Saero. Leia o texto abaixo e responda. Burro-sem-rabo



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D4 – Inferir uma informação implicíta em um texto.



(SAERO). Leia o texto abaixo e responda.

Burro-sem-rabo

São dez horas da manhã. O carreto que contratei para transportar minhas coisas acaba de chegar.

Vejo sair a mesa, a cadeira, o arquivo, uma estante, meia dúzia de livros, a máquina de escrever. Quatro retratos de criança emoldurados. Um desenho de Portinari, outro de Pancetti. Levo também este cinzeiro. E este tapete, aqui em casa ele não tem serventia.

E esta outra fotografia, ela pode fazer falta lá.

A mesa é velha, me acompanha desde menino: destas antigas, com uma gradinha de madeira em volta, como as do tabelião do interior. Gosto dela: curti na sua superfície muita hora de estudo para fazer prova no ginásio; finquei cotovelos em cima dela noites seguidas, à procura de uma ideia. Foi de meu pai. É austera, simpática, discreta, acolhedora e digna: lembra meu pai.

Esta cadeira foi de Hélio Pellegrino, que também me acompanha desde menino: é giratória e de palhinha. Velha também, mas confortável como as amizades duradouras.

Mandei reformá-la e tem prestado serviços, inspirando-me sempre a sábia definição de Sinclair Lewis sobre o ato de escrever: é a arte de sentar-se numa cadeira.

E lá vai ele, puxando a sua carroça, no cumprimento da humilde profissão que lhe vale o injusto designativo de burro-sem-rabo. Não tenho mais nada a fazer, vou atrás.

Vou atrás das coisas que ele carrega, as minhas coisas; parte de minha vida, pelo menos parte material, no que sobrou de tanta atividade dispersa: o meu cabedal. [...]

SABINO, Fernando. A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Ed. do autor, 1962, p. 10-12.


O trecho que indica que o narrador era escritor é:

A) “a mesa, a cadeira, o arquivo”.

B) “uma estante, meia dúzia de livros”.

C) “como as do tabelião do interior”.

D) “muita hora de estudo”.

E) “à procura de uma ideia.”.


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CRISE ECONÔMICA AMEAÇA CRISTAIS DE MURANO

Os efeitos da crise econômica já afetam o belíssimo artesanato de uma pequena ilha na Itália.

No ano de 1200, o murano já era uma atividade consagrada em Veneza. O vidro e o cristal preciosos se transformam em arte por meio de uma técnica tão refinada que os artesãos ganhavam o título de nobreza.

Ainda na Idade Média, o setor se mudou para Murano, uma pequena ilha da Lagoa Veneta. A tradição e os segredos da técnica única pertencem a poucos homens. Da pasta de materiais, fundidos a 1.400 graus de temperatura, são criadas peças inigualáveis, presentes em museus do mundo inteiro.

A primeira grande crise da história de Murano aconteceu no século 15, quando começou a fabricação dos cristais tchecos e de toda a região da Boêmia. A atual pode ser considerada a segunda maior recessão da pequena ilha.

Já não bastassem as falsificações feitas em vários países a preços muito menores, a crise econômica mundial está trazendo a Murano um quadro pessimista demais. As vendas caíram 50%.

Um vidreiro diz que muitos deles estão em casa, parados, e que os ateliês estão fechando as portas. “Numa crise como esta, objetos exclusivamente de decoração tornam-se desnecessários”, lembra um trabalhador.

Um empresário do ramo propõe mudar de mercado. “Os Estados Unidos e a Europa estão saturados. Temos que vender no Leste Europeu, na Rússia, China, Índia, e Emirados Árabes”, acredita.

Todo ano, cinco milhões de turistas visitam a ilha de Murano. Conversamos com uma americana que não pode comprar os objetos coloridos e caros, mas se encanta com eles:

“Se eu fosse colecionadora, viria pra cá só pra conhecer esta arte”, diz.

Mas Murano não ganha com os turistas: 95% da sua produção sempre foram exportados.

Agora, correm o risco de não sair dos canais de Veneza.

A técnica do vidro soprado, inventada no século 1 antes de Cristo, era praticada na Antiga Roma, no tempo do Imperador Nero. Hoje, o governo italiano está estudando medidas para evitar que a arte dos cristais de Murano seja extinta.

SCAMPARINI, Ilze. Disponível em:

+MURANO.html.>.


A respeito das informações evidenciadas nesse texto, Murano é

A) um local da Itália que vive da arte dos cristais.

B) um cristal antigo encontrado numa ilha da Itália.

C) uma arte que existe desde o século 1 antes de Cristo.

D) uma arte em vidro soprado para fins decorativos.

E) uma arte com vidro explorada desde o ano de 1200.


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cultura dos sebos

O administrador André Garcia tinha 26 anos quando abandonou uma promissora carreira na área de inteligência de mercado em operadoras de celular, no Rio. Estava farto do mundo corporativo. Na dúvida do rumo a seguir, buscou a vida acadêmica. Mas, ao procurar livros para um mestrado, notou uma lacuna no mercado que mudaria sua trajetória.

Garcia não achava os títulos que queria em bibliotecas e livrarias, perdia-se nos sebos e na falta de oferta de usados na internet. Veio então o estalo. Em um ano, lançou o Estante Virtual, portal de compra de livros usados, que completa quatro anos com 1.670 sebos, com 22 milhões de obras reunidas.

