Senhor Presidente



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Encontro19.07.2016
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Senhor Presidente


Senhoras e Senhores Deputados

Com o falecimento ontem, em Brasília, da senhora Maria Calmon Porto, conhecida carinhosamente com Mary Calmon, o Ceará perdeu uma de suas filhas mais devotadas, que por vários anos presidiu, com reconhecida competência e grande amor a Casa do Ceará no Distrito Federal, verdadeira embaixada do meu Estado na Capital da República.


Professora por vocação, a ilustre extinta iniciou-se no magistério cearense nos idos de 1948, lecionando em uma modesta escola do distrito de Muxurá, no município de Quixeramobim, em pleno Sertão Central, ensinando por onze anos consecutivos.
Em 29 de janeiro de 1959, em companhia do marido José Gentil Porto, veio para o Distrito Federal, fixando domicílio em Brasília. No dia 21 abril do mesmo ano passou a trabalhar na Fundação da Casa Popular, onde permaneceu até julho de 1967, quando foi lotada na Representação do Banco Nacional de Habitação, BNH. Dois anos depois, ingressou no quadro funcional do SENAC, nele permanecendo até 1973. A partir desse ano, assumiu a chefia do Setor de Acórdão do Tribunal de Justiça, que exerceu com muita proficiência até 1974.
Nesse ano, atendendo a convite do ex-deputado federal pelo Ceará, Chrysantho Moreira da Rocha, e de Álvaro Lins Cavalcante, fundadores da Casa do Ceará, decidiu assumir, em tempo integral, a coordenação administrativa dos seus departamentos.
Mas muito antes de assumir a coordenação, Mary Calmon já vinha prestando, voluntariamente, relevantes serviços à Casa do Ceará, à qual se ligou desde o seu início em 15 de outubro de 1963, tendo assumido, inclusive em janeiro de 1971 a função de Diretora de Promoções Sociais, quando decidiu criar a Ala Feminina da Casa do Ceará, atraindo para o trabalho social, em favor dos cearenses mais pobres, domiciliados em Brasília, esposas de personalidades cearenses servindo no Distrito Federal.
No ano da 1975, por sua reconhecida dedicação à instituição, assumiu a Vice-Presidência da Casa do Ceará, que acumulou com o exercício da direção, do Departamento de Educação, implantando quinze cursos profissionalizantes, todos eles destinados à formação de mão de obra especializada, preferencialmente destinados à filhos de cearenses, residentes em Brasília e suas cidades satélites.
Posteriormente, no exercício da presidência, dedicou-se ao louvável trabalho de congraçamento das famílias cearenses, em Brasília, promovendo reuniões de confraternização, exposições de trabalhos artesanais cearenses e de apresentação de artistas da terra dos verdes mares bravios.
Sua destacada atuação à frente da Casa do Ceará lhe valeu o reconhecimento de inúmeras instituições, das quais veio a receber importantes comendas, por relevantes serviços prestados na área social. Dentre as inúmeras homenagens que recebeu, destacam-se a Comenda da Ordem do Mérito Cultural, conferida pelo governador do Distrito Federal, em 1991, por decreto de 30 de outubro de 91, em reconhecimento à contribuição dada ao desenvolvimento da cultura no Distrito Federal e a Medalha de Membro Efetivo da Ordem Internacional das Ciências, das Letras, das Artes e da Cultura, por serviços relevantes prestados à causa da fraternidade humana. Recebeu ainda a Medalha Memória Acadêmica à Pioneira de Brasília, conferida pelo Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, em 29 de junho de 1995.
Foi também distinguida com o Troféu Sereia de Ouro, outorgado pelo Sistema Verdes Mares de Comunicação, do Ceará, por reconhecimento aos grandes serviços prestados em pról dos favorecidos e por sua notável contribuição à divulgação da cultura e das tradições cearenses no Distrito Federal.
Outra honraria que recebeu foi o diploma do Mérito Cultural, conferido pela Academia Cearense de Letras. Inúmeras outras distinções veio a merecer por seu fecundo trabalho nas áreas social e cultural.

Senhor Presidente



Senhoras e Senhores Deputados
Mulher de grande liderança, obstinada na execução das missões a que se dedicava, Mary Calmon honrou em Brasília as melhores tradições de luta da mulher cearense. E porque não dizer dos homens cearenses.
Mesmo ausente da terra natal, jamais deixou de defender os interesses maiores do Ceará, dos quais se fazia intérprete nos escalões de decisão do Governo Federal.
Com visão progressista e ousada, colocou a Casa do Ceará como uma instituição modelar, dando assim extraordinária dimensão à iniciativa pioneira de Chysantho Moreira da Rocha e de Alvaro Lins Cavalcante de fazer dessa instituição um instrumento de valorização das tradições da terra de José de Alencar, Farias Brito e Clóvis Beviláqua e de apoio aos cearenses mais pobres que se deslocaram para o Distrito Federal, na busca de uma vida melhor.
A sua morte, ontem, em Brasília, onde foi sepultada, privou o Ceará do concurso inestimável de uma de suas melhores filhas.
Venho, portanto, a esta tribuna traduzir não apenas o meu sentimento de pesar, mas também o de todos os cearenses .
Creio, sinceramente, que seu exemplo será a partir de agora, o motivo mais forte a estimular os que hoje dirigem a Casa do Ceará, para dar continuidade ao trabalho exemplar e fecundo dos seus fundadores.


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