Rosimara saraiva dos santos



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FATECE

FACULDADE DE TECNOLOGIA, CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO

ROSIMARA SARAIVA DOS SANTOS

A INFORMÁTICA EDUCATIVA COMO FERRAMENTA DE ENSINO NA ÁREA DA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

PIRASSUNUNGA

2012

ROSIMARA SARAIVA DOS SANTOS



A INFORMÁTICA EDUCATIVA COMO FERRAMENTA DE ENSINO NA ÁREA DA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL


Monografia apresentada para a conclusão do Curso de Pós-graduação em Psicopedagogia Clinica e Institucional para a obtenção do Certificado de Especialista.

Orientador(a): Prof. Ms. Rejane Campilongo Ângelo.



PIRASSUNUNGA

2012


Catalogação-na Publicação

Biblioteca FATECE

Santos, Rosimara Saraiva dos

A Informática Educativa como ferramenta de Ensino na Área da Deficiência Intelectual

Rosimara Saraiva dos Santos. – Pirassununga, 2012.

32 f.

Orientadora: Rejane Campilongo Ângelo.



Monografia (Pós-graduação) – Faculdade de

Tecnologia, Cências e Educação, Especialização em

Psicopedagogia Institucional e Clínica, Polo Pirassununga, SP, 2012.


  1. Deficiência Intelectual. 2. Informática Educativa. 3. Ensino. I. Ângelo, Rejane Campilongo

RESUMO


Essa pesquisa tem como pressuposto básico a análise da Informática Educativa nas situações de ensino com alunos Deficientes Intelectuais. Há a necessidade de se pensar numa perspectiva inclusiva em que se garanta o direito do Deficiente Intelectual em usufruir de ferramentas contemporâneas como a informática de forma que o mesmo possa desenvolver-se, aprender e ser inserido na cultura de seu tempo. Diante disso, algumas indagações faz-se importante, ou seja, qual atuação o Psicopedagogo Institucional pode ter frente a Informática Educativa para Deficientes Intelectuais e se existe um incentivo por parte da Rede Municipal de Educação de São Paulo para a utilização de Informática Educativa para o trabalho com Deficientes Intelectuais? A pesquisa será apresentada em três capítulos, o primeiro capítulo se dá a partir das concepções e conceitos teóricos em torno de Deficiencia Intelectual, para isso recorreremos a: Oliveira (2008), o Sistema Conceitual da Associação Americana de Retardo Mental (2002), as abordagens teóricas de Smolka e Laplace (2005), Vygotsky (1997), Vygotsky (1998), Ferreira (1994), Associação Internacional de Estudos Científicos das Deficiências Intelectuais (AAID, 2007) e Referêncial sobre Avaliação da Aprendizagem na Área da Deficiência Intelectual (RAADI, 2008). Um breve histórico da Informática Educativa na Rede de Ensino Municipal de São Paulo será contemplado no segundo capítulo, de forma a narrar o processo de implantação da mesma nas escolas municipais de São Paulo. Um resgate histórico será feito a partir de documento de memória técnica documental da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SMESP), ou seja, o documento Projeto Gênese (SMESP, 1992), pois o mesmo nos dá um respaldo em torno desse resgate, nos revelando informações para entendermos melhor como foi o processo de implantação da informática educativa na rede. Ainda nesse mesmo capítulo, num contexto geral, há a abordagem da Informática Educativa na Escola a partir de concepções, análises criticas e orientações provindas de Perrenoud (2000), Barreto (2002), Moran (2009) e do Caderno de Orientações Didáticas Ler e Escrever: Tecnologias na Educação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SMESP, 2007). O terceiro capítulo faz análise em torno do papel do Psicopedagogo Institucional frente a Informática Educativa para Deficientes intelectuais, indagando se e de que maneira esse profissional pode contribuir nessa área, para isso recorreremos ás concepções de Gonçalves (2003) e Weiss (2001), ambos levantando intersecções entre Informática Educativa, Deficiência Intelectual e Psicopedagogia. Nesse mesmo capítulo, faremos um levantamento se existe um incentivo por parte da Rede Municipal de Educação de São Paulo, para a utilização de Informática Educativa para o trabalho com Deficientes Intelectuais.

Palavras-chave: Informática Educativa, Deficiência Intelectual, Ensino, Psicopedagogia.




SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .................................................................................................................

CAPÍTULO 1 – CONCEPÇÕES TEÓRICAS EM TORNO DE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL..................................................................................................................

1.1 – Concepções em torno de Deficiência Intelectual..................................................

1.2 – A deficiência Intelectual frente a necessidade de novas posturas pedagógicas......................................................................................................................

CAPÍTULO 2 – DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E INFORMÁTICA EDUCATIVA: ORIENTAÇÕES DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO..........................................................

2.1 – Breve histórico da Informática Educativa na rede de ensino municipal de São Paulo..................................................................................................................................

2.2 – A Informática Educativa na Escola.......................................................................

CAPÍTULO 3 – INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA: A INFORMÁTICA EDUCATIVA COMO FERRAMENTA DE ENSINO PARA DEFICIÊNTES INTELECTUAIS.................................................................................................................

3.1 –Secretaria Municipal de Educação de São Paulo frente á utilização da Informática Educativa com Deficientes Intelectuais..........................................................



CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...............................................................................

INTRODUÇÃO

Esta pesquisa teórica destina-se a responder algumas indagações em torno da Informática Educativa na área da Deficiência Intelectual, ou seja, o que a literatura sugere como mediação? Outro ponto crucial que contemplar-se-á essa pesquisa está em torno da atuação do Psicopedagogo Institucional frente a Informática Educativa para Deficientes Intelectuais, esse profissional pode vir a colaborar com essa questão? E por fim, se existe um incentivo por parte da Rede Municipal de Educação de São Paulo, para a utilização de Informática Educativa para o trabalho com Deficientes Intelectuais.

