Sessão sociologia das estatísticas em 25 de agosto de 2006 [13h30 às 15h30]



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II ENCONTRO NACIONAL DE PRODUTORES E USUÁRIOS DE INFORMAÇÕES SOCIAIS, ECONÔMICAS E TERRITORIAIS

De 21 a 25 de agosto de 2006



Sessão SOCIOLOGIA DAS ESTATÍSTICAS

Em 25 de agosto de 2006 [13h30 às 15h30]




Coordenador: NELSON SENRA (IBGE)


Abertura:

  1. O nome que dei a esta sessão, Sociologia das Estatísticas, tão logo fui convidado a coordená-la, após ler e opinar sobre os textos inscritos livremente, designa um novo campo de pesquisa, em que se toma as estatísticas e as instituições estatísticas como objeto de estudo. Por ele, procura-se compreender as estatísticas como forma de saber e como fonte de poder; vemos as estatísticas como informações, estando no plano da semântica, e as vemos como tecnologias de distância e de governo. Trata-se de um campo promissor, bastante sedutor, mas que não conta ainda com uma comunidade de pesquisadores abrangente, somos poucos, mas estamos em crescimento, ainda que nos falte (por ora) sustentação associativa. O IBGE pouca atenção tem dado a esse campo, o que é lamentável, contudo são ibgeanos alguns dos seus mais dedicados estudiosos. Por outro lado, ensaia-se na ANIPES uma atenção maior, e talvez na ABEP também.



  1. Três dos quatro textos que integram essa sessão podem ser associados a etapas do processo de pesquisa praticado nas instituições estatísticas.



  • O texto “O IBGE bate à porta: vivência e perspectiva dos que trabalham na coleta de dados”, de Maria Angela Gemaque Àlvaro, aborda aspectos importantes da 2ª etapa do processo de pesquisa, qual seja, da aquisição das informações individuais, que são fundadoras das estatísticas. E nos remete à delegação do olhar, uma das soluções mais peculiares dos processos de pesquisa nas instituições estatísticas.

  • Os textos “A recuperação e a representação das informações estatísticas”, de Silvia Gagliardi Rocha, e “Ampliando os benefícios da disseminação de informações: reflexões prospectivas sobre o papel do IBGE, de Alessandro Maia Pinheiro, tratam da 4ª etapa do processo de pesquisa, qual seja, da organização ou da utilização dos acervos para efeito da disseminação / divulgação. O texto de Sílvia traz a questão da aplicação da linguagem documentária às instituições estatísticas.



  1. O quarto texto, “As estatísticas oficiais e o interesse público”, de Elvio Valente e de Carmem Feijó, pensa o próprio sistema estatístico, e as instituições estatísticas, e pode ser visto como um guarda-chuva aos demais textos. Nele, pontos cruciais como credibilidade, legitimidade (ou reputação), confiança, e outros são focados, e são oferecidas sugestões de figuração da governança do sistema, uma matéria inovadora.



  1. Dito isso, passemos às exposições. Cada pessoa contará com 15 a 20 minutos, e peço que haja rigor nesse tempo. Ao final farei uma retomada, e abriremos os debates.

Fechamento:

  1. Prosseguindo o que disse na abertura, quero voltar, de pronto, a dois textos, primeiro ao de Maria Angela Gemarque Álvaro e ao de Alessandro Maia Pinheiro.



  • O texto de Maria Angela nos remete ao conhecimento tácito que há no trabalho de campo, e que não temos o hábito de ao menos tentar registrar. Só em raras ocasiões isso ocorre (o melhor exemplo, e já longevo, é o relatório síntese no SNIPC), e nem sempre com bons frutos, e o bom fruto seria um reflexo positivo no conhecimento formalizado (expresso nos manuais, como ocorre no SNIPC). Sua contribuição é riquíssima na avaliação da delegação do olhar, tão próprio à pesquisa estatística nas instituições estatísticas, e sugiro um avanço através do texto de Jean Penneff, “The observers observed: french survey researches at work [Social Problems, Nova York, v. 35, n. 5, p. 520-535, dez. 1988]. E remete, também, na linha de Bruno Latour, à dicotomia relatividade / relativismo.

  • O texto de Alessandro nos remete à condições, sugestivamente favoráveis, de se fazer no IBGE uma disseminação descentralizada, mais afeita às necessidades regionais, e assim melhor inserida na sociedade da informação. A proposta é ousada, e por certo merece reflexão desta Casa; afinal, o que o legislador tinha em mente quando colocou no quadro de pessoal nos estados, mestres de doutores? Se porventura não o sabia na origem, convém começar a sabê-lo. A presença desses profissionais na disseminação bem pode ampliar e valorizar as informações emanadas do IBGE, tornando-as mais apropriadas às necessidades locais.

  • E é justo registrar a presença de Antonio Biffi, chefe do IBGEnoPA, local de lotação do técnicos acima, por estar criando um ambiente favorável a tais reflexões.



  1. Sigo com o texto de Silvia Gagliardi Rocha que bem mostra a necessidade das instituições estatísticas abrirem-se a novos saberes, no caso à Ciência da Informação, mais exatamente à documentação. A proposta é rica, e para ser levada à última conseqüência exigirá muitas mudanças nas mentalidades dos pesquisadores. E é bom que isso comece a ser provocado, ainda que só vá amadurecer lentamente.



  1. Por fim, o texto de Èlvio Valente e de Carmem Feijó traz aspectos relevantes já mencionados, valendo relevar a questão da governança do sistema estatístico, e a proposição de uma Lei de Responsabilidade Estatística, tão polêmica quanto provocante. Texto que merece ser refletido atentamente, como outros dos mesmos autores, em dupla ou isolados. São dois pensadores em Sociologia das Estatísticas, inegavelmente.





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