e não conhece limites, porque a salvação em Cristo se estende «até os extremos confins da terra» (At 1,8).

A própria Igreja, que vive um tempo novo de evangelização e de presença entre o povo, atravessa um período de grande prova devido às feridas provocadas pela fragilidade e fraqueza de alguns de seus membros, engrandecidas e muito mais evidentes por causa dos mass media. O seu sofrimento, contudo, remete ao Mistério pascal e preanuncia um futuro de esperança.


A humanidade vive uma crise de dimensão planetária, não somente em nível de cultura, mas também de fé. O diálogo ecumênico e inter-religioso, construído na vida e na partilha muito mais do que no combate de ideias, é condição necessária para a paz no mundo e compromisso sério para os cristãos e para outras confissões religiosas.
No mundo, que parece ter perdido qualquer vestígio de Deus, a Igreja confia no testemunho profético dos consagrados: mulheres e homens que manifestam o primado de Deus no seguimento de Cristo casto, pobre e obediente, totalmente entregue ao Pai e ao anúncio do Reino. Diante do avanço do hedonismo, os consagrados oferecem o testemunho da castidade, como expressão de um coração que conhece a beleza e o preço do Amor. Diante da sede de dinheiro, a vida sóbria e disponível a serviço dos mais necessitados lembra que Deus é a verdadeira riqueza que não se acaba. Diante do individualismo e do relativismo, que induzem as pessoas a viverem segundo suas próprias leis, a vida fraterna, capaz de obediência, na coordenação e na corresponsabilidade, confirma que Deus é a total realização da pessoa.9
A vida consagrada, em vários contextos, atravessa um período de transição por causa de inúmeros desafios: a diminuição das vocações, o envelhecimento, a irrelevância social, a fragmentação da identidade carismática, a perda de visibilidade das comunidades religiosas, a dificuldade de renovar as estruturas e encontrar novas formas de apostolado. Tudo isto gera incertezas e uma profunda crise de identidade, que pode ser a origem de uma transformação significativa e tempo de gestação de uma vida nova.
Os jovens em busca de uma casa
Como FMA nos sentimos particularmente interpeladas pelas aspirações profundas dos jovens, a quem olhamos com confiança porque, como dizia Dom Bosco, são a parte mais frágil da sociedade, mas também a esperança e a força, o presente e o futuro. Os jovens, hoje, sob diversos aspectos, não são diferentes daqueles das gerações precedentes. Demonstram ser talvez mais frágeis, fragmentados, dispersos, mas são capazes de serem generosos e dedicados, são abertos ao Evangelho; se motivados por um ideal, empenham-se no voluntariado social e missionário. Temos certeza de que a educação é caminho privilegiado que os sustenta na construção da identidade, contribui à solução de muitos dos seus problemas e é um modo de neutralizar as diversas formas de pobreza que comprometem uma vida digna e feliz e o próprio futuro.
Os jovens, privados muitas vezes de referências sociais e de sentido de pertença, tendem a fazer as próprias opções sem considerar o conjunto de valores, de ideias ou de normas comuns. Assumem vários pontos de vista, muitas vezes conflitantes, para depois experimentá-los na própria vida. Correm o risco de cair no conformismo da moda, deixando-se impregnar por ela em vez de construir a própria liberdade partindo de razões fortes para viver e amar. Daqui nasce a decepção, a fragilidade afetiva, as dúvidas sobre si mesmos, a falta de esperança e de perspectivas.
Ao mesmo tempo, eles aspiram à autenticidade, à liberdade, à verdade, à generosidade, ao compromisso social. Como educadoras salesianas, estamos convencidas de que os jovens podem encontrar a resposta adequada na força libertadora da graça de Cristo, que favorece o amadurecimento de sólidas convicções e abre ao dom de si. Tornam-se então casa para outros jovens e para os próprios adultos, com a sua capacidade criativa, eles nos provocam a sair da rotina.
Em nível de fé, a geração atual – mesmo que em contextos diferentes – mais do que incrédula ou indiferente vive principalmente em busca de sensações e de experiências emocionais envolventes. Ainda que de modo inconsciente, os jovens clamam por uma relação educativa de reciprocidade, na qual possam amadurecer uma relação de pertença. Procuram uma casa e ambientes nos quais sejam confirmados na própria busca de sentido, nos quais possam estar, dialogar, ser ouvidos e se encontrar.
Hoje, como FMA, somos chamadas a ser casa na qual as jovens e os jovens, especialmente os mais pobres, possam fazer experiência de uma forma alternativa de vida, experiência de um espaço de relações no qual possam encontrar sentido para a vida e abertura à dimensão vocacional. Os jovens percebem a exigência de um estilo de vida que possibilite testemunhar, na sociedade, a força transformadora da fé.10
o apelo à nova evangelização
No presente da história, o Instituto acolhe com renovada disponibilidade e alegria o dom da nova evangelização, confiado pela Igreja a cada comunidade cristã e a cada pessoa que fez a experiência do encontro com Jesus.

A urgência de uma nova evangelização em tempos de grande analfabetismo da fé se torna apelo a transmiti-la de geração em geração, comunicando-a com linguagens compreensíveis ao homem e à mulher de hoje para que do deserto da indiferença e da incredulidade, caminhem rumo ao lugar da vida, rumo à fonte que sacia.11


Temos consciência de que na missão educativa salesiana não existe prioridade maior do que esta: “centro de nossa ação evangelizadora é o anúncio de Cristo” (C 70).

É um anúncio que renova, revigora a fé e exige um profundo testemunho de comunhão, condição de sua fecundidade.



