Santuário localizado no Búzi: Erosão atinge Mwenhe Mukuro



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Santuário localizado no Búzi: Erosão atinge Mwenhe Mukuro


APESAR de receber mensalmente centenas de turistas nacionais e estrangeiros provenientes dos quatro cantos do mundo, com destaque para os da África do Sul, Arábia Saudita, Paquistão, Nepal e Portugal,  o santuário de Mwenhe Mukuro continua sob fortes ameaças de erosão provocada pela fúria das águas do Oceano Índico. As autoridades de tutelas asseguram que esforços há para salvar aquele local histórico no  distrito do Búzi,  sul de Sofala, mas a falta de verbas para a colocação de nova barreira e/ou reabilitação da já existente continua o maior obstáculo para que seja garantida a segurança daquele monumento.

Maputo, Quarta-Feira, 21 de Maio de 2008:: Notícias

 

Mesmo assim, as comunidades locais, nomeadamente as do Posto Administrativo de Nova Sofala, no distrito do Búzi, tudo têm feito para que aquele local histórico continue firme, só que tem sido intervenções de pequena escala e que não conseguem responder cabalmente às investidas da fúria das água do Índico.



O líder religioso e responsável por aquele santuário,  Mustafa Fakil Dinis, disse recentemente que o problema da erosão já é do conhecimento das autoridades administrativas do distrito, bem como do sector de Educação e Cultura da província de Sofala, que dizem, entretanto, estarem a trabalhar no sentido de solucionar o problema.

Para além do Executivo de Sofala, o responsável do santuário disse ainda que a Comunidade Muçulmana, através da sua liga provincial, já está informada sobre o problema, mas asseguram, igualmente, que há esforços no sentido de acudir ao problema.

Porém, enquanto essa questão não avança, as águas do Oceano Índico continuam a “sacudir” a velha barreira de betão armado que se encontra no local e, por conseguinte, melhorar aquele local de referência obrigatória na nossa história cultural e social e que está na eminência de desaparecer.

O chefe do departamento de Património junto da direcção provincial de Educação e Cultura de Sofala, Matias Chapungo, disse, após uma excursão realizada ao santuário, inserida nas celebrações semana do Dia Mundial de Monumentos, que se comemorou no passado 18 de Abril, sob o lema: “Monumentos Religiosos”, reconheceu a gravidade do problema, mas afirmou que ainda não há dinheiro para a intervenção ao nível do que se deseja.

Chapungo convidou, para o efeito, o empresariado local para colaborar no sentido de comparticipar na manutenção daquele que é um dos santuários de referência internacional e que se localiza naquele ponto do país, constituindo o orgulho dos moçambicanos, particularmente do Posto Administrativo de Nova Sofala.

Entretanto, o outro problema que tira sono às autoridades locais é o das vias de acesso ao santuário. Quanto a este aspecto, o chefe do Posto Administrativo de Nova Sofala, Cândido Malimia, reconheceu o facto e disse que, com os fundos de que dispõem só é possível realizarem intervenções suficientes para amainar aquela situação.

Afirmou que tal problema tem sido mais notório no tempo chuvoso, mas a dimensão histórica do santuário, segundo Malimia justifica uma intervenção urgente e de grande vulto, daí que apelou ao empresariado e às organizações não governamentais sociais e culturais a trabalharem na promoção cultural e melhoramento de uma infra-estrutura daquela grandeza de modo a colaborarem com as autoridades governamentais na solução do problema. 


  • Eduardo Sixpence

HISTÓRIA DO SANTUÁRIO


Maputo, Quarta-Feira, 21 de Maio de 2008:: Notícias

 

Reza a história, com destaque para a oral, que o Santuário de Mwenhe Mukuro teria eventualmente surgido há mais de três Séculos quando numa certa quinta- feira vários residentes de Nova Sofala que professam a religião muçulmana teriam sonhado que na Costa do Indico existia uma campa de um santo e que na mesma sepultura existia o nome do visado.



Este facto fez com que houvesse um encontro de figuras influentes e que, em conjunto dirigiram-se ao local onde, na verdade, teriam encontrado a referida campa com uma escrita árabe e que traduzida para o português significava “Santo Abdul Rename”.

Conta-se ainda que após isto, o clérigo local concluiu haver necessidade efectuar orações regulares na campa durante três meses. Diz-se também que nesse período vários foram os residentes que sonharam que o santo iria fazer milagres o que, segundo contam, veio a acontecer e a notícia foi sendo espalhada pelo mundo fora. Assim, o local passou a ser sagrado e os locais baptizaram com o nome de Mwenhe Mukuro que traduzido para o português significa “o maior muçulmano”.

