Segundo modulo de imunologia



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SEGUNDO MODULO DE IMUNOLOGIA
Imunologia na Gravidez
Em relação ao sistema imunológico, o período de gestação só é possível porque uma intrincada rede imunorregulatória é disparada com o objetivo de desenvolver um estado de tolerância materno-fetal e permitir a implantação e manutenção do concepto até que haja condições de sobrevivência fora da cavidade uterina. Entre os fatores envolvidos nessa complexa rede imunológica para a tolerância e regulação do desenvolvimento fetal e formação da placenta, destacam-se: a influência hormonal sobre o sistema imune materno, o reconhecimento das moléculas do Complexo Principal de Histocompatibilidade (MHC) paterno que estão carreadas pelo embrião, as citocinas liberadas no meio, o controle da citoxicidade direta das células Natural Killer uterinas e atividade das células T regulatórias (MICHELON et al., 2006).

Ainda segundo estes autores o produto gestacional contém metade do seu material genético de origem materna e a outra metade de origem paterna, sendo então considerado estranho para o sistema imunológico materno. O que é importante é que de alguma forma o embrião passa a ser reconhecido pelo sistema imune da mãe sem que ocorra uma resposta contra a sua permanência e desenvolvimento no ambiente uterino como ocorreria com qualquer material genético estranho, como no caso de transplantes.

Para compreendermos a sobrevivência do feto é necessário conhecer como o sistema imunológico materno, inato e adaptativo funcionam. O embrião em desenvolvimento fica isolado num ambiente semi-permeável onde são selecionadas as substâncias que podem chegar até o embrião. A ausência de moléculas clássicas de MHC na superfície do trofoblasto, e o reconhecimento de moléculas não clássicas de HLA-G por receptores KIR nas células uterinas NK constituem exemplos de tolerância celular na interface materno-fetal, com consequências benéficas para o feto (SARAFANA et al., 2007).

A evolução saudável da gravidez depende de equilíbrio do sistema imunológico materno, muitos princípios imunes já foram estudados mas ainda existem muitos aspectos não compreendidos. Segundo SARAFANA et al. (2007) existem vários fenômenos que explicam a tolerância imunológica entre mãe-feto. São eles:

1- Separação anatômica entre o feto e a mãe;

2 - Imaturidade antigênica do feto;

3 – Útero como local imunologicamente privilegiado;

4 - Estado de imunossupressão fisiológica da gestante.

O feto possui antígenos provenientes do pai, no entanto não há rejeição por parte do sistema imunológico materno, a não ser em casos como da eritroblastose, que é a doença hemolítica do recém nascido causada por incompatibilidade dos grupos sangüíneos da mãe e da criança. Depende do extravasamento de hemácias fetais para a circulação materna e, por vez, da passagem transplacentária de anticorpos maternos para o feto. É um exemplo da hipersensibilidade tipo II (SOUZA, 2009).

A aceitação materna do feto resulta do isolamento do embrião num ambiente semi-permeável, deste modo, a resposta imune materna é modulada, permitindo esse reconhecimento, e tornando-se compatível com o desenvolvimento de uma gravidez bem sucedida. A interface materno-fetal caracteriza-se igualmente pela atividade única das proteínas reguladoras do complemento, células Natural Killer (NK) uterinas, macrófagos, células T com diversos fenótipos e citocinas do meio ambiente local (SARAFANA et al., 2007).

O trofoplasto é a camada de células que reveste o blastocisto e contribui para a formação da placenta. As células desta camada tem características imunológicas bastante especificas e não expressam moléculas de MHC podendo ser uma justificativa para a não rejeição do feto, o trofoblasto também possui células com receptores inibitórios das células NK (natural Killer), ou seja estas células também não são ativadas.

Segundo SARAFANA et al. (2007) as citocinas produzidas pela mãe podem funcionar como fatores de crescimento placentário, limitar a invasão do trofoblasto e contribuir para a remodelação tecidual.

Estudos já comprovam que no útero existem células B e T, macrófagos, mastócitos e eosinófilos, contudo após a nidação do óvulo fertilizado as células B e T desaparecem, os mastócitos e eosinófilos tornam se raros. Macrófagos e células NK predominam no ambiente uterino após o início da gestação. Estas células NK de origem materna aumentam em número e precedem a implantação durante a fase lútea, diferenciam-se durante a gravidez e diminuem em número, quase desaparecendo, no final da gravidez (SARAFANA et al, 2007).

