Rosane Rodrigues contemporaneidade. O final das utopias da pós-vanguarda. E o lugar da utopia moreniana?



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Rosane Rodrigues


CONTEMPORANEIDADE. O FINAL DAS UTOPIAS DA PÓS-VANGUARDA. E O LUGAR DA UTOPIA MORENIANA?

Resumo - O artigo trata de uma atualização a respeito do que seria considerado o homem moreniano e a revisão da existência ou não da utopia moreniana à luz da contemporaneidade.

Descritores – Utopia, Contemporaneidade, Teatro de Reprise, Teatro Espontâneo, Grupos.
Abstract – The paper deals with an update as to what would be considered the morenean man and the review of the existence or not the morenean utopia in the light of contemporaneity.

Index terms – Utopia, Contemporaneity, Playback Theatre, Spontaneous Theatre, Groups.


INTRODUÇÃO
O apaixonante psicodrama, desperta nos estudantes e mesmos nos iniciados, a revitalização de seu idealismo. Não há como não ser arrebatado por um homem moreniano que vive e prega a liberdade, a espontaneidade e o respeito às diferenças e ao coletivo.

Assim, o psicodrama prolifera no Brasil. Mas parece que não decola em termos de ser conhecido para além de suas próprias fronteiras. Muitos adeptos são apaixonados e convictos de nosso papel social para promover aquela tal saúde que levaria à sociatria.

O que nos falta para envolvermos a humanidade na ideia da inclusão de TODOS? O que nos falta para que muitos mais queiram conhecer e se apaixonem por essa ideia do coletivo?

Este artigo trata de um debate interno da autora a respeito da questão da utopia moreniana. O estudo é fertilizado pelo estudo de autores entre filósofos, historiadores e artistas para pensar sobre se existe perspectiva hoje para a utopia na contemporaneidade. Existe espaço para utopia? Como viver o psicodrama nesse momento tão coletivo e paradoxalmente tão pouco coletivo que vivemos?


MORENO E SUA TRAJETÓRIA DENUNCIADORA RUMO À UTOPIA

A exibição de Jacob Levi Moreno (1889-1974) em primeiro de abril de 1921, dia internacional da mentira, no que ele mesmo considerou a primeira sessão psicodramática oficial, realizada no Komoediaen Haus de Viena (1987), parece ser a cena de uma comédia. E creio que a intenção de Moreno era mesmo o impacto, em tom sarcástico, da falta de liderança da época.

Ele nos diz: “Tal como a Alemanha, a Rússia, os Estados Unidos e, na verdade, todo o mundo povoado, também a Áustria estava inquieta em busca de uma nova alma.”

Ele declara que queria curar o público de uma doença que designou de síndrome cultural patológica.

Essa intervenção artístico/social continha a ideia de que a humanidade necessitava de uma forte liderança para se organizar enquanto qualquer grupo social, e que, pelo menos naquele momento, não havia organização suficiente para evitar que esse líder não funcionasse como um messias. Moreno, através dessa ação pública, denuncia e escancara satiricamente o retrato do que ele mesmo chamou de doença social.

Aqui já vemos anunciado, portanto, a vaga para um líder que surgisse com ambição para reger a humanidade. Vamos acompanhar esse raciocínio com a pontuação de que Hitler e Moreno nasceram no mesmo ano e essa experiência de Moreno aconteceu pouco após Hitler ter servido na primeira guerra mundial como cabo, e formado a liderança nazista a partir daí.

A trajetória de Moreno, sua inspiração em Bergson, seus conhecimentos teatrais e suas ideias ousadas e revolucionárias fizeram com que criasse as bases não só da psicoterapia de grupo, como também uma perspectiva do homem em relação, o que será designado pelos seus seguidores como Homem Moreniano.

Moreno também fazia ainda uma crítica violenta ao teatro da época como adoentado, pois estava sem viço e impregnado de clichês. Essa sua crítica coincide com a de muitos outros artistas contemporâneos, como Evreinov, Decroux e Brecht, e também com a de pensadores e filósofos da virada do século.

