Secretaria de estado da educaçÃo departamento de Educação de Jovens e Adultos centro estadual de educaçÃo básica para jovens e adultos ceebja de ivaiporã



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SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

Departamento de Educação de Jovens e Adultos

CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO BÁSICA PARA JOVENS E ADULTOS

CEEBJA DE IVAIPORÃ

Praça Independência, 375 – CEP: 86870-000 Ivaiporã – Pr / Fone 43-3472-9030

e-mail: eja-ivaipora@netescola.pr.gov.br



  1. FORMA DE ORGANIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO

A educação escolar voltada aos jovens e adultos, tornou-se uma necessidade básica em toda sociedade.

Tendo em vista que a sociedade, cada vez mais, exige formação do indivíduo, como requisito indispensável para a interação no meio social, a educação de jovens e adultos deve ser voltada ao atendimento das necessidades básicas do educando, preparando-os para o exercício da cidadania e para o mundo do trabalho.

As mudanças provocadas na educação para jovens e adultos são amparadas pela Lei 9394/96, o Parecer 011/00, do Conselho Nacional de Educação, que estabelece as Diretrizes Curriculares da Educação de Jovens e Adultos do Paraná.

A prática educativa aqui proposta situa-se no interior desse processo de mudanças. Respondendo aos desafios apresentados para a educação de jovens e adultos e para o desenvolvimento dessa prática, prioriza-se a articulação dos eixos norteadores do trabalho pedagógico, a saber: tempo, trabalho e cultura.

Tais eixos foram definidos tendo em vista a concepção de currículo como processo de seleção da cultura, bem como pela necessidade de se atender ao perfil do educando da EJA; sobre os quais edificará a sua ação.

A cultura compreende toda forma de produção da vida material e imaterial e compõem um sistema de significações envolvidos em todas as formas de atividade social (Willian, 1992). Por seu produto da atividade humana, não se pode ignorar sua dimensão histórica. A cultura compreende, portanto, “desde a mais sublime música ou obra literária, até as formas de destruir-se a si mesmo e as técnicas de tortura, a arte, a ciência, a linguagem, os costumes, os hábitos de vida, os sistemas morais, as instituições sociais, as crenças, as formas de trabalhar.” (Sacristan, 2001, p.105).

O trabalho compreende, assim, uma forma de produção da vida material a partir do qual se produzem distintos sistemas de significação. A ênfase no trabalho como princípio educativo não deve ser reduzida à preocupação em preparar o trabalhador apenas para atender as demandas do individualismo e do mercado de trabalho, nem apenas destacar as dimensões relativas à produção e às suas transformações técnicas (Arroyo, 2001).

Os vínculos entre educação, escola e trabalho situam-se numa perspectiva mais ampla, tendo em vista a constituição histórica do ser humano, de sua formação intelectual e moral, sua autonomia e liberdade individual e coletiva, sua emancipação.

O tempo e o espaço são aspectos escolares e, portanto, fazem parte da ação pedagógica, uma vez que regulam e disciplinam educandos e educadores de formas diferenciadas.

A organização do tempo escolar compreende três dimensões: o tempo físico, o tempo vivido e o tempo pedagógico.

O primeiro está relacionado ao calendário escolar organizado em dias letivos, horas/aulas e bimestres que organizam e controlam o tempo da ação pedagógica. O segundo, diz respeito ao tempo vivido pelo professor nas suas experiências pedagógicas, nos cursos de formação, na ação docente propriamente dita, bem como o tempo vivido pelos educandos nas experiências sociais e escolares. O último compreende o tempo que a organização escolar disponibiliza para a escolarização do conhecimento.

Pensar as práticas de significação que se devem gerar na escola, impõe estar atento à dinâmica das relações sociais com o objetivo de “democratizar o saber, a cultura e o conhecimento, bem como conduzir o educando a aprender o significado social e cultural dos símbolos construídos, tais como as palavras, as ciências, as artes, os valores, dotados da capacidade de propiciar – nos meios de orientação, de comunicação e de participação.” (Arroyo, 2001, p. 144)


    1. HISTÓRICO

Com a preocupação de minimizar a situação crítica de jovens e adultos que estão à margem do sistema escolar, decidiu-se pela criação do CES (Centro de Estudos Supletivos de Ivaiporã) como resposta eficaz, para atender as diferenças individuais através de um ensino personalizado, o que possibilita a escolarização e a formação do cidadão consciente, com discernimento para desvendar a realidade que o rodeia e a capacitar-se a tomar decisões.

Nesta perspectiva o CES de Ivaiporã foi criado em 05 de julho de 1994, com a Resolução Secretarial nº 3.565/94, com funcionamento num dos pavimentos das dependências do Núcleo Regional de Educação desta cidade, na Avenida Paraná, nº 1435 – município de Ivaiporã, mantido pelo Governo do Estado do Paraná e administrado pela Secretaria de Educação.

O Centro de Estudos Supletivos de Ivaiporã, atualmente denominado Centro Estadual de Educação Básico para Jovens e Adultos de Ivaiporã – Ensino Fundamental e Médio, atendendo ao disposto na Constituição Federal e Estadual, na Lei nº 5.692/71 e na Deliberação 034/84 do Conselho Estadual de Educação, passou a ofertar cursos e exames de 1º e 2º graus, destinados à preparação de adolescentes e adultos através da metodologia adequada ao desenvolvimento intelectual dos educandos.



Documentos que marcaram momentos significativos na história do CEEBJA:

    • Resolução nº 3.565/94 – cria o Centro de Estudos Supletivos de Ivaiporã;

    • Resolução 2.676/96, de 27 de junho de 1996 – autoriza em caráter provisório o funcionamento do Curso de 1º Grau Supletivo, Função Qualificação em Agricultura, nas Escolas de Campo, mantida pela Associação Regional das Casas Familiares Rurais – ARCAFAR, Escola do Campo – Casa Familiar Rural de Rosário do Ivaí;

    • Resolução 2.677/96, de 27 de junho de 1996, autoriza, a partir de 01de março de 1996, em caráter provisório, a implantação do Curso de 1º Grau Supletivo, Função Suplência de Educação Geral, vinculado ao PAC de Rosário do Ivaí ao Centro de Estudos Supletivos de Ivaiporã;

    • Resolução 3.495/96, de 06 de setembro de 1996 – autoriza em caráter definitivo o funcionamento do Posto Avançado do Centro de Estudo Supletivo de Ivaiporã, na Escola do Campo – Casa Familiar Rural de Rosário do Ivaí, com oferta do Curso de 1º Grau Supletivo Função Suplência de Educação Geral;

    • Resolução nº 3.659/96, de 20de setembro de 1996 – autoriza o desenvolvimento do Projeto de Descentralização das quatro primeiras séries do 1º Grau, do Centro de Estudos Supletivos de Ivaiporã, do Município de Ivaiporã, na Escola Municipal Emílio Ribas – Ensino Pré-Escolar e de 1º Grau, situado à Rua dos Estudantes, nº 62, do Município de Jardim Alegre;