O endométrio durante a gravidez possui em torno de 10 a 15% de macrófagos e os monócitos são ativados a partir de substâncias solúveis produzidas pela placenta. Durante a gravidez, o sistema imune materno é ativo e funcional. Existem diversos mecanismos subjacentes à tolerância materna do feto que permitem a implantação e a gestação bem sucedida como a expressão de moléculas de antígenos HLA-G, HLA-E e HLA-C nas células do trofoblasto, o controle da atividade citolítica NK através de receptores inibitórios, a expressão de proteínas reguladoras do complemento, a regulação do recrutamento de leucócitos e proliferação celular na interface materno-fetal e a supressão de linfócitos Th1 na decídua parecem contribuir para o fenômeno de tolerância imunológica que ocorre entre o feto e a mãe durante a gestação (SARAFANA et al., 2007).

De acordo com SOUZA (2009) durante a gravidez, há uma maior susceptibilidade às infecções. A imunidade humoral se mantém em níveis normais: os níveis de imunoglobulinas permanecem inalterados, porém há uma supressão seletiva de alguns aspectos da imunidade celular, tanto que o organismo aceita o enxerto fetal. Assim, parece existir uma imunossupressão localizada na placenta e tecidos adjacentes. Estudos demonstram que eventos locais na interface materno-fetal previnem uma resposta imune efetiva e que numa placenta infectada não há resposta inflamatória mesmo na presença de grande número de bactérias. Há secreção de altos níveis de estrógeno e progesterona, o que pode ter um papel na inibição da resposta imune celular local. Secreção de β-HCG e α-feto-proteina a níveis fisiológicos podem deprimir a resposta proliferativa de linfócitos T. Há diminuição de células TCD4 e aumento de TCD8. A atividade citotóxica das células NK parece também estar diminuída.

É importante observar que durante o período da gestação os eventos imunológicos sofrem alterações. Em doenças auto-imunes decorrentes de exacerbação de respostas inflamatórias (ex.: artrite reumatóide) são atenuadas ao iniciar-se a homeostase gestacional, enquanto doenças caracteristicamente dependentes da ação de auto-anticorpos são agravadas de forma importante nessa circunstância, como exemplo o lúpus eritematoso sistêmico (MICHELON et al., 2006).


As alterações hormonais durante a gestação
O trato reprodutivo da mulher sofre alterações durante o período de ovulação e fertilização, a mucosa torna-se mais irritada e processos imuno-inflamatórios ocorrem naturalmente. A modulação das atividades das células apresentadoras de antígenos é induzida pela ação dos hormônios esteróides. Na decídua, anexo embrionário dos seres placentários, os leucócitos predominam, estando presente macrófagos, células T e células NK. Estas células são atuantes durante o período gestacional.

A progesterona é o hormônio feminino ativo sobre o sistema imune da mãe-feto, ela é capaz de suprimir a função efetora das células T e modula os canais de potássio e de íons-cálcio da membrana celular. A progesterona também regula os linfócitos T quando se liga aos seus receptores, a alta concentração do hormônio provoca a síntese de uma proteína imunomodulatória chamada de fator bloqueador induzido pela progesterona, reduzindo por conseqüência a ação dos linfócitos T.

O fator bloqueador inibe a atividade das células NK, a liberação de ácido aracdônico e altera a ação das citocinas. A ação conjunta sobre todos estes fatores diminui a resposta imune ao enxerto fetal, facultando a sua permanência no útero materno.

A progesterona tem sido utilizada, em alguns casos, como tratamento para que a gestação chegue a termo. Em muitos casos de gestação patologicamente comprometida observou-se baixos níveis deste hormônio, levando à conclusão de que sua presença é de extrema importância no processo gestacional (MICHELON et al., 2007).


HLA-G e anticorpos Bloqueadores
As moléculas que conferem a identidade a cada indivíduo são conhecidas por HLA e são encontradas na superfície da grande maioria das células de organismo humano. Os antígenos HLA são formados por dois grupos: moléculas HLA classe I e moléculas HLA classe II. Moléculas HLA classe I podem ser clássicas (HLA-A, HLA-B e HLA-C) ou não-clássicas (HLA-G, HLA-E). Moléculas HLA classe II são: HLA DP, DQ e DR. O primeiro contato mais intenso entre embrião e a mãe ocorre na cavidade uterina, cerca de seis dias depois da fecundação. Esse contato se realiza entre a superfície fetal (sincício) e a superfície materna denominada decídua (CAVALCANTE et al., 2009).