A sua proposta era a de revolucionar a forma do fazer teatral, trazendo o público para o palco, justamente como na cena acima, e improvisar, ou sobre sua própria história ou para buscar uma verdade compartilhada pela plateia sobre assuntos instigantes.
IDEIAS MORENIANAS RUMO A UTOPIA NO BRASIL
No Brasil, tivemos notícia de seu trabalho primeiramente no Rio de Janeiro, através de Alberto Guerreiro Ramos e suas intervenções sociodramáticas em diversos trabalhos no Instituto Nacional do Negro e artigos no Jornal Quilombo em 1950 a respeito da situação da negritude brasileira. (Motta, 2008). Depois, o francês Pierre Weil em Minas Gerais e os argentinos, como Rojas Bermúdez e Dalmiro Bustos, fincaram efetivamente as bases para o interesse no aprendizado da abordagem psicodramática. Porém, o evento que entusiasmou e levantou o nome do psicodrama e da grande novidade foi a intervenção de 1970 no MASP, em São Paulo, envolvendo a comunidade paulistana. Um inovador gesto e uma atitude bastante pertinente em um momento de grandes revoluções, como os festivais de música e a tropicália.

Ainda na faculdade, por volta de 1976, assisti a uma espécie de happening, muito ao gosto da época dos anos 70, promovido por Rojas-Bermúdez no TUCA, em São Paulo, onde sacos elásticos coloridos eram preenchidos com voluntários da plateia, dando formas fantásticas e expressivas de supostas emoções aos panos.

O psicodrama me apaixonou, porém, em 1978, já ligado a intervenções em grupo para promover uma inovadora orientação profissional no IPUSP, sem o uso de testes psicológicos e lançando mão de jogos e dramatizações. O instrumento potente de colocar o indivíduo em cena, carregando a história e representatividade do grupo, era e continua sendo surpreendente para mim em seu resultado de insights dramáticos.

É claro que o psicodrama que se fazia nesse tempo sofreu uma grande transformação, acolhendo muito mais a arte e a educação como tintas fortes (Rodrigues, 2008) do que aquele psicodrama realizado quase que exclusivamente por médicos e psicólogos. Esse, por sua vez, teve como marca negativa um pedido (obviamente não atendido) ao Prof. Dr. Clóvis Garcia1 para restringir a presidência do órgão a médicos e psicólogos

Aquele que hoje é chamado de movimento psicodramático brasileiro carrega a marca de um início conturbado por discordâncias no final da vida de Moreno. De um lado, a autonomia dos latino-americanos foi estimulada, e de outro nascemos já fraturados no que Moreno anunciava que seria o futuro da “família psicodramática”. Em discurso proferido no Congresso Internacional de Psicoterapias de Grupo em Buenos Aires, 1969, Moreno disse: “Salve o Brasil, salve! (...) se pode fazer algo agora, em nosso tempo, algo que podemos fazer, vocês e eu, algo para nosso mundo, para o que não necessitemos de ditadores, não necessitemos de filósofos. (...) Abro meus braços para o Brasil, onde estaremos no próximo ano, abro meus braços a São Paulo, ao Rio, a todo o Brasil e, também a toda a América Latina...
O HOMEM MORENIANO
Moreno concebe um Homem cheio de vigor e viço, que revoluciona a si mesmo e ao seu contexto diariamente. Segundo ele, existe um grande desafio em sua vontade de criar, pois o indivíduo quer ser Deus e de certa forma o é; mas, para o ser plenamente, precisa resistir a não transformar a vontade de criar em vontade de poder.

Esse Homem Moreniano é também o sujeito da subjetividade descoberta por Freud, mas Moreno se propõe à investigação do intersubjetivo, interpsíquico e do coletivo, e não do intrapsíquico. Aceita a noção de inconsciente apenas como estado, e prefere investigá-lo como um inconsciente compartilhado, ou seja, o co-consciente e o co-inconsciente. Em adição, pensa nesse Homem sempre em relação.

O conceito de espontaneidade é fundamental em sua teoria, junto com a teoria do momento, a de papéis e a busca da inclusão total. Moreno defende a novidade, a originalidade, como essência do gênio criador. Contudo, a conserva cultural garantiria a continuidade da herança cultural, ajudando o homem a superar o estado de insegurança e de medo que a espontaneidade gera.

No entanto, o conservado pode tornar-se estereotipado, repetitivo e doente, produzindo mais doença nas relações sociais inter-relacionadas e assim por diante, afetando dessa maneira pequenos grupos ligados.

Para Moreno, a vinda das máquinas, ou robôs, como chamava, substituía em demasia o que o ser humano poderia criar.

“Os utopistas da eugenia e da tecnologia têm uma ideia comum: substituir e acelerar o vagaroso processo da natureza. Tão logo o processo criativo esteja registrado em livro, estará perpetuado; pode ser recapitulado eternamente, por todos, sem que se necessite de novo esforço criador.” (2008)

Solilóquio da autora: O que Walter Benjamin acharia dessa fala quando se pensa em suas ideias sobre reprodução e cópias? O que acharia também um jovem em frente ao seu notebook, navegando na internet?
A UTOPIA MORENIANA
A utopia moreniana decorre das ideias da espontaneidade como parâmetro da saúde dos grupos sociais. Para atingir essa saúde seria necessário a sociatria, ou seja, o tratamento dos sistemas sociais. Esse é o ideal moreniano. Ele ambicionava fazer a sociatria da humanidade, em grande escala, talvez pela TV.

