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Comité Económico e Social Europeu



SOC/449

Contribuição dos empresários imigrantes para a economia

Bruxelas, 18 de setembro de 2012




PARECER
do Comité Económico e Social Europeu
sobre a
Contribuição dos empresários imigrantes para a economia da UE
(parecer de iniciativa)

_____________
Relatora: Brenda King

_____________



Em 19 de janeiro de 2012, o Comité Económico e Social Europeu decidiu, nos termos do artigo 29.º, n.º 2, do Regimento, emitir um parecer de iniciativa sobre a


Contribuição dos empresários imigrantes para a economia da UE
Foi incumbida da preparação dos correspondentes trabalhos a Secção Especializada de Emprego, Assuntos Sociais e Cidadania, que emitiu parecer em 3 de setembro de 2012.
Na 483.ª reunião plenária de 18 e 19 de setembro de 2012 (sessão de 18 de setembro), o Comité Económico e Social Europeu adotou, por 135 votos a favor, 2 votos contra e 10 abstenções, o seguinte parecer:  

*
* *




1.Resumo e recomendações




1.1Nos últimos dez anos, a contribuição das atividades empresariais dos imigrantes na Europa tem vindo a aumentar. Estes contribuem para o crescimento económico e a criação de emprego, não raro revitalizando ofícios artesanais negligenciados e participando cada vez mais no fornecimento de bens e serviços de valor acrescentado. Além disso, são uma ponte importante para os mercados mundiais e desempenham um papel relevante na integração dos imigrantes no mercado de trabalho, criando emprego não só para si, mas também cada vez mais para outros imigrantes e para a população autóctone1.




1.2A UE reconheceu publicamente a importância que a contribuição dos empresários imigrantes pode ter para o crescimento sustentável e a criação de emprego. Contudo, é importante que este reconhecimento não seja encarado isoladamente ou em separado das prioridades imediatas dos responsáveis políticos da UE. Com efeito, um setor empresarial dos imigrantes dinâmico, sustentável e orientado para o crescimento deve ser parte da Estratégia para o Crescimento e o Emprego, da Lei das Pequenas Empresas (Small Business Act), da Estratégia Europa 2020 e do novo programa COSME, na medida em que estes já colocaram a importância das PME com um elevado crescimento e valor acrescentado no centro de uma economia da UE orientada para o crescimento sustentável.




1.3Os empresários imigrantes também fomentam oportunidades sociais para outros imigrantes, criam mais liderança social, são um exemplo a seguir na sociedade, sobretudo para os jovens, aumentam a autoconfiança e promovem a coesão social revitalizando ruas e bairros.




1.4O Comité acolhe favoravelmente a comunicação2 da Comissão, na qual se reconhece «o importante papel dos migrantes enquanto empresários» e se afirma a necessidade de reforçar a «sua criatividade e capacidade de inovação». O CESE também avalia positivamente a afirmação de que «a promoção do empreendedorismo transnacional através de uma estratégia mais dinâmica dará apoio aos empresários que operam tanto nos Estados-Membros da UE como nos países parceiros. Essas empresas podem criar emprego nos países de origem e trazer benefícios em termos de integração dos migrantes e de aumento do comércio entre países».




1.5Com o aumento do desemprego, que faz com que a UE tenha como prioridade urgente a criação de empregos de qualidade, é ainda mais importante que os responsáveis políticos da UE reconheçam a relevância das empresas dos imigrantes para a economia da UE, tanto a nível local como, cada vez mais, nos mercados internacionais, em que continua a haver uma procura de bens e serviços provenientes da UE. Tal inscreve-se na estratégia da Comissão que visa ajudar as pequenas e médias empresas a expandirem os seus negócios fora da UE, uma vez que as atividades internacionais reforçam o crescimento, promovem a competitividade e apoiam a sustentabilidade a longo prazo das empresas na EU.




1.6O Comité recomenda que para reforçar a «criatividade e capacidade de inovação» dos empresários imigrantes sejam tomadas medidas específicas ao nível europeu, nacional e local. O objetivo é erradicar a discriminação e criar igualdade de condições para todos, de modo a poderem contribuir para o crescimento inclusivo e a criação de empregos de qualidade.




