Senhor Presidente, Senhoras Deputadas e Senhores Deputados



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Encontro29.07.2016
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Senhor Presidente,

Senhoras Deputadas e Senhores Deputados,

No próximo dia 12, em Belém do Pará, ocorrerá a festa do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, a padroeira do povo paraense.
Além de significar a maior procissão católica do mundo da qual participam mais de 2 milhões de pessoas, esta festividade transcende o sentido religioso e ultrapassa também os limites de uma manifestação exclusiva da igreja católica.
Por ter se incorporado à cultura e às tradições do povo do Pará, a festa do Círio de Nossa Senhora de Nazaré passou a simbolizar um ato de congraçamento entre todas as religiosidades, raças e classes sociais do Pará na busca da bênção da nossa padroeira por saúde e felicidade para todos.
Um aspecto realmente marcante do Círio foi a sua transformação em convergência dos caboclos de todo o Pará que chegam às centenas nas vésperas da procissão, vindos de todos os cantos do estado para somarem-se nas orações e promessas por graças alcançadas e clamadas.
A devoção a Nossa Senhora de Nazaré teve início em Portugal. A imagem original da Virgem pertencia ao Mosteiro de Caulina, na Espanha, e teria saído da cidade de Nazaré, em Israel, no ano de 361, tendo sido esculpida por São José. Em decorrência de uma batalha, a imagem foi levada para Portugal, onde, por muito tempo, ficou escondida no Pico de São Bartolomeu. Só em 1119, a imagem foi encontrada. A notícia se espalhou e muita gente começou a venerar a Santa. Desde então, muitos milagres foram atribuídos a ela.

Realizada desde o ano de 1793, no segundo domingo do mês de outubro de cada ano, a procissão do Círio em Belém é o apogeu do período de 15 dias que anualmente são dedicados para as festividades do povo paraense em homenagem à Nossa Senhora.


Conforme registra a pesquisadora Rira Amaral, as origens da festa do Círio de Nazaré remetem à lenda do aparecimento da imagem da Santa, com poderes milagrosos, achada por um caboclo da região, chamado Plácido José de Souza, filho de um português com uma índia da região.
Num certo dia de outubro de 1700, Plácido saiu para caçar na região do igarapé Murutucu, onde atualmente se localiza a Basílica de Nazaré.
Conta-se que após caminhar por longo tempo pela mata, parou para refrescar-se nas águas do igarapé. Ao levantar a cabeça, enxergou a imagem de Nossa Senhora entre as pedras cheias de lodo. Católico fervoroso, Plácido levou a santa para o barraco onde morava e ali, em um altar humilde, passou a venerar Nossa Senhora.
Procurada pelos viajantes que passavam pela estrada do Maranhão, a casa de Plácido tornou-se lugar de culto a Nossa Senhora. Sabendo de seus milagres, muitos devotos iam rezar, pagar promessas e agradecer os milagres alcançados. Uma das passagens mais importantes da história de N. Sra. de Nazaré, constantemente citada como justificativa da construção da Basílica no lugar onde se encontra, diz respeito aos eventos chamados pelo povo de “sumiço da santa”. Diz-se que no dia seguinte àquele em que foi encontrada, a imagem não amanheceu no altar da casa de Plácido. Sem saber o que acontecera, este saiu andando pela estrada indo parar às margens do Murutucu.

Para sua surpresa, a imagem estava novamente entre as pedras. Diz-se que a santa sumiu outras vezes, quando retirada dali.