Paulo Gaudêncio, psicoterapeuta conhecido e aclamado por sua competência com grupos, de certa forma realizou o sonho de Moreno na TV Tupi dos anos 70, através dos grupos de atendimento. Entre outros, a conhecida atriz brasileira Regina Braga2 era uma de suas atrizes/pacientes.3

Segundo Moreno, o psicodrama/socionomia poderia representar um instrumento de intervenção social que trabalhasse entre o individual e o coletivo para a busca do que hoje poderia ser chamado de sustentabilidade social, econômica e psicológica dos grupos.
AS IDEIAS DE MORENO E OS “CACOS” DE BEN0JAMIN
Segundo Reñones (2003), em um dos momentos mais poéticos e inspirados de Moreno, ele apregoa que todos nós teríamos uma centelha divina. Essa é uma expressão alardeada no meio psicodramático que costuma apaixonar os aprendizes, convertendo-os em seguidores. Isso poderia dar a sensação de se estar em um plano superior, como criadores. Porém, inspirado na obra de Benjamin, Reñones recomenda pensar na criatividade como possibilidade e diz: “Note-se que não significa que criamos, que somos criadores, mas que temos essa faculdade.” O autor ainda fala em aceitar a provocação de Benjamin e escovar a história a contrapelo, capturando seus cacos. Recomenda aos psicodramatistas um olhar de estranhamento sobre a fórmula instituída de que a dramatização sempre lançará luz sobre sombras, como o ideal iluminista. E, da mesma maneira, sobre a noção de que o ritual repetido de aquecimento, dramatização e comentários sempre levarão ao novo. Também alerta para a possibilidade da repetição ao olhar para o próprio psicodrama e alisar a história de pacientes, alunos e plateia para que ela fique bem limpa e bonita, sem tensão. No jargão psicodramático seria o culto ao happy end (a idealização da busca de uma solução para o conflito) e não a multiplicação de sentidos. Vale recordar aqui que o que se dramatiza é a imaginação do real em cena e não a realidade com as suas consequências irreversíveis. Esse é justamente o valor do instrumento, pois torna a vida imaginada flexível e passível de mudanças ilimitadas, impossível na vida vivida.

A provocação de Benjamin na escrita de Reñones instiga uma busca de cacos, fertilizados pelas transformações artísticas, pensadas por alguns autores que falam sobre o moderno e o contemporâneo.


O QUE ACONTECEU COM O PSICODRAMA, ESTABELECENDO UM PARALELO COM ARTE?
Moreno acreditava que todos poderiam ser gênios. Ele e um grande número de artistas e educadores defendiam ideias parecidas no séc.XX. Ideias basicamente de ruptura com o padrão e de provocação da disrupção no indivíduo e nos grupos, para que estes abrissem possibilidades para novas respostas.

Em seu texto “Quando a forma se transformou em atitude – e além”, Duve (2003) faz um completo diagnóstico, fundamentado sobre as transformações que se manifestaram no ensino da arte nos últimos séculos. Ele mostra a trajetória de uma concepção artística calcada no talento, na repetição e imitação, migrando violentamente para uma idealização das habilidades que todas as pessoas possuiriam. A arte seria, portanto, uma invenção criativa. Esse rompimento aconteceu através das vanguardas, que segundo Brito (1980) criaram esse espaço crítico precário “a golpes de lúcida loucura.”

A ideia da genialidade como ideologia determinava, até o séc.XIX, que as crianças consideradas com talento fossem separadas do restante das crianças ditas comuns, para que fossem “treinadas” na arte correspondente: música, pintura etc. O talento, portanto, era visto como algo inato, dado, segundo Duve, pela “generosidade da natureza”. Era algo que determinava um longo aprendizado da tradição artística e dos padrões considerados “belos”. Uma forma, portanto, conduzia o desenvolvimento de cada artista, que imitava as artes precedentes e copiava padrões e modelos exteriores.

Vale dizer que tudo contra o qual Moreno lutou foi a maneira como a educação cuidava de bloquear a plena expressão da espontaneidade intrínseca a cada indivíduo. Uma quebra acontece através das vanguardas, produzindo um repúdio total à tradição e uma proposta de nova norma, baseada na transgressão.