1.6.1Ao nível da UE, os responsáveis políticos devem:





  • Reconhecer o potencial do espírito empreendedor dos imigrantes para promover o crescimento económico no âmbito da Estratégia Europa 2020;




  • Reconhecer o potencial do espírito empreendedor dos imigrantes para criar emprego e inclui-lo na Estratégia Europeia para o Emprego. Atualmente, esta estratégia põe a tónica apenas no emprego remunerado como forma de integração dos imigrantes;




  • Reconhecer o espírito empresarial dos imigrantes na política europeia de integração dos imigrantes;




  • Definir e recolher, juntamente com o Eurostat e os Estados Membros, estatísticas fiáveis e harmonizadas sobre a contribuição económica e social dos empresários imigrantes em toda a UE. Tal pode ajudar a UE a melhorar o enquadramento das políticas de imigração;




  • Continuar a facilitar o apoio público aos empresários para assegurar que a inovação, o empreendedorismo e o crescimento empresarial não são afetados pela impossibilidade de negócios viáveis acederem a financiamento adequado;




  • Introduzir uma abordagem de sensibilização para as boas práticas e incentivar a sua partilha em programas destinados a aumentar a capacidade e a sustentabilidade dos empresários imigrantes;




  • Desenvolver relações estratégicas com os países de origem atualmente empenhados em envolver diretamente as suas diásporas residentes na UE em atividades empresariais tanto no respetivo país de origem como na UE;




  • Recorrer a acordos comerciais, se for oportuno, como mecanismo para fomentar a atividade empresarial de empresas comuns entre os empresários imigrantes na UE e os seus países de origem. Tal apoiará a estratégia da UE para ajudar as pequenas e médias empresas a expandir os seus negócios fora da UE.



1.6.2Os Estados­Membros devem:





  • Reconhecer e promover o espírito empreendedor dos imigrantes como parte integrante de políticas de integração mais vastas;




  • Rever de um modo geral o quadro regulamentar e estrutural para a constituição de empresas, eliminando formalidades administrativas desnecessárias que possam constituir barreiras ao arranque de empresas;




  • Minimizar o risco da imigração ilegal e, em particular, do trabalho clandestino através da implementação da Diretiva 2009/52/CE3 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 18 de junho de 2009. O artigo 14.º desta diretiva dispõe que «os Estados Membros devem assegurar a realização no respetivo território de inspeções eficazes e adequadas».




  • Contribuir para aumentar as taxas de emprego de longa duração reforçando o apoio às empresas de imigrantes já existentes, em especial as geridas por mulheres e jovens, de modo a torná-las mais sustentáveis;




  • Promover uma maior sensibilização e reforçar as capacidades das organizações intermediárias, tais como associações comerciais, câmaras de comércio e cooperativas, para que possam apoiar estas empresas no que concerne ao cumprimento dos requisitos jurídicos, nomeadamente da legislação laboral e fiscal.



1.6.3O poder local e a sociedade civil, incluindo os parceiros sociais, devem:





  • Dar prosseguimento aos programas que aumentem o capital humano e social dos empresários imigrantes, disponibilizando vários serviços, como aconselhamento e informação, formação, estabelecimento de redes de contacto e orientação;




  • Criar ou promover oportunidades para empresários imigrantes, melhorando o acesso das suas organizações a organizações bem implantadas;




  • Tornar as empresas de imigrantes mais sustentáveis. Há que prestar mais atenção às empresas de imigrantes já existentes, em particular às que operam em setores de elevado valor acrescentado, em vez de colocar a tónica apenas nas empresas em fase de arranque;




  • Reconhecer que o acesso ao crédito é muito importante para o empreendedorismo. Por conseguinte, devem ser criados mais programas para aumentar o capital financeiro dos empresários imigrantes, nomeadamente:




  • dando a conhecer fontes de financiamento,

  • ministrando formação específica,

  • aprofundando os conhecimentos e as competências especializadas deste grupo específico de clientes empresariais, bem como a sua compreensão das instituições de crédito.



2.Observações na generalidade




2.1Na Europa registam-se atualmente importantes alterações demográficas: o declínio populacional é evidente em diversas regiões, a população está a envelhecer e as taxas de natalidade diminuem. Contudo, entre 2004 e 2008, a população da UE registou um aumento anual de cerca de 2 milhões de pessoas, principalmente devido à migração líquida. Os migrantes contribuíram de várias formas para o crescimento económico dos países de acolhimento: trouxeram novas competências e talentos, ajudaram a colmatar a falta de mão-de-obra e, enquanto empreendedores, criaram novas empresas e negócios.




