Secundum verbum tuum



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SECUNDUM VERBUM TUUM

III Capítulo internacional das Esteiras dos Frades jovens

Terra Santa, 1-8 de julho de 2007
Mensagem aos Ministros, Custódios e a todos os Frades

No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem, prometida em casamento a um homem de nome José, da casa de Davi. O nome da virgem era Maria. Entrando onde elas estava, o anjo lhe disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1,26-28).

O altíssimo, onipotente e bom Senhor nos chamou pelo nome e nos reuniu como Fraternidade internacional na Terra Santa – de Nazaré a Belém –, para conduzir-nos às fontes de nossa vocação e missão, nos passos do Senhor Jesus, que reconhecemos Crucificado e Ressurgido em Jerusalém. De todas as Entidades da Ordem, éramos duzentos que, em companhia do Ministro geral e do Definitório, ouvimos juntos a Palavra de Deus, olhando para Santa Maria de Nazaré, celebramos a Eucaristia e partilhamos nossa esperança no itinerário próprio da graça das origens. E a palavra de Deus nos tornou um pouco mais dispostos a acolher-nos mutuamente nesses dias e a dialogar de maneira franca e serena. Ampliou também nosso olhar sobre nós mesmos, sobre o mundo e a Igreja e sobre os irmãos, educando-nos para um positivo olhar de fé sobre a realidade e o trabalho realizado nesse tempo único da história.

Expressamos nossa gratidão a nossos Ministros e Custódios e aos Irmãos das diversas Entidades por nos terem enviado como seus delegados a este III Capítulo das Esteiras de Frades jovens.

Ao ouvir as palavras, ela se perturbou e refletia no que poderia significar a saudação. Mas o anjo lhe falou: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus... Maria perguntou ao anjo: Como acontecerá isso, pois não conheço homem?” (Lc 1,29-34)

A escuta da Palavra, porém, não é indolor. Ela nos provocou e ajudou-nos a reconhecer o positivo que está presente entre nós: muitos reconheceram que nossas Fraternidades são um lugar no qual é possível viver o Evangelho. Apareceu entre nós a esperança viva, a beleza de nossa vocação e a alegria de vivê-la, retornando ao primeiro amor que nos conquistou. Reconhecemo-nos amados pelo Senhor e, seguindo seus passos nesta Terra bendita, renovamos nosso “sim”. Realmente, temos consciência de que só podemos “repartir de Cristo”.

Ao mesmo tempo, a Palavra de Deus pôs às claras as nossas fraquezas. A nós, jovens Frades menores, foram confiadas as mais variadas atividades. Com freqüência, nos vemos diante das dificuldades de nossa opção de vida e nem sempre nos sentimos sustentados em nossa vocação. Constatamos a existência de algumas barreiras no diálogo em Fraternidade. Com freqüência, temos de haver-nos com a solidão e a frustração e sentimos a dificuldade de ter de manter vivas as estruturas herdadas por nossa tradição, que tornam cansativa a caminhada e, não raramente, tornam-se um contratestemunho.



Em resposta, o anjo lhe disse: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra; por isso, o santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho em sua velhice e este é o sexto mês daquela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível” (Lc 1.35-37).

Partilhamos nossas esperanças e preocupações com o Ministro geral e o Definitório, iluminados também pela graça dos lugares santos que nos receberam durante o Capítulo. Queremos manifestar a necessidade de a Fraternidade ter um diálogo mais profundo e menos “institucional”; com confiança, insistimos em pedir aos irmãos a oportunidade de um efetivo acompanhamento espiritual, também depois da formação inicial. A comunicação entre nós, nos diversos níveis, é muito importante, inclusive para cultivar relações fraternas sadias e profundas. Esse salto de qualidade de nossas relações só pode ser vivido no quotidiano e exige fidelidade e disciplina.

Manifestamos a urgência de abrir-nos sempre mais a formas de colaboração, entre Províncias e Conferências e com outros sujeitos eclesiais, de cuidar mais do relacionamento com o território (aculturação) e de evitar a dispersão que provém da falta de projetos a longo prazo. Reafirmamos também a presença dos pequenos e dos pobres como “nossos mestres” (cf. CCGG 93,1), como critério irrenunciável para viver na transparência e na credibilidade evangélica.