Aos 31 anos, Garcia comanda um negócio que vende 5 mil livros diários, em 300 mil buscas (12 buscas por segundo em horário de pico). Para ele, os sebos devem ser valorizados como agentes de democratização da leitura. “Elas têm de estimular a imaginação e a reflexão. Qualquer leitura não é leitura”, diz com autoridade conquistada pelo sucesso da iniciativa inédita de intermediação. Garcia diz ser um erro achar que só à escola cabe estimular a leitura. É desafio do país, afirma, fazê-la ser vista como prazer. O Estante Virtual quer provar que até uma iniciativa de negócio pode fazer a sua parte.



Língua Portuguesa, ano 4, nº 53, mar. 2010, p. 13. Fragmento.
De acordo com esse texto, André Garcia é

A) autoritário.

B) empreendedor.

C) idealista.

D) impulsivo.

E) indeciso.


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Mundo grande

Não, meu coração não é maior que o mundo.

É muito menor.

Nele não cabem nem as minhas dores.

Por isso gosto tanto de me contar.

Por isso me dispo.

Por isso me grito,

por isso frequento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:

preciso de todos.
Sim, meu coração é muito pequeno.

Só agora vejo que nele não cabem os homens.

Os homens estão cá fora, estão na rua.

A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.

Mas também a rua não cabe todos os homens.

A rua é menor que o mundo.

O mundo é grande.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Mundo Grande. Disponível em:

comentarios/m/mundo_grande_poema_drummond>. Acesso em: 9 nov. 2011.
Uma característica do modernismo em evidência nesse texto é

A) a apresentação de uma paródia da realidade brasileira.

B) a aversão aos valores estrangeiros.

C) a busca do equilíbrio psicológico.

D) a preocupação do poeta com o seu papel no mundo.

E) a presença da metalinguagem.


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O torcedor

No jogo de decisão do campeonato, Eváglio torceu pelo Atlético Mineiro, não porque fosse atleticano ou mineiro, mas porque receava o carnaval nas ruas se o Flamengo vencesse. Visitava um amigo em bairro distante, nenhum dos dois tem carro, e ele previa que a volta seria problema.

O Flamengo triunfou, e Eváglio deixou de ser atleticano para detestar todos os clubes de futebol, que perturbam a vida urbana com suas vitórias. Saindo em busca de táxi inexistente, acabou se metendo num ônibus em que não cabia mais ninguém, e havia duas bandeiras rubro-negras para cada passageiro. E não eram bandeiras pequenas nem torcedores exaustos: estes pareciam terem guardado a capacidade de grito para depois da vitória.

Eváglio sentiu-se dentro do Maracanã, até mesmo dentro da bola chutada por 44 pés. A bola era ele, embora ninguém reparasse naquela esfera humana que ansiava por tornar a ser gente a caminho de casa.

Lembrando-se de que torcera pelo vencido, teve medo, para não dizer terror. Se lessem em seu íntimo o segredo, estava perdido. Mas todos cantavam, sambavam com alegria tão pura que ele próprio começou a sentir um pouco de Flamengo dentro de si. Era o canto?

Eram braços e pernas falando além da boca? A emanação de entusiasmo o contagiava e transformava. Marcou com a cabeça o acompanhamento da música. Abriu os lábios, simulando cantar. Cantou. [...] Estava batizado, crismado e ungido: uma vez Flamengo, sempre Flamengo.

O pessoal desceu na Gávea, empurrando Eváglio para descer também e continuar a festa, mas Eváglio mora em Ipanema, e já com o pé no estribo se lembrou. Loucura continuar Flamengo [...] Segurou firme na porta, gritou: “Eu volto, gente! Vou só trocar de roupa” e, não se sabe como, chegou intacto ao lar, já sem compromisso clubista.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Disponível em:

html>. Acesso em: 13 jan. 2011. Fragmento.
No primeiro parágrafo desse texto, o sentimento que predomina em Eváglio é a

A) decepção.

B) insatisfação.

C) insegurança.

D) intolerância.

E) raiva.


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Vintage – Paulinho da Viola

Ontem, 1981

Eu aspirava a muitas coisas.

Eu temia viver à deriva.

Eu desfilava meu amor pela Portela.

Eu cantava carinhoso.

Eu escutava e não ligava.

Eu usava roupas da moda

Me alegrava uma roda de choro.

Eu pegava um violão e saía noite adentro.

Meu cavaquinho chorava quando

eu não tinha mais lágrimas.


Hoje, 2010

Eu aspiro ao essencial: uma boa saúde

Eu temo não poder navegar.

Eu desfilo meus sonhos possíveis.

Eu canto e males espanto.

Eu escuto e... “pode repetir, por favor?”

Eu uso, mas não abuso.

Me alegra um bom papo.

Eu pego o violão e procuro um cantinho.

Meu cavaquinho chora quando

surge uma melodia nova.


Depreende-se dessas declarações que o cantor

A) arrependeu-se do que falou antes.

B) fez uma revisão de conceitos.

C) mudou muito a personalidade.

D) reinventou as composições.

E) sentiu certo saudosismo.


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A nova minoria

É um grupo formado por poucos integrantes. Acredito que hoje estejam até em menor número do que a comunidade indígena, que se tornou minoria por força da dizimação de suas tribos. A minoria a que me refiro também está sendo exterminada do planeta, e pouca gente tem se dado conta. Me refiro aos sensatos.

A comunidade dos sensatos nunca se organizou formalmente. Seus antepassados acasalaram-se com insensatos, e geraram filhos e netos e bisnetos mistos, o que poderia ser considerada uma bem-vinda diversidade cultural, mas não resultou em grande coisa.

Os seres mistos seguiram procriando com outros insensatos, até que a insensatez passou a ser o gene dominante da raça. Restaram poucos sensatos puros.