As vanguardas, segundo Brito, “desnaturalizavam o olho, descentravam o olhar e abria um abismo no interior da Contemplação, o lugar por excelência das Belas Artes.” A mudança do conceito de genialidade e habilidade combina com a visão moreniana de que todos somos potencialmente gênios ou deuses. Moreno foi uma das figuras de vanguarda que surgiu com maior expressão na área da saúde mais do que na área das artes cênicas, como parecia ser sua intenção. Os ataques ao que chamava de teatro legítimo ou, como eu traduziria (tirei a vírgula; desnecessária) teatro convencional, alardeavam sua proposta de se contrapor ao pronto, ao texto e à repetição; de se contrapor ao ator que ensaia e cristaliza sua representação a plateia que somente assiste passivamente como se fossem vários voyers.

As vanguardas tinham uma postura essencialmente política que se manifestou em todos os campos. Por exemplo, a pintura e escultura progressivamente usaram menos modelos exteriores e caminharam cada vez mais para meios próprios de expressão. No ensino da arte, assim como no do psicodrama, houve um novo paradigma onde todos seriam potencialmente dotados de faculdades inatas e que a função da educação seria permitir o seu desenvolvimento.

Porém, a vanguarda se estabeleceu e se institucionalizou. Tudo que era devir passou a ser o esperado. Os estudantes de arte foram então submetidos à nova ordem de uma vanguarda que paradoxalmente virava tradição. Os educadores progressistas passaram a basear seus projetos na criatividade, com reduzidas regras e convenções.

Duve considera esse modelo tendencioso e datado, coincidindo com o sentimento de falência e culpa, apontado por Brito ao se referir a um descompasso provocado pelas vanguardas. Segundo esses autores, só se poderia ser tão radical uma única vez. Não poderia haver tradição na vanguarda. Isso a transformou, portanto, na institucionalização da modernidade ou A Tradição do Novo, como é chamada por Harold Rosenberg. Esse é o início da contemporaneidade, marcada pela tradição da inquietude.

Lyotard diz que se combinou rir, entre intelectuais, das vanguardas que são consideradas expressões de uma modernidade ultrapassada. Porém, ele ressalva que o verdadeiro processo de vanguardismo foi um trabalho longo, obstinado, altamente responsável, orientado para a procura das pressuposições implicadas na modernidade.

Mas, ainda assim, a falta de novidade, a mídia usando a arte, os novos processos e materiais da arte e um olho acostumado com o estranho, não o torna estranho nunca mais.

Os psicodramatistas brasileiros viveram algo equivalente no ensino do Psicodrama e no seu exercício: uma abordagem que começou nas ruas e praças públicas passou aos consultórios. Moreno utilizava vários ajudantes, chamados de egos-auxiliares, que foram paulatinamente sendo substituídos por almofadas e rituais de ficar sem sapatos ou de abrir cadeiras para simbolizar a abertura da cortina. Técnicas apuradas de provocar o choro substituíram a busca do imprevisível e do improviso. Em contraposição aos métodos considerados verbais, o psicodramatista passou a não sistematizar seus conceitos e se apoiar no que “sentia” e “intuía”.

Um movimento nas artes reage contra ter que escolher entre talento e criatividade, entre academicismo e o modelo que Duve denomina de Bauhaus4, referindo-se a uma criatividade que caminhava lado a lado com a ideia de democracia e igualitarismo. “A criatividade desenvolveu-se a partir de uma convicção utópica resumida num slogan regularmente repetido pela história da modernidade, de Rimbaud a Beuys: todo mundo é artista. É claro que isso sempre significa: todo mundo é artista em potencial.” (Duve, 2003). Isso para combinar com o pensamento de Reñones, acima.

Forma-se então uma reação artística contra o modelo de inventar por inventar. A esse movimento de reação Duve vai chamar de surgimento de uma “atitude – conceito que explicita realmente um vazio: uma espécie de grau zero da psicologia, um ponto neutro mediando escolhas ideológicas, uma vontade sem matéria” (Duve, 2003). Ele diz que houve uma substituição do paradigma talento/imitação por criatividade/invenção e o que aparece implodindo a modernidade é a contemporaneidade com a tríade atitude/prática/desconstrução. Surgem então termos como atitude estética, arte conceitual, as aproximações do fazer e do apreciar a arte, atitude crítica etc.

Logo a palavra atitude seria substituída por “prática” e a palavra arte passou a ser considerada tabu. A “ortodoxia dos tempos prescrevia – e continua prescrevendo – a arte como a uma “prática significativa (expressão cunhada por Julia Kristeva, segundo Duve), entre outras” (Duve, 2003).

