Sabrina Noivas 76 Wedding Daze



Baixar 438.77 Kb.
Página1/9
Encontro29.07.2016
Tamanho438.77 Kb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9


Sabrina Noivas 76 - Wedding Daze
Sempre dama de honra, nunca noiva! Ou, no caso de Brianna Fairchild, seria mais apropriado dizer sempre uma organizadora de casamentos. Pois a adorável empresaria e comerciante passava seus dias em meio a vestidos de noivas, buquês e tudo que se referia a casamentos...de outra mulheres! Foi quando apareceu Spencer Lockhart. E, embora o declarado celibatário se considerasse imune à tentação de mudar de estado civil, Brianna decidiu testá-lo. Ela nunca recuava diante de um desafio, ou do sonho de que um dia, precisaria de seus próprios serviços...

Digitalização e correção: Nina


Dados da Edição: Editora Nova Cultural 1998. Publicação original: 1998. Gênero: Romance histórico contemporâneo
A VENDA
LOJA PARA NOIVAS
Loja para noivas, com serviço completo: vestidos de noiva prontos

e sob medida, grinaldas, sapatos e acessórios, convites, decoração e som.

Inclui: apar­tamento na sobreloja, ideal para pessoa solteira. Motivo da venda: atual proprietária prestes a tor­nar-se a principal cliente da loja!

CAPITULO I


Spencer Lockhart deixou a maleta no chão, em frente ao balcão de informações que havia na entrada. Tentava manter uma expressão neutra enquan­to observava a decoração inusitada da sala de espera.

Do chão ao teto, o aposento estava inteiramente decorado em tons de rosa-choque, uma cor que ele sempre associou a garotas desagradáveis e a senhoras de meia-idade muito empertigadas.

Colocou as mãos nos bolsos, involuntariamente fazendo uma careta ao ouvir os risos diversos decibéis acima do que mandava a boa educação. A julgar pelos olhares furtivos e gestos em sua direção, ele havia despertado interesse em uma dúzia ou mais de damas de honra.

"Oh, sim!", pensou desconsolado. Kelly lhe devia muito por colocá-lo em tal situação.

Deu uma olhada no relógio de pulso e franziu a testa. Duas e quarenta e seis. O compromisso fora agendado para as duas horas.

O trânsito estivera ainda pior do que havia previsto. Para agravar, acabou se perdendo e viu-se dando voltas e mais voltas nas ruas que circundavam o parque Inman na ten­tativa de encontrar o endereço.

Passou pelo balcão e deu alguns passos hall adentro.

— Olá?!


Não houve resposta. Nada além de sua própria voz re­verberando através da passagem estreita e alguma conversa abafada à distância.

Perturbado, voltou para perto da mesa da recepcionista, observando algumas garotas que conversavam tão entusias­madas, que pareciam não percebê-lo. Pareciam-se com flores assanhadas pelo vento.

Indeciso quanto à melhor atitude a ser tomada, Spencer acomodou-se em uma poltrona acolchoada.

— Oh! Sinto muito! Alguém já veio atendê-lo?


Atónito, Spencer desviou os olhos da balbúrdia e olhou em direção à voz feminina suave e delicada. Uma mulher alta, bem vestida e dona de lindos olhos castanho-esverdea-dos e um sorriso caloroso estava em pé à sua frente, segu­rando alguns papéis de encontro ao peito. A atmosfera melhorara consideravelmente.

  • Ainda não. Na verdade, tinha um compromisso marcado para as duas horas, mas fiquei preso no trânsito. Meu nome é Lockhart. Pensei que talvez conseguisse me atender mesmo assim.

  • Oh... não tenho certeza...

A saia levemente justa acompanhou os movimentos si­nuosos dos quadris femininos. Spencer observou, maravi­lhado, a mulher aproximar-se da escrivaninha. Viu-a passar o dedo, com unha perfeitamente esmaltada por cada linha do caderno de compromissos e então balançar a cabeça em sinal negativo.

Quando levantou os olhos, Spencer calmamente percebeu como ela era linda. Excepcionalmente bela.