As nossas comunidades são chamadas a serem sempre mais casas nas quais ressoa a Palavra de Deus e, como em Mornese, casas do amor de Deus onde se anuncia com a vida o Evangelho da caridade.
Evangelização como encontro com Jesus Cristo e testemunho de vida
A Igreja existe para evangelizar.12 “Vão pelo mundo inteiro e anunciem a Boa Notícia para toda a humanidade... Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. ” (Mc 16, 15.20). O mandato de Cristo continua vivo hoje para cada comunidade cristã.
Diante do abandono da fé em culturas que por séculos foram impregnadas pelo Evangelho, diante das transformações sociais e culturais, a Igreja se questiona acima de tudo sobre a sua vida, sobre a profundidade de sua fé, de seu encontro com Jesus. Percebe a urgência de evangelizar antes de tudo a si mesma para poder anunciar Jesus aos homens e às mulheres deste tempo, proclamando a sua Palavra que revela a profundidade do amor de Deus e o seu projeto em relação à pessoa humana.
A Igreja é consciente de que a evangelização não começa com o seu fazer, mas com o agir de Deus. A primeira palavra, de fato, é a palavra de Deus, a primeira iniciativa é a sua. Da acolhida da sua iniciativa, da experiência do seu Amor nascem e crescem pessoas e comunidades que vivem com alegria a fé e anunciam com paixão aquilo que viram e ouviram do Verbo da vida (cf 1 Jo 1,1-4).
A fé não se baseia nas ideias, mas no encontro com Jesus. Ele dá uma direção nova à existência, oferece à pessoa horizontes de esperança, permite que esta mergulhe numa relação nova com Ele e com os outros, considerados irmãos e irmãs, torna-a participante de uma comunidade empenhada em comunicar a alegria deste encontro. Nela, Maria, Mãe de Jesus e da Igreja, é a primeira evangelizadora, aquela que “na palavra de Deus se sente verdadeiramente em casa”.13
O momento histórico no qual vivemos necessita de pessoas apaixonadas que, através de uma fé iluminada e vivida, tornem Deus credível neste mundo. Pessoas que tenham o olhar voltado para Deus, aprendendo dele a verdadeira humanidade. Somente através de pessoas que foram tocadas por Deus é que Ele pode retornar ao coração do ser humano.14
Evangelizar é saber ler os sinais do Verbo que se encarna na realidade sofrida e alegre da humanidade. É criar condições para que adultos e jovens possam encontrar, conhecer e acolher Jesus, o Amor do Pai que Ele nos revela. É introduzir a pessoa na experiência de uma Igreja acolhedora e que dá testemunho, na qual se cresce como humanidade nova transfigurada pelo seu amor, capaz de tornar-se lugar de solidariedade para com todos. É proclamar com alegria o Senhor Jesus, respondendo com sabedoria evangélica às perguntas que nascem das inquietudes do coração humano.
Assumir como comunidade educativa o convite da Igreja à nova evangelização exige que esta viva a experiência do encontro com Jesus, tenha dele um profundo conhecimento, também através de uma preparação qualificada do ponto de vista bíblico, teológico, catequético, valorizando novas linguagens e instrumentos comunicativos para tornar compreensível hoje a palavra da fé.
Como FMA nos sentimos provocadas a repensar o método e as linguagens da evangelização. Evangelizar não é somente proclamar a boa notícia: toda a nossa vida deve tornar-se boa notícia. E não somente individualmente, mas como comunidade que tem Jesus como centro, se reúne em torno da Palavra e da Eucaristia, cultiva o amor aos irmãos e às irmãs, se faz lugar de acolhida e de comunhão para todos, especialmente para as famílias e para os jovens mais pobres.
A educação, mediação privilegiada para a evangelização
A Igreja vê com esperança as novas gerações. O recente Sínodo dos Bispos sobre A Nova evangelização para a transmissão da fé cristã demonstrou-lhes uma particular atenção. Destacou a importância de propor aos jovens de modo credível, com a força do testemunho e da comunhão, a pessoa de Jesus e de favorecer o encontro com Ele; um encontro libertador, mesmo que exigente, que responda às suas expectativas de vida e de futuro.
O Sínodo também insistiu que a Vida Consagrada tem a responsabilidade de dar uma contribuição específica ao empenho educativo, porque a comunicação da fé advém de modo privilegiado por meio da educação. Em um tempo de emergência educativa é urgente a formação de educadores e educadoras que assumam esta missão, colocando-se não só na ótica do educar, mas do deixar-se educar pelos jovens.
A acolhida da proposta cristã passa através de relações de proximidade, lealdade e confiança, nas quais se experimenta como a própria busca de fé, o próprio “eu creio” é sustentado e acompanhado pelo “nós cremos” da comunidade. Acima de qualquer projeto, de qualquer programa, como condição prévia a qualquer atividade ou iniciativa, está a unidade entre os filhos de Deus pelos quais Jesus deu a sua vida. Vivendo a comunhão, a comunidade educativa se manifesta como “sacramento”, sinal legível do amor preveniente de Deus, também nos contextos onde o Evangelho ainda não chegou.
A fraternidade é a profecia que melhor o mundo de hoje compreende. Em uma realidade complexa, multicultural e multirreligiosa, as comunidades educativas podem ser laboratórios de humanidade e de cidadania universal, sinal da universalidade da Igreja e espaço de um alegre testemunho de fé.

É nestas comunidades que os jovens aprendem a tornar-se protagonistas da nova evangelização entre os seus contemporâneos, a viver e testemunhar um cristianismo não reduzido ao culto e à tradição, mas vivido como força de civilização dos ambientes de vida e das instituições.