Reconhecê-los não é difícil. Eles costumam ser objetivos em suas conversas, dizendo claramente o que pensam e baseando seus argumentos no raro e desprestigiado bom senso. Analisam as situações por mais de um ângulo antes de se posicionarem. Tomam decisões justas, mesmo que para isso tenham que ferir suscetibilidades.

MARTHA, Medeiros. In: Revista O Globo. 31 jan. 2010, p. 38.


As informações desse texto levam à conclusão de que

A) a comunidade indígena está reduzida.

B) a minoria justa agride as pessoas.

C) descendentes herdam a virtude da sensatez.

D) pessoas sensatas são raras na época atual.

E) pessoas com bom senso são objetivas.


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A hora de acelerar

A venda de computadores explodiu, mas o acesso à internet de alta velocidade não cresceu no mesmo ritmo. Falta um modelo.

Nos últimos anos, por conta do crescimento da economia e dos incentivos criados pelo governo federal, o Brasil conseguiu ampliar o número de computadores instalados e reduzir o fosso que o separava de outros países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Segundo cálculos da Fundação Getúlio Vargas, no início de 2009, havia 60 milhões de máquinas, seja nas residências, seja nas empresas. Só em 2008, foram vendidos 12 milhões de unidades, três vezes mais do que em 2004.

Se a venda de computadores deu um salto, o mesmo não se pode dizer do acesso à internet mais rápida, por meio da chamada banda larga, que ainda se expande em ritmo bem menor. No fim do ano passado, as conexões de alta velocidade eram utilizadas por aproximadamente 10 milhões de brasileiros, ante 7,7 milhões em 2007, conforme números apurados pela pesquisa anual Barômetro da Banda Larga, feita pelo IDC Brasil em parceria com a Cisco. Um número tímido quando comparado aos dos países que lideram essa corrida. Em 2008, a China contabilizava 81 milhões de conexões em banda larga. Os Estados Unidos, 79 milhões.

Uma das razões para este descompasso na popularização da banda larga no Brasil é justamente a ausência de um modelo definido de política para a universalização do acesso às conexões rápidas. Ao contrário do celular, um caso bem-sucedido de massificação e que tem hoje mais de 150 milhões de unidades em operação no País, nem o mercado nem o Estado ainda encontraram a fórmula capaz de prover de internet rápida a população de baixa renda e as cidades distantes dos grandes centros urbanos. Para parte dos especialistas, falta uma intervenção estatal mais clara. Para outros, o problema é a ausência de competição e regras pouco flexíveis, que, em alguns casos, criam monopólios virtuais. Enquanto a concepção de um modelo não avança, a União continua sentada sobre os cerca de 7 bilhões de reais do Fundo Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), criado na época da privatização do Sistema Telebrás.



Carta Capital, 4 de março de 2009. Fragmento.
acordo com esse texto,

A) a intervenção estatal mais clara seria a solução do problema da internet rápida.

B) a venda de computadores aumentou, mas o acesso à banda larga não.

C) a quantidade de computadores nas residências começou a aumentar a partir de 2008.

D) a solução para aumentar o acesso à banda larga é acabar com os monopólios virtuais.

E) a criação de regras mais flexíveis resolveria o problema do acesso à internet.


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A decadência do Ocidente

O doutor ganhou uma galinha viva e chegou em casa com ela, para alegria de toda a família. O filho mais moço, inclusive, nunca tinha visto uma galinha viva de perto. Já tinha até um nome para ela – Margarete – e planos para adotá-la, quando ouviu do pai que a galinha seria, obviamente, comida.

– Comida?!

– Sim, senhor.

– Mas se come ela?

– Ué. Você está cansado de comer galinha.

– Mas a galinha que a gente come é igual a esta aqui?

– Claro.


Na verdade, o guri gostava muito de peito, de coxa e de asas, mas nunca tinha ligado as partes do animal. Ainda mais aquele animal vivo ali no meio do apartamento.

O doutor disse que queria comer uma galinha ao molho pardo. A empregada sabia como se preparava uma galinha ao molho pardo? A mulher foi consultar a empregada. Dali a pouco o doutor ouviu um grito de horror vindo da cozinha. Depois veio a mulher dizer que ele esquecesse a galinha ao molho pardo.

– A empregada não sabe fazer?

– Não só não sabe fazer, como quase desmaiou quando eu disse que precisava cortar o pescoço da galinha. Nunca cortou um pescoço de galinha.

Era o cúmulo! Então a mulher que cortasse o pescoço da galinha.

– Eu?! Não mesmo!

O doutor lembrou-se de uma velha empregada de sua mãe. A Dona Noca.

– A Dona Noca já morreu – disse a mulher.

– O quê?!

– Há dez anos.

– Não é possível! A última galinha ao molho pardo que eu comi foi feita por ela.

– Então faz mais de 10 anos que você não come galinha ao molho pardo.

Alguém no edifício se disporia a degolar a galinha. Fizeram uma rápida enquete entre os vizinhos. Ninguém se animava a cortar o pescoço da galinha. Nem o Rogerinho do 701, que fazia coisas inomináveis com gatos.

– Somos uma civilização de frouxos! – sentenciou o doutor. Foi para o poço do edifício e repetiu:

– Frouxos! Perdemos o contato com o barro da vida!

E a Margarete só olhando.

VERÍSSIMO, Luis Fernando. A decadência do Ocidente. In: A mesa voadora. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p.98.
Por que a empregada recusou-se a fazer a galinha ao molho pardo?

A) Porque desaprendeu a receita do prato.

B) Porque quase desmaiou na cozinha.

C) Porque se desentendeu com o doutor.

