Romance em veneza



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ROMANCE EM VENEZA

The Italian's Blackmailed Mistress



Jacqueline Baird

Tradução: Poliana Meto
Max Quintano sabe alcançar seus objetivos. Ao encontrar Sophie em dificuldades financeiras, oferece ajuda, mas com algumas condições.

Ela não permitirá a ruína de sua família, e ele usará de todos os meios para tê-la de volta... e fazê-la pagar pelo que lhe fez...



Digitalização: Ana Cris

Revisão: Crysty

O que pensa que está fazendo? — Sophie pediu uma explicação, tentando, sem sucesso, retomar a respiração e se libertar do abraço de Max.

— Estou experimentando a mercadoria. Preciso saber se compensa livrar seu pai das dívidas.

— Acha mesmo que ficarei com você só para livrar meu pai de problemas?

— Você deve conhecer bem seu pai. Ele tem apenas alguns dias até a reunião dos credores, quando deverá pedir falência.

Vê-la com outro homem na noite anterior fizera seu sangue ferver, assim como testemunhar aquilo que ela se tornara. Imaginar um russo gordo se deliciando com seu corpo, ao qual ele, Max Quintano, apresentara os prazeres carnais, lhe despertara uma volúpia sexual carregada de possessividade...


PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S.à.r.l.

Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte.

Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.

Copyright © 2006 by Jacqueline Baird

Título original: THE ITALIAN'S BLACKMAILED MISTRESS

Originalmente publicado em 2006 por Mills & Boon Modem Romance

Editoração Eletrônica: TopTextos Edições Gráficas Ltda. Tel.: (55 21) 2240-2609

Impressão:

RR DONNELLEY MOORE

Tel.: (55 11)2148-3500

www.rrdonnelley.com.br

Distribuição exclusiva para as bancas de jornais e revistas de todo o Brasil:

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Aos cuidados de Virgínia Rivera

virginia.rivera@harlequinbooks.com.br

CAPÍTULO UM

Maximilian Andréa Quintano, que os amigos chamam Max, saiu do banheiro vestindo apenas short de seda. Ficou tonto só de se inclinar para vestir as calças. Precisava de ar fresco e foi para a sacada da suíte. Gostaria que a dor de cabeça passasse. Mas fora culpa sua ter exagerado ao comemorar seu aniversário de 31 anos há dois dias. Passara a data na Toscana com o pai, a madrasta Lisa e familiares, embora tivesse uma cobertura em Roma e uma casa em Veneza.

Depois fez o exame médico anual exigido pelo seguro, e voltou a Roma. Devia viajar no dia seguinte, pois prometera ao pai que cuidaria dos negócios da família em seu lugar. Mas, antes, tinha encontrado seu melhor amigo, Franco, e outros colegas do tempo da universidade para festejar. Franco lembrou que sua esposa o esperava na Sicília. E como devia ir para lá, resolveu acompanhá-lo à ilha e continuariam a beber mais um pouco.

Ainda se sentia enjoado quando pegou um táxi às 4h30 da manhã para o Hotel Quintano, onde o aguardavam.

Seu avô construíra o primeiro hotel na ilha antes de mudar para a Toscana. Por isso, se tornou tradição da família passar lá as férias no mês de agosto. Nos últimos dez anos, Max raramente passara alguns dias na Sicília. Deixara seu irmão Paulo e outros parentes encarregados de continuar o costume.

Franziu as sobrancelhas ao lembrar da morte trágica de seu irmão mais velho, em um acidente de carro, há quatro meses. Quando Paulo, entusiasmado, passou a gerenciar os hotéis dos Quintano, Max ficou livre para fazer o que gostava, e por isso lhe era muito grato.

Muito aventureiro, perspicaz e vigoroso, formou-se em geologia e foi para a América do Sul. Ao chegar, ganhou uma mina de esmeraldas em uma partida de pôquer. Abriu a Companhia Mineradora MAQ, que expandira nos últimos nove anos para explorar jazidas na África, Austrália e Rússia. Tornou-se um multimilionário por mérito próprio. Mas, como tivera que reconhecer meses antes, nem a maior fortuna resolve todos os problemas.

