Sabrynne sampaio de sena



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Capítulo 3

Musicografia Braille


Historia e evolução da musicografia Braille

A musicografia Braille é uma área de estudo da música que transcreve os sinais da partitura em tinta para o Braille, facilitando o acesso de deficientes visuais.

Louis Braille realizou a primeira musicografia baseada em seu sistema em 1829, a obra “Procédé pour Écrire les paroles, La musique et la plainchant au moyen de pointd” (Método para escrever as palavras, a música e o cantochão por meio dos pontos). Braille propunha junto ao alfabeto, um sistema de caracteres musicais baseados em seus seis pontos.

O código em Braille se espalhou, ficou muito conhecido na França e até em meados de 1871 quando foi publicado o método "A Key to the Braille Alphabet end Musical Notation" (Uma Chave para o Alfabeto e a Notação Musical Braille) não foram encontrados registros do mesmo assunto. Em 1879 se publicou outro compêndio na Alemanha e em 1885, uma nova versão em Paris. Existindo diferenças significativas entre os três compêndios, foi criada uma comissão internacional para um estudo, propondo a unificação do código musicografico. Representantes da França, da Inglaterra, da Alemanha e da Dinamarca, concluiram no ano 1888 em Colônia (Alemanha), o estudo que ficou conhecido como “Chave de Colônia”. A estrutura básica era a mesma que até hoje vigora, mas alguns sinais foram alterados.

Os originais da escrita musical no Sistema Braille e a evolução dos códigos musicográficos foram revisados através dos sucessivos congressos de unificação, último manual publicado originalmente foi em 1996. Analisando as características que diferenciavam a Musicografia Braille da escrita visual, assim como os diferentes formatos de transcrição, levantou-se os principais problemas que afetavam na atualidade a transcrição de partituras em Braille.

O Braille é uma obra maravilhosa, mas isso não significa que ainda não possa melhorar. Existem pesquisadores fazendo testes com 8 pontos.

Acreditamos que antes de uma renovação total da escrita musical, seja necessário instaurar uma unificação, resolvendo o uso da informática aplicada na musicografia, unindo força no problema da formação de pessoas, que é o maior déficit em nível mundial.

Características Especiais

A Musicografia Braille tem uma dificuldade com a escrita horizontal, já que apresenta algumas características que diferenciam de maneira substancial da escrita visual. A escrita horizontal para a música é inadequada e a escrita em linhas horizontais também é bastante difícil.

A primeira dificuldade em escrever partitura em Braille para instrumentos polifônicos (violão, piano, órgão) é que a escrita visual e vertical permite a agrupamento de notas simultaneamente através do pentagrama. Sendo assim, a transcrição dessas partituras exige que o transcritor tenha além da formação no Sistema Braille, uma boa formação musical.


As notas musicais e pausas

As notas musicais são escritas com as letras d, e, f, g, h, i, j. Isso para as colcheias e são formados pelos pontos (1,2,4,5) superiores da cela Braille.



Figura 11

Semínima e a semifusa possuem as mesmas celas Braille e são formadas com os mesmos pontos da colcheia com acréscimo do ponto 6.



Figura 12

Mínima e fusa acrescenta-se o ponto 3.



Figura 13

Semibreve e semi-colcheia acrescenta-se o ponto (3 e 6)



Figura 14

As pausas correspondem a mesma figura também, a observação importante a ser feita é de que as células tem as mesmas figuras por exemplo como ter uma semibreve e uma semicolcheia no mesmo compasso? Para isso se faz necessário observar a formula de compasso. Ele é o que determina a figura.


A numeração das oitavas

Nos sinais musicograficos as oitavas são da primeira a sétima correspondendo o mais grave do piano ao mais agudo do piano.

Figura 15

-1 1° 2° 3° 4° 5° 6° 7° 7+




Fórmula de compasso

Na musicografia Braille a fórmula de compasso são representados por algarismos colocados na parte superior e inferior da cela Braille.



Figura 16

4/4 C ¾ 2/2 C




Sinais de alteração

Sinais de alteração ou acidentes são colocados antes da nota ou seja, igual na partitura em tinta.