Os cursos de psicodrama em grande número por todo o Brasil começaram a se ressentir por atrair alunos que não queriam escrever. Os profissionais mais velhos preocuparam-se em organizar congressos, estimulando a sistematização a tal ponto que o fazer psicodramático passou em um dado momento a ser considerado um “oba, oba”. Já não se viam tantas vivências nos encontros científicos. E, por algum tempo, os profissionais ficaram muito sisudos, perdendo a alegria original marcada na lápide de Moreno: “Aqui jaz o homem que abriu as portas da psiquiatria à alegria.”

Mas a profusão de livros, artigos em revistas indexadas e reflexões sobre o psicodrama fizeram com que menos aprendizes abandonassem a abordagem por falta de teoria. Apareceu também a teoria sobre as práticas e expressivo número de escritores brasileiros.


PANORAMA DO MUNDO HOJE – a contemporaneidade
Como já vimos, a modernidade trouxe efeitos históricos de certo desencanto social e descrença nas utopias. Lasch (1986) nos fala sobre como a automação hoje priva as pessoas de um significado. Com crenças religiosas desgastadas e com o triunfo da ciência, aliado à cadeia consumista, o quadro seria de um “vazio existencial”. O desencanto poderia, segundo ele, ser responsável pela tentativa de sobrevivência, através do individualismo ou narcisismo, como chamam alguns. Ele confirma a doença social, já diagnosticada por Moreno, e vê como as pessoas são levadas a ficar dependentes do mercado. Ele nos fala de uma moderna “crise de identidade”, que promove modernos arranjos sociais, deixando o indivíduo “livre para escolher um modo de vida que lhe agrade”. E a escolha, segundo ele, pode ser “desconcertante e até mesmo dolorosa.” Propõe então que isso que vem sendo chamado de narcisismo, ou seja, esse individualismo e imediatismo marcante da contemporaneidade, seja chamado de “sobrevivencialismo”, como um sentido para o tal vazio interior. Tudo isso, aliado ao medo de coisas que o homem não controla e seu medo atual de ser substituído por máquinas, torna esse indivíduo uma máquina ele mesmo. A publicação de “Quem Sobreviverá?” (Moreno, 2008) é quase uma profecia dos tempos atuais.

O panorama atual do mundo contemporâneo (em vários sentidos) indica que Moreno estava alinhado em seu diagnóstico da humanidade. E, ainda que as utopias possam não ter lugar, segundo Favaretto (2009), por indicarem uma transcendência romântica, o que parece não ter sido tratado ainda de maneira relevante pelos estudiosos é que o caminho da sobrevivência terá necessariamente que passar pela articulação do coletivo. Essa forma plural de resolução está diretamente ligada ao estudo e às práticas com pequenos e grandes grupos.

A consciência que se buscava no iluminismo (Todorov, 2008) possui vários graus de desenvolvimento e nunca englobará tudo que se pode saber sobre si ou sobre o resultado das relações coletivas. Vale dizer que pessoas juntas, especialmente muitas – massa – reagem diferentemente de cada uma das mesmas pessoas analisadas individualmente. Nesse caso, a soma das pessoas não equivale às suas partes. Indivíduos juntos podem ser muito mais primitivos e selvagens do que os mesmos quando têm a oportunidade de alguma reflexão, através de uma coordenação de um líder sensato ou coordenador de grupo. Um linchamento poderia ser um bom exemplo disso.

O mesmo coletivo que consegue promover o holocausto e que tem a força para excluir e matar é o mesmo que poderia encontrar o significado individual, se o coletivo lhe representasse, como no impeachment de Collor de Mello, em 1992, ou nas Diretas Já, em 1983.

A visão do indivíduo como um ser potente, Deus e gênio, pareceu confundir os psicodramatistas, especialmente os pioneiros, que pensavam romanticamente nesse ser humano gênio e potente também como ético. Parece que uma ideia vinha associada automaticamente à outra. Parece que ser gênio significava ser construtivo para um bem comum. Segundo Todorov, “é próprio do homem ser dotado de uma certa liberdade que lhe permite trocar-se e trocar de mundo e é essa liberdade que o leva a fazer tanto o bem como o mal”. Ele também lembra que Rousseau achava que o bem e o mal jorram da mesma fonte. Bem e mal aqui devem ser entendidos como ações intencionalmente construtivas ou destrutivas.

Mas, como Todorov ainda nos alerta, será que um cientista deveria interromper uma pesquisa sobre o código genético humano, por exemplo, porque ela poderia levar a abusos de seu resultado? Esse é o efeito iluminista na modernidade e posteriormente nas vanguardas. Essa liberdade conquistada e o grande investimento numa liberdade individual são os precursores do atual individualismo.