Triste e chocado com a morte de Paulo, oferecera-se para ajudar o pai. Ele lhe pediu para acompanhar o gerenciamento do hotel. Para não quebrar a tradição, devia ficar hospedado por alguns dias, já que sua cunhada Anna e sobrinhas pequenas ainda estavam muito abaladas para viajar.

Ficou feliz por ter atendido o pedido, pois precisava mesmo de uma folga. Massageou as têmporas com a ponta dos dedos. Dio! Nunca mais, jurou. Quando chegou, antes do amanhecer, conseguiu instruir o recepcionista noturno, sabe-se lá como, a não anunciar sua chegada. Nada nem ninguém o incomodaria...

Max saiu da sacada e foi para a sala de estar. Precisava urgente de um café bem forte. Então, parou bruscamente.

Por um momento, achou que alucinava.

Uma silhueta feminina e alta, carregando flores nos braços, caminhava em sua direção. Seus cabelos louros, amarrados em um longo rabo-de-cavalo, emolduravam um rosto de beleza sublime. Podia apenas fantasiar como eram seus seios. Sua cintura era realçada por um cinto de couro que prendia com perfeição a saia preta, que ia até pouco acima dos joelhos. Observava o sedutor contorno de seus quadris, e suas pernas... A excitação súbita em sua virilha disse tudo. Era deslumbrante.

Ciao, bella ragazza — sussurrou.

Sophie Rutherford fora encarregada, pelo gerente do hotel, de verificar a suíte antes que o ilustre dono chegasse. Assustou-se ao ouvir a voz grave. E, ao deparar-se com o homem forte parado diante dela, deixou as flores caírem de sua mão.

Paralisada com o susto, o encarou perplexa.

No seu rosto belo e másculo, espessos fios de cabelo preto caíam sobre os olhos castanhos.

O corpo, bronzeado e musculoso, tinha ombros largos. Os poucos pêlos escuros no peito continuavam pela barriga lisa e desapareciam dentro do short. Que homem colossal, pensou. Arregalou os olhos esverdeados, admirada com seu vigor masculino.

Até que ele começou a vir em sua direção...

— Oh, nossa! — exclamou, ao perceber que ele não devia estar ali. E gritou: — Fique onde está! Vou chamar os seguranças.

O grito agudo ressoou como uma navalha nos ouvidos de Max. Fechou os olhos por um segundo. A última coisa de que precisava era receber advertências. E só então se deu conta de que ela não falara em italiano.

Max abriu os olhos devagar. Mas antes de conseguir responder, viu-a sair pela porta. Ouviu a chave girar na fechadura. Mal pôde acreditar, mas a louca o trancara mesmo no quarto. Sacudiu a cabeça, ainda atordoado, e chamou o gerente Alex pelo telefone. Pediu o café de que tanto precisava e se vestiu rápido. Fez a barba e voltou para a sala.

Uma camareira recolhia as flores, e Alex pousava uma bandeja de café em cima da mesa. Era impossível não perceber o riso que tentava conter ao cumprimentar o velho amigo.

— Max, é ótimo vê-lo novamente. Então você é o ladrão gigantesco que assaltava a suíte — falou Alex, soltando uma gargalhada.

— Muito engraçado, Alex. É ótimo vê-lo também. Agora me diga: quem era aquela maluca? — perguntou Max, bebendo um gole de café antes de se deixar cair no sofá.

— Sophie Rutherford — respondeu Alex, sentando ao lado dele. — O pai dela, Nigel Rutherford, é dono da agência Elite, de Londres. Gerenciam acordos com vários de nossos clientes europeus. Perguntou se sua filha podia trabalhar aqui por alguns meses, enquanto está de férias da universidade. Estuda russo e chinês, mas também fala italiano, francês e espanhol muito bem. E quer praticar seus idiomas. Aceitei, porque poderia nos ajudar com os nossos clientes estrangeiros. Desde que está conosco, provou ser muito competente. Gosta de trabalhar, e está sempre disposta a resolver qualquer problema.

— Se você diz ser tão boa assim, acredito — Max brincou com o amigo. — Mas desconfio que a beleza dela contribuiu muito para sua decisão.