D) Porque deveria cortar o pescoço da galinha.
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A hora dos ruminantes

A noite chegava cedo em Manarairema. Mal o sol se afundava atrás da serra – quase que de repente, como caindo – já era hora de acender candeeiros, de recolher bezerros, de se enrolar em xales. A friagem até então continuada nos remansos do rio, em fundos de grotas, em porões escuros, ia se espalhando, entrando nas casas, cachorro de nariz suado farejando.

Manarairema, ao cair da noite – anúncios, prenúncios, bulícios. Trazidos pelo vento que bate pique nas esquinas, aqueles infalíveis latidos, choros de criança com dor de ouvido, com medo do escuro. Palpites de sapos em conferência, grilos afiando ferros, morcegos costurando a esmo, estendendo panos pretos, enfeitando o largo para alguma festa soturna.

Manarairema vai sofrer a noite. [...]

Não se podia mais sair de casa, os bois atravancavam as portas e não davam passagem, não podiam; não tinham para onde se mexer. Quando se abria uma janela não se conseguia mais fechá-la, não havia força que empurrasse para trás aquela massa elástica de chifres, cabeças e pescoços que vinha preencher o espaço.

Frequentemente surgiam brigas, e seus estremecimentos repercutiam longe, derrubavam paredes distantes e causavam novas brigas, até que os empurrões, chifradas, ancadas forçassem uma arrumação temporária. O boi que perdesse o equilíbrio e ajoelhasse nesses embates não conseguia mais se levantar, os outros o pisavam até matar, um de menos que fosse já folgava um pouco o aperto – mas só enquanto os empurrões vindos de longe não restabelecessem a angústia. [...]

VEIGA, José J. Disponível em: . Acesso em: 5 mar. 2012. Fragmento.
De acordo com esse texto, conclui-se que o título “A hora dos ruminantes” significa que

A) à noite os bezerros eram recolhidos.

B) à noite as pessoas sofriam com o frio intenso.

C) à noite muitos bois tiravam a tranquilidade de Manarairema.

D) os animais invadiam as casas a fim de se aquecerem.

E) os moradores de Manarairema são comparados a animais.


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Descoberta novas espécies de hominídeos que conviveram com ‘Homo erectus’ há 1,7 milhão de anos

Três fósseis encontrados na África desvendam um mistério de quarenta anos e permite aos especialistas conhecer melhor a base da evolução humana Três novos fósseis descobertos na fronteira entre o Quênia e a Etiópia, na África, confirmam que duas espécies de hominídeos viveram ao lado do Homo erectus há dois milhões de anos. Até então se sabia com certeza apenas da existência de uma segunda espécie que habitou a Terra na época – o terceiro Homo era uma incógnita. O estudo foi publicado na revista Nature. Os fósseis – um rosto e alguns dentes de um menino com cerca de oito anos, uma mandíbula inferior completa com dentes e raízes e parte de outra mandíbula inferior de um adulto, incompleta, também com dentes e raízes – foram encontrados entre 2007 e 2009 no leste do lago Turkana e pertenceram a hominídeos que viveram entre 1,78 milhões e 1,95 milhões de anos atrás.

A descoberta permitiu aos paleontólogos “juntar” as peças de um quebra-cabeça que, há quarenta anos, os intrigava: o fóssil, chamado de KNM-ER 1470 (ou só 1470), descoberto em 1972, seria ou não uma nova espécie de Homo? Ele tinha um rosto muito maior que outros fósseis encontrados na região, o que tornava difícil compará-lo com outras espécies.

Por não se ter a arcada dentária desses fósseis, as análises não eram conclusivas. Parte dos especialistas defendia que se tratava de uma dismorfia de uma única espécie, outra parte que se tratava de algo completamente novo. É aqui que os novos fósseis entram e se encaixam na história do 1470: as novas evidências comprovam que não se tratava de uma alteração pontual na forma, mas de um tipo diferente de Homo.

O fóssil do rosto recentemente encontrado é semelhante ao do 1470. Ele tem uma morfologia desconhecida até então, incluindo o tamanho da face e dos dentes pós-caninos.

Foi chamado de KNM-ER 62 000. A mandíbula completa, chamada de KNM-ER 60 000, e o fragmento de mandíbula, KNM-ER 62 003, têm uma arcada dentária mais curta e incisivos pequenos, o que encaixa na morfologia do 1470 e do rosto 62 000.

Disponível em: .

Acesso em: 14 ago. 2012.
De acordo com esse texto, as evidências encontradas nos novos fósseis comprovam que trata-se de

A) um rosto de um menino.

B) um tipo diferente de Homo.

C) uma descoberta científica inusitada.

D) uma dismorfia da espécie.

E) uma mudança na estrutura fossilizada.


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O negócio é ser verde

A consultora francesa, que assessora grandes companhias em assuntos ambientais, diz

que é inevitável que as empresas adaptem seus modelos de negócio à sustentabilidade.
Que outras atitudes sustentáveis a senhora incorporou à sua rotina?

Elisabeth Laville – Depois que tive minha filha, hoje com 4 anos, fiquei radical quanto a determinadas questões. Ela entrou para a escola recentemente, e constatei que os alimentos servidos lá eram ricos em gorduras e carboidratos. Disseram-me que seria impraticável adotar um novo cardápio sem que outras instituições aderissem a ele. Procurei essas escolas e consegui que aderissem à mudança na alimentação das crianças. Ou seja, mesmo atitudes simples podem ter impacto para as gerações futuras. Não consigo entender por que as pessoas não se preocupam com o mundo que deixarão para seus descendentes. Na Europa, onde uma parte da população costuma esquiar, os adultos não pensam que, ao ter atitudes antiecológicas, privarão seus filhos ou netos do esporte. Dez por cento das estações de esqui dos Alpes estão sob risco de fechar, pois não há mais

neve como antes. Outro hábito que incorporei foi comprar produtos de limpeza e alimentos orgânicos. Essas atitudes podem ter enorme impacto na saúde de todos.



