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SEE-SP / CENP

TECENDO LEITURAS


PNLD 2005 – MÓDULO: CLÁSSICOS – 5a / 6a
O cão dos Baskerville”

Sir Arthur Conan Doyle

Companhia das Letrinhas

SEQÜÊNCIA DIDÁTICA

Alfredina Nery e Maria José Nóbrega



ANTES DA LEITURA



1- Inicie o trabalho, conversando com os alunos sobre o gênero textual. Quem não goste de uma boa história? E se ela for de mistério, com uma trama policial? Gostam de histórias de detetive? Provavelmente, os alunos já conhecem o instigante Sherlock que acabou virando sinônimo de detetive:

  • “Elementar, meu caro Watson” é a famosa frase atribuída a Sherlock para demonstrar seu raciocínio. Muitas vezes, usamos a frase quando queremos afirmar uma dedução lógica a respeito de algo, pois esta forma de raciocínio era a grande marca de Sherlock Holmes;

  • O detetive exerceu tanto fascínio sobre certas pessoas que há quem escreva para ele no endereço fictício que ficou famoso também: Baker Street, 221-B, Londres, Inglaterra. Atualmente, o local abriga o museu do ilustre detetive que atrai visitantes de todos os lugares do mundo;

  • Sherlock Holmes é um caso único na literatura, pois se conhece mais o personagem que seu autor. Pouca gente se recorda do nome de Arthur Conan Doyle como o criador do detetive.


2- Faça também uma boa discussão sobre as histórias policiais e de mistério narradas em várias linguagens e mídias. Que outros detetives conhecem? E filmes policiais? Já leram Agatha Christie? Leram algo de Edgar Allan Poe? Assistiram a algum episódio da série de TV “Arquivo X”?
3- Para trabalhar com o título da obra, comece instigando os alunos a respeito da relação do homem com os cães. “O cão dos Barkerville” é um romance policial. Que função o cão pode ter? Qual pode ser sua importância para a trama? O que eles imaginam que vai acontecer? Registre as contribuições. Leia o texto escrito na contracapa do livro, como forma de discutir as hipóteses dos alunos.
4- Mostre, em seguida, a sugestiva ilustração da capa do livro, conversando sobre as três principais imagens: um homem deitado, com um olhar apavorado (um Baskerville), um homem com trajes tradicionais ingleses (Sherlock Holmes) e a sombra de um enorme cão que cobre ambos os homens ( o cão que assombra a família Baskerville).
5- O projeto gráfico do livro é uma espécie de hipertexto. Folheie o livro e mostre aos alunos que há muitas ilustrações e vários box com pequenos textos escritos relativos ao personagem Sherlock Holmes e ao contexto histórico da Inglaterra e das histórias de mistério.
6- Discuta ainda com os alunos que vão ler uma adaptação do livro “O cão dos Baskerville”. Enfatize que a boa adaptação é um caminho de leitura que tem a função de “traduzir” o texto integral, mas que nada substitui a obra, cuja leitura é fundamental.

DURANTE A LEITURA

Peça aos alunos que leiam o livro, anotando algumas pistas do narrador a respeito do crime a ser desvendado.


OBS.: Sugira aos estudantes que se concentrem na história e que leiam apenas os box que considerarem importantes para sua leitura, de forma a não comprometer a fluência da leitura.

DEPOIS DA LEITURA



1- Solicite que os alunos retomem trechos da história, para analisar alguns elementos presentes no livro e que são característicos da narrativa policial.
O enredo e seu desenvolvimento:


  • Apresentação de Sherlock Holmes e seu inseparável companheiro, Watson, por meio do episódio de uma bengala esquecida no apartamento de Sherlock, na Baker Street. O diálogo de ambos é um perfeito exemplo do raciocínio dedutivo que vigora nas narrativas de enigma, em geral.




  • Apresentação, pelo Dr.Mortimer (dono da bengala esquecida), do contexto do crime: um que já ocorreu e outro que precisa ser evitado.




  • O início da investigação em Londres mesmo, com dois mistérios: um homem desconhecido segue Sir Henry Baskerville, e o sumiço de suas botas, no hotel.




  • A ida de Watson ( e não de Sherlock Holmes) à mansão dos Baskerville, numa cidade distante de Londres, para a investigação.




  • Os possíveis suspeitos da morte de Sir Charles Baskerville:

-Barrymore, o mordomo;

-Stapletond, Selden e Frankland, os vizinhos da mansão;

-Laura Lyons, a mulher que escreveu um bilhete para Sir Charles, na noite de sua morte;

-E até mesmo o próprio Dr.Mortimer.




  • Os relatórios de Watson para Sherlock Holmes ajudam também a marcar o tempo da história e o desenrolar das investigações. Neles, Watson registra que levanta hipóteses sobre o crime, analisa pistas, observa suspeitos, entrevista as pessoas enredadas no crime.




  • A maneira instigante através da qual Sherlock Holmes resolve participar das investigações.



  • O suspense em torno da morte do fugitivo da prisão, confundido com Sir Henry Baskerville. Por meio da dedução, do raciocínio, o detetive começa a descobrir a causa do crime e o criminoso.




  • O criminoso é descoberto e o mistério revelado. Fica claro o motivo que levou o criminoso a praticar o crime.

Discuta com os alunos as várias pistas que vão sendo deixadas, pelo narrador, ao longo da história; sendo algumas falsas, como a atitude suspeita do mordomo e sua mulher, na mansão; a caracterização física do mordomo parecida com o homem que perseguiu Sir Charles, em Londres, etc.