A pesquisa será apresentada em três capítulos, o primeiro capítulo se dá a partir das concepções e conceitos teóricos de Oliveira (2008) e o Sistema Conceitual da Associação Americana de Retardo Mental (2002) em torno da deficiência intelectual, procurar-se-á então, inicialmente, abordar a concepção de deficiente intelectual. Ainda nesse capítulo e se apropriando das abordagens teóricas de Smolka e Laplace (2005), Vygotsky (1997), Vygotsky (1998), Ferreira (1994), Associação Internacional de Estudos Científicos das Deficiências Intelectuais (AAID, 2007) e Referêncial sobre Avaliação da Aprendizagem na Área da Deficiência Intelectual (RAADI, 2008), percebe-se a necessidade de assumir novas posturas pedagógicas para que haja superação de atividades repetitivas e desprovidas de sentido frente à deficiência intelectual.

Um breve histórico da Informática Educativa na Rede de Ensino Municipal de São Paulo será contemplado no segundo capítulo, de forma a narrar o processo de implantação da mesma nas escolas municipais de São Paulo. Um resgate histórico será feito a partir de documento de memória técnica documental da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SMESP), ou seja, o documento Projeto Gênese (SMESP, 1992), pois o mesmo nos dá um respaldo em torno desse resgate, nos revelando informações para entendermos melhor como foi o processo de implantação da informática educativa na rede. Ainda nesse mesmo capítulo, num contexto geral, há a abordagem da Informática Educativa na Escola a partir de concepções, análises criticas e orientações provindas de Perrenoud (2000), Barreto (2002), Moran (2009) e do Caderno de Orientações Didáticas Ler e Escrever: Tecnologias na Educação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SMESP, 2007), em que pode-se sentir que a Informática Educativa vai passando de uma palavra da moda a realidade.

O terceiro capítulo faz análise em torno do papel do Psicopedagogo Institucional frente a Informática Educativa para Deficientes intelectuais, indagando se e de que maneira esse profissional pode contribuir nessa área, para isso recorreremos ás concepções de Gonçalves (2003) e Weiss (2001), ambos levantando intersecções entre Informática Educativa, Deficiência Intelectual e Psicopedagogia.

Nesse mesmo capítulo, faremos um levantamento se existe um incentivo por parte da Rede Municipal de Educação de São Paulo, para a utilização de Informática Educativa para o trabalho com Deficientes Intelectuais.

CAPÍTULO 1 – CONCEPÇÕES TEÓRICAS EM TORNO DE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL
Ao longo dos anos, a Educação Especial deixou de ser uma preocupação meramente clínica para compor o ambiente nacional no campo das leis, das pesquisas e das tecnologias. Isso, para que os direitos, as informações e recursos que visam a acessibilidades, cheguem ao aluno com necessidades educacionais especiais.

A Educação Especial é uma modalidade de ensino oferecida por instituições de ensino regular que trabalha com a contínua elaboração de métodos especiais. Tais métodos têm o objetivo de auxiliar o desenvolvimento de alunos com variados tipos de necessidades especiais.

No Brasil, autorizada pela Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), à sua clientela, tem assegurado, além de recursos que atendam às suas necessidades, também, programas especiais para a conclusão do ensino fundamental, capacitação de professores, educação voltada para o trabalho e o acesso a benefícios de programas sociais que suplementam o ensino regular.

No cenário mundial, anterior a LDB(1996), já se apontava a democratização das oportunidades educacionais, pela Declaração de Salamanca em 1994 (MEC,2004) sugerindo que se:




[...] adotem o princípio de educação inclusiva em forma de lei ou de política, matriculando todas as crianças em escolas regulares, a menos que existam fortes razões para agir de outra forma... (MEC, 2004, p.2)

Uma proposta de Educação Inclusiva que sugere a inserção de alunos com necessidades educacionais especiais nas salas de ensino regular.

Há de se convir que a entrada do aluno com deficiência intelectual na escola regular, numa perspectiva inclusiva, proporciona um momento diferenciado para a educação brasileira, na medida em que possibilita um processo de criação pedagógica, na busca de novos procedimentos de ensino, novas estratégias metodológicas capazes de atingirem o potencial de cada um dos alunos, respeitando suas diferenças e ao mesmo tempo levando-os a inserção no mundo da cultura e na vivência histórica enquanto homem presente e atuante em seu tempo.


    1. – CONCEPÇÕES EM TORNO DE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

Segundo Oliveira (2008), a condição de deficiência intelectual não pode nunca predeterminar qual será o limite de desenvolvimento do indivíduo. A educação na área da deficiência intelectual deve atender às suas necessidades educacionais especiais sem se desviar dos princípios básicos da educação proposta às demais pessoas. Assim sendo, os princípios “inclusivistas” apontam que elas devem freqüentar desde cedo a escola, a qual deve valorizar, sobretudo, os acertos da criança, trabalhando sobre suas potencialidades para vencer as dificuldades.

O que se pode extrair de conclusão analisando as idéias de Oliveira (2008), é que se faz necessário considerar novas concepções em relação ao potencial de aprendizagem daqueles com deficiência intelectual. A escola precisa apreender e se apropriar desta nova visão e suas decorrências para a organização da prática escolar e pedagógica, assim como, suas decorrências para a organização da prática escolar. No entanto, não podemos perder de vista as especificidades da deficiência intelectual para que, justamente, se possa oferecer respostas educativas adequadas para se garantir o pleno desenvolvimento escolar.