    • Resolução nº 4.573/96, de 03 de dezembro de 1996 – autoriza a mudança de domicílio do Centro de Estudos Supletivos de Ivaiporã, do Município de Ivaiporã, NRE de Ivaiporã, mantido pelo Governo do Estado do Paraná, a partir de 1996, transferindo-se para a Rua Santa Catarina, nº 185, Centro de Ivaiporã – PR;

    • Resolução nº 4.724/96, de 23 de dezembro de 1996 – autoriza o desenvolvimento do Projeto do Projeto de Descentralização das quatro primeiras séries do 1º Grau do Centro de Estudos Supletivos do Município de Ivaiporã, na Escola Municipal Manoel Ribas, no Município de Manoel Ribas;

    • Resolução nº 1.339/97, D.O.E. de 08 de abril de 1997 – Autoriza a partir de 17 de dezembro de 1997, a implantação do Posto Avançado do Centro de Estudos Supletivos de Ivaiporã, com oferta do Ensino de 1º Grau, na Escola de Campo – Casa Familiar Rural, de Cândido de Abreu, situada na Comunidade de Pinhal, do Município de Cândido de Abreu, NRE de Ivaiporã;

    • Resolução 2.209/97, D.O.E., de 24 de julho de 1997, artigo 1º - cria e autoriza o funcionamento do Núcleo Avançado de Estudos Supletivos de São João do Ivaí (NAES), situado à Rua Geraldo Coutinho de Castro, s/nº, com Curso de 1º Grau Supletivo, Função Suplência de Educação Geral, sendo cessado de forma gradativa a partir de 31 de dezembro de 2002 e encerrando-se definitivamente em 31 de dezembro de 2003;

    • Resolução nº 2.557/97 – autoriza a implantação do Posto Avançado do Centro de Estudos Supletivos de Ivaiporã, com oferta do Ensino de 1º Grau, na Escola de Campo – Casa Familiar Rural, de Grandes Rios, no Distrito de Ribeirão Bonito, no Município de Grandes Rios – PR;

    • Resolução nº 2.941/97, de 29 de agosto de 1997 – autoriza o desenvolvimento do Projeto de Descentralização das quatro primeiras séries do 1º Grau, do Centro de Estudos Supletivos de Ivaiporã, do Município de Ivaiporã, na Escola Municipal Dom Pedro II – Ensino de 1º Grau, situado na Rua Tocantins, nº 393, no Município de Rio Branco do Ivaí, NRE de Ivaiporã, a partir de 25/07/97;

    • Resolução nº 121/98, de 15 de janeiro de 1998 – autoriza, nos termos da Legislação Vigente, o desenvolvimento do Projeto de Descentralização do 1º Segmento do Ensino Fundamental, do Centro de Estudos Supletivos de Ivaiporã, do Município de Ivaiporã, no Colégio Estadual Nilo Peçanha – Ensino de 1º e 2º Graus, situado na Rua Mauá, nº 25, Distrito de Jacutinga, do Município e NRE de Ivaiporã;

    • Resolução nº 2.100/98, de 23 de junho de 1998 e Parecer 151/98, de 06 de maio de 1998 – reconhece o Curso de 2º Grau Supletivo – Função Suplência de Educação Geral, do Centro de Estudos Supletivos de Ivaiporã, do Município e NRE de Ivaiporã, Mantidos Governo do Estado do Paraná;

    • Resolução nº 1.746/98, de 25 de maio de 1998 e Parecer 148/98, de 17 de abril de 1998 – Reconhece o Centro de Estudos Supletivos de Ivaiporã e o Curso de 1º Grau Função Suplência de Educação Geral;

    • Resolução nº 2.399/98, de 22 de julho de 1998 – autoriza a implantação do Posto Avançado do Centro de Estudos Supletivos de Ivaiporã – PAC, com oferta do Ensino Fundamental de 5ª a 8ª Série, na Escola Municipal Manoel José Lopes – Ensino de 1º Grau, do Município de Grandes Rios;

    • Resolução nº 2.405/98 – autoriza a implantação do Posto Avançado do Centro de Estudos Supletivos de Ivaiporã – PAC, com oferta do Ensino Fundamental, no Centro de Formação Profissional, situado na Avenida Brasil, do Município de Manoel Ribas – NRE de Ivaiporã;

    • Resolução nº 2.439/98, de 29 de julho de 1998 – autoriza a implantação do Posto Avançado do Centro de Estudos Supletivos de Ivaiporã – PAC, em oferta do Ensino Fundamental de 5ª a 8ª Série, na Escola Municipal Emílio Ribas – Ensino Pré-Escolar e de 1º Grau, no Município de Jardim Alegre;

    • Resolução 3.120/98, de 31 de agosto de 1998 – autoriza a adequação na nomenclatura do Centro de Estudos Supletivos para Centro de Educação Aberta, Continuada à Distância – CEAD;

    • Resolução 624/99, de 01de fevereiro de 1999 – Autoriza a implantação do Posto Avançado do Centro de Educação Aberta, Continuada à Distância de Ivaiporã – PAC, com oferta do 2º Segmento do Ensino Fundamental, na Escola Municipal Emílio Ribas – Ensino Pré-Escolar e Fundamental, situada à Rua dos Estudantes, nº 62, do Município de Jardim de Alegre – NRE de Ivaiporã;

    • Resolução nº 625/99, de 01 de fevereiro de 1999 – autoriza a implantação do Posto Avançado do Centro de Educação Aberta, à Distância de Ivaiporã – PAC, com oferta do 2º segmento do Ensino Fundamental, na Escola Municipal Manuel José Lopes – Ensino Fundamental, situada na Rua Prefeito João Leandro Barbosa, do Município de Grandes Rios, NRE de Ivaiporã.

    • Resolução nº 627/99, de 01 de fevereiro de 1999 – autoriza a implantação do Posto Avançado do Centro de Educação Aberta Continuada à Distância – PAC, com oferta do Ensino Fundamental de 5ª a 8ª Séries, no Complexo Paroquial da Igreja Santa Rita de Cássia, do Município de Lunardelli;

    • Resolução nº 4.561/99, de 15 de dezembro de 1999 – determina que os Centros de Educação Aberta, Continuada à Distância – CEAD, mantido pelo Governo do Estado do Paraná, anteriormente denominado Centro de Estudos Supletivos – CES, passem a denominar-se Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (CEEBJA), com suas respectivas ofertas de Ensino;

    • Resolução nº 397/2000, de 15 de fevereiro de 2000 – autoriza a implantação do Posto Avançado do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos – PAC, com oferta do 2º segmento do Ensino Fundamental, na Prefeitura Municipal de Lunardelli, situada na Avenida Rui Barbosa, nº 480, do Município de Lunardelli e NRE de Ivaiporã;

    • Resolução nº 415/2000, de 15 de fevereiro de 2000 – autoriza a implantação do Posto Avançado do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos – PAC, com oferta do 2º segmento do Ensino Fundamental, no Colégio Estadual Dom Pedro I – Ensino Fundamental e Médio, situado à Rua Tiradentes, nº 280, do Município de Lidianópolis – NRE de Ivaiporã.