A partir da nidação ou implantação, além da expressão diferenciada de moléculas HLA, responsáveis pela identificação do que é “próprio” e “não-próprio” no organismo de cada indivíduo, estas células têm um potencial peculiar de resposta às citocinas presentes no meio, ocorrendo a tolerância imunológica ao feto. O citotrofoblasto extraviloso expressa um tipo de molécula HLA de classe I, chamado HLA-G, esta molécula têm papel imunorregulatório inibido a lise mediada por células NK, alteram também o reconhecimento das células T maternas (MICHELON et al., 2007).

Resumindo, as células trofoblásticas não expressão moléculas de HLA de classe I ou II, desta forma não respondem a ações de células citotóxicas mediadas por células T durante a gestação normal. Outro fator que contribui para a gestação normal é a presença de anticorpos bloqueadores, estes são anticorpos maternos que se ligam às moléculas HLA paternas presentes nos tecidos embrionários, funcionam como proteção à resposta citotóxica materna contra o embrião. Estes anticorpos não têm a capacidade de ativar complemento localmente e por isso não desencadeiam uma resposta imune efetiva no sentido de fagocitose.
Linfócitos T e citocinas
Os leucócitos presentes na decídua podem contribuir pela expressão de receptores que proporcionam o reconhecimento do trofoblasto fetal, a invasão trofoblástica e a produção de citocinas que regulam e modulam a resposta imune materna e a função vascular. As citocinas, por sua vez, atuam diretamente sobre a modulação da resposta imune, funcionam como mediadores responsáveis pelo comportamento individual e pela interação dos diferentes tipos celulares na interface materno-fetal. Podem ser produzidas por macrófagos, linfócitos, células NK e pelas próprias células trofoblásticas e agem através de vias complexas de feedback positivo ou negativo (MICHELON et al., 2007).

Os linfócitos T dividem-se em diferentes subpopulações, produzem diferentes citocinas que serão responsáveis pela evolução normal ou interrupção da gestação. Os linfócitos Th1 produzem IL-2, interferon gama e fator de necrose tumoral beta que são indutores de imunidade celular e de aborto. Os Th2 produzem IL-3, IL-4 e IL-10 que promovem a produção de anticorpos bloqueadores da ação citotóxica, inibem NK e apresentam ação antiinflamatória.

Enquanto macrófagos que liberam interferon e induzem as células NK a liberar fator de necrose tumoral são condições desfavoráveis para a gestação, as células Th2 têm o potencial de suprimir essa ativação deletéria à gestação pela ação de IL-4 e IL-10, inibindo a ativação de células NK uterinas, as células trofoblásticas liberam IL-4 e IL-7, que induzem um feedback negativo para as citocinas pró-inflamatórias de Th1 equilibrando o ambiente fetal para que a gestação ocorra normalmente.
Células NK

Conforme relatado por MICHELON et al. (2007) as células NK são células citotóxicas, são células que fazem a defesa celular, pertencem ao sistema imune inato, são portadoras de antígenos de superfície que as caracterizam: CD16 e CD56. As células NK possuem receptores para IgG o que produz sua citotoxicidade, podem se diferenciar em dois grupos: CD56dim e CD56bright. As

células CD56dim são altamente citotóxicas, enquanto as células CD56bright são pouco citotóxicas, porém são também produtoras de citocinas imunorregulatórias como IFNg e TNFa .

Ainda segundo os mesmos autores a ativação da célula NK depende de seus diferentes receptores, elas possuem receptores para ativação ou para inibição. Quando a gestação ocorre em processo normal, a liberação de IL-4 e IL-7 estimula os linfócitos Th2 que induzem ao aumento de receptores das células NK da decídua, estas ações mantém as células NK desativadas. Já as citocinas induzidas por Th1 são abortivas porque ativam as células NK do tecido uterino, a ação citotóxica pode levar ao aborto. Células NK com esse fenótipo perpetuam o ambiente rico em IL-2, TNF e IFNg, com perfil Th1 pró-inflamatório e pró-trombótico.