O Sistema Conceitual da Associação Americana de Retardo Mental (2002), considera cinco dimensões de análise, Habilidades Intelectuais, Comportamento Adaptativo, Participação, Saúde e Contextos.

A dimensão em torno de habilidades é concebida como capacidade geral de planejar, raciocinar, solucionar problemas, exercer o pensamento abstrato, compreender idéias complexas, apresentar rapidez de aprendizagem e aprendizagem por meio da experiência.

Em Comportamento Adaptativo considera-se o conjunto de habilidades práticas, sociais e conceituais, com o seguinte significado: conceituais, sociais e práticos.

No que se refere à dimensão de Participação, engloba-se também Interações, papéis sociais nesse sentido deverá considerar a participação do sujeito na vida comunitária, avaliação das interações sociais e dos papéis vivenciado pelas pessoas.

Na dimensão Saúde engloba-se fatores etiológicos de saúde física e mental.

Por fim, no que tange a última dimensão, ou seja, Contextos, o mesmo está atrelado ao ambiente sócio-cultural no qual a pessoa com deficiência intelectual vive e como se dá o seu funcionamento nestes contextos. Devem ser considerados: o microssistema, o mesossistema e o macrossistema.


1.2 – A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL FRENTE À NECESSIDADE DE NOVAS POSTURAS PEDAGÓGICAS

O impacto da Teoria Histórico Cultural na área da Educação Especial torna-se cada vez mais evidente. Muitos autores vêm se debruçando na compreensão de seus postulados e suas implicações sobre o processo de aprendizagem e de desenvolvimento daqueles com deficiência.

De acordo com Smolka e Laplace (2005), a complexidade das estruturas humanas é o produto de um processo em que a história individual e a história social encontram-se intimamente relacionadas. O biológico, na sua concepção, não desaparece, mas fica subjugado à cultura e é incorporado na história humana. Desta forma, pode-se apontar um importante postulado para a Educação Especial, que é, exatamente, a oposição a uma visão biologizante da deficiência.

Vygotsky (1997), centra seus estudos na busca de explicações que extrapolam as características físicas e biológicas. Ainda afirma Vygotsky (1997) que o que decide o destino da personalidade, em última instância, não é o defeito em si, senão suas conseqüências sociais, sua realização sócio-psicológica.

Ainda para este autor, o aprendizado e o desenvolvimento estão inter-relacionados e combinados. Postula a necessidade de determinar pelo menos dois níveis de desenvolvimento: o nível de desenvolvimento real, isto é, o nível de desenvolvimento das funções mentais da criança, que resulta de ciclos de desenvolvimento já estabelecidos, ou seja, o que a criança consegue fazer com autonomia; e o nível de desenvolvimento potencial, o que a criança é capaz de fazer com ajuda, no qual a escola deveria atuar diretamente.

Outra valiosa contribuição de Vygotsky (1997), refere-se ao processo de mediação. Para ele, a relação do homem com o mundo é uma relação mediada através do outro e através de sistemas simbólicos, isto significa assumir radicalmente que o desenvolvimento das funções psicológicas superiores envolve o outro. Desta forma, o outro é condição para o desenvolvimento.

O que se pode concluir é que para a Teoria Histórico Cultural, a educação escolar assume posição de destaque, e é vista como mola propulsora do desenvolvimento. É a educação que lida com a possibilidade constante de transformação e afirmação da essência humana. O ensino escolar é, portanto, favorecedor do desenvolvimento e pode levar a criança a um estágio mais complexo de interação, comportamento e funcionamento intelectual.

Para Vygotsky (1998), o aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que, de outra forma, seriam impossíveis de acontecer.

Nesse sentido a escola tem um importante desafio a enfrentar: encontrar caminhos que possam superar os limites impostos pela deficiência, através do mecanismo de compensação, e localizar sua atenção nas condições em que a aprendizagem ocorre.

Segundo Smolka e Laplace (2005), há a necessidade em descentralizar a atenção na noção de defeito ou lesão que impede ou limita o desenvolvimento, e colocar o esforço em compreender de que modo o ambiente social e cultural pode mediar as relações entre as pessoas com deficiência e o meio, de modo que elas tenham acesso aos objetos de conhecimento e à cultura.

Vestígios históricos nos trazem a informação de que as abordagens em Educação Especial vêem se sustentando numa relação autoritária e horizontal, justificada pela condição do sujeito com deficiência intelectual, colocando-os numa posição inferior e impossibilitando-os de qualquer forma participativa em seu processo educacional.

Para Ferreira (1994), a educação tradicional na área da deficiência intelectual perpetua um trabalho pedagógico que tem por base um sujeito abstrato, descontextualizado, com ações massificadoras, generalizadas, repetitivas, com uma individualização excessiva do ensino, permanência de um status infantil do aluno, conhecimento reduzido ao saber fazer, em síntese, uma visão fragmentada próprio do conhecimento e das possibilidades de aprendizagem.

A própria Associação Internacional de Estudos Científicos das Deficiências Intelectuais (AAIDD, 2007), anuncia uma mudança não apenas conceitual, mas de concepção: da forma como se compreende e se pode apreender o sentido da deficiência intelectual nos processos de mediação social e educacional.

Um detalhe importante e que merece destaque é referente a Terminalidade Específica, que segundo o Referencial sobre Avaliação da Aprendizagem na área da Deficiência Intelectual RAADI documento este que faz parte do acervo da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME-SP, 2008) libera o aluno de eventuais exigências que estejam acima de sua capacitação de realização. Porém, segundo o mesmo documento (RAADI, 2008), isso não libera a escola de sua responsabilidade, ao contrário, todo esforço deve ser feito para garantir-lhe condições de, na medida de suas forças, alcançar novas aprendizagens necessárias para sua colocação social e profissional.

