Segue abaixo um breve histórico sobre o escritor



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Segue abaixo um breve histórico sobre o escritor:

NESTOR VÍTOR dos Santos nasceu em Paranaguá, Estado do Paraná, no dia 12 de abril de 1868. Filho de Joaquim Moreira dos Santos e Maria Francisca Mendonça dos Santos. Fez as primeiras letras na sua cidade natal. Em 1882 escreve os seus primeiros versos. Em 1885 vai para Curitiba e matricula-se no Instituto Paranaense, mais tarde Ginásio Paranaense e presentemente Colégio Estadual do Paraná. O professor Cleto era abolicionista, o que teria influído sobre a formação idealista do seu antigo aluno. Já em 1887, Nestor Vítor participa da fundação, em Paranaguá, a 21 de agosto, do Clube Republicano, de que foi o primeiro secretário. O seu maior amigo paranaguense foi, porém, João Régis Pereira da Costa. Em 1888, em Curitiba, foi eleito Secretário da Confederação Abolicionista do Paraná, tomando parte ativa nas manifestações dos movimentos abolicionista e republicano, inclusive como orador em praça pública.. Partiu para o Rio de Janeiro ainda nesse 1888, freqüentando aqui o Externato João de Deus, a fim de preparar-se para o Curso Anexo da Escola Politécnica. Escreve a mais antiga de suas produções poéticas recolhidas em livro: o soneto A Benção. Em 1889 conheceu Cruz e Sousa, rápidamente, no Café de Londres, apresentado por Oscar Rosas. Nesse mesmo ano, foi convidado para oficial-de-gabinete pelo Governador do Estado, Américo Lobo Leite Pereira, ao que não anuiu por divergências políticas, indo dirigir o Diário do Paraná, oposicionista. Esteve em Florianópolis, então Desterro, onde tornou a encontrar-se com Cruz e Sousa, na redação da Tribuna Popular (novembro).

Em 1891 fixou-se no Rio de Janeiro. Escreve os seus dois sonetos mais conhecidos: As ldiotas e Morte Póstuma. Em 17 de fevereiro de 1892, casa-se com Catarina Alzira Coruja, de quem teve 8 filhos. Colaborava em jornais e revistas do Rio e do Paraná quando se desencadeou o chamado Encilhamento, verdadeiro maremoto financeiro. Exercia as funções de Secretário da Companhia Metropolitana do Paraná, a convite de Fanor Cumplido. Nasce sua filha mais velha, Aidê (24 de dezembro). Deflagrada a Revolta da Armada, em 1893, pronunciou-se a favor de Floriano Peixoto, pela imprensa. Começo, então, de sua intimidade com Cruz e Sousa, mais velho 6 anos e 5 meses do que ele.

Passou a colaborar em O País, convidado pelo seu diretor, Quintino Bocaiúva. Com José Veríssimo, que dirigia o Externato, entabulou relações cordiais, e um tanto extraliterárias devido à radical prevenção do eminente crítico relativamente ao movimento que a Nestor Vítor empolgara. Residia em casa oficial, ao lado do Ginásio. Falece sua mãe, em Paranaguá, para onde Nestor Vítor viaja. Exerce forte influência literária, no Internato, sobre alguns poetas juvenis, como Castro Meneses e Cassiano Tavares Bastos, que então, respetivamente com dezessete e dezesseis anos de idade, publicaram os livros simbolistas Mitos e Ermida. Apesar de ter assumido postura florianista durante a Revolução, foi defensor convicto do governo civilista de Prudente de Morais. Em 1896, escreve o ensaio Cruz e Sousa, que esteve longamente em mãos do Poeta Negro, porém só publicado em 1898, depois da morte do poeta. Em 1897 publica Signos (contos) e uma novela, Sapo, tendo Cruz e Sousa publicado longo estudo, paráfrase poética obre esse livro. Com Frota Pessoa, dá assistência comovida, em seus últimos dias e em seu leito de morte, ao romancista Adolfo Caminha, que fora o primeiro crítico compreensivo, em livro, da poesia de Cruz e Sousa. Chega ao Rio, para fixar-se, o seu amigo Rocha Pombo, ilustre historiador seu coestaduano, que seria, com No Hospício, um dos maiores romancistas do Simbolismo no Brasil.

Em 1898 morre Cruz e Sousa (19 de março). Esse acontecimento marcou para sempre a vida de Nestor Vítor. Escreveu febrilmente o poemeto A Cruz e Sousa, lamento de dinâmica e acentos, - por exceção em sua obra, - manifestamente cruz-e-sousiano. A seguir, num pujante ímpeto realizador, escreveu o seu primeiro grande ensaio sobre autor estrangeiro: Os Desplantados, de Maurice Barres, e o seu primeiro estudo sobre Raul Pompéia. Em 1899, enceta correspondência com Maurice Maeterlinck. Enviou-lhe Cruz e Sousa, solicitando-lhe licença para traduzir La Sagesse et la Destinée. Surpreendentemente, o autor de Pelléas et Mélisande, concedida a licença pedida... propôs-se a apresentar ao mundo de língua francesa o nosso Cisne Negro, caso lhe fosse enviada tradução de suas obras, - a qual, por incrível desdita, João ltiberê da Cunha, antigo colega de Maeterlinck, não chegou a efetuar. Nesse ano escreve os ensaios sobre o Cyrano de Bergerac, sobre Novalis e sobre Balzac, e o vivaz e realmente importante estudo Os Novos. Aparece em edição póstuma Evocações, de Cruz e Sousa. O seu grupo compunha-se, nessa época, de Gustavo Santiago, Oliveira Gomes, Tibúrcio de Freitas, Rocha Pombo, Maurício Jubim, Artur de Miranda e o jovem poeta paranaense Silveira Neto, para cujo livro de estréia, - um dos mais significativos do movimento simbolista brasileiro, - escreveu a Introdução, sob o título Elogio do "Luar de Inverno". Vem escrevendo, desde 1898, os aforismas, pensamentos breves e concisos ensaios que viriam a constituir, - continuados, como foram, durante muitos anos, - o livro Folhas Que Ficam/Emoções e Pensamentos, seu verdadeiro Diário intelectual e, como indica o título, muito mais do que uma simples "marginália". Em 1900 sai o romance Amigos, - de publicação custeada pelo seu irmão único, e mais velho, Francisco Norberto, a respeito dos quais Sílvio Romero declara: "...acerca de letras estrangeiras não possuímos nada superior nem que se compare, ao que escreveu de Ibsen, de Maurice Barrès, de Edmond Rostand, especialmente de Maurice Maeterlinck. Bastaram estes quatro largos estudos para ser colocado na primeira Plana dos nossos críticos."). Ainda em 1900, publica Faróis, de Cruz e Sousa. Em 1901, publica, como vimos, A Hora, ed. Garnier, e escreve o mencionado ensaio sobre Maeterlinck, que lhe escreveu a esse respeito: Demite-se do Ginásio Nacional.

Ainda sensibilizado pela morte de Cruz e Sousa, desempregado, sentindo-se isolado entre os grupos simbolistas que aquela morte deixara sem o seu fulcro catalisador, resolve partir para a Europa, no que foi auxiliado financeiramente pelo seu irmão Francisco Norberto. Em Paris, incumbido pelo Barão do Rio Branco, seu amigo, foi professor dos seus filhos Paulo e Raul. Foi-lhe também conferida modesta colocação no Consulado do Brasil. Escrevia correspondências para o Correio Paulistano e O País, muito mal retribuídas. Realizou algumas traduções e revisões para a Editora Garnier. Em outubro desse ano (1902) aparece o seu único livro de poesia, Transfigurações (Ed. Garnier), que foi louvado por José Veríssimo. Escreveu sobre Canaã, que Graça Aranha ali lhe ofertou, e ainda sobre Bilac, e Garção. Em Paris, além de Maeterlinck, a quem foi levar o primeiro exemplar de sua tradução de A Sabedoria e o Destino, relacionou-se com Maurice Barrès; com o Conde Prozor, tradutor célebre de Ibsen, e que fora Ministro da Naruega no Brasil; Saint-Georges de Bouhélier; o Pintor Carrière, sobre quem escreveu, em 1904, um ensaio; a mulher de Maeterlinck, Georgette Leblanc, e seu irmão Maurice, criador de Arsène Lupin, e outros. Escreve o poema O Construtor. Escreve sobre a Exposição retrospectiva de Whistler. Em 1905 publica, edição Aillaud, os Últimos Sonetos, de Cruz e Sousa, volume por Nestor Vitor organizado com dispersos e inéditos do poeta.

Retorna ao Rio no fim do ano, quando escreve o ensaio sobre Alberto de Oliveira. As páginas do seu Diário, que então redige, intitulam-se significativamente A Exasperação da Volta. Assume, em 1906, a seção de crítica literária da revista Os Anais, de Domingos Olímpio, o autor de Luzia Homem, sob o pseudônimo Nunes Vidal.

Lecionou na Escola Normal e no Colégio Pedro II. Em 1908, representa o Paraná na convenção nacional que indicou Rui Barbosa para candidato, da oposição, à Presidência da República.

1911 publica Paris. Contemporâneo seu, Sílvio Romero opinou que nesse livro: "Tudo é flagrantemente exato, finamente sentido e corretamente exposto. Nestor Vítor, em seu novo livro, revelou-se, no gênero, o mais complexo dos escritores brasileiros..". João Ribeiro escreveu: "O seu livro de viagem - Paris - é um modelo na espécie e não conheço na literatura contemporânea da nossa língua obra que o iguale e muito menos que se lhe avantaje... Paris é certamente a obra mais considerável que temos, e nos espanta que não esteja vertida no idioma em que seria mais conhecida e familiar." (O Imparcial, 14.4.1919). E, muitos anos mais tarde, escreveu Brito Broca: "Livro único em nossas letras, constituindo verdadeira exegese de uma cidade e de um povo." (A Vida Literária no Brasil -1900, Rio, 1956). Nesse 1911, escreve o seu perfil de Emiliano Perneta, que acabara de publicar o livro de decisiva importância no movimento simbolista, Ilusão. Em 1913 publica A Terra do Futuro/ (Impressões do Paraná). Sai a 2ª edição de Paris.

A ocorrência da Primeira Guerra Mundial, em 1914, levou-o a promover, com José Veríssimo e outros companheiros, a Liga Brasileira pelos Aliados, que teve relevante atuação. Foi seu Presidente, Rui Barbosa; Vice-Presidente, José Veríssimo; Nestor Vítor exerceu dinamicamente as funções de Secretário. Ressuscitada a obra do moralista brasileiro Matias Aires da Silva de Eça pelo filólogo Solidônio Leite (Clássicos Esquecidos), Nestor Vítor escreveu o primeiro e amplo estudo que focalizou as Reflexões sobre a Vaidade dos Homens. Em 1915 publica a conferência O Elogio da Criança, e outra em que estuda Três Romancistas do Norte (Xavier Marques, Rodolfo Teófilo e Pápi Júnior). Faz o penegírico de José Veríssimo, por ocasião dos seus funerais (fevereiro de 1916). Estudo sobre Ruben Dario. Em 1917 publica o ensaio Farias Brito, homenagem ao filósofo recém-falecido. É eleito Deputado ao Congresso Legislativo do Paraná. Condecorado com a Ordem de Leopoldo da Bélgica, e feito, pelo Rei-Herói Alberto, Oficial da Ordem da Coroa. Escreve sobre Visões, Cenas e Perfis, de Adelino Magalhães. Leciona francês na Escola Superior de Comércio, de que viria a ser Vice-Diretor.

Ainda em 1919, publica A Crítica de Ontem. Teve o seu mandato de deputado estadual renovado. Em 1920, setembro, publica Folhas que ficam. 1921: realiza confeência sobre A Viagem, em reunião na residência da declamadora Ângela Vargas (Barbosa Viana).

É feito sócio-correspondente da Sociedade de Estudos Pedagógicos de Lisboa. Publica O Elogio do Amigo, edição Monteiro Lobato, S. Paulo; e, no Jornal do Comércio, artigo sobre a morte, recentemente ocorrida, de Emiliano Perneta. Em 1923: organiza a primeira edição, em dois volumes, das Obras Completas de Cruz e Sousa, para a editora Anuário do Brasil, de Álvaro Pinto. Nela apresenta o primeiro e muitíssimo importante escorço biográfico do Cisne Negro. É feito Cavalheiro da Legião de Honra, de França. A 19 de março, pronuncia discurso no túmulo de Cruz e Sousa, em romaria realizada por motivo do 25º aniversário de seu falecimento. 1924: estudo sobre Rocha Pombo no Paraná, na revista Terra de Sol, onde aparece também o seu estudo Um Aspecto dos Republicanos Históricos.Publica Cartas à Gente Nova, prefaciadas por Jackson de Figueiredo. Em 1925: assume as funções de crítico literário de O Globo, designado para isso no próprio dia da fundação desse órgão da imprensa. 1926: realiza, numa das Vesperais memoráveis organizadas por Adelino Magalhães, conferência sobre Justiniano José da Rocha, e, no Clube Militar, sobre o livro Alegorias do Homem Novo, de Tasso da Silveira. Escreve o poema Paranaguá.


1927. É eleito membro da Academia Paranaense de Letras. Morte trágica de Jackson de Figueiredo; nos seus funerais Nestor Vítor desfalece. É eleito presidente do Centro Paranaense. 1929: prossegue no seu posto de crítica em O Globo; colabora em O Estado de S. Paulo. Recebe o título de Doutor em Ciências Jurídicas e Comerciais, pela Escola Superior de Comércio do Rio de Janeiro, 1931: deixa a crítica de O Globo, sendo substituído por Elói Pontes.
Faleceu a 13 de outubro de 1932, com 64 anos, seis meses e um dia de idade, na sua residência, Rua do Humaitá, 155. Até essa data, lecionou no Instituto de Educação, na Escola Superior de Comércio e no Liceu Francês, hoje Liceu Franco-Brasileiro. Foi inumado no Cemitério de São Francisco Xavier, onde repousa o seu fraterno amigo Cruz e Sousa. Orou nos funerais o poeta simbolista baiano Astério de Campos. Em 1938, sai, em São Paulo, o livro Os de Hoje, por mim coligido e organizado. Nesse livro, Nestor Vítor, que fora o crítico do Simbolismo, aparece como amigo acolhedor e fraterno daquela "gente nova" que dá título a um dos seus livros. Escreveu Brito Broca: "A preocupação da modernidade, das últimas teorias, decorria naturalmente da própria estrutura do seu espírito. ...Na batalha modernista, ele se pôs, naturalmente, ao lado dos novos, 'os de hoje'. Palpitou com os jovens no mesmo influxo indefinido de rebeldia, em que os programas se digladiavam e os manifestos se destruíam." (Revista da Academia Paranaense de Letras, dezembro, 1948). E Eugênio Gomes: "Com a acuidade que lhe dava a experiência crítica do simbolismo, Nestor Vítor, escrevendo sobre os verde-amarelistas, antecipava-se, mesmo, às preocupações da crítica analítica, entre nós, ao distinguir esses novos a quem chamava 'estilizadores', notando que recorriam freqüentemente &à imagem e à metáfora, bem como às onomatopéias e aliterações. Nesse rumo, ao fenômeno do sincretismo estilístico, natural em qualquer fase de transição estética, porém que pareceu reduzir o valor da poesia modernista, em seus começos, o crítico de Os de Hoje mostrava-se não só atilado, mas também construtivo." (O Globo, 3.12.1960). Em janeiro de 1947, foi dado o seu nome à Escola 11-15, sediada em Campo Grande. São solenemente inauguradas as placas da Travessa Nestor Vítor, transversal de Haddock Lobo. Em 1963, aparece Nestor Vítor / Prosa e Poesia, por Tasso da Silveira, Coleção "Nossos Clássicos", Livraria Agir Editora. Neste ano de 1968, centenário do seu nascimento, inauguram-se bustos seus, da autoria do escultor paranaense Erbo Stenzel, em Paranaguá, sua cidade natal, e no Rio de Janeiro. Uma Exposição Iconográfica foi preparada, e apresentada nessas cidades e em Curitiba.

* Texto introdutório ao primeiro volume da coleção Obra Crítica de Nestor Vitor, composta por 3 volumes, publicado em 1969.

CRONOLOGIA:

1868 - Nasce em Paranaguá no Paraná, no dia 12 de abril.


1885 - Segue para Curitiba, para estudar no Instituto Paranaense, antigo Liceu de Curitiba. Conhece Emiliano Perneta, amigo que lhe seria dos mais caros.
1887 - Participa da fundação do Clube Republicano do Paraná.
1888 - Chega no Rio de Janeiro, para preparar-se para o curso anexo da Escola Politécnica.
1889 - Conhece Cruz e Souza, no Rio de Janeiro; segue para Curitiba, onde dirigiu D. Paraná.
1891 - Instala-se definitivamente no Rio de Janeiro, onde foi professor Colégio Pedro II. Apoiou o contragolpe que levou Deodoro a renunciar.
1893 - Com a Revolta da Armada, pronuncia-se a favor de Floriano Peixoto.
1894 - Nomeado vice-diretor do Colégio Pedro II.
1902 - Viaja para Europa, e permanece em Paris até 1905.
1908 - Representou o Paraná na Convenção que escolheu Rui Barbosa para candidato da oposição. Participou ativamente da Campanha Civilista.
1914 - Fundou, com Rui Barbosa e José Veríssimo, a Liga Brasileira pelos Aliados, o que lhe valeu as condecorações da Ordem da Coroa, da Bélgica, e da Ordem de Leopoldo, pelo rei Alberto.

1917 - É eleito Deputado no Paraná.

1919 - Reeleito no cargo de Deputado.1921 - membro da Legião de Honra, da França.
1928 - Eleito vice-diretor da Escola Superior de Comércio, no Rio de Janeiro, onde Lycée Française e Escola Normal.

1932 - Morre, a 13 de outubro, no Rio de Janeiro.



(Fonte: Enciclopédia da Literatura Brasileira, 2001.)


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