Voltando aos psicodramatistas, pensava-se num ser humano potente como sinônimo de “bom” e ético, sem a devida noção de que a ética não é natural ao ser humano. Ela é aprendida em tenra idade, juntamente com os outros valores, em geral familiares. (Cukier, 1995). Isso quer dizer que se uma criança nasce em uma família que rouba para viver, ela adquirirá uma atitude de apropriação do bem do outro, sem questionamento, até que a sociedade demonstre ou não, que isso seria errado, calcando-se na ideia da propriedade privada. A partir daí, ela entrará em conflito entre dependências para sobrevivência física e emocional até encontrar alguma solução bem-sucedida (noção de progresso) que lhe acomode a subjetividade, e não necessariamente a solução mais consciente. E resolveria de alguma forma, sua tensão entre individual e coletivo. Esse é o caso conhecido dos pedófilos e agressores domésticos que perpetuam a agressão que sofreram em seus descendentes, com variadas explicações, muitas aceitas pelas vítimas, que não os denunciam até a maturidade, quando é tarde demais para uma providência.

Esse raciocínio me parece valer para a humanidade como um todo, essa humanidade que ainda está tentando, com grandes dificuldades, aprender certa ética na atualidade, dadas as transformações muito rápidas e dinâmicas.

Porém, se o indivíduo gênio, potente e espontâneo pudesse ser ético por ser exposto a situações coletivas de acolhimento das diferenças, sem a busca de um consenso, talvez uma atitude histórica e diferente pudesse surgir.

A opinião de Herbert Gans, segundo Lasch, é de que se a cultura popular comercial fosse eliminada, os trabalhadores poderiam se tornar intelectuais. Ou seja, o movimento social poderia por essa hipótese ocorrer em outro sentido.

Talvez uma nova utopia?!
A VELHA NOVA UTOPIA – o riso
Moreno antecipava a vinda dos robôs, assim como uma sociedade que excluísse mais do que incluísse, uma sociedade que se acomodasse em conservas culturais prontas. E isso foi exatamente o que aconteceu diante dos olhos dessa virada de século.

Esse riso constante da mídia, do mundo que diz que devemos ser felizes o tempo todo, através do consumo, demonstra a relação pouco saudável entre as necessidades individuais e os ajustes coletivos. Um resultado perverso do iluminismo.

Como atingir então um riso saudável, uma vida saudável, um fluxo saudável da sociedade?

A construção conjunta, a responsabilização de toda a sociedade poderia ser uma resposta romântica. Até porque o equilíbrio histórico nunca poderia ser atingido, e assim os momentos históricos vão se sucedendo naturalmente. Mas a humanidade, para sobreviver, deverá construir necessariamente parâmetros coletivos para o gasto de água do planeta, para uma economia menos desigual e injusta, um combate e prevenção a pandemias que poderiam assolar toda a humanidade, independentemente da religião ou entre das diferenças raciais. Ou seja, urgem soluções de fato conjuntas. Porém, o processo pode ser mais moroso do que a demanda, a julgar pelas últimas reuniões nações.


UM DELÍRIO UTÓPICO IMERSO NA ALEGRIA DO PSICODRAMA
Uma sociedade utópica que fluísse em sua criatividade, qualidade dramática, originalidade e que mantivesse um fluxo de ação individual e coletiva adequado, manteria uma tensão ideal entre as demandas do individual e o coletivo?

Vale dizer que essa tensão em níveis ótimos pressuporia um equilíbrio dinâmico, com movimentos sociais auto-reguladores. As possibilidades de variação se baseariam nas desconstruções constantes, intencionais e também nas não intencionais, esperadas ou não, mas acolhidas e aceitas.

Um mundo que valorizasse menos o imediatismo em detrimento da co-responsabilidade proposta por Moreno:

“Um sistema da sociedade deve ser realizado para que todas as pessoas lhe pertençam espontaneamente, não apenas ‘por consentimento’, mas como ‘iniciadores’; sem exceção, não 99,9%, mas literalmente e numericamente todas as pessoas vivas.” (Moreno, 2006)

Essa co-responsabilidade foi também proposta também pelo propositor do teatro pós-dramático Lehmann (2007): “(...) O ideal de uma desalienação perceptiva do espectador, que o leve a se co-responsabilizar pela produção da imagem (...), não é qualquer experiência partilhada (...) mas aquelas capazes de restituir aos atores ‘a experiência da coisificação que se tornou estranha a eles’. Em termos brechtinianos, para não pactuar com a mentira do sujeito – e da efetividade de qualquer ação individual num capitalismo sem agentes evidentes – o homem se vê reduzido a sua menor dimensão.”