Estamos, sem dúvida, diante de um novo desafio: superar atividades repetitivas e desprovidas de sentido para assumir uma nova e revolucionária postura frente à deficiência intelectual: possibilitar a constituição destes alunos como sujeitos históricos, capazes de apreensão dos bens simbólicos e de desenvolvimento de seu pensamento e não apenas de suas habilidades.

CAPÍTULO 2 – DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E INFORMÁTICA EDUCATIVA: ORIENTAÇÕES DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
A Informática vem adquirindo cada vez mais relevância no cenário educacional. Sua utilização como instrumento de aprendizagem e sua ação no meio social vem aumentando de forma rápida entre nós. Nesse sentido, a educação vem passando por mudanças estruturais e funcionais frente a essa nova tecnologia. Houve época em que era necessário justificar a introdução da Informática na escola.

Hoje já existe consenso quanto à sua importância. Entretanto o que vem sendo questionado é a forma com que essa introdução vem ocorrendo.

Neste capítulo pretende-se apresentar um pequeno histórico de como ocorreu o processo de implantação dos laboratórios de informática educativa nas escolas municipais da cidade de São Paulo. Com isso não se pretende fazer uma narrativa histórica detalhada e exaustiva de todos os acontecimentos ligados a implantação deste recurso, mas destacar alguns elementos discursivos, presentes em documentos, que julga-se importante para a compreensão desse fenômeno nos dias de hoje.
2.2 – BREVE HISTÓRICO DA INFORMÁTICA EDUCATIVA NA REDE DE ENSINO MUNICIPAL DE SÃO PAULO

Em 1992 a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo elaborou um documento (que hoje faz parte da memória técnica documental): Projeto Gênese - A Informática chega ao aluno da Escola Pública Municipal, o mesmo analisa o Projeto Gênese (O Projeto Gênese residia na idéia de introduzir computadores na educação), ou seja, sua fase de implantação e implementação.

De acordo com o documento Projeto Gênese de SMESP, em 1988, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo junto com o Instituto Millenium1 (entidade sem fins lucrativos), resolvem divulgar a informática nas escolas da Rede Municipal de Ensino, a partir da preocupação com as transformações sociais advindas e geradas pela tecnologia de uso das ciências computacionais.

Ainda de acordo com o documento, vários pólos foram instalados nas unidades escolares e em diferentes regiões da cidade de São Paulo, logo após a realização de cursos de treinamentos destinados a professores da rede em geral, esses professores passaram a ser responsáveis, inicialmente, pela implementação dos trabalhos nas escolas.

Ao pesquisar o documento Projeto Gênese- SMESP (1992), verifica-se que três projetos da década de 1980 se destacaram: nos anos 86 e 87, durante a gestão de Janio Quadros, existiu o projeto: “Introdução à Informática” o qual funcionava em uma única escola, os cursos tinham duração de dois meses e atendiam alunos de oitavas séries do até então primeiro grau, o atendimento ocorria fora do horário regular das aulas dos alunos. Primeiramente atendia-se apenas os alunos da própria escola, mas posteriormente, passaram a ser atendidos alunos provenientes de outras unidades educacionais. O objetivo desse projeto era bem específico, ou seja, preparar o jovem para o ingresso profissional na área da informática. Esse projeto contou com a colaboração de algumas empresas, a Eletrônica Digital S/A e a Sharp, inicialmente e posteriormente a Delta Informática, que participaram disponibilizando equipamentos:


Vários pólos educacionais foram instalados nas unidades escolares e em diferentes regiões da cidade de São Paulo, logo após a realização de cursos de treinamento destinados a professores da rede de ensino da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo em geral. Esses professores passaram a ser responsáveis, inicialmente, pela implementação dos trabalhos nas escolas. Numa fase posterior, o projeto deveria ser assumido pelos professores da própria escola. O projeto pedagógico do uso do computador consistia, basicamente, da linguagem Logo. (PROJETO GÊNESE – SMESP, 1992 p.7)

De acordo com o que consta no documento: Projeto Gênese – SMESP (1992), já durante os anos de 1987 e 1988, o Instituto Millennium capacitou 32 professores efetivos da rede municipal de ensino na linguagem Logo. A capacitação ocorreu em cinco escolas da rede, as quais foram chamadas de pólo. Nelas os professores tinham a sua disposição oito computadores, os quais foram doados pelo Citybank ao Instituto Millennium. Após a capacitação dos professores, a partir do segundo semestre de 1987, passou-se a capacitação de alunos fora do horário de aulas. Eram atendidos, prioritariamente, alunos das quintas e sextas séries do primeiro grau. Nesse ano foram atendidos 386 alunos. Em 1988, houve a ampliação dos pólos com a entrada de mais três escolas, quando foram capacitados mais 27 professores e atendidos 1272 alunos.

Conforme o documento Projeto Gênese – Smesp (1992), no final de 1988 os equipamentos foram retirados, pelo Instituto Millennium, dos pólos e os professores retornaram às unidades escolares, sem mais, o documento assim explica o fim desse projeto.