    • Resolução nº 1.760/2000, de 22 de maio de 2000 – autoriza a implantação do Posto Avançado do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos de Ivaiporã – Ensino Fundamental e Médio, com oferta do Ensino Fundamental de 5ª a 8ª Séries, na Escola Rural Municipal Ary Borba Carneiro – Ensino Fundamental do Município do Rio Branco do Ivaí;

    • Resolução nº 1.049/2001, de 08 de maio de 2001 – Autoriza a implantação do Posto Avançado do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos – PAC, com oferta do 2º segmento do Ensino Fundamental na Escola Estadual de Romeópolis, Município de Arapuã – NRE de Ivaiporã;

    • Resolução nº 3.739/2000, de 11 de dezembro de 2000 – Autoriza o desenvolvimento do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos de Ivaiporã – Ensino Fundamental e Médio, do Município de Ivaiporã, no Colégio Estadual de Arapuã – Ensino Fundamental e Médio, no município de Arapuã;

    • Resolução nº 948/2001, de 18 de abril de 2001 – cessa definitivamente as atividades escolares do Posto Avançado do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos de Ivaiporã – Ensino Fundamental e Médio, que funcionava na Escola Rural Municipal Ary Borba Carneiro – Ensino Fundamental e Médio, do Município de Rio Branco do Ivaí;

    • Resolução nº 2.856/2001, de 27 de novembro de 2001 – autoriza o funcionamento do Ensino Fundamental e Médio, na modalidade de Educação de Jovens e Adultos semipresencial, no CEEBJA, a partir do 1º semestre de 2002;

    • Resolução nº 440/02, de 14 de fevereiro de 2002 – autoriza a implantação dos Postos Avançados do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos, no Colégio Estadual Presidente Kennedy, Escola Municipal Manuel José Lopes, Escola Municipal Emílio Ribas, Escola Estadual da Barra Preta, Colégio Estadual D. Pedro I, Prefeitura Municipal de Lunardelli; Escola Rural Municipal Cacique Salvador Venhy e Escola Estadual Nereu Ramos;

    • Resolução nº 721/02, de 19 de março de 2002 – cessa a partir de 31 de janeiro de 2002 todos os PACs – Postos Avançados Subordinados aos CEEBJAs, com Ato autorizatório emitido até a 2001;

    • Resolução nº 3.803/02, de 17 de agosto de 2002 – autoriza a implantação do Posto Avançado do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos de Ivaiporã, com a oferta do Ensino Fundamental de 5ª a 8ª Séries, no Colégio Nilo Peçanha, de Ivaiporã;

    • Resolução nº 3.804/02, de 17 de agosto de 2002 – autoriza a implantação do Posto Avançado do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos de Ivaiporã, com a oferta do Ensino Fundamental de 5ª a 8ª Séries, no Colégio Estadual Barão do Cerro Azul, de Ivaiporã;

    • Resolução nº 4.241/02, de 18 de setembro de 2002 – cessa definitivamente as atividades escolares relativas ao Ensino Médio do Posto Avançado do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos de Ivaiporã, que funcionava no Colégio Estadual da Barra Preta, do Município de Jardim Alegre;

    • Resolução nº 4.172, de 14 de outubro de 2002 – autoriza a implantação do Posto Avançado do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos de Ivaiporã, com oferta do Ensino Fundamental de 5ª a 8ª Série, no Colégio Estadual Cora Coralina, de jardim Alegre;

    • Resolução nº 4.173/2002, de 14 de outubro de 2002 – autoriza a implantação do Posto Avançado do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos de Ivaiporã, com oferta do Ensino Médio, na Escola Municipal Emílio Ribas, Jardim Alegre;

    • Resolução nº 3.529/2005, de 08 de dezembro de 2005 – autoriza a mudança de Endereço do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos de Ivaiporã, da Rua Santa Catarina, nº 185, para a Praça da Independência, nº 385, do mesmo município, a partir de 27 de julho de 2004;

    • Resolução nº 3.955/06, de 22 de agosto de 2006 – autoriza o funcionamento do Ensino Fundamental Fases I e II e Ensino Médio presencial, na modalidade Educação de Jovens e Adultos de Ivaiporã, com implantação simultânea a partir do ano de 2006;

    • Resolução nº 3.226/07, de 20 de julho de 2007 – cessa o funcionamento do PEJA – Projeto de Escolarização de Jovens e Adultos do Ensino Fundamental (Fase I – 1ª a 4ª séries), autorizados a funcionar em estabelecimentos de Ensino jurisdicionados ao NRE de Ivaiporã, mantidos por prefeituras municipais;

A modalidade do ensino semipresencial foi, sem dúvida, uma oportunidade de aprendizado, melhoria da qualidade de vida para um número significativo de jovens e adultos que, até então, se encontravam à margem dos sistemas educacionais. Porém, em 2005 foi implementada a proposta pedagógica do ensino presencial, passando a ser necessário um percentual mínimo de 75% de freqüência com atendimento coletivo e obrigatoriedade de 100% da carga horária para o atendimento individual.

Para atender aos antigos PACs, foram implantados no CEEBJA as APED’s – Ações Pedagógicas Descentralizadas. Dessa forma o CEEBJA oportuniza um ensino de qualidade, um aprendizado para a vida, em que o educando, tendo acesso ao conhecimento, passa a fazer as diversas leituras de mundo e assim ser atuante e exercer com dignidade sua cidadania.





    1. PERFIL DO EDUCANDO

Compreender o perfil do educando da Educação de Jovens, Adultos e Idosos requer conhecer a sua história, cultura e costumes, entendendo-o como um sujeito com diferentes experiências de vida e que em algum momento afastou-se da escola devido a fatores sociais, econômicos, políticos e/ou culturais. Entre esses fatores, destacam-se o ingresso prematuro no mundo do trabalho, a evasão ou a repetência escolar.

A Lei Nº 9394/96, em seu artigo 38, determina que, o nível de conclusão do Ensino Fundamental e Médio, a idade seja, respectivamente, 15 e 18 anos. De acordo, ainda, com a Deliberação nº 008/00, do CEE – PR, o ingresso na EJA pode se dar aos 14 anos para o Ensino Fundamental e aos 17 para o Ensino Médio. Essa Alteração da idade para ingresso e certificação na EJA, dentre outros fatores, ocasionou uma mudança significativa na composição da demanda por essa modalidade de ensino, principalmente pela presença de adolescentes.