Concluindo: o aborto espontâneo estaria condicionado diretamente ao comportamento das células NK, a ativação ou inibição destas depende da cascata de outros eventos imunológicos que ocorrem quando efetiva-se a gestação. As citocinas liberadas são as mediadoras das alterações das células NK.

Células T regulatórias
As células T regulatórias são células que modulam a resposta imune, que criam os mecanismos de tolerância aos auto-antígenos. As doenças auto-imunes são evitadas com o funcionamento normal destas células que reconhecem respostas exageradas e as controlam. Mas, em alguns casos ocorre a falha deste processo e respostas deletérias são efetuadas. Para MICHELON et al. (2007) existe o consenso de que a população de células TCD4+CD25high é a responsável por essa atividade imuno-regulatória antígeno-específica. Essas células estão envolvidas com os mecanismos de tolerância periférica, tolerância aos transplantes e tolerância materno-fetal.

Durante a gestação a ação das células T regulatórias é sobre os antígenos paternos, fazem o reconhecimento e regulam a resposta imune, permitindo que a gestação ocorra normalmente. É sabido que no inicio da gestação estas células aumentam na decídua e no sangue periférico, a ausência ou diminuição destas células leva a perda do feto devido a uma rejeição imunológica.


Imunologia do Recém-nascido

O recém-nascido apresenta o sistema imunológico bastante imaturo, os anticorpos existentes são os herdados da mãe e muitos serão perdidos nos primeiros meses de vida, daí a necessidade de um programa de vacinação efetivo para a proteção contra doenças diversas. A transferência de anticorpos para o bebê ocorre nos últimos dois meses de gestação, de modo a conferir uma boa imunidade à criança durante seu primeiro ano de vida.

Para Rego (2006) por possuir um sistema imune imaturo, o recém-nascido é mais suscetível a contrair infecções, para protegê-lo, a natureza sabiamente desenvolveu mecanismos de proteção adaptativa (Linfócitos B e T), através da via transplacentária de anticorpos, fatores de resistência presentes no líquido amniótico, pelo colostro e leite materno, formando assim uma barreira contra as infecções, sendo a resposta imune adaptativa específica para um determinado antígeno.

O leite da mãe é o alimento perfeito para o recém-nascido, através deste o bebê recebe imunoglobulinas: IgA principalmente, G, M, D, E, Linfócitos (B e T), macrófagos, neutrófilos, ácidos graxos essenciais, fator bifidus, interferon gama e lactoferina, entre outros.

O primeiro leite que o recém-nascido recebe é chamado colostro, é uma vacina natural para o bebê, neste são encontrados inúmeros fatores imunológicos que irão conferir uma imunidade passiva e estimular o desenvolvimento do sistema imune. A IgA transferida pelo colostro tem a função de bloquear a adesão de agentes patogênicos no intestino, impede que estes colonizem as paredes intestinais e facilita a fagocitose através de macrófagos ou linfócitos B e T.

As células de defesa desenvolvem-se nos órgãos linfóides primários (timo e

medula óssea). O linfócito B é a célula em maior quantidade e é a responsável pela produção dos anticorpos específicos contra cada tipo de agente conferindo imunidade adaptativa.

Os três primeiros dias de vida do neonato são de extrema importância, neste período o colostro ingerido contendo IgA secretora efetuará proteção contra Escherichia coli, Salmonella sp, Vibrio cholarae, Haemophilus influenzae, Streptococus pneumoniae, rotavirus, protegendo também contra possíveis doenças alérgicas nos primeiros anos de vida da criança. Os linfócitos T efetuam a defesa celular eliminando células infectadas e participam de outros tipos de defesa emitindo mensagens químicas. A enzima lisozima, presente no leite materno, tem as funções bactericida e de degradar parede de bactérias gram-positivas, funcionando como um eficiente auxiliar do sistema imune do neonato.

De acordo com CAMPESTRINI (2006) no leite humano é encontrada uma glicoproteína denominada lactoferrina, que tem por função eliminar bactérias, combater vírus e desencadear ação antiinflamatória. E, além disso, ela torna o ferro indisponível para os micro-organismos que necessitam do ferro para sua proliferação, frustrando o crescimento dos mesmos. O fator bifidus também presente no leite humano, é um oligossacarídeo que permite o crescimento de Lactobacilos bifudus, uma bactéria que não prejudica o bebê, pois faz parte da flora intestinal normal. Este lactobacilo tem por função limitar o crescimento de flora patogênica no intestino do neonato.

