Sessão solene comemorativa do dia dos açores fall River, 3 de Junho de 2001



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SESSÃO SOLENE COMEMORATIVA DO DIA DOS AÇORES
Fall River, 3 de Junho de 2001

Intervenção do presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César
É Dia dos Açores!
Instituído por Decreto da Assembleia Legislativa Regional de há vinte e um anos atrás, este Dia, coincidente com as festividades do Espírito Santo, reúne a alma açoriana no que ela tem de mais exaltante e indefinível: uma espécie de casa comum, sem terra ou espaço reservados que não seja o fundo do nosso coração viajante de geração em geração e de lugar em lugar.
Por isso, podemos evocar os Açores aqui e ali. Mas aqui, nesta cidade americana de vivências açorianas, que carrega na sua História histórias que fazem parte da nossa História, estamos em casa – como se estivéssemos numa ilha rodeada de açorianos por todos os lados.
Aqui, como poderia ser no Canadá, no Brasil, nas Bermudas ou no Continente português, fazemos dos Açores uma referência das nossas vidas.
Outrora forçados ou atraídos para saírem das nossas ilhas, os açorianos, nos Estados Unidos da América ou naquelas outras paragens, vivem, hoje, de forma progressivamente empenhada, as suas experiências de integração familiar, profissional e cultural nos países em que residem. E, ainda bem!...
Outros, residentes no arquipélago, testemunhando diariamente a abertura e o progresso que nos invadem, sentem-se, também, cada vez mais cidadãos do Mundo.
Mas todos, perante essa contemporaneidade globalizadora, sentimos a necessidade de procurar uma origem e uma identidade, que podem ser uma herança geracional, uma culturalidade e ou um sentimento, que dão conteúdo próprio à nossa vida, já tão diluída na impreterabilidade das relações comunicacionais dos tempos que vivemos.
E é essa lembrança – essa seiva que nos interioriza aquém da nossa vivência – que evocamos neste dia, onde quer que estejamos, como se estivéssemos na Casa Mãe: a casa da família, onde, quer vivamos quer não, reside o todo ou a parte, lembrados amiúde, da nossa história pessoal, afectiva ou cívica. Da nossa história, da dos nossos filhos ou da dos nossos netos.
Por iniciativa do Governo, estas comemorações oficiais decorrem este ano, pela primeira vez, fora das nossas ilhas. Têm como objectivo expresso salientar, exactamente, a dimensão múltipla da açorianidade e o esforço que todos estamos a fazer, residentes ou não nos Açores, para afirmarmos a nossa cidadania em todos os contextos onde nós chegamos ou de onde nos influenciam.
Comemoramos, ao mesmo tempo, o 25º aniversário da primeira eleição democrática dos nossos órgãos de Governo próprio nos Açores, que prosseguem, agora numa nova fase, a construção da nossa Autonomia, numa Região sequiosa do seu desenvolvimento e da recuperação do tempo perdido.
Vivemos, hoje, tempos de esperança. Confiantes no nosso futuro, obreiros na nossa pluralidade, atentos às dificuldades ou às injustiças que ainda perduram e, conscientes embora das nossas fragilidades, vemos os Açores tomados por um dinamismo empreendedor e gerador de progressos que vão mudando a face das nossas ilhas.
De uma região de emigração passámos à de carenciada de mão-de-obra e de recursos humanos qualificados compatíveis com o surto de crescimento, de ambição e de iniciativa que está em curso. Do desemprego e da desprotecção do passado, que provocaram a sangria da nossa população residente, evoluímos, felizmente, para a menor taxa de desemprego da Europa e para um apoio social que acompanha e ajuda muitos dos nossos irmãos que ainda não se libertaram da pobreza. Em todas as ilhas, vão surgindo novas estradas, pontes, equipamentos colectivos, renovadas e equipadas unidades de saúde, construídos centros de convívio e acolhimento para crianças e idosos, erguidas milhares de habitações, recuperadas todas as antigas escolas primárias e construídas escolas modernas e de formação profissional, reconstruídos portos e melhorados aeroportos, debelados sucessivamente os efeitos negativos de calamidades que nos devastaram, e vão florescendo novas actividades económicas, no turismo e em outros serviços, que qualificam e diversificam os caminhos do nosso desenvolvimento.
Testemunhas desses novos progressos são, aliás, os açorianos que vão aos Açores de tempos a tempos, e que também nos fazem chegar a sua admiração e contentamento por este novo impulso.
Mas todos sabemos que as insuficiências e os obstáculos ainda são muitos, apesar do nosso crescimento, para ombrearmos com padrões de vida mais evoluídos.

