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Secretaria Municipal de Cultura Subsecretaria de Cultura









Processo

12/000.413/2015



Data de Autuação:

19/03/2015



Fl.


Rubrica




ANEXO I

TERMO DE REFERÊNCIA

Concorrência Pública

Residência Artística dos Equipamentos Culturais

da Rede Municipal de Teatros do Rio de Janeiro

I – CONTEXTO

TEATRO MUNICIPAL ZIEMBINSKI

Localização: Rua Heitor Beltrão, s/nº – Tijuca

Telefone: (21) 3234 – 2003 / 3234 – 2815

Lotação oficial: 105 lugares


O Teatro Ziembinski foi idealizado pelo ator e diretor Walmor Chagas como um local que permitisse aos atores e diretores cariocas divulgarem seus trabalhos. A Tijuca foi escolhida por ser um local economicamente mais viável. A construção do teatro só foi possível graças à renda acumulada por Walmor Chagas em seus quarenta anos de carreira. O nome do espaço é uma homenagem a Zbigniew Ziembinski, ator e diretor polonês que veio para o Brasil durante a Segunda Guerra Mundial e que foi responsável por uma importante renovação no teatro brasileiro. Segundo Walmor, Ziembinski, apesar de ser europeu, foi quem de fato descobriu o verdadeiro teatro brasileiro: antes dele era preciso saber fazer teatro estrangeiro para provar que se sabia fazer teatro de verdade, e ele quebrou esse estereótipo.
O teatro foi construído na Rua Urbano Duarte, nº 30, ao lado da Igreja de São Francisco, entre o antigo bairro do Engenho Velho e a Tijuca, num local denominado Largo do Sapo. As obras tiveram início em dezembro de 1986. O objetivo não era construir um grande teatro, mas sim “um simpático e acolhedor espaço, com recursos técnicos apropriados às encenações de médio e pequeno porte” (DIAS, p.529). A construção contou com o apoio de diversas empresas, tanto do setor público como do privado, que realizaram doações de tintas, aparelhos de ar condicionado, sacos de cimento, as cadeiras da plateia, etc. O Teatro Ziembinski foi inaugurado em 06 de abril de 1988 e sua programação de estreia contou com três peças curtas encenadas pelo elenco fixo do teatro.
A ideia de um elenco fixo surgiu da concepção do teatro, que quanto mais uma equipe atua junta, maiores são suas probabilidades de sucesso. A proposta de Walmor era o ator ser sempre contratado por um ano, recebendo mensalmente para atuar e ensaiar, somente com textos de autores nacionais contemporâneos, possibilidade que havia conseguido graças ao apoio de várias empresas que investiram no projeto (DIAS, p.530)
Em 1994 o espaço passou a ser administrado pela Secretaria Municipal de Cultura. Foi criado o Teatro Aberto para a Infância, um núcleo que tinha como objetivo oferecer seminários sobre o teatro infantil, além da realização das atividades teatrais. Dessa maneira, o Teatro Ziembinski foi o primeiro da Rede de Teatros a ter uma programação especial para o público infanto-juvenil, sempre com o intuito de integrar a classe artística ao seu público, dos bairros vizinhos à Tijuca.
Atualmente o Teatro Ziembinski é um espaço de referência em representação artística para adultos e crianças da cidade, recebendo diversas modalidades das artes cênicas como teatro, música, dança, workshops e circo, tendo como foco principal uma relação estreita com o bairro e com o entorno, consolidando-se como um respeitado centro da dramaturgia contemporânea.
FONTES SOBRE O TEATRO MUNICIPAL ZIEMBINSKI

  • DIAS, José da Silva. Teatros do Rio: do século XVIII ao século XX. Rio de Janeiro: FUNARTE,2012, p. 527 – 530