Muita gente passou e continua a afluir ao local proveniente de todos os quatro cantos do mundo, com destaque para a vizinha África do Sul e turistas de  países que professam a religião muçulmana.

Para o efeito, o santuário passou a ser protegido e há sempre um líder religioso que se encarrega pelo local.

Para entrar no santuário em alusão há vários rituais que são exigidos com rigor, como é o caso de não consumir álcool 24 horas antes de ir ao local.

No caso das mulheres, estas não devem entrar no santuário enquanto estiverem no seu ciclo menstrual.

Os responsáveis dizem também que não podem entrar no Mwenhe Mukuro pessoas que, dois dias antes, mantiveram relações sexuais.

No interior do santuário, os visitantes vão deparando com vários animais, com destaque para os macacos muito bem divertidos, sobretudo quando lhes é oferecido bananas.

“Não existe uma explicação clara sobre os macacos,  talvez sejam os espíritos do Santo”- disse o responsável do Mwenhe Mukuro.

O santuário de Mwenhe Mukuro localiza-se no Posto Administrativo de Nova Sofala, no distrito do Búzi.

Refira-se que o monumento em alusão está na Costa do Oceano Indico, justamente no mesma área onde funcionou a Fortaleza de Sofala que teria sido criada em 1505 pelos árabes que vinham fazer trocas comerciais, mais tarde expulsos pelos colonialistas portugueses.

Conta o líder local, Mustafa Fakil Dinis que em dias de maré baixa pode-se encontrar pequenas pedras de ouro. “ Mas precisa ter muita sorte mesmo”- clarificou.

Duas religiões, nomeadamente muçulmana e católica predominam em Nova Sofala. Para além do santuário e mesquitas, existe naquele local a já conhecida Missão de Barada.

Entretanto, no pátio do santuário existem várias outras campas. Questionado sobre o assunto, o responsável do local disse que se tratavam de sepulturas de influentes comerciantes árabes que tombaram naquele solo do nosso país. Parte destes, foram vítimas de maus tratos de


DA TEORIA À PRÁTICA


Maputo, Quarta-Feira, 21 de Maio de 2008:: Notícias

 

 Numa tentativa de responder aos actuais desafios impostos pela transformação curricular, o sector de Educação e Cultura de Sofala promoveu uma excursão para o santuário, envolvendo alunos do Ensino Secundário Geral e professores. Quer dizer, cada um dos 13 distritos da província enviou dois discentes e um docente de história para participar no acto.



 Tratou-se de uma oportunidade para os visados relacionar a teoria à prática daquilo que é a História de Moçambique em diferentes capítulos, com destaque para o surgimento do santuário e da Fortaleza de Sofala( fortemente ligado ao  comércio Árabe, bem como à penetração portuguesa).

Aliás, ainda há pequenos vestígios da Fortaleza que dia-após-dia vão sendo engolidos pela fúria do Indico.

Para Laura Jorge, estudante da Escola Secundária do Dondo, a excursão serviu de uma oportunidade ímpar para in-loco procurar compreender melhor a história do santuário, bem como da Fortaleza de Sofala.

Ela é de opinião que mais eventos de género sejam promovidos para manter firme a História de Moçambique que, na sua apreciação, ainda precisa de ser muito relatada.

Enquanto isto, para Joel Mugadui, do distrito de Chibabava, o evento serviu para sanar muitas dúvidas que não se conseguem resolver nas aulas teóricas.

Por seu turno, Justino Xavier, docente da Escola Secundária e Pré-Universitária Samora Machel da Beira, iniciativas destas são encorajadoras, mas, o mais importante, segundo ele, é documentar estes feitos.



Sobre o assunto, o chefe do departamento de Património junto da direcção provincial de Educação e Cultura em Sofala, Matias Chapungo, disse que muito está sendo feito neste capítulo com o envolvimento dos investigadores do ARPAC.

Revelou que mais excursões irão acontecer envolvendo estudantes de diferentes sub-sistemas de ensino. Aliás, no ano passado as cavernas de Mazamba, no distrito de Cheringoma, foram alvo de visita de estudantes e prevê-se que ainda este ano discentes de Sofala visitem as Pinturas Rupestres de Nhamapere, na vizinha província de Manica.


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