— Pode-se dizer que sim. Mas não me deixo influenciar por um rosto bonito como você. Afinal, sou bem mais velho.

— Mentiroso — falou, com um sorriso safado no rosto ao relembrar da jovem. — Qualquer homem com sangue correndo nas veias repara na beleza dela, e eu gostaria de conhecê-la melhor.

— Sophie não é garota para você — Alex disse com uma expressão séria. — Tem só dezenove anos. E sou o responsável por ela, já que o pai não está aqui. Por mais que goste de você, não acho que seja o que espera. É do tipo estudiosa e que serve para casar, e não para ter apenas um caso.

Max não se ofendeu com o comentário. Alex era como um tio, e o conhecia muito bem. Por mais que amasse mulheres, e fosse amado por elas, não pensava em casar tão cedo. Isso se chegasse a tanto. Após a morte de Paulo, seu pai começara a lhe dar indiretas para pensar no assunto, já que não havia um herdeiro para continuar o nome da família Quintano. Mas não cogitava sossegar. Ainda queria viajar pelo mundo, e fazer o que gostava. E como possuía uma fortuna que nem sabia como gastar, a família de Paulo poderia ficar com a parte da herança a que tinham direito. A última coisa de que precisava era uma esposa.

— É uma pena! — falou com ironia. — Ela é maravilhosa. Mas não se preocupe, velho amigo, prometo não seduzi-la. Bom, agora podemos falar de negócios?

Mais tarde, Max caminhava entre as árvores da praia privativa do hotel. Escalou um promontório rochoso até uma pequena gruta. Quando era menino, adorava saltar dessas rochas. E fora ali que começara a se interessar por geologia. Hoje, um mergulho certamente iria ajudá-lo a relaxar e clarear a mente.

Foi quando reparou nos vistosos cabelos louros que se destacaram na paisagem. Estreitou os olhos castanhos ao reconhecer a jovem que vira em seu quarto. Observou-a se desenrolar da toalha.

Max mostrava sinais óbvios de entusiasmo masculino enquanto a admirava. E, em silêncio, chegou perto. Seu biquíni rosa era muito simples comparado aos que já vira, mas seu corpo era dos mais fascinantes. Uma mecha de cabelos luminosos caía sedosa sobre um de seus seios, e seus olhos estavam fechados. Suas pernas eram exatamente como imaginara: compridas, finas e sensuais. A pele era macia como seda, com um bronzeado leve. Não conseguia tirar os olhos dela, e já estava se arrependendo da promessa que fizera a Alex de não tentar nada.

Sua sombra se projetou sobre ela ao se aproximar, fazendo-a abrir os olhos.

— Sophie Rutherford, não é? — falou devagar. E ela se levantou em um salto. Estendeu a mão para cumprimentá-la e sorriu. — Sou Max Quintano. Não consegui me apresentar esta manhã. Perdoe-me se a constrangi de alguma forma.

— Sophie, sim...— Ficou corada e apertou a mão dele. — É um prazer conhecê-lo, sr. Quintano, mas eu o tranquei em seu quarto. Eu é que devia me desculpar.

Max sentiu o leve tremor em seus dedos. Olhou fundo em seus lindos olhos esverdeados. Estava muito envergonhada, mas não conseguia esconder a forte atração que sentia. Sua ressaca sumiu na mesma hora. E disse, sorrindo:

Por favor, me chame de Max. Não precisa se desculpar, a culpa foi minha. Acho que a assustei. Mas está muito quente para discutir sobre isso. Notei que está na minha praia favorita. Não queria assustá-la mais uma vez, como fiz hoje. Por favor, fique e veja que minhas desculpas são sinceras. E que não sou um assaltante gigantesco.

Sophie estremeceu, e quase soltou um gemido. Largou a mão dele e disse:

— Alex lhe contou o que falei? Que vergonha!

Nunca antes se sentira tão atraída por um homem. Ao encontrá-lo na suíte, agira como uma boba, parecendo uma criança assustada.

Agora, querendo melhorar a primeira impressão que causara, defendeu-se com um sorriso irônico:

— Mas, convenhamos, você é mesmo bem alto.