— Na verdade, devo lhe dizer que minha agenda está completamente tomada durante todo o restante do dia — disse suspirando. — Para quando poderemos remarcar o compromisso?

Nesse exato instante, toda a beleza pareceu se esvair.

— Remarcar? — repetiu, rindo. — Não mesmo! Preciso cuidar disso hoje.

Fitou-a com o que imaginava ser sua expressão mais intimidadora. O espaço entre as belas sobrancelhas dimi­nuiu quase imperceptivelmente.



  • Eu realmente sinto muito, sr. Lockhart... — Ela olhou no caderno de compromissos para verificar o nome. — Sim­ plesmente não será possível.

  • Minha querida, acho que não entendeu com quem está falando — murmurou, levantando o queixo. — Por favor, ponha-me em contato com o dono, o gerente ou qualquer outra pessoa responsável pelo estabelecimento, para que possamos ir adiante com o combinado.

Observou a palidez que se instaurou no rosto delicado. Ela arregalou os olhos apenas por um momento e então pareceu ficar levemente aborrecida.

  • Sinto não poder fazer isso.

  • E por que não, posso lhe perguntar?

A moça aprumou-se. Devido aos saltos altos, ficava quase da mesma altura que ele. Estendeu-lhe a mão, um sorriso estonteante brincando nos lábios bem delineados pelo pálido batom.

— Sou Brianna Fairchild, dona e gerente do estabelecimento, sr. Lockhart. Seu compromisso era comigo. E agora, como eu estava dizendo... para quando poderemos remarcar a reunião?

Voltou a inclinar-se sobre o livro, uma caneta na mão. Spencer recusou-se permitir que a graça calculada da­queles movimentos rompessem sua guarda.

— Srta. Fairchild, talvez eu não tenha me expressado bem. Tenho uma agenda muito atribulada e não vou con­


seguir alterar nenhum dos meus compromissos. Sou um homem de negócios, portanto, não posso perder tempo.

O sorriso sumiu dos lábios de Brianna e ela limitou-se a passar as mãos levemente sobre a superfície polida da mesa. No instante em que Spencer percebeu o brilho na­queles olhos, notou que havia cometido um grande erro.



Nunca acue o adversário.

— Sr. Lockhart, por favor, compreenda. — Sua voz era baixa e controlada, mas a raiva era indisfarçável. — Assim como eu compreendo sua situação, deve perceber que também tenho uma empresa para tocar. Eu ainda não aprendi fazer mágica. Tenho compromissos durante todo o restante do dia, conforme lhe informei.

Fez uma breve pausa para avaliar o efeito de suas pa­lavras e em seguida prosseguiu:

— Mesmo porque não seria justo deixar esperando uma cliente que chegou no horário. Seria mais prático se remarcássemos outra reunião para conversarmos sobre seu casamento.



  • Por Deus, não! Não em milhões e milhões de anos — ele disse, enfático. — O casamento é de minha irmã.

  • Oh!

Observou-a morder o lábio inferior. Notou a frieza es­tampada nos olhos castanho-esverdeados que o desafiavam.

  • Bem, então, sr. Lockhart, podemos agendar?

  • Um momento. — Ele pegou o celular e certificou-se de seus compromissos. — Sexta-feira, à tarde.

  • Para mim, está ótimo. E quando será o casamento, sr. Lockhart?

Spencer deu de ombros.

  • Oh, não sei! Em algum dia de maio.
    Rindo, ela disse:

  • Acho que terá de ser mais específico do que isto.

  • Por quê, pelo amor de Deus? Estamos ainda em fevereiro.

  • Sim. Mas maio e junho ainda são os meses preferidos das noivas de Atlanta. Tenho certeza de que muitas marcarão os casamentos ainda esta semana. Estou com a agenda lotada, meus serviços são muito solicitados.

  • Ouvi dizer.

A luz de uma arandela iluminava diretamente os cabelos brilhantes de Brianna. Spencer flagrou-se admirando o modo como cada mecha refletia um tom particular de dou­rado. Dando-se conta do que fazia, rapidamente desviou o olhar para a própria maleta.

  • Eu telefonarei esta noite e lhe direi qual será a data.