  • Wikipédia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro-Ziembisnki

TEATRO MUNICIPAL IPANEMA
Localização: Rua Prudente de Moraes – Ipanema

CEP: 22420 – 080

Telefone: (21) 2267-3750 / 2215-0621

Lotação oficial: 290 lugares


O Teatro Ipanema começou a ser idealizado ainda no início da década de 1960. Rubens Corrêa desejava construir um teatro no terreno que abrigava o imóvel que lhe cabia como parte da herança de sua mãe, espaço onde anos antes, quando ainda fazia parte da companhia Tablado com seu amigo Ivan Albuquerque, tinha construído um barracão para os ensaios da trupe e para guardar os cenários.
O objetivo que almejavam era o de construir em teatro que abrigasse a sua própria companhia criada em 1959, porém, a procura por uma empresa que aceitasse executar o ambicioso projeto não foi fácil, uma vez que ele e seu sócio não possuíam dinheiro para colocar em prática um sonho antigo. Nesse sentido, a proposta que apresentavam consistia em ceder o terreno da casa de Rubens Corrêa e, em troca, no térreo do futuro prédio a ser construído e explorado pela construtora, seria feito um teatro pertencendo a Rubens e a Ivan. A construção do teatro ficou a cargo da empreiteira do Dr. Henrique Lovoie Jr. e ele foi inaugurado em 09 de outubro de 1968, com a encenação da peça O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov e direção de Ivan Albuquerque.
O local viveu seus tempos áureos nas décadas de 1970 e 1980 – sendo formador de uma exímia classe artística – e foi considerado um espaço de resistência, fazendo frente de oposição ao movimento que ocorria de alta rotatividade de companhias nas casas de espetáculos. O Ipanema possuía uma identidade própria, com apenas uma companhia, produzida por Rubens Côrrea e Ivan Albuquerque, especificidade essa que lhe atribuiu um grande destaque dentro da cena carioca da época.
Essa identidade também foi marcada pela formação do Ciclo Russo, constituindo uma resistência ideológica a ditadura e a repressão instauradas no país a partir de 1964 e exacerbadas depois do Ato Institucional nº5, em 1968, no qual as montagens cênicas obrigatoriamente passavam pela clivagem do censor. Buscando fugir da censura o espaço teve que se reinventar para que as encenações dos espetáculos não fossem vetadas e a casa fechada. Dessa forma o projeto Ciclo Russo foi posto de lado iniciando então uma nova fase do teatro que o tornaria um dos mais importantes da história do teatro brasileiro, imortalizado pelos espetáculos “O assalto” e “Hoje e dia de rock”
Rubens Côrrea faleceu em 1996 e depois disto Ivan Albuquerque, juntamente com Leyla Ribeiro passaram a administrar o tão idealizado teatro. Contudo, a casa já não mais vivia o seu esplendor, uma peça chave do espetáculo havia sido perdida. Ainda assim, em 1998 o espaço passou por uma reforma geral, comandada pelo arquiteto e cenógrafo José Dias, sendo essa uma tentativa de revigorar o espaço. A partir de 1998, depois do teatro ter sido reformado e rebatizado com o nome de Teatro Rubens Côrrea – homenagem que Ivan Albuquerque prestou ao seu amigo e falecido sócio – o local começou a receber com mais frequência espetáculos musicais, montando um círculo de música popular brasileira que também teve um destaque considerável na cena carioca. Além disso, ainda se afirmava como um espaço de fomento à cultura, muito embora não vivesse mais o esplendor dos anos 70 e 80, mais ainda assim alugava-se o espaço para espetáculos de qualidade. Em 2001, Ivan Albuquerque falece e com ele tem o fim da trajetória icônica do Ipanema.
A partir de então o Teatro passou a enfrentar uma situação conturbada que perdurou cerca de dez anos, até o momento em que a casa de espetáculo foi adquirida pela Prefeitura do Rio em 2012. O objetivo foi o de devolver para a sociedade e para a comunidade artística um local de possibilidades com montagens teatrais e shows.
O Ipanema foi adquirido pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 12 de janeiro de 2012 e logo depois o local foi submetido a uma vistoria rigorosa que constatou a necessidade de passar por reformas estruturais.
O Teatro Ipanema foi reaberto ao público no dia 25 de junho de 2012, sua reinauguração foi marcada por três noites seguidas de programação gratuita destinadas a rememorar a história do teatro e de seus fundadores, Rubens Corrêa e Ivan Albuquerque. Foram lidas cartas e histórias ligadas à vida de ambos, por atores já consagrados e que já participaram de montagens passadas por aquele palco. O Teatro Ipanema faz parte da história da vida cultural do Rio de Janeiro bem como parte segmentada da história das artes cênicas brasileira, merecendo lugar de destaque na memória cultural da cidade.
FONTE SOBRE O TEATRO MUNICIPAL IPANEMA

  • DIAS, José da Silva. Teatros do Rio: do século XVIII ao século XX. Rio de Janeiro: FUNARTE, 2012, p.464-473

  • FONTA, Sérgio. Rubens Côrrea: um salto para dentro da luz. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

  • Secretaria Municipal de Cultura – http://www.rio.rj.gov/web/smc/teatros


SALA MUNICIPAL BADEN POWELL
Localização: Av. Nossa Senhora de Copacabana, nº 360 – Copacabana | CEP: 22050 – 000

Telefone: (21) 2255 – 1366 / 22555 – 1067

Lotação oficial: 470 lugares

A Sala Baden Powell foi inaugurada em 2001 e integrada à Rede de Equipamentos Culturais da Secretaria Municipal de Cultura. Originalmente, o espaço foi projetado para abrigar exclusivamente espetáculos musicais. Entretanto sua função foi alargada e, atualmente, a casa recebe diferentes montagens como, peças teatrais, óperas, concertos e apresentações musicais.