Esta história chegou aos ouvidos do governador da época, que ordenou que se levasse a imagem para o Palácio do Governo, onde ficou sob intensa vigilância. Pela manhã, contudo, o altar estava vazio. Impressionados com o milagre, os devotos concluíram que Nossa Senhora queria ficar às margens do igarapé. E ali foi onde construíram uma ermida, ao lado da qual o caboclo Plácido ergueu sua nova casa. Com o passar do tempo, os milagres foram aumentando, trazendo à cidade gente de vários lugarejos do interior, e a imagem acabou indo parar em Belém.
Naquela época, os viajantes que passavam pela casa de Plácido vinham do Maranhão ou da cidade da Vigia (cerca de 200 quilômetros distante de Belém), onde já havia o culto a Nossa Senhora.
Depois de um longo processo de reconhecimento dos milagres da santa e da devoção local por parte da igreja, em  setembro de 1790, chegou a autorização para a realização de homenagens à santa conforme o Ritual Litúrgico.
Foi então que o governador Francisco Coutinho pensou em fazer uma procissão pela cidade. Dias antes da romaria, porém, o governador adoeceu. Prometeu, então, à santa que, caso se recuperasse, ele mesmo levaria a imagem até a capela do Palácio. Restabelecido, cumpriu sua promessa e na madrugada de 8 de setembro de 1790, a Virgem chegou ao Palácio. Ao amanhecer, a população de Belém se preparava para o primeiro Círio de Nossa Senhora de Nazaré.
Além do aspecto simbólico da Festa do Círio de Nazaré como a relação entre a festa e o mito, é preciso salientar ainda os aspectos da festa que raramente são tematizados.
Toda uma movimentação política e social gigantesca e diversificada envolve a simbologia da festa. Comércio, indústria e cultura se confundem. Na síntese se realimenta a profissão de fé na virgem, mas também são repassados momentos da história do estado e na fartura da gastronomia paraense são consolidados traços das nossas tradições que até hoje nos livram de determinados modernismos de outras paragens que dissipam as histórias e as culturas locais.
Não se pode esquecer neste emaranhado entre símbolos e vida material todo um mercado em torno do Círio que movimenta milhões de reais: velas, imagens, santinhos, escapulários, círios, berlindas, flores, lembranças, artesanato, os famosos brinquedos e “cheirinhos do Pará”, frutas e comidas típicas, mercadorias produzidas durante todo o ano mas que recebe um mercado consumidor capaz de esgotá-las no decorrer dos dias do Círio.
Há também o crescimento da infra-estrura da cidade para a recepção dos turistas, gerando empregos não apenas nos quinze dias do Círio, mas durante todo o ano.
Nas interpretações da pesquisadora Rita Amaral, o sentido de representação do Círio é, portanto, o de invocar a história, os costumes religiosos, os milagres da santa, reforçando ainda a identidade regional e os laços comunitários ao se apresentar como a festa maior dos paraenses. Neste sentido, ele representa a mediação entre passado e presente, o reviver de momentos decisivos da história do povo paraense e também das histórias pessoais. E, ao fazê-lo, constrói novos momentos a serem lembrados no futuro, uma vez que a produção e realização da festa implicam novos esforços, tão memoráveis quanto os esforços do caboclo Plácido para construir a ermida de N. Sra de Nazaré nos tempos passados.
Portanto, Senhor Presidente, desta tribuna expresso os meus votos de feliz Círio a todos os paraenses e que Nossa Senhora de Nazaré nos abençoe a todos para enfrentarmos sem maiores sofrimentos para o povo brasileiro as repercussões da grave crise financeira mundial provocada pelo capital especulativo com as ‘bênçãos’ do governo americano.
Catálogo: sileg -> integras
integras -> Pronunciamento do Deputado Edinho Bez (pmdb-sc), em de abril de 2011 na Câmara dos Deputados sobre Reforma Tributária dando ênfase, nesta oportunidade, sobre a desoneração da folha de pagamentos
integras -> O sr. José pimentel – pt-ce (Pronuncia o seguinte discurso)
integras -> CÂmara dos deputados projeto de lei n.º 502, de 2003
integras -> Pronunciamento do deputado luiz moreira na sessão ordinária da câmara, em 24 de abril de 2002
integras -> A diversidade cultural brasileira sob o olhar de um deputado federal
integras -> Discurso proferido pelo deputado Sérgio Caiado
integras -> SR. carlos de souza
integras -> SR. giacobo (bloco pl/ pr) pronuncia o seguinte discurso Sr. Presidente, Sras e Srs. Deputados
integras -> Pronunciamento do deputado manato, pdt/ES, na tribuna da câmara, em sessão do dia 22 de outubro de 2003
integras -> Deputado vitor penido


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