Atualmente, os adolescentes ainda são presença marcante nas escolas da EJA. A grande maioria é oriunda de um processo educacional fragmentado, marcado por freqüente evasão e reprovação no Ensino Fundamental e Médio regulares.

A demanda desses adolescentes para com a EJA não pode ser vista apenas como um fato, mas também como a oportunidade da educação escolar responder a alguns questionamentos, dentre os quais: como reverter a cultura do “aligeiramento” da escolarização ou de uma pedagogia da reprovação por uma pedagogia da aprendizagem?

Muitos adolescentes, jovens, adultos e idosos ingressos na EJA trazem modelos internalizados durante suas vivências escolares ou por outras experiências. Há necessidade de romper com esses modelos e motivar a autonomia intelectual, a fim de que se tornem sujeitos ativos do processo educacional.

Outra demanda a ser atendida, pela EJA é a de pessoas idosas que buscam a escola para desenvolvimento ou ampliação de seus conhecimentos, bem como para outras oportunidades de convivência. Inclui-se aqui o convívio social e a realização pessoal. Atender, preferencialmente, aos educandos acima de 18 anos no Ensino Fundamental e acima de 21 anos no Ensino Médio é uma das formas de garantir a especificidade desta modalidade educacional e responder ao caráter histórico que a constituiu, ou seja, para qual público este atendimento educacional foi criado – o público jovem, adulto e idoso.

Há na EJA uma grande presença de mulheres, que durante anos sofreu, e por diversas vezes ainda sofre as conseqüências de uma sociedade desigual com predomínio de tradição patriarcal, que a impediu das práticas educativas em algum momento de sua história de vida.

A EJA contempla, também, o atendimento a educandos com necessidades educacionais especiais. Considerando a situação em que se encontram individualmente estes educandos, devem-se priorizar ações educacionais específicas e que oportunizem o acesso, a permanência e o êxito destes no espaço escolar.

Ao contemplar a educação do campo EJA, considera-se que “o campo” retrata uma diversidade sócio-cultural, que se dá a partir dos sujeitos que nela habitam, ou seja, os assalariados rurais temporários, posseiros, meeiros, arrendatários, acampados, assentados, reassentados, agricultores familiares, vileiros rurais, descendentes de negros e outros mais. A afirmação do campo enquanto espaço de vida contribui para a auto-afirmação da identidade destes povos, no sentido da valorização do seu trabalho, da sua história, da sua cultura e dos seus conhecimentos.

No tocante aos povos indígenas, constata-se que pertencem a universos culturais específicos, caracterizados pelos seus territórios, modos de produção, relações de parentescos, línguas, rituais, tempos e formas diferenciadas de organização da escola, e processos próprios de aprendizagem. Muitas comunidades preservam as línguas indígenas (kaigang e/ou guarani) como códigos tradicionais de resistência de suas identidades sócio-culturais, sendo fundamental o respeito e a articulação com as demais línguas (portuguesa e estrangeira moderna) que compõem seus processos de ensino-aprendizagem.

Em síntese, o atendimento à escolarização de jovens, adultos e idosos, não se refere exclusivamente a uma característica etária, mas a articulação dentre outros, pó populações do campo, em privação de liberdade, com necessidades educativas especiais, que demandam uma educação que considere o tempo/espaço e a cultura desses grupos. Considerando o perfil diferenciado dos educandos da EJA e suas necessidades, assim como, as características próprias desta modalidade de ensino, deve-se garantir o retorno e permanência destes educandos à escolarização formal, pela manutenção da oferta da Educação de Jovens e Adultos, através de políticas públicas direcionadas especificamente à atendimento, de forma permanente e contínua, enquanto houver demanda.




    1. CARACTERIZAÇÃO DO CURSO

Este Estabelecimento de Ensino tem como uma das finalidades, a oferta de escolarização de jovens, adultos e idosos que buscam dar continuidade a seus estudos no Ensino Fundamental ou Médio, assegurando-lhes oportunidades apropriadas, consideradas suas características, interesses, condições de vida e de trabalho, mediante ações didático-pedagógicas coletivas e/ou individuais.

Portanto, este Estabelecimento Escolar oferta Educação de Jovens e Adultos – Presencial, que contempla o total de carga horária estabelecida na legislação vigente nos níveis de Ensino Fundamental e Médio, com avaliação no processo.

Os cursos são caracterizados por estudos presenciais desenvolvidos de modo a viabilizar processos pedagógicos, tais como:



  • pesquisa e problematização na produção do conhecimento;

  • desenvolvimento da capacidade de ouvir, refletir e argumentar;

  • registros, utilizando recursos variados (esquemas, anotações, fotografias, ilustrações, textos individuais e coletivos), permitindo a sistematização e socialização dos conhecimentos;

  • vivências culturais diversificadas que expressem a cultura dos educandos, bem como a reflexão sobre outras formas de expressão cultura.

Para que o processo seja executado a contento, serão estabelecidos planos de estudos e atividades. Tanto no atendimento individual como no coletivo, os educandos receberão um Guia de Estudos.

Nesse sentido a escolarização, em todas as disciplinas, será organizada de forma coletiva e individual, ficando a critério do educando escolher a maneira que melhor se adapte às suas condições e necessidades, ou mesmo mesclar essas formas, ou seja, cursar algumas disciplinas organizadas coletivamente e outras individualmente.


Organização Coletiva
Será programada pela escola e oferecida aos educandos por meio de um cronograma que estipula o período, dias e horários das aulas, com previsão de início e término de cada disciplina, oportunizando ao educando a integralização do currículo. A mediação pedagógica ocorrerá priorizando o encaminhamento dos conteúdos de forma coletiva, na relação professor/educando e considerando os saberes adquiridos na história de vida de cada educando.

A organização coletiva destina-se, preferencialmente, àqueles que têm possibilidade de freqüentar com regularidade as aulas, a partir de um cronograma pré-estabelecido.


Organização individual
A organização individual destina-se àqueles educandos trabalhadores que não têm possibilidade de freqüentar com regularidade as aulas, devido às condições de horários alternados de trabalho e para os que foram matriculados mediante classificação ou que foram reclassificados ou desistentes quando não há, no momento, turma organizada coletivamente para a sua inserção. Será programada pela escola e oferecida aos educandos por meio de um cronograma que estipula o período, dias e horário das aulas, contemplando o ritmo próprio do educando, nas suas condições de vinculação à escolarização e nos saberes já apropriados.


    1. NÍVEL DE ENSINO




      1. ENSINO FUNDAMENTAL – FASE II

Ao se ofertar estudos referentes ao Ensino Fundamental – Fase II, este estabelecimento escolar terá como referência as Diretrizes Curriculares Nacionais e Estaduais, que consideram os conteúdos ora como meio, ora como fim do processo de formação humana dos educandos, para que os mesmos possam produzir e ressignificar bens culturais, sociais, econômicos e deles usufruírem.