É possível tornar os alimentos orgânicos mais baratos?

Elisabeth Laville – Acho que é uma questão de tempo até que a exceção se torne regra.

Se todos começarem a exigir orgânicos no mercado, eles vão baratear. Foi o que aconteceu com outros produtos, como o ar-condicionado dos carros, que antes era usado por poucas pessoas, e o telefone celular, que custava caríssimo e hoje pode sair de graça.



Veja, 16 set. 2009. Fragmento.
No título desse texto, a palavra “verde” foi usada com a intenção de mostrar que é preciso

A) baratear o preço dos produtos orgânicos.

B) melhorar o lanche nas escolas.

C) participar de manifestações ecológicas.

D) recuperar reservas naturais.

E) ter atitudes sustentáveis.


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Texto
Por que o senhor é cético em relação às previsões sobre o aquecimento global?
Bjorn Lomborg – Discordo da forma como as discussões sobre esse tema são colocadas. Existe a tendência de considerar sempre o pior cenário – o que aconteceria nos próximos 100 anos se o nível dos mares se elevar e ninguém fizer nada. Isso é irreal, porque é óbvio que as pessoas vão mudar, vão construir defesas contra a elevação dos mares. No entanto, isso é só uma parte do que tenho dito. Sou cético em relação a algumas previsões, sim. Mas sou cético principalmente em relação às políticas de combate ao aquecimento global. O problema principal não é a ciência. Precisamos dos cientistas. A questão é que tipo de política seguir. E isso é um aspecto econômico, porque implica uma decisão de gastar bilhões de dólares de fundos sociais. Em outras palavras, não sou um cético da ciência do clima, mas um cético da política do clima. Basicamente, digo que não estamos adotando as melhores políticas porque não estamos pensando onde gastar o dinheiro para produzir os maiores benefícios.

Veja, 23 dez. 2009. Fragmento.
No Texto, o entrevistado afirmar ser cético, principalmente, com relação

A) à decisão de gastar dinheiro de fundos sociais.

B) à tendência de se considerar o pior cenário.

C) às discussões sobre o aquecimento global.

D) às políticas de combate ao aquecimento.

E) às previsões sobre o aquecimento global.


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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.

Disponível em: . Acesso em: 4 fev. 2012.


De acordo com o Texto, os cientistas acreditam que

A) existe uma relação entre a frequência emitida pelos celulares e o aparecimento de câncer.

B) existem pessoas que usam o celular há 10 anos ou mais.

C) o desenvolvimento dos estudos sobre o câncer relaciona-se com o uso do celular.

D) o tumor cerebral é mais comum em pessoas que utilizam o celular com frequência.

E) os pacientes pesquisados desenvolveram 3 tipos de tumores.


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Estudo simulará aquecimento amazônico e suas consequências

Para descobrir como animais e plantas vão se virar diante do desafio do aquecimento global, cientistas do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) vão recriar artificialmente o ambiente aquático amazônico num clima mais quente.

A ideia é ter cenários baseados em três projeções do IPCC (painel do clima da ONU) para 2100, da mais branda à mais catastrófica.

O projeto, diz seu coordenador, Adalberto Val, diretor do Inpa, é inédito no mundo.

“Muitos pesquisadores olham para os animais terrestres quando fazem projeções, mas se esquecem da vida aquática”, afirma o biólogo.

No caso da Amazônia, há mais de 3.000 espécies de peixes conhecidas – boa parte delas endêmica (ou seja, só existem naquela região). O impacto do aquecimento sobre a vida aquática começa fora d’água. Com a redução das árvores em volta dos rios (elas podem morrer com o clima mais quente), a radiação solar que atinge o ambiente aquático aumenta.

Além disso, os bichos tendem a nadar mais superficialmente para respirar diante da redução de oxigênio nas águas, que têm aumento de carbono e ficam mais ácidas com o aquecimento global.

Mais expostos à luz solar, os peixes correm mais risco de sofrer mutações por causa da radiação, e isso pode prejudicar sua saúde. [...].

A hipótese dos cientistas é que os truques para sobreviver ao aquecimento estão no

DNA dos animais desde o período Jurássico, há cerca de 200 milhões de anos, quando o clima era mais quente.

Val também lembrou que, diante de condições climáticas adversas, os peixes tendem a migrar para outros ambientes. Em geral, os que ficam nas condições mais quentes tendem a ser os peixes ósseos. Os cartilaginosos (como as arraias) procuram outras águas, menos tépidas. Isso traz desequilíbrios ambientais, como disputa acirrada por alimentos.

RIGUETTI, Sabine. Disponível em:

shtml>. Acesso em: 24 ago. 2011. Fragmento.
De acordo com esse texto, o principal objetivo da pesquisa dos cientistas é

A) descobrir as mutações sofridas pelos peixes que estão mais expostos à luz solar.

B) descobrir o comportamento de animais e plantas com o aquecimento global.

C) investigar as mais de três mil espécies de peixes endêmicos da Amazônia.

D) recriar artificialmente o ambiente aquático amazônico em clima mais quente.

E) reproduzir cenários baseados em três projeções do IPCC para 2100.


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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.

O cego, Renoir, Van Gogh e o resto

Vistos de costas, pareciam apenas dois amigos conversando diante do quadro Rosa e azul, de Renoir, comentando o quadro. Porém, quem prestasse atenção nos dois perceberia, talvez estranhasse, que um deles, o de elegantes óculos de sol, parecia um pouco desinteressado, apesar de todo o empenho do outro, traduzido em gestos e eloquência quase murmurada. [...]