2.2A contribuição dos imigrantes para a economia através da criação direta de novas empresas é um aspeto ao qual não tem sido prestada suficiente atenção. O presente parecer, partindo dos conhecimentos existentes sobre o empreendedorismo dos imigrantes, formula recomendações para promover e reconhecer o êxito das empresas propriedade de imigrantes e aumentar ainda mais a sua contribuição para o crescimento económico.




2.3Comparar o empreendedorismo e a criação de emprego por parte de imigrantes entre os países da UE não é fácil, já que cada país dispõe de diferentes fontes de dados e não existe uma definição consensual a nível internacional para o conceito de «empresário imigrante».




2.4O presente parecer baseia-se substancialmente nas comunicações apresentadas durante a audição do Grupo de Estudo Permanente para a Imigração e a Integração do CESE sobre a contribuição dos empresários imigrantes para a economia da UE, que teve lugar em 24 de novembro de 20114.




2.5Um empresário imigrante é definido como um proprietário de uma empresa, nacional de um país estrangeiro, que procura gerar valor através da criação ou expansão da atividade económica5. O empresário pode exercer a sua atividade por conta própria, ou seja, trabalhando apenas para si, ou contratar trabalhadores6.




2.6O presente parecer incide essencialmente nos empresários por conta própria, baseando-se em dados do inquérito às forças de trabalho para efetuar comparações entre os Estados Membros e entre empresários imigrantes e empresários autóctones. Acresce que a análise está centrada nos empresários que não exercem atividade agrícola, por ser esta a norma na investigação sobre empreendedorismo.




3.Características dos empresários imigrantes




3.1Os imigrantes são mais empreendedores




3.1.1Os dados do Inquérito às Forças de Trabalho da UE7 mostram que a tendência dos empresários imigrantes varia na UE, sendo que a percentagem de empresários imigrantes no total dos trabalhadores é entre 1,5% e 2,9% mais elevada do que a dos autóctones no Reino Unido, em França, na Bélgica, na Dinamarca e na Suécia. Contudo, a percentagem de empresários imigrantes é inferior à dos autóctones em Portugal, em Espanha, em Itália, na Grécia, na Irlanda, na Alemanha e na Áustria.




3.1.2A nível regional, a taxa global de autoemprego (autóctones e migrantes) é mais elevada na Europa Meridional, Central e Oriental. Porém, na Europa Central e Oriental, os imigrantes tendem a ter mais propensão para o trabalho por conta própria do que os autóctones, ao passo que na Europa Meridional se observa o contrário.




3.1.3Esta sobrerrepresentação de imigrantes entre os trabalhadores por conta própria na Polónia, na Eslováquia, na República Checa e na Hungria deve-se, em parte, à relativa flexibilidade da regulamentação de vistos para empresários imigrantes e à situação do emprego nesses países. As taxas mais baixas de empresários imigrantes registadas nos países da Europa Meridional devem-se, eventualmente, ao facto de, nestes países, os imigrantes ainda não terem tido tempo para criar o capital humano, físico e social necessário para montar um negócio próprio, seja por não falarem fluentemente a língua do país de acolhimento, seja por se depararem com dificuldades no que diz respeito ao reconhecimento das suas qualificações.




3.1.4Os dados relativos ao número de novos empresários num determinado ano também sugerem que há uma tendência para os imigrantes serem mais empreendedores do que os autóctones. Entre 1998 e 2008, o número médio anual de novos empresários imigrantes duplicou na Alemanha (para mais de 100 000 por ano) e no Reino Unido (para quase 90 000 por ano). Em Espanha e em Itália os números médios anuais sextuplicaram (para mais de 75 000 por ano) e octuplicaram (para 46 000), respetivamente. Em França houve um ligeiro aumento (para 35 000) no mesmo período8.




3.1.5Além disso, em termos relativos, os imigrantes são mais empreendedores do que os autóctones em relação à sua população. Por exemplo, no Reino Unido, os imigrantes, que representam 8% da população, são proprietários de cerca de 12% de todas as PME existentes no país.