Para que as novas gerações possam viver esta experiência, é preciso dar uma atenção privilegiada às famílias como lugar no qual a transmissão da fé, no suceder-se das gerações, encontra o seu ambiente natural. De fato, os sinais da fé, a comunicação das primeiras verdades, a educação à oração, o testemunho dos frutos do amor são inseridos na vida das crianças e dos jovens, no contexto da solicitude que cada família dedica ao crescimento dos seus filhos.15

CASA: LUGAR DE ENCONTRO E DE ENVIO
A Palavra de Deus ajuda a ler em profundidade a temática capitular: a experiência da casa. O conceito bíblico de casa16 tem um duplo significado: o de construção e aquele de um conjunto de pessoas–família–história. O Antigo Testamento é atravessado por exemplos significativos de Deus que “visita” e “encontra” as pessoas em sua casa, como Abraão e Sara que nela acolhe os mensageiros de Deus (cf Gn 18), ou de Deus que se manifesta como Aquele que habita entre as suas criaturas. A promessa a Jacó, que a terra na qual está repousando será destinada à sua descendência, suscita no patriarca a consciência de que “certo, o Senhor está neste lugar e eu não sabia disso” (Gn 28, 17). Jacó dá, em seguida, àquele lugar o nome de Betel, “casa de Deus”.
Davi se oferece para construir uma casa para Deus, mas Deus responde que “uma casa fará o Senhor para ti” (2 Sam 7, 11b). No livro do Êxodo, a casa de Deus é representada como arca da Aliança: “Dentro da arca, colocarás o documento da aliança que eu te darei” (Ex 25, 16).

Estes são alguns dos textos bíblicos que revelam como o próprio Deus é “construtor” da casa, Aquele que a edifica e nela habita, como se lê muitas vezes nos Salmos.


Deus habita a nossa casa
Em Jesus, “Deus estabeleceu a sua casa entre nós” (Jo 1, 14): tenda entre as tendas, casa entre as casas. O Filho de Deus encarnado passou grande parte da sua vida em uma casa da pequena aldeia de Nazaré e, no curso da sua experiência missionária, escolheu a casa como lugar de encontro e de transformação. Entrou em muitas casas: foi hóspede dos seus discípulos, de Pedro; ficou na casa dos amigos como a de Lázaro, Marta e Maria em Betânia (cf Jo 11, 1-45 – Lc 10, 38-42); se entreteve na casa dos Fariseus como naquela de Simão (cf Lc 7,36-49); foi sinal de esperança e força de ressurreição na casa de Jairo (cf Lc 8, 49-56). Frequentou até mesmo a casa de pecadores. Para surpresa de todos, ele disse a Zaqueu: “Hoje preciso ficar na tua casa” (Lc 19, 5).

Muitas vezes Jesus, depois de falar às multidões, se recolhe “em casa” para exprimir com maior profundidade o conteúdo das suas palavras. Assim, depois do discurso das parábolas, explica o seu sentido profundo “em casa” (Mt 13, 36). A casa é também lugar de instrução, de ensino, de acompanhamento. Nela desabrocha a verdade íntima, a identidade da pessoa, portanto é lugar de conversão, de educação, de evangelização. Interessante é o episódio da libertação do homem endemoninhado. Antes de encontrar Jesus, a sua casa é “entre os túmulos”. Depois da cura, Jesus lhe diz: “ para casa, para junto dos seus, e anuncie para eles tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por você…” (Mc 5, 1-20).


Ao deixar para os seus quanto há de mais precioso, o seu próprio corpo, Jesus escolhe uma reunião de família no cenáculo no qual, na última ceia, se entrega como Eucaristia, memorial do mistério pascal para todos os tempos.

Na cruz, é Jesus mesmo quem oferece hospitalidade na sua casa: «Hoje mesmo você estará comigo no paraíso» (Lc 23, 43).


Para Jesus, a casa é o lugar do relacionamento, da manifestação da sua divindade, do envio para anunciar a boa notícia: “Vão pelo mundo inteiro e anunciem a Boa Notícia para toda a humanidade” (Mc 16, 15), e do retorno dos discípulos enviados a evangelizar. Jesus escolhe companheiros de vida (cf Mc 3, 14), não como pessoas que “façam” coisas para Ele, mas disponíveis a “construir casa” com Ele, fazer experiência de vida, viver e criar comunhão.
Estar com Jesus é habitar com Aquele que ensina e envia a ser testemunhas com a vida, radicados na firme rocha da sua Palavra (cf Mt 7, 24-27).
Maria, casa viva de Deus
A presença de Maria na vida de Jesus e na vida da Igreja concretiza o significado bíblico da casa como morada de Deus. Já antes do nascimento, Jesus viveu a experiência de “entrar em casa” trazendo alegria, enquanto era levado pela mãe à casa de Zacarias e Isabel. Foi Maria quem introduziu Jesus na esfera doméstica, na trama do quotidiano com suas alegrias, sofrimentos, ansiedades, esperanças, dúvidas e todas aquelas pequenas coisas que tornam significativa a vida.
Maria é espaço de acolhida, de encontro, é espaço do “eu” que se torna “nós”. É modelo de total abandono à Palavra, é casa construída sobre a rocha.

Nos textos evangélicos, muitas vezes Maria é apresentada no contexto de uma casa. Na anunciação, o anjo Gabriel é enviado à sua casa em Nazaré. Todo o encontro se resume em dois extremos: “O anjo entrou onde ela estava e disse...” e “... o anjo a deixou” (Lc 1, 28.38).


Na narrativa da visitação, Lucas afirma: “Entrou na casa de Zacarias, e saudou Isabel” (Lc 1, 40) e conclui: “e depois voltou para a sua casa” (Lc 1, 56). Maria introduz o Filho de Deus, ainda invisível, no concreto da vida familiar. E onde entra Maria, a casa se enche de alegria: Isabel explode em bênção e João exulta no ventre da mãe. A própria Maria, comovida e plena de gratidão pelas maravilhas do Senhor, canta o Magnificat.