O que falava segurava às vezes o antebraço do de óculos com uma intimidade solícita e confiante. [...] Aproximei-me do quadro, fingindo olhar de perto a técnica do pintor, voltei-me e percebi: o de óculos escuros era cego. [...]

Algo extraordinário acontecia ali, que eu só compreendia na superfície: um homem descrevendo para um amigo cego um quadro de Renoir. Por que tantos detalhes? [...]

– Azul com o quê? Fale mais desse azul – pediu o cego, como se precisasse completar alguma coisa dentro de si.

– É um azul claro, muito claro, um azul que tem movimento e transparência em muita luz, um azul tremulando, azul como o de uma piscina muito limpa eriçada pelo vento, uma piscina em que o sol se reflete e que tremula em mil pequenos reflexos [...] Lembra-se daquela piscina em Amalfi?

– Lembro... lembro... – e sacudia a cabeça ...

Afastei-me, olhei-os de longe. Roupas coloridas, esportivas. [...] O guarda treinado para vigiar pessoas estava ao meu lado e contou, aos arrancos:

– Eles vêm muito aqui. Só conversam sobre um quadro ou dois de cada vez. É que o cego se cansa. Era fotógrafo, ficou assim de desastre.

ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. In Para gostar de ler: v.: 28. 2ª ed. São Paulo: Ática, 2007. Fragmento.

Infere-se desse texto que o homem cego é

A) acanhado.

B) audacioso.

C) cuidadoso.

D) determinado.

E) impaciente.


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A carta de Caminha nos dias de hoje

Alteza da galáxia,

Peço humildes desculpas por ter de lhe enviar esta mensagem eletrônica neste dia, contudo, gostaria de relatar que após nossa saída do sistema Gregor, 200 bilhões de anos-luz atrás, chegamos a uma galáxia jamais explorada. Informo que esta vossa frota de naves encontrou num canto muito distante de vosso universo, perdido em uma galáxia de um só Sol, um pequeno planeta azul que resolvemos chamar de Água, pois este é o nome do líquido de cor bonita que mais existe neste lugar. Além de muita água, existe uma população de seres que se denominam “humanos”. […]

Estes seres humanos são muito estranhos […]. Os povos são divididos pelo planeta em regiões de características topográficas e climáticas relativamente uniformes, delimitadas por fronteiras às quais os nativos dão o nome de países […]. Outra característica interessante destes seres é que são muito dóceis para conosco e aceitam nossa amizade e aproximação

em troca de um simples diagramador estelar ou um rélis relógio atemporal. Penso que será fácil convencê-los de vossa santa intenção de trazer para este planeta nossa tecnologia que está a muitos bilhões de anos-luz a frente da que eles possuem. […]

Estamos voltando e levando conosco um ser deste estranho e atrasado planeta para que possamos estudá-lo. Deixaremos aqui uma de nossas naves com tripulação para que outros povos saibam que este planeta pertence à Vossa Alteza.

Desculpo-me mais uma vez pelo incômodo e termino minha mensagem com votos de longa vida ao Rei.

Disponível em: . Acesso em: 8 abr. 2012. Fragmento.


No final do Texto, pode-se concluir que os seres que chegaram ao planeta pretendiam

A) dominar o planeta recém-encontrado.

B) estudar os seres humanos.

C) promover a paz no universo.

D) roubar a tecnologia encontrada.

E) usufruir da água disponível no lugar.


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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.

Antes e depois

O salão entornava luz pelas janelas. No sofá, bocejava a boa [...] D. Maria, digerindo sonolentamente o quilo do jantar. O seu digno consorte, o desembargador, apreciava o fresco da noite à janela, sugando com ruído a fumaça de um havana, com os olhos nos astros e as mãos nas algibeiras. Perto do piano, arrulavam à meia-voz Belmiro e Clara... Já se sabe: dois pombinhos...

O Belmiro estudava; tinha futuro, portanto; Clara... tocava e cantava...

II

– Belmiro, disse o desembargador, atirando à rua a ponta do charuto, manda Clara cantar...



– Cante, D. Clara, pediu Belmiro.

Clara cantou... Cantou mesmo? Não sei. Mas as notas entraram melífluas pelos ouvidos de Belmiro e foram cair-lhe como açúcar no paladar do coração...

– Esplêndido! Esplêndido! dizia ele, fazendo chegar a umidade do hálito à face rosada da meiga Clarinha...

O desembargador olhava outra vez para os astros...

III

Rola o tempo...



Numa casinha modesta de S. Cristóvão, mora o Dr. Belmiro com sua senhora D. Clara...

Os vizinhos dizem cousas... ih!

IV

– Como vais, Belmiro?



– Mal!

– Mal?... disseram-me que te casaste com a tua Clarinha...

– Sim! Sim!... mas, queres saber... de amor ninguém vive; é de feijões...

– Então...

– Devo até a roupa com que me cubro!...

– E o dote?

– Ah! Ah! Adeusinho...

V

É noite.



D. Clara está ao piano. Um vestido enxovalhado escorre-lhe da cintura abaixo, sem um enfeite. D. Clara está magra. No chão arrasta-se um pequenote de um ano, com uma camisolinha [...] amarrada em nós sobre o cóccix.

Clara toca; e não canta, porque tem os olhos vermelhos e inflamados...

O Dr. Belmiro vem da rua zangado.

– Não sei o que faz a senhora, gastando velas a atormentar-me!... Mande para o diabo as suas músicas e vá-se com elas!

POMPEIA, Raul. A comédia. São Paulo, n. 66, 21 maio 1931. Disponível em:

br/conteudo/raul_pompeia/antesedepois.htm>. Acesso em: 3 fev. 2012. Fragmento.