— Tenho 1,98m. Sophie, não precisa se envergonhar. Seu rosto parece em chamas. Quer dar um mergulho para refrescar? — sugeriu Max. E, sem esperar pela resposta, disse: — Vamos ver quem chega primeiro na água?

Óbvio que ela correu atrás dele. Não duvidou disso nem por um segundo, afinal as mulheres sempre o perseguiam.

Ao chegar no mar, Max se virou e a respingou. Viu-a revelar um belo sorriso, e olhá-lo com um jeito travesso antes de se abaixar e fazer o mesmo.

Começaram a brincar um com o outro, o que não ajudava a aplacar o crescente desejo de Max. Imaginava se ela não chegara a perceber que, quando se inclinou, seus seios balançaram para cima e para baixo e quase pularam do top.

Max não conseguiu mais resistir e a pegou no colo.

— Tentando me respingar, não é? Você vai ver só, mocinha — declarou, e a carregou até ficar com água pelas coxas.

— Não se atreva — gritou, às gargalhadas. Envolveu os braços com mais força no pescoço dele.

— Eu faria qualquer coisa para tê-la em meus braços, Sophie — Max brincou.

Encararam-se por um bom tempo, até que a brincadeira acabou dando lugar a um crescente desejo, feroz e primitivo.

Pela primeira vez, Sophie se sentia atraída sexualmente por um homem. A sensação de um dos braços de Max segurando suas coxas, enquanto o outro passava pelas suas costas, fazia subir um frio pela barriga e acelerava seu pulso. Os dedos dele tocavam a lateral de seu seio. E o mundo parecia ter desaparecido. Olhava-o como se estivesse hipnotizada. A respiração dos dois se intensificava conforme o desejo aumentava.

Abriu os lábios, por instinto, ao imaginar o beijo daquela boca carnuda.

E no instante seguinte Sophie estava debaixo d'água, sentindo que engolia um oceano. Levantou-se, tentando recuperar o fôlego, e viu Max observá-la como se estivesse arrependido.

— Precisamos ir mais devagar. Vou nadar um pouco até o penhasco. A gente se vê depois. — E Max mergulhou como um golfinho, produzindo uma trilha suave em cada braçada.

Na verdade, parecia mais um tubarão do que um golfinho, reconsideraria Sophie no futuro. Nada em seus dezenove anos a preparara para um homem ; como Max Quintano. Sua mãe morrera quando ela tinha onze anos, e seu pai a mandara para um internato para meninas. Quando chegara aos treze, espichara para 1,80m, e começara a ter vergonha de seu corpo. Tinha poucos amigos e, nas férias, ia para casa em

Surrey, Inglaterra. Quando seu pai ia trabalhar, ficava sozinha com a empregada Meg.

Só ganhara autoconfiança no último ano da faculdade. Descobrira, para sua alegria, que ser alta não a impedia de fazer amizades, e chegara a namorar alguns rapazes.

Mas nunca sentira os arrepios na espinha e os calafrios na barriga que os sorrisos e toques provocadores de Max lhe causavam.

Voltou para a areia e sentou na toalha. Desnorteada e com uma expressão sonhadora, via-o nadar já bem distante. Podia sentir ainda os braços fortes a erguendo, o toque dos dedos na pele fervente de seu seio... É paixão ou só atração?, cogitava sem tirar os olhos dele.

Max deu meia-volta e começou a nadar em direção praia. O exercício exaustivo conseguiu esfriar seu ânimo. Não ficava com uma mulher desde seu retorno da Austrália, após saber da morte de Paulo. Os últimos quatro meses de celibato o haviam deixado entusiasmado com a graciosa Sophie.

Sentira que ela esperava que ele a beijasse quando a carregou nos braços. Era óbvio que desejava muito saborear seus lábios, e muito mais. Mas Alex tinha razão ao dizer que Sophie era muito nova. E Max resolveu honrar sua promessa.

Saiu, então, da água, afastando os cabelos dos olhos, orgulhoso de si mesmo por ter agido corretamente. Reparou que Sophie ainda estava na praia. Foi na direção dela, e a viu se endireitar e sorrir. De repente, suas boas intenções sumiram. O que havia de errado em paquerar uma bela jovem enquanto estivesse na Sicília por algum tempo?