Em 1989, quando assumem a Prefeitura, Luiza Erundina de Sousa e o Prof. Paulo Reglus Freire, um novo projeto político educacional delineia-se, exigindo, assim, uma reavaliação dos projetos existentes na rede. Dessa forma, por decisão política, os projetos da gestão anterior foram suspensos para que pudessem ser redimensionados, segundo os princípios e diretrizes da nova proposta educacional. Além disso, eram projetos que não estavam relacionados ao currículo escolar. (PROJETO GÊNESE - SMESP, 1992):


A informática educativa, dentro dessa perspectiva desenvolvimentista e pragmática, incorre no erro histórico de estabelecer, como o objetivo da educação, a formação do trabalhador, a partir das necessidades do mercado de trabalho. A profissionalização, principalmente, a nível em primeiro grau, dentro de uma perspectiva de interpretação dialética da realidade passa pelo imperativo da análise de uma nova visão de cidadão, de sociedade e de suas relações no mundo do trabalho. O indivíduo e a sociedade devem ser vistos na sua totalidade e nas suas possibilidades de vir a ser o que contraria, sobremaneira, o conceito fragmentado e pragmático de aquisição de habilidades profissionais estanques. Nesse sentido, uma sociedade informatizada está passando a exigir homens com potencial de assimilar a novidade e a criar o novo, o homem aberto para o mundo, no sentido que lhe confere a teoria piagetiana quando se refere as assimilações mentais majorantes; da mesma forma, exige a presença do cidadão crítico e comunitário, onde os artefatos tecnológicos, especificamente o computador, possam ser ferramentas auxiliares para a construção de uma sociedade mais igualitária e justa. (PROJETO GÊNESE - SMESP, 1992, p.7)


Fazendo a interpretação da citação acima, pode-se concluir que a introdução da informática no ensino estaria vinculada a uma tentativa de transformação da escola pública, tanto no que se refere à constituição de uma escola democrática, quanto como modelo de escola pública de qualidade. A escola seria uma forma de disponibilizar as crianças provenientes das classes populares, os mesmos recursos acessíveis aos jovens de outras classes mais favorecidas.

Em 1989, segundo informações contidas no documento, os projetos envolvendo informática foram suspensos para que fossem avaliados. Durante essa suspensão foi formada uma comissão para a elaboração de estratégias ara o uso do computador como ferramenta par o processo de ensino e aprendizagem. Tratava-se do Projeto Gênese. Ao longo do Projeto, na acessoria e implantação, ocorreu a participação de profissionais oriundos de várias universidades, como a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e a participação de professores envolvidos nos projetos anteriores.

De acordo com o Projeto Gênese – SMESP (1992), a implantação do Projeto se deu a partir de 1990, em quatro fases. Na primeira fase, ocorreu a seleção de seis escolas piloto. Na sua quarta fase o Projeto já estava implantado em cinqüenta escolas. Para a escola participar do Projeto, um dos requisitos estava ligado a mobilização da comunidade e dos professores da unidade escolar:




Inscrição, pela escola, contendo a justificativa do interesse pelo projeto, a aprovação do Conselho de Escola, número de educadores interessados, envolvimento de professores dos diferentes componentes curriculares e dos níveis de ensino, além da disponibilidade de dedicação de 10 (dez) horas semanais ao projeto e espaço físico da escola para a instalação do laboratório (PROJETO GÊNESE – SMESP, 1992, p.10)

No documento podemos perceber que em torno do Projeto Gênese houvera uma série de críticas quanto a sua concepção profissionalizante e tecnicista da informática educativa. Essas características refletem uma educação como mera reprodutora da sociedade, pois trata-se de imposições colocadas por uma sociedade informatizada e a necessidade fatal da educação se modernizar. Ainda segundo o que consta no documento, para os responsáveis pelo Projeto Gênese, um dos fatores mais relevantes desse projeto é o nível de envolvimento dos elementos da escola, que foi medido pela quantidade de professores que estavam dispostos a assumir o projeto.

A gestão do projeto também seria democrática devido ao fato de se respeitar as formas de organização da própria escola, pois procurou-se criar um projeto que correspondesse as necessidades oriundas das diversidades regionais e locais, tanto é que, o Projeto Gênese estava ligado a uma concepção pedagógica que pretendia fortalecer a escola a comunidade a qual estivesse inserida, a ponto de resistir as mudanças de governo, formar cidadãos autônomos que pudessem se organizar e saber reivindicar seus direitos.

Podemos considerar, fazendo uma análise reflexiva que, o Projeto Gênese como o introdutor da informática educativa nas escolas do município de São Paulo, dado ao fato das aulas ocorrerem dentro do horário de aula, com professores da própria unidade escolar, com propostas de uso pedagógico e interdisciplinar, além do progressivo atendimento das turmas de cada escola onde funcionava.

Segundo o documento Informática Educativa – Histórico - 1988 – 2004 de Smesp (2004), na Gestão de Paulo Maluf (PPB), foram criados, por meio da lei, o decreto 34160/94, os laboratórios de informática educativa na Prefeitura de São Paulo. Também nesse decreto é criado a figura do POIE, professor orientador de informática educativa, o qual têm função específica de atuar dentro do laboratório de informática, um especialista da função. Até então, não havia um docente designado para este fim exclusivamente. Antes, os professores que haviam recebido formação necessária não deixavam de lecionar suas disciplinas, mas em determinados momentos levavam suas turmas ao laboratório de informática da escola e lá ministravam suas aulas. Também atendiam professores que ainda não haviam sido formados com suas respectivas turmas.

Ainda de acordo com o documento SMESP (2004), em 2002, na gestão Marta Suplicy (PT), ocorreu a aquisição de novas máquinas para a subistituição das antigas. Neste momento, os laboratórios passaram a ter mais computadores. No mesmo ano começa o convênio entre Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP) e a Fundação Telefônica em torno do Portal Educarede, mantido pela fundação. O portal Educarede começou em 2002, fruto da parceria da Fundação, com o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC), que atua como coordenador-executivo e gestor pedagógico do portal.