      1. ENSINO MÉDIO

O Ensino Médio no estabelecimento escolar terá como referência em sua oferta, os princípios, fundamentos e procedimentos propostos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio – Parecer 15/98 e Resolução nº 02 de 07 de abril de 1998/CNE, nas Diretrizes Curriculares Estaduais da Educação de Jovens e Adultos e nas Diretrizes Curriculares Estaduais da Educação Básica.




    1. EDUCAÇÃO ESPECIAL

A EJA contempla, também, o atendimento a educandos com necessidades educativas especiais, inserindo estes no conjunto de educandos da organização coletiva ou individual, priorizando ações que oportunizem o acesso, a permanência e o êxito dos mesmos no espaço escolar, considerando a situação em que se encontram individualmente estes educandos.




    1. AÇÕES PEDAGÓGICAS DESCENTRALIZADAS

Este Estabelecimento Escolar desenvolverá ações pedagógicas descentralizadas, efetivadas em situações de evidente necessidade, dirigidas a grupos sociais com perfis e necessidades próprias e onde não haja oferta de escolarização para jovens, adultos e idosos, respeitada a proposta pedagógica e o regimento escolar, desde que autorizado pela SEED/PR, segundo critérios estabelecidos pela mesma Secretaria em instrução própria.




    1. FREQÜÊNCIA

A carga horária prevista para as organizações individual e coletiva é de 100% (cem por cento) presencial no Ensino Fundamental - Fase II e no Ensino Médio, sendo que a freqüência mínima na organização coletiva é de 75% (setenta e cinco por cento) e na organização individual é de100% (cem por cento), em sala de aula.





    1. EXAMES SUPLETIVOS

Este Estabelecimento Escolar ofertará Exames Supletivos, atendendo ao disposto na Lei n.º 9394/96, desde que autorizado e credenciado pela Secretaria de Estado da Educação, por meio de Edital próprio emitido pelo Departamento de Educação de Jovens e Adultos.




    1. CONSELHO ESCOLAR

Este Centro Estadual de Educação para Jovens, Adultos e Idosos tem constituído um Conselho Escolar com representantes da Equipe Técnico-Pedagógica, educadores, educandos e representantes da sociedade. Este Conselho é um órgão Colegiado, de natureza consultiva, deliberativa e fiscal, com o objetivo de promover a articulação entre os vários segmentos da sociedade e os setores do Centro, a fim de garantir a eficiência e a qualidade de seu funcionamento.

Funcionará conforme e expresso no Regimento Escolar.



    1. MATERIAIS DE APOIO DIDÁTICO

Serão adotados os materiais indicados pelo Departamento de Educação de Jovens e Adultos – DEJA, da Secretaria de Estado da Educação do Paraná, como material básico.

Além desse material, os docentes, na sua prática pedagógica, poderão utilizar outros recursos didáticos.


    1. BIBLIOTECA ESCOLAR

Biblioteca não deve ser pensada como um espaço onde apenas o educando é freqüentador, mas também educadores e a própria comunidade. Para entendermos melhor o conceito de biblioteca escolar, é preciso entendê-la como um local privilegiado para a prática pedagógica. “É organizada para se integrar com a sala de aula no desenvolvimento do currículo escolar. Além disso, a Biblioteca Escolar tem como objetivo incentivar os educandos para a leitura, desenvolvendo-lhes o prazer de ler, podendo servir, também, como suporte para a comunidade em suas necessidades de informação.”

Para que a Biblioteca Escolar exista, todos deverão cooperar, no sentido de garantir seu espaço e seu acervo. Com estes garantidos, imperiosa se faz a atuação do educador dinamizador, transformando a Biblioteca num espaço dinâmico de trabalho.

O educador deste estabelecimento atuará em conjunto na implementação de ações de dinamizem a Biblioteca.

Serão atribuições do profissional dinamizador da Biblioteca:


  • Agilizar, em cooperação com o corpo docente, atividades que incentive a cultura com incremento da videoteca em momentos de leitura;

  • Construir um espaço de contato com a leitura e a pesquisa para educadores e educandos, além de local de acesso fácil à comunidade;

  • Viabilizar o empréstimo de livros para os educandos através da criação de sistema integrado.




    1. LABORATÓRIO

Ciência e tecnologia são elementos essenciais à transformação e ao desenvolvimento da sociedade atual. Esta, por sua vez, tem exigido um volume de informações muito maior do que em qualquer época do passado, quer seja para o acesso ao mundo do trabalho, quer para o exercício consciente da cidadania e ou para as atividades do cotidiano.

A apropriação significativa do conhecimento científico, de modo a contribuir para a compreensão dos fenômenos do mundo natural, em diferentes espaços e tempos do Planeta, com um todo dinâmico, como elementos em permanente interação do corpo humano e sua integridade, da saúde como dimensão pessoal e social, do desenvolvimento tecnológico e das transformações ambientais causadas pelo ser humano, são os resultados esperados na área de Ciências do Ensino Fundamental e Médio.

As atividades de laboratório, quando bem implementadas, assumem papel de suma importância, auxiliando o educador no encaminhamento metodológico de temas ou assuntos em estudos, propiciando a participação ativa dos educandos, potencializando as atividades experimentais e facilitando a compreensão de conceitos e fenômenos.

Assim, seguindo o entendimento do Conselho Estadual de Educação, expresso no Parecer Nº 095/99 “... indubitavelmente, um conceito novo para o espaço denominado laboratório acompanha uma educação científica nova, espaço que passará a incluir também o pátio da escola, a beira do mar, o bosque ou a praça pública...” explicitam, a concretização de experimentos nos estabelecimentos de ensino, reforçando o princípio pedagógico da contextualização que se quer implementar neste Centro Estadual de Educação Básica para Jovens, Adultos e Idosos.


    1. RECURSOS TECNOLÓGICOS

Vivemos em um tempo de “globalização do conhecimento”, quando o cidadão deve dominar as tecnologias existentes. Desta forma, coerente com estas finalidades e objetivos, o papel fundamental da construção curricular para a formação dos educandos, é fornecer subsídios para que os mesmos tornem-se ativos, críticos, criativos e democráticos. Tendo em vista este papel, a educação deve voltar-se para uma formação na qual os educandos trabalhadores possam: aprender permanentemente; refletir criticamente; agir com responsabilidade individual e coletiva; participar do trabalho; e da vida coletiva; comportar-se de forma solidária; acompanhar a dinamicidade das mudanças sociais; enfrentar problemas novos construindo soluções originais com agilidade e rapidez, a partir da utilização metodologicamente adequada de conhecimentos científicos, tecnológicos e sócio-históricos (KUENZER, 2000, p. 40).