Aproximou-se e estendeu a mão.

— Venha, Sophie. Já pegou sol demais. Vou acompanhá-la até o hotel. — Quando levantou, Max lhe deu um beijo rápido e suave no rosto. Ouviu-a suspirar forte, e antes que passasse vergonha, disse: — Deixe-me mostrar as passagens secretas do labirinto.

Duas semanas depois, Sophie não sabia se estava completamente apaixonada, pela primeira vez. Seu coração palpitava forte sempre que via Max Quintano, e o som da voz dele a deixava sem fôlego. Era muito amável e sedutor. Os convites para nadar ou caminhar em suas horas de folga a levavam ao paraíso. Sempre aceitava, como um cãozinho feliz. Não eram encontros de verdade, mas a deixavam ansiosa e extasiada. Em todas as vezes, ele se comportou como um perfeito cavalheiro. Não fez nada além de beijá-la na bochecha, embora Sophie esperasse mais.

Mas, dessa vez, a convidara para jantar em um restaurante em Palermo. Enfim, um encontro de verdade. Tinha certeza de que seus sonhos se realizariam naquela noite. Sophie saiu do quarto do chalé, que dividia com a recepcionista-chefe do hotel, sua amiga Marnie. Como queria impressionar Max com um vestido chique de seda que comprara naquela tarde, foi até a sala. Deu um rodopio, e perguntou:

— O que você acha, Marnie?

— Bom, deixe-me adivinhar... Vai encontrar Max Quintano?— Marnie zombou.

— Sim — Sophie respondeu radiante. — Mas como estou?

— Está fabulosa! Ele vai cair de joelhos. Mas sabe no que está se metendo? Já lhe avisei que é mulherengo. Até mostrei aquele artigo na revista, lembra? Sei como se sente, mas ele é mais velho, refinado e bem mais experiente. Você é nova, ainda vai se formar. Não jogue tudo para o alto por causa de um casinho amoroso, porque é só o que acontecerá entre vocês.

Sophie ficou tensa.

— Eu sei, já ouvi os rumores, mas tenho certeza de que muitos são exagerados.

— Acredite no que quiser, isso é típico de adolescente — disse Marnie com frieza. — Só estou avisando para você ter cuidado. Ele tem a vida de um multimilionário, nunca fica no hotel mais do que um final de semana. Max só está aqui agora porque seu pai e familiares não puderam vir após a morte do irmão dele. Mas eu soube que logo chegarão. E, como sempre acontece, ele logo vai embora.

— Você não tem como saber isso com certeza — disse Sophie, sentindo o chão sumir embaixo dos pés só de pensar na partida de Max.

— Não tenho certeza, mas ele não se relaciona bem com o pai. Sei que se dá bem com o resto da família, mas a pessoa mais importante é sua meia-irmã Gina. Todos dizem que têm um caso há anos. Alguns acham que ela tolera o jeito mulherengo do irmão porque pensa apenas na carreira de médica e não quer casar. Mas estão dizendo que o pai Quintano os proibiu de ter algo além do relacionamento normal entre irmãos. As circunstâncias, porém, mudam, e Max sempre foi dono de si. Se decidir casar, tenho certeza de que ficará com Gina. Então, já está avisada. Não faça bobagem.

A campainha tocou. A alegria de Sophie desapareceu por instantes, até abrir a porta e vê-lo. Estava maravilhoso e sexy, vestido com elegância em um terno sob medida. Seu coração, já palpitante, quase saltou do peito.

Max abriu um sorriso quando a porta se abriu. Mas, ao vê-la, ficou boquiaberto.

Suas mechas louras estavam presas em uma trança no alto da cabeça. A maquiagem leve salientava seu rosto delicado e seus fabulosos olhos verdes. Seus seios firmes e as curvas femininas eram modelados pela seda de cor esmeralda do vestido apertado, que ia até as coxas. Só de olhá-la, Max ficou excitado.

— Está maravilhosa, e, por incrível que pareça, já está pronta — disse, pensando que também estava pronto para possuí-la naquele instante.

— Sim.

