Segunda parte



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MULTIEDUCAÇÃO

Segunda Parte

SUMÁRIO
SEGUNDA PARTE


  1. Uma Nova Concepção de Organização Curricular: Núcleo Curricular Básico MULTIEDUCAÇÃO



2. Princípios Educativos

3. Núcleos Conceituais

SUMÁRIO
SEGUNDA PARTE


  1. Uma Nova Concepção de Organização Curricular : O Núcleo Curricular Básico MULTIEDUCAÇÃO

  • Relação Escola/ Vida Cidadã

  • O Núcleo Curricular Básico MULTIEDUCAÇÃO


2. Princípios Educativos

  • Meio Ambiente

  • Trabalho

  • Cultura

  • Linguagens


3. Núcleos Conceituais

  • Identidade

  • Tempo

  • Espaço

  • Transformação


Uma Nova Concepção

de Organização Curricular:

O Núcleo Curricular Básico

MULTIEDUCAÇÃO

Há algo de novo acontecendo nas escolas. Em cada escola, em cada sala de aula o encontro cotidiano entre professores, alunos, idéias, sonhos e acontecimentos sempre resulta em alguma coisa nova. Terão todos consciência disto? Todo professor identifica em seus alunos e em si próprio as mudanças que neles ocorrem no dia a dia, durante uma conversa, na leitura de um texto, no desafio de resolver um problema? Ainda uma questão: o currículo que é oficializado nas escolas, aquele que está escrito, cujas metas e objetivos foram determinados há muito tempo, tem permitido a ampla circulação, apropriação e troca de saberes do mundo de hoje? Nem sempre. Muitas vezes isto só acontece porque existe um outro currículo "não oficializado", que se realiza através do não previsto, das situações que "correm por fora" dos planos e que são geradas nas relações que se instalam na sala de aula. Quer a instituição tome conhecimento disto ou não, quer se aprove isto ou não, a vida não fica do lado de fora. Ela entra na escola sem pedir licença, sem perguntar se, no currículo, a sua vaga foi garantida.


Exemplificando: no ano de 1994 um grupo de professores alfabetizadores viveu uma experiência significativa. Seu planejamento, elaborado no início do ano, previa uma seqüência tal que, no mês de junho, estivessem trabalhando com a letra . Mês de junho... festa junina... São João... muita canjica... Tudo estava muito bem planejado: textos, letras de música, receitas de comidas típicas, simpatias, pesquisa de vestuário, oração ao "santo casamenteiro". Neste ano, porém, o mês de junho trouxe uma outra festa: a festa da Copa do Mundo. E, embalados pela empolgação que tomou conta do país, os pequenos alunos só queriam escrever: BRASIL TETRACAMPEÃO ! E agora? Quando os professores perceberam eles estavam usando as folhas destinadas ao desenho livre, os cantos das páginas do caderno e papéis para experimentar escrever o que eles realmente desejavam.
Aquele grupo de professores parou e pensou: "Há alguma coisa errada nisto". E de conversa em conversa, de reflexão em reflexão, eles assumiram que o trabalho merecia ser revisto. Não que o plano estivesse ruim, porém estava inadequado para o momento. Ou seja, a vida já entrara e "corria solta" dentro dos muros, pelos corredores, entre as carteiras, despertando outros desejos nos meninos e meninas daquela escola. E, conscientes disto, os professores repensaram não só aquele trabalho específico, mas, todo o currículo da escola.

Reformulações curriculares não são novidade. Muito de nós já temos vivenciado diversas propostas de mudança. No entanto, revendo a documentação produzida nesta trajetória, verificamos que mudam-se os pressupostos, novos teóricos são citados, mas a lista de conteúdos permanece quase sempre inalterada. Que força terá este tipo de "programa" que se perpetua nas escolas, apesar de não ter conseguido encaminhar questões já superadas pela dinâmica da própria vida? O fato é que muitos educadores não se sentem devidamente encorajados e fortalecidos o bastante para criticar e alterar conteúdos enciclopédicos, desvinculados da realidade e desprovidos de sentido. O teor destes conteúdos são eternizados graças, principalmente, a uma imposição exercida pelos livros didáticos ou por um arbítrio que penetra nos meios educacionais, sem grandes questionamentos, passando de geração em geração, de um professor para outro.


Neste momento, é oportuno refletir sobre o que é um "Currículo". É uma palavra de origem latina que significa o curso, a rota, o caminho da vida ou das atividades de uma pessoa ou grupo de pessoas. (Assis, 1981)
Quando se aplica o termo currículo ao contexto educacional há várias maneiras de entendê-lo, porque as concepções sobre ele dependem diretamente da filosofia que orienta seus autores, sobretudo em relação a questões ligadas aos conceitos de educação, construção de conhecimento, educador e educando.
A organização curricular, que aqui apresentamos, permite pensar o currículo como um roteiro "através do qual os estudantes viajarão sob a liderança de um guia experiente que é ao mesmo tempo um companheiro". (Pines, M. 1975, p.95)
A simbologia da "viagem" propõe metas de chegada, mas deixa espaço para que, mesmo que o roteiro seja definido de antemão, cada viajante o descubra e desfrute esta "viagem" de acordo com sua própria natureza e com diferentes aspectos do caminho traçado.
Nos dias de hoje, não podemos pretender (nem acreditar) que a educação esgote a transmissão de todos os conhecimentos acumulados. É preciso que, constantemente, nos interroguemos sobre a natureza dos conteúdos a serem incorporados aos currículos, sobre o contexto social e histórico em que ocorre a educação e sobre que tipo de conhecimento está em sintonia com o tempo em que vivemos e com os alunos que temos. Nesta perspectiva, buscamos uma escola que desenvolva um currículo comum de experiências cognitivas, afetivas, sociais e referências culturais, levando em conta, ao mesmo tempo, a singularidade de alunos e professores. Um currículo cuja preocupação seja trabalhar com o local e com o universal, tornando esta escola verdadeiramente democrática porque parte da cultura do aluno para inseri-lo na cultura mais ampla.
No mundo moderno aceleram-se os ritmos das transformações. As inovações que antes exigiam o trabalho de várias gerações, ocorrem atualmente em uma só geração, podendo-se mesmo afirmar que hoje "os homens tornam-se estrangeiros na esfera na qual são chamados a viver".(Fourquin, 1993)
Além disto, nas mega redes de ensino, como a da cidade do Rio de Janeiro com suas mais de mil escolas públicas municipais de 1º Grau, é preciso pensar em um Núcleo Curricular Básico, que ao garantir o acesso de professores e alunos às mesma informações, com qualidade, contribua para a recriação do trabalho pedagógico em cada instituição educacional.
Por isso MULTIEDUCAÇÃO, pois o que nos une a todos é uma proposta de educação com qualidade , na multiplicidade de situações da cidade. É portanto, a busca da garantia de um direito básico, sem a padronização acrítica.
A Escola Pública de 1º Grau, instituição indispensável a uma sociedade que se deseja democrática, no centro deste debate, precisa transformar-se. Há necessidade, pois, de se repensar a educação e suas formas de organização curricular neste tempo de mutações vertiginosas.
Assim, um Núcleo Curricular Básico, por sua própria essência, tem que partir do que é fundamental na interação escola/vida: propiciar ao aluno a apropriação de meios para se situar no mundo em que vive, entendendo as relações que nele se estabelecem, criticando e participando de sua transformação.
A proposta Multieducação tem como objetivo lidar com os múltiplos universos que se encontram na escola. Múltiplas idéias e visões de mundo, múltiplos contextos e culturas de pessoas de diferentes idades e lugares.
Nesta multiplicidade, no entanto, os nós desatados pelos professores e pelos responsáveis por todo o sistema de educação municipal, deixam que os fios da tessitura articulem um organismo comum, com funções diversificadas pelas diferentes regiões e contextos onde as escolas públicas de 1 º Grau se situam.
Sabemos todos através da MULTIEDUCAÇÃO, de onde partimos e para onde caminhamos com nossos alunos, mas cada escola municipal, embora parte de um grande sistema de ensino, pode recriar seu próprio projeto pedagógico. O importante é que a consciência a respeito desta política educacional garanta a todos, e a cada aluno, o direito a uma educação que os introduza a uma cidadania plena: lendo, escrevendo, calculando e entendendo suas relações transformadoras responsáveis com a cidade onde vivem, com o estado e o país em que estamos, com este continente americano do Planeta Terra.

  • Relação Escola/Vida Cidadã

A sociedade de hoje exige uma escola sintonizada com a vida para que ambas possam se beneficiar desta sintonia e crescerem juntas. Nesta parceria, muda a sociedade e muda a escola. Como conviver com estas transformações? Aí está a questão.


As pessoas criam, instalam, e se utilizam de instituições variadas com vistas a satisfazer suas necessidades de vida. Ao longo do tempo, os objetivos, desejos e necessidades se alteram, exigindo que as instituições criadas também se transformem. A escola é uma delas.. Mas, afinal que instituição é esta? Qual a sua responsabilidade social?
A escola é o ambiente privilegiado para a constituição sistemática de conhecimentos, conceitos e valores alguns duradouros, outros transformados pelo tempo histórico.
Sem desconsiderar as diferentes tendências que vêm orientando a escola ao longo de sua história, sua função estará sempre identificada ao ato de ensinar. Ensinar o quê? Ensinar para quê? Em que sociedade?
Que escola queremos para que a relação com a vida cidadã se estabeleça, se intensifique, seja reconhecida? Que trabalho devemos desenvolver que permita o diálogo com o mundo? O que criará condições para que a sociedade, e nela a Escola Pública, cujo eixo seja a VIDA MAIS HUMANA em suas BUSCAS, ACERTOS e DESCAMINHOS, encontre os meios democráticos para a introdução dos alunos à cidadania plena?
Pensar a vida cidadã significa pensar relações: relações entre as pessoas e seu meio ambiente, o trabalho, a produção cultural e as linguagens.
Pensar a escola, conseqüentemente, significa assumir que estas mesmas relações estejam ali presentes. Isto porque entende-se a Escola Pública de 1 º grau, como uma instituição insubstituível na cidade democrática.
Articular escola e vida cidadã, numa relação de reciprocidade, implica em construir uma ligação estreita entre o cotidiano vivido e o conhecimento escolarizado, levando-se em consideração que a escola está situada num espaço sócio- cultural onde convivem alunos e professores. Estes devem ser cidadãos incluídos no contexto social de cidade com direitos e deveres a serem respeitados e reconhecidos.


  • Núcleo Curricular Básico MULTIEDUCAÇÃO

Muitos estados e municípios brasileiros têm organizado propostas curriculares para suas redes públicas de ensino, e o próprio Governo Federal através do Ministério da Educação e Cultura assume a responsabilidade de definir os parâmetros curriculares nacionais, como forma de subsidiar a ação pedagógica dos professores de 1 º grau.


O Núcleo Curricular Básico MULTIEDUCAÇÃO ao enfocar a relação entre a Escola Pública de 1º grau e a Vida Cidadã, considerando o compromisso com uma Educação que atenda aos direitos dos alunos de aprender com êxito e dos professores de ensinar com sucesso, oferece uma característica singular, a de poder ser adaptado à multiplicidade de situações que as escolas representam, mantendo a integridade de uma política educacional para o ensino público de 1º grau.
Esta política educacional baseia-se na reflexão sobre as responsabilidades das autoridades educacionais desde o âmbito das Secretarias de Educação, passando pelas Universidades e Cursos de Formação de Professores até chegar às salas de aula das unidades escolares.
Estas responsabilidades supõem uma análise constante e atenta sobre o que se produz através da pesquisa nas áreas das ciências humanas, sociais e exatas, e que trazem como conseqüência a clarificação a respeito de como se constituem conhecimentos e valores, a partir de esforço articulado e sistemático do processo de ensinar em escolas de 1º grau.
Além desta análise criteriosa que deve se deter sobre a constituição de conhecimentos e valores, há que direcioná-la em relação a uma postura política definidora do lugar da Escola Pública de 1º grau nas cidades plenas de contradições, no início de um novo milênio.
Assim, apresenta-se o Núcleo Curricular MULTIEDUCAÇÃO, como um momento de síntese, em que se articulam Princípios Educativos e Núcleos Conceituais em busca de um contexto, a partir do qual, os professores possam planejar, desenvolver e avaliar atividades pedagógicas e seu resultado junto aos alunos de Educação Infantil à 8ª série, incluindo, certamente, neste conjunto, os alunos portadores de necessidades especiais de aprendizagem.

No entanto, Educadores, Pais e Responsáveis pelos alunos, muitas vezes se encontram perplexos diante de uma pergunta que também se fazem os governantes, os políticos, os economistas e outros profissionais:


Para que Escola Pública de 1º Grau

nesta Alvorada do 3º Milênio?


Para bem ou para mal existem a televisão, interativa ou não, a cabo ou em rede, os computadores, as redes planetárias, os CDROMs, a realidade virtual e tanta produção humana ainda por vir !
Então, por que Escolas Públicas, professores, diretores, e neste caso, o Núcleo Curricular Básico MULTIEDUCAÇÃO?
As respostas não podem ser ingênuas, nem conclusivas, mas devem indicar de nossa parte decisões a respeito da sociedade em que vivemos e que buscamos transformar para melhor, através da ação educativa que ao ser responsável explica as relações com o Meio Ambiente, transformado pelo Trabalho e pela Cultura, expressas através de múltiplas Linguagens. Estas relações propostas pela ação educativa nas Escolas compõem princípios que educam e orientam o ensino das disciplinas básicas, a Língua Portuguesa, a Matemática, as Ciências Naturais, os Estudos Sociais, as Artes, a Educação Física, as Línguas Estrangeiras.
Para que estas disciplinas sejam entendidas pelos alunos e se transformem em conhecimento indispensável e direito básico de introdução a uma cidadania plena, é preciso que os professores revalorizem núcleos de conceitos que levam seus discípulos a fazerem sentido do que aprendem.
Trabalhar a questão da identidade de cada aluno, de toda a turma, da própria escola, seu bairro, sua cidade, seu estado, país, continente, planeta levará os professores a repensar estas identidades num tempo e espaço em constante transformação.
Por isso reitera-se através da MULTIEDUCAÇÃO, que a relação entre o professor e seus alunos nas escolas públicas configura o tempo e o lugar por excelência para a discussão, a compreensão e ação a respeito da sociedade que desejamos, nas cidades ou lugares onde vivemos, e para os quais almejamos ambientes construtivos, onde direitos e deveres sejam reconhecidos e respeitados e onde haja autonomia e solidariedade, para que a maioria da população esteja incluída nos bens e serviços gerados pelo trabalho, pela cultura e pela organização cidadã e democrática.
Grandes projetos políticos exitosos em outros estados e países como os que se aproximam desta organização proposta, são o produto da interação entre muitas e variadas instâncias de ação legislativa, executiva, judiciária e da sociedade civil, porém a parte que nos toca situa-se nas salas de aula das Escolas Públicas de 1º grau.
E por isso o Núcleo Curricular Básico MULTIEDUCAÇÃO propõe que, cada professor e equipes escolares, repensem e replanejem suas ações pedagógicas visando uma sociedade mais justa e democrática, na qual os Princípios Educativos do Meio Ambiente, do Trabalho, da Cultura e das Linguagens ao se articularem com os Núcleos Conceituais da Identidade, do Tempo, Espaço e da Transformação viabilizem através da ação escolar, a contribuição indispensável para a realização deste desejo.
Em seguida, ao propor esta articulação entre os Princípios Educativos e os Núcleos Conceituais, é oferecida uma reflexão sobre como, através do Núcleo Curricular MULTIEDUCAÇÃO, Escola e Vida Cidadã se encontram e abrem caminhos para a sociedade que transformamos para melhor.
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