Localizada na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, número 360, no coração do bairro, o espaço foi constituído nas bases do antigo Cine Ricamar, que faliu como muitos outros cinemas de rua após a ascendência dos shoppings centers. O espaço, respeitando a característica típica do bairro, busca desenvolver regularmente uma programação que contemple a terceira idade, em contrapartida, não deixa de montar espetáculos para todos os tipos de públicos.
Sua nomenclatura advém da homenagem feita ao famoso violinista brasileiro reconhecido mundialmente, Baden Powell de Aquino, falecido em 26 de setembro de 2000. Na ocasião da inauguração do espaço cultural a família do homenageado esteve presente retribuindo a lembrança e a memória constituída a cerca desse artista que merece destaque devido sua brilhante carreira. O espaço físico do equipamento é constituído por um teatro, um foyer com cafeteria onde também ocorrem atividades, uma sala de exposição, duas salas multiuso muito utilizadas para os ensaios dos músicos e dos atores.
A Sala Baden Powell tem como objetivo fomentar o cenário cultural da cidade do Rio de Janeiro, montando assim, espetáculos das mais diversas expressões artísticas.


TEATRO MUNICIPAL CAFÉ PEQUENO
Localização: Av. Ataulfo de Paiva, nº 269 – Leblon

CEP: 22440-030

Telefone: (21) 2294-4480

Lotação oficial: 97 lugares


O Teatro Municipal Café Pequeno deve sua origem ao autor, ator e diretor Aurimar Rocha, que inaugurou em setembro de 1968 o Teatro de Bolso do Leblon, dando continuidade ao trabalho que havia começado com o Teatro de Bolso de Ipanema. Localizado na Avenida Ataulfo de Paiva, o teatro foi inaugurado com a peça “Minha doce subversiva”, da autoria do próprio Aurimar. Ele falece em 1979, e em setembro de 1980 o teatro passa aos seus herdeiros. A partir de então passa a funcionar exclusivamente como teatro de bonecos por dois objetivos: o primeiro era atender a uma reivindicação de trabalhadores e artistas do gênero, que ansiavam por um espaço próprio; o segundo, e talvez mais importante, era evitar que o teatro fosse fechado em consequência das dificuldades apresentadas pela exploração normal.


No dia 03 de setembro de 1980 foi inaugurado o Teatro de Bolso Aurimar Rocha, com o espetáculo Festança, do grupo Mamulengo Só-Riso, de Olinda. Em julho de 1983, o Inacen – Instituto Nacional de Artes Cênicas – abriu concorrência para ocupação do Teatro de Bolso Aurimar Rocha. Dois anos depois, o espaço foi objeto de intensa disputa entre os herdeiros de Aurimar Rocha: as filhas de seu primeiro casamento com Marli Rotondoro, Vivien e Elizabeth, queriam que o contrato com o Inacen – que venceria em 1986 – fosse rescindido, contudo, a viúva Vera Brito não permitiu que isso acontecesse e o Inacen permaneceu como arrendatário.
Durante o período de arrendamento o Inecen tentou transformar o espaço numa sala especializada em teatro de bonecos, mas a ideia se provou ineficiente e as montagens que passaram pelo palco do Teatro atraíram muito pouco os espectadores. A partir de então o espaço seguiu sem muita expressividade na cena carioca até que em 09 de maio de 1995 a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro adquiriu a casa de espetáculos num leilão.
Depois da compra o teatro foi fechado para reformas e reinaugurado em 12 de julho de 1996 como Teatro Municipal Café-Pequeno. Foi entregue ao diretor Wolf Maia, que pretendia montar peças que mesclassem música e comédia. Atualmente o espaço se afirma na cena carioca como um local de fomento à cultura e incentivo a experimentações artísticas.
FONTES SOBRE O TEATRO MUNICIPAL CAFÉ PEQUENO:


  • DIAS, José da Silva. Teatros do Rio: do século XVIII ao século XX. Rio de Janeiro: FUNARTE, 2012, p.474-477