  1. FILOSOFIA E PRINCÍPIOS DIDÁTICO-PEDAGÓGICOS

A educação de adultos exige uma inclusão que tome por base o reconhecimento do jovem adulto como sujeito. Coloca-nos o desafio de pautar o processo educativo pela compreensão e pelo respeito do diferente e da diversidade: ter o direito a ser igual quando a diferença nos inferioriza e o de ser diferente quando a igualdade nos descaracteriza. Ao pensar no desafio de construirmos princípios que regem a educação de adultos, há de buscar-se uma educação qualitativamente diferente, que tem como perspectiva uma sociedade tolerante e igualitária, que a reconhece ao longo da vida como direito inalienável de todos. (SANTOS, 2004)


A Educação de Jovens e Adultos – EJA, enquanto modalidade educacional que atende a educandos-trabalhadores, tem como finalidade e objetivos o compromisso com a formação humana e com o acesso à cultura geral, de modo a que os educandos venham a participar política e produtivamente das relações sociais, com comportamento ético e compromisso político, através do desenvolvimento da autonomia intelectual e moral.

Tendo em vista este papel, a educação deve voltar-se para uma formação na qual os educandos-trabalhadores possam: aprender permanentemente, refletir criticamente; agir com responsabilidade individual e coletiva; participar do trabalho e da vida coletiva; comportar-se de forma solidária; acompanhar a dinamicidade das mudanças sociais; enfrentar problemas novos construindo soluções originais com agilidade e rapidez, a partir da utilização metodologicamente adequada de conhecimentos científicos, tecnológicos e sócio-históricos. (KUENZER, 2000, p. 40)

Sendo assim, para a concretização de uma prática administrativa e pedagógica verdadeiramente voltada à formação humana, é necessário que o processo ensino-aprendizagem, na Educação de Jovens e Adultos seja coerente com


  1. o seu papel na socialização dos sujeitos, agregando elementos e valores que os levem à emancipação e à afirmação de sua identidade cultural;

  2. o exercício de uma cidadania democrática, reflexo de um processo cognitivo, crítico e emancipatório, com base em valores como respeito mútuo, solidariedade e justiça;

  3. os três eixos articuladores do trabalho pedagógico com jovens, adultos e idosos – cultura, trabalho e tempo;

Segundo as Diretrizes Curriculares Estaduais de EJA, as relações entre cultura, conhecimento e currículo, oportunizam uma proposta pedagógica pensada e estabelecida a partir de reflexões sobre a diversidade cultural, tornando-a mais próxima da realidade e garantindo sua função socializadora – promotora do acesso ao conhecimento capaz de ampliar o universo cultural do educando – e, sua função antropológica - que considera e valoriza a produção humana ao longo da história.

A compreensão de que o educando da EJA relaciona-se com o mundo do trabalho e que através deste busca melhorar a sua qualidade de vida e ter acesso aos bens produzidos pelo homem, significa contemplar, na organização curricular, as reflexões sobre a função do trabalho na vida humana.

É inerente a organização pedagógico-curricular da EJA, a valorização dos diferentes tempos necessários à aprendizagem dos educandos de EJA, considerando os saberes adquiridos na informalidade das suas vivências e do mundo do trabalho, face à diversidade de suas características.

E ainda, conforme as Diretrizes Curriculares Estaduais de Educação de Jovens e Adultos no Estado do Paraná:




  1. A EJA deve constituir-se de uma estrutura flexível, pois há um tempo diferenciado de aprendizagem e não um tempo único para todos os educandos, bem como os mesmos possuem diferentes possibilidades e condições de reinserção nos processos educativos formais;

  2. O tempo que o educando jovem, adulto e idoso permanecerá no processo educativo tem valor próprio e significativo, assim sendo à escola cabe superar um ensino de caráter enciclopédico, centrado mais na quantidade de informações do que na relação qualitativa com o conhecimento;

  3. Os conteúdos específicos de cada disciplina, deverão estar articulados à realidade, considerando sua dimensão sócio-histórica, vinculada ao mundo do trabalho, à ciência, às novas tecnologias, dentre outros;

  4. A escola é um dos espaços em que os educandos desenvolvem a capacidade de pensar, ler, interpretar e reinventar o seu mundo, por meio da atividade reflexiva. A ação da escola será de mediação entre o educando e os saberes, de forma a que o mesmo assimile estes conhecimentos como instrumentos de transformação de sua realidade social;

  5. O currículo na EJA não deve ser entendido, como na pedagogia tradicional, que fragmenta o processo de conhecimento e o hierarquiza nas matérias escolares, mas sim, como uma forma de organização abrangente, na qual os conteúdos culturais relevantes, estão articulados à realidade na qual o educando se encontra, viabilizando um processo integrador dos diferentes saberes, a partir da contribuição das diferentes áreas/disciplinas do conhecimento.

Por isso, a presente proposta e o currículo dela constante incluirá o desenvolvimento de conteúdos e formas de tratamento metodológico que busquem chegar às finalidades da educação de jovens e adultos, a saber:



  1. Traduzir a compreensão de que jovens e adultos não são atrasados em seu processo de formação, mas são sujeitos sócio-histórico-culturais, com conhecimentos e experiências acumuladas, com tempo próprio de formação e aprendizagem;

  2. Contribuir para a ressignificação da concepção de mundo e dos próprios educandos;

  3. O processo educativo deve trabalhar no sentido de ser síntese entre a objetividade das relações sociais e a subjetividade, de modo que as diferentes linguagens desenvolvam o raciocínio lógico e a capacidade de utilizar conhecimentos científicos, tecnológicos e sócio-históricos;

  4. Possibilitar trajetórias de aprendizado individuais com base na referência, nos interesses do educando e nos conteúdos necessários ao exercício da cidadania e do trabalho;

  5. Fornecer subsídios para que os educandos tornem-se ativos, criativos, críticos e democráticos;

Em síntese, o atendimento a escolarização de jovens, adultos e idosos, não refere-se exclusivamente a uma característica etária, mas a articulação desta modalidade com a diversidade sócio-cultural de seu público, composta, dentre outros, por populações do campo, em privação de liberdade, com necessidades educativas especiais, indígenas, que demandam uma proposta pedagógica-curricular que considere o tempo/espaço e a cultura desse grupos.



  1. INDICAÇÃO DA ÁREA OU FASE DE ESTUDOS

Propõe-se a oferta do curso de Educação de Jovens e Adultos no nível do Ensino Fundamental – Fase II e do Médio a jovens, adultos e idosos que não tiveram o acesso ou continuidade em seus estudos.