3.1.6Estes dados coincidem com os dados revelados por um recente estudo americano, segundo o qual a percentagem de imigrantes entre os proprietários de pequenas empresas é de 18%, comparando com a sua proporção no conjunto da população e na força de trabalho que é de 13% e 16%, respetivamente9.




3.2Sustentabilidade das empresas propriedade de imigrantes




3.2.1Todos os anos, são muitos os imigrantes que criam um negócio, mas também são muitos os que fecham as suas empresas. Esta reduzida taxa de sobrevivência pode ser um indicador de que o trabalho por conta própria é um mecanismo de transição para o emprego assalariado ou de que a taxa de insucesso é mais elevada entre as empresas propriedade de imigrantes. Por exemplo, em França, apenas 40% das empresas propriedade de estrangeiros conseguem manter-se em funcionamento cinco anos após a sua criação, ao passo que esta percentagem é de 54% entre as empresas propriedade de franceses10. O estudo da OCDE11 concluiu que, mesmo após terem sido tidos em conta fatores como as qualificações e a experiência, entre outros, as empresas propriedade de imigrantes têm 27% menos probabilidades de sobreviverem, comparando com as empresas autóctones.




3.3Setores de elevado valor acrescentado




3.3.1O leque de atividades levadas a cabo por empresários imigrantes no país de acolhimento é tão variado como o dos autóctones. Esta transformação, já não se tratando só de empresas que fornecem serviços e bens sobretudo às populações dos seus enclaves étnicos, deve-se, em parte, ao crescente nível de formação de muitos imigrantes, assim como a mudanças nas estruturas económicas das sociedades pós-industriais.




3.3.2Na Europa, apesar de uma elevada percentagem de empresários nacionais de países terceiros trabalhar em setores tradicionalmente mais associados aos imigrantes (por exemplo, no comércio por grosso e a retalho), muitos trabalham noutros setores: praticamente 18% dos empresários imigrantes operam no setor da construção, 8% no setor profissional, científico e técnico, cerca de 6% no setor da indústria transformadora e outros 6% nos setores da saúde pública e dos serviços sociais.




3.4Perfil




3.4.1O perfil geral dos empresários, tanto imigrantes como autóctones, é semelhante, ou seja, tendencialmente ambos são do sexo masculino, com qualificações, e mais de três em cada quatro têm idade superior a 35 anos. Os empresários imigrantes e autóctones são, em média, mais velhos do que os trabalhadores assalariados. Este facto pode ser explicado pela necessidade de acumular suficiente capital social e físico, bem como experiência, antes de criar uma empresa.




3.4.2Os empresários imigrantes têm um nível de educação médio superior ao dos empresários autóctones. Aproximadamente entre 30% e 40% dos empresários imigrantes concluíram estudos superiores.




3.4.3Quase dois terços dos empresários imigrantes residem no país de acolhimento há mais de dez anos, ao passo que esta percentagem entre os trabalhadores assalariados pouco ultrapassa os 50%.




3.4.4A propensão dos imigrantes para o empreendedorismo depende da região de onde provêm: os imigrantes asiáticos são os mais propensos, enquanto os imigrantes latino americanos e africanos são os menos propensos. As diferenças existentes ao nível da educação e das possibilidades económicas podem explicar uma boa parte das diferenças no comportamento empreendedor entre os grupos de imigrantes. Outra explicação é que alguns países de origem têm tradicionalmente taxas elevadas de empreendedorismo nas suas economias, pelo que os imigrantes provenientes desses países têm uma maior propensão para criarem uma empresa no país de acolhimento.




3.4.4.1Note-se que a experiência dos imigrantes varia conforme a região de origem. Por exemplo, dados respeitantes ao Reino Unido indicam que se a taxa de emprego da comunidade de imigrantes paquistaneses fosse igual à da comunidade de imigrantes indianos, a percentagem de trabalhadores do sexo masculino e feminino neste grupo aumentaria 24% e 136%, respetivamente, o que equivaleria a um aumento de cerca de 96 000 pessoas no ativo.




4.Contexto da UE




4.1O Programa de Estocolmo define a agenda para a intervenção da União Europeia no domínio da Justiça e dos Assuntos Internos para o período de 2010-2014, referindo, entre outros aspetos, que a integração bem-sucedida dos imigrantes é indispensável para reforçar os valores democráticos e a coesão social e para promover o diálogo intercultural a todos os níveis.