  • Secretaria Municipal de Cultura - http://www.rio.rj.gov.br/smc/teatros


ESPAÇO CULTURAL MUNICIPAL SÉRGIO PORTO
Localização: Rua Humaitá, nº 163 – Humaitá

CEP: 22261-000

Telefone: (21) 2535 – 3546 / 2535 – 3927

Lotação oficial: 130 lugares



O Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto está integrado à Rede Municipal de Teatros e o seu objetivo é divulgar e fomentar o que há de mais contemporâneo na cena cultural. O espaço funciona como um laboratório em que novos artistas de todas as áreas apresentam seus primeiros trabalhos, enquanto artistas conhecidos experimentam novas ideias.
Espetáculos de música, dança, artes plásticas, teatro e seminários têm lugar reservado no Sérgio Porto. Localizado na Rua Humaitá, nº 163, no local onde até a década de 1980 funcionava o antigo depósito da Secretaria Municipal de Educação e Cultura – o galpão era utilizado pelo Instituto de Nutrição Anne Dias para guardar os mantimentos da merenda escolar das escolas municipais.
Em setembro de 1983 o espaço foi cedido à extinta Fundação RioArte com o objetivo de criar um centro cultural que não reproduzisse as fórmulas pré- estabelecidas de eventos.
A grande proposta do projeto era transformar o velho galpão numa casa nem um pouco convencional, que funcionasse o dia inteiro e mantivesse atividades diárias. Dessa maneira, jovens artistas teriam a oportunidade de apresentar seus trabalhos e o público teria contato com as mais variadas formas de expressão artística.
O antigo galpão foi totalmente reformado e remodulado recebendo o nome do Espaço Cultural Sérgio Porto, em homenagem a Stanislaw Ponte Preta, tendo sido inaugurado em 21 de outubro de 1986.
Com o passar dos anos, e ainda no início da década de 1990, o Espaço Cultural Sérgio Porto se consagrou como importante ponto de encontro da Cidade do Rio de Janeiro, acolhendo os mais diferentes tipos de manifestações artísticas, como teatro, poesia, artes plásticas, arquitetura e design.
Os diferentes projetos que ali se realizavam permitiram o direcionamento das atividades no sentido de construir uma programação completamente diferente das outras casas de cultura. O espaço físico era fundamental para alcançar tal objetivo, por ser um ex-galpão o espaço possibilitava uma ocupação diferente e uma maior exploração do espaço cênico.
A década de 1990 marcou de forma significativa o Espaço Cultural Sérgio Porto: foi inaugurada a galeria Sérgio Porto, que trazia uma exposição diferente a cada mês, tanto de nomes consagrados como de jovens artistas que começavam a atuar no circuito das artes plásticas.
Foi criado também um espaço único no Rio de Janeiro, o Gabinete da Arquitetura, que tinha como principal objetivo promover a divulgação de projetos de arquitetura e design, aproximando mais o público desse tipo de expressão artística.
O Sérgio Porto se consagrou como um templo de experimentalismo, conseguindo resultados de grande repercussão, sendo um local onde os novos diretores tinham a possibilidade de se arriscar sem um compromisso fixado.
Em meados de 1998 o Centro Cultural fechou suas portas para uma reforma estrutural. O projeto englobava adequações para acessibilidade. Foi criada também uma galeria no primeiro pavimento destinada à administração do espaço. A fachada sofreu algumas modificações e o interior foi modificado totalmente, preservando-lhe os contornos.
Em 2003 foram comemorados os vinte anos do espaço, que já havia se consagrado na cena carioca como uma das mais notáveis incubadoras dos trabalhos de vanguarda, cumprindo assim o objetivo declarado por seus idealizadores, de que ele fosse um lugar para jovens talentos e palco da arte experimental, e permanecendo assim até os dias atuais.

TEATRO SERRADOR

Localização: Rua Senador Dantas, nº 13 – Centro

CEP: 20031-202

Lotação Oficial: 340 Lugares


O Teatro Serrador pertencia a família Serrador, que como não tinha maiores ligações com o meio teatral, resolveu vendê-lo à firma Gaumont, que pretendia transforma-lo em Laboratório farmacêutico. Segundo Nestor de Montemar, o proprietário dos jornais O Dia e Última Hora, Ari de Carvalho, quiseram Comprá-lo para nele instalar o estúdio de uma rádio. E uma outra firma pretendia usá-lo como cinema de filmes pornô.

