Sessão solene de homenagem ao congressista barney frank



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SESSÃO SOLENE DE HOMENAGEM AO CONGRESSISTA BARNEY FRANK

Ponta Delgada, 19 de Abril de 2001



Intervenção do presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César
Na sua reunião do passado dia 24 de Fevereiro, o Conselho do Governo Regional dos Açores deliberou transcrever em Acta o sentimento do seu profundo respeito pelo homem político, pelo cidadão interventor nas causas sociais, e, sobretudo, pelo grande amigo dos Açores, que foi e é Barney Frank.
Foi a primeira vez, na História da nossa Autonomia Democrática, que o Conselho do Governo registou, dessa forma, o apreço da nossa Região por uma personalidade de nacionalidade estrangeira, deliberando, também, promover esta Sessão Pública de Homenagem, a qual, na sua simplicidade, não deixa de reunir a expressão de um reconhecimento unânime dos representantes da nossa comunidade.
Barney Frank bem o merece.
O Estado português, em ocasião recente, assumiu esse reconhecimento, conferindo-lhe o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. A ligação expontânea e voluntária de Barney Frank à Região Autónoma dos Açores, e a sua postura sempre disponível e atenciosa no tratamento dos assuntos respeitantes à comunidade portuguesa nos Estados Unidos – maioritariamente açoriana no seu Quarto Distrito do Estado de Massachusetts – determinou, no essencial, essa distinção que lhe foi conferida. A presença nesta cerimónia do Secretário de Estado das Comunidades, em representação do Governo da República e do nosso conterrâneo Ministro dos Negócios Estrangeiros – que visita neste momento a Grécia, preparando a presidência portuguesa da Organização de Segurança e Cooperação na Europa – evidencia, assim, a confirmação daquele testemunho.
Os esforços do Congressista Barney Frank, cuja notoriedade tem chegado até às nossas ilhas no caso mais recente das questões relativas à deportação de cidadãos portugueses e à Lei de Reunificação Familiar, não se esgotam - bem pelo contrário - na contemporaneidade dessas problemáticas. Desde sempre, Barney Frank foi para nós mais um “Açoriano” nos Estados Unidos. A presença do antigo Presidente do Governo, Dr. Mota Amaral, neste acto - o qual aceitou o meu convite para intervir sobre a figura do homenageado – reflecte, de uma forma esclarecida, como a deliberação do VIII Governo Regional de promover esta Homenagem pode ser interpretada como um acto de justiça de todos os governos regionais destes mais de 25 anos de Autonomia Açoriana.
My dear Barney Frank,
As we used to say, to be an Azorean it is not necessary to be born in the Azores and to remain Azorean it is not necessary to live on our islands.

On this day, reuniting responsible politicians from such diverse origins and authorities of all levels of the administration, we honored not only a friend, but also a state of mind; this is only possible when the people, in their civic and political conduct take, with courage, the purpose of defending justice and those who need it. We continue to need your help not only in the United States but also in the Azores.



Thank you for what you have done and thank you for what you will continue to do.
Minhas Senhoras e Meus Senhores
A participação dos Açores no quadro da União Europeia – não obstante as envolventes crescentes nos planos jurídico, económico e político – não fez abrandar a relação afectiva e referencial que os Açores desenvolvem face às terras do continente americano e, em particular, dos Estados Unidos.
As sucessivas gerações de emigrantes originários dos Açores, bem como o registo do seu contributo tantas vezes reconhecido nos Estados Unidos, e a proximidade resultante da nossa condição permanente de plataforma de projecção estratégica, nos planos político e militar, têm assegurado a perenidade dessa relação aliada entre Portugal e os Estados Unidos, em que pontifica o vector “açor-americano”
A memória desse percurso é longa. Poderíamos até invocar as viagens dos navegadores açorianos, como os irmãos Corte-Real, à América do Norte, ou em séculos mais recentes, as viagens das Embarcações Baleeiras que aportavam nestas ilhas em busca de água fresca, alimento e tripulações de gente corajosa e destemida, que enfrentavam todos os perigos.
A partir do século XIX, por condicionalismos históricos, nomeadamente por questões relacionadas com a posse da terra para cultivo nas ilhas, a existência da fome, as notícias da corrida ao ouro na Califórnia, oportunidades de emprego nas então criadas manufacturas da Nova Inglaterra, ou pelo espírito de aventura, os açorianos optaram por partir em busca de uma terra que possibilitasse melhores condições de vida e a dignidade que os seus valores açorianos e universais reclamavam sem sucesso. Ainda durante o século passado – século XX -, gerou-se a maior movimentação de açorianos ao longo da sua história, mais uma vez à procura de outros horizontes de liberdade e de oportunidades, vislumbrando no novo mundo vida nova, fugindo, ora das calamidades naturais, ora das limitações de um isolamento prolongado pelo abandono político da monarquia em queda, da Primeira República e da Ditadura que só terminaria em 1974.
Hoje, esses surtos emigratórios são quase dispiciendos, mas a relação afectiva é continuamente forte, e a pendência de problemas que resultam dos aspectos comuns da nossa vivência sucessiva até à actualidade reclama um relacionamento compreensivo e produtivo, entre os povos e os seus responsáveis políticos, que deve decorrer com a máxima intensidade.
Entre outros, mas ao mais alto nível e de forma muito especial, Barney Frank assumiu-se como intérprete dessa proximidade secular, e defende, sem rodeios, no seu próprio país, os direitos e os deveres que essa memória carrega na sua reciprocidade.
My dear Barney Frank
Even though you don’t need it, the Regional Government of the Azores distinguishes you.
Because you deserves it and because you are an example.
Thank you







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