  • Estará ótimo. Caso ligue depois das seis, deixe recado na secretária eletrônica. Se eu não voltar a telefonar, pode presumir que tudo está bem. Oh, só mais uma coisa...

Caminhou em direção a um armário e tirou de lá um bloco, tirando algumas páginas que lhe estendeu com um sorriso impessoal.

— Aqui está a descrição de todos os nossos serviços e taxas correspondentes, bem como a forma de pagamento. Como pode ver, podemos lidar com o casamento de sua irmã conforme ela desejar e nossos preços são justos. Dê uma olhada quando tiver oportunidade e então conversare­mos a esse respeito na sexta-feira quando nos encontrarmos.

— Sim... sexta-feira, às duas e meia.

Spencer deu uma olhada distraída para os papéis e então rapidamente abriu a maleta, colocou-os dentro e fechou-a em seguida. Começou a caminhar em direção à porta. Depois de alguns passos, voltou-se e perguntou:

— Por acaso você disse casamento dos Franklin?


  • Estou cuidando dos preparativos para o casamento de Allison Franklin. Você os conhece?

  • Sim. Sim, conheço. Amigos de família.

Spencer observou Brianna Fairchild com renovado inte­resse. Era calma e tinha o frescor das primeiras horas das manhãs de verão, embora estivesse, naquele momento, tra­balhando com uma das famílias mais difíceis de Atlanta. Realmente ficou impressionado.

Permitiu-se um aceno de cabeça para ela e forçou o pen­samento a centrar-se na reunião com os distribuidores que teria na parte da tarde.

Brianna quase tropeçou em Delia Franklin quando virou-se.

— Sra. Franklin! Eu não a vi aqui!

Colocou a mão no ombro da pequenina mulher.

— Sinto muito por tê-la feito esperar.

As diversas pulseiras de ouro fizeram um barulho deli­cado quando a sra. Franklin apertou a mão de Brianna.

— Bobagem. Eu estive mais do que ocupada dando uma olhada naquelas amostras de convite. Estou francamente confusa diante de tantas opções.

Em tom bem mais baixo de voz, perguntou:


  • Aquele que acabou de sair era por acaso Spencer Lockhart?

  • Sim.

  • Vejo que tem muito prestígio. Qualquer uma daria a vida para tê-lo como cliente. Cuide bem dele — a sra. Frank­lin disse, com um sorriso maroto nos lábios.

A conversa foi interrompida por uma combinação irritante de vozes falando ao mesmo tempo.

Allison Franklin subitamente apareceu à porta, o lindo rosto mostrando como estava extasiada.

Atrasada para uma importante reunião, deixou-se vencer pelo cansaço depois de ter experimentado uma dúzia de vestidos e não ter se decidido por nem um deles. Sempre solícita, Brianna foi ao seu encontro, para ajudá-la com pal­pites e sugestões. Mas em vão. A moça estava quase desis­tindo de comprar um vestido, quando Brianna lembrou-se de que havia uma dúzia ou mais de vestidos que trouxera para o escritório, alguns que ela mesma desenhara e que serviriam para determinados tipos de noivas... com especí­ficas contas bancárias. Suspeitava que Allison Franklin fos­se uma delas.

Apressou-se em direção aos vestidos... Sim. Era aquele mesmo! Tirou-o do armário, removeu o plástico que o pro­tegia e voltou pára a sala de provas. Como um toureiro colocando a capa diante de um touro, Brianna segurou a bainha do vestido e deu uma volta para mostrá-lo a Allison.

Seu palpite fora correto.

— Oh, meu Deus! Mas onde estava este vestido? — indagou Allison agitando as mãos e arregalando os olhos embasbacada.

Aproximou-se da mãe, gesticulando com euforia.

— Tire-me esta coisa do corpo, mamãe! Tenho de expe­rimentar aquele vestido agora!

Finalmente livre, Allison aproximou-se do recente objeto de sua admiração. Seu olhar permaneceu no vestido quando Brianna removeu o tafetá creme e incentivou-a:

— Vamos lá, Allison, ponha os braços para cima.