Desde 4 de dezembro de 1939 era arrendatário do teatro Procópio Ferreira, sendo sua companhia que o inaugurou no dia 1 de março de 1940 com a peça Maria Cachucha, de Joracy Camargo. A peça em 3 atos, divididos em 6 quadros, tinha no elenco Procópio Ferreira, Hortência Santos, Juracy de Oliveira, Francisco Moreno, Flora May, Léa Sodré, José Policena, Luiz Cataldo e Sylvio da Silva.

Antes de iniciar a peça, Abadie Faria Rosa, então Diretor do Serviço Nacional de Teatro, dirigiu algumas palavras ao público para elogiar o novo empreendimento de Francisco Serrador.

Em ofício datado de 1 de março de 1940, endereçado ao então Diretor do Serviço Nacional de Teatro, Procópio Ferreira, colocava 0 teatro à disposição do SNT, Conforme cartaz:

Saudações.

Venho pela presente, em face do nosso entendimento verbal, reafirmar que, desta data em diante, o Teatro Serrador do qual sou arrendatário nos termos do Contrato de locação lavrado em notas do tabelião Álvaro Teixeira (livro 349, fls. 6) em 4 de dezembro de 1939, fica inteiramente à sua disposição, isto é, à desse Serviço, como de fato já está a partir desta data, mediante o pagamento mensal de Rs 25.000$000, (vinte e cinco contos de rs) pagável por mês vencido, comprometendo-se ainda a receber o aluguel até dez dias após o seu vencimento e mais o seguinte:

A ocupação do Teatro por parte do Serviço Nacional de Teatro deverá prolongar-se até 31 de dezembro de 1940;

As despesas de funcionamento de teatro (luz, força, telefone, mudança de lâmpadas, despesas com o pessoal como, bilheteiros, porteiros, indicadores, eletricistas, zeladores, serventes etc. e aluguel do porão e letreiro luminoso da fachada) correrão por Conta da Companhia que ocupar o teatro a mando do Serviço Nacional de Teatro que assumirá, inteiramente, todas as vantagens e todos os ônus decorrentes do contrato vigente entre mim e a Companhia Brasil Cinematográfica, e sob sua inteira responsabilidade, ficando eu responsável por esses pagamentos somente até 30 de setembro do Corrente ano.

Sem outro assunto, subscrevo-me atenciosamente.

Procópio Ferreira

O Anuário da Casa dos Artistas, de 1947, número que se refere à inauguração, comenta quanto ao nome que foi dado ao teatro:

...Francisco Serrador viria a criar em 1º de março de 1940 o teatro da Rua Senador Dantas, que recebeu o seu nome, contra a sua vontade, por sinal, tendo o saudoso empresário insistido, modestamente, em denominá-lo “Moda”.

Registra-se aqui um fato interessante:

O empresário Francisco Serrador, construtor e dono do teatro quis escolher o nome do teatro por votação pública de que participavam os espectadores do extinto Alhambra. Esses, fraudando a decisão dos votantes, deram-lhe o nome de “Moda”, colocando em segundo lugar “Serrador”, que era o primeiro colocado. O Letreiro luminoso Moda já estava preparado, quando um grupo de homens de teatro - Viriato Corrêa, Armando Gonzaga, Joracy Camargo, Eurico Silva, Rubem Gil e Raimundo Magalhães Júnior, invadiu o edifício, deitando abaixo a tabuleta e colocando, em seu lugar uma nutra provisória com o nome Serrador.

Quando da inauguração, em 1940, o jornal do Comércio, de 2 de março de 1940, questionava a acústica da Casa.

O teatro é na verdade elegante, airoso, deveras simpático. Precisa apenas, talvez, dalguns reparos no tocante à acústica. Quando os artistas baixavam a voz custava ouvi-los das primeiras mas filas. Só se, naquela sala, quanto mais para traz melhor.

A fachada do Serrador, pouco diferencia da sua original, podendo assim ser descrita: uma ampla porta de vidro com esquadrias de alumínio no andar térreo, ao lado de uma agência bancária, de um edifício de onze pavimentos, encimada pelo letreiro luminoso do teatro. Pertenceram ao teatro o 1º e 2º andares do edifício. A fachada desses dois pavimentos é enfeitada Com 8 colunas de tijolos vermelhos. Desses andares para cima a fachada possui balcões que se projetam para fora com 3 janelas ao centro e uma pequena varanda de cada lado, sendo esses ladeados por janelas.