Sabemos que iniciámos um novo caminho com os primeiros passos da nossa autonomia político-administrativa. Que o estimulámos com a nossa integração beneficiária na União Europeia. Mas que, só nestes últimos anos, pudemos beneficiar, mercê de uma nova compreensão no relacionamento entre as administrações regional e central, de uma solidariedade recíproca que tão bons frutos tem gerado.


Falar no e do Dia dos Açores, é, também, falar dessa nossa Autonomia, conquistada e consolidada por gerações sucessivas, e que agora é confrontada com novas exigências, num confronto, também ele mais exigente e competitivo, com outras regiões e espaços.
Já lutámos pelo reconhecimento da nossa individualidade política – e ganhámos. Já pugnámos pelo aprofundamento e melhoria dos mecanismos de apoio constitucional à nossa Autonomia – e têmo-lo conseguido, embora essa acção esteja inacabada e deva prosseguir, consagrando, entre outras transformações, o direito de voto dos açorianos residentes no estrangeiro para as assembleias legislativas regionais na próxima revisão constitucional, conforme o compromisso de defesa que eu próprio assumi, há três anos, em visita às nossas comunidades nos Estados Unidos e do Canadá.
Mas, para mantermos e reforçarmos o nosso dinamismo e ritmo de crescimento actuais, a prioridade máxima da construção autonómica está, agora, na salvaguarda da sustentação financeira das nossas despesas de funcionamento e de investimento e na sustentação do nosso modelo de viabilidade económica. É com esse sentido que orientamos os nossos planos de despesa pública e é nesse contexto que se procederá, no corrente ano, à revisão da Lei de Finanças Regionais, que constitui, sem dúvida, o mais importante instrumento legal e estruturante da Nova Autonomia cooperativa.
Estamos, por isso, confiantes que esta nova fase que estamos a viver nas nossa ilhas continuará, no próximo-futuro, de forma visível, orientada e sustentada, com reflexos crescentes na afirmação externa dos Açores e em benefício do bem-estar e da vida de cada vez maior número de açorianos.

Senhor Ministro da República

Digníssimas Autoridades presentes

Senhoras e Senhores


Agradeço, penhoradamente, a vossa presença nesta já habitual Sessão Solene Comemorativa do Dia da Região Autónoma dos Açores.
Permitam-me que destaque a presença solidária neste acto de Sua Excelência o senhor Juiz Conselheiro Dr. Sampaio da Nóvoa, que acaba de ser investido num novo mandato como Ministro da República. No quadro das suas atribuições e competências, a sua iniciativa muito tem contribuído para uma nova atenção do poder central face às suas responsabilidades na nossa Região, e o equilíbrio e bom senso da sua acção muito têm ajudado a fortalecer as actuais relações de cooperação existentes.
Permitam-me, também, que registe com justificado ênfase a presença das autoridades locais, estaduais e federais americanas, o que constitui uma honra para os Açores na medida em que simboliza fortemente o reconhecimento dos seus concidadãos de origem açoriana. Ligam-nos aos Estados Unidos da América relações muito fortes, quer por via das nossas comunidades, quer em consequência da profundidade de interesses das relações bilaterais luso-americanas, as quais encontram no território dos Açores uma significativa parte do seu desenvolvimento.
Permitam-me, por fim, que destaque a disponibilidade e o contributo eloquente para a dignidade deste acto do Prof. Onésimo Teotónio de Almeida – ele mesmo uma prova de como os açorianos o podem continuar a ser fora dos Açores, afirmando-se, ao mesmo tempo, pelo seu trabalho e pelos seus méritos, nas comunidades onde residem.
Saúdo, finalmente, os que são a razão de ser de estarmos todos aqui: os nossos irmãos espalhados pelo Mundo, e, particularmente, os que vivem nesta parte dos Estados Unidos e que tão fraterna e calorosamente nos receberam e nos acompanham.

A todos, muito obrigado. Viva os Açores!







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