Outras substâncias encontradas no leite humano são o cortisol, insulina, tiroxina e prolactina, são hormônios que estimulam a maturação e a proliferação das células epiteliais e o desenvolvimento do trato digestivo do recém-nascido. Também o interferon gama produzido pelos linfócitos são importantes potencializadores da ação antimicrobiana das células de defesa.

Estão presentes no leite materno outros componentes como caseína, caseomorfinas, lipídeos e ácidos graxos essenciais, todos possuem função antimicrobiana, somados à carboidratos, vitaminas e minerais formam um composto perfeito, o leite, com função de nutrição e proteção imunológica imediata ao recém-nascido.

Imunização
O calendário vacinal é muito dinâmico, deve ser flexível e não tem privilégio de idade, abrangendo desde o recém nascido ao idoso. A indicação de usar vacinas não deve se restringir a uma especialidade. A imunização tem intersecção com todas as áreas da Medicina e deve fazer parte da avaliação rotineira de qualquer paciente (ANDRADE, 2009).

A vacina é uma conduta preventiva e cada caso deve ser avaliado para a utilização deste artifício. Pessoas imunossuprimidas podem ser bastante favorecidas com a utilização de vacinas, pois são mais susceptíveis ao acometimento de doenças.

Segundo ANDRADE (2009) a imunização pode ser ativa ou passiva. A imunidade ativa ocorre através da imunidade humoral ou celular, a produção de anticorpos específicos e com memória garante uma proteção a longo prazo ao individuo. Já a imunidade passiva é aquela em que o individuo recebe anticorpos prontos com vida média de dias ou meses apenas, um exemplo deste tipo de imunidade é o soro anti-ofídico.

As vacinas são indutoras do sistema imunológico, nestas são fornecidos antígenos ou parte do antígeno para que o organismo o reconheça e faça a resposta imunológica humoral, ou seja, produza anticorpos para o combate específico para a substância apresentada.

De acordo com ANDRADE (2009) alguns fatores influenciam a resposta imune do indivíduo às vacinas: presença de anticorpos maternos, composição e dose da vacina, via de administração, presença de adjuvantes, idade, imunossupressão, conservação adequada. Este último é de grande importância para a qualidade das vacinas visto que a manutenção em temperatura adequada é fator de qualidade do produto.

As vacinas são classificadas em vivas e inativadas. As vacinas vivas são resultantes de modificações virais ou de bactérias. Os agentes patogênicos são atenuados após cultivos sucessivos, são vacinas que se assemelham à infecção natural, mas as reações são mínimas devido ao tratamento recebido em laboratório, nesta vacina o agente não perde a capacidade de se multiplicar no hospedeiro. Neste tipo de vacina são exigidas menos doses para imunizar e a resposta imune é variável de acordo com cada individuo, ocorrendo portanto a possibilidade de desenvolvimento da doença clinica. São exemplos de vacinas vivas atenuadas: sarampo, caxumba, rubéola, pólio, febre amarela, varicela, BCG, febre tifóide oral (ANDRADE, 2009).

As vacinas inativadas também utilizam bactérias ou vírus em seu processamento. A inativação ocorre em laboratório através de processos químicos ou calor, podem ser utilizados micro-organismos inteiros ou fragmentos destes, são feitas múltiplas doses para produzir a imunização, não oferecem perigo de produzir a doença mesmo em pessoas imunossuprimidas porque não há a possibilidade de ocorrer a replicação do organismo. A resposta imune é quase que completamente humoral, os anticorpos produzidos a partir desta forma de imunização podem declinar com o tempo, exigindo nova dose vacinal. .Exemplo de vacinas inativadas inteiras: pólio, raiva, hepatite A, hepatite B, influenza, difteria, tétano, pneumococo, Haemophilus influenzae, meningococo (ANDRADE, 2009).

Segundo ANDRADE (2009) outra forma de imunizar é utilizando a imunização passiva, este método é emergencial, ou seja quando o individuo não tem tempo para produzir anticorpos, então recebe anticorpos prontos. Estas imunoglobulinas podem ser heterólogas (origem animal) ou homólogas (origem humana). Exemplos: soro contra tétano, raiva ou anti-ofídico. Em casos mais graves podem ser utilizadas as duas formas de imunização: ativa e passiva. A utilização de vacinas nos seres humanos segue calendários diversos, existem as vacinas da infância que são obrigatórias e vacinas preventivas a várias enfermidades dependendo da situação de cada região do pais.