Por fim, segundo o que consta no Caderno de Orientações Didáticas Ler e Escrever: Tecnologias na Educação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (2007), a primeira parceria da Fundação Telefônica foi com a Prefeitura de São Paulo. Essa parceria se apresenta como um aspecto importante para o funcionamento dos laboratórios de informática educativa. A partir dela se formaram algumas das orientações curriculares que vigoram nos laboratórios de informática das escolas municipais.
2.2 – A INFORMÁTICA EDUCATIVA NA ESCOLA

Atualmente o Caderno de Orientações Didáticas Ler e Escrever: Tecnologias na Educação da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SMESP, 2007), explicita que as Tecnologias na Informação e Comunicação (TIC) desencadeada na sociedade, oferecem elementos que, se utilizados pedagogicamente em ambientes e com recursos que levem a reflexão, à atitude crítica, A capacidade decisória e autonomia, enriquecem tanto quem aprende quanto quem ensina. E ainda ressalta que, a escola é responsável pela comunicação sistematizada de conhecimentos e o desenvolvimento da capacidade de cooperar, aprender, acessar e produzir conhecimento, se atualizar e inclui a incumbência de promover a inclusão digital, ou seja, favorecer o acesso e a apropriação de códigos e linguagens próprios da era digital.

Para Perrenoud (2000), formar para o uso das novas tecnologias é formar para o julgamento, o senso crítico, o pensamento hipotético e dedutivo, as faculdades de observações e de pesquisa, a imaginação, a capacidade de memorizar e classificar, a leitura e a análise de textos, análise de imagens, a representação de redes, de procedimentos, de estratégias de comunicação:


Por que se precisaria primeiro aprender pelos livros e, após, dominar o escrito específico da comunicação informática? (PERRENOUD, 2000)

O autor, salienta a importância de se atentar na prática de leitura na tela, já que a mesma torna-se uma prática social corrente e ainda exemplifica com a presença dos hipertextos que são, agora, escritos sociais tão legítimos quanto os documentos impressos, como fontes da transferência didática a partir das práticas.

Segundo Perrenoud (2000), o caminho mais interessante de iniciar os alunos na informática seria inseri-la completamente nas diversas atividades intelectuais envolvendo o uso da informática.

O pesquisador já previa que nos próximos anos a escola sentiria o avanço tecnológico, e alertava a necessidade de os professores exercerem antes de mais nada uma vigília cultural, sociológica, pedagógica e didática para compreenderem do que será feita a escola de amanhã, seu público e seus programas.



Barreto (2002), chama a atenção ao fato da precisão de se garantir, na escola, o direito aos multimeios (TV, DVD, vídeo, computador, etc) para professores e alunos, primeiro, para que se aproxime a escola das práticas sociais, segundo, porque pode ser a única chance de muitos terem contato com o conjunto dessas tecnologias.

De acordo com Barreto (2002), diante da imensidão de oportunidades tecnológicas o professor não precisaria necessariamente estar a frente do quadro negro, ao contrário poderia estar em qualquer lugar, investigando, duvidando, planejando seqüências, desafiando padrões.

Também Moran (2009), contribuiu com a discussão afirmando que, com a chegada da Internet nos defrontamos com as novas possibilidades, desafios e incertezas no processo de ensino-aprendizagem.

O autor salienta o grande avanço na preparação de aulas que a Internet proporcionou, ou seja, ficou mais viável a consulta a colegas conhecidos e desconhecidos, pesquisadores, perguntar e obter respostas sobre dúvidas, métodos, materiais, estratégias de ensino-aprendizagem. O autor adverte que o papel do professor que não é o de somente coletar informação, mas trabalhá-la, de escolhê-la, confrontar visões, metodologias e resultados.

Sugere Moran (2009) a iniciação por parte do professor de um assunto em sala de aula sensibilizando, criando impacto, chamando a atenção para novos dados, novos desafios, num outro momento pode convidar os alunos a fazerem suas próprias pesquisas (individualmente ou em grupos) chegando as suas próprias sínteses.

O autor ainda adverte, que o fato de a Internet poder tornar um tormento ao professor que se acostumou a dar aula sempre da mesma forma, que fala o tempo todo na aula, que impõe um único tipo de avaliação, ou seja, esse professor provavelmente achará a Internet muito complicada. Para ele, a Internet é uma ótima ferramenta para professores inquietos, atentos a novidades, que desejam atualizar-se, comunicar-se mais.

Por fim, Moran (2009), afirma que os alunos estão prontos para a Internet, quando podem acessá-la, vão longe.

Podemos concluir a partir do pensamento destes autores que o professor precisa perceber que, aos poucos, a informática está passando de uma palavra da moda a realidade.

Capitulo 3 – INTERVENÇÃO PICOPEDAGÓGICA: A INFORMÁTICA COMO FERRAMENTA DE ENSINO PARA DEFICIENTES INTELECTUAIS
A Informática Educativa é mais um campo de atuação do Psicopedagogo que é justamente atuar nas dificuldades de aprender principalmente no que tange ao lidar com algo novo.

A propagação crescente da utilização dos computadores trazem novas formas de relação, novas exigências e complexidades frente ao mundo:


[...] a psicopedagogia surge da demanda da sociedade, para dar conta da complexidade do ser que aprende. (GONÇALVES, 2003, p.6)

De acordo com Gonçalves (2003), na concepção psicopedagógica, o ser é visto como um sujeito sistêmico, ou seja, que possui herança genética, cognitiva, emocional e social que estão presentes num contexto de aprendizagem. Na instituição escolar o Psicopedagogo atua como um mediador diante da queixa, trazida por um dos agentes da educação visando, assim buscar mecanismos para trabalhar os conflitos institucionalizados.