Nesse texto, o trecho “... foram cair-lhe como açúcar no paladar do coração...” (ℓ. 9) sugere que

A) as personagens estavam apaixonadas.

B) Clara estava cantando com emoção.

C) Belmiro gostava de músicas românticas.

D) a música despertou o amor de Belmiro por Clara.

E) a música abriu o apetite de Belmiro.


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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Cinco minutos

Capítulo 5

Assim ficamos muito tempo imóveis, ela, com a fronte apoiada sobre o meu peito, eu, sob a impressão triste de suas palavras.

Por fim ergueu a cabeça; e, recobrando a sua serenidade, disse-me com um tom doce e melancólico:

– Não pensas que melhor é esquecer do que amar assim?

– Não! Amar, sentir-se amado é sempre [...] um grande consolo para a desgraça. O que é triste, o que é cruel, não é essa viuvez da alma separada de sua irmã, não; aí há um sentimento que vive, apesar da morte, apesar do tempo. É, sim, esse vácuo do coração que não tem uma afeição no mundo e que passa como um estranho por entre os prazeres que o cercam.

– Que santo amor, meu Deus! Era assim que eu sonhava ser amada! ...

– E me pedias que te esquecesse!...

– Não! não! Ama-me; quero que me ames ao menos...

– Não me fugirás mais?

– Não. [...]

ALENCAR, José de. Cinco minutos. Rio de Janeiro: Aguilar, 1987. Fragmento.


No trecho “É, sim, esse vácuo do coração que não tem uma afeição no mundo e que passa como um estranho por entre os prazeres que o cercam.” (ℓ. 13-14), o homem demonstra estar

A) confuso.

B) consolado.

C) deprimido.

D) preocupado.

E) revoltado.


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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.

A economia da felicidade

Vivemos em tempos de altas ansiedades. Apesar de o mundo usufruir de uma riqueza total sem precedentes, também há ampla insegurança, agitação e insatisfação. Nos Estados Unidos, uma grande maioria dos americanos acredita que o país está “no caminho errado”. O pessimismo está nas alturas. O mesmo vale para muitos outros lugares.

Tendo essa situação como pano de fundo, chegou a hora de reconsiderar as fontes básicas de felicidade em nossa vida econômica. A busca incansável de rendas maiores vem nos levando a uma ansiedade e iniquidade sem precedentes, em vez de nos conduzir a uma maior felicidade e satisfação na vida. O progresso econômico é importante e pode melhorar a qualidade de vida, mas só se o buscarmos junto com outras metas. [...]

SACHS, Jeffrey D.. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2011.

Fragmento.
Segundo esse texto, o que tem causado a alta ansiedade vivida no mundo é

A) a busca incansável por rendas maiores.

B) a iniquidade sem precedentes.

C) a riqueza total sem precedentes.

D) o alto grau de pessimismo do mundo.

E) o progresso econômico.


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(SAEPE). Leia o texto abaixo e responda.
Os números (SURPREENDENTES) de mortes por raios no Brasil
No Brasil ocorrem 132 mortes por ano devido às descargas elétricas atmosféricas, os raios, o que nos coloca na quinta posição de fatalidade entre os países com estatísticas confiáveis. E a probabilidade de um homem ser atingido por uma dessas descargas, curiosamente, é dez vezes maior que a de uma mulher. Além disso, a probabilidade de ser vítima de um raio na fase adulta é o dobro da representada tanto por jovens quanto idosos.

Viver na zona rural ou urbana também altera essas chances. Na área rural, a probabilidade de receber uma descarga é dez vezes maior.

O Brasil é um dos poucos países que dispõem de um mapeamento detalhado das circunstâncias das mortes por descargas elétricas atmosféricas, o que pode contribuir significativamente para aperfeiçoar as regras nacionais de proteção contra o fenômeno.

Nos Estados Unidos, a circunstância que mais provoca mortes por raios são as atividades esportivas ou de recreação, como pescar, acampar e jogar golfe, diferentemente do Brasil.

Uma análise sociológica permite deduzir que essa diferença está atrelada principalmente ao fato de os Estados Unidos serem um país desenvolvido e o Brasil estar ainda em desenvolvimento. Assim, atentar para a proteção de pessoas jogando golfe não seria a melhor forma de fazer uma campanha de proteção nacional. O ideal é instruir a população a não realizar atividades agropecuárias (causa principal das fatalidades no Brasil), assim como orientar as pessoas a não permanecerem próximas aos meios de transporte, sob árvores e em campo de futebol durante as tempestades.

Disponível em: .


Com base nesse texto, a campanha ideal de proteção nacional contra raios deve considerar

A) a posição ocupada pelo Brasil entre os países com estatísticas confiáveis.

B) as circunstâncias em que ocorrem as mortes por descargas elétricas no Brasil.

C) as possibilidades de um homem ser atingido por uma descarga elétrica no Brasil.

D) o número de habitantes da zona urbana e da zona rural no Brasil.

E) o número de mortes que ocorrem no Brasil durante um ano.


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(SPAECE). Leia o texto abaixo.



A vida sem casamento
Afinal, o que as mulheres querem? No campo das aspirações femininas mais fundamentais, essa é uma pergunta facílima de responder. Por razões sociais, culturais e biológicas, a maioria absoluta das mulheres aspira a encontrar um companheiro, casar-se, construir família e, por intermédio dos filhos, ver cumprido o imperativo tão profundamente entranhado em seu corpo e em sua psique ao longo de centenas de milhares de anos de história evolutiva.