Brecht já falava disso em sua dramaturgia política: “(...) pelo contrário, a miséria aumentou em nossas cidades, e já há muito tempo ninguém mais sabe o que é um homem. Pelo chão rasteja algo semelhante a vocês, não como um homem! Então, o homem ajuda o homem?”

Enfim, o equilíbrio precário nos faz rir demais. Parece que temos um riso, como produto, para tudo. Um riso sem relevo, manipulado pela mídia. Um riso, uma sátira, um escárnio para todas as coisas. E, portanto, para nada. Não corrigimos mais, pois não damos mais nada como certo e seguro.

Minois nos fala: “O riso exorciza a angústia. É por isso que qualquer sociedade precisa do riso. E, no século XX, mais do que nunca. Mas as sociedades modernas não têm Trickster; não crêem em seres míticos... O humor é um procedimento de dessacralização, de desencantamento parodístico...” (Minois, 2003)

Numa sociedade tão dessacralizada e sem mitos como a nossa, forjada no séc. XX, onde a ironia não é imoral, mas democrática, onde se ironiza sobre tudo e a atitude irônica é quase obrigatória, há a banalização desse recurso de busca de equilíbrio.

“o riso, considerado como puro instrumento, perde seu aspecto liberador para o indivíduo”

Será que uma alegria espontânea e co-responsável, contra o poder “diabólico” do consumismo, da sociedade de espetáculo e da sociedade humorística poderia acelerar ações coletivas? Uma solução encontrada num primeiro momento em pequenos grupos, que aos poucos possa “contagiar” as pessoas com a importância das próprias pessoas, seres, espaço e tempo.

Parece vago, mas considero que dar voz aos grupos, sem incutir-lhes ideias pré-concebidas de uma sociedade enlatada, talvez possa nos instrumentalizar para sairmos “dessa encrenca grotesca”.

Esta frase final de Minois em seu livro “História do Riso e do Escárnio” parece apontar também nesta direção: “... Nada é verdadeiramente sério nem verdadeiramente cômico. O riso voluntário, dosado e calculado substitui, cada vez mais, o riso espontâneo e livre, porque é preciso representar bem a comédia. Se organizam festas, é preciso divertir-se, mesmo que não se tenha vontade. Mas o verdadeiro riso refugia-se no interior de cada um...”

Eu diria que o verdadeiro riso é o riso coletivo com co-criação de seus próprios motivos para rir, sem pré-concebidos modos e estereótipos. O riso da superação grupal e pactuada. Aquele riso que o ator cria quando verdadeiramente se relaciona com a plateia. Aquele riso que pode ser criado em conjunto entre irmãos que disparam a rir de algo que só tem graça para eles, bem na hora de dormir, e os pais são apanhados de surpresa nessa cumplicidade saudável, contra a rigidez das normas. O riso do choro de alívio ao publicar seus segredos em grupo e se ver como parte dele. O riso que não evita a dor, mas a transforma.

O riso enlatado então talvez pudesse se transformar em um riso pleno, revolucionário novamente e, finalmente espontâneo.

O PSICODRAMA HOJE
Fundamentalmente, o psicodrama hoje se volta para o estudo dos grandes grupos, que estava abandonado há mais de uma década. Volta-se finalmente para cuidar do seu originário objetivo social e coletivo.

Se no passado o preconceito contra o psicodrama era o receio da exposição de um indivíduo e sua privacidade, hoje se torna urgente que a sociedade se trate em conjunto, pois nossos problemas individuais, em sua maioria, derivam de consequências da falta de coletividade. A enorme demanda mundial hoje é o como conviver coletivamente com o mundo já criado pelo ser humano e que apresenta problemas sérios e não previstos.

O parentesco do psicodrama com a arte já está mais aceito e legitimado entre os psicodramatistas e há alguns que o considerariam mais arte do que ciência. Porém, ainda há um esforço para que o teatro reconheça o valor do psicodrama e possa acolher a improvisação e o “mal feito”, o não “belo”, como um teatro com um contrato diferente com seu espectador; um contrato de busca de uma verdade coletiva. Assim como os psicodramatistas também poderiam se aproximar mais do teatro para uma melhor utilização de seus recursos estéticos, para afinar o instrumento psicodramático.
PSICODRAMAS CONTEMPORÂNEOS
Algumas inovações psicodramáticas marcam os movimentos de quebra do conservado, mesmo dentro do psicodrama:

Iniciativas de pessoas, grupos e trupes, como a ousada extinta Escola de Tietê, com sua Companhia do Teatro Espontâneo, as sessões abertas do Daimon, trupes como Grupo Reprise e transformação para o Grupo Improvise, com seu alegre Teatro de Reprise, Grupo Gota d’Água, Grupo Vagas Estrelas, a direção socionômica multidimensional AGRUPPAA e o Teatro da Criação, entre outros, marcam um novo/velho jeito de fazer interferências sociátricas. Esses jeitos nem sempre são aceitos pelo meio psicodramático brasileiro como sendo psicodrama, mas trazem o viço pulsante de um pensar que não cessa de buscar caminhos.

