Senhor Presidente, Senhoras deputadas e senhores deputados



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Encontro01.08.2016
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Senhor Presidente,

Senhoras deputadas e senhores deputados,

Quero registrar da tribuna desta casa a minha homenagem à Feira de São Joaquim, em Salvador, pela passagem de seus 45 anos. Tal feira se mistura com a história da cidade e do povo baiano. Ela começou na década de 30 como uma feira móvel e que ocupava as redondezas do sétimo armazém das Docas e era conhecida como feira do 7. O sucesso das vendas atraía cada vez mais feirantes ao local. O crescimento foi tanto que motivou a mudança de local e de nome. Ainda nas proximidades das Docas, a Feira passou a chamar águas de Meninos.

No início da década de 60, um incêndio misterioso e nunca esclarecido destruíu parte dos boxes deixando muitos feridos. Só depois desta tragédia, a Feira foi removida para a área em que se encontra até hoje, na Enseada de São Joaquim, na Avenida Frederico Pontes. O crescimento continuou, hoje são mais de 34 mil m2 em 10 quadras e 22 ruas. Ao todo são mais de 4 mil boxes que se tornou um importante posto de abastecimento para Salvador e cidades do recôncavo.

Mas do que uma feira, São Joaquim é a ligação de Salvador com a sua própria história, mais do que um centro de abastecimento São Joaquim é a síntese da cultura baiana. Nesse espaço não apenas os consumidores buscam abastecer a mesa de grande variedade de frutas, verduras e alimentos de modo geral, é também onde o “povo de santo” encontra de tudo que precisa para alimentar as crenças e tradições de raízes afro. Nessa Feira se encontra o que há de mais tradicional no artesanato feito de barro, palha e uma gama enorme de materiais que encontram formas nas mãos de centenas de artistas de vários cantos do estado, e, em especial, do recôncavo. A feira, por sua localização, é um dos mais fortes elos com a Baia de Todos os Santos e o recôncavo e escoadouro de toda a produção agrícola, pesqueira e de mariscagem da região.

São Joaquim é a feira do povo, nas múltiplas barracas, os sabores e as cores da terra se misturam. A culinária também está presente na variedade de pratos servidos desde as primeiras horas da manhã.

A Feira de São Joaquim é considerada a maior e a mais importante feira livre e popular da Bahia, por isso hoje é um dos pontos turísticos de Salvador e está cotada para receber do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Apesar de ter atenção do setor do Turismo e do Ministério da Cultura, o crescimento desordenado da feira continua a provocar sérios problemas de infra-estrutura, higiene e organização, sinalizando urgência em soluções para as condições precárias em que a feira se encontra.

Problemas de toda a ordem são enfrentados pelos comerciantes e as intervenções do poder público na área sempre são limitadas a questões pontuais, sem resolver, efetivamente, o essencial. Quando fui prefeita de Salvador, apesar da grande dificuldade financeira com que a administração conviveu durante quatro anos, entendendo a importância dessa feira, recuperamos o sistema de drenagem e cobertura da mesma, realizamos intervenções na parte elétrica e procuramos dotar o espaço de um mínimo de organização. Até hoje a única intervenção significativa realizada por uma administração municipal na feira. Após a minha gestão, os problemas naquele espaço só têm se acumulado, motivando o Ministério Público baiano a requerer, através de uma ação civil pública, com pedido de liminar, a imediata interdição da feira e a transferência dos feirantes pela Prefeitura Municipal de Salvador, para ambiente dotado de instalações físicas e sanitárias adequadas, até que a reestruturação da Feira de São Joaquim seja efetivada.

Neste governo teremos solução para a feira de São Joaquim e seus mais de 7 mil comerciantes. A bancada da Bahia atenta aos anseios de feirantes e da população viabilizou, por meio de emenda coletiva, recursos de 27 milhões de reais para a execução de um projeto de requalificação da área.

Na última quarta-feira , dia nove, o governador Jaques Wagner, e o ministro do turismo, Luiz Barreto, assinaram, um termo de liberação de recursos da ordem de R$ 53,5 milhões, para a Feira de São Joaquim e revitalização das vias de acesso ao Centro Histórico. Somente na feira o investimento será da ordem de R$ 32 milhões. Já nas vias de acesso do Pelourinho, serão R$ 28 milhões com 10% deste valor em contrapartida do governo estadual. O início das obras está previsto para o primeiro semestre de 2010.

Estas soluções, senhor presidente, senhoras deputadas e senhores deputados, é um símbolo do respeito que os parlamentares da Bahia têm pelos comerciantes e pela população usuária da Feira de São Joaquim. E nesta oportunidade, aproveito também para prestar homenagem especial ao grande líder dos feirantes, Nilton Ávila. Há 45 anos, Nilton trabalha em defesa da feira e dos feirantes. Há 25 anos, ainda vereadora, enfrentamos juntos a decisão do governo municipal da época de remoção da feira. A feira de São Joaquim é também, portanto, símbolo de resistência daqueles que, contra as elites políticas da época, garantiram a sua existência. O querido companheiro Nilton é a expressão maior desta luta. Há poucos meses enfrentou uma grave enfermidade, venceu o risco de morte, mas perdeu a visão, mesmo assim continua a liderar a luta da Feira de São Joaquim.

Nesta semana, no dia 14, a Câmara Municipal de Salvador concedeu a Nilton Ávila a medalha Zumbi dos Palmares, em iniciativa da vereadora Olívia Santana. A homenagem é mais do que merecida a um feirante que entrou no mundo das feiras pelas mãos do pai ainda na feira do curtume e não mediu esforços para organizar os feirantes para que pudessem alcançar melhorias em todos os sentidos.



Com os recursos liberados para a transformação definitiva da feira, presto minha homenagem a esse bravo trabalhador e renovo minhas expectativas de ver a feira do povo com infraestrutura e conforto para a nossa população e visitantes de nossa cidade.


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