4.2Dotado de 825 milhões de euros para o período de 2007-2013, o Fundo Europeu para a Integração apoia as iniciativas nacionais e da UE destinadas a facilitar a integração de imigrantes de países terceiros nas sociedades europeias, incluindo projetos no domínio do empreendedorismo imigrante e da educação para o empreendedorismo dirigida a imigrantes12.




4.3A comunicação da Comissão13 intitulada «Agenda europeia para a integração dos nacionais de países terceiros» reconhece o importante papel dos empresários imigrantes, mas o seu potencial contributo para o crescimento sustentável e a criação de emprego não é mencionado nas iniciativas emblemáticas europeias, como a Estratégia Europa 2020.




4.4O Pacote de Emprego da UE centra-se no emprego remunerado como forma de integração dos imigrantes. Contudo, exclui o papel dos empresários imigrantes, que podem contribuir para a criação de empregos de qualidade e sustentáveis e facilitar a inclusão económica e social dos cidadãos migrantes e autóctones.




4.5Os responsáveis políticos da UE devem empenhar-se ativamente na inclusão coerente do empreendedorismo imigrante nas estratégias da UE. Além disso, importa igualmente reconhecer e apoiar o papel que cabe aos empresários imigrantes na estratégia de integração de imigrantes.




5.Contribuição dos empresários imigrantes




5.1Mercado de trabalho




5.1.1O Inquérito às Forças de Trabalho da UE (1998-2008) salienta o contributo positivo dos empresários imigrantes para a criação de emprego, mesmo que a maioria dos empresários (autóctones e imigrantes) trabalhe apenas para si.




5.1.2Em média, criam entre 1,4 e 2,1 empregos suplementares. No entanto, comparações com empresários autóctones sugerem que os empresários imigrantes criam relativamente menos empregos, embora haja exceções a esta constatação geral: na República Checa, na Hungria, na Eslováquia e no Reino Unido, os empresários imigrantes criam, ao que parece, mais empregos do que os empresários autóctones.




5.1.3Este contributo para a criação global de emprego tem vindo a aumentar. Entre 1998 e 2008, o número de empregados em empresas de imigrantes aumentou em Espanha, em Itália, na Áustria, na Alemanha e nos Países Baixos, enquanto no Reino Unido e em França a contribuição para a criação de emprego se manteve constantemente elevada. Por exemplo, em 2007 e em 2008, os empresários imigrantes empregaram anualmente mais de 750 000 trabalhadores na Alemanha, aproximadamente 500 000 no Reino Unido e em Espanha, quase 400 000 em França e cerca de 300 000 em Itália.




5.1.4Em termos relativos, esta contribuição para a criação de emprego equivale a entre 1,5% e 3% do total dos assalariados. Os países em que os imigrantes mais contribuem para a criação global de emprego são o Luxemburgo (8,5%) e a Irlanda (4,9%). Embora não existam dados suficientes que permitam aferir se os imigrantes empregam ou não sobretudo outros imigrantes, alguns estudos mostraram que os imigrantes empregam tanto autóctones como outros imigrantes.




5.2Economia




5.2.1Além de criarem emprego, os empresários imigrantes também contribuem para o crescimento económico global do país de acolhimento. É muito difícil recolher provas empíricas fidedignas sobre a verdadeira contribuição para a economia da UE, mas existem dados provenientes do Reino Unido que estimam que, anualmente, o contributo destas empresas para a economia britânica é de 25 mil milhões de libras esterlinas, o equivalente a 6% do valor acrescentado bruto das PME (430 mil milhões de libras esterlinas em 2007)14.




5.2.2Estes valores assemelham-se às estimativas de um estudo americano, segundo as quais as pequenas empresas em que metade ou mais dos proprietários são imigrantes contribuem anualmente com 776 mil milhões de dólares americanos, o correspondente a 13% do total das pequenas empresas (6 biliões de dólares americanos em 2007).




5.2.3Outros dados, provenientes de França, mostram que, em 2009, os imigrantes em França receberam 47,9 mil milhões de euros do Estado francês (prestações sociais, habitação, educação, etc.), tendo em contrapartida contribuído com 60,3 mil milhões de euros. Por outras palavras, o contributo líquido dos imigrantes para as finanças públicas foi de 12,4 mil milhões de euros15.