Narrando o nascimento de Jesus, Mateus fala dos Magos que do oriente chegam a Belém guiados por uma estrela. “Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe” (Mt 2, 11). É no espaço de uma casa, na esfera doméstica que Maria mostra o Filho de Deus a todos os povos do mundo.


Os anos que Maria passou junto a Jesus e a José em Nazaré são caracterizados pela simplicidade, pela laboriosidade e por aquela sabedoria do coração revelada por Lucas: “Maria conservava todas estas coisas meditando-as em seu coração” (Lc 2, 19.52).

Em Caná, Maria e Jesus se encontram na casa dos dois noivos e participam de uma celebração de casamento. Aqui, por iniciativa de Maria, Jesus realiza o seu primeiro “sinal” transformando a água em vinho: o milagre que suscitou nos discípulos a fé inicial em Jesus como Messias (cf Jo 2, 11).


Aos pés da cruz, Jesus confia a Maria a humanidade por Ele redimida. Ele quer que sua mãe seja “mãe” de todos os seus discípulos. “E dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19, 27). João, que representa toda a humanidade, acolhe Maria não somente na sua “casa” enquanto lugar material, mas na sua vida, no seu coração.

No início dos Atos dos Apóstolos, Maria se encontra com os discípulos reunidos no cenáculo, a casa que testemunha a intimidade de Jesus com os seus. Uma casa vazia da presença física de Jesus, mas que logo será repleta do Espírito (cf At 2,2). As portas desta casa, uma vez fechadas por medo, serão totalmente abertas para o anúncio corajoso do Evangelho.


A Igreja, casa de comunhão aberta a todos os povos
Jesus mesmo se faz casa para quem vive com Ele. Aos primeiros discípulos, chamados a segui-lo, que lhe perguntaram: “Onde moras?” (Jo 1, 38b), Jesus dá a entender que é Ele a sua casa. Jesus se torna casa de quem permanece com Ele: “Fiquem unidos a mim e eu ficarei unido a vocês... Quem fica unido a mim, e eu a ele, dará muito fruto, porque sem mim vocês não podem fazer nada” (Jo 15, 4-5). Permanecer em Cristo significa permanecer também na Igreja.

Toda a comunidade dos que creem está firmemente enxertada em Cristo, a videira. Nele, todos nós vivemos unidos. Nesta comunidade, Ele nos sustenta e, ao mesmo tempo, todos os membros se sustentam reciprocamente. Juntos, resistimos às tempestades e oferecemos proteção uns aos outros. Nós não cremos isoladamente, cremos com toda a Igreja de todos os tempos e de todos os lugares. 17


Deus mora onde existe comunhão: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles” (Mt 18, 20). Habitar em Jesus é portanto tornar-se Igreja, família de Deus e casa de todos, fundada no Batismo e alimentada na Eucaristia: “Vocês, portanto, já não são estrangeiros nem hóspedes, mas concidadãos do povo de Deus e membros da família de Deus. Vocês pertencem ao edifício que tem como alicerce os apóstolos e profetas; e o próprio Jesus Cristo é a pedra principal dessa construção” (Ef 2, 19-20).
Várias vezes, nos Atos dos Apóstolos, a Igreja primitiva é identificada como casa, comunidade do primeiro anúncio e da conversão. Casa solidária onde se coloca em comum aquilo que cada um tem, abrindo-se deste modo à partilha com os pobres. Esta é chamada a tornar-se a casa do pão de Deus e, portanto, a casa da caridade.
Muitos eventos acontecem entre os muros de uma casa, como aquela de Cornélio, Lídia, Áquila e Priscila. É uma realidade de “Igreja doméstica” (domus ecclesiae), que realiza quase uma passagem do Templo à casa, porque a salvação entra na trama do quotidiano, na esfera da vida concreta e ordinária. Nela, advém a escuta da Palavra, a celebração da Ceia do Senhor e a experiência da koinonia. Nestas igrejas, a mulher, por sua capacidade de construir relações humanas, facilitar a partilha, criar harmonia, desempenha um papel fundamental.
A casa é lugar da solidariedade, da hospitalidade, da escuta, da compreensão, onde se eliminam as divisões, desaparecem as trincheiras, o outro é acolhido como dom: assim aconteceu com Lídia (cf At 16, 11-15), que os Atos apresentam como mulher forte e líder que se deixou plasmar pela Palavra e permitiu a Paulo de incrementar a fé entre os crentes de Filipos. Este testemunho de casa encontra o seu significado no gesto de acolher a boa notícia e de abrir caminhos para uma nova evangelização.

Valdocco e mornese: fonte profética
Para compreender a riqueza carismática do tema capitular parece-nos significativa a expressão de Dom Alberto Caviglia, que descreve o ambiente de Valdocco como casa onde “o ar de Deus” e “o ar de família” se harmonizavam criando um clima de santidade.18

A casa que se reúne em torno ao Senhor e, Nele, às necessidades formativas dos jovens, é uma casa aberta que se configura como lugar de encontro e de complementaridade entre pessoas chamadas a uma missão comum.


No contexto atual, tão diferente daquele das origens, continuamos vivendo a mesma paixão educativa que nasce do da mihi animas cetera tolle e do A ti as confio. Confrontamo-nos com a comunidade das origens para encontrar inspiração para o hoje em prospectiva de futuro. É como voltar para casa a fim de reencontrar a própria identidade e as próprias raízes.
Dom Bosco nos quis “monumento vivo”, sinal da sua gratidão a Maria e como ela “auxiliadoras” especialmente entre as jovens (cf C 4). Junto a elas, em sinergia e corresponsabilidade com leigas e leigos, em espírito de família, construamos comunidades radicadas na sólida rocha que é Jesus, abertas ao sopro do Espírito e aos apelos inéditos da história.
Comunidade radicada no Senhor Jesus
Valdocco e Mornese são realidades nas quais Jesus é presença viva. Ele tem preferência pelos jovens e os confia a nós para que sejam acompanhados.