Perdeu o fôlego ao vê-la sorrir. Devia lembrar que prometera não seduzi-la, mas o problema é que Sophie o fascinava por diversos motivos. Era divertida, muito inteligente para a idade e uma ótima companhia. E seu corpo o enlouquecia. Sabia que não conseguiria se segurar. Talvez não devesse tê-la convidado para sair.



Sophie não notou a apreensão de Max no trajeto que fizeram de carro, nem quando segurou seu braço ao entrarem no restaurante. Estava excitada demais a para perceber qualquer coisa.

Max pediu champanhe. Com as taças cheias, levantou a sua e disse:

— Brindemos a uma bela jovem e uma bela noite. Sophie corou ao ouvir a palavra noite. Referia-se

ao que ela esperava que acontecesse? Finalmente ele pretendia algo mais? Beijá-la e fazer amor? Pensou que sim, quando seus olhares se cruzaram e eles tocaram as taças.

Sophie deixou-o fazer o pedido. No decorrer do jantar, após vários goles de champanhe, sentia-se cada vez mais enfeitiçada. Conversaram sobre trivialidades, e ele sempre sorria e tocava sua mão. Ofereceu-lhe um pouco de uma comida que ela nunca experimentara, e se deleitava com suas reações. Ao final da refeição, ela sabia que estava completamente apaixonada.

— Foi um ótimo jantar! — Sophie suspirou alegre enquanto Max pagava a conta.

A refeição estava perfeita, mas foi uma tortura para ele. Precisou de muito esforço para evitar tocá-la demais. Devia estar louco quando pensou que poderia apenas paquerá-la. Ao saírem do restaurante lotado, quase não se conteve. Envolveu a cintura de Sophie e sentiu o quadril mover-se sensualmente encostado na sua coxa, quando a puxou para seu lado.

— Fiquei muito feliz por ter me trazido aqui. — Olhou sorrindo para ele.

Max sentiu a tensão percorrer seu corpo ao ver os dentes brancos se destacarem do tom bronzeado da pele.

Não era nenhum masoquista. Precisava parar ou corria o sério risco de não se controlar, o que nunca lhe acontecera. Tirou o braço da cintura dela para abrir a porta do carro, mas seu coração não parou de palpitar. Era tão linda e ingênua, e sequer tinha o juízo de esconder o que sentia.

— O prazer foi meu. — E fechou a porta. Retomou o controle ao sentar-se ao volante e ligar o carro. Ao dirigir pelas estradas sinuosas de volta para o hotel, deu uma olhada em Sophie e percebeu que não devia ficar zangado com ela. Ela não tinha culpa de ser tão sedutora e estonteante, pensava ao estacionar o carro na frente do chalé.

Sophie sentiu que o humor de Max não estava mais divertido e íntimo como no jantar. Olhou para ele quando desligou o carro, tentando descobrir o que fizera de errado.

— De volta ao lar... — disse, como uma tonta. Corou ao perceber que não era requintada ao ponto de atraí-lo. Mas Max lhe provou que estava errada.

— Ah, Sophie — disse, com a voz rouca. — O que faço com você?

Viu o sorriso sensual em seus lábios quando envolveu-lhe a cintura e a puxou contra o peito. Murmurou baixinho alguma coisa, que ela não entendeu, mas nem se importou, quando seus lábios se tocaram. Ondas supersônicas se propagaram por todos os nervos de Sophie. Moveu a língua de forma sedutora por entre os lábios entreabertos de Max, a saborear sua boca doce e molhada. Sem perceber, envolveu-lhe o pescoço com as mãos. Seu beijo era muito melhor do que esperava. Fechou os olhos e se entregou às delícias daquele abraço. Sentiu-o acariciar-lhe um dos seios. E quando seu polegar roçou-lhe o mamilo coberto pela seda, já totalmente rijo, uma onda selvagem de desejo percorreu suas veias.

Dio! Como eu a quero... — Max suspirou. Sophie correu os dedos por entre os cabelos pretos e lisos. Levada por uma voracidade crescente, enrascou sua língua na dele com um afinco cada vez maior.

