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SARGENTO GARCIA

(contatos: guido.antonio@terra.com.br)


01 de abril de 2008.

VIAGEM IMAGINÁRIA


Aproxima-se mais um competição oficial. É a XXIV edição do Campeonato Estadual Sênior a ser realizado em nossas amplas dependências.

Oxalá haja condições para ser realizado o Estadual Junior.

É lamentável que não haja uma renovação constante e periódica em todas as entidades.

É vital para o futuro de qualquer modalidade esportiva.

Mas isso é assunto para outra ocasião. Agora é hora de relaxar e criar as condições ideais para desafiarmos o nosso emocional e a maratona de jogos.

Muitos têm de se deslocar de suas cidades e, por alguns dias, se hospedar em hotéis ou em alojamentos.

Viagens, hospedagem, alimentação, jogos... As “estórias” se multiplicam.

Que tal pinçarmos acontecimentos aqui e acolá e montarmos uma “viagem inesquecível”?

Primeiro, a viagem.

São quatro num fusca, 250 km de ida, um calor insuportável e uma cambada de moleques... Para refrescar, algumas garrafas “pet” de água. “Me alcança a água”, “passa a garrafa”, “não bebe toda”, “não baba, dentro”... é combustível certo para a pilantragem e sinal de que vem chumbo grosso! Não demora muito e na passagem da garrafa entre o banco dianteiro e o traseiro, o que está empunhando a garrafa aberta dá uma “pequena” apertadinha e um jato grosso de água explode bem na cara do que se preparava para beber. Pronto! Aceso o estopim! Despeja água daqui, responde de lá, água na cabeça de um, salva o meu time ali... A bagunça é generalizada e todas as garrafas são esvaziadas no carro. O motorista teve que parar no acostamento para ver se havia condições de prosseguir. Ao descerem a guerra prosseguiu e como não havia mais água, o negócio agora era na “mão” e no “chute”. Teve carro parando para tentar “apartar”...

Após a primeira noite de jogos, é hora de descanso.

Madrugada alta e um barulho incomodava todo mundo. O que é isso? Quase todas as delegações estão no mesmo hotel. Já havia gente no corredor tentando descobrir da onde vinha aquele “som”. Parecia uma moto serra mas, de repente, já era um trator de esteira. Ás vezes o motor dava uma falhada e logo em seguida “pegava no tranco” de novo... Escuta na porta de um, escuta na porta de outro, descobriram que era no andar térreo. Desceram em comitiva. Era num quarto isolado. Um conhecido botonista de uma cidade da fronteira repousava. Bateram na porta... “acorda fulano, estás roncando”... Que nada! O motor continuava ligado! Vendo que não havia outra solução, entraram no quarto, pegaram a cama (com a “Caterpillar” em pleno funcionamento) e a colocaram no pátio... dos fundos!!! Pronto! Resolvido! Vamos dormir...

Segundo dia de competição. Jogo duro contra um dos dinossauros do futebol de mesa. O cara joga muito, já ganhou Taça RS e os cambaus... O empate serve para classificação à próxima fase e só faltam 3 minutos para acabar o jogo. Não é que o sujeito arma um “pp” (porco perfeito) e fica pronto para chutar... Só resta olhar e... torcer!!! Lá vai Roberto Batata... “pimba”... a bola explode no peito do goleiro e sobe... Seu técnico sai vibrando... Mas... tudo que sobe, desce! E com a mesma velocidade que foi, a bola volta, bate no “bico” do centromédio posicionado na meia lua da grande área e entra por cima do goleiro... E o “dino” solta essa pérola: “É... não dá pra vibrar antes, pois “isso” é o que me diferencia dos demais...!”

Depois dessa, só a noite salva!

Alta madrugada, três botonistas voltam para o hotel após a farra. Estavam fora mesmo, então o negócio era curtir. Nos corredores, após a “night”, falavam alto e se movimentavam de um lado para outro. Quem havia se classificado dormia há tempo e com aquela barulheira toda, acordou não sabendo nem onde se encontrava. Alguém abriu a porta e perguntou o que acontecia. Um dos que estava chegando da noitada, disse que já estavam levantando para ir jogar... O cara fechou a porta, ligou a luz e chamou o resto da turma para acordar também, pois já estava na hora de ir. Alguns levantaram para tomar café, outros foram para o banho, até que alguém se deu conta que eram, a recém, 4 horas da madrugada! O pessoal que já estava até fardadinho para sair, ficou “uma arara”. Foram procurar quem havia pregado aquela peça. Foi fulano, disse um gaiato que havia chegado promovendo aquela baderna toda! O sujeito “apontado”, já estava dormindo a sono solto... O pessoal então juntou todos os cobertores dos quartos (uns 30) e amarrou por cima do indivíduo que acordou, horas depois, quase desidratado de tanto suar...

Foi uma noite e tanto mas já é hora de levantar - agora para valer.

O hotel não dá café no domingo e o jeito é ir a uma lancheria nas proximidades. O pessoal ocupa o balcão e enquanto alguns tomam café, outros comem torrada, bebem refrigerante, etc... Chega um sênior e pede um café. Enquanto aguarda, leva a mão à boca e tira a dentadura dizendo que “precisava fazer uma limpezinha, pois tinha alguma coisa trancada num dente...” Até a garçonete se foi para a cozinha... Ficou só ele no balcão!!! Dizem que teve gente que não conseguiu comer o churrasco de encerramento, só lembrando da cena...

Seria ou não, uma viagem inesquecível essa?

Bom Estadual a todos!

Dedico esta coluna a Aldyr Rosenthal Schlee. Aldyrzinho, em minha opinião, forma com Robson a dupla de botonistas “fora-de-série” que vi jogar. Além da técnica diferenciada, possui ainda uma qualidade que poucos exercitam numa mesa: a honestidade. Cansei de ver em jogos decisivos, acusar faltas que muitas vezes nem o seu adversário havia percebido. Fora da mesa, a generosidade e a simplicidade o tornaram “único”. Adepto convicto da ficha desfila com elegância e um toque refinado o seu Brasil de Pelotas pelas mesas do estado e do país. Presenciar seus jogos é um aprendizado constante, seja como técnico ou como ser humano...

Aldyr ganhou os seguintes títulos:

Campeão da Taça RS de 1982;

Campeão Brasileiro em 1986;

Campeão Estadual Especial em 1993.
(Colaboração de Marcelo Vinhas e Silvio Silveira)

SARGENTO GARCIA

(contatos: guido.antonio@terra.com.br)
18 de março de 2008.
SOB O SIGNO DA RÉGUA
Tudo começou em Jaguarão.

Um médico botonista de Passo Fundo costumava contar que um dos lances mais incríveis que assistiu no futebol de mesa foi quando viu “aquelelouco” cortar uma bola num ângulo de 90 graus, estando o botão de frente para a lateral e impulsionando-a, paralela à linha, para além da linha divisória de meio campo...”

Um radialista da Associação Jaguarense de Futebol de Mesa foi o primeiro botonista a jogar de régua no Rio Grande do Sul, ao que se saiba.

Usava um formato diferente das que se usa hoje. Era comprida, não muito larga e tinha duas faces em cada ponta. Não posso descrever com perfeição pois quando comecei a jogar, pouco tempo depois, a entidade a qual ele pertencia deixou de participar de competições oficiais. Não manuseei nenhuma para poder avaliar.

Sua idéia, no entanto, estava lançada. E tinha adeptos.

No COP, em Pelotas, jogavam dois irmãos. Eles utilizavam um modelo de régua diferente da “original”. A “idéia” era a mesma, mas o formato era outro.

Esse desenho foi o que vingou e se mantém até hoje, com pequenas variações.

Nas suas andanças por toda a zona sul a trabalho, vez por outra os dois irmãos estavam em Santa Vitória do Palmar e aproveitavam o tempo vago em jogos na Associação Santavitoriense de Futebol de Mesa. A “gurizada” que estava surgindo se revezava como seus adversários...

Um deles costumava sempre ir à minha casa e fazíamos alguns amistosos. Sua figura, com a palheta na boca ao se preparar para chutar de régua, é inesquecível para mim. Eu dizia que aquilo era “típico de pelotense, mesmo”... e ele, com a boca apertando a palheta para não rir, invariavelmente me respondia acertando o chute!

O alto índice de aproveitamento nos arremates despertou a atenção, não só a minha, mas, principalmente, a da nova geração que estava surgindo.

Os irmãos eram os fabricantes de suas réguas. Sua generosidade proporcionou que alguns exemplares fossem distribuídos para mãos ávidas da novidade.

Logo, aqueles “fedelhos” estavam começando a complicar jogos no campeonato citadino. Alguns, inclusive, já estavam utilizando a régua até mesmo para jogar, dispensando a ficha por completo.

Em pouco tempo, treinar com eles era um verdadeiro suplício, pois “cavavam” de tudo que era jeito, “metiam” passes precisos, “cortavam” qualquer bola, atrasavam de longe... Deixar chute, então, nem pensar!

Na primeira régua que quebrou, aflorou a fragilidade que havia por trás daquilo tudo - afinal eram meninos descobrindo a vida. Era como se tivessem ficado órfãos!

Alguém se encarregou de comprar acrílicos com espessura maior do que os que eram utilizados nas fichas e, de forma precária, substituía as quebradas.

E a “febre” da “regüinha” se espalhou pela Associação.

No Campeonato Estadual Junior, realizado em Santa Vitória em 91, a “moda” ganhou adeptos de outras entidades gaúchas.

No âmbito interno de nossa entidade, quem não se adaptasse à régua ao menos para chutar, não era páreo para a turma que a utilizava tanto para arrematar, quanto para jogar!

Os botonistas tradicionais tiveram que optar pelo uso do “novo instrumento”, pois era vexatório jogar com aquela “gente”.

Alguns desistiram de adotá-la. Perderam-se no tempo...

Outros insistiram!

Abaixo de muito treino e perseverança, aos poucos foram percebendo na prática, a enorme diferença entre jogar de ficha e jogar de régua!!!

E aquela sementinha plantada no Estadual Junior desabrochou. Nas competições que se sucederam, os companheiros de outras entidades gaúchas começaram a indagar sobre “aonde conseguir aquele instrumento” que a nova geração utilizava com tanta desenvoltura.

Quem havia se proposto a fazer simples reposições, agora se via na contingência de fabricá-las. E com um ponto a mais: “com qualidade”.

Naquela época a maioria das classificações nos Estaduais era decidida nos pênaltis à distância. A vantagem de quem utilizava régua para executar as cobranças era notável. Até mesmo os “ferrenhos” defensores da ficha concordavam com essa hipótese.

Alguns botonistas, como Cristian Baptista e Alex Degani, por exemplo, tornaram-se simplesmente imbatíveis nestas situações, amealhando títulos e mais títulos Rio Grande afora.

Num Centro-Sul Brasileiro, no Rio, certa vez, um capixaba (de time liso) e um gaúcho (de cavado) efetuaram 33 cobranças de pênaltis à distância.

Surgiram novas variações.

A “régua pente”, por exemplo, foi desenvolvida graças ao pedido de um capixaba que joga na modalidade liso. Ele comprava cerca de 500 pentes de cabelo, a cada ano, e fazia uma seleção, sobrando apenas uns 40 em boas condições para serem utilizados na temporada. Como os dentes gastavam depressa e acarretava prejuízo técnico o fato de sair de um modelo para outro, perguntou certa vez, num Brasileiro, se não seria possível “bolar” uma régua cujo toque se assemelhasse ao pente que usava. Com um modelo de pente e após exaustivas tentativas, foi possível fazer semelhante. Este modelo é próprio para quem joga de liso, pois o fio de um dos lados propicia um toque leve e suave.

Muito se discutiu e ainda hoje é polêmico afirmar:

- É melhor jogar de régua do que de ficha!

Eu joguei de ficha e joguei de régua. No meu caso, a ascensão técnica proporcionada pela régua foi inquestionável. Não me tornei um “ás” do esporte, mas a precisão que ela me proporcionou foi insuperável, tornando, por exemplo, mais eficiente os arremates a gol, fundamento indispensável e decisivo no futebol de mesa.

Todavia vi, e ainda vejo, excelentes botonistas que jogam de ficha. Não abandonaram suas convicções. Gente do gabarito de Aldyrzinho Schlee, Alexandre Schlee Gomes, Marcelo Conceição, Ronir, Cláudio e Paulo Schemes, Nilmar, Sérgio Oliveira, entre tantos outros... Algumas entidades, inclusive, têm o uso da ficha como uma marca registrada. São escolas, aonde a elegância e o toque refinado mantém a tradição do futebol de mesa original, sem perder a sua eficiência. É o caso da AFUMEPA, por exemplo.

Sim, e daí?

Para quem defende o uso da ficha, “estamos conversados”!

Para quem defende o uso da régua, resta uma pergunta:

- E se eles tivessem mudado, teriam brilho maior do que o que já ostentam?

É como comparar as seleções brasileiras campeãs mundiais - tudo fica no terreno das hipóteses.

Mesmo contrariando o velho ditado - “se conselho fosse bom, não seria dado, seria vendido” - me arrisco a formular um: siga a sua intuição.

Se você estiver jogando bem de ficha, siga de ficha. Se não estiver contente com sua produção, tente mudar. Se não der certo, volte.

Se não der com nenhuma das duas, seja ousado - vá jogar tênis!
Dedico esta coluna a Álvaro Acosta, o “Pitchon”, da antiga Associação Jaguarense de Futebol de Mesa, por ter sido o introdutor do uso da régua no futebol de mesa gaúcho. Álvaro foi Campeão Estadual Especial em 1985.
Como não poderia ser de outra forma, dedico este espaço também aos irmãos Manoel Reis Alves, o “Maneca” e Lourenço Reis Alves, por terem sido os propulsores da idéia de “Pitchon”, disseminando o uso da régua em solo gaúcho e proporcionando que cerca de 90% dos técnicos filiados à FGFM adotem hoje o seu uso. Credito a sua utilização como um dos fatores que tornaram o Rio Grande do Sul praticamente imbatível a nível nacional na modalidade “cavado”.
E estamos chegando no liso - aguardem - Marcelo Vinhas vem aí!
Lourenço ainda foi o responsável pela criação do primeiro troféu padronizado que a Federação Gaúcha de Futebol de Mesa adotou - o mapa do RS, confeccionado em metal. Atualmente joga na Franzen e é membro do grupo Botonista Bola Branca. Dizem que atualmente se ocupa no desenvolvimento de uma régua com mira a Laser...

SARGENTO GARCIA

(contatos: guido.antonio@terra.com.br)
13 de março de 2008.
O DETALHE FAZ A DIFERENÇA
Muitas vezes ouvimos em conversas ou comentários “que tudo foi decidido no detalhe”... Frases feitas, que nos acostumamos a ouvir e não paramos para pensar e analisar o que isso significa.

O Rio Grande é um celeiro de bons botonistas. Qualquer um de nós elencaria fácil uma dúzia de nomes, seja dos que estão jogando, seja dos que já não jogam mais.

Poderíamos dizer sem medo de errar que a Taça RS, por exemplo, é inúmeras vezes mais difícil de ganhar do que um Campeonato Brasileiro da modalidade cavado. Não é o caso da competição, antes de haver a divisão liso/cavado, onde aí sim o Campeonato Brasileiro justificava o nome.

Não é minha intenção convencionar teses e estabelecer tratados. São meras opiniões, sujeitas, portanto, a eventuais correções e discordâncias.

Quando há uma correlação de forças e uma paridade técnica, o “tal” de “detalhe” costuma fazer a diferença na maioria das partidas.

Providências simples costumam diminuir consideravelmente a sua incidência contrária aos nossos interesses.

Por exemplo:

Estude a regra. Um conhecido botonista costumava recomendar que se deixasse um exemplar no banheiro... Não basta ler, somente. Temos que reler e discutir as situações para confirmar o nosso entendimento. Nas viagens costumávamos ocupar grande parte do itinerário com discussões sobre a regra. Sabê-la, significa habilitação para o esporte. Facilita a execução de jogadas e permite perceber o que o adversário está pretendendo. Quando atuamos como árbitros, evita que, por ignorá-la, possamos prejudicar alguém - o que é constrangedor e plenamente dispensável...

Preste atenção à bolinha de jogo. O disco que serve de “bola de jogo” foi fabricado por indústrias diferentes e em várias edições. Algumas têm um defeito de fabricação que impede que “levante” perfeitamente. Há outras que não levantam em situação nenhuma... Aprenda a reconhecer aquela que é prevista pela regra (de novo a regra), com as chanfraduras terminando em ângulo perfeito e tendo a altura prevista. Experimente a bola que o adversário disponibiliza para a partida, chutando algumas vezes à gol (para ver o “levante”) ou mesmo impulsionando-a com o cavador (para ver se não rola). Tenha sempre disponível, em lugar de fácil acesso, bolinhas reservas, pois geralmente algumas se perdem durante os jogos. Não aceite jogar com bolinhas defeituosas pois a regra não prevê a sua utilização.

Certa feita um botonista que seguia esses princípios jogava uma partida do Estadual Especial. Num chute, a bolinha foi para longe da mesa e o adversário pegou a reserva. Só que a “reserva” estava no bolso e aquilo chamou a atenção pois esta costuma estar num canto da mesa ou nas mãos do juiz. Na reposição a bola deslizou de forma perfeita na mesa. Ao se aproximar para jogar, o botonista que estava atento aos detalhes, procurou examiná-la num rápido olhar e notou que o disco estava com um dos lados lixado... Fez o lance e naquela fração de segundos que pensava o que poderia estar acontecendo, o adversário errou e proporcionou um chute. “Pediu à gol” e ficou observando a reação do seu adversário. O botonista que havia colocado a bolinha “defeituosa”, a pretexto de ver o ângulo de chute, se aproximou da bolinha e “discretamente” a examinou com o olhar, percebendo que estava com o lado lixado apoiado sobre a mesa. Não levantaria normalmente, deve ter pensado. Colocou o goleiro bem adiantado para tapar os cantos. Ao grito de “deu”, seu adversário deu um “balaço” com um botão de grau baixo que a bolinha encobriu o goleiro e ficou enroscada na rede! O outro ficou perplexo! O botonista “atento” reclamou, então... Recebeu como justificativa que havia se “enganado” e pego uma que ele havia encontrado no chão e colocado no bolso - numa mentira descarada... Conclusão: se aquele que desferiu o chute não estivesse atento aos detalhes, provavelmente erraria o lance e por a bolinha não levantar corretamente poderia sofrer um contra-ataque. Seu adversário, nesse caso, efetuaria o lance com vantagem de saber, ainda, qual a força a ser aplicada para que ela levantasse suficientemente!

Antes da partida, verifique as traves. Os lances que ocorrem no meio de campo, proporcionam que alguns técnicos se debrucem sobre a mesa e as traves sofram muita pressão. Essa situação involuntária pode ocasionar o rompimento de redes e alteração na altura das balizas. A altura pode ser verificada com o goleiro colocado em posição vertical. Creio não ser preciso dizer o prejuízo que ocorre num chute em que a bolinha atinja um buraco na rede... Tanto a favor (não ser validado o gol) como contra (a bolinha entrar por fora).

Experimente e mantenha limpa a mesa. Antes do início da partida providencie a limpeza correta das mesas, de acordo com o que cada entidade costuma fazer para sua manutenção. Tenha em sua bolsa um pano limpo, levemente umedecido em água (levemente mesmo pois do contrário será um problema e não uma solução) e algumas folhas de papel branco. Não use nenhum produto para passar na mesa - além de não ser ético, pode ser incompatível com a maneira com que cada entidade faz a sua manutenção. Use papel ou pano, se for o caso, e procure se informar com técnicos que já jogaram ali, os defeitos que eventualmente possa apresentar no transcorrer do jogo. Lembre-se que se ela estiver posicionada perto de um local que tenha muito trânsito de pessoas, alguma abertura ou de um bar onde estejam sendo preparados alimentos, quase que certamente apresentará algum tipo de dificuldade ao término de cada tempo. Procure assistir alguma partida nas mesas que depois servirão para sediar os seus jogos.

Estas são algumas das providências que podemos ter em mente para posicionarmos o “detalhe” em nossa direção. Certamente há outras e os leitores poderão nos brindar com sua colaboração, através do endereço de e-mail desta coluna, para que possamos dividir com todos os amantes deste nosso esporte.
Dedico esta coluna a Luiz Alfredo de Boer. De Boer é um destes tantos trabalhadores do futebol de mesa, espalhados Brasil afora, que com sua destacada dedicação contribuem para a organização e o desenvolvimento do esporte. Dão forma a entidades vencedoras, montam estruturas perfeitas para a realização de competições de porte, estimulam a formação de novos talentos e depois são... esquecidos! A sua passagem como Diretor do SC Rio Grande foi marcada por fatos significativos, como:

1. Idealização e realização do Vovozão, torneio que reunia botonistas de todo o estado e de fora dele;

2. Realização do Campeonato Citadino de Rio Grande numa época que havia uma enorme rivalidade entre a ARFM (Riograndina) e SCRG (Rio Grande). Acredita-se que em única edição...;

3. Aparecimento de grandes talentos, como Juarez e Cristian, ambos campeões estaduais;

4. Realização do Campeonato Estadual Especial simultâneo com o Vovozão - talvez a competição que tenha reunido o maior número de participantes jogando ao mesmo tempo;

* Foi um dos idealizadores e fundadores da AFUMERG, entidade inúmeras vezes Campeã Estadual em todas as categorias.

* Juntamente com Cláudio Schemes, idealizou e fundou o grupo Botonista Bola Branca.

* Teve atuação destacada na organização das competições estaduais quando exerceu o cargo de Diretor Técnico da FGFM, numa época que não dispunha dos recursos que a informática disponibiliza atualmente.

* Como botonista, sagrou-se tri-campeão estadual Sênior, vencendo a competição nos anos de 1986/87 e 88.

SARGENTO GARCIA

(contatos: guido.antonio@terra.com.br)
10 de março de 2008.
O IDEAL DE OURO
Tracei parâmetros para esta coluna. Não costumo citar o nome de pessoas envolvidas nos fatos que narro, exceto ao final quando faço a dedicatória. Hoje será impossível tratar o assunto de forma impessoal.

Na década de 30, nasce aquele que iria ser o marco do futebol de mesa no Rio Grande do Sul. Poderia ceder seu sobrenome, como muito propriamente disse alguém, para esse esporte.

Falo de Cláudio Schemes.

A sua paixão pelo “jogo de botão”, vem desde a época da Escola Técnica. Sua casa, nos finais de semana era o ponto de encontro. Primeiro com os amigos. Mais tarde, com a participação de seus filhos Cláudio Luiz e Paulo Roberto.

Numa de suas primeiras incursões pelo mundo organizado do esporte participou do Clube Juvenil Amizade, entidade inúmeras vezes campeã estadual pela regra gaúcha. A Ipiranga também contou com Cláudio em seus quadros.

Já como Diretor do Departamento de Futebol de Mesa do Internacional na década de 70, participou do Campeonato Estadual, em Jaguarão/RS, realizado nos moldes da regra brasileira. De lá voltou encantado com a organização da modalidade e tentou implantar a novidade no seu clube, que jogava na regra gaúcha. Não conseguiu. O grupo dividiu-se e ele, juntamente com os que acreditaram na sua idéia, fundou a AFUMEPA - uma das entidades pioneiras da regra brasileira no estado e a mais antiga em atividade atualmente.

Sua casa, na rua Vicente Pallotti em Porto Alegre, abrigou por alguns anos a sede da entidade, sendo ele o seu primeiro presidente. Seus filhos, Cláudio Luiz e Paulo Roberto, também são fundadores da AFUMEPA.

Com sua visão moderna e espírito agregador, ajudou a fundar a União Gaúcha de Futebol de Mesa, primeiro órgão oficial a dirigir o futebol de mesa gaúcho na regra brasileira. Foi o seu primeiro presidente. Esta organização sucedia a União das Ligas de Futebol de Mesa do RGS, entidade informal que congregava as diversas Ligas existentes na época.

Acalentava, todavia, o sonho de um organismo diretivo que representasse o esporte gaúcho em âmbito nacional e tomasse assento no Conselho Regional de Desportos. Dirigiu a União Gaúcha norteando-a para esse fim. Havia, na época, a Federação Riograndense de Futebol de Mesa, órgão que cuidava dos interesses da regra gaúcha. Com a sua extinção, o ideal de Cláudio Schemes foi viabilizado. Gilboé Langaro Mendes e Sérgio de Oliveira, ambos na condição de presidente e vice-presidente, respectivamente, da União Gaúcha fundaram em Passo Fundo em 1986 a Federação Gaúcha de Futebol de Mesa.

Cláudio não parava.

Aonde ia, desfraldava a bandeira e empunhava o seu ideal:

- Reunir amigos em torno de uma mesa de botão!

Na década de 80, em Pelotas, na companhia de Claro Oliveira, teve a idéia de organizar um campeonato que reunisse apenas os botonistas da velha guarda - aqueles que participavam do Estadual Especial mas já não tinham mais o mesmo “pique” e a mesma visão da nova geração que estava sendo formada. Nascia o Campeonato Estadual Veterano, hoje Sênior.

Cláudio Schemes ainda não estava satisfeito.

Num hotel em Livramento, juntamente com Luiz Alfredo de Boer, planejou a criação de um clube que tivesse como finalidade precípua, aquilo que sempre foi o seu objetivo:

- Reunir amigos ao redor de uma mesa de botão!

Assim nasceu o grupo “Botonista Bola Branca”, entidade que congrega botonistas de todo o estado mas que não participa de competições oficiais. Periodicamente, reúne-se em Encontros onde impera a amizade. Uma vez é na “casa” de um, outra, na de outro. Vai completar 20 anos, ano que vem... Integram seus quadros botonistas como Almiro Oliveira e Oneli Quadros que têm o futebol de mesa como uma religião, onde o importante é a oração e não os milagres que a fé professa!

É o ideal de Cláudio Schemes em essência e na sua forma mais pura!

Aposentado, foi morar em Canela. Lá, montou o seu “cantinho” com uma mesa de botão - companheira inseparável - o seu “Rolinter” e a coleção de troféus...

O destino, no entanto, não permitiu que ele continuasse a sua saga de “fazer amigos ao redor de uma mesa de botão” e o chamou, prematuramente, para a Eternidade. Talvez para juntar-se à Gelson Constantino e realizarem um tira-teima divino na companhia de Dirney Custódio (se ele não dormir durante a partida) e Jomar Moura com seu time de liso...

Seus filhos ainda trataram de acrescentar mais alguns quilates nessa história de vida. “Claudinho” e Paulo Schemes conquistaram os principais títulos estaduais e nacionais e revezam-se, ainda, vencendo torneios e competições regionais.

Os jogos olímpicos criados na Grécia antiga foram adaptados para os tempos modernos pelo Barão Pierre Cubertin, que ao fundar o Comitê Olímpico Internacional acrescentou o seu lema:

- O importante é competir!

Cláudio Schemes fundou a União Gaúcha de Futebol de Mesa, sonhou a Federação Gaúcha de Futebol de Mesa, criou a AFUMEPA, idealizou o “Bola Branca”, realizou o Estadual Veterano e em todos colocou o seu ideal:

- Reunir amigos em torno de uma mesa de botão.

Compreenderam a razão pela qual tinha que falar na primeira pessoa? Deveria estar escrevendo de pé...

Que o espírito olímpico de Cláudio Schemes permaneça nos corações de todos nós:

- Reunir amigos ao redor de uma mesa de botão!



Dedico esta Coluna à memória de Cláudio Schemes e à sua família:

- À D. Elsa, sua esposa, que se encontra gravemente enferma, pela abnegação de franquear as portas de sua casa para abrigar uma entidade de futebol de mesa e receber amigos de seu marido para competições de fim de semana, sendo incansável na tarefa de acompanhar Cláudio Schemes no esporte que amava;

- À Mario Luiz Schemes, seu irmão, que carrega a chama do ideal de Cláudio no Botonista Bola Branca e através das entidades que participa;

- À Cláudio Luiz Schemes, o “Claudinho”, seu filho, ex- presidente da FGFM, campeão brasileiro, bi-campeão centro-sul brasileiro, campeão estadual especial, bi-campeão da Taça RS, bi-campeão estadual por equipes, penta-campeão da AFUMEPA, líder do ranking histórico do futebol de mesa gaúcho;

- À Paulo Schemes, seu outro filho, campeão estadual especial, bi-campeão centro-sul brasileiro, bi-campeão da AFUMEPA, inúmeras vezes campeão na Riocell, Clube Polônia, Internacional, Franzen e Círculo Militar;

- À Dionéia, sua filha;

- À Bruno e Thiago, seus netos, filhos de Paulo, por continuarem a escrever este livro de ouro que é a vida de Cláudio Schemes.
Dados obtidos de:

CBFM - “Personalidades”

FGFM - “Fundação”

Sérgio de Oliveira

Ranking histórico - Cristian Baptista

Site da AFUMEPA

Cláudio Schemes como gostava: entre amigos. Aqui, com Luiz Alfredo de Boer e um grupo de botonistas.

(Foto de Sérgio de Oliveira)

Aqui as ferramentas que usou “para fazer amigos”: o Rolinter e uma mesa de botão.

(Foto de Sérgio de Oliveira)


Nesta, com a continuação de sua obra: pessoal da AFUMEPA e seus filhos, Cláudio Luiz e Paulo Roberto.

(Foto de Sérgio de Oliveira)

SARGENTO GARCIA

(contatos: guido.antonio@terra.com.br)
07 de março de 2008.
A OUSADIA DE MUDAR

O futebol de mesa cada dia está mais disputado, com a maioria das partidas terminando com placar apertado. Raras são as oportunidades de gol e quando elas aparecem têm que ser aproveitadas.

Com algumas modificações que a regra adotou, creio que ao contrário do que pretendiam seus idealizadores, a modalidade ficou mais defensiva. Alguns botonistas, tal qual uma boa parte dos técnicos do futebol de campo, têm sua tática baseada num único e bom sistema defensivo. Sem entrar no mérito desta alternativa, muitos dos que jogam dessa maneira, procuram especializar-se nesse sistema de jogo chegando perto da perfeição em muitos dos seus jogos. Não permitem chute, abdicando de atacarem.

É certo que têm aqueles que aliam as duas coisas: um bom sistema defensivo e uma boa agressividade ofensiva. Isso, em minha opinião, é o ideal. Os grandes botonistas, aqueles que detêm grande parte dos títulos em disputa, adotam esse desenho tático, agregando, ainda, uma grande habilidade técnica - o que os diferencia dos demais.

Há alguns anos atrás, por conta dos regulamentos que adotava a Federação Gaúcha, o sistema defensivo era privilegiado, já que em caso de empate em fases classificatórias, a decisão da vaga se dava na disputa de pênaltis à distância. E isso era o que mais acontecia... Muitos botonistas se especializaram nesse tipo de disputa. Um bom sistema defensivo e exaustivos treinos de pênaltis à distância eram fatores preponderantes na hora da decisão da maioria das competições oficiais.

Posteriormente, numa brilhante modificação, foi adotado o critério de “melhor campanha” que beneficia, inclusive, fases anteriores.

Essa simples alteração fez com que o ataque, antes relegado a um segundo plano, tivesse novamente a atenção dos técnicos de futebol de mesa. Não perder continuava sendo importante. Mas ganhar se tornou preponderante. Uma boa campanha nas fases classificatórias assegura a vantagem de um empate, justo quando o índice técnico dos postulantes ao título vai “afunilando” e esse resultado é o mais provável de acontecer.

E é interessante notar o que isso provocou.

Os botonistas de reconhecida habilidade técnica continuaram adotando a mesma postura: agressividade ofensiva e eficiente sistema defensivo.

Os “retranqueiros”, precisando agora também vencer, se dispersaram. Antes formavam um único bloco. Hoje se dividem, basicamente, em dois grupos:

- Os que tentam atacar e se descuidam do sistema defensivo, ficando vulneráveis;

- Os que se mantém no sistema defensivo e jogam no erro do adversário.

Dentre estes últimos, alguns sabendo que a oportunidade que se apresentar tem que ser aproveitada, aprimoraram um fundamento que considero vital no nosso esporte - o chute - e se tornaram perigosíssimos! São os chamados “franco-atiradores” pois não se importam de “amorcegar” o jogo, minando a resistência mental do adversário até provocarem um erro. Quando isso acontece, executam-no, sem dó e nem piedade. Com a vantagem, atiram-se no seu jogo defensivo com mais vigor e montam uma muralha instransponível em sua retaguarda.

Penso, entretanto, que a modalidade cavado ainda se ressente de uma postura que proporcione a ocorrência de mais gols nas partidas. Várias formas já foram tentadas e alterações substanciais na regra e nos regulamentos das competições continuam a ser efetuadas. Contudo acho que ainda estamos longe do ideal.

Assistir a uma partida, normalmente é um tédio - a não ser que os competidores tenham um elevado índice técnico. Para os que não praticam é monótono em qualquer circunstância - que o digam nossas esposas, noivas ou namoradas, que nos acompanham nas competições!

Temos medo de introduzir modificações que acabem descaracterizando o futebol de mesa.

Deveríamos ser mais ousados - a exemplo do futebol de salão que alterou substancialmente a sua regra e tornou o esporte bastante atrativo.

Dou a minha contribuição e peço que façam uma partida de experiência para ver na prática o que acontece - foi assim que surgiu a “não arrumação” dos times nas atrasadas de bola para o goleiro e, posteriormente nos tiro de meta em geral. Uma entidade da fronteira treinava assim e sugeriu à ABFM a alteração da regra.

Façam o seguinte:

- O escanteio, exceto o cedido, será cobrado em um único lance, podendo derivar em gol, desde que o executante manifeste essa intenção;

- O executante da infração, primeiro posiciona o botão para a cobrança e avisa ao adversário, que, após, posicionará o goleiro.

Tenho certeza de que muitos gols acontecerão nas partidas.

Experimentem e me escrevam contando como foi. No mínimo é mais uma idéia.
Esta coluna é em memória de Nilson Leviens Mews. Nilson jogava pelo COP e prematuramente nos deixou, vítima de um acidente de trânsito. Com seu estilo de jogo agressivo e ousado, carregava consigo um estigma difícil de entender - o de não conseguir vencer uma competição oficial estadual ou nacional. Sou dos que acreditam que para vencermos uma competição é necessário aliar uma boa dose de competência com pitadas de inúmeros outros fatores, como sorte, tranqüilidade, etc. etc... A sua técnica característica o levava até as finais mas os outros fatores sempre se posicionaram contra os seus interesses e o impediram de galgar o primeiro lugar. Várias vezes me peguei torcendo por ele... Ficou a saudade de um grande amigo, e de um exemplar pai de família. Xavante da gema, colorado de coração, Nilson será sempre lembrado como um dos grandes botonistas que o Rio Grande possuiu. Que Deus te ampare, meu amigo!

SARGENTO GARCIA

(contatos: guido.antonio@terra.com.br)
04 de março de 2008
SOB A ÓTICA DAS MULHERES
A devoção que temos por nossos times é motivo de comentários jocosos por quem não é do ramo.

Manter um time em condições de jogo é princípio básico de qualquer botonista. Verdade que alguns exageram...

Nas competições estaduais é interessante observar esse ritual sendo praticado de variadas formas.

Ao passarmos por alguém se dirigindo para o banheiro com as mãos erguidas para o alto, feito um pugilista em posição de combate, pode apostar que é um daqueles que usa graxa de sapato para lustrar os “meninos” e está indo para lavar as mãos...

Têm outros que sentam na arquibancada ou às mesas do bar e com a caixinha aberta, vão puxando um a um para o “aquecimento”. Com movimentos circulares lentos, para um lado e para outro, esfregam o “atleta” num pedaço de forração redonda, que possui um furo no meio. Tiram o excesso com uma flanelinha e vão dispondo o time em ordem de escalação. É a turma da parafina.

Existem também aqueles que minutos antes da partida, abrem a “concentração” sobre a tábua de jogo. Tiram um pedaço de madeira forrada com uma flanela e calçam com a perna o pano na mesa. Massageiam um por um dos escalados, esfregando a “cabeça” e os “pés” do “sujeito” naquela madeirinha forrada e depois na flanela disposta na mesa. É a turma da cera de carnaúba.

Têm aqueles mais sofisticados que possuem fórmula própria e não revelam isso nem sob tortura. Dizem que estas vêm do tempo dos alquimistas, com formulações fantásticas que a ciência ainda não teve conhecimento suficiente para decifrar. Há gente que garanta que a fórmula é “mágica” pois possui ingredientes especiais, inclusive contra “olho gordo”! Conheci um adepto dessa “seita” quando morava em Canoas. Desconfio que seja segredo de família, pois todos os seus membros são vitoriosos no esporte usando sempre o mesmo produto...

Sei de outro que adotava um procedimento mais radical com a “rapaziada”. Se a “turma” não estivesse rendendo o suficiente, não se acanhava: pegava o botão e esfregava no chão! É isso mesmo - você não leu mal: é no chão mesmo, de preferência naqueles que eram de lajota, para dar uma “chacoalhada” na moral do pessoal.

É certo, no entanto, que essa relação atleta/treinador tem rendido alguns, digamos... “contratempos”, para as esposas dos últimos, já que elas não conseguem entender exatamente o que se passa na cabeça de um botonista.

Se elas soubessem que somos seres de “dupla personalidade” talvez tivessem uma noção. É claro que para nos entender completamente teriam que jogar - algo impensável, né?

Mas voltando ao tema da dupla personalidade pretendo explicar que ao adotarmos a figura de treinador, nos transformamos num ser completamente diferente do de “marido”.

Conheço um que ao errar um chute, chamava o botão de burro e o tirava do time... Como marido, aparentemente, era normal!

Havia um outro que possuía um martelinho e costumava quebrar o “atleta” que se atrevesse a errar alguma coisa - até cobertura simples era passível dessa punição... Chegou a quebrar um time inteiro numa derrota inesperada! Ainda bem que as mesas não tinham nada a ver com isso...

Numa entidade da fronteira um iniciante empatava um jogo e a partida estava terminando. Na ânsia de vencer, ao cobrar um tiro de meta, não viu um botão na sua intermediária e fez um gol contra... Talvez o único caso no Brasil! Decepcionado, deu o time e foi jogar paddle!

Essa é uma situação rara de rompimento definitivo e instantâneo desse elo time/botonista. Normalmente ele é lento e gradual. Há a forma violenta, também.

Na capital gaúcha alguns anos atrás um botonista da velha guarda teve o seu veículo furtado. No porta-malas estava sua caixinha de botão. Colocou o seguinte anúncio:

“Foi furtado um veículo contendo em seu porta-malas uma bolsa com dois times de futebol de mesa. Quem encontrar os times, favor devolver, podendo ficar com o carro como gratificação”.

Dormiu uma semana no sofá por ordem da “direção-geral”...

Ahhhh.... sabe de uma coisa? Eu acho que as esposas têm razão - esses botonistas são muito complicados mesmo!!!!
Esta coluna é dedicada a Paulo Roberto Schemes. Num momento em que queria que a vida parasse para eu poder descer, tal qual cachorro “bichado”, me recolhi para lamber as feridas. Foi aí que vi uma mão estendida - a de Paulo Schemes! Se hoje já consigo “latir para os pneus dos carros que passam”, devo muito a esse amigo de todas as horas. Membro de uma família que poderia dar sobrenome ao futebol de mesa gaúcho, Paulo têm a felicidade, ainda, de ver o prosseguimento dessa história maravilhosa iniciada por seu pai, sendo escrita por seus dois filhos Bruno e Thiago. Amigo de seus amigos, dono de uma técnica invejável que nem o tempo e a idade desmerecem, Paulo Schemes é sócio fundador da AFUMEPA, entidade pioneira do futebol de mesa gaúcho, e ganhou os seguintes títulos:

1982 - Campeão Estadual Especial;

1984 - Campeão Centro-Sul Brasileiro;

1986 - Bi-Campeão Centro-Sul Brasileiro.

SARGENTO GARCIA

(guido.antonio@terra.com.br)

29 de fevereiro de 2008.


FORA-DE-SÉRIE
Raras vezes usarei este espaço para falar especificamente de alguém, em particular - não é o objetivo para o qual me proponho. No entanto não posso deixar de abordar, em determinadas oportunidades, temas que dizem respeito a uma pessoa em especial.

No início dos anos 90, um menino com idade de pré-adolescente despontava numa entidade de futebol de mesa da zona sul do estado.

Precocemente foi levado a disputar um torneio de aniversário de uma co-irmã. Lá “abocanhou” seu primeiro troféu, ficando entre os 4 primeiros colocados - quase não aparecia na foto, de tão pequeno. Começava ali a surgir um fenômeno...

Foi o responsável por ganhar o primeiro título estadual para essa entidade, ao sagrar-se Campeão Estadual Junior, numa época em que as entidades estimulavam e promoviam o surgimento de novos talentos em suas agremiações.

Participando das principais competições da FGFM, pouco tempo depois, conquistou o Campeonato Estadual Especial, a Taça RS, Estadual por Equipes, Campeonato Centro-Sul Brasileiro e Campeonato Brasileiro (modalidade cavado) num período de 7 anos em que pode jogar.

Certa feita, jogando com um time liso, com a “caída” feita num esmeril, contra os demais que jogavam com cavado, conquistou um torneio interno de sua entidade.

Na época da faculdade, teve que mudar de cidade e, por esta razão, recebeu vários convites das entidades sediadas onde passou a morar. No entanto, se manteve fiel à sua Associação que em reconhecimento a seus feitos e à sua fidelidade, reuniu-se em Assembléia Geral Extraordinária e por unanimidade decidiu que uma vaga para representar a entidade sempre seria dele, independente de ranking interno...

Quando estava quase se formando e não podia jogar, muito menos treinar, foi avisado que o Campeonato Estadual daquele ano se realizaria na cidade onde estava estudando. Pegou seu time na véspera da competição, fez um treino numa co-irmã e foi jogar o Estadual.

Foi quando conquistou o seu segundo Campeonato Estadual Especial.

O enorme talento e a exuberante técnica lhe permitiram galgar o seleto grupo dos “fora de série”. Com a mesma velocidade de pensamento que antevia o jogo com várias jogadas de antecedência, “maquinava” as mais diversas traquinagens.

Certa vez, quando participava de um Estadual, estava no quarto do hotel e ao tirar a roupa para tomar banho, escutou a aproximação de duas belas mulheres que se hospedavam no quarto ao lado. Foi espiar na porta. Os companheiros, cansados de serem alvo de suas molecagens, não perderam a chance: o empurraram para fora... pelado!!!

E as mulheres vinham mesmo... acompanhadas dos maridos!

Só o deixaram entrar quando ameaçou derrubar a porta...

Imaginem a confusão que deu!!!

Este, em poucas palavras, é o resumo da passagem de um meteoro na constelação de talentos que o futebol de mesa do Rio Grande do Sul possui. Seu rastro de luz persiste nos corações de todos aqueles que o conheceram e o admiram.

O destino me roubou um anjo e Deus me presenteou com mais um filho...


Esta coluna é em homenagem à Robson Betemps Bauer. Representou a Associação Santavitoriense de Futebol de Mesa, que já não está mais filiada à FGFM, no período 1991/1999, quando parou de jogar oficialmente devido a seus compromissos profissionais. Atualmente reside em Santa Maria e trabalha numa multinacional. É casado e pai de um filho. Robson ganhou os seguintes títulos em competições oficiais estaduais e nacionais:

1992 - Campeão Estadual Junior;

1994 - Campeão Estadual Especial;

1996 - Campeão da Taça/RS;

Campeão Estadual por Equipes;

1997 - Bi-Campeão Estadual por Equipes;

Campeão Brasileiro;

Campeão Centro-Sul Brasileiro;

1998 - Bi-Campeão Estadual Especial;

Bi-Campeão Brasileiro;

1999 - Tri-Campeão Estadual por Equipes;

SARGENTO GARCIA


27 de fevereiro de 2008.
HISTÓRIA E ESTÓRIAS
Todo esporte tem sua história e suas estórias. O futebol de mesa não difere dos demais...

Em uma competição, jogavam dois conhecidos botonistas. Um deles, da fronteira, era famoso por seu temperamento forte e pelas confusões que armava. Seu adversário ao fazer um gol vibrou muito e... alto! O outro ficou sem jeito, mas já estava na sua fase mais calma e agüentou firme.

O jogo prosseguiu e em determinado momento sobrou um chute para ele. Mandou “bala”, a bola bateu na trave, picou atrás do goleiro e ele já saiu berrando. O juiz o esperou voltar para a mesa e, solenemente, mandou prosseguir o jogo já que a bola não havia entrado...

O botonista olhou para o seu adversário, que misturava um ar de ironia e incredulidade e não se deu por vencido: lascou uma das antologias do nosso esporte:

- Mas eu te gritei! Não valeu, mas eu te gritei igual...!!!

Em outra oportunidade, num Campeonato Estadual por Equipes em Porto Alegre, numa das fases classificatórias duas entidades acabaram empatadas e tiveram de decidir a fase nos pênaltis à distância. Um dos integrantes da equipe havia se saído melhor nos seus jogos e resolveu reunir-se com os demais para tratar da estratégia que iriam utilizar na decisão. Lembrou que o seu time era “o melhor”, haja vista o seu desempenho no Campeonato onde havia vencido a maioria dos confrontos. De nada adiantou os companheiros argumentarem que não estavam acostumados com os botões, que não conheciam o grau de cada levantador, etc... etc... – todos tiveram que bater os pênaltis com um mesmo time, o time do referido botonista...

Resultado: erraram as cobranças, perderam e foram eliminados da competição.

Em certa feita, num Estadual em Passo Fundo estávamos, a maioria das entidades, hospedadas num mesmo hotel. A entrada do prédio tinha um hall imenso e ao fundo um lance de escada que desembocava na sala destinada a limpeza. Dobrando, havia outro lance de escada que conduzia aos quartos.

De manhã alguns já haviam tomado café e aguardavam no hall a saída para o local dos jogos. Um espirituoso botonista vem descendo o primeiro lance de escada e ao ver todos no saguão, pára e faz a pegadinha aquela:

- Hoje vou comer um c....

O pessoal se entreolha, alguns ficam pálidos, outros baixam a cabeça e ele nota que alguma coisa estava errada... Olha para trás e na porta da sala de limpeza está uma senhora idosa, com um balde e uma vassoura na mão, parada, olhando aquela figura que mais parecia o Brutus do desenho do Popeye, sem acreditar no que estava vendo e ouvindo.

O botonista não perde o rebolado e emenda:

- Calma tia, que não vai ser “o” da senhora...!

Teve gente que saiu pela janela do saguão...

E é assim! O folclore faz parte intrínseca de qualquer atividade e enriquece a história que todos nós escrevemos no livro da vida.
Esta coluna é dedicada a Sérgio de Oliveira por sua abnegação, competência e integridade no trato da história do futebol de mesa, especialmente o do RS. Sérgio mantém um arquivo que contém todos os dados das competições oficiais em que a FGFM toma parte, escrevendo com sua competente dedicação a história do nosso futebol de mesa e, por conseqüência, a história de todos nós. Além de ser um grande desportista é um excelente botonista tendo conquistado os seguintes títulos:

Campeão da Taça RS – 1988;

Campeão Estadual Veterano – 2001 e 2002.

(Colaboração: Robson Bauer)

SARGENTO GARCIA


21 de fevereiro de 2008.

O QUE REALMENTE CONTA


É muito difícil e de muita responsabilidade escrever sobre assuntos aleatórios e manter uma coluna em um meio de divulgação.

Aceitei o desafio de escrever sobre futebol de mesa apenas pelo fato de já não poder praticar o meu esporte preferido, em virtude de ter privilegiado a reconstrução de minha vida pessoal e por, talvez, ser este um meio em que eu possa me manter atualizado do que ocorre no esporte da bolinha de disco.

Para os que não me conhecem, digo que venho de uma entidade que já não existe mais – a Associação Santavitoriense de Futebol de Mesa. Começamos a jogar em 1988 e só em 1992 ganhamos o primeiro título a nível estadual. Dali para frente conquistamos todos os títulos possíveis para a modalidade do botão cavado, tanto no estado quanto fora dele. A partir de 1999 não disputamos mais competições. Foram 7 anos de muitas vitórias, alternadas por um e por outro, ou pela equipe.

Só isso bastaria para que qualquer ego ficasse inchado feito um sapo-boi.

Mas não foi o que aconteceu.

Claro que nos orgulhamos das conquistas.

Mas o que mais nos orgulha são os amigos que cultivamos ao longo dessa caminhada.

Os títulos ficam nas anotações daqueles que se dedicam a escrever a história. Os troféus ficam nos armários e prateleiras – esquecidos...

Mas os amigos ficam todos no fundo do nosso coração. E essa é a maior conquista que podemos ter em qualquer modalidade esportiva.

Lembremos então, sempre: no outro lado da mesa está um amigo que, momentaneamente é um adversário a ser vencido, mas jamais será um inimigo a ser derrotado.



Se tivermos em mente esse princípio nos candidataremos a ser admirados, mesmo quando percamos, mas não correremos o risco de sermos odiados, mesmo que sejamos vencedores.
Esta coluna é dedicada à Sérgio Luiz Pierobom por sua elegância e lealdade no futebol de mesa. Pierobom é Campeão Estadual de 1980 e conquistou a Taça RS em 1981, jogando pela Associação Pelotense de Futebol de Mesa, de Pelotas/RS. Além disso é o único botonista gaúcho que presenciou a conquista do filho, de um título de âmbito estadual que também conquistara, já que Michel Pierobom sagrou-se Campeão da Taça RS no ano 2000. Atualmente joga pela Academia de Futebol de Mesa de Pelotas. (Fonte: Sérgio Oliveira)


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