A vida de Dom Bosco e dos jovens na casa de Valdocco é sustentada por Jesus presente na Eucaristia, centro de gravidade para o qual tudo converge. Dom Bosco vive desta presença e educa a comunidade a fazer a mesma experiência como fonte de comunhão e de audácia apostólica. Na tradição salesiana é impensável o caminho de santidade sem a Eucaristia e o sacramento da Penitência: força de transformação e de amadurecimento cristão.19


A presença de Jesus é o coração da comunidade de Mornese, o centro dinâmico, o impulso à conversão e ao testemunho. Em Mornese, vive-se de Jesus e se busca torná-lo conhecido e amado. As primeiras Irmãs são formadas pela Eucaristia a unir-se à oferta de Jesus ao Pai e, deste modo, amadurecem no dom de si, na comunhão recíproca, na paixão educativa, na aceitação da cruz e na oração animada por um forte respiro eclesial.
Também as jovens crescem na mesma profundidade de vida cristã. As educandas Eulalia e Maria Bosco, de Mornese, assim escrevem para Dom Bosco: «O nosso coração busca continuamente encontrar Jesus e portanto entrar no Seu, não somente nós, suas sobrinhas, mas também as nossas colegas e a Irmã que está conosco. Sim, todas queremos encontrá-lo, este amado Jesus, e depois amá-lo muito, muito, também por aqueles que não o amam». 20

Casa onde se faz experiência de família
Dom Bosco, com a fundação do Oratório de Valdocco, quer dar aos seus meninos uma casa, uma família, não um colégio. Deseja que tudo fale de família no estilo caracterizado por «naturalidade no modo de ser, vivacidade nos jogos, diligência nos próprios deveres unida a uma total religiosidade e moralidade».21 Um ambiente permeado de grandes ideais, onde todos são felizes porque se amam.22
A presença constante de Dom Bosco entre os jovens é aquela de um pai que anima, orienta e acompanha. Como recorda S. Luis Orione, ex-aluno de Valdocco: «Alimentava-nos de Deus e se alimenta ele mesmo de Deus, do espírito de Deus. Como uma mãe nutre a si mesma para depois nutrir o próprio filhinho, assim Dom Bosco nutriu a si mesmo de Deus, para também nos nutrir de Deus».23

Naquele ambiente, tudo era vivido na simplicidade e espontaneidade; as regras são poucas: a consciência é a primeira regra.24


A presença de mamãe Margarida contribui dando um toque de família àquela pobre casa, privada de tudo, mas rica de calor humano justamente por causa da sua presença de mãe. Depois da sua morte (25 de novembro de 1856) Dom Bosco vai celebrar a S. Missa no Santuário da Consolata e assim se dirige a Maria: «Eu e os meus filhos estamos agora sem mãe aqui embaixo. Sede vós no futuro, de modo particular, minha Mãe e Mãe deles».25

Em Valdocco, Maria realmente é de casa: mãe, guia, protetora da comunidade e dos jovens. Ela favorece a confiança recíproca, a segurança e a simplicidade das relações humanas.


Os jovens se sentem em casa, em família, e Dom Bosco alimenta o sentido de pertença informando-lhes sobre o que acredita ser importante que saibam, os interpela26 e os envolve abrindo-os à solidariedade e às necessidades da realidade.
Na comunidade de Mornese, casa “do amor de Deus”, vive-se de afeto e de confiança recíproca como em uma família. 27 Na vida de Madre Mazzarello há uma orientação fundamental: viver de amor e no amor; esta também é a meta frequentemente indicada às Irmãs: «Cada passo, cada palavra seja um ato de amor a Deus e seja acompanhado pela intenção de salvar uma alma».28
É um clima no qual todas as energias são dedicadas à educação das jovens para torná-las competentes, formá-las para viver como cristãs convictas e comprometidas na família e na sociedade. A intencionalidade evangelizadora em Mornese e em Nizza se traduz no cuidado atento às Irmãs e às jovens, acompanhando-as no caminho formativo com discrição e maternidade.

A comunidade é animada com sabedoria por Madre Mazzarello que se considera a “vigária de Nossa Senhora”. Maria, “verdadeira superiora da casa”, é de fato a inspiradora e a fundadora do Instituto e de cada comunidade.29 Madre Mazzarello educa as Irmãs e as jovens a confiarem totalmente em Nossa Senhora e a viverem certas da sua ajuda. O gesto de depositar, todas as noites, as chaves aos pés da estátua de Maria é sua expressão concreta. 30


A certeza desta presença e a atenção formativa ajudam a plasmar uma comunidade animada pela caridade na medida do coração de Cristo. 31 Esta se exprime no quotidiano como afeto recíproco, encorajamento, perdão, delicadeza no trato, paciência e em «fazer com liberdade tudo que requer a caridade» (L 35, 3). Tal caridade é garantia de fecundidade apostólica, como recorda Madre Mazzarello às primeiras missionárias: «Recomendo-vos muito a humildade e a caridade, se praticardes estas virtudes o Senhor vos abençoará e abençoará vossas obras de modo que podereis fazer um grande bem» (L 68,3).
Comunidade com respiro missionário
O Sistema preventivo, como forma de vida e de relações interpessoais, determina o estilo educativo da casa de Valdocco. Um estilo de família que faz com que uma comunidade de educadores, jovens e leigos compartilhe da mesma missão através de papéis diversificados e complementares. Os jovens são orientados a assumirem a responsabilidade de crescer como “bons cristãos e honestos cidadãos”, a descobrirem o plano de Deus sobre si mesmos e a tornarem-se apóstolos de outros jovens.