  1. MATRIZ CURRICULAR




    1. Ensino Fundamental – Fase II




MATRIZ CURRICULAR

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS



ENSINO FUNDAMENTAL – FASE II

ESTABELECIMENTO: Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos - CEEBJA

ENTIDADE MANTENEDORA: Governo do Estado do Paraná

MUNICÍPIO: Ivaiporã NRE: Ivaiporã

ANO DE IMPLANTAÇÃO: 1º Sem/2007 FORMA: Simultânea

CARGA HORÁRIA TOTAL DO CURSO: 1440/1452 HORAS-AULA ou 1200/1210 HORAS

DISCIPLINAS

Total de

Horas


Total de

horas/aula



LÍNGUA PORTUGUESA

226

272

ARTES

54

64

LEM - Inglês

160

192

EDUCAÇÃO FÍSICA

54

64

MATEMÁTICA

226

272

CIÊNCIAS NATURAIS

160

192

HISTÓRIA

160

192

GEOGRAFIA

160

192

ENSINO RELIGIOSO*

10

10


TOTAL


1200/1210

1440/1452

* DISCIPLINA DE OFERTA OBRIGATÓRIA PELO ESTABELECIMENTO DE ENSINO E DE MATRÍCULA FACULTATIVA PELO EDUCANDO.







    1. ENSINO MÉDIO




MATRIZ CURRICULAR

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS



ENSINO MÉDIO

ESTABELECIMENTO: Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos - CEEBJA

ENTIDADE MANTENEDORA: Governo do Estado do Paraná

MUNICÍPIO: Ivaiporã NRE: Ivaiporã

ANO DE IMPLANTAÇÃO: 1º Sem/2007 FORMA: Simultânea

CARGA HORÁRIA TOTAL DO CURSO: 1440 H/A ou 1200 HORAS

DISCIPLINAS

Total de

Horas


Total de

horas/aula



L. Portuguesa e

Literatura



174

208

LEM – Inglês

106

128

Arte

54

64

FILOSOFIA

54

64

SOCIOLOGIA

54

64

Educação Física

54

64

Matemática

174

208

Química

106

128

Física

106

128

Biologia

106

128

História

106

128

Geografia

106

128


TOTAL


1200

1440


Total de Carga Horária do Curso 1200 horas ou 1440 h/a


  1. CONCEPÇÃO, CONTEÚDOS E SEUS RESPECTIVOS ENCAMINHAMENTOS METODOLÓGICOS

“A investigação dos temas geradores ou da temática significativa do povo, tendo como objetivo fundamental a captação dos seus temas básicos, só a partir de cujo conhecimento é possível a organização do conteúdo programático para qualquer ação com ele, se instaura como ponto de partida do processo da ação, como síntese cultural.” (FREIRE, 2005. P. 209. Grifos nossos)


A Concepção, Conteúdos e Encaminhamentos Metodológicos, a seguir apresentados, foram organizados em regime de colaboração coletiva, envolvendo os professores da rede pública estadual das diversas áreas do conhecimento, nos cursos de formação continuada promovidos pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná.
DISCIPLINA DE LÍNGUA PORTUGUESA

CONCEPÇÃO DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA


Considerando-se as indicações das Diretrizes Curriculares Estaduais da Educação de Jovens e Adultos que propõem o compromisso com a formação humana e com o acesso à cultura geral, bem como o respeito à diversidade cultural, à inclusão e ao perfil do educando, o estudo da linguagem na organização da proposta pedagógica do ensino de Língua Portuguesa está pautado na concepção sociointeracionista, a qual dá ênfase ao uso social dos diferentes gêneros textuais.

Nesse sentido, a escola está sendo entendida como um espaço onde se produz o conhecimento e tem por objetivo propiciar uma formação intelectual, cognitiva e política, por meio de pesquisas, leituras, estudos que favoreçam o respeito aos diferentes falares e aos saberes próprios da cultura do educando, preparando-o para produção de seu próprio texto, oral ou escrito, adequado às exigências dos diversos contextos sociais.

O trabalho pedagógico proposto para as práticas de linguagem está fundamentado nos pressupostos teóricos de alguns estudiosos que entendem a linguagem como interação.

VYGOTSKY (1989) dedicou-se a estudos sobre a origem cultural das funções superiores do ser humano, isto é, o funcionamento psicológico, a partir da interação social e da relação linguagem-pensamento. Por isso, propõe que se estudem as mudanças ocorridas no desenvolvimento mental, inserindo o indivíduo num determinado contexto cultural, a partir da interação com os membros de seu grupo e de suas práticas sociais. Para esse autor, a cultura é uma espécie de palco de negociações. Seus membros estão em movimentação constante de recriação e reinterpretação de informações, conceitos e significados.

Nessa mesma direção, BAKHTIN (2003) afirma que os seres humanos apreendem a realidade e a constroem na medida em que se relacionam com o outro, atribuindo assim, sentido ao seu próprio viver, permeado pelo exercício efetivo da linguagem. Esse autor propõe o confronto dos diversos discursos a partir de temáticas do cotidiano, com ênfase na polifonia, dialogismo e polissemia. O primeiro constitui as diversas vozes do discurso oral e escrito; o segundo, consiste na interação do “eu” com o “outro”; por último, a polissemia, que compreende os diferentes significados da palavra, de acordo com a vivência sociocultural de cada sujeito.

As idéias de BAKHTIN e FREIRE (2004) convergem, no sentido de que a prática pedagógica deve se dar numa relação dialógica, entre os sujeitos envolvidos no processo ensino-aprendizagem. Para FREIRE, a relação pedagógica consiste no diálogo entre educador e educando, como sujeitos mediatizados pelo mundo.

As propostas teóricas dos autores citados valorizam o processo interativo como espaço de construção dos sentidos do texto, confrontando situações a partir do contexto histórico, político, filosófico, social, entre outros.

Nessa perspectiva, GERALDI (2001, p. 41) identifica, historicamente, três concepções de linguagem: como expressão do pensamento, destacada nos estudos tradicionais; como instrumento de comunicação; como uma forma de interação humana.

A linguagem como interação propõe estudar as relações que se constituem entre os sujeitos no momento em que falam, e não simplesmente estabelecer classificações e dominar os tipos de sentenças. Portanto, o objeto de estudo da língua deve ser o texto oral e escrito produzido nas diversas situações de interação social.

A partir desses pressupostos, Val (1993, p.3) estabelece como propriedades do texto, a unidade sociocomunicativa – interação social e a unidade semântica – em que a coerência é o fator responsável pela unidade formal e material, ou seja, “pode-se definir texto ou discurso como ocorrência lingüística falada ou escrita, de qualquer extensão, dotada de unidade sociocomunicativa, semântica ou formal”.

Essa autora afirma que, para o texto ser compreendido, precisa ser avaliado sob três aspectos: o pragmático, que se pontua em situação informal e comunicativa; o semântico, que depende da coerência; e o formal, que diz respeito à coesão.

Ainda de acordo com a autora, “a textualidade é o conjunto de características que fazem com que um texto seja um texto, e não apenas uma seqüência de frases” (VAL, 1993, p.5). Embasada em Beaugrande e Dressler, VAL relaciona sete fatores responsáveis pela textualidade de um discurso qualquer: coerência, coesão, intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, informatividade e intertextualidade.