Nesse sentido, refletimos também sobre a importância de determinar com mais decisão o lugar da “graça do trabalho” (RB 5,1) em nossa vida pessoal e fraterna. E assim, chegamos a perguntar-nos novamente o que significa para nós hoje viver sine proprio, como menores e como peregrinos estrangeiros, por meio de uma itinerância que, antes de mais nada, é a docilidade de continuar a caminho e na busca. É essa atitude do coração que nos permite ler e interpretar os sinais dos tempos, andando no mundo “como se estivéssemos vendo o invisível” (Hb 11,27): por isso, parece-nos urgente unir a leitura orante da Palavra com a lectio mundi, isto é, a capacidade de ler a realidade concreta da pessoa humana e da criação e de sua aspiração à paz e à reconciliação. É assim que podemos responder ao nosso chamado para a evangelização e para missão ad gentes, para encher a terra com o Evangelho de Cristo. Confirmamos também a necessidade de uma sólida e vital formação intelectual para ler a realidade de nossas culturas, para aprofundar a Escritura e anunciar o Evangelho.

Na escuta e no diálogo, conscientizamo-nos mais de que esses objetivos não serão atingidos sem a decisão pessoal de dar passos concretos de conversão, quanto ao uso de nosso tempo, sobretudo do tempo dedicado ao encontro com o Senhor, que nos pede para crescermos na capacidade de fazer silêncio em nós e ao nosso redor, e também quanto às energias a serem gastas por nossos irmãos e pelo múltiplo serviço ao Reino de Deus.

Então Maria disse: “Eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra!” E o anjo se afastou dela (Lc 1,38).

Diante das dificuldades de nossa vida, poderemos ser tentados a desanimar como os discípulos de Emaús, fechando-nos em estéreis críticas ao “sistema”. Fazemos nosso o propósito de invocar a lucidez e a coragem de ouvir a Palavra de Deus e de assumir algumas decisões concretas e significativas, em vista de uma vida menos distraída e mais concentrada sobre o essencial. A “metodologia de Emaús” será para nós uma grande ajuda para passarmos “do Evangelho para a vida e da vida para o Evangelho” (RegOFS, 2,5).

Agradecemos ao Custódio da Terra Santa e a todos os Frades que, mediante uma acolhida realmente extraordinária, fizeram que nos sentíssemos em casa. Pudemos sentir melhor e, em muitos casos, descobrir essa presença tão antiga, importante e preciosa da Ordem.

Maria ficou com Isabel uns três meses e voltou para casa (Lc 1,56).

Regressamos aos nossos países e Fraternidades confirmados na fé e na esperança: cremos que nossa forma de vida seja realizável, com a ajuda de nossos irmãos maiores, muito mais numerosos do que nós. Sem eles, sem todos vocês, não poderemos viver plenamente nossa vida de Frades menores nesse tempo e em nossas culturas.



Propostas

  • Continuar a desenvolver o sentido de pertença a uma Fraternidade internacional, chamada também a se tornar sempre mais intercultural. Para isso, favoreça-se ao máximo o estudo das línguas, a participação nos encontros internacionais, as experiências de colaboração com outras Entidades e maior abertura aos projetos missionários da Ordem.

  • Estimular encontros periódicos dos Frades Under 10 em nível de Conferências, para partilhar a paixão pelo Reino e para visualizar e preparar nossa caminhada para o futuro.

  • Deseja-se que cada Entidade permita e fomente o nascimento de uma Fraternidade-contemplativa-em-missão, aberta à interprovincialidade e internacionalidade, que tenha como critério fundamental um projeto de vida fraterna comum, construído durante a caminhada.

  • Deseja-se que nas Entidades ou nas Conferências se constituam Fraternidades que vivam de modo mais intenso o primado da escuta da palavra de Deus, nas quais também outros frades possam encontrar uma ajuda periódica para revigorar essa dimensão de nossa vida.

  • À luz da conversão ao Evangelho, fomentar com audácia formas de partilha e de presença ativa em meio aos pobres de hoje, para que a vida de muitos seja justa, digna da pessoa humana e fraterna. Por isso, é urgente retomar o discurso sobre nossa minoridade e pobreza.

Os Frades do 3º Capítulo das Esteiras

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