De acordo com ANDRADE (2009) são necessárias algumas recomendações para a realização da imunização:

- avaliar o calendário vacinal do paciente rotineiramente;

- fazer uma triagem adequada através da anamnese (história de alergia,doenças anteriores, uso atual de medicações);

- seguir o calendário vacinal básico recomendado pelo Ministério da Saúde levando em consideração a disponibilidade de outras vacinas nos Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais e o estado imunitário de base do indivíduo;

- obedecer os intervalos recomendados no calendário oficial;

- lembrar que nunca se perde dose de vacina, o esquema vacinal deve ser completado e não refeito, exceto se o indivíduo não tiver comprovação ou não se lembrar das vacinas que já utilizou;

- avaliar se o imunobiológico que vai ser administrado é atenuado e considerar situações que possam indicar ajuste no tempo de uso ou mesmo contra-indicar o uso, diferenciar os pacientes imunossuprimidos ou não .

- portador de AIDS pode e deve se beneficiar com várias vacinas;

-avaliar se há na mesma moradia do indivíduo vacinado pessoa imunossuprimida;

- na maioria das vezes não se administra vacinas atenuadas durante a gravidez;

- notificar os eventos adversos pós vacinais ;

- as contra-indicações ou precauções de uma vacina são temporárias ;

Calendário ideal de vacinação conforme ANDRADE (2009), considerando sempre que podem ocorrer modificações em função de doenças emergentes ou reemergentes que possam ser prevenidas com vacinas.

IDADE

VACINA

Ao nascer

BCG (1) Hepatite B (2)

1 mês

Hepatite B

2 meses

Sabin (3) *DPT (4) Haemophilus influenzae (5) Pneumocócica (6)

4 meses

Sabin , *DPT, Haemophilus influenzae, Pneumocócica

6 meses

Sabin, Hepatite B, *DPT, Haemophilus influenzae, Pneumocócica

9 meses

Sarampo (7), Febre amarela (8)

A partir de 12 meses

Varicela (9), Hepatite A (10)

Quinze meses

Sabin, *DPT, Haemophilus influenzae, Tríplice viral, Pneumocócica

4 a 6 anos

Sabin , *DPT , Tríplice viral (sarampo, caxumba, rubéola)

* DPT (tríplice bacteriana de células inteiras: difteria, pertussis, tétano)
Aplicação simultânea e não simultânea de diferentes vacinas
Não há informações que faça a contra indicação da utilização simultânea de quaisquer vacinas. Apenas as vacinas da febre amarela e da cólera é que não podem ser administradas ao mesmo tempo, exige-se um período mínimo de três meses entre uma e outra. Aconselha-se que a administração não-simultânea de diferentes vacinas deve seguir os seguintes intervalos entre elas: As vacinas vivas atenuadas devem ser feitas com intervalo de quatro semanas e a febre amarela e cólera devem distar em pelo menos três semanas, as demais podem ser utilizadas simultaneamente sem contra indicações.

Contra-indicações à vacinação


A criança ou o adulto não devem ser vacinados se já tiverem desenvolvido alergia em dose anterior da vacina, se forem alérgicos a algum componente da vacina ou se apresentarem algum processo de doença no momento da vacina. Em qualquer distúrbio fisiológico contra indica-se a imunização vacinal.

As vacinas contra sarampo, caxumba, influenza e febre amarela são processadas em ovos, pessoas alérgicas à proteína do ovo não podem utilizar estas vacinas sob o risco de apresentarem reação alérgica.

As vacinas vivas atenuadas são contra indicadas para mulheres gestantes, pessoas imunossuprimidas ou que realizaram transfusão sanguinea recente. Em recém-nascidos com peso inferior a dois quilos não é possível a realização da BCG em função da pequena massa corporal.


O sistema imune do idoso

Com a idade o ser humano tende a perder capacidade imunológica, o sistema imunológico torna-se senil apresentando falhas progressivas com o declínio das funções do sistema imune. Geralmente, após os 60 anos a pessoa fica mais susceptível às infecções, as doenças auto-imunes e também ao câncer. Esse declínio da função imune está associado a alterações que podem ocorrer em qualquer etapa do desenvolvimento da resposta imune, pois trata-se de um processo complexo multifatorial que envolve várias reorganizações e mudanças no desenvolvimento regulatório, além de mudanças nas funções efetoras do sistema imune, caracterizado por ser mais do que simplesmente um declínio unidirecional de todas as funções (EWERS et al., 2008).

