Romário martins



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ROMÁRIO MARTINS

O caldeirão de raças que é o Paraná, produziu personalidades importantes, em vários campos do conhecimento. Entre outros temos:na história Rocha Pombo, David Carneiro, Ruy Wachovicz. Nas Artes plásticas Theodoro de Bona e João Turim; na pintura Viaro, Bakun , Loio Persio; na Poesia Helena Kolody e Paulo Leminski; na cinematografia Graff, Kosak, Sílvio Bach; no teatro Armando Maranha, Nitz Jacon; a dupla sertaneja Nho Belarmino e Nha Gabriela; no circo os Irmãos Quirolos, o maestro Bento Mossurunga.

Dentre todos, porém, uma figura se destacou:- ROMÁRIO MARTINS. Foi jornalista, historiador, literato, estadista, ecologista e paranista. Em quase tudo o que fez foi um precursor que caminhou a frente de seu tempo.

Romário nasceu em 08/12/1874 e faleceu em 10/09/1948.

Em 1974, no centenário de nascimento de Romário Martins, o Boletim do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense, publicou o seu volume XXIII todo dedicado a sua vida e obra.


JORNALISTA

Sua intensa atividade teve início aos 15 anos, como topógrafo no jornal "Dezenove de Dezembro".Quando em 7/12/1938 foi homenageado pelo Sindicato dos Operários e Empregados Gráficos de Curitiba afirmou:"Este momento acorda em mim alguns dos mais lindos anos de minha vida. Revejo-me na minha mocidade com o componedor na mão, em frente a minha caixa, na oficina do Dezenove de Dezembro, aprendendo a arte tipográfica. Depois nas tipografias da "A Republica",do "15 de Novembro", do "Correio Oficial",da"Folha Nova", da "Federação", como tipográfo, vivendo meu ofício e aperfeiçoando, na caixa,minha instrução. Na constância do meu ofício eduquei meus sentimentos, minha inteligência e minha atividade, na modéstia, no trabalho e na ordem. Das oficinas dos jornais, passei as redações".

Disse mais:" A oficina é uma escola e um lar, instrui e educa. Ela formou o meu espírito e formou-o de maneira a fazer de mim uma individualidade moral e intelectual de ação no meu meio e no meu tempo. Ela me fez recordar risonhos dias de minha vida, de quando a merenda que eu levava para o trabalho era posta a aquecer sobre a caldeira do motor da oficina e tinha o sabor dos mais finos manjares".

A sua escola foi a imprensa. Romário é cogominado "O Príncipe dos Jornalistas do Paraná".


HISTORIADOR

"Foi o mais fecundo e ativo de nossos historiadores".

Sua mais importante obra foi a "História do Paraná", cuja 1ª edição, com 244 páginas, saiu em 1899. Entre suas mais de 70 obras, além de " História do Paraná", destacam-se:"O Paraná", " Curitiba de Outrora e de Hoje", "A Cruzada da República do Paraná","Combate de Comorant," O Pinheiro do Paraná", "O Livro do Mate", "A devastação dos Pinheiros e o Reflorestamento"," O Ouro da Serra do Mar","O Socialismo".

Em quase tudo o que Romário produziu está presente o Paraná. Foi um dos nossos mais ativos pananistas.

Em 24/05/1900, com apenas 25 anos, Romário Martins convocou e lideriu a organização do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. No ano de 1917, o mesmo Romário inicia a publicação do Boletim do Instituto que continua até hoje como órgão e entidade.
ESTADISTA

Romário Martins pontificou também nas funções públicas, tanto eletivas como de nomeação.

Foi eleito para o Congresso Legislativo(hoje assembléia) nas legislaturas de 1904-1905;1908-1909;1910-1911;1912-1914;1918-1919;1920-1921;1922-1923;1924-1926;1926-1927;1927-1928.

Sua atuação como deputado foi marcante. Foi autor das leis que criaram o código da Erva Mate, o código Florestal; a Escola Agronomica do Paraná; cursos profissionalizantes para o setor agropecuário; a bandeira e o brasão do Estado; colonia infantil; o Montepio dos Servidores do Estado; foi também autor da lei que regulou o corte de madeira e o reflorestamento e que estabeleceu reservas de propriedade para os índios.

Em 1905 foi camarista(hoje vereador) em Curitiba, sendo inclusive autor da lei que criou o brasão de armas da capital.

Era, porém , realista. Certa vez afirmou "seus projetos quando venciam as barreiras dos interesses partidários, ficavam letra morta na legislação do Estado. Raros saiam da subjetividade das leis decorativas, para a realidade das aplicações".

Em fevereiro de 1928 assumiu o cargo de diretor do departamento da agricultura( equivalente ao atual Secretário da Agricultura). Nesse cargo executivo empreendeu várias atividades, entre elas a " Cruzada do Trigo", conseguindo aumentar a produção entre a safra 1927/28 e 1930/31, em 585%. Instituiu a "Semana da Abelha", a "Festa do Pão", e editou a Revista " Semana Semeador".
ECOLOGISTA

Romário Martins foi um dos grandes defensores da ecologia. Toda sua ação era voltada para a defesa de nossas florestas, da nossa fauna e flora.