O psicodrama da cidade – O que você pode fazer para ter uma FELIZ CIDADE – organizado por Marisa Greeb, em conjunto com a prefeitura da cidade de São Paulo, foi um marco importante de uma iniciativa que mobilizou a cidade em março de 2001. E assim, direções simultâneas de psicodrama, por toda parte, abordavam o tema Ética. A ética de cada um que teria responsabilidade de tornar sua cidade mais coletiva e razoável.

Féo, em sua proposta multidimensional, não segue mais o ritual das etapas sagradas de aquecimento, dramatização e comentários. Enquanto isso, Merengué nos remete à reflexão de que Moreno reagia a um mundo rígido com muito poucas mudanças quando criou o conceito de conserva cultural, um mundo muito pouco disposto para novidades. Ele nos sugere uma atitude muito mais crítica diante do que é espontâneo e criador. Rodrigues dessacraliza igualmente o ritual de levar a plateia ao palco psicodramático, convertendo o protagonista em narrador. Defende a busca de uma atitude estética no psicodrama e apresenta o Teatro de Reprise como uma alternativa metodológica de aprendizagem poderosa para o mundo institucionalizado.

Porém, talvez o representante mais contundente do psicodrama atual sem fronteiras e regras, o mais impactante, desconcertante e provocativo, seja a permanência por sete anos dos psicodramas públicos do Centro Cultural São Paulo. Esse trabalho foi reconhecido internacionalmente como o único no mundo pelo congresso de 2009 do IAGP (International Association for Group Psychotherapy and Group Processes), em Roma.

Penso que este trabalho apresenta muitas relações com uma derrubada das utopias e com a criação de um lugar de não consenso, nem “céu estrelado”. O grupo presente ao dia pode dar voz às suas indagações de maneira artística, sem que sejam necessariamente profissionais da arte. Ou seja, a ocupação política do espaço da cidade, que é de todos ou deveria ser, é surpreendente.

Há pessoas que frequentam assiduamente. Há os que chegam pela primeira vez, pois estavam passando. Há os que vão buscar conhecimento, os que nem sabem por que estão lá, os que querem ser curados. O mais importante é que tudo pode ter voz ali, de maneira dissonante ou não.

Penso que seja o espaço mais contemporâneo que conheço.



E A UTOPIA?
Resta, portanto aos psicodramatistas observar melhor que a paixão da metodologia reside na mágica de preparar grupos e lhes dar sustentação para que fluam espontaneamente para a saúde e assim contagiem toda a humanidade incluindo a todos sem exceção. Mas, não há como perder de vista que a genialidade apregoada pelo criador do psicodrama não garante ética ou caráter.

Penso que a utopia moreniana resistirá à queda contemporânea das utopias se levarem em conta esses aspectos acima.



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http://aplauso.imprensaoficial.com.br/edicoes/12.0.813.516/12.0.813.516.txt – texto de depoimento de Regina Braga sobre o programa O Grupo exibido pela TV Cultura.





1 Fez o primeiro esboço do estatuto da Febrap. Crítico de teatro infanto-juvenil do Estadão na época, advogado, cenógrafo e folclorista na ECA-USP. Foi colega de turma de Paulo Autran e um dos pioneiros do psicodrama na USP e do sócio-educacional, oferecendo nos anos 80 três disciplinas na pós-graduação

2 Regina Braga, além de atriz é psicóloga, psicodramatista e foi professora em 1980 no DPSedes.

3 Depoimento de Regina Braga sobre o programa “(...) fiz um programa que Celso Nunes e Antônio Abujamra dirigiram. Chamava-se O Grupo. Era supervisionado pelo psicoterapeuta Paulo Gaudêncio e mostrava um grupo de pessoas, personagens, em terapia.(...) Era uma delícia, você criava o seu personagem, escolhia os problemas dele que você queria tratar, e isso era registrado e transformado em texto por um autor. Depois gravávamos esse texto no estúdio.

4 Nome dado ao movimento disparado pela escola de design, artes plásticas e arquitetura de vanguarda que funcionou entre 1919 e 1933 na Alemanha.


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