Através das relações humanas, do respeito recíproco, da amizade, da alegria, das boas maneiras, da cultura, da educação à fé e do sentido eclesial, Dom Bosco ajuda a construir uma sociedade nova, um novo estilo de interação.


O ambiente de Valdocco é casa aberta a grandes visões e projetos, e o sistema que o anima se alicerça em um amplo horizonte de evangelização e desperta nos jovens grandes ideais. Estes crescem na escola de um homem corajoso e visionário, filho de uma Igreja aberta aos confins do mundo. Especialmente depois do Concílio Ecumênico Vaticano I (1869-70) amadurece em Dom Bosco o projeto missionário que provoca uma reviravolta à sua Família religiosa.

Os próprios jovens se formam naquele ambiente para serem apóstolos. A casa de Valdocco se torna verdadeiramente espaço de encontro e de envio.


Também o nosso Instituto nasce com uma prioritária intenção educativa e missionária. Mornese é uma casa aberta ao mundo, onde se respira o dinamismo evangelizador que leva a testemunhar Jesus a quem ainda não o conhece.32 A intuição de Maria D. Mazzarello, de reunir as jovens para fazê-las “conhecer e amar a Deus”, encontra continuidade e desenvolvimento no empenho catequético fiel e competente, traduzido em formas e modalidades criativas, permeadas pelo único ideal de dar a própria contribuição à extensão do Reino de Deus.33
A missionariedade não é uma atividade entre as atividades do Instituto, e sim um elemento essencial de sua vida: é alimentada pela alegria da própria vocação e pela audácia apostólica. O espírito de Mornese não é um espírito de “estufa”, mas “de universo”.34
Este clima era percebido também por outros Fundadores contemporâneos de Dom Bosco. Dom Giacinto Bianchi, antes de enviar a Belém as religiosas por ele fundadas em 1875, considera necessário mandá-las a Mornese para um período de preparação imediata junto às FMA. 35 Mesmo não existindo fontes escritas sobre a presença destas religiosas em Mornese, temos certeza de que a comunidade das origens, mesmo com inevitáveis limites, é casa de formação missionária através da profundidade e qualidade da vida e das relações humanas.
é um estilo de abertura de espírito e de mente que se revela no estudo, na aprendizagem de outras línguas, no encontro com os missionários, na acolhida de leigas na comunidade para compartilhar com elas a missão educativa na escola. Tudo isto faz com que o coração atravesse as fronteiras missionárias antes mesmo de ultrapassar os restritos confins de Mornese. Depois de apenas cinco anos de fundação, em 1877, se registra o primeiro embarque para o Uruguai.
Dom Bosco tinha sonhado assim o Instituto das FMA: todo de Maria, inteiramente dedicado à educação das jovens e aberto aos confins do mundo. Confirmando de próprio punho a reeleição de Madre Mazzarello em 1880, escreve na Ata: «Peço a Deus que infunda em todas o espírito de caridade e de fervor, a fim de que esta nossa humilde Congregação cresça em número, se dilate em outros e depois em outros remotos países da terra».36
A condição fundamental para a abertura e a vitalidade missionária está no fato de que, nas FMA, “a vida ativa e contemplativa, retratando Marta e Maria, a vida dos Apóstolos e a dos Anjos” estão em harmonia.37 Somente FMA tocadas por Deus podem tornar-se presença de comunhão entre as Irmãs e os jovens, sinal de esperança e de audácia evangelizadora nas novas fronteiras das pobrezas juvenis.
O carisma, dom do Espírito na Igreja, é uma realidade dinâmica que se desenvolve no tempo e no espaço. Acolhido com humildade e fé pelos Fundadores, ele é vivido e transmitido de geração em geração até hoje. Cada uma de nós tem a responsabilidade não somente de protegê-lo, mas de irradiá-lo e desenvolvê-lo, encontrando os caminhos mais oportunos para compartilhá-lo como comunidades educativas e como Família salesiana.

Qual casa para evangelizar hoje?
Somos chamadas, hoje, a completar a obra esboçada por Dom Bosco e por Maria Domingas Mazzarello “espalhando as cores... desenvolvendo o germe”,38 a dar brilho às cores antigas com pinceladas novas. Deste modo, as Irmãs e os jovens poderão experimentar um clima que faz sentir-se bem, que permite um amplo respiro, que aponta para horizontes carregados de significado. Horizontes infinitos, mas que se refletem em experiências simples e profundas que despertam o desejo de Deus.
Nas comunidades educativas, as FMA exprimem a identidade carismática, intuída e vivida pelos Fundadores, com as cores da atualidade e do futuro desde que profundamente radicadas “no mistério da comunhão trinitária”, tornando-se “sinal particular de uma nova maneira de viver juntos, não baseada na carne ou no sangue, mas na força da fé e na fraternidade em Cristo” (C 36).
As Avaliações trienais revelaram em todos os lugares uma renovada escuta da Palavra de Deus e, ao mesmo tempo, consideráveis dificuldades comunitárias por causa de uma fé que precisa ser fortalecida, alimentada por uma interioridade mais profunda, iluminada pela Palavra que se torna sopro de vida e pela espiritualidade salesiana, base de um agir que nasce do fato de habitar em Jesus para dar fruto (cf Jo 15,5).39

A busca de Deus, num tempo em que Ele parece esconder o Seu rosto, envolve os jovens se eles percebem em nós o esforço, mesmo que difícil, para entrar no mistério de relação que o Pai nos oferece no Seu Filho, com a força do Espírito. Os jovens se deixam atrair pelo encontro com Jesus quando experimentam conosco a seriedade do risco de crer, e também a beleza e a criatividade da alegria.