Em 1961 passou por uma reforma em seu interior; desde então o teatro possuía quatro camarins individuais, dois toaletes masculino e feminino; poltronas estofadas, e sistema de refrigeração central, com capacidade para 368 espectadores. Nessa época era particular de propriedade da Empresa Santa Madalena Diversões S/A, de Antonio Serrador, Afonso Serrador e Marlene Serrador.

Um teatro acanhado, sem nenhuma expressão e que por não possuir um palco que desse as mínimas possibilidades de montagem, permaneceu ao longo do tempo pouco procurado por empresários e produtores, além de ter ganhado tradição como casa de comédias e shows.

Depois de permanecer fechado, durante três anos e meio, e quase ser transformado em laboratório Farmacêutico, cinema de filmes pornográficos e estúdio de rádio, o Teatro Serrador foi reaberto em 1984, adquirido pela atriz e empresária Brigite Blair, a um grupo de franceses, depois de negociações que vinham desde 1981. A última parcela da transação deve ter sido paga em 1985. Em l965, Brigitte Blair fez sua primeira produção no Serrador, com Cala a boca, Etelvina, uma burleta de Armando Gonzaga. Vinte anos depois, voltava à casa planejando uma programação intensa c variada. A intenção de Brigite Blair era transformar aquela Casa, apresentando peças infantis e shows de música popular semelhantes à programação do seis e meia, que aconteciam no Teatro João Caetano.

Em 21 de novembro de 1984, uma vez que havia fracassado o projeto de levar Roberta Close para uma revista, é reinaugurado com a comedia Tá boa santa?, de Fernando Melo, com direção de Fabio Sabag, com o nome Teatro Brigitte Blair II, tendo no elenco Nestor de Montemar, Norma Sueli e Paulo Celestino Filho.

O teatro recebeu uma pintura geral, recuperação dos Camarins, parte elétrica, forração das poltronas, construção de uma Cabine de iluminação e som. Outros reparos, no entanto só ficaram prontos depois da estreia, como troca dos tapetes, letreiro da fachada e o Conserto das infiltrações no teto, que muito danificaram o prédio. O teatro foi fechado cm 1997 por falta de público, diz a proprietária ao jornal do Brasil, de 18 de outubro de 1998.

Em julho de 1999, após reforma, o teatro Brigitte Blair II reabre com o nome de Teatro Serrador.

Palco de estreias de Nelson Rodrigues, Procópio Ferreira e da residência de 20 anos da companhia de Eva Todor, o teatro esteve fechado por quase uma década

No dia 5 de março de 2012 foi reinaugurado pela Alfândega 88, companhia liderada por Moacir Chaves, numa iniciativa patrocinada pela Prefeitura do Rio/ Secretaria Municipal de Cultura através do FATE 2011 (Fundo de Apoio ao Teatro), que contemplou o projeto de manutenção da Companhia. O Tradicional espaço cultural, situado na Rua Senador Dantas, 13, no Centro Histórico do Rio de Janeiro, o teatro esteve fechado durante três anos e com esta iniciativa, abrigou uma intensa programação anual de atividades artísticas, beneficiando um grande contingente de pessoas. O público pôde desfrutar, gratuitamente, de oficinas (de interpretação, expressão corporal, dramaturgia, iluminação), leituras encenadas abertas ao debate, além de peças de teatro a preços populares. Contemplados novamente pelo FATE 2012 a companhia deu continuidade ao seu trabalho encerrando suas atividades no final de 2013. Desde então o teatro manteve suas portas fechadas até a presente data.
II - JUSTIFICATIVA

O modelo de Residência Artística é atualmente considerado exitoso para atender as características de apoio e incentivo ao desenvolvimento das artes, e, a partir dos anos 80, consolidou-se em várias cidades da Europa, Estados Unidos, Canadá e Japão. A Residência Artística hoje abriga uma visão contemporânea de política, que tem como objetivo principal servir para que os artistas e empresas de produção possam desenvolver projetos e aprimorar a experiência de desenvolvimento e gestão cultural.

A Secretaria Municipal de Cultura, com o objetivo de fomentar e fortalecer a produção artística e cultural na Cidade do Rio de Janeiro adota o modelo de Residência Artística na Rede Municipal de Teatros. Para a Secretaria Municipal de Cultura este modelo refere-se a uma política contínua.

O modelo em questão visa à democratização do acesso à população às linguagens artísticas por meio da programação nos equipamentos culturais, contemplando artes integradas e atividades de música, dança, teatro, artes visuais, literatura, gastronomia, seminários, oficinas e afins.



III – OBJETO
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