No indivíduo saudável a resposta imune ocorre naturalmente, o organismo ao ser invadido por qualquer agente agressor desencadeia as várias ações de defesa, enquanto que no ser humano idoso alguns mecanismos tornam-se falhos ou lentos comprometendo a resposta imune de modo geral.

Ainda segundo EWERS et al. (2008) em idosos observa-se a diminuição de linfócitos T CD4+ e CD8+, a capacidade funcional destas células fica alterada ocorrendo uma baixa resposta ao estímulo antigênico, esta deficiência se deve a diminuição na produção de IL-2 por alterações ou defeitos na transdução de sinais mitogênicos emitidos pelo receptor do linfócito T. Esta alteração é uma das mais importantes no sistema imunológico do ser humano em idade avançada.

É importante mencionar que a ativação da células T obedece a um complexo sistema bioquímico, a cascata de eventos desencadeados desde a célula T virgem, não ativada, até o processo de diferenciação em subpopulações de células T quando alterada ou diminuída reflete em uma resposta imune ineficiente ou até mesmo ausente.

As citocinas são os principais mediadores da resposta imune e controlam diferentes funções celulares que são proliferação, diferenciação, morte celular, migração etc., são sintetizadas por células do sistema imune e também por células não imunes (endotélio, adipócitos, neurônios), as citocinas são secretadas na forma ativa ou com necessidade de ativação extra-celular. Estas substâncias podem ser pro-inflamatórias ou antiinflamatórias. A produção das citocinas pró-inflamatórias IL-1, IL-6 e TNF-α está aumentada nos idosos, refletindo uma alteração no padrão de regulação destas citocinas, que podem estar associadas com os mecanismos desencadeadores de muitas das doenças típicas da idade como a aterosclerose, a demência e doenças auto-imunes (EWERS et al., 2008).

As células dendríticas são células imunes que fazem parte do sistema imunológico dos mamíferos, no ser humano tem o papel principal de fazer a ponte entre o sistema imune inato e o adaptativo, induzem uma importante resposta antígeno-especifica. Essas células estão localizadas em diversos pontos do organismo, notadamente naqueles em que a evolução determinou serem de maior exposição a agentes invasores.

As células dendríticas são responsáveis por iniciar e amplificar a resposta imune por meio de uma rede que inclui outras células apresentadoras de antígenos, de fagócitos e de células do endotélio vascular (EWERS et al., 2008), quando não há situação inflamatória essas células mantêm-se imaturas e induzem tolerância periférica nos auto-antígenos.

Durante o envelhecimento as células dendríticas foliculares parecem perder a capacidade de estimular os linfócitos B, tornam-se menos competentes em captar e reter imunocomplexos porque diminuem seu número de receptores de membrana, por conseqüência há uma menor resposta humoral, ou seja a capacidade de produção de anticorpos torna-se deficitária, no idoso o contato com antígenos novos torna-se um grande desafio para o sistema imunológico.

Com relação às células NK (natural killer) em idosos há controvérsias em relação a sua produção, alguns pesquisadores afirmam que elas diminuem outros relatam que elas se mantêm normais mesmo com a velhice. O importante é saber que a atividade destas células é dependente da disponibilidade de vitamina D, esta condição remete à importância de boa nutrição, exercícios físicos e controle hormonal no processo de envelhecimento, deficiências de alguns microelementos

e de vitaminas estão associadas ao decréscimo na função imune (EWERS et al., 2008).

O idoso pode ser acometido por leucemia crônica em função da diminuição de células B, o envelhecimento está associado a mudanças qualitativas e quantitativas destas células. Os anticorpos também sofrem alterações, IgG e IgA geralmente aumentam enquanto IgM fica inalterada e tambem ocorrem defeitos na ativação celular relacionados às células T.