O seu pensamento sobre o assunto está refletido na profundidade e beleza de sua fala no dia da árvore em 1928: "Plantar árvores é aumentar o patrimônio de riqueza e de beleza da Pátria. Destruir árvores é empobrecê-la e enfeiá-la. Explorar florestas nativas sem replantá-las é desaparelhar a Pátria de suas mais preciosas reservas naturais, é ter de comprá-las amanhã ao estrangeiro previdente que as replantou, porque todas as necessidades da vida as reclama.

A árvore nos acompanha sempre,- na vida e na morte. Ela é o berço, o leito, a mesa, a casa, o esquife.

Todos os povos a veneraram. Bosques houve que foram considerados sagrados. Certas árvores foram consideradas santas, outras simbolizaram e simbolizam ideais e sentimentos: a Oliveira simboliza a Paz, o Louro a Glória, as Palmas a Vitória.

Todas as razões de ordem social justificam a plantação de árvores, com intuito utilitarista ou simplesmente estéticos.Só os egoístas as destroem sem replantá-las. Mas nenhum progresso provém do egoísmo.

Os maus, também, não plantam árvores. Deus lhes negou esse prazer com que dotou aqueles que não são capazes de sentir a beleza e de criá-la.

Vós que as estaios plantando agora, atentai bem no que estais fazendo!

Estas árvores, amanhã serão sombra para a vossa própria fadiga, serão as oxigenadoras e saneadoras destes lugares e as contribuidoras de sua beleza! Serão flores que alindarão e que vos dedenderão a saúde e que vos incitarão ao trabalho.

Serão também as vossas companheiras. Vê-las-ei crescerem e produzirem serenamente, no doce encanto da vida ao ar livre ,frondejando para a luz destas alturas.

Tomai-as como exemplo! Vivei com elas, crescendo em cultura e virtudes, iluminando o vosso espírito para serdes úteis a sociedade, produzindo utilidade para serdes felizes."

SOCIALISTA

Durante a sua trajetória de vida Romário Martins foi também, um sonhador utópico, refletido no seu opusculo."O Socialismo" editado em

1895, onde sustentava que a propriedade é um roubo, combate a forma da sociedade e defende a união de todos, mas sem classes e sem discriminação. Ele era um humanista e estava a frente de seu tempo.
PARANISTA

Ele era fanaticamente defensor do Paraná. Em 1927 organizou o Centro Paranista. Na mensagem que fundamenta o paranismo conta:" Paranista é aquele que em terras do Paraná, lavrou o campo, vadeou uma floresta, lançou uma ponte, construiu uma máquina, dirigiu uma fábrica, compôs uma estrofe, pintou um quadro, esculpiu uma estátua, redigiu uma lei liberal, praticou a bondade, iluminou um cérebro, evitou uma injustiça, educou um sentimento, reformou um perverso, escreveu um livro, plantou uma árvore.

Paranismo é o espírito novo, de enlace e exaltação, idealizador de um Paraná maior e melhor pelo trabalho, pela ordem, pelo progresso, pela bondade, pela justiça, pela cultura, pela civilização. É o ambiente de paz e de solidariedade, o brilho e a altura dos ideais, as realizações superiores da inteligência e dos sentimentos.

Nós que aqui estamos nos esforçando por fazer germinar, florir e frutificar esse ideal entre as gentes que estão povoando e afeiçoando aos surtos de maior grandeza, este trecho lindo e dadivoso das terras de nossa Pátria- pretendemos que o "paranismo" seja a fé constante de nossas realizações, a confiança no nosso futuro, a ufania do nosso passado, o dinamismo da nossa vitalidade, o heroísmo pacífico do nosso trabalho, a confraternização dos nossos elementos sociais de todas as origens, para a formação desse espírito de brasilidade que nos há de salvar de nós mesmos."

Sobre o homem Romário escreveu Ayrton Ricardo dos Santos:"Examinamos até aqui o desempenho de Romário Martins nos diversos campos de atividade e exercício dos cargos que ocupou, sempre com grande brilho e extremos de dedicação e patriotismo.

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Em todos pudemos divisar as facetas que integram a sua personalidade: homem bom, sem rancores, generoso, inteligente cativante, desprendido dos valores materiais, ardoroso patriota "fanaticamente paranista", na expressão feliz de Francisco Negrão: metódico em seu trabalho, modesto em suas atitudes,moderado em seus costumes".



Observação: Este documentário faz parte de um capítulo do Livro " O Paraná tem Histórias " de Hermógenes Lazier.

( Professor de História do Estado do Paraná). Agradecemos a sua colaboração para o enriquecimento deste APC.


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