A moça obedeceu como uma garotinha comportada. Aju­dou-a a vestir-se, a saia farfalhando conforme era ajeitada.

Brianna fez com que toda a saia ficasse a um lado só e ficou atrás de Allison, sem esforço fechando a longa linha de botões forrados que começavam no pescoço e iam até a região dos quadris.

A noiva começou a tremer.


  • Oh, srta. Fairchild, este é o vestido de noiva mais lindo do mundo!

  • Também é o mais caro — observou a sra. Franklin ao lado da filha, segurando na mão a etiqueta de preço que pendia do vestido.

Allison fitou a mãe, então a etiqueta e depois voltou-se para o espelho dando de ombros.

— Nós podemos pagar, mamãe — Allison murmurou de queixo erguido. — E papai sempre disse que eu poderia ter tudo que quisesse. E eu quero este vestido.

Dois pares de olhos se encontraram no espelho por um longo momento e então a sra. Franklin simplesmente as-sentiu;

— Otimo! Agora vamos tirar o vestido e então marcaremos mais um encontro para escolhermos um véu adequado.

Brianna ajudou Allison a se despir, cuidadosamente ar­rumando o vestido enquanto a noiva colocava as próprias roupas. Depois, pegou a ficha de Allison para fazer algumas anotações.

Assim que a jovem deixou o vestiário, Brianna sentiu um toque leve em seu ombro. Ergueu o olhar para encontrar o de Delia Franklin.

— Obrigada por deixar minha filha feliz. Ela será a noiva mais linda de Atlanta, não é mesmo? Os convidados falarão a respeito daquele vestido durante anos.

Brianna voltou-se para a sala de espera assim que se despediu da família Franklin. E lá estavam a vendedora Madge e sua assistente Zoé.

— Vamos lá, sua prancheta estúpida! Sei que você está aqui em algum lugar! —- Foi a exclamação irritada da se­cretária, que só depois notou a presença de Brianna.

Enquanto procurava o objeto.Zoé continuou a conversar sobre os acontecimentos do dia até que o telefone tocou.



  • Um momento, por favor. Verei se ela ainda está por aqui. — Zoé tapou o fone e falou: — Spencer Lockhart?

  • Oh!

Com um gesto lacónico, Brianna pegou o fone. Zoé per­maneceu encarando-a, os braços cruzados no peito.

  • Sim, sr. Lockhart?

  • Fico feliz que tenha atendido, srta. Fairchild. Consegui a data para você.

  • Oh, sim...

Fez um gesto em mímica para Zoe a fim de que lhe desse seu livro pessoal de anotações.

  • E agora diga-me, quando é o casamento?

  • Dia vinte e três de maio. Um sábado.
    Brianna prendeu a respiração.

  • Não posso acreditar. Durante as três semanas anteriores e posteriores ao dia vinte e três já foram feitas re­servas exceto neste dia específico, ainda está vago.

  • Otimo — foi a resposta inexpressiva do outro lado da linha. — Coloque-nos neste dia. Reserve o dia todo.

  • Oh, mas eu normalmente faço dois casamentos aos sábados...

  • Sim, sim, eu sei... Li sua lista de preços e tenho certeza de que cobrará uma taxa pesada para ficar o dia todo à nossa disposição. Se não for problema para você, posso lhe assegurar que para mim não será.

Brianna fez uma careta para Zoé enquanto respondia com sua voz mais cortês:

  • E claro que não, sr. Lockhart. Absolutamente não ha­verá problemas.

  • Ótimo! Então nos veremos na sexta-feira.

  • Até lá, então — respondeu Brianna.

Ao desligar o aparelho, encontrou os olhos de Zoé fitá-la.

  • Mal posso esperar para conhecer este homem — ela falou, enquanto arrumava algumas coisas.

  • Por quê?

Zoé ajeitou os cabelos de forma a poder olhar para Brianna.

  • Porque...
    Deu de ombros.

  • Não importa.

  • Zoé...

Mas a garota apenas sorriu.

— Bem, eu já vou indo. Tenho duas aulas hoje.

Zoé abriu a porta da frente, estremecendo ante o ar gelado que a saudou.