As comunidades testemunham o fascínio do encontro com Jesus quando se tornam espaço de acolhida, onde há tempo suficiente para a oração e esta se encarna na vida, onde se escuta e se partilha a Palavra de Deus com os jovens e os leigos, onde existe alegria ao planejar, trabalhar e celebrar juntas.

Para dar um respiro novo e mais aberto às nossas comunidades são necessárias também mudanças estruturais que modificam o estilo de vida, os horários, as atitudes consolidadas.


Os caminhos de conversão ao amor que o Capítulo geral XXII nos confiou como dom, renovaram em nós a consciência do chamado a “ser memória vivente do modo de ser e de agir de Jesus”.40 São processos ainda em curso e que ajudam a crescer em uma vida evangelizada.

A vontade de reavivar a mística e a profecia do da mihi animas cetera tolle, no espírito do Sistema preventivo, se torna prioridade e exprime a urgência de viver como discípulas missionárias. Somente uma vida capaz de arriscar por amor, como Jesus no cotidiano, e se abre com audácia às pobrezas juvenis, vive o discipulado missionário, porque se torna sacramento da presença de Deus.


A relação humana, caminho de educação evangelizadora
Nos ambientes educativos nós nos questionamos, junto aos leigos, sobre o espírito de família por vezes em crise por causa de relacionamentos funcionais, formais, apressados, que não satisfazem a necessidade de encontro e não favorecem o crescimento humano. Por isto é importante aprofundar e revitalizar a espiritualidade salesiana, fortemente ancorada na relação interpessoal como caminho de educação, condição indispensável para a missão educativa.
Maturar relações interpessoais humanizantes exige um caminho de ascese, possível se juntas buscamos as condições que favorecem relacionamentos verdadeiros, simples, capazes de exprimirem o querer-se bem de quem encontrou Jesus e deixou transformar o coração por Ele.

Um estilo relacional evangélico é mais fácil de ser compreendido também por aqueles que não creem. Trata-se de cultivar algumas atitudes: o espírito de mansidão que sabe acolher com alegria a diversidade, a simplicidade do pobre que sabe compartilhar, a consciência da necessidade dos outros, dos que têm fome e sede de justiça, a resiliência de quem aceita o sofrimento como sinal de fidelidade, a pureza do coração e da vida que nos torna otimistas e benévolos.

Exprimir a comunhão de vida no cotidiano das relações “responde às íntimas exigências do coração humano e o dispõe à doação apostólica” (C 49). A comunidade se torna a casa onde nós nos formamos reciprocamente, nos educamos e crescemos.
Às vezes, nos sentimos amedrontadas diante dos jovens porque nem sempre compreendemos a sua linguagem e suas opções. A assistência salesiana, como presença educativa, proximidade de relação e de amizade, nos faz compreender melhor a dramaticidade e precariedade de suas vidas, a sua vulnerabilidade: “órfãos de pais vivos”. Na verdade, as suas expressões por vezes nos surpreendem, mas revelam ao mesmo tempo busca de sentido, de acompanhamento, de carinho, desejo de um “algo a mais”. Manifestações muitas vezes não demonstradas, que somente o coração de educadoras e de educadores, iluminado pela fé e pelo amor, consegue perceber.
Queremos transmitir a todos os jovens a alegria do encontro com Jesus e a beleza da vocação salesiana que recebemos! É urgente portanto aprofundar o caminho de educação à fé, a cultura vocacional e o acompanhamento dos jovens também elaborando itinerários específicos para as diversas faixas etárias, a partir de uma maior atenção aos caminhos ordinários de pastoral juvenil.

É um trabalho em sinergia com as leigas e leigos da comunidade educativa, os pais e os grupos da Família salesiana, uma oportunidade de confronto e de enriquecimento carismático. É preciso criar as condições favoráveis ao acompanhamento das jovens e dos jovens e juntos descobrir o projeto de Deus em relação às suas vidas.


O ambiente, lugar de encontro e de reciprocidade
A comunidade educativa se configura como “lugar de encontro e de complementaridade, onde se educa e nós nos educamos, na atenção ao quotidiano para perceber os sinais da presença de Deus”.41 Os jovens não conseguem chegar a Deus, ao encontro com Jesus se somente falamos Dele, mas se eles podem tocá-lo, fazer experiência Dele em uma comunidade que vive e testemunha, se lhes oferecemos as condições para que eles mesmos se tornem agentes de transformação e de evangelização no seu ambiente.
Também a convivência entre várias gerações no mesmo ambiente provoca e enriquece a vida e o diálogo intergeracional e é expressão de um clima de família onde todos têm voz e cada um dá a sua contribuição específica à harmonia comunitária.
Na comunidade das FMA, uma tarefa particular é confiada à animadora, chamada ao serviço de autoridade no estilo evangélico e salesiano, inspirado na coordenação para a comunhão (cf C 52. 164).

As Avaliações do Capítulo geral XXII e a experiência das visitas de animação do Conselho geral evidenciam hoje uma certa debilidade na capacidade de animação e governo, causada pela tendência ao autoritarismo, formalidade do papel, rigidez, incertezas, fragilidades, permissividade. De outra parte, o estilo de animação salesiana propõem e exige a participação e a corresponsabilidade de cada membro da comunidade e, portanto, cada FMA é responsável pelo próprio amadurecimento e pelo clima comunitário e educativo (cf C 50-51).


