Réquiem para um sonho: a satisfação imediata da pulsão. Isabela Vieira de Almeida Sub-tema



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Réquiem para um sonho: a satisfação imediata da pulsão.

Isabela Vieira de Almeida

Sub-tema: O gozo do consumo: adições.

Palavras-chaves: toxicomania, pulsão e contemporâneo.

Os relatos sobre o uso de drogas podem ser encontrados na história da humanidade muito antes da modernidade. Pensar sobre este fenômeno na história pode ajudar a compreender o uso de drogas na atualidade – onde o sujeito contemporâneo estabelece uma relação bastante peculiar com este objeto. Esta é vista pelos psicanalistas como um sintoma contemporâneo onde a única forma de satisfação oferecida ocorre através do consumo desenfreado dos objetos. Este raciocínio marca o lugar do uso das drogas no contemporâneo e seus efeitos sobre os sujeitos. Para a psicanálise ele ganha o estatuto de toxicomania, quando diz de um consumo desenfreado das drogas com intuito de tamponar a angústia do sujeito. Consumo este oriundo das regras do capitalismo, onde se vende a ilusão da felicidade e da completude através da obtenção dos objetos. A droga seria, portanto, mais um destes objetos.

Em Réquiem for a dream – Réquiem para um sonho, de Darren Aronofsky, bastante deste raciocínio pode ser explicitado. Trata-se de um filme que retrata a toxicomania dos jovens personagens através do uso da heroína, e da mãe de um destes personagens através do uso de anfetaminas. Vários elementos do filme evidenciam a relação que o sujeito estabelece com a droga, ou seja, sobre aquilo que define a toxicomania. Desde as relações de amor entre os personagens e técnicas cinematográficas, até o desfecho das histórias de cada personagem nesta corrida pelo consumo como única forma de satisfazer a pulsão. Relação esta que prescinde do Outro da linguagem, restando à pulsão apenas sua outra parte limítrofe: o corpo.

Se apropriar de um objeto das artes para pensar a psicanálise é uma das formas de lançar um olhar crítico sobre a cultura. Se a toxicomania pode ser encarada como um sintoma contemporâneo, então, é adequado que se dirija sob ela um olhar que a adere à distância – uma vez que a contemporaneidade é uma singular relação com seu próprio tempo, pois estabelece o anacronismo de se dizer sobre o próprio tempo de forma a estar dentro e fora dele.



Formas da função paterna: o celibato como solução

Isabela Vieira de Almeida e Fábio Santo Bispo

Sub-tema: Novas formas da função paterna e materna e da conjugalidade.

Palavras-chaves: Complexo de Édipo, sexualidade, celibato e religião.

A psicanálise mostra que a neurose sempre retoma algo do infantil. É inevitável que, numa análise, esse momento da vida psíquica seja revisitado para se esclarecer as vicissitudes da pulsão sexual, já que a organização das relações amorosas posteriores são constituídas no interior do laço parental. Para se pensar essa relação – que é certamente atualizada no laço transferencial – propomos uma reflexão baseada em dois casos clínicos com elementos similares e que evocam nitidamente as marcas do Complexo de Édipo. Um dos casos é o de um garoto que está às voltas com o início da adolescência, e o outro é o de um rapaz atemorizado diante da chegada da vida adulta. Ambos expressam uma queixa dirigida à figura paterna, veiculada pelo relato da decepção das mães diante da vida promíscua de seus parceiros. Apesar das queixas, entretanto, essas mães permanecem com os parceiros e buscam ensinar os filhos a serem diferentes do pai. Diante dessa demanda materna, que provoca um impasse na identificação ao pai, esses pacientes recorrem ao celibato como uma saída para o Édipo. O garoto expressa a vontade de ingressar no seminário. O rapaz também insiste na escolha pelo seminário, até que isso não se mostre mais viável. Em ambos os casos, fica evidente a divisão subjetiva entre as exigências religiosas e os impulsos sexuais. O discurso religioso funciona como porta-voz da demanda materna de que eles sejam homens fiéis – a elas –, ao contrário do que teria sido o pai. Um impasse também se estabelece na relação transferencial, uma vez que o convite a falar sobre desejos proibidos diante de uma psicanalista parece desestabilizar a ancoragem na resposta celibatária à demanda da mãe. O discurso religioso é então fortemente aventado como defesa, ainda que vacilante, contra o inevitável desejo sexual. A análise nos permite verificar que a adesão ao discurso religioso passa a funcionar como uma solução de compromisso, pois ao mesmo tempo em que tenta recalcar o desejo sexual, acaba por trazê-lo à tona, na medida em que o celibato realiza para o sujeito algo da significação fálica associada ao desejo da mãe.


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