Quando me formar em junho, espero ter um aumento, você sabe. Isto se não for uma promoção.

Brianna passou as mãos pelos braços devido ao frio.

— Vamos ver. Mas por favor feche a porta antes que eu congele, está bem?

Rindo, Zoé fechou a porta atrás de si.

Mas que espertinha, pensou Brianna com um meio sorriso enquanto bocejava.

O silêncio após a partida da moça era devastador. O ritmo suave das batidas do relógio do outro lado da sala subita­mente tornpu-se o único som de todo o prédio.

Algumas vezes a quietude das noites a envolvia como o abraço de um velho amigo. Outras, tornava-se algo pesado a preencher o ar, como se todo o som tivesse sido sugado violentamente da sala.

Como seria naquela noite? Suspirando mais uma vez, decidiu que isso não importava. Estava tão cansada que provavelmente estaria na cama às nove horas de qualquer maneira. Levantou-se e checou todas as portas. Foi para seu apartamento, onde pôde relaxar. Lembrou-se da deco­ração duvidosa do salão e sorriu. Assim que tivesse tempo, acabaria com a profusão de tons rosa que ardiam sua visão.

Nesse momento tudo estava tão silencioso, pensou Brian­na. Ligou a televisão sem sequer importar-se em qual canal estava. Depois de trocar de roupa, foi para a cozinha pre­parar seu simples jantar: uma lasanha congelada e salada. De volta ao quarto, sentou-se no chão e iniciou sua refeição.

O que passava na televisão era um programa local de novidades. Nada de especial. Comeu uma porção da lasanha e olhou para cima... exatamente para os olhos de Spencer Lockhart.

Bateu o joelho contra a mesinha quando se virou em busca do controle remoto. Aumentou o volume.

Lá estava ele, ladeado por diversos executivos japoneses.

Por Deus, como era alto! Brianna tinha um metro e se­tenta e cinco. Tentou se lembrar de quando haviam estado frente a frente. Ela tivera de olhar para cima, recordou-se. Então isso significava que ele devia ter cerca de um metro e oitenta ou mais...

A Lockhart & Stern havia acabado de negociar um ma­ravilhoso acordo com um importador japonês. Continuou a saborear a salada enquanto observava o rosto que aparecia na tela. Seria capaz de ficar ali olhando e olhando por horas a fio e ele jamais saberia.

Não era um rosto feio. Na realidade, era muito bonito. O nariz era perfeitamente proporcional, o conjunto harmo­nioso. O queixo levemente arrebitado, dava-lhe um charme todo especial. Apenas havia algumas rugas no canto daque­les brilhantes olhos azuis e os cabelos castanho-escuros com­plementavam a aparência devastadora.

Era um pouquinho grisalho, mas isso lhe dava um certo charme.

Curioso que não tivesse reparado nisso anteriormente. Ficou pensando qual seria sua idade. Devia estar próximo dos quarenta anos? Não mais do que isso, com certeza...

Como em resposta, a câmara focou para o entrevistador que naquele momento comentava que, aos trinta e seis anos, Spencer Lockhart já assumia uma influência indiscutível no rol dos negócios internacionais.

Trinta e seis anos? Mas isso significava que era apenas três anos mais velho do que ela...

Como a entrevista terminara, e não houve interesse em outro programa, Brianna levantou-se e foi à cozinha.

Lavou os pratos e deixou-os no escorredor, conforme fazia todas as noites. Mas naquela, especificamente, a imagem daqueles brilhantes olhos azuis não saía de sua mente.

Ficou em pé, diante da pia, secando as mãos e observando a escuridão que invadia seu quintal enquanto considerava os prós e contras do novo cliente.

Sempre fora boa em analisar a personalidade das pessoas. Essa habilidade a fizera ser uma estudante excepcional de psicologia e uma mulher de negócios astuta.

Era óbvio que a arrogância e confiança que Spencer Lock­hart mostrava ao mundo era apenas parte de sua persona­lidade. Brianna tinha quase certeza disso; afinal, ela mesma mantinha um lado secreto da própria maneira de ser guar­dado a sete chaves.

Mas aqueles olhos azuis eram reais, e muito gentis. Muito mesmo.

Suspirando, pegou uma toalha limpa de um armário. E então, para sua completa surpresa, desabou em lágrimas.
CAPITULO II
Spencer apertou a mão do entrevistador e deixou o estúdio de gravações. Tirou a maquia-gem com um lenço enquanto caminhava para o estaciona­mento. Esperava não ter manchado o colarinho, pois não teria tempo para mudar de roupa antes de encontrar-se com Charlotte para jantar.

O ar frio da rua foi muito bem-vindo depois de todo o calor das luzes para a filmagem.

Estacionou o carro diante do hotel onde Charlotte lhe pedira para fazer reservas para o jantar. Trocou algumas palavras com o manobrista quando lhe estendeu as chaves e cruzou o elegante saguão em direção à larga escadaria que conduzia ao restaurante.

Percebeu olhares, gestos de cabeças e sussurros que nada lhe importavam, mas que eram a vida de Charlotte. Esse era um dos mais finos restaurantes da cidade e ele não tinha queixas acerca da comida soberba e do serviço impe­cável. Mas de vez em quando não se importaria em jantar em algum lugar onde houvesse menos comentários.

Acenou para Charlotte enquanto o maitre o conduzia à mesa ornada com um candelabro. Se quisesse anonimato, decididamente escolhera a namorada errada. Seria realmen­te impossível manter uma pessoa tão linda escondida dos olhares da multidão.

A pele dela era clara e bem cuidada, perfeita para con­trastar com os cabelos negros presos no alto da cabeça. Para amplificar o efeito de sua presença, a moça vestia um conjunto de blusa e saia muito curta em tom avermelhado,

que fazia um contraste intenso com a decoração verde e dourada do restaurante. Brindou-o com um sorriso.

— Querido! Onde esteve?

Spencer se inclinou e delicadamente beijou-a no rosto, de imediato sentindo o perfume intenso. Não reconheceu a essência e decidiu que particularmente não gostava. Mas combinava com sua namorada: era sensual, um pouco eté­rea. Sentou-se a seu lado na pequena mas chamativa mesa.


  • Sinto muito, foi o trânsito.

  • Bem, não importa — ela respondeu. — Pedi uma be­bida para você. Já estou na minha segunda.

Spencer franziu a testa.

— Acho melhor você não beber tanto, querida.


Charlotte aproximou a mão dos seios, o lindo anel de brilhantes cintilando à luz das velas.

  • Prometo que não beberei mais esta noite. Como foi a entrevista? — indagou, pegando o cardápio.

  • Foi tudo bem.

Sabia que Charlotte não estava exatamente interessada. Quando o assunto referia-se a negócios, apenas trocavam algumas palavras corteses.

Spencer abriu o cardápio também, embora seus pensa­mentos parecessem mais determinados em centrar-se em Charlotte do que no jantar daquela noite.

Seu relacionamento já se estendia por um ano, o primeiro de alguma duração que Spencer permitira-se em um bom tempo. Na realidade, tornara-se mais um hábito do que qualquer outra coisa, suspeitava ele. Era algo confortável, que nada lhe exigia.

Charlotte era bonita, inteligente e normalmente uma companhia agradável. Spencer verdadeiramente gostava de tê-la em seus braços durante os compromissos sociais a que era convidado. Não havia queixas sobre o comportamento dela na cama também, as raras vezes haviam sido muito agradáveis.

E quanto a Charlotte, a moça claramente apreciava a imagem de namorada de Spencer Lockhart.

Mas amor nada tinha a ver com isso, o que tornava tudo descomplicado, conforme ele apreciava. A distância emocio­nal que Charlotte lhe permitira manter era mais do que conveniente.

Feitos os pedidos, ficaram a se fitar por alguns momentos.

Spencer analisou o rosto lindo e sorridente de Charlotte e sentiu uma pontada de culpa. Talvez não acreditasse em amor romântico, mas sua namorada ainda merecia algo mais do que um relacionamento conveniente.

Mas, admitia, não era tão indiferente assim a ela. Afinal, o namoro não teria durado tanto tempo se não se sentisse genuinamente atraído pela moça.




Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal