Óscar romero



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Testemunhas do Amor

ÓSCAR ROMERO

Numa das orações da liturgia pede-se a Deus que torne a Igreja “testemunho vivo da verdade e da liberdade, da justiça e da paz, para que em todos os homens se renove a esperança do mundo novo”. Há de facto na Igreja quem assuma corajosa e destemidamente essa missão, mesmo à custa da própria vida. É o caso do arcebispo de San Salvador, Dom Óscar Romero, assassinado pelos “esquadrões da morte” em 24 de Março de 1980, durante uma missa.

Óscar Arnulfo Romero nasceu em Ciudad Barrios, em El Salvador, na América Latina, no dia 15 de Agosto de 1917. Foi ordenado sacerdote em Roma, no ano de 1942, tendo em seguida sido pároco em diversas localidades de San Miguel. Em 1977 foi nomeado arcebispo da diocese de San Salvador. Exerceu ali o seu ministério pastoral até à sua morte. Perante as injustiças e a violência que grassavam no seu país, começou a levantar a voz para denunciar os massacres e defender os agricultores pobres e indefesos. Pelo seu apostolado em favor da Paz e dos direitos humanos foi nomeado para o Prémio Nobel da Paz em 1979.

Considerado, ao princípio, próximo dos sectores governamentais e militares, pouco a pouco começou a identificar-se com a causa do povo simples. No contacto com este, tomou consciência de que para exercer a sua missão de pastor se deveria tornar a “voz dos sem voz”, mas sem os substituir: “São vocês que têm que falar – e a Igreja, então, cala-se”. Infelizmente, o povo não chegou a ter voz e a dele foi silenciada por uma bala disparada contra ele, quando celebrava a missa na capela do hospital da Divina Providência. Pouco antes, ao ofertório, dissera de Jesus Cristo: “Que este corpo imolado e este sangue sacrificado pelos homens nos alimentem, para que, como Cristo, também saibamos dar o nosso corpo e o nosso sangue no sofrimento e na dor, não por nós mesmos, mas para trazer justiça e paz ao nosso povo”. Parecia adivinhar o que aconteceria minutos depois.

Segundo o responsável pela sua causa de beatificação, o Arcebispo Romero “foi vítima da polarização política, que não deixava espaço à sua caridade e ao seu trabalho pastoral. Ele tinha aversão seja à violência do governo militar, seja à violência da oposição guerrilheira. Viveu como pastor o drama do seu rebanho. Por ter pedido a aplicação da Doutrina Social da Igreja, foi acusado de comunista", lembra D. Vincenzo Paglia. Um dia antes de ser assassinado, o Arcebispo dirigia-se nestes termos aos soldados, na homilia dominical: “Em nome de Deus, em nome do povo sofredor, peço-vos, imploro-vos, ordeno-vos em nome de Deus: parai a repressão”.

No princípio da quaresma, fizera um apelo aos detentores do poder e da riqueza para que fizessem “valer o seu poderio económico para a felicidade do povo e não para a desgraça e ruína da população”. Exortava a “trabalhar pela justiça social e pelo amor aos pobres”. E esclarecia: “A justiça social não é tanto uma lei que ordene a distribuição; vista sob a óptica cristã, é uma atitude interna como a de Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre para poder compartilhar com os pobres o Seu amor”. E continuava: “Espero que este apelo da Igreja não endureça ainda mais o coração dos oligarcas, mas sim os impulsione à conversão. Compartilhem o que são e têm. Não continuem a calar com a violência quem lhes faz este apelo e muito menos continuem a matar aqueles que procuram fazer com que haja uma distribuição mais justa do poder e das riquezas no nosso país”.

O seu apelo não foi ouvido e tornou-se mais uma vítima do ódio. A sua coragem foi elogiada pelo Papa João Paulo II e a Igreja deu início ao processo para a sua beatificação. Em Dezembro de 2010, as Nações Unidas decidiram celebrar o dia internacional pelo direito à verdade no que se refere às violações flagrantes dos direitos humanos e pela dignidade das vítimas. O dia escolhido é o do assassinato de D. Óscar Romero. Segundo a ONU, esta data pretende reconhecer “o importante trabalho e os valores do arcebispo Oscar Arnulfo Romero, de El Salvador, que foi assassinado a 24 de Março de 1980, depois de denunciar violações de direitos humanos das populações mais vulneráveis e defender os princípios da protecção da vida, da promoção da dignidade humana e de oposição a qualquer forma de violência”. No passado dia 22 de Março, o presidente americano, Barak Obama, visitou a catedral de San Salvador, onde prestou homenagem ao arcebispo assassinado.

P. Jorge Guarda


Este artigo pode ser encontrado também no meu blog, no seguinte endereço: http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt


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