Sustenido ponto (1,4 e 6)

Figura 17


Dobrado sustenido pontos(1,4 e 6/ 1,4 e 6)

Figura 18


Bemol pontos (1,2 e 6)

Figura 19


Dobrado bemol pontos (1,2 e 6/ 1, 2 e 6)

Figura 20

Bequadro pontos (1 e 6)



Figura 21


Claves

Figura 22


Barras

Figura 23

Barra dupla parcial II Barra dupla Final II




Ritornello

Figura 24


A diferença entre a Musicografia Braille e a escrita visual

A diferença da musicografia Braille deriva do sistema de escrita em linhas horizontais, que continuarão existindo ainda que sem grandes limitações da Musicografia Braille. Para uma maior compreensão dos limites do Braille em relação a escrita musical, foi publicada no ano de 1996 um novo Manual Internacional de Musicografia Braille aprovado em 1992 pelo Subcomitê para a Notação Musical no Sistema Braille da União Mundial dos Cegos – onde registra 270 sinais diferentes, dos quais um importante número são polivalentes.

Concomitante a isso existem 64 sinais de caráter Braille que são usados com muita freqüência na partitura musical, mas que as vezes nos causa uma certa confusão, ao invés de facilitar. A prática utilizada por Louis Braille de utilizar um só caráter é a mais vantajosa, pois facilita a leitura sem complicações.

Quando na partitura precisamos escrever um texto, usamos o “sinal de palavra” ou “prefixo literário” pra indicar que á partir daquele sinal, serão letras e não símbolos musicais.

As repetições nas partituras em Braille são usadas comumente com intuito de facilitar a vida dos cegos, quanto a memorização das obras musicais e quanto a redução de caracteres. Por causa da limitação em seis pontos, o sistema Braille permite que mais informações seja melhor transmitidas ao cego.

O transcritor

A musicografia Braille, exige que o trasncritor de partitura possua uma boa formação musical, capaz de escrever e entender o que esteja querendo transcrever e mais ainda, que passe ao cego, uma cópia perfeita da partitura em tinta.

O transcritor tem que saber abordar assuntos como polifonia complexa e a distribuição de vozes que não possuem uma regra pré-estabelecida. Fica também do seu critério a utilização adequada nos sinais de repetições, específica da Musicografia Braille. O músico especialista deve avaliar e saber se a sua utilização será útil ou não para o entendimento musical.


É imprescindível que o transcritor de música possua um perfeito domínio da escrita

Braille, já que na maioria dos países, se vem usando o computador com teclado Braille, utilizando unicamente as seis teclas correspondente aos seis pontos, como se fosse uma máquina de escrever Braille. Todas essas circunstâncias da escrita musical explicam a enorme escassez de transcritores de música em todo o mundo (TOME, 2003).



Formas de Transcrição

Quando se escreve uma partitura para teclado ou para conjuntos de instrumentos para videntes, agrupa-se um número de pentagrama igual ao número de partes (instrumentos) que consta no conjunto.

Para partituras em Braille, existem diferentes formatos para facilitar o intercâmbio de partituras em diversos países. O Subcomitê para a Notação Musical no Sistema Braille da União Mundial dos Cegos – na Conferência de Saanem decidiu propor um acordo, neste aspecto da transcrição. Para o vidente só existe um código.

Existem diversas formas de transcrição de uma partitura em Braille como: Compasso sobre Compasso, Sessão por Sessão, Compasso por Compasso e Linha sobre Linha. Atualmente as formas mais utilizadas serão especificados neste trabalho.

Compasso sobre compasso

Essa forma consiste em agrupar o número de linhas Braille igual ao número de pautas musicais em tinta. Dolores Tomé afirma que essa forma de agrupamento tem como “característica principal deste formato é que o primeiro sinal de cada compasso de todas as linhas paralelas, deve estar sem colunas, estabelecendo assim um alinhamento vertical do primeiro sinal de cada compasso”.

Quanto a sua eficácia, o formato facilita muito a leitura, principalmente para os usuários que analisam a partitura em várias partes. É o único formato que permite uma visão geral da partitura, isso se for uma partitura pequena, se for uma partitura grande, compromete a transcrição.

Sessão por sessão

Apresentação de compassos seguidos de cada parte, na ordem de apresentação: mão direita, mão esquerda (para instrumentos de teclado), a transcrição depende da estrutura musical.

Este formato ocupa menos espaço e é menos trabalhoso. Facilita a memorização apropriada para um único instrumento.

Compasso por compasso

Surgiu inicialmente na Inglaterra, foi utilizado em partitura de dois ou três pentagramas; escrita na horizontal; apresentação do mais grave para o mais agudo.

Este tipo de transcrição não é muito divulgado.

Linha sobre linha

A diferença entre o tipo de formato, compasso sobre compasso, está no alinhamento vertical do primeiro caráter Braille, sem coincidir os próximos compassos escritos.


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