“Faz-se necessário que a escola promova uma sensibilização nos seus profissionais, antes da implantação da informática educativa, para que estes, ao invés de rejeitarem o trabalho possam se interessar e se envolver nele, desenvolvendo projetos integrados”. (WEISS, 2001, p. 59)

Nesse sentido, o psicopedagogo poderá fazer intervenções no que tange aos processos de ensino e aprendizagem, preparando as pessoas para integrarem esses novos recursos no contexto do trabalho. As pessoas precisam estar preparadas para utilizar a informática educativa no seu contexto de trabalho. Para isso é preciso que o psicopedagogo possa trabalhar os conflitos que emergem na instituição, tais como, resistência e medo de utilizar os computadores na sua prática de trabalho, medo de errar, receio de perder o emprego e outros conflitos que venham a existir em torno do contato do sujeito com a máquina.

De acordo com Weiss (2001), quando os medos são trabalhados as pessoas aos poucos sentem-se mais confiantes em relação a novos processos de trabalho. Para isso é preciso romper com as resistências internas como é visto em muitos casos que o professor tende por exemplo achar que informática educativa é algo de domínio exclusivamente dos técnicos da mesma. Muito pelo contrário, para Weiss (2001), a informática é uma ciência multifacetada onde diversos profissionais tende a contribuir no desenvolvimento de um sistema, na construção de um software, em fim, existe uma gama de trabalho muito ampla.

Weiss (2001), ainda complementa ressaltando que o computador é uma ferramenta de trabalho muito interessante para os professores. Entretanto, é necessário saber utilizar e integrar saberes relacionado aquilo que deseja instigar os estudantes. Por essa razão, antes da implementação da informática educativa no ambiente escolar, primeiramente é necessário conscientizar o professor, sabendo que ele é o mediador da aprendizagem. O psicopedagogo poderá fazer um diagnóstico com os professores e equipe técnica administrativa, o mesmo poderá realizar uma série de entrevistas visando analisar o que é explicitado no discurso com relação a utilização da informática e prática de trabalho. Através de coleta de informações o Psicopedagogo poderá observar, analisar o nível de conhecimento em informática, desejos, anseios, planejamento junto com o grupo, estratégias de intervenção no processo de ensino aprendizagem dos professores.

Para Weiss (2001), a psicopedagogia poderá resgatar a ludicidade na aprendizagem, ou seja, o resgate do brincar levando os profissionais de educação a vivências com jogos on-line, vídeo-game, visita a casa de jogos eletrônicos e etc, através dessas vivências os profissionais poderão fazer uma auto análise de sua relação com a máquina, ou seja, o que aprendeu, as vantagens e desvantagens, receios, bloqueios e possibilidades de trabalho.

Ainda segundo Weiss (2001), a Psicopedagogia poderá implementar a utilização de softwares educativos para trabalhar as dificuldades de aprendizagem escolar. Mas para isso é preciso saber analisar e selecionar o software, seja no conteúdo que está sendo trabalhado, na proposta pedagógica que está sendo disseminada no software e os conteúdos que podem ser trabalhados em relação ao software.

Para Weiss (2001), a utilização somente a informática educativa não é garantia de aprendizagem, visto que o sujeito é um ser complexo que se difere um dos outros. Logo, é preciso que o psicopedagogo saiba criar possibilidades de trabalho com a informática educativa em sua prática de atuação, mas também é importante saber utilizar os recursos que a escola disponibiliza.



3.1 – SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO FRENTE Á UTILIZAÇÃO DA INFORMÁTICA EDUCATIVA COM DEFICIENTES INTELECTUAIS.

Nos acervos da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo encontramos dois Referenciais que tratam do assunto, ou seja, o Referencial sobre Avaliação da Aprendizagem na área da Deficiência Intelectual (Geral) e o Referencial sobre Avaliação da Aprendizagem na área da Deficiência Intelectual do Ciclo II do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos. Ambos referenciais trazem proposta de avaliação, a ser realizada pelos professores, está organizado com instrumentos que visam identificar os processos de desenvolvimento e aprendizagem dos alunos com deficiência intelectual e visam que a partir de um novo olhar em relação às práticas avaliativas, iniciadas no interior das escolas, o professor pode avançar em suas propostas, planejando ações pedagógicas que favoreçam o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos, contemplando desse modo, suas especificidades.

Analisando os referenciais o que se pode notar é a ausência de um olhar específico em torno da informática educativa como ferramenta de ensino para deficientes intelectuais.

O mesmo sentimos ao analisar as Orientações Curriculares Tecnologias de Informação e Comunicação – Proposições de Expectativas de Aprendizagem, um outro documento de SMESP que não aborda a Informática Educativa como ferramenta de ensino na área da deficiência intelectual.