A atenção à pessoa e a necessidade de agir com mentalidade projetual, que favorece a convergência em torno à missão e a agilidade organizativa,42 nem sempre são o estilo de quem anima a comunidade ou os diversos âmbitos da missão educativa.
Somos hoje particularmente provocadas pela demanda de escuta, de respeito e de valorização das diferenças que emerge da realidade contemporânea e, portanto, somos chamadas a exprimir uma relação de reciprocidade, que forma o coração à escuta empática, ao discernimento, ao diálogo, criando laços de pertença e dinamismos comunicativos profundos.
Na experiência trinitária encontramos a inspiração e a força para viver as relações interpessoais de forma circular. Esta é garantida pela simplicidade de quem acolhe e é acolhida, pela capacidade de escutar aquilo que o outro vive e sente, pelo perdão, pela partilha do que somos e não tanto daquilo que fazemos, aprendendo a dar confiança a cada pessoa, sentindo-nos todos enviados a anunciar de modo credível a vida verdadeira e plena, porque evangélica.
A comunidade educativa exige a realização de projetos compartilhados com leigas e leigos, no envolvimento e no respeito da corresponsabilidade e da subsidiariedade na missão educativa.43 É a preciosa herança que Dom Bosco e Maria D. Mazzarello nos deixaram como estilo de envolvimento de pessoas e de instituições. Um estilo que todavia não é ainda plenamente vivido.

Esta ampla partilha encontra um espaço privilegiado na Família salesiana, na qual a sinergia entre os diversos grupos, no mesmo espírito, constitui uma grande força de irradiação carismática na Igreja e na sociedade. Todos juntos somos casa com os jovens e para os jovens.


Ser fiéis à identidade carismática significa viver radicalmente a relação com Cristo, de modo a dar qualidade à reciprocidade em todas as outras relações,44 para fazer de nossas comunidades casa onde os jovens especialmente os mais pobres, podem renascer para a esperança e o amor.
Juntos, para ser resposta às profundas aspirações dos jovens
Em uma cultura caracterizada por uma profunda crise antropológica e onde Deus parece estar distante, as comunidades educativas são casa de quem sequer tem casa ou pontos de referência, comprometidas a viver a pedagogia de ambiente, abertas às novas fronteiras missionárias.45

Como alternativa a um sistema baseado muitas vezes na lógica da concorrência, as comunidades são convidadas a percorrer a via da valorização recíproca, da mentalidade de rede expressa como colaboração dentro do território, na Família salesiana, na Igreja e de modo especial com outras Congregações religiosas e Organismos que têm por finalidade a educação.


O encontro e a reciprocidade das relações em uma missão compartilhada são hoje um sinal profético que visibiliza o projeto de comunhão ao qual Deus chama cada pessoa e todos os povos.

É este o clima propício ao anúncio do Deus de Jesus que dá resposta às aspirações profundas dos jovens, os ajuda a encontrá-lo e a descobrir o próprio projeto de vida.


No Instituto, constata-se com alegria que muitos dos nossos ambientes, mesmo com limites e fragilidades, são espaços de autêntica evangelização. Neles, se educa à interioridade: a Palavra de Deus é ouvida, é compartilha e à sua luz se descobrem os critérios de discernimento e de ação.

Nas nossas casas, as crianças e jovens mais pobres e carentes são acolhidos com o amor preveniente de Cristo bom Pastor. Nós nos colocamos ao lado de quem foi ferido pela vida, se dá voz a quem não a tem, tantas pessoas se envolvem e energias são investidas para uma formação mais competente. O grito dos jovens em situação de pobreza é tão forte que somos chamadas não somente a dar respostas, mas a questionarmo-nos sobre suas causas e preveni-las.


Muitas Irmãs, leigas, leigos e também jovens se dedicam com entusiasmo à catequese e à animação de grupos de fé; se empenham com seriedade na formação para serem sempre mais competentes no anúncio e no testemunho do Evangelho.

Muitos jovens consideram a pertença ao Movimento Juvenil Salesiano e ao Voluntariado como significativa experiência de amadurecimento na gratuidade e na fé. Em geral, estes fazem do empenho pelo Reino de Deus uma opção responsável no campo educativo, social e eclesial.46


As Avaliações trienais foram perpassadas pela urgência da nova evangelização. Na verdade, é viva no Instituto a consciência de um novo e urgente chamado a ser no mundo boa notícia de Jesus nos diversos contextos.

Constata-se que, apesar dos esforços e do empenho, nem sempre a atenção para com a dimensão evangelizadora da missão é uma prioridade. A carência de formação pedagógica e catequética, a incapacidade de dialogar com a cultura contemporânea e a frágil ou ausente proposta de itinerários de educação à fé, muitas vezes, são a causa da pouca eficácia na missão e da escassa fecundidade vocacional em alguns ambientes.


Não faltam nas comunidades as iniciativas e as atividades pastorais realizadas também a custo de grandes sacrifícios, enquanto se constata por vezes uma diminuição no ardor apostólico, uma certa inconstância no acompanhamento dos jovens e no viver com aquele “coração oratoriano” que faz dos nossos ambientes espaços de evangelização e não somente de propostas culturais, promocionais ou de tempo livre. 47

O momento atual é propício não somente para viver no contexto das Redes sociais, mas para tornar o Evangelho presente no ambiente digital. É este hoje um forte apelo que nasce do da mihi animas cetera tolle e desperta a criatividade educativa em todos os níveis. No confronto com os desafios culturais emergentes, reconhecemos que o Sistema preventivo é caminho de humanização e estilo de relação que valoriza a colaboração de todos, especialmente dos jovens.

Uma comunidade que vive e intensifica a experiência de fé favorece o fortalecimento da fé nas famílias e o surgir de comunidades cristãs de referência também naqueles lugares onde são acolhidos jovens não-crentes ou pertencentes a outras religiões.
O testemunho da alegria de ter encontrado Jesus e de viver no seu amor, como comunidade educativa, é hoje caminho prioritário de evangelização, profecia de esperança para a humanidade e, principalmente, para os jovens.





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