Sessão do congresso do estado do massachusetts dedicada a portugal boston, 4 de Junho de 2001



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SESSÃO DO CONGRESSO DO ESTADO DO MASSACHUSETTS DEDICADA A PORTUGAL
Boston, 4 de Junho de 2001

Intervenção do presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César
Compete-me, em primeiro lugar, agradecer a atenção do convite que me foi dirigido para proferir algumas palavras nesta Sessão do Congresso do Estado de Massachussetts, dedicada a Portugal.
Agradeço, em especial, à comissão responsável por esta iniciativa, a distinção que, com a minha escolha para este acto, faz aos Açores, no contexto das relações bilaterais entre os Estados Unidos e Portugal. Agradeço as palavras amigas que me dirigiram.
Dentro de dias, mais precisamente a 10 de Junho, comemora-se o Dia de Portugal, que é também o Dia de Camões – poeta maior da épica e da expansão marítima portuguesa – e Dia das Comunidades. É o dia em que se celebra a consciência do “ser português” e que é assinalado em todos os continentes do mundo. Cumpre-se, nesse dia, a tradição de honrar a pátria, os que a fizeram, os que a fazem e os que a prosseguem no país ou em qualquer outro lugar.
Comemora-se, de igual modo, hoje, oficialmente, o Dia dos Açores, o qual, antecipadamente, evocámos ontem numa sessão solene realizada na cidade de Fall River, onde homenageámos, simbolicamente, todos os açorianos que vivem fora dos Açores.
A História portuguesa está marcada, aos longo dos séculos – desde a expansão marítima até aos nossos dias – pela capacidade dos portugueses superarem a dimensão das suas fragilidades naturais e de chegarem às partes mais remotas do mundo, ora através da coragem exímia dos seus marinheiros, ora através da sua intuição comercial e diplomática, ora através das marcas culturais profundas que a sua presença transitória deixou, do Oriente à África e da Europa ao continente americano.
Sendo, todavia, a emigração, nos últimos dois séculos, um dos fenómenos mais marcantes da estrutura social portuguesa, têm sido esses portugueses, deslocados da sua terra de origem, referências influentes e positivas na multiplicidade do nosso relacionamento externo.
Todos eles contribuem, de forma muito relevante, para relações especiais de cooperação com países tão diversos como o Brasil, a China ou os jovens países africanos, ali permanecendo e dando o seu contributo para o desenvolvimento, ou com a Venezuela, o Luxemburgo, a França, a Alemanha ou o Canadá, onde se sentem, em diversas áreas regionais, essas presenças importantes.
As excelentes relações entre os Estados Unidos da América e Portugal, têm, também, entre todos os factores que contribuem para essa realidade, um alicerce sólido na emigração portuguesa transatlântica, a qual, neste Estado de Massachussetts teve grande expressão desde o século XIX. A população originária dos Açores, neste Estado como em outros, lidera essa presença.
Estamos ligados aos Estados Unidos por essa relação afectiva, que é muito forte, mas temos, também, uma História comum fundada na similitude de uma vocação política internacional de defesa das liberdades e da democracia, que, ainda há pouco tempo, deu frutos no país nascente de Timor, e que, no passado, tem ajudado a intervenções americanas no exterior de natureza militar e ou humanitária.
A localização geo-estratégica dos Açores, como plataforma atlântica e fronteira mais ocidental da Europa, tem feito desta região autónoma de Portugal o elo territorial mais importante da relação luso-americana, e uma componente reconhecida da relação euro-americana.
O Acordo de Cooperação e Defesa entre os Estados Unidos e Portugal tem, exactamente, como justificação e consequência práticas mais visíveis, aquele valor geo-estratégico dos Açores.
Estamos, assim, ligados – os Estados Unidos e Portugal – pelas pessoas e pelos interesses das pessoas, e a minha Região, ocupa, por razões naturais e por opção própria, um papel central nessa aliança.
Quaisquer que sejam os governos, de um lado ou de outro, serão, sempre, essas relações de amizade, fundadas numa História e em interesses comuns, que perdurarão no futuro.
Apesar do termo dos fluxos emigratórios mais numerosos e da integração jurídica, política e económica crescentes de Portugal e dos Açores na União Europeia, as nossas relações com os Estados Unidos serão sempre de grande relevância, sobretudo para os Açores.
O nosso diálogo com os nascidos nos Açores e aqui residentes, e com as gerações descendentes de Açorianos, deverá prosseguir, através de uma partilha de culturas e de uma colaboração, que nós muito necessitamos para o nosso desenvolvimento e para a região moderna e competitiva que estamos a construir.
Sinto, nesta deferência que me é feita hoje pelo Congresso do Estado de Massachussetts, um sinal de aprovação dessa colaboração, que ambicionamos ver consolidada e alargada.
Os Açores, a cujo Governo presido, foram, são e serão a primeira testemunha da amizade que liga o meu país ao vosso país.
Neste Estado de Massachussets, toda a sua população conhece também o esforço e a paixão com que os portugueses e os açorianos, que para aqui vieram, trabalharam e trabalham para o progresso deste estado e para o êxito da nação americana.
Muito obrigado a todos.





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