Portanto, pode-se afirmar que o texto, em suas diferentes formas de apresentação ou gêneros, se constrói no aspecto sociocomunicativo por meio dos fatores pragmáticos funcionais, em constante interação entre os sujeitos.

Os gêneros, segundo BAKHTIN (1997, p.179), são caracterizados pelo conteúdo temático, pelo estilo e pela construção composicional, que numa esfera de utilização apresentam tipos relativamente estáveis de enunciados, tais como o conto, o relato, o texto de opinião, a entrevista, o artigo, o resumo, a receita, a conta de luz, os manuais, entre outros. A escolha do gênero depende do contexto imediato e, conseqüentemente, da finalidade a que se destina, dos destinatários e do conteúdo.

O trabalho com a diversidade de gêneros textuais possibilita o confronto de diferentes discursos sobre a mesma temática e ainda, permite uma metodologia “interdisciplinar com atenção especial para o funcionamento da língua e para as atividades culturais e sociais” (MARCUSCHI, 2005, p.18). Além disso, contribui para que o educando perceba a organização e os elementos de construção dos diferentes gêneros ou tipos textuais para que o educando possa reconhecer a finalidade, as características e produzir textos, seja do tipo narrativo, descritivo, argumentativo ou expositivo, entre outros.

A enunciação é dotada de tema e significação. O tema dá sentido na realização da enunciação, uma vez que ele é determinado não só pelas formas lingüísticas, mas também pelos elementos não verbais da situação. Segundo Bakhtin (1986, p. 132) “ toda palavra usada na fala real possui não apenas tema e significação no sentido objetivo, de conteúdo, desses termos, mas também um acento de valor ou apreciativo, isto é, quando um conteúdo objetivo é expresso (dito ou escrito) pela fala viva, ele é sempre acompanhado por um acento apreciativo determinado. Sem acento apreciativo não há palavra”.

O tema e a significação indicam as particularidades de estilo e composição do enunciado, esclarecendo a que gênero pertence o texto, se é composto por um ou por diferentes tipos de discurso, considerando um acento de valor, ou seja, “convém discernir igualmente o grau de firmeza ideológica, o grau de autoritarismo e de dogmatismo que acompanha a apreensão do discurso” Bakhtin (1986, p.149). Nesse enfoque há que se considerar o contexto de produção e o conteúdo temático que o sujeito utiliza para produzir um texto, envolvendo os três mundos distintos, interiorizados por ele: o mundo físico, o mundo social e o mundo subjetivo, Assim, o contexto de produção ou a situação comunicativa exercem influências na forma como um texto se apresenta.

Ler um texto, nessa perspectiva, significa perceber o contexto histórico, social, econômico, filosófico e político em que ele se insere, assim como a ideologia, a finalidade do texto, a posição do autor e o possível interlocutor, dentre outros elementos tais como a escolha pela linguagem utilizada, os elementos gramaticais e seus efeitos na construção do texto nos diferentes gêneros textuais nos momentos de reflexão sobre a língua.

ENCAMINHAMENTOS METODOLÓGICOS

A concepção assumida em Língua Portuguesa pressupõe ações pedagógicas pautadas na construção do conhecimento de forma crítica, reflexiva, engajada na realidade, de modo a privilegiar a relação teoria-prática, na busca da apreensão das diferentes formas de apresentação do saber. Nesse sentido, a organização do planejamento pedagógico pressupõe a reflexão sobre a linguagem a partir de temáticas que exploram os diferentes gêneros discursivos e tipos de textos, com o objetivo de analisar as práticas de linguagem, ou seja, leitura, análise lingüística e produção textual.

A prática de leitura pressupõe a análise de diferentes linguagens, seja na forma verbal ou não verbal: iconográfica (imagens, desenhos, filmes, charges, outdoors, entre outros), cinética (sonora, olfativa, tátil, visual e gustativa) e alfabética, nos diferentes níveis.

Os diferentes níveis de leitura constituem-se num meio para identificar, nos diversos gêneros, os elementos de construção do texto, localizar as informações explícitas, subentender as implícitas, fazer ligação entre o conhecimento do educando e o texto, bem como estabelecer relações intertextuais.

Os gêneros textuais apresentados aos educandos precisam contemplar as possíveis situações de uso social da linguagem nas atividades propostas, tendo por objetivo identificar a finalidade do texto, a posição assumida pelo autor, o contexto social, político, histórico, econômico, filosófico, entre outros, com destaque para as variedades lingüísticas, os mecanismos gramaticais e os lexicais na construção do texto.

Nesse contexto, salienta-se a importância de apreender os dados sobre o autor (biografia), a fonte referencial (data, local, suporte de texto), além do interlocutor a quem se destina o texto.

Os mecanismos gramaticais e lexicais não são estudados de forma descontextualizada ou com a intenção da apropriação da metalinguagem, mas a partir do texto para que o educando possa reconhecê-los como elementos de construção textual dos gêneros estilísticos e do cotidiano, uma vez que o objetivo do ensino da língua é orientar para o uso social da linguagem, de acordo com a norma padrão.

Para isso, faz-se necessária a prática orientada da produção oral e escrita de textos dos diferentes gêneros do discurso. O desenvolvimento dessa prática é importante porque o texto do educando revela, além do conhecimento de mundo, os conteúdos aprendidos e os que devem ser priorizados no planejamento do educador.

Para a seleção de conteúdos essenciais do Ensino Fundamental e Médio, bem como para as práticas de linguagem , foram utilizados os seguintes critérios: o perfil do educando da EJA; a diversidade cultural; a experiência social construída historicamente e os conteúdos significativos a partir de atividades que facilitem a integração entre os diferentes saberes. É importante destacar que embora os conteúdos sejam os mesmos para os dois níveis de ensino, o que difere é o grau de complexidade dos textos apresentados para a reflexão sobre a linguagem.

A avaliação precisa ser entendida como instrumento de compreensão do nível de aprendizagem dos alunos em relação às práticas de linguagem: leitura, produção de texto e análise lingüística, para que o educador possa reencaminhar seu planejamento.

O processo avaliativo deve ser coerente com os objetivos propostos e com os encaminhamentos metodológicos. Desse modo, a avaliação deve ser dialética, ou seja, o educando confronta-se com o objeto do conhecimento, com participação ativa, valorizando o fazer e o refletir. Sendo assim, o erro no processo ensino-aprendizagem indica os conteúdos que devem ser retomados. Portanto, o trabalho com as práticas de linguagem deve partir das necessidades dos educandos.

Para isso, é importante que o educador dê significado ao objeto do conhecimento, lance desafios aos educandos, incentive os questionamentos e exerça a função de mediador da aprendizagem, valorizando a interação.



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