Enfim, no idoso parece não haver uma perda de função do sistema imunológico e sim uma diminuição de sua atividade, a resposta imune inata permanece mais ativa que a adaptativa. A diminuição da função do sistema imunológico é multifatorial portanto exige cuidados por parte da pessoa que está envelhecendo, com certeza a alimentação de boa qualidade garante parte do funcionamento de células de defesa, a atividade física fortalece o organismo permitindo um melhor funcionamento fisiológico que envolve atividades bioquímicas, fator de extrema importância na sinalização química entre as células e seus componentes.
Exercício físico e o sistema imunológico
O exercício físico pode ser classificado de acordo com a intensidade do esforço como: leve, moderado e intenso. Essa classificação toma como base a realização de alguns testes de esforço máximo para avaliar a concentração de lactato no sangue, o consumo máximo de oxigênio (VO2max), e a freqüência cardíaca máxima (FCmax) (LEANDRO et al., 2007).

Para exercício leve adota-se, geralmente, valores de 20 a 50% do VO2max e da FCmax, um exercício moderado de 50-70% do VO2max e da FCmax e o exercício intenso acima de 80% do VO2max e da FCmax. Se o exercício físico é realizado regularmente é denominado de treinamento físico.

O exercício físico leva a alterações no sistema imunológico, o tipo de exercício, a intensidade e a duração determinam as alterações ocorridas durante e após o esforço físico. Diferentes tipos e cargas de esforço podem ter repercussões distintas no sistema imunológico. A resposta aos exercícios ocorre com a liberação de hormônios, citocinas e neurotransmissores. Os exercícios influenciam na liberação e concentração de diferentes componentes do sistema imunológico, há uma interação entre os sistemas nervoso, endócrino e imunológico durante a prática de qualquer esporte que envolva esforço físico (LEANDRO et al. 2002).

Segundo LEANDRO e colaboradores (2002) exercícios físicos moderados podem contribuir para a melhoria do sistema imunológico enquanto esforço físico muito rigoroso pode causar a imunossupressão. O exercício agudo, com alta carga de esforço provoca um aumento da concentração de leucócitos na circulação, a leucocitose é observada tanto durante o exercício quanto após. O aumento de neutrófilos circulantes (migração dos tecidos para o sangue) é a resposta às lesões musculares decorrentes do esforço. O tecido muscular lesionado provoca a resposta inflamatória recrutando células de defesa.

Como aduzem LEANDRO et al. (2002) o esforço físico intenso induz a uma migração de leucócitos para o sangue (neutrofilia, linfopenia), elementos que irão para as regiões musculares que sofreram grande carga de movimentos. Outros elementos do sistema imunológico que são mobilizados são os mononucleados: monócitos e macrófagos (monocitose). Os monócitos se diferenciam em macrófagos e estão presentes em vários órgãos, tecidos ou cavidades. Exercícios intensos e agudos levam à monocitose, ou seja aumento destas células na corrente sanguinea, é um evento temporário, só observado no momento do exercício ou pouco tempo depois. Em relação aos macrófagos não é possível quantificar a alteração em exercícios físicos.

O macrófago é uma célula apresentadora de antígenos e estimulador de várias citocinas, quando mobilizado durante os exercícios intensos pode aumentar várias funções destas células incluindo a quimiotaxia, a aderência, a produção de superóxidos, a taxa de metabolismo do nitrogênio e a atividade citotóxica e fagocítica de outras células (LEANDRO et al., 2002).

Conforme relatado por LEANDRO et al. (2007) a adrenalina e a noradrenalina são importantes mediadores que facilitam o recrutamento das células de defesa proveniente dos tecidos para o meio vascular. A adrenalina é uma substância neurotransmissora liberada a partir de situações de estresse.

A imunossupressão advinda do exercício físico intenso ocorre em função da inibição de muitos aspectos da defesa do organismo, incluindo a atividade das células NK, a resposta proliferativa dos linfócitos e a produção de anticorpos pelos plasmócitos. Estas alterações comprometem a defesa do organismo contra agentes infecciosos e oncogênicos, assim como nos processos alérgicos e na auto-imunidade (LEANDRO et al., 2007).

Por outro lado, segundo estes mesmos autores o exercício físico moderado parece estar associado ao aumento da função de leucócitos. Muitos pesquisadores verificaram que o exercício físico moderado auxilia a quimiotaxia, desgranulação, fagocitose e atividade oxidativa dos neutrófilos uma hora após exercício físico a 60% VO2máx .

As alterações em relação ao esforço físico intenso já foram comprovadas em diversas pesquisas, mas alterações imunológicas em relação aos exercícios leve e moderado ainda necessitam de maiores estudos que possam comprovar o que realmente ocorre nestes casos.



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