A diferença a que se assiste hoje é que não existe mais um calendário fixo para que isso aconteça. A formidável mudança que eclodiu e se consolidou ao longo do ultimo século, com o processo de emancipação feminina, o acesso à educação e a conquista do controle reprodutivo, permitiu a um número crescente de mulheres adiar a “ programação” materno-familiar. As mulheres que dispõem de autonomia econômica e vida independente não são mais consideradas balzaquianas aos 30 anos – apenas 30 anos! - , encalhadas aos 35 e aos 40, reduzidas irremediavelmente à condição de solteironas, quando não agregadas de baixíssimo status social, melancolicamente mexendo tachos de comida para os sobrinhos nas grandes cozinhas das famílias multinucleares do passado.

Imaginem só chamar de titia uma profissional em pleno florescimento, com um ou mais títulos universitários – e um corpinho bem-cuidado que enfrenta com honras o jeans de cintura baixa ou o biquíni nos intervalos dos compromissos de trabalho. Além de fora de moda, o termo pode ser até ofensivo. O contraponto a esses avanços é que, quanto mais as mulheres prorrogam o casamento, mais se candidatam a uma vida inteira sem alcançá-lo.

Bel Moherdani. Revista Veja. 29 Novembro 2006 (Fragmento)


A principal informação desse texto é que as mulheres

A) aspiram casar-se e construir família.

B) desejam, através de seus filhos, perpetuar a evolução.

C) dispõem de autonomia econômica.

D) enquanto avançam no profissional, adiam o casamento.

E) tem se preocupado mais com a forma física.

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(SPAECE). Leia o texto abaixo.



A morte do jangadeiro
Ao sopro do terral abrindo a vela,

Na esteira azul das águas arrastada,

Segue veloz a intrépida jangada

Entre os uivos do mar que se encapela.


Prudente, o jangadeiro se acautela

Contra os mil acidentes da jornada;

Fazem-lhe, entanto, guerra encarniçada

O vento, a chuva, os raios, a procela.


Súbito, um raio o prostra e, furioso,

Da jangada o despeja na água escura;

E, em brancos véus de espuma, o desditoso.
Envolve e traga a onda intumescida,

Dando-lhe, assim, mortalha e sepultura

O mesmo mar que o pão lhe dera em vida.

Padre Antonio Tomás.


Infere-se desse poema que os perigos oferecidos pelo mar são

A) ditosos.

B) envolventes.

C) inúmeros.

D) pequenos.

E) simples.

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(SAEPE). Leia o texto abaixo.



As rãs assustadas com a batalha dos touros
Quando os poderosos brigam, os fracos acabam por sofrer.

Uma rã, assistindo de seu pântano a um combate entre alguns touros, lamentava-se:

– Ai de nós! Que terrível destruição nos ameaça!

Uma outra rã perguntou por que ela dizia tal coisa, se os touros lutavam pelo governo do rebanho e passavam suas vidas tão longe daquele pântano onde viviam.

– Sim, eles moram longe; disse a rã – são de uma espécie diferente da nossa.

Ainda assim, os que perderem a luta pela soberania do prado fugirão, procurando esconderijos secretos nos pântanos, e seremos pisadas e esmagadas por suas patas poderosas. Portanto, naquela fúria que eles demonstram está em jogo a nossa segurança.



Fábulas do mundo inteiro. Círculo do Livro, s/d.
Nesse texto, pode-se concluir que a primeira rã é

A) autoritária.

B) corajosa.

C) desconfiada.

D) distraída.

E) prudente.


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(SPAECE). Leia o texto abaixo.



Anúncio do zoornal I
Troca-se galho d’árvore

novo em folha, vista pra mata

por um cacho de banana

da terra, nanica ou prata.

CAPARELLI, Sérgio.
Infere-se desse texto que quem faz a proposta da troca é um

A) cachorro.

B) homem.

C) leão.


D) macaco.

E) pássaro.


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(SPAECE). Leia o texto abaixo.



As enchentes de minha infância
Sim, nossa casa era muito bonita, verde, com uma tamareira junto à varanda, mas eu invejava os que moravam do outro lado da rua, onde as casas dão fundos para o rio. Como a casa dos Martins, como a casa dos Leão, que depois foi dos Medeiros, depois de nossa tia, casa com varanda fresquinha dando para o rio.

Quando começavam as chuvas a gente ia toda manhã lá no quintal deles ver até onde chegara a enchente. As águas barrentas subiam primeiro até a altura da cerca dos fundos, depois às bananeiras, vinham subindo o quintal, entravam pelo porão. Mais de uma vez, no meio da noite, o volume do rio cresceu tanto que a família defronte teve medo.

Então vinham todos dormir em nossa casa. Isso para nós era uma festa, aquela faina de arrumar camas nas salas, aquela intimidade improvisada e alegre. Parecia que as pessoas ficavam todas contentes, riam muito; como se fazia café e se tomava café tarde da noite! E às vezes o rio atravessava a rua, entrava pelo nosso porão, e me lembro que nós, os meninos, torcíamos para ele subir mais e mais. Sim, éramos a favor da enchente, ficávamos tristes de manhãzinha quando, mal saltando da cama, íamos correndo para ver que o rio baixara um palmo — aquilo era uma traição, uma fraqueza do Itapemirim. Às vezes chegava alguém a cavalo dizia que lá, para cima do Castelo, tinha caído chuva muita, anunciava águas nas cabeceiras, então

dormíamos sonhando que a enchente ia outra vez crescer, queríamos sempre que aquela fosse a maior de todas as enchentes.

BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. 3. ed. Rio de Janeiro, 1990.
Com base nesse texto, observa-se que o autor lembra mais fortemente

A) da casa em que morou.

B) da casa dos Martins.

C) das enchentes da infância.

D) do café tarde da noite.

E) dos colegas de infância.


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