O narrador. por quais razões é Watson e não Sherlock Holmes o narrador-personagem? Esta escolha permite a nós, leitores, que acompanhemos os acontecimentos pela ótica de Watson e, assim não temos as informações que Sherlock já vinha organizando ao longo das investigações as quais desconhecíamos.
O motivo do crime: uma disputa por herança, no caso de “O cão dos Baskerville”. É muito comum haver, nas histórias policiais, um motivo para o criminoso agir: disputa por poder, impedir revelação de crime já praticado, chantagem, vingança, ciúme, impedir revelações importantes, etc.
Os personagens são detetives, vítimas, suspeitos e um criminoso.

- Levante com os alunos as características de Sherlock que o fazem ser um bom investigador e o mais famoso detetive de todos os tempos. Atentar, inclusive, para seu “jeito de pensar” diante de um caso difícil: fumando muito, em silêncio, com a casa toda fechada.

- Levante também as características do doutor Watson, em especial sua amizade com Sherlock.
O tempo tem uma marcação precisa, o que é importante para a revelação dos fatos, num romance policial Alguns exemplos: “Mr. Sherlock Holmes...estava tomando seu café da manhã”. “ No dia marcado”, “Dentro de quinze minutos, a trilha estava envolta em neblina” e ainda as datas dos relatórios de Watson para Holmes.
O espaço ajuda a criar um clima de suspense. As descrições dos lugares, das construções e da paisagem no pântano auxiliam na elaboração do mistério. Reler especialmente trechos descritivos dos capítulos “A mansão dos Baskerville”, “Morte na charneca” e “O cão dos Barkerville”.
2- Analise com os alunos o início do capítulo 1 em que há o episódio da bengala, como demonstração do raciocínio dedutivo de Sherlock Holmes. Na época de Doyle, século XIX, o positivismo vigorava como uma forma de pensar, que tem na dedução sua expressão máxima, ou seja, com base em uma premissa deve-se chegar a uma conclusão, em decorrência da aplicação correta de regras lógicas. E mais: se as leis da natureza são também as leis da mente humana, é possível determinar e prever comportamentos humanos, o que ajuda muito na resolução de casos enigmáticos das histórias policiais.
3- No capítulo 2, Sherlock interroga o Dr. Mortimer sobre as pegadas de um cão gigantesco que ele viu após a morte de Sir Charles Baskerville. É um bom exemplo de interrogatório — diálogo específico cuja função é esclarecer melhor os fatos de um crime a ser desvendado. Releia com os alunos o trecho e peça que criem outras perguntas que poderiam ajudar na investigação. Ou ainda: escolham alguns episódios da história para elaborarem inquéritos que pudessem ter auxiliado Sherlock e Watson na investigação de “O cão dos Baskerville”.
4 - No início do capítulo 2, o Dr. Mortimer, na tentativa de explicar o caso da morte de Sir Charles Baskerville, mostra a Holmes e Watson um manuscrito em que há a “lenda do cão” que amaldiçoa a família. Releia com os alunos o trecho e discuta a importância dele para o enredo, uma vez que, em “O cão dos Baskerville”, o pensamento dedutivo característico de Sherlock Holmes estava sempre sendo confrontado com a história sobrenatural do cão, o que, ao mesmo tempo em que contrariava a lógica do investigador, potencializava a expectativa do leitor: será Holmes capaz de resolver um caso assim?
5- Leia em voz alta e discuta o último capítulo “Retrospecto que é uma espécie de resumo de toda a trama, por meio do qual Sherlock Holmes tem um olhar à distância sobre o fato investigado e onde tudo se encaixa logicamente, na perspectiva das investigações realizadas. É o afastamento necessário para o detetive construir sua visão global do caso.
6- Discuta com os alunos como Conan Doyle tem um diferenciador no uso do discurso direto na narrativa. Com ele, os diálogos dos personagens são “propulsores” das ações, fazendo o enredo avançar, em especial quando explicita as diferenças entre Sherlock e Watson em que o primeiro é arguto e o segundo, crédulo. E assim, as conversas entre ambos também auxiliam na construção de pistas, apontam contradições, confirmam hipóteses, etc. Ana Maria Machado (2002: 97), citando um estudo sobre Doyle, esclarece que ele resolve “uma permanente tensão do romance, que é a incompatibilidade natural entre o diálogo e a narrativa, o conflito entre o que o autor quer e que o leitor quer”.

Sugestões de leitura sobre o gênero textual
BARBOSA, Jaqueline Peixoto (2001). Trabalhando com os gêneros do discurso: narrar: narrativa de enigma. São Paulo: FTD.

MACHADO, Ana Maria Machado (2002). Como e porque ler os clássicos universais desde cedo. Rio de Janeiro: Objetiva.

REIMÃO, Sandra Lúcia. O que é romance policial. São Paulo, Brasiliense.
Sugestões de romances policiais brasileiros
BELLOTTO, Tony (1995). Bellini e a esfinge. São Paulo: Companhia das Letras.

FONSECA, Rubem (1989). O cobrador. 3. ed. São Paulo: Companhia das Letras.

GALVÃO, Patrícia (1998). Safra macabra. Rio de Janeiro: José Olympio.

GARCIA-ROZA, Luis Alfredo (1996). O silêncio da chuva. São Paulo: Companhia das Letras.

MELO, Patrícia (1995). O matador. São Paulo: Companhia das Letras.

SOARES, Jô (1995). O Xangô de Baker Street. São Paulo: Companhia das Letras.


Site:

http://www.Sherlock Holmes Brasil


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