5.2.4O CESE está em crer que o contributo para a UE poderia ser mais significativo se os empresários imigrantes que trabalham na economia informal obtivessem um apoio que lhes permitisse passar para a economia formal.




5.3Comércio




5.3.1Há igualmente provas de que os empresários imigrantes ajudam a criar oportunidades de comércio para o país de acolhimento, nomeadamente reduzindo os custos das transações comerciais com os seus países de origem, recorrendo às suas redes de contactos e tirando partido dos seus conhecimentos sobre os mercados nos seus países de origem. Na Suécia, por exemplo, 22% das empresas propriedade de estrangeiros canalizam os seus bens e serviços, pelo menos parcialmente, para o mercado internacional, enquanto que nas empresas propriedade de autóctones essa percentagem é de 15%16. Foi igualmente demonstrado que um aumento de 10% na população imigrante na Suécia se traduziu, em média, num aumento de 6% nas exportações e de 9% nas importações17. Estes resultados sugerem que os imigrantes podem desempenhar um papel importante enquanto facilitadores do comércio externo, reduzindo as barreiras implícitas ao comércio com os seus países de origem.




5.3.2Outro exemplo é o Reino Unido. Os empresários imigrantes proporcionam acesso direto a uma diáspora em crescimento, com um rendimento disponível estimado em mais de 30 milhões de euros, bem como novas oportunidades de negócio nos mercados mundiais como a Índia, a China e os países da África, das Caraíbas e da América Latina.




5.4Assinale-se que o empreendedorismo dos imigrantes não tem unicamente impacto na criação de emprego e na economia, podendo, também, fomentar oportunidades sociais para outros imigrantes, criar mais liderança social, aumentar a autoconfiança e promover a coesão social entre os cidadãos, revitalizando ruas e bairros.

Bruxelas, 18 de setembro de 2012




O Presidente
do Comité Económico e Social Europeu
Staffan Nilsson




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1 Rath, J., Eurofound (2011), Promoting ethnic entrepreneurship in European cities [Promover o empreendedorismo imigrante nas cidades europeias], Serviço das Publicações Oficiais da União Europeia, Luxemburgo.

2 «Agenda europeia para a integração dos nacionais de países terceiros», COM (2011) 455 final e SEC(2011) 957 final.

3http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:L:2009:168:0024:0032:PT:PDF

4 http://www.eesc.europa.eu/?i=portal.en.events-and-activities-migrant-entrepreneurs-contribution-present.

5 Definição de «empreendedor» estabelecida pela OCDE, 2008.

6 Rath, J., Eurofound (2011), Promoting ethnic entrepreneurship in European cities [Promover o empreendedorismo imigrante nas cidades europeias], Serviço das Publicações Oficiais da União Europeia, Luxemburgo.

7 http://epp.eurostat.ec.europa.eu/portal/page/portal/employment_unemployment_lfs/data/database.

8 Para consultar as estatísticas, ver: http://dx.doi.org/10.1787/888932442104.

9http://www.fiscalpolicy.org/immigrant-small-business-owners-FPI-20120614.pdf.

10 Breem, Y. (2009), Les entreprises créées en 2002 par des ressortissants des pays tiers : de plus grandes difficultés à survivre [Dificuldades das empresas criadas em 2002 por nacionais de países terceiros], Infos Migrations, N.º 13, Departamento de Estatísticas, Estudos e Documentação (DSED), Ministério da Imigração, Integração, Identidade Nacional e Desenvolvimento Solidário.

11 Open for Business: Migrant Entrepreneurship in OECD Countries [Abertos ao negócio: Empresários migrantes nos países da OCDE], 2010.

12http://ec.europa.eu/dgs/home-affairs/financing/fundings/migration-asylum-borders/integration-fund/index_en.htm.

13 COM(2011) 455 final e SEC(2011) 957 final.

14 http://www.bis.gov.uk/assets/biscore/enterprise/docs/b/11-515-bigger-better-business-helping-small-firms.

15 http://www.europeanvoice.com/article/imported/time-to-value-migrants-contribution/74527.aspx.

16 Agência Sueca para o Crescimento Económico e Regional (2007).

17 Hatzigeorgiou em OCDE (2010).

SOC/449 – CES638-2012_00_00_TRA_AC EN-IG/JSr/gc/mjr


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