Max a ouviu gemer, e viu paixão naqueles olhos esverdeados. Sabia que ela era sua. Quase cedeu à tentação, afinal não era de ferro e não costumava ignorar os próprios anseios. Mas lembrou-se da promessa feita a Alex. Devia se controlar.

Inclinou-a gentilmente no assento e saiu. Ainda tentava recuperar o fôlego ao contornar o carro e abrir a porta do passageiro. — Venha, cara.

Sophie, ainda confusa, o viu estender a mão. Precisou de um esforço enorme para controlar o tremor em suas mãos e aceitar a ajuda para se levantar.

Olhou para o chalé e para Max, ainda consumida pelo desejo e sem saber o que fazer ou dizer.

Percebendo sua hesitação, com um dos braços ele envolveu sua cintura e a levou até a porta. Virou-a nos braços e olhou sua expressão ainda perplexa. Resolveu facilitar as coisas para ela.

— Obrigado pela noite adorável, Sophie. Não vou entrar. Preciso fazer algumas ligações para o exterior, sabe como é, fusos horários diferentes. — Deu um beijo leve na testa dela e disse, arrependido:

— Vou embora amanhã, mas quem sabe não possamos jantar fora quando eu estiver aqui?

Max a desejava, e desconfiava de que não conseguiria largá-la se ficasse com ela. Não acreditava em amor, porém era astuto para reconhecer que o fascínio e descontrole que sentia poderiam facilmente perturbar seu sossego.

Obrigada, gostaria muito — murmurou Sophie.

Ele percebeu como estava apaixonada, e também magoada. Por mais que a desejasse, sabia que Alex tinha razão, não era garota para ele. Observou como tratava os hóspedes, empregados e as crianças, que cuidava com prazer sempre que lhe pediam. Era carinhosa e todos gostavam dela. Merecia ser feliz, e ele era cínico demais para acreditar no "felizes para sempre". Gostava de ter apenas casos, sem compromisso, e Sophie era muito nova e romântica para isso. Não era o momento certo. Talvez daqui a alguns anos, quando estiver formada e ele ainda estiver solteiro. Nunca se sabe.

— Boa noite, minha doce Sophie.

Como sabia que não conseguiria resistir em tocá-la, contornou-lhe os lábios com o dedo, fazendo-a sorrir.

— Assim está bem melhor. Garotas lindas como você deviam sorrir sempre — disse com delicadeza e um olhar enigmático.

Abriu a porta do chalé e a guiou para dentro com a mão nas costas dela. Sophie era tentadora e sensível demais para seu próprio bem, e nem todo os homens se controlariam como ele.

— E tenha juízo! — Max a alertou, sentindo-se frustrado. Ligou o carro e partiu. Já tinha decidido. Viajaria para a Rússia para resolver alguns problemas com o gerente de operações naquele país. Pelo que lembrava, a recepcionista da empresa, Nikita, era uma amante bem criativa. Era muito rico, e sua confiança arrogante o convencera de que havia muitas mulheres bonitas interessadas em dormir com ele. Não precisava de Sophie, e logo a esqueceria.

Sophie viu Max dar as costas e se afastou. Esperava que olhasse para trás, como um sinal de que gostava dela. Mas não o fez.

Mais tarde, Marnie encontrou-a enroscada no sofá, com os olhos vermelhos de tanto chorar. Deu sua opinião.

— O que esperava após um encontro? Uma declaração de amor? Anime-se, garota. Max Quintano sabe que pode ter a mulher que quiser. Você foi apenas uma diversão enquanto esteve aqui. Mas, nunca se sabe. Podem sair de novo, se ele voltar algum dia. Caso isso aconteça, não esqueça do que falei. O máximo que se pode esperar dele é um envolvimento breve.

As palavras de Marnie não a ajudaram a se sentir melhor, mas ao menos a fizeram encarar a realidade. Era a primeira vez que se sentia atraída por homem, e tinha logo que ser por um homem mais velho, um magnata mulherengo como Max Quintano. Onde estava com a cabeça? Reconheceu que seu erro fora confundir uma paixão passageira de adolescente com amor verdadeiro, e agora devia superar isso. Ao menos não dormira com ele...

Mas pensar nisso não a confortava nem um pouco.


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