Ainda nos acervos de SMESP, encontramos programa de Informática Educativa que intensifica o uso de tecnologias pelos estudantes e centra-se no conceito de produção de conhecimentos por meio das linguagens midiáticas e do protagonismo de crianças, jovens e adultos. No que tange a estrutura física do programa, todas as unidades educacionais da rede estão equipadas com computadores e conexão à internet. As Escolas Municipais de Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação Especial e os Centros Integrados de Educação de Jovens e Adultos possuem laboratórios de informática com 21 computadores, internet, webcams, projetor multimídia, impressoras e softwares. Os alunos do Ensino Fundamental e Médio tem uma aula de Informática Educativa semanal no horário regular de aulas e contam com a regência de Professores Orientadores de Informática Educativa. O programa também prevê horários de pesquisa no laboratório de informática, fora do horário regular de aula, além de promover a formação permanente de educadores e estudantes em cursos semipresenciais, oficinas e projetos desenvolvidos em ambientes virtuais de aprendizagem colaborativa, voltados para a comunicação, pesquisa e publicação na internet, autoria e protagonismo. Por fim, ao que tange a estrutura pedagógica a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SMESP), por meio da Diretoria de Orientação Técnica do Gabinete (DOT-G), conta com uma equipe de educadores para desenvolver o programa de Informática Educativa para as 1418 escolas da rede. Contamos com 13 (treze) equipes de Informática Educativa regionalizadas, sendo uma em cada Diretoria Regional de Educação (DRE), para a formação de estudantes e educadores no uso das TIC e desenvolvimento de projetos, a fim de que nossas escolas estejam sempre em consonância com os avanços e novas demandas geradas pela sociedade da informação.

Um outro programa é o Aluno-Monitor, da Secretaria Municipal de Educação que tem caráter pedagógico-educacional e visa à potencialização do protagonismo do aluno na escola, contribuindo com o Professor Orientador de Informática Educativa (POIE) e Professores das diferentes áreas de conhecimento/disciplinas, no uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), com suas turmas/classes, em horário regular de aulas dos alunos e em horário anterior ou posterior ao do aluno monitor. Tem por objetivo formar alunos monitores para atuarem no desenvolvimento de projetos para enriquecimento do currículo nas unidades educacionais da Rede Municipal de Educação e estimular o trabalho colaborativo e promover a comunicação entre as entre escolas da rede pública do Ensino Fundamental e Médio.

No portal de SMESP, encontramos acervo de livros virtuais entre esses:

As Mídias no Universo Infantil: um diálogo possível - Livro elaborado  pela  equipe de  Informática Educativa da Secretaria Municipal de Educação  e pelo  grupo referência das Diretorias Regionais de Ensino, tem por objetivo iniciar um conversa com os  educadores da rede  sobre o potencial pedagógico que as mídias representam  no universo  educacional infantil e suas contribuições na  formação de espaços voltados às  expressões individuais  e coletivas das crianças.

Livro Virtual e CD do Projeto : “Nossa Escola tem História” - A edição é composta de 14 livros virtuais, sendo um de SME/Informática Educativa que apresenta todo o processo de desenvolvimento do projeto junto às escolas da rede e, mais 13, um de cada Diretoria Regional de Educação que reúnem os produtos finais das escolas das regiões da cidade de São Paulo e que faz parte do acervo de livros digitais de SMESP.

Por fim, o livro virtual – “Memórias em rede” – que reúne relatos dos alunos-monitores. A partir desses relatos, temos acesso, por meio de hiperlinks, aos trabalhos de memórias elaborados pelas escolas.

O que se pode perceber a partir da análise desses livros digitais é que os mesmos, assim como os referenciais, as Orientações Curriculares e os programas, não fazem uma abordagem específica em torno da Informática Educativa para Deficientes Intelectuais.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS



As pesquisas realizadas e o conteúdo exposto nos Capítulos I e II, já de princípio, permitiram que se tirassem algumas conclusões, ou seja, logo de inicio, foi árduo reunir um acervo teórico que tratasse de Informática Educativa como ferramenta de Ensino para Deficientes Intelectuais. Encontrar autores que especificamente voltassem o olhar para Informática Educativa na área da Deficiencia Intelectual foi trabalhoso, o que se pode perceber é, embora as propostas educativas insinuem a necessidade de se planejar ações pedagógicas que favoreçam o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos, contemplando desse modo, suas especificidades, as mesmas não fazem abordagem específicas interseccionando essas duas áreas.

O que se percebe a partir dessa pesquisa é a separação dessas áreas de estudo, pois ora temos o olhar dos teóricos que tratam da informática educativa voltados para democratização e mediação do uso das novas tecnologias destinadas a alunos considerados “normais”, ora temos teóricos tratando da deficiência intelectual como forma de atender suas necessidades e fazer adequações específicas, mas nada que venha a criar intersecção entre essas duas áreas viabilizando assim que os Deficientes Intelectuais venham a ser inclusos e tenham o direito de usufruir de ferramentas contemporâneas como a informática de forma que possam desenvolver-se, aprender e serem inserido na cultura de seu tempo.

Essa carência também é perceptível no acervo documental e de ações da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, ou seja, embora se tem um acervo amplo que trata da Deficiência Intelectual e da informática Educativa, nos mesmos não encontramos uma junção crucial entre essas duas áreas de forma que aos Deficientes Intelectuais venham a receber atenção especial ao que se refere a Informática Educativa.

Não se pode descartar que na pesquisa percebemos que a presença do Psicopedagogo é de suma importância, pois na instituição escolar o Psicopedagogo atua como um mediador diante da queixa, trazida por um dos agentes da educação visando, assim buscar mecanismos para trabalhar os conflitos institucionalizados, também o psicopedagogo poderá fazer intervenções no que tange aos processos de ensino e aprendizagem, preparando as pessoas para integrarem esses novos recursos no contexto do trabalho, no caso, a Informática.


Essa pesquisa representa uma pequena contribuição para o estudo sobre intervenção pedagógica na área da Deficiência Intelectual com o uso da Informática Educativa.

Esperamos que essa pesquisa possa contribuir na construção de um novo olhar a respeito da democratização da Informática Educativa como ferramenta de ensino para alunos deficientes intelectuais.

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