Sabrynne sampaio de sena



Baixar 163.63 Kb.
Página1/6
Encontro19.07.2016
Tamanho163.63 Kb.
  1   2   3   4   5   6


UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

ESCOLA DE MÚSICA E ARTES CÊNICAS


SABRYNNE SAMPAIO DE SENA


A MUSICOGRAFIA BRAILLE NA FORMAÇÃO DO MÚSICO DEFICIENTE VISUAL

Goiânia


2007

SABRYNNE SAMPAIO DE SENA



A MUSICOGRAFIA BRAILLE NA FORMAÇÃO DO MÚSICO DEFICIENTE VISUAL

Trabalho de conclusão de curso apresentada ao curso de Educação Musical/ Ensino Musical Escolar, com requisito parcial para aprovação na disciplina Projeto Final.

Orientadora: Ms. Adriana Oliveira Aguiar
Goiânia

2007


SABRYNNE SAMPAIO DE SENA


A MUSICOGRAFIA BRAILLE NA FORMAÇÃO DO MÚSICO DEFICIENTE VISUAL

Monografia defendida e aprovada em ________de_________________de_______ pela Banca Examinadora constituída pelos professores.


Profª. Ms. Adriana Oliveira Aguiar - UFG

Presidente da Banca

Profª. Ms Gyovana Carneiro - UFG

ProfªMs.Eliamar Aparecida de B. Fleury e Ferreira -UFG

A minha avó Arabela pelo incentivo.


Ao Antonny pela força.
Ao Bruno pela paciência.
A meu pai Francisco pela confiança.
A minha mãe Salma, pela minha vida e pela mulher que me tornei.

AGRADECIMENTOS


A professora orientadora e amiga Adriana Aguiar, pela amizade, confiança, paciência, dedicação e coragem em aceitar novos desafios.
A minha madrinha Nydia do Rêgo Monteiro por ter me ensinado as notas musicais que compõem a música da minha vida.
A Dolores Tomé por ter me mostrado o caminho musical através da inclusão de deficientes visuais.
Aos meus amigos e parentes e a todos que contribuíram de alguma forma para a conclusão desta etapa da minha vida.

Não, não tenho um caminho novo, o que tenho de novo é a forma de caminhar.


Thiago de Melo

RESUMO

O presente trabalho apresenta o resultado total de estudo sobre a Musicografia Braille como elemento de inclusão do músico deficiente visual nas salas de aula. O objetivo principal deste trabalho foi retratar e divulgar a Educação Musical para deficientes visuais utilizando a Musicografia Braille como instrumento de inclusão. Como ponto de partida, no capitulo um será apresentada à biografia de Louis Braille, personalidade importante para educação musical de cegos pela criação da simbologia utilizada na escrita e na leitura dos cegos pelo sistema Braille. Será feito um panorama da educação de cegos nos Brasil a fim de contextualizar esta situação. No capitulo dois, falamos da Educação Musical para cegos. Será traçado um paralelo entre a Educação Musical e a deficiência visual, seus paradigmas e perspectivas. O terceiro capítulo será destinado a Musicografia Braille (utilizado como método eficaz de educação musical para deficientes visuais). No quarto capitulo, abordaremos as tecnologias de informação, as tecnologias de Vanguarda, leitores de tela e as tecnologias a favor do cego no campo profissional e musical. No capítulo 5, a conclusão trará uma visão critica sobre as perspectivas da inclusão através da música. A busca pela independência de qualquer ser humano é muito importante e cheia de obstáculos. Imagine para um ser humano com alguma deficiência. Não queremos que este trabalho seja visto como terapêutico, e sim como um trabalho da educação musical, porque acreditamos que é possível desenvolver o lado musical, criativo, performático, de versatilidade e artístico destas pessoas, numa tentativa de à partir disso provocar mudanças na sociedade.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES


Figura 1 9

Figura 2 10

Figura 3 13

Figura 4 13

Figura 5 13

Figura 6 14

Figura 7 14

Figura 8 14

Figura 9 14

Figura 10 15

Figura 11 28

Figura 12 28

Figura 13 29

Figura 14 29

Figura 15 29

Figura 16 30

Figura 17 30

Figura 18 30

Figura 19 30

Figura 20 30

Figura 21 31

Figura 22 31

Figura 23 31

Figura 24 39

Figura 25 39



SUMÁRIO



AGRADECIMENTOS iv

RESUMO vi

LISTA DE ILUSTRAÇÕES vii

INTRODUÇÃO 1

Capítulo 1 5

Louis Braille: vida, música e linguagem. 5

Biografia de Louis Braille 5

A real condição social dos cegos no século XVIII 6

A vida escolar de Louis Braille 7

Como surgiu a idéia da leitura em relevo? 10

A vida Musical de Louis Braille 11

A Sensibilidade musical de Braille 12

O Sistema Braille - Alfabeto Romano 13

Capítulo 2 20

Educação Musical e deficiência Visual 20

Deficiência Visual e Educação Musical 20

Paradigmas da educação especial 22

O Ensino da música e a inclusão de alunos com necessidades especiais. 24

Conselhos para educadores musicais trabalharem com os cegos segundo Fleming 25

Capítulo 3 27

Musicografia Braille 27

Historia e evolução da musicografia Braille 27

Características Especiais 28

A diferença entre a Musicografia Braille e a escrita visual 31

O transcritor 32

Formas de Transcrição 32

Compasso sobre compasso 33

Sessão por sessão 33

Compasso por compasso 33

Linha sobre linha 34

Capítulo 4 35

Recursos tecnológicos 35

Recursos tecnológicos 35

Leitores de Tela 35

Programas específicos para editoração de partituras em Braille: 38

Tecnologias de Vanguarda Para os Cegos 40

Conclusão 42

Os Cegos Alcançarão suas Próprias Notas 42

ANEXOS 45

ORIENTAÇÕES NO RELACIONAMENTO COM PESSOAS CEGAS 48

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 53



INTRODUÇÃO

O motivo da escolha deste tema como educadora musical foi a convivência com outras pessoas cegas. Quando eu tinha nove anos, tive a oportunidade de estudar na escola de ensino regular (Escola Alternativa, no Piauí) com a Sara, uma menina cega (o acesso de cegos nas salas de ensino regular era permitido de acordo com a Constituição Federal1) que foi minha amiga e com quem convivi durante muitos anos de nossas vidas. Eu a ajudava nos deveres escolares, nos trabalhos realizados em sala de aula e na locomoção dentro da escola.

Sara ficara cega aos poucos. Nasceu com baixa visão e aos 11 anos de idade enxergava somente vultos. Apesar disso, seu desenvolvimento escolar era muito bom, tirava notas boas e adorava conversar com as colegas de classe. Levava uma vida normal e se divertia como podia.

Sua rotina diária era: de manhã se dirigia a escola regular, à tarde ia para o CAP2 (Centro de Apoio ao Portador de Necessidades Especiais) e a noite, em alguns dias freqüentava o ballet e em outros, freqüentava a escola de música. Eu também fazia ballet e aulas de música na mesma turma de Sara. Sendo assim, a convivência entre nós era bastante assídua e freqüente.

Nas aulas de música, eu a auxiliava sempre. A professora era formada em Musicoterapia e era Educadora Musical. A convivência com os outros alunos era normal e o rendimento de Sara ia muito bem, mas ao sairmos da musicalização e passarmos aos diferentes níveis musicais como: teoria musical, linguagem estruturação, percepção, por exemplo, as dificuldades iam aumentando para ela. Sara não se sentiu acolhida pelos professores e foi se afastando da música. Pediu a mãe que a tirasse das aulas de música, afinal, ela só realizava a atividade de audição em sala de aula. Sara não sabia o formato de uma clave de sol ou qualquer outro conteúdo musical que lhe inserisse junto com os alunos, no momento de aprendizagem. Assim, a música saiu da vida de Sara.

Meu primeiro contato com o método Braille foi com o caderno (reglete e pulsão: material utilizado por cegos para escrever) que Sara levava para as aulas. A curiosidade e a vontade de ver minha amiga mais acolhida em suas atividades me levou a aprender o alfabeto Braille. Eu também estudava o Braille para ajudar a professora na hora da correção dos exercícios, pois somente as provas3 vinham em Braille. Imagine o que era para um portador de necessidades especiais da visão, estar inserido num contexto onde nada era preparado para ele. Onde as atividades não eram includentes, muito ao contrário, eram excludentes. A desmotivação de Sara com a música me incomodou bastante, pois eu acreditava que podia ser diferente.

Na escola, nenhum dos professores lidava com simbologia Braille e por isso, as provas eram corrigidas pelos professores do CAP (Centro de apoio ao portador de Necessidades Especiais). Essa era mais uma dificuldade que Sara precisava enfrentar. Outra diferença a ser superada.

O tempo passou e aos 11 anos eu mudei para uma escola com ensino regular melhor. Perdi o contato com a Sara, mas soube que ela havia desistido da escola de música e do ballet, pelas notícias que me chegavam dela.

Sara não desenvolveu seu lado musical como poderia, suponho que devido à falta de instruções dos professores, e devido à falta de material especifico para sua necessidade. Estes foram alguns fatores, que contribuíram decisivamente para este desencanto musical.

Sara entrou para a faculdade de Letras, na Universidade Estadual do Piauí onde conclui seu curso. Hoje, leciona no CAP (Centro de Apoio ao Portador de Necessidades Especiais) e leva uma vida normal, mesmo com os obstáculos que a sociedade ainda não conseguiu resolver.

Mais a frente um pouco, em 1998, tive a oportunidade de novamente estar inserida num contexto de participar da Educação de Cegos. Aos 14 anos, fui convidada a dar aulas de flauta-doce no Projeto Música Para Todos. No primeiro dia de aula me deparo com uma aluna cega chamada Daniela. Me vi mais uma vez, destinada a buscar um meio de interagir e de facilitar a vida dos cegos. Procurei em Brasília-DF um curso de musicografia Braille que me desse condição de efetivamente ensinar para cegos, curso este ministrado pela professora Ms. Dolores Tomé. Freqüentei o curso durante dois anos e desde 2004 quando o concluí, me vejo na condição de passar o que aprendi para ajudar educadores e portadores de necessidades especiais cegos, na difícil tarefa de promover a inclusão através da música.

O uso da musicografia Braille foi a alternativa encontrada para se trabalhar música com os portadores de necessidades especiais. Este método auxilia os alunos a serem independentes dos videntes (pessoas que enxergam). Eles podem estudar sem a necessidades de algum vidente estar presente.

A Educação Musical nas escolas de ensino regular passou por um processo difícil, durante 30 anos. Dessa forma, não foi possível ver a música nos currículos escolares. Isso só voltou a acontecer em 1996 através da LDB (Lei de Diretrizes e Bases) que veio colaborar com as nossas expectativas.
Sabemos que os desafios necessários para se reinserir a música nas escolas são enormes. Para tanto, será necessário um amplo debate sobre o valor da música enquanto conhecimento. Sem isso, as iniciativas de recolocação da música nas escolas, correm o risco de não se sustentar a longo prazo. Além disso, é preciso também repensar os modos de implantação do seu ensino e de sua prática, para que não se repita os erros do passado (GRANJA.2006).

De acordo com Carlos Granja, a Educação Musical luta até hoje para se fazer presente na vida das pessoas. A educação especial também luta pelo mesmo motivo e as duas, deveriam estar presentes nas salas de aula das escolas regulares de ensino a fim de contribuir para desenvolvimento intelectual, ampliação das possibilidades para o desenvolvimento do aluno com deficiência visual e promover a integração entre eles.

A partir da década de 90, “O movimento nacional para incluir todas as crianças em escolas e o movimento ideal de uma escola para todos, vêm colaborar para os novos rumos de transformações educacionais necessárias para os alunos com necessidades especiais” (Parâmetros Curriculares Nacionais ADAPTAÇÕES CURRICULARES).

Baseado nos Parâmetros citado, a inclusão dos alunos em salas de aulas das escolas regulares, requer um sistema educacional diferenciado do existente. Isso não aconteceu diferente na área da música.

Pensando em todas essas questões, este trabalho terá como objetivo principal a Educação Musical e sua relação com deficiente visual através da Musicografia Braille.

No capítulo um, começaremos com a biografia de Louis Braille, personalidade importante para educação musical de cegos e também criador da simbologia utilizada para a escrita e leitura dos cegos através do sistema Braille. Será feita uma abordagem sobre como se iniciou a educação de cegos nos Brasil a fim de percorrer a historia e mostrar o percurso realizado até hoje, trazendo a verdadeira condição dos deficientes visuais com respeito a inclusão e ao acesso às artes. Nosso foco principal será a Educação Musical como formação de oportunidades aos deficientes visuais, através da musicografia Braille.

No capítulo dois, trataremos da educação musical para cegos. Será feita uma abordagem crítica da Educação Musical para deficientes visuais, além de discorrer sobre os paradigmas desta educação musical na formação dos nossos alunos cegos do país.

No terceiro capítulo, apresentaremos a Musicografia Braille (método utilizado para aprendizagem da linguagem musical em Braille) e discutiremos a sua importância para os educadores interessados em trabalhar com os cegos e desenvolver um processo significativo de ensino e aprendizagem com a música.

O quarto capítulo trará conhecimento quanto às questões das tecnologias de informação, abordando as tecnologias de vanguarda, de leitores de tela e as tecnologias a favor do cego no campo profissional musical, que poderão ser trabalhados também pelos educadores musicais, em aulas nas escolas de ensino musical escolar.

O capítulo cinco será a conclusão que mostrará a possível inclusão do cego no mercado de trabalho, através da música (usando a musicografia como objeto de inclusão) e percorrerá o caminho para o desenvolvimento integral do cego